Tempestade no Paraíso

Heather Graham · Capítulo 3 de 4 · parte 3/3

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Tempestade no Paraíso

— Não fugirei — Blair asseverou, ciente…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

— E se o seu pai desaprovar? Ele não ficará feliz vendo a filha ao lado de um criminoso. — O que tinha acontecido?, pensou Taylor. Por desejar respostas rápidas, fazia perguntas cretinas, em função da vontade premente de ter Blair por mais alguns dias.

— Andrew Huntington não é meu dono — ela retrucou serenamente.

Aquela era uma afirmação falsa e ridícula, ponderou Taylor. Mas conteve-se e dominou seu lado irônico.

— Pense nisso, Blair. De onde você veio, o que se tornou. Sua família, seu círculo de amigos, você perderia tudo ao ficar com um ex-condenado. Conseguirá lidar com esse fato?

— Taylor... — ela principiou a falar com firmeza, e a mulher que parecia querer matá-lo deu lugar à culta, segura e batalhadora Blair, aquela que era a verdadeira dona de seu coração.

— Nunca me importei com o que passou. O importante é ter fibra para recomeçar. Minha família se resume a meu pai. Ele me ama, e por isso o aceitará. E meus verdadeiros amigos também serão seus amigos. Se quer saber, sim, conseguirei lidar com qualquer coisa.

De certo modo, Taylor sentiu-se diminuído, quase humilhado pela beleza exterior e interior de Blair, e ainda assim não mudaria uma vírgula do que havia falado. Avançou para ela com as mãos grandes, pela primeira vez, trêmulas. Os dedos tocaram-lhe os cabelos, depois traçaram os contornos do rosto delicado.

Ela colheu-lhe a mão e interrompeu o afago.

— Não, Taylor, por favor... — suplicou, com uma linha de lágrimas formando-se nos olhos.

— Pensei que me amasse — ele se queixou.

— E amo, muito. — Com reverência, mantinha a mão dele entre as suas. — Apenas tenho medo do que pode acontecer por aqui. Precisamos chegar logo a uma cidade grande. Darei um jeito de telefonar para Washington.

— Já disse que me entregarei a seu pai, quando a devolver. Faltam só alguns dias, dois e meio para ser exato.

E se fosse apenas outro estratagema? Um subterfúgio de Taylor para se entreter enquanto o tempo passava?

— Que diferença faz? — ela questionou com perspicácia.

— Se você decidiu se entregar, quanto mais cedo, melhor.

Sem responder prontamente, ele foi à cozinha, verteu na pia o bule de café frio e começou a preparar outro, novo. Após acender o fogo, voltou-se para Blair, com uma decisão tomada.

— É importante para sua segurança, é talvez a de outras pessoas, que não paremos em um lugar habitado, até chegarmos a Belize. Juro que, alcançado esse destino, irei com você apresentar-me a seu pai. Aceite isso por enquanto, mesmo porque não há mais nada que eu possa fazer.

Blair fitou Taylor fixamente por alguns segundos, sabendo que não conseguiria demovê-lo. Seu olhar baixou, junto com a cabeça.

— Imagino que também não tenho mais nada a fazer, certo?

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— Não. Mas pode continuar confiando em mim.

Ela balançou levemente a cabeça, avaliando sua noção de confiança.

— Acho que confio em você.

— Pode fazer mais uma coisa: dizer novamente que me ama.

— Eu te amo, Taylor — murmurou —, mas evidentemente não estou feliz com tudo isto. Seria possível navegar mais depressa?

— Não podemos. — Ele insistiu em acariciar o rosto dela e, mais uma vez, foi impedido.

Sem raiva, Taylor a soltou, conservando nos olhos uma estranha amargura.

— Creio que a compreendo, Blair.

O pomo da discórdia era que, embora confiando nele, ela tinha plantado na mente o fato de que Taylor a raptara. Se ele não era culpado da farsa toda, havia dado andamento a ela desde o início. Só não podia lamentar-se. Graças ao rapto, conhecera Blair e descobrira o amor, com uma intensidade inabalável.

— Por que não prepara um lanche, ou faz o almoço? — ele sugeriu, desaparecendo na escada para o convés.

Foi um final frio, nem um pouco dramático, para o momento tão especial em que duas pessoas haviam declarado seu amor mútuo.

Mas tinha de ser assim.

Blair assumiu a tarefa de cozinhar para os dois, enquanto pensava com desespero no fim daquela história. Era importante que terminasse, a fim de dar lugar a uma outra, mais verdadeira e feliz.

Resolveu que apoiaria Taylor, que esperaria por ele caso fosse preso. Mas sentia que algo estava errado. Por vezes, notara um brilho satânico nos olhos dele, mas, em compensação, em outras ocasiões o olhar era doce, hipnótico e passional.

