Theus: Do Fogo à Busca de Si Mesmo

Fabrício Viana · Capítulo 1 de 1 · parte 2/6

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Theus: Do Fogo à Busca de Si Mesmo

Capítulo 1

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 6 partes.

– Sim, dói muito, mas é muito gostoso! Deveríamos ter feito antes! Estou me sentindo todo arregaçado, cara... mas é muito bom! – Eu sabia que você iria gostar!

Os dois, exaustos, permaneceram em silêncio por alguns minutos. – Ronaldo, eu vou ficar assim aberto para sempre? – Pedro quebrou o silêncio, com cara de preocupado.

– Não! – Ronaldo gargalhava por conta da preocupação do amigo. – Daqui a pouco, quando eu tirar, as suas pregas voltam ao normal. – Como assim?

– É igual a fazer cocô... – ele realmente não tinha um exemplo melhor. – Quando você vai ao banheiro e demora, você sente as pregas abrirem. Se ficarem muito tempo abertas, mesmo que você termine e saia do banheiro, a sensação continua durante alguns minutos até elas fecharem novamente. Entendeu?

– Entendi... tudo depende das pregas e do cocô entrando e saindo, não? – brincou ele.

– Cala a boca! Meu pau até amoleceu com essa piada sem graça! Mas se quiser saber a verdade, tudo depende de quem você está fodendo ou de como você está sendo fodido! Tem que ter química, e saber fazer. Não é só sair metendo. Uns até gostam, mas a maioria não. – Ronaldo lambia seu pescoço e sua orelha.

– Seu safado! Aliás, safadeza deve ser de família, né? Quando eu pego a sua prima, ela dá que nem uma cadela no cio! – Eu sei!

– Você sabe? – Pedro espantou-se.

– Sim. Quando pequeno, a gente brincava de algumas coisas! Outro dia te explico! O que importa agora é que sempre que você vier visitar seus parentes aqui em Capão Bonito, eu vou poder meter nesse seu rabo gostoso! – Com certeza. Agora vamos voltar para a fazenda antes que deem conta de nosso sumiço.

– Tudo bem, vamos!

Àquela altura, Junior, quase explodindo de tesão, mas com medo de ser descoberto, pegou suas coisas, levantou-se e saiu dali correndo em direção a umas árvores. Quando já estava bem longe, ele se enfiou no meio de uns arbustos, abaixou a calça e começou a se masturbar, gozando logo em seguida. Ele precisava mesmo se aliviar, nunca tinha visto uma cena de sexo e muito menos imaginava ver a transa de dois homens.

Quando Junior chegou em casa naquela noite, sua mãe, preocupada, o esperava na porta:

– Meu filho, o que aconteceu?

– Desculpe, mãe, eu estava jogando bola com os meninos da escola – disse ele, um pouco nervoso.

– Meninos do mundo, né? – ela referia-se as pessoas que não eram da igreja.

– É, mas eles são legais!

– Tudo bem, mas quando for assim, avise antes para não ficarmos preocupados. Esta estrada é quase deserta, tem pouca luz e você é nosso único filho. Agora vá tomar seu banho, o jantar está pronto e amanhã é um novo dia. Quero ver você logo cedo trabalhando – ela beijou sua testa. – Apenas não faça mais isso, se não eu morro do coração! Você sabe que eu te amo muito.

Junior foi para o quarto, pegou roupa e toalha e entrou no banheiro. Como a cena do Ronaldo comendo a bunda do Pedro há poucas horas não saía de sua cabeça, ele voltou a ficar excitado. Sem pensar duas vezes, ele se masturbou de novo, repassando todas as imagens em sua mente. “Como é bom se masturbar debaixo do chuveiro!”, pensava. “Mais ainda deve ser comer uma bunda. Ou dar a bunda.” O êxtase era tão grande que ele gozou rápido, só com estes pensamentos. Depois da chuveirada e da gozada, ele jantou, descansou um pouco e deitou-se para dormir. Já no dia seguinte, uma grande surpresa lhe aguardava. 0521002005000113150005002215210007180920011800160118010020150 4150013211404150015212209180020051800221503050005001305210004 0519051015000405002005002205180012051302180100040519190100132 1190903010010211409151800172105000521000301142001220100160512 0100030119010005210019051316180500030114200509001605141901140 4150005130022150305

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CAPÍTULO 5

– Vamos acordar, moleque! Está na hora de levantar – seu pai falou alto, enquanto entrava no quarto para abrir a cortina e a janela. – Mais um dia de trabalho nos aguarda! – o velho disse, esbanjando energia e disposição.

– Bom dia, pai! Já vou levantar! – respondeu Junior. – Acho bom, porque hoje tem muito trabalho! – disse seu pai, saindo do quarto e fechando a porta.

Junior se levantou, lavou o rosto, escovou os dentes e foi tomar café. Na mesa estava apenas sua mãe.

– Bom dia, mãe!

– Bom dia, meu filho! Meu menino dormiu bem? – perguntou sua mãe, que sempre era muito amável.

– Sim. Dormi sim. Apenas tive um pesadelo. Onde está o pai? – Ele já foi para o trabalho. Quer chegar antes de todos para organizar as coisas. Mas me diga, que raios de pesadelo foi esse? – Nada de mais, mãe.

– Se não é nada de mais, então conte para sua mãe! – Está bem... – Junior disse, um pouco pensativo. – Eu me lembro de estar sozinho numa casa grande quando, do nada, senti a presença de algo ruim por perto... fiquei com muito medo. Não sabia o que fazer, nem para quem pedir ajuda. No desespero, acabei correndo em direção à plantação de milho que tinha lá fora, parecida com a nossa. – Nossa, que sonho estranho! E o que aconteceu depois? – ela perguntou enquanto servia café e leite.