Afastou as sensações impróprias enquanto trabalhava e passou a experimentar uma estranha alegria. Estava apaixonada, e o homem amado também a adorava. Ela já acreditava nele, deixando de questionar sua sinceridade.

 

Capítulo XI

 

No convés, Taylor acendeu um cigarro e ficou contemplando o mar calmo. Ele vivia um dilema. A objetividade exigida por sua atuação como agente especial sofria um rude golpe. Amava Blair, mas ela não o perdoaria quando descobrisse a verdade.

O amor acrescentava facetas novas à sua personalidade, mas a principal, e a mais condenada, consistia no desejo de ouvir elogios de Blair. Teria de convencê-la, mais adiante, de que pelo menos sua paixão era autêntica. Quanto ao resto, o perdão não era uma parte integrante do amor?

Blair ficaria louca de raiva. Mais que isso, furiosa. A questão era: ela teria

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discernimento suficiente para saber se o amava ou não?

Dois dias eram tudo o que lhe restava. Na manhã do terceiro dia estariam atracando em Belize, exceto se algo desse errado no fim daquela viagem.

Taylor ainda aproveitava a pacífica enseada no qual encontrara refúgio. Permanecia mais tempo ali porque, a despeito do encalhe na areia e da tempestade, ele não estava atrasado. O vento o tinha ajudado.

— Café da manhã!

Da posição em que se achava, junto ao mastro principal, Taylor viu Blair aparecer e sorrir para ele. Sorrindo também, ele a seguiu escada abaixo.

— Como já é hora do almoço, deveria ser um brunch — ele comentou.

— E isso mesmo, mas não quis parecer pretensiosa.

Pouco depois, saboreando o farto prato de presunto com ovos, entre goles de café, Taylor notou uma ruga de preocupação no rosto de Blair.

— Um dólar por seus pensamentos — ele instigou.

— Estava pensando... — disse ela com um meio sorriso, enrugando a testa em definitivo.

Blair estudou as feições de Taylor e constatou que os cabelos dele, normalmente longos, já alcançavam o colarinho da camisa azul de trabalho que ele vestia. Por falar nisso, era estranho que ele houvesse passado a se barbear meticulosamente, desde que chegara ao acampamento dos voluntários de combate à fome.

Naquele dia ele ainda não fizera a barba, talvez porque estivera ocupado acalmando-a.

E daí que ele mostrasse uma aparência desmazelada? Os hábitos não mudam de acordo com o ambiente. Mas, se tivesse vindo do meio da mata... De onde será que ele viera?

— Continua pensando?

— O quê? Ah! — Ela congelou na mente as dúvidas sobre os hábitos de Taylor e ponderou como exprimir as próprias incertezas. Desistiu de quaisquer rodeios e perguntou diretamente: — Até que ponto esta situação é grave? Considerando que não vou apresentar queixa por rapto...

O silêncio dele a fez sentir um pouco de medo.

— Você já está recuando? — ele questionou, limpando a boca no guardanapo.

— Não foi o que eu disse — Blair o reprovou asperamente. — Quero saber o que teremos de enfrentar. Creio que é um direito meu.

— Está me perguntando se sou um ladrão, um assassino, ou um terrorista bem-intencionado.

— É exatamente isso que estou querendo saber. — Ela terminou seu café e, nervosa, acendeu um cigarro para ter com que se distrair.

Taylor sorveu seu café devagar, com um demorado gole, e a máscara que lhe escondia as emoções tornava sua fisionomia dura e fria.

Quando colocou a xícara sobre a mesa, falou:

— Ladrão, não. Sequestrador, você já respondeu. Assassino, bem... Estive em uma guerra no Oriente Médio, mas pelo que sei nunca tirei a vida de qualquer pessoa, militar ou civil. Terrorista, também não sou. Minha sentença de prisão não será longa.

Taylor enfatizava as respostas em tom vagamente ressentido. Olhava para Blair enquanto falava, medindo suas reações. Então, ergueu-se abruptamente e caminhou até a escada, deixando-a ali sentada e surpresa com sua atitude. Ali estava ela, tentando ajudar

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aquele homem, e ele agia como um rato enjaulado quando interrogado sobre detalhes de sua vida. Um homem que supostamente a amava.

O mesmo conceito, por diferentes caminhos, parecia ter chegado à mente de Taylor.

— Pensei que você me amasse — disse em tom queixoso.

— Mas eu amo! — Blair colocou o máximo de franqueza na voz. — Pelo menos, acreditei que amasse — completou friamente.

Taylor veio de volta à mesa, visivelmente aborrecido.

— Só lhe pedi dois dias e meio, Blair, e então você terá todas as respostas que quer. Pode me conceder esse enorme prazo? Teríamos milhões de assuntos a discutir, mas sua mente se fixou em apenas um.

— Isso é compreensível, não?

— Não — ele rebateu. — Estamos procurando problemas, justamente quando a tempestade passou e o mar ficou calmo.

Trêmula ao senti-lo atrás dela, Blair serviu-se de mais café. Mas os olhos de Taylor, que ela não podia ver, pareciam forçá-la a se voltar.

— O que quer de mim? — indagou ansiosa*

— Quero isto.

Ele adiantou-se, retirou a xícara da mão dela para colocá-la na mesa e então inclinou-se para um abraço vigoroso.

Blair esboçou resistência, mas Taylor a seduzia com beijos envolventes, que começaram nos cabelos e desceram pelo rosto e pescoço até o colo macio. Seria ilógico negar-se às carícias, quando ela própria o estreitava e encaixava-se no corpo masculino, com os dedos passeando suavemente pela nuca de Taylor.

Principiou a falar com a boca encostada na face dele, sentindo um aroma leve e natural, mesclado ao do vento e do mar.

— Ainda há tanto a combinar... — disse em um sussurro, lutando desesperadamente por autocontrole, enquanto ele cravava os lábios no vão de seus seios, que a blusa quase já não cobria. — Quero dizer... preciso saber o que vamos enfrentar depois que você se entregar às autoridades.

Ela falava coisas certas, mas as palavras faziam pouco sentido quando entremeadas pelos gemidos que Taylor provocava. A língua dele encontrara sua orelha, e uma onda de calor espalhou-se por seu corpo.

— Blair... — ele murmurou com visível desejo, segurando-a contra si. — Preciso fazer amor com você. Agora. Preciso muito.

As lembranças da noite em que ela própria se derretera sob a avassaladora urgência dos sentidos indicaram o caminho: enterrar os fantasmas e medos do passado e entregar-se sem reservas às sensações que Taylor sabia lhe proporcionar, transformando-a para sempre.

Mas tudo isso beirava a insanidade: ela ainda era refém dele!

Como se negar, porém, uma experiência tão deliciosa? As reações físicas se tornavam irresistíveis, e Blair vinha perdendo, segundo após segundo, a vontade de lutar. As roupas já a incomodavam, precisavam ser tiradas.

— Preciso de você, querida — Taylor repetiu, com uma voz ardente que a inflamou também.

As mãos grandes e fortes deslizaram pelas costas, pelo busto, pelo ventre dela, arqueando-se sobre cada curva, atritando o corpo quente, criando uma necessidade especial. A resposta de Blair veio instantânea, na forma de um ajuste sensual entre os dois corpos.

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— O que será de nós? — ela ainda conseguiu argumentar antes de se entregar completamente à oferta amorosa que Taylor fazia.

— Temos o momento presente — ele respondeu. — O futuro é sempre incerto. E se o amanhã nos trouxer uma longa separação?

O que ele estava fazendo? Devia pensar melhor no que dizia, até mesmo para não incorrer em mentiras. A resposta era simples. Blair o possuía de modo completo e irrevogável. Talvez, com o fim da aventura, ela o amasse o suficiente para compreender que ele também a havia amado até o limite da loucura e que jamais a esqueceria.

— Taylor...

Estaria protestando de novo ou conclamando-o para o ato de amor? Ele só sabia que a tinha nos braços, suplicante e sensual. Não esperou mais. Cobriu-a de beijos, agarrou-lhe o corpo, acariciou os pontos sensíveis com a boca ávida. A beleza diáfana de Blair o excitava cada vez mais.

Ela entregou-se à força do desejo, mas precisou respirar. Afastou-se um pouco, e uma agonia lhe rasgou o ventre. Ele a fitou com os olhos dourados que ao mesmo tempo imploravam e ordenavam seu retorno. Blair sorriu com ternura, e Taylor entendeu. A frágil mão feminina que o tocou estava surpreendentemente firme ao conduzi-lo até a cama.

Mais tarde, Blair ficaria imaginando qual demônio da volúpia a possuíra. Mas o que Taylor dissera representava a mais pura verdade. Ela havia aprendido, de modo amargo, que não se podia contar com o amanhã. Queria agarrar o presente com ambas as mãos, desfrutando tudo o que não podia ser negado, como seu desejo por ele.

De costas para Taylor, Blair se livrou das roupas e escutou o pedido para virar-se. Obedeceu, vendo que ele também se despira, à sua maneira felina e silenciosa. Por momentos, somente se observaram, fruindo a beleza física que um admirava no outro.

Ele poderia venerá-la no altar de uma deusa, pensou Taylor, cedendo a um instante de excentricidade. Havia mudado seu comportamento de diversos modos, e algumas coisas simples dentro dele só Blair conseguia trazer à tona. Ela tinha capturado o que existia de mais sublime em sua alma. E também em seu corpo. Se os olhos não paravam quietos, os dedos mostravam a compulsão de tocar tudo o que era visto. E Taylor sentiu o sangue começar a ferver, o coração a pesar, conforme percebia as reações de Blair a seus toques provocantes: os mamilos rijos e altos, os seios arfantes, os lábios entreabertos.