– Eu olhei para trás e a casa estava pegando fogo. O caminho que fiz até o milharal também. Mas não fazia calor, pelo contrário, quanto mais fogo, mais frio eu sentia. Era como se o mal estivesse ali bem atrás de mim. – Deus me livre, meu filho! – disse Dona Josefa, fazendo cara feia. – Depois eu não me recordo de mais de nada. Apenas que eu caí em uma poça de lama e comecei a afundar. Então eu acordei. – Isso foi mesmo um pesadelo! Por isso temos que orar e pedir a benção de Deus todos os dias! – ela falou, pegando a Bíblia e dando um beijo nela. – No final de semana, vou pedir ao pastor Silas uma oração, está bem?

– Está bem, mãe. Mas não ligue. Não é nada de mais, mesmo. Foi apenas um sonho.

Era verdade, aquilo tinha sido apenas um sonho. O que Junior não havia contado à sua mãe era que, dentro do sonho, momentos antes de sentir o mal, ele estava super excitado, no banheiro daquela casa, pronto para se masturbar pensando nos dois homens da noite anterior. Mas isso era apenas um detalhe insignificante e que, por saber que era algo inaceitável, ele jamais poderia contar. Quando terminaram de tomar café e conversar, Junior trocou de roupa e foi para o milharal. O trabalho o aguardava. Assim que chegou ao milharal, seu pai, que era o dono daquela pequena plantação, pediu para Junior ficar no depósito ajudando a descascar e a encaixotar o milho já colhido no dia anterior. – Mas fique tranquilo, meu filho! Você terá um novo ajudante! – falou ele, dirigindo-se ao depósito.

“Novo ajudante? Mais um?”, Junior pensou no caminho. Seu pai só poderia estar ficando louco, pois desde que ele havia resolvido criar uma pequena plantação de milho nos fundos de sua casa utilizando terras alheias, o que ele mais tinha feito era dar para meninos e homens de família a oportunidade de ganhar alguns trocados trabalhando naquela plantação. Mas isso não era surpresa, surpresa mesmo estava para acontecer assim que ele entrasse no depósito com seu pai.

– Junior, este aqui é o Ronaldo! – falou seu pai, mostrando seu novo ajudante. – Ronaldo, este é o Junior, meu filho! – Muito prazer, Junior!

Ronaldo estendeu a mão. Junior, chocado, não conseguia se mover. Era mesmo o Ronaldo, o cara que havia comido a bunda do Pedro na noite anterior.

– Não liga, Ronaldo, meu filho é um pouco tímido – seu pai falou com um sorriso amarelo. – Aperta a mão dele, meu filho!

– Muito prazer! – Junior saiu do transe e apertou a mão do Ronaldo. – Agora vou deixar vocês dois aí. O Junior sabe o que deve ser feito e vai te ensinar tudo direitinho, está bem?

– Pode deixar, Sr. Antônio. Eu também aprendo rápido. – Junior, além do milho que já tem aqui, os meninos vão trazer mais conforme formos colhendo. Ronaldo, qualquer coisa eu estou lá fora na parte de baixo. Fique à vontade!

Assim que seu pai saiu, Junior, meio desconcertado, explicou timidamente ao Ronaldo como descascar o milho e colocá-lo na caixa de forma a não estragar.

Ronaldo aprendeu rápido e, durante o trabalho naquela manhã silenciosa, não tirava os olhos de Junior por nada. Até que, passadas algumas horas, Ronaldo resolveu quebrar o silêncio. – Olha, não se ofenda, não, mas você é um cara muito boa pinta! As meninas devem cair matando em cima de você, não? – Não – Junior trabalhava sem olhar para o Ronaldo. – Como não?

– Eu sou um pouco tímido...

– Quer dizer que você nunca?

– Nunca o quê? – Junior se fez de bobo. – Você sabe... foi para a cama com uma mulher? – Eu? Bem, eu já fui sim! – ele se recordou das vezes que havia brincado com Maiara. Ele falou aquilo só para tentar demonstrar alguma experiência.

– E aí, é muito gostoso, não?

– O quê?

– Comer uma garota!

– Sim, é sim.

Ronaldo, muito esperto, percebeu que era mentira, mas como ele sempre havia gostado de sexo e de falar de sexo, continuou. – Eu também adoro. Sexo é comigo mesmo. Adoro pegar uma garota na cama, no mato, em qualquer lugar – Ronaldo estava ficando visivelmente excitado.

Junior, querendo não parecer interessado, apenas concordou com tudo. Ronaldo continuou:

– Antes de ontem mesmo, eu saí com uma garota que era muito gostosa! Ela fazia de tudo na cama. Seu único problema era ser casada. – Casada?

– É, casada. Mas é como se não fosse! Todo mundo aqui na cidade pega ela! – Ronaldo falou baixinho. – Alguns dizem que o corno do marido dela até sabe, mas não liga. Outros dizem que ele ajuda arrumando homens para ela e, quando consegue, gosta de assistir a tudo. Você deve conhecer, ela é a esposa do Bento, dono do mercadinho.

Junior ficou realmente surpreso.

– Conheço sim, mas não sabia disso.

– Bom, pelo menos é o que o povo fala. Eu nunca o vi arrumando homens para ela, só sei que ela sai com um monte de amigo meu e não está nem aí. Ela adora dar e a gente adora meter nela! Junior apenas sorriu. Ronaldo, que sempre se empolgava quando falava de sexo, continuou:

– Sabe, Junior, eu adoro mulher, curto muito, mas sabe do que eu mais gosto?

– Do quê? – perguntou ele enquanto empilhava algumas caixas, um pouco mais à vontade com o Ronaldo.

– De uma bunda. Uma bundinha bem durinha e gostosa. Se for virgem, então, eu fico louco!

– Que nem a do Pedro? – Junior perguntou sem pensar.

Segundos de silêncio foram inevitáveis.

– Pensei que você não fosse comentar, Junior! – Como assim?

– Eu sei que você viu tudo o que aconteceu ontem à noite! – Você sabe? Como? – Junior espantou-se com a revelação. – Ontem, quando eu saí para pegar o colchão nos fundos, ele não estava lá. Procurei e nada, até que resolvi dar a volta no depósito e vi você agachado nos espiando.