As mãos dela não tardaram a retribuir os carinhos, e os músculos dele se contraíram ao contato da pele macia. Fervor e paixão levavam os dedos de Blair até as saliências sensíveis do corpo de Taylor, que respondia com langoroso tremor e beijos mais suaves, como se lhe bastasse degustar o sabor da pele feminina.

Em seguida, dobrada sobre ele, Blair espanou-lhe o tórax e a virilha com os cabelos cor de fogo e os seios macios, acendendo uma crescente sensualidade, marcando a pele dele com uma sucessão de beijos eróticos.

Era mais do que Taylor podia suportar. A reverência que tinha por aquela mulher, como única deusa de seu altar, irrompeu transformada em volúpia. Sem reprimir-se, ele apertou Blair nos braços antes que ela se deitasse, esticada na cama. Nada pôde fazer em termos de temperança. Por várias noites, havia ocupado seu canto no leito, ao lado dela, sem poder mover pernas e braços. Por várias noites, havia sonhado com uma situação diferente, na qual ela atendia ao convite explícito que ele lhe oferecia. Assim, entre frenético e aliviado, encontrou-lhe o ninho, pronto para recebê-lo.

— Você está fervendo — balbuciou no ouvido dela, mirando-a depois com a profundeza dourada de seus olhos, pedindo calado que nada, nada lhes fosse proibido no contato carnal. — Lindo, maravilhoso fogo.

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Para Blair, foi como se o tempo houvesse parado. Nenhum poder no mundo, salvo o próprio Taylor, poderia expulsá-la do paraíso prometido. Nada havia além dele, do olhar, da sensação, do toque e do cheiro masculino. Preenchida por ele, embriagada, mas astuta, ela intensificou o ritmo dos movimentos, ansiando pelo fim. Juntos alcançaram o êxtase, e logo em seguida viveram mais um momento milagroso, quando o delírio sensual transformou-se em um ruído cavo que nada mais era do que dois corações batendo em sintonia.

Quando a tempestade erótica terminou, Blair não fugiu de Taylor. Sob ele, acolheu-o em seu relaxamento com alegria, ainda tocando-o com gentil reverência, as mãos confortavelmente apoiadas nas costas bronzeadas. Ele mantinha um braço em torno dela, e assim trocaram um sorriso cúmplice.

Teriam ouvido um novo som vindo de seu interior?

Cada qual fechado em um mundo de prazeres, custou-lhes reconhecer o ruído, mas agora estava quase em cima deles. Movendo-se rapidamente, Taylor abriu a cortina da escotilha e olhou o mar com apreensão.

— Levante-se — falou pesadamente.

Confusa com aquela mudança brusca de comportamento, Blair tentou reconhecer o som que a havia provocado, mas ainda estava zonza demais para raciocinar com coerência.

Taylor estava tenso, empertigado, e uma sensação de desânimo abateu-se sobre Blair.

Ela observou uma gama de esgares e contrações tomar conta do rosto de Taylor. Mesmo repetindo para ela se levantar, ele permaneceu frio e calmo, vestindo calção e camiseta. A dureza nos traços faciais estava de volta, bem como o felino olhar de alerta.

Ela saltou da cama com a certeza de que existia algo de errado. Ainda tentava colocar a calça jeans quando ele se dirigiu à escada.

— O que é? — indagou, um tanto temerosa, mas interrompendo a escalada de Taylor para o convés. Nem parecia que, momentos antes, fizera amor com aquele homem, agora tão frio, empedernido e sem emoção.

— Não desconfia, sra. Teile? Sua liberdade. Tudo o que tanto almejava.

Claro. O som fora produzido por um grande barco a motor que se aproximara do La Princesa, enquanto este ficara parado na enseada.

Era cerca de três vezes maior e chamava-se USS Wind, como Blair leu ao chegar ao convés, atrás de Taylor. Um grupo de marinheiros se amontoava a bombordo.

Resgate? De algum modo, alguém tinha vindo resgatá-la.

— Continue quieto, Taylor, e não faça nada, ou pode levar um tiro — ela pretendeu tranquilizá-lo. — As coisas não mudarão entre nós, e você poderá recorrer a meu pai depois de se entregar.

— Não se preocupe. Não farei nada.

Novamente Blair estranhou a calma exibida por Taylor, novamente pensou que não o conhecia de fato. Era um estranho. E ela acabara de se entregar outra vez a um homem totalmente indiferente. Um bom fingidor, que deixara o papel de amante para assumir o de tirano.

O barco grande posicionou-se ao lado do La Princesa e o motor foi desligado. As duas embarcações se emparelharam, e uma pinguela de cordas e ripas, fixada por ganchos nas duas extremidades, foi estendida para permitir o trânsito entre os dois barcos.