– Você me viu?

– Sim! Mas não fiz nada. Mesmo porque, se você estava espiando, é porque você queria ver. Por isso, quando voltei ao depósito, a primeira coisa que fiz foi acender a luz forte para você enxergar melhor. – Sim, eu lembro de você demorando e acendendo a luz forte... – Pensei em contar logo em seguida ao Pedro que tinha te visto, mas deixei para um momento especial... Não sei se percebeu, mas quando eu estava em cima dele, quase gozando, disse baixinho em seu ouvido que tinha um garoto nos espiando. Ele ficou tão alucinado que gozou, contraiu mais ainda a bunda e me fez gozar em seguida. – Eu lembro. Ele olhou para a parede onde eu estava, mas eu não sabia que vocês sabiam que eu estava lá – Junior ainda estava surpreso. – Sim, nós sabíamos. Depois que terminamos, fomos lá fora, queríamos falar com você, mas você saiu correndo para o meio do mato. Vimos você de longe. O Pedro ficou preocupado pensando que você contaria para alguém, mas eu disse que não, que era para ele ficar despreocupado. 

– E como você tinha tanta certeza de que eu não contaria para alguém? 

– Na verdade, eu não tinha! Mas algo me dizia que, se você fosse contar a alguém, teria feito logo no começo, e não ter esperado tudo até o final. Mesmo porque eu já tinha te visto algumas vezes na igreja, e você sempre foi um garoto muito quieto, na sua. 

Neste momento, o pai de Junior entrou no depósito trazendo mais sacos de milho. 

– Que bom que vocês estão conversando! – disse seu pai. – Junior, não sei se o Ronaldo falou, mas ele é primo do pastor Silas, trabalhador e homem de bem, ele vai ficar aqui com a gente por um bom tempo! – Em seguida, ele dirigiu a palavra a Ronaldo. – Está gostando do trabalho? – Estou sim, Sr. Antônio! O Junior me explicou direito o que fazer, e não tem muito segredo.

– Ótimo, que bom! Vou deixar estes sacos aqui, é quase meio dia e precisamos almoçar. Junior, por hoje é só, meu garoto, pode ir almoçar e de lá vá para a escola. 

– Está bem, pai. 

– Até mais, Junior, foi um prazer! – despediu-se Ronaldo. Junior foi para casa, almoçou e seguiu em direção à escola. Durante toda a tarde, ele não conseguia pensar em outra coisa a não ser no Ronaldo, na conversa e no que tinha acontecido na noite anterior. “Então eles me viram? Eles sabiam de tudo?”, pensava sem parar. Quando Junior saiu da escola, seguiu direto para o depósito de trigo na esperança de encontrar mais alguma coisa lá. Mas não havia ninguém, nenhum sinal do Ronaldo ou do Pedro. Então, ele foi para casa e aguardou ansioso o dia seguinte para conversar com Ronaldo.

No outro dia, lá estava Ronaldo encaixotando o milho, esperando a chegada de Junior. 

– Olá, Junior! 

– Olá, Ronaldo! 

– Tudo bem? Viu alguma coisa ontem à noite? – Ronaldo perguntou com um sorriso safado.

– Não. Claro que não! – ele respondeu surpreso, afinal, como Ronaldo tinha tanta certeza de que ele passaria novamente por lá? – Não se preocupe, meu rapaz, quando acontecer de novo, eu te aviso. O Pedro voltou para a cidade dele com a minha prima. Eles vão se casar agora no final do ano. Veio para cá avisar a família e pedir ajuda para a festa de casamento.

– Ele vai se casar? 

– Sim, no final deste ano. 

– E vocês dois? 

– O que tem nós dois? 

– Nada não... 

– Realmente não temos nada. Apenas brincamos de vez em quando. Brincadeira gostosa entre amigos. Nada de mais. – Nada de mais, não. Você sabe que isso é errado... – O que é errado? 

– Dois homens se deitarem na mesma cama... e um como se fosse mulher. – Junior repetiu o que tinha escutado do pastor Silas certa vez durante um culto. 

– Eu sei que dizem que é errado e que não pode. Mas eu não ligo. Eu não estou roubando, não estou matando, não estou fazendo nada de ruim para ninguém. 

– Mesmo assim, isso ainda é errado!

– Junior... – Ronaldo suspirou, como se já tivesse cansado de escutar aquilo durante sua vida. – Você é novo e, com o tempo, vai perceber que nem tudo o que é errado é realmente errado. Assim como nem tudo o que é certo é realmente certo – continuou ele, olhando nos olhos de Junior. – Mas está escrito na Bíblia! – Junior falou com um tom sério, com um tom de que todos deveriam seguir à risca as escrituras sagradas. – Tudo bem, mesmo assim, se eu estiver mesmo cometendo um pecado, no dia do juízo final Deus irá me perdoar. Está escrito também que Deus perdoa tudo. Então as coisas não mudam muito. Sem falar que não sou o único que faz coisa errada. Sabe meu primo? O pastor Silas? Ronaldo citou seu primo como uma forma de mostrar ao Junior que até aqueles que parecem ser totalmente corretos aos olhos dos outros e de Deus também cometiam seus erros e seus pecados. – Sei, o que tem ele?

– Ele tem um caso com a Sandra, a professora de música, há mais de 10 anos. Mas ninguém sabe disso. E olha que ele é pastor! Junior, já sabendo que o pastor também abusava de sua filha, não ficou tão surpreso com a má conduta do religioso. – Mas se a Bíblia diz que é errado, por que você faz? – perguntou ele, ainda insistindo no assunto.

– Porque é gostoso!

– Só por causa disso?

– E você quer motivo melhor?

Junior ficou parado, pensando.

– Não sei. Realmente não sei.

Naquele momento, dois garotos entraram no depósito: – Onde colocamos estes sacos? – perguntou um deles. – Pode colocar ali, naquele canto! – disse Ronaldo, que já dominava o trabalho.

Eles colocaram tudo ali e saíram. Como a conversa não continuou, Junior e Ronaldo voltaram a trabalhar, mas em silêncio. Vez ou outra, Junior percebia Ronaldo o encarando e admirando seu corpo sem disfarçar, na maior cara de pau.

– O que foi?

– O que foi o quê, Junior?

– Você... fica me olhando...

– Não posso? Você tem medo de eu te agarrar? – Não!

– Tem medo de ter vontade de me agarrar? – Ronaldo sorriu. – Também não. Apenas não gosto.

– Está certo, jovem! Vou parar. Ou olhar menos, tudo bem? Apenas saiba de uma coisa. Nunca vai acontecer nada que você não queira!

E Junior definitivamente não queria. Pelo menos não naquele momento.

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CAPÍTULO 6

Graças à convivência diária, Junior não só tinha ganhado seu primeiro amigo, como também seu único e “melhor amigo”. Ronaldo e Junior não se desgrudavam praticamente para nada. Tanto que meses se passaram e Ronaldo já tinha relatado a putaria da vida de muitas pessoas conhecidas da região. Ele realmente adorava falar de sexo e por isso também não poupava Junior dos detalhes sórdidos que rolavam entre ele e suas mulheres e, principalmente, entre ele e alguns garotos. Por respeito, Ronaldo nunca deu diretamente em cima de Junior ou forçou qualquer barra, mas, sempre que podia, deixava claro seu interesse pelo rapaz. Já o garoto, protegido em sua privacidade, não excluía nenhuma das histórias do Ronaldo de sua masturbação diária. Tudo o que Ronaldo contava, até mesmo o sexo que fazia com os meninos, ia parar nas mãos de Junior dentro do banheiro de sua casa ou da escola. A prática dependia do surgimento da lembrança, do tesão e do local mais próximo para aliviar suas tensões. Eles ficariam assim por um bom tempo se não fosse o pai de Junior ter uma ideia brilhante que ajudou a unir os dois ainda mais.

– Ronaldo, meu filho, quando você vai levar o Junior para conhecer o Madalena? – perguntou seu pai, do nada, enquanto Junior e Ronaldo o ajudavam a levar as caixas para o caminhão.

– Sr. Antônio! Então o senhor conhece aquele puteiro? – Ronaldo espantou-se.

– Sim, bem, eu escuto o pessoal falar! – respondeu ele, gaguejando um pouco.

– Toma jeito, Sr. Antônio!

– Olha o respeito, Ronaldo! Tenho idade para ser seu pai! Sou um homem de família! – disse ele, levemente alterado. – Mas qualquer dia leve o Junior lá. Meu garoto precisa conhecer as coisas boas da vida! – Desculpe, patrão, não quis ofender... mas será um prazer levar o Junior! Na próxima vez que formos lá, ele vai junto! Seu pai agradeceu e Junior, visivelmente envergonhado pelo assunto sexo surgir pela primeira vez na presença de seu pai, continuou a empilhar as caixas fingindo que nada tinha acontecido. Mas tinha. E ele começou a ficar preocupado. “Eu? Em um puteiro? Fazendo sexo com uma mulher?” Aquilo gerou um enorme frio na barriga, afinal, por mais que ele se masturbasse diariamente e gostasse de sentir aquele prazer, ele estaria pela primeira vez fazendo aquilo junto com outra pessoa. Mas o tempo lhe confortava. “Tudo bem, não vai ser agora, vai demorar semanas e até lá eu estarei preparado!”, pensou e ficou um pouco aliviado. Pelo menos até seu pai sair dali e Ronaldo lhe dar a grande notícia:

– Junior, vamos lá neste sábado! Depois de amanhã! – Ronaldo falou bastante empolgado.

– Mas já?

– Sim, por quê? Não quer ir? Está com medo? – Não. Por mim tudo bem – Mentira, se ele pudesse deixar para dali a cinco mil anos, ele deixaria.

– Mesmo porque o Pedro vem para Capão Bonito neste sábado e está de carro! – continuou Ronaldo.

– O Pedro? – Junior imediatamente se recordou do garoto. – Sim, ele está morando em São José do Rio Preto e por isso faz tempo que não aparece por aqui. Eu não ia te contar agora, mas ele ligou ontem avisando que viria para resolver algumas coisas. Podemos ir nós três ao Madalena.

– Tudo bem. Vamos sim! – ele respondeu, já com um frio no estômago.

– Ótimo, combinado, passamos na sua casa à noite e te pegamos.

***

Naquele momento, o telefone tocou. Junior saiu do transe e voltou para o sofá no apartamento de Gabriel.

– Alô, quem fala?

– Junior? Sou eu, o Xande!

– Fala, Xande! O que você quer a esta hora? São quase duas da manhã.

– Quero saber se amanhã você vai estar em casa... – Estarei, sim, aconteceu algo?

– Sim, estou péssimo... mas não é nada grave! Amanhã conversamos!

– Tudo bem, o Leandro também virá para cá – disse Junior, já sabendo que os dois não se suportavam.

– Credo, o Leandro? Não gosto dele!

– Eu sei. Mas ele nunca te fez nada.

– Bom, ainda estou um pouco tonto e preciso desligar, amanhã a gente se fala. Boa noite!

– Boa noite, Xande!

Junior desligou, olhou para o relógio e voltou a se recordar de seu passado. Mais especificamente daquele sábado, quando ia ao puteiro.

***

– Você deve ser o Junior.

– E você é o Pedro! – disse Junior, reconhecendo o rapaz que tinha dado a bunda para o Ronaldo. – Apenas fale baixo, é tarde e meus pais já foram dormir... onde está o Ronaldo?

– No carro, nos esperando. Vamos?

– Sim, vamos!

Apesar de o carro ser do Pedro, era o Ronaldo quem dirigia. Junior sentou-se no banco de trás e os três seguiram em direção ao puteiro, que ficava em outra cidade. No caminho, pelo silêncio de Ronaldo, Junior ficou levemente desconfiado de algo estar errado. E estava. Ele não sabia que os dois tinham combinado uma parada em meio a umas árvores próximas da estrada.