Por um instante, Blair pensou que Taylor planejava esconder-se atrás dela, usando-a como escudo humano. Mas ele não a agarrou, apenas lhe roçou o corpo, assumindo uma expressão fechada, como se mal se conhecessem.

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Então, Blair notou que um dos tripulantes do outro barco não era um marujo, e sim seu pai, que acenava e sorria!

— Taylor! — ele bradou, como se pedisse para o outro abrir espaço e revelar-lhe a filha. — Blair, minha querida! Meu Deus, como é bom vê-la!

Ela sentiu-se gelar. Seus membros pareciam feitos de chumbo, tão inúteis quanto a mente que captava a mensagem transmitida pelos olhos e ouvidos. Pestanejou, atordoada, imaginando se estava vendo coisas.

Não estava. Tratava-se realmente de seu pai, Andrew Huntington, que do convés do outro barco estendia para ela os braços trêmulos.

— Papai! — gritou da amurada, de onde acessou a pinguela com a ajuda de um marinheiro forte.

Correu a fim de abraçar o pai. Ele a acolheu, afagou-lhe os cabelos e acariciou sua face com as mãos. Naquele momento, Blair sentiu a fraqueza, o peso da idade daquele ser tão querido, devastado por anos de angústia e preocupação. Mas ele obviamente conhecia Taylor, a quem chamara pelo nome. Passada a emoção inicial, ela recuou.

— O que está acontecendo aqui? Agora você é um pirata? — Blair fustigou o pai com olhos acusadores, que se alternaram entre ele e o homem impassível do outro lado.

Ela tentou se controlar, manter suave o tom de voz, lembrar-se de que o pai era idoso, marcado por suas preocupações políticas com o destino de uma nação. A contragosto, começou a tremer de raiva, a raiva de quem se sentia uma idiota, que apenas lentamente percebera isso, que se dera inteira a um homem prestes a mudar de lado e que, em sua tola imaginação, faria isso por amor a ela.

— Ninguém vai me responder? — exigiu em voz alterada.

Mantendo a vista em Huntington, Taylor permanecia inabalável, os braços cruzados junto ao peito. Obviamente, não pretendia contestar nenhuma questão apresentada por Blair, deixando essa tarefa ao pai dela. Compunha a figura de um observador medianamente interessado nos fatos, nada mais, e aguardava com paciência para ver como o experiente político lidaria com o assunto.

— Papai? — Ela dardejou os olhos furiosos na direção do pai.

— É uma longa história, filha —- ele começou. — E classificada como sigilosa até esta manhã. Craig Taylor trabalha para o governo...

— Entendo. — Ela interrompeu friamente, sabendo que veria tudo borrado depois de um terrível arrepio. Seus pensamentos dispararam dentro da mente, confusos e incoerentes. Deveria estar grata por Taylor não ser um terrorista, por seu pai estar ali para protegê-la, por tudo ter acabado.

Estranhamente, porém, não se sentia agradecida. Na cama da cabine, os lençóis ainda carregavam o calor úmido de dois corpos em delírio, e Taylor por certo nunca precisaria de perdão. Assim como não era um terrorista, também não se confundia com um criminoso comum. Era uma espécie de agente secreto, que brincara com ela ao despertar-lhe os sentidos adormecidos. E como havia brincado! Ingênua, Blair o recebera em seu coração, e ele provavelmente vivera aqueles dias rindo pelos cantos.

— Um agente secreto? — retomou o fio da conversa.

— Taylor é um diplomata, filha — esclareceu Huntington. — Lotado em serviços especiais.

— Diplomata? Mas... — O espanto de Blair misturou-se ao sarcasmo. — A diplomacia norte-americana está realmente mudada! Já permite que um de seus funcionários rapte uma vítima inocente, depois de pô-la a nocaute com uma injeção, e use um barco caindo

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aos pedaços como cativeiro!

A tensão pareceu permear todo aquele braço de mar. Huntington olhou significativamente para Taylor, que deu de ombros, e depois para Blair.

— Não o culpe. Taylor estava sob minhas ordens diretas. Nada podia ser revelado antes porque a operação era sigilosa. O próprio Taylor desconhecia o verdadeiro motivo para aprisioná-la.

— Suas ordens! — Ela suspirou. O pai havia ordenado que fosse raptada!

— Bem... — Huntington fez-se de inocente. — Já lhe disse que é uma longa e complexa história. Temos um longo caminho até em casa. Horas de voo a partir de Belize. Posso explicar tudo no trajeto. Se estiver pronta, há um batalhão inteiro de pessoas à nossa espera.

— Estou pronta — Blair murmurou, carrancuda.

— Taylor? — Huntington o chamou. — Um de nossos marujos pode cuidar do La Princesa. Vem conosco?

— Obrigado, mas não. O senhor chegou adiantado!

Realmente, viera antes da hora aprazada e quase pusera tudo a perder entre ele e Blair.