– Por que estamos parando, Ronaldo? – perguntou Junior. – Preciso mijar! – ele olhou para Pedro, que já soltava um sorriso. Ronaldo então desligou o carro, saiu, deu a volta e começou a mijar na roda dianteira, perto da janela onde Pedro estava sentado. Ele, estrategicamente distante do pneu e virado de frente para os dois, puxava assunto lá de fora com Junior.

– E aí, Junior, está nervoso? – perguntou Ronaldo com a intenção única de se exibir.

– Não. Mas vamos logo! – ele respondeu, não olhando diretamente para Ronaldo mas percebendo que algo não muito mole estava balançando no meio de suas pernas.

– Calma, Junior, temos a noite toda! – disse Ronaldo, enquanto terminava de mijar. – Puxa vida, como vou me limpar? – olhou para seu pênis e, depois, maliciosamente para Pedro.

Pedro, tão safado quanto, começou a passar a língua entre os lábios demonstrando sua vontade de chupar Ronaldo. Ronaldo entendeu o recado, se aproximou da janela do carro, que estava totalmente aberta, e Pedro caiu de boca.

Neste momento, Junior, vendo aquela putaria dos dois, começou a ficar nervoso.

– O que vocês estão fazendo?

– Estamos brincando, Junior. Quer brincar com a gente? – respondeu Ronaldo.

Pedro, com a boca ocupada, apenas virou o rosto para poder ver a cara do Junior. Junior, com cara de bravo, permaneceu em silêncio. Ele, que já tinha se masturbado muito imaginando-se transando com os dois, não conseguia ver aquela situação como uma oportunidade. Algo, lá dentro, lhe despertava raiva.

– Terminem logo! Vamos sair daqui! – Junior disse, enquanto saia do carro e se dirigia para um local distante dos dois. Pedro e Ronaldo, bastante surpresos, não continuaram com a brincadeira. Ronaldo então foi atrás dele e pediu desculpas. – Vamos voltar para o carro. É que, como da outra vez você só espiou, pensamos que desta vez você gostaria de ver tudo de perto e, quem sabe, participar. Só isso!

– Não, nunca concordei com isso e nunca gostei disso! – Junior revoltou-se.

– Está bem, vamos?

Eles continuaram a viagem e depois de quase uma hora de carro chegaram ao tão falado puteiro Madalena.

– Aqui! Aqui, delícia! Podem estacionar aqui! – indicou Claudio, gerente da casa e amigo de Ronaldo.

– Tudo bem, Dinho? – Ronaldo o cumprimentou. Dinho era como Claudio era chamado pelos frequentadores do Madalena. Uma mistura de Claudinho com o apelido pejorativo, e com o qual ele não se importava, de “viadinho”, mais ainda porque ele era baixinho, falava fino, tinha vários trejeitos e era muito afetado. Porém, todos não só o respeitavam como também tinham muito medo dele, afinal, suas amizades eram consideradas “barra pesada”. – Podem entrar, meus amores! – falou Claudio, com sua voz fina, enquanto abria a porta do puteiro.

– Hoje queremos farra! – disse Ronaldo. – Sim, pode deixar que eu vou cuidar bem do girino! Junior não desconfiou, mas Claudio falava dele. Era comum Claudio chamar todos os virgens de girinos. Depois da primeira experiência com uma mulher, eles deixavam de ser girinos e viravam sapos, ficando assim para sempre. Se algum dia um sapo viesse a sair com outro homem, ele então se transformava em príncipe, mesmo que a aparência não ajudasse tanto. Essa brincadeira era uma espécie de código do Claudio que somente seus amigos e os frequentadores mais assíduos do Madalena sabiam. Já dentro do puteiro, Junior deparou com uma sala com sofás e paredes de tom vermelho. Tudo à meia luz. No ambiente, vários homens bebendo próximos de um bar e muitas mulheres conversando e se insinuando para eles. Claudio apareceu logo em seguida e disse ao Junior que seu quarto já estava separado e que em breve ele poderia entrar e fazer de tudo!

Fazer de tudo? Como alguém inexperiente que nunca fez nada poderia, de uma hora para outra, fazer de tudo? Tudo era o quê? Seu nervosismo só aumentou. Pedro e Ronaldo pediram várias cervejas. Junior, não conseguindo esconder seu nervosismo, bebeu várias e, como não era a primeira vez que bebia, não chegou a ficar bêbado, apenas um pouco alegre. Ronaldo então foi até seu ouvido e disse:

– Não se preocupe com dinheiro, Junior. Seu pai está bancando e esta noite está toda paga para nós três. Agora é só foder essas raparigas e se acabar de tanto meter!

Claudio chegou e levou Junior para um corredor enorme cheio de quartos. No caminho, ele escutou vários gemidos de homens e mulheres transando. Mas ele sequer ficou excitado com aqueles sons. Tudo ali era muito novo e ele estava mesmo muito nervoso.

Quando chegou ao quarto reservado, ele entrou e, conforme a orientação de Claudio, aguardou a tal Ramona. Segundo Claudio, Ramona era a menina mais linda e experiente daquele lugar, além de ser uma excelente professora.

– Tire o sapato, meu amor! Deite na cama, a Ramona está terminando o banho e já vem! – Claudio saiu e fechou a porta. Poucos minutos se passaram até aquela mulher de 20 anos entrar no quarto só de roupão.

– Você é o Junior? Muito prazer! – ela falou com voz delicada enquanto trancava a porta.

– Prazer! – Junior respondeu, visivelmente nervoso. – Não se preocupe, meu amor, tudo vai sair bem! – Ramona tentou acalmá-lo. – Feche os olhos! – mandou ela enquanto se aproximava e começava a massagear suavemente seu pênis sobre a calça. Com muita delicadeza, ela abriu seu zíper, puxou para fora e começou a chupá-lo. Ele, excitado, apenas gemia de prazer. “Como é gostoso!”, pensava. A sensação era 10 mil vezes melhor do que se masturbar sozinho.

Não é por nada, não, mas Junior realmente deu sorte. Nem todo homem ou toda mulher sabe, realmente, como chupar um pênis. Mas a Ramona sabia. Ela, suavemente, devagar, sem demonstrar qualquer pressa, engolia milímetro por milímetro, fazendo o garoto suspirar. Quando ele se sentiu mais à vontade, abriu os olhos e lá estava a cabeça da Ramona subindo e descendo sobre seu membro.

Depois de alguns minutos, ela parou, se levantou, tirou o roupão, ficando completamente nua, virou de costas e sentou em cima dele, encaixando o pênis dentro de sua vagina.

Junior, alucinado, não acreditava na visão e na sensação que estava tendo. O prazer de estar dentro dela era tão grande que bastou a Ramona subir e descer, cavalgando, umas cinco vezes para ele gozar abundantemente dentro dela.

– Isso mesmo, Junior. Que gostoso que você é! – disse Ramona, rebolando em cima dele enquanto ele ainda se contorcia. Então ela saiu, lhe deu um beijo, se limpou e disse que tomaria outro banho. Antes, avisou que tinha toalhas úmidas em cima de uma mesa e que ele poderia se limpar, pois ela voltaria para fazer tudo de novo. “Tudo de novo? Ainda tem mais?”, pensou espantando. Ramona, sabendo que a maioria dos novatos gozava rápido por ser a primeira vez, tomava banho, esperava alguns minutos para eles descansarem e voltava no mínimo umas quatro vezes. Tanto que, quando ela iniciava alguém, não atendia nenhum outro cliente na mesma noite. E aquela noite era do Junior. Ela chupou, deu e, algumas vezes, o deixou colocar também em seu ânus. Junior, cada vez mais à vontade, experimentou um pouco de tudo. O único detalhe é que, naquela noite, não rolou muito beijo de língua e todo o sexo foi feito de forma mecânica. Mas nem por isso foi ruim.

Quando tudo terminou, já de manhã, os três voltaram para o carro e Pedro perguntou a Ronaldo sobre Claudio.

– Ele com certeza está lá nos fundos, no quartinho – respondeu ele, como quem sabia exatamente do que falava.

– Quartinho? – perguntou Pedro.

– Sim, quartinho! Quando a casa está quase fechando, de manhã, Claudio costuma levar alguns homens para se divertir lá com ele. Fica sempre um grupo de uns cinco ou seis caras.

– Nossa! Tudo isso?

– Sim, mas são caras que já estão acostumados e que ele conhece. Vez ou outra surge alguém novo, geralmente indicado por um dos amigos. – E o que eles fazem?

– Fazem de tudo com o Claudio. Ele vira a mulherzinha deles, e o melhor, sem pagar nada. Assim como você foi minha mulherzinha naquele dia!

– Seu idiota! Vamos embora logo que eu estou morrendo de sono! – Pedro bocejou lentamente. – E você, Junior, como foi sua noite? – ele olhou para Junior, que estava no banco de trás.

– Foi boa! – respondeu Junior, sem muitas palavras, por causa do cansaço.

Mas ele tinha, realmente, gostado e muito. Alguns dias se passaram depois daquele primeiro dia no puteiro. A única parte desagradável foi sua família toda ficar sabendo que ele tinha se tornado homem. É estranho como algo tão pessoal, tão íntimo, sobre o que ninguém conversava entre si, em lugar nenhum, nem mesmo dentro da família, de repente se tornava algo tão público. Mas tudo bem, a escola, a plantação de milho, a amizade com o Ronaldo e o dia a dia como um todo lhe distraíam bastante. Mesmo assim, a vontade de voltar àquele puteiro e repetir tudo aquilo aumentava dia após dia. Parece que, quando se faz sexo pela primeira vez com alguém, a vontade de fazer de novo e várias vezes é grande. Até que, não aguentando mais, Junior pediu a Ronaldo:

– Ronaldo, vamos ao Madalena de novo? – Eita, menino danado! Não faz nem duas semanas e você já quer ir de novo?

– Sim, mas por favor, não conte a ninguém. Vamos escondidos. Não quero que fiquem tirando sarro da minha cara! – Tudo bem, vamos sim. Mas, por que você não arruma uma garota? Assim poderá fazer sempre que tiver vontade! E sem gastar dinheiro. Junior ficou parado pensando.

– Ou, se quiser, arruma um garoto, ou um amigo, para brincar e se aliviar, é mais fácil e rápido! – Ronaldo sorriu enquanto pegava no próprio pinto sobre a calça.

Junior também ficou parado, pensando. Mas não respondeu nada.

Mais semanas se passaram e Junior, cansado de se masturbar e quase explodindo de tesão, começou a cair na conversa do Ronaldo. – Veja bem, Junior... – falou Ronaldo em uma manhã qualquer. – Ninguém nunca vai ficar sabendo de nada. As pessoas dizem que não pode, que é proibido, mas muita gente faz...

– Não sei...

– Junior, faz meses que somos amigos, trabalhamos e passamos o final de semana juntos, te conto tudo o que eu faço na cama, sua família me trata como se fosse da sua família, podemos ficar a sós a qualquer hora do dia sem ninguém desconfiar... por que não?

E ainda repetia seu principal argumento: – E outra, sexo é apenas sexo, e nunca faremos nada que você não queira!

– Tudo bem! – Junior suspirou.