— Tudo ficou resolvido esta manhã, e não pude esperar. Desculpe-me por isso. Sabia que o encontraria ao longo da costa.

— Sim, compreendo — Taylor resmungou. — Mas tenho alguns pertences no barco e alguns problemas a resolver em Belize, antes de voar de volta.

— Está bem — Huntington concordou. — Blair, precisa de algo que esteja no outro barco?

— Não — ela respondeu com frieza. Olhou para Taylor, com ar tão duro e implacável quanto o dele. — Não existe nada no barco que eu queira recuperar.

Huntington aceitou a ajuda de um marinheiro a fim de saltar para o barco menor. Queria alguns minutos a sós com o agente.

— Devo muito a Taylor — Huntington ainda explicou à filha. — Saiba que ele não queria participar de nada.

Do convés do USS Wind, Blair viu que Huntington e Taylor desciam para a cabine. Reconsiderou sua opinião sobre o pai, bastante ágil para um homem daquela idade.

Enquanto esperava, contendo a raiva, concluiu que era ela quem merecia uma explicação, não Taylor! Imaginou que tipo de ordens o pai dera a ele, e em qual parte da missão se encaixavam os ardentes atos de amor.

— Vamos, filha — o diplomata propôs ao reaparecer, sozinho.

— Só um minuto, papai. Também preciso conversar com Taylor.

Repetiu o ritual de acesso, alcançou a cabine e deparou imediatamente com o homem de olhos diabólicos que parecia aguardá-la, com as mãos na cintura e uma expressão de enfado no rosto.

— Então, você é um... diplomata — ela debochou.

— Blair... — ele a interrompeu.

Por uma fração de segundo ela acreditou que Taylor iria implorar por compreensão, dizer que tivera motivos para esconder-lhe a verdade, garantir que o amor entre ambos era real, não um passatempo.

No entanto, não foi o que ocorreu. Blair estava decidida a descartar o papel de tola ou ingênua. Pelo que havia acontecido entre os dois, Taylor por certo era capaz de esbanjar

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ternura, mas não gostava de demonstrá-lo. Filtrando tudo o que lhe falara, pouco iria sobrar.

Antes que ele se expressasse, a mão de Blair acertou-lhe o rosto com veemente ira, criando o agudo e ressonante som de um tapa no ar tenso.

— Leve isto com você para a cadeia, se é que vai ser preso! — ela disse com falsa doçura, virando-se para sair dali. Ele não iria revidar, agora que seu pai estava por perto.

Taylor não revidou, mas a impediu de sair. O braço se esticou, os dedos se fecharam sobre seu pulso, e Blair teve de encará-lo de frente outra vez. A expressão dele denotava que, se ele optasse por devolver a agressão, não importaria quem estivesse no convés.

— Ouça, princesa... estou só começando a compreender esta conspiração e por que ela foi necessária. Mas você não se dispõe a escutar. Já fez seu julgamento, dentro de sua pequena mente perversa, sem saber o que...

— Eu sei — ela atalhou, furiosa — que você poderia pelo menos ter me dado algumas pistas, quando conversávamos sobre crimes e criminosos, ou quando ficávamos sem assunto na cama, depois de...

— Eu não podia contar, Blair. Tudo era sigiloso, segredo de Estado.

— Podia ter contado que trabalhava para meu pai. Tratou-me como uma idiota, que servia apenas para ajudá-lo, para cuidar de você e para fazer sexo... Oh! Você deve ter rido muito de mim!

— Nada disso. Fiz o que devia fazer.

— Vá para o inferno, Taylor. — Ela tinha de sair dali, antes que irrompesse em lágrimas. — Com licença!

Passou por ele com o que lhe restava de dignidade, escapou da mão que procurava detê-la mais uma vez e subiu a escada, tremendo como folha ao vento.

— Ainda pretendo descobrir — completou — por que fui dopada, raptada e aprisionada neste barco, ainda mais por ordens de meu próprio pai!

Viu-se quase sem fôlego ao reencontrar Huntington e soltou-se nos braços dele a fim de recobrar o equilíbrio corporal.

— Vamos — pediu, fechando os olhos por um segundo, para guardar a última imagem de Taylor: as marcas de seus dedos no rosto magro e bronzeado, os olhos cor de mel injetados de vermelho, as mãos erguidas em uma simulação de defesa. E para guardar as palavras, claro, as palavras pronunciadas com tanta intensidade.

— Não descarregue sua raiva em cima de Taylor — o veterano político pediu à filha, tomando-lhe a mão. Estava incerto quanto à capacidade dela de compreender. — Taylor só aceitou a missão por insistência minha. Era o melhor agente de que eu podia dispor. Trabalhou muitos anos em lugares conturbados como o Oriente Médio, a Irlanda do Norte...

— Papai... — Blair murmurou, mal conseguindo segurar o choro.