Tudo bem? Junior tinha mesmo dito aquilo? Ronaldo, com um sorriso imenso, tratou logo de combinar um encontro entre os dois. – Pode ser hoje mesmo! Lá naquele depósito de trigo que fica na fazenda dos pais do Pedro. Ele continua abandonado à noite! – Tudo bem! – Junior respondeu, tentando não demonstrar interesse, embora ele estivesse tão interessado quanto Ronaldo naquele encontro. 0815100500010315142005030521000112071500051407180103010415000 6151315190014150013051803010415000500221503050016050409210001 1721051205002515180721200500040500172109140805142001190007180 1130119000315130016050401031519000405000618212001002215030500 1601180503090100031809011403010014011500200914080100031513150 0140115000315131618011800010715180100190513161805001721050022 0510150012051302181500040500221503050013052100011301041500200 8052119

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CAPÍTULO 7

Naquele dia, Junior foi para a escola e ficou olhando constantemente o relógio. Ele queria que as horas passassem rápido. Enquanto elas não passavam, ele ficou preocupado em como seria o tal encontro com Ronaldo. Afinal, nas histórias que ele contava com os garotos, ele nunca chupava e nem dava a bunda. Só era chupado e os comia. “Será que eu vou ter que chupar e dar a bunda?”, pensava a todo momento. “Mas, se os outros garotos fazem, mesmo sendo errado, e gostam, que mal teria? Ninguém vai ficar sabendo mesmo! E outra, sempre me masturbei também imaginando isso e, se eu já provei com mulher e foi muito bom, porque não provar também com um homem? E se for melhor que mulher? Bom, pelo menos não vai ser feito nada que eu não queira!”, Junior repetia para si mesmo o principal argumento do Ronaldo. Argumento este que ele usava também com os outros.

Quando o sinal da escola bateu, Junior, cortando caminho, seguiu com um frio no estômago em direção àquele depósito. “Ronaldo já deve estar lá me esperando.”, pensou enquanto caminhava. E estava.

Assim que abriu a porta do depósito, Junior apertou a luz do interruptor e em seguida escutou a voz de Ronaldo. – Eu tirei a lâmpada. No escuro você ficará mais à vontade – disse ele, enquanto o abraçava por trás e esfregava seu pênis, já duro, em sua bunda.

– Ronaldo, vá com calma!

– Com certeza! – falou ele baixinho em seu ouvido. – Faz meses que eu espero por este dia, Junior! – Ronaldo continuou se esfregando no garoto.

– Como assim?

– Preciso te dizer uma coisa... – continuou ele baixinho enquanto, suavemente, lambia sua nuca e mordia levemente sua orelha. – É estranho, mas de todas as mulheres e de todos os homens com quem fiquei nestes últimos meses, eu só consigo pensar em você! E olha que a gente nunca ficou junto...

– Do que você está falando? – Junior perguntou um pouco assustado, mas, de certa forma, feliz por escutar aquilo. – Não sei explicar. Mas meses se passaram e eu, cada vez mais, me vi completamente apaixonado por você! – Ronaldo agarrava-o como um louco.

– Mas por que você não me disse isso antes? – Junior se virou. Foi então que Ronaldo o surpreendeu com um gostoso beijo. O primeiro beijo de língua que Junior dava em um homem.

Nossa, só de lembrar do seu primeiro beijo em um homem, daquela barba cerrada roçando em seu rosto e seus lábios, Junior, naquele sofá, ficou excitado em meio às angústias do sexo e de suas recordações. Depois do beijo, Ronaldo, que nunca chupava ninguém em suas histórias, se abaixou, abriu o zíper da calça de Junior e começou a chupá-lo. Junior, sabendo que aquela atitude não era comum, se sentiu especial e privilegiado. É verdade, ele não chupava tão bem quanto a prostituta Ramona, mas era mesmo muito gostoso. Tanto que não demorou para que Junior gozasse na boca de Ronaldo. Quando terminou, Ronaldo cuspiu e ligou uma lanterna em direção ao teto. Junior então perguntou: – E você, não vai gozar?

– Mais do que já gozei? Olhe para baixo! – Ronaldo apontou a luz da lanterna para o chão onde Junior estava.

Junior não tinha percebido, mas Ronaldo, enquanto o chupava, se masturbava com tanta vontade que gozou praticamente junto com ele. Quando terminou, Ronaldo foi lá fora, lavou as mãos e a boca no tanque, voltou para o depósito e colocou a lâmpada. Com a luz acesa, ele se aproximou lentamente do rosto do Junior, olhou aqueles belos olhos negros e os dois voltaram a se beijar. E com uma vontade gigantesca. Parecia que tanto Ronaldo quanto Junior esperavam, mesmo, meses por aquele grande momento. Aquilo os deixou excitados novamente.

– Agora chega! Preciso ir. Minha mãe vai ficar preocupada e ela não sabe que eu estou com você!

– Sim, vamos! – Ronaldo beijou Junior mais uma vez. – Nossa, que loucura! – Junior suspirou enquanto saía e fechava a porta do depósito.

O interessante foi que, depois de receber a bronca de sua mãe ao chegar tarde em casa, Junior finalmente percebeu que aquilo que ele tanto havia recusado era, de fato, o que ele mais queria. E mesmo sendo algo proibido, ele queria que tudo aquilo se repetisse várias vezes. De preferência já no dia seguinte.

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CAPÍTULO 8

– Oi, Junior!

– Oi! – respondeu envergonhado a Ronaldo, assim que chegou ao trabalho.

– Como foi a noite? Dormiu bem? Gostou de ontem? – Sim. Mas vamos trabalhar! – Junior não queria conversa, como se estivesse arrependido do que havia acontecido. Ronaldo percebeu. – Não se preocupe, meu garoto. Essa sensação de ter feito algo errado passa. Com o tempo, você vai ver que não fizemos nada de mais. E melhor, que podemos repetir várias vezes!

– Espero que passe mesmo...

– Sim, vai passar! Sem falar que todo homem deveria ter um braço forte e uma mão amiga por perto, principalmente nessas horas de tensão! – Ronaldo fez gestos que imitavam a masturbação, o que fez Junior sorrir.

É, aquele dia foi igual a todos os outros, inclusive com o tesão que eles normalmente sentiam. É estranho, mas trabalhar na roça, mexer com caixas pesadas, o contato com a natureza, o cheiro do mato, ficar livre das preocupações neurotizantes da cidade grande e que são comuns para quem mora nela, enfim, tudo aquilo parecia que aumentava a carga de testosterona e liberava com uma força brutal o desejo sexual de seus corpos. Como Junior era jovem, essa carga se multiplicava e Ronaldo, percebendo há dias que ele ficava excitado a todo momento, não poupava o garoto de suas histórias sexuais. Até que, do nada, quando estava trabalhando no depósito encaixotando o milho, Ronaldo o surpreendeu.