Estava furiosa com o pai também, mas tratava-se de seu pai. Adorava-o e não o magoaria por nada no mundo. Sabia que, no devido tempo, receberia dele a explicação. Por enquanto, só podia confiar nele, dar-lhe o crédito irrestrito que negara ao homem de quem se tornara amante.

— Papai... — repetiu, grata por ele notar sua emoção e apertar seus dedos para dar-lhe segurança. — Há muito que conversar, mas não aqui.

Blair inclinou a cabeça pela amurada e viu os marinheiros recolherem a ponte provisória que ligava o barco ao La Princesa. A imagem que lhe veio à mente foi a de um corte de cordão umbilical, de um rompimento com o passado recente. Por isso, sorriu. E sua aparente indiferença mascarou a infelicidade e a humilhação que grassavam dentro dela.

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O grande barco então zarpou. Havia um longo caminho até o lar e a privacidade. Do Caribe a Belize, de Belize ao Texas, do Texas a Washington.

Craig Taylor permaneceu sentado à mesa da cabine enquanto o rugido do motor do outro barco diminuía na distância, até que tudo voltasse ao silêncio. Seus dedos procuraram automaticamente um cigarro, que ele acendeu com um leve tremor.

Blair havia tido algumas surpresas naquele dia, mas nunca suspeitara que o maior e mais cruel imprevisto estivera reservado para ele.

Nunca, nem em sua mais delirante fantasia, poderia imaginar que Andrew Huntington viesse a seu encontro, ao longo da costa, em vez de esperá-lo em Belize, conforme o combinado.

Em compensação, agora ele sabia por que recebera a ordem de raptar sua "princesa". Embora tudo fizesse perfeito sentido, isso não contribuía para acalmar o turbilhão em sua mente.

E a questão principal referia-se à própria Blair. Ela seria capaz de compreender, um dia, que tudo fazia sentido? Talvez, mas poderia levar muito tempo. Não era o tipo de mulher que tolerava ser enganada.

Talvez ela entendesse, por fim, por que ele não pudera quebrar seu voto de silêncio. Uma vez suspenso o carimbo de "sigiloso", o próprio Huntington a faria perceber como a situação anterior havia sido precária e perigosa.

Sim, tudo podia ser explicado. Na qualidade de pai, Huntington faria questão disso e Blair perdoaria o pai, a quem amava. "Mas, e eu?", pensou Taylor soerguendo as sobrancelhas. Já admitia ter caído na própria armadilha. Nunca poderia alegar um ingênuo desconhecimento dos passos que dera. Simplesmente desejara Blair com mais intensidade do que recomendava o bom senso. No entanto, havia satisfeito e adorado sua princesa mesmo quando ela, afetuosamente, tentara modificá-lo. Em suma, não conseguira parar.

O tapa que recebera ainda ardia em sua face. Taylor tinha perfeita consciência do que Blair pensava dele.

Ele avaliou até que ponto Huntington chegaria a saber daquele relacionamento. Provavelmente pouco, mas isso não importava. Era hora de dar carga total ao motor do barco, ganhar velocidade de modo que ninguém mais o encontrasse. A missão estava cumprida e encerrada. Ansiava por chegar logo a Washington e retomar o trabalho normal, sempre se equilibrando na tênue linha entre legalidade e ilegalidade.

Era-lhe difícil, porém, apagar a imagem de sua refém, sua princesa. O perfume dela impregnava a cabine, a vibração sensual continuava colada aos móveis. Blair se tornava um fantasma de delicada força, orgulho, lealdade e determinação. Um belo fantasma, enfim, irredutível e sem piedade pela solidão que ele sentia.

"Acabou, Taylor", repetiu mentalmente diversas vezes.

Com isso, preparou a vela e, com o motor à toda, desafiou o vento forte que soprava fora da enseada. Percorreu a costa velozmente, agora sem a preocupação de topar com vilarejos habitados pelo caminho. Espuma branca se formava e envolvia o casco. Pingos salgados lhe fustigavam o rosto. E ainda assim Taylor não conseguia descartar a memória, trancar o coração e esquecer o amor.

Até mesmo a voz de Blair parecia assombrá-lo, recortada na brisa, com um murmúrio carinhoso: Eu te amo, Taylor...

Subitamente, ele cortou o motor e o La Princesa deslizou com vagar pelas ondas baixas. Ele teve um acesso de riso. Ria para o vento, para o mar, para si próprio.

— Você tem de acreditar que os persistentes vencerão — recitou.

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Caía o anoitecer. Taylor voltou a acelerar o barco, após calcular que em poucas horas aportaria em Belize. Não via a hora de pisar em terra firme, de ter uma folga. Antecipando a chegada, ele vasculhou a geladeira da cabine e encontrou uma lata de cerveja.

— A você — fez um brinde — e aos persistentes — completou. Olhou para a cama ainda desfeita, com os lençóis amarfanhados, e disse: — E a você, princesa. Está bem. Vamos encarar os fatos. Armei uma bela confusão, mas precisava fazer isso. Pense um pouco e entenderá, querida. Fui jogado contra os maiores fanáticos de nosso tempo. E você acha que um simples tapa porá fim à saga de Craig Taylor? Nunca na vida, princesa.

Ela precisaria de tempo para se recompor e se acalmar. Quem quer que houvesse decretado que, em geral, as ruivas tinham temperamento explosivo provavelmente estava coberto de razão. Mas Blair pouco possuía da mimada moça de sociedade que ele havia esperado de início. Era sensata, equilibrada e compreenderia tudo o que Huntington tinha a lhe dizer.

Claro que não havia explicação para Taylor ter inventado o medo de ser preso e, por longo tempo, somente para levar Blair para a cama.

Isso ela teria de perdoar.

Naquela mesma noite, Craig Taylor entregou o La Princesa a seus armadores, em Belize. Dormiu melhor do que em muitas semanas, no quarto de um hotel turístico, com ar condicionado, colchão firme e confortável, roupas de cama macias e quentes, e a despeito disso o primeiro despertar de Taylor em um lugar civilizado só lhe trouxe saudade da cabine do barco em que havia amado e possuído Blair. Impossível trocar a suavidade da pele dela pela cama de um hotel.

 

Dois dias depois, Craig Taylor chegou a Washington, e com passadas largas avançou pelo corredor que levava à sala de seu chefe. Lorna Patterson, a antiga secretária de George Merrill, saudou-o efusivamente, mostrando disposição de sair de sua mesa para dar-lhe um abraço.

Mas ele já havia ultrapassado os domínios de Lorna. Taylor não fazia cerimônia com ela, embora a secretária sempre parecesse deslumbrada por sua figura. Não era uma mulher bonita, e sabia disso. No entanto, tinha uma especial habilidade para detectar a fragilidade humana em geral e os egos feridos em particular. Encantado, Taylor nunca a deixava sem algum elogio. Era capaz de reparar em um novo penteado, um novo vestido, e sem falsa lisonja fazia com que ela se sentisse bela. Lorna o adorava por isso.

Naquele dia, porém, Taylor achava-se distraído. Acenou para a secretária ao ouvir a informação de que George estava em sua sala e seguiu em frente. Sem bisbilhotar, Lorna escutou o chefe saudar o visitante em voz alta.

— Taylor! Estava esperando por você. Tivemos problemas com a nova política referente a...

— Calma — o agente pediu. — Preciso conversar muito com você. Quero requerer uma trans...

A porta foi fechada, e Lorna nada mais ouviu.

Trinta minutos depois, George e Taylor saíram do escritório. Nenhum dos dois parecia particularmente feliz.

— Quanto tempo eu tenho? — indagou o agente.

— Uma semana — o chefe respondeu como se pedisse desculpas.

Taylor contemplou seu superior por alguns instantes. Ainda demonstrava

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consternação. O chefe abriu a boca para falar, mas nada disse, o que era uma raridade. Nove em dez vezes George vociferava com os subordinados. Mas Lorna ficou ainda mais surpresa quando ele entoou:

— Obrigado, Taylor.

Emoções conflitantes passaram pelo íntimo de Taylor. Tensão, dor, remorso, resignação e firmeza. Depois, ele forçou um sorriso seco que não apagou o pesar manifesto em seus instigantes olhos cor de mel.

— Certo, chefe. É um compromisso, como você disse.

— Estará tudo pronto quando você voltar, Taylor. Eu garanto.

George voltou à sua sala, deixando Taylor momentaneamente desorientado. Logo ele tomou consciência de que Lorna o observava com simpatia, apesar de não compreender nada do que se passava.

Taylor sorriu para ela, causando um desproporcional contentamento, e então se apoiou no canto da escrivaninha.

— Como andam as coisas, Lorna?

— Bem — foi a resposta. — Como sempre.

Ela pretendia prolongar a conversa, já que ninguém mais era esperado no escritório, mas Taylor continuou sorrindo, levando a secretária a perceber que ele não prestava atenção. Havia sido simplesmente amável.

"Mas que homem!", pensou Lorna. Um pirata moderno, santo e pecador ao mesmo tempo. Um belo espécime de macho, por quem toda mulher poderia facilmente se apaixonar. Ela não fazia parte desse time, mas seria amiga incondicional de Taylor até a morte.

— Posso ajudá-lo em alguma coisa? — ofereceu-se. — Se você tem um problema, estou aqui para ouvir.

Pela primeira vez, o sorriso dele tornou-se real. Acenou com a mão no ar.

— Obrigado, Lorna, mas você não pode ajudar. — Com um esgar, Taylor afastou-se da mesa. — Compromisso — murmurou, e prosseguiu falando até chegar à porta de saída e voltar-se: — Talvez possa, sim, Lorna. Diga-me, as mulheres acreditam em compromisso?