– Junior, vem aqui! – disse ele, lambendo os lábios. Junior entendeu o recado.

– Não, você está louco! Aqui, não!

– Aqui, sim! Você fica espiando pela janela, se seu pai ou algum garoto se aproximar você me avisa e nós disfarçamos! – Não, nem pensar!

– Vem, pare de ser bundão! Todo dia de manhã a gente fica aqui e você sabe que eles vêm poucas vezes.

– É verdade! – Junior falou depois de pensar um pouco. Ele então se aproximou, Ronaldo se abaixou e começou a chupá-lo. Antes de gozar, Ronaldo se levantou, trocou de posição com ele e falou: – Agora é a sua vez! – disse enquanto empurrava a cabeça do menino para baixo.

Junior, meio sem jeito, colocou uma parte na boca, fechou os olhos e fez de conta que aquilo era um sorvete, mesmo não tendo gosto algum, só de saber que ele estava chupando um pênis, um homem, isto é, fazendo algo proibido, ele permaneceu extremamente excitado com aquilo. – Isso, meninão! Para uma primeira vez, você está ótimo! Quando falou isso, Junior, empolgado, começou a chupar com mais vontade, fazendo Ronaldo gozar em sua boca. Foi a primeira vez que, mesmo não engolindo, ele sentiu o gosto do esperma. – Nossa, como sua boca é gostosa, Junior! Junior, com a boca cheia, sorriu, se levantou, foi até a pia e cuspiu. Quando voltou, Ronaldo, percebendo que ele não tinha gozado, se abaixou e terminou o serviço. Depois daquela brincadeira, eles voltaram ao trabalho como se nada tivesse acontecido. Mas tinha acontecido, e mais, estava realmente acontecendo.

Como os encontros dos dois começaram a ficar frequentes, Ronaldo, que até então ficava com várias mulheres, agora estava se encontrando sexualmente apenas com Junior. O sexo que deveria ser apenas sexo começou a dar ouvidos aos sentimentos e, talvez, às forças da paixão. Aquela brincadeira sempre acompanhada de muito desejo, atração física e beijo de língua acontecia todos os dias e, com o Junior de férias, se estendeu também para os finais de tarde no velho e conhecido depósito abandonado. Tanto que sua mãe, que até então nunca havia desconfiado de nada, acabou levantando algumas suspeitas.

– Antônio, você não acha estranho esses dois aí ficarem tão grudados?

– Claro que não, mulher! Eles são só amigos! Grandes amigos! – Mas eles passam o dia todo juntos! E agora a noite também! – insistiu ela enquanto os observava pela janela de sua casa. – Nada disso, Josefa, o Ronaldo é um garanhão, sai com várias mulheres por este mundo, e o Junior, bem, desde que virou homem, tem ficado com algumas mulheres também!

– O Junior?

– Pelo menos é o que o Ronaldo me conta. Ele fala que nosso garoto é um “come quieto”.

– Sério?

– Sim, mulher! Nosso filho é homem, e dos bons! – Ah, se for assim, está bem. Deus me livre ter um filho torto! Seria uma desgraça em nossa vida...

– Deixe disso, mulher! Eles são só amigos!

Sim, eles eram só amigos, pelo menos na visão dos outros. Mas, por estarem sempre juntos, depois de um tempo até os outros começaram a desconfiar. Seu pai, que até então não imaginava qualquer coisa entre eles, procurou ficar próximo e sondá-los vez ou outra para ter certeza de que aquilo era somente uma boa amizade. Até que o inevitável aconteceu.

Era final de tarde quanto o Sr. Antônio, muito esperto, ficou sentado logo abaixo da janela do depósito onde Junior e Ronaldo trabalhavam. Ele, disfarçadamente bebendo água de uma jarra, prestou atenção em toda a conversa dos dois.

– Então hoje é o grande dia, Junior?

– Sim, hoje é o grande dia!

– Que bom! Também estava esperando por ele. Mas como tinha que ser especial, esperei você dar o sinal verde.

“Sinal verde? Grande dia? Do que eles estavam falando?”, se perguntou o pai, que escutava tudo.

– Apenas tome cuidado!

– Pode deixar, Junior! Se depender de mim, você sentirá apenas prazer!

– Olha lá, hein? No mesmo local?

– Sim, assim que seu pai nos liberar, a gente pode ir direto para lá. – Combinado!

“Então tem algo acontecendo entre os dois? Não é possível! Isso não pode ser. Não com meu filho. O nosso Junior!”, pensou o pai. “Vou seguir os dois e tirar esta história a limpo.”

O pai de Junior saiu dali transtornado. Foi em direção à plantação, jogou o restante de água na cabeça, respirou fundo, voltou e encontrou os dois.

– Sr. Antônio, que água é essa na cabeça? – perguntou Ronaldo, sem desconfiar de nada.

– Nada não, meu filho. É só para refrescar. Bom, o trabalho hoje rendeu muito, vocês dois estão dispensados!

– Mas já, Sr. Antônio? Ainda tem muita coisa para fazer! – Não tem problema, nem Jesus deu conta de tudo em apenas um dia! – disse ele com um sorriso amarelo. – Deixem para amanhã, amanhã é um novo dia. Podem ir!

– Tudo bem! Vamos, Junior! – disse Ronaldo, já se arrumando para ir embora.

Quando saíram dali, o pai, disposto a não perdê-los de vista, fechou tudo rapidamente e, de longe, observou o caminho que faziam. “Não pode ser! Ele não está indo para casa e nem o Ronaldo para a casa dele. Preciso me apressar.”, pensou.

Junior e Ronaldo seguiram o caminho até o velho depósito, sem perceber que o Sr. Antônio os seguia. Para ajudar, como aquela região tinha muitas árvores e estava dentro das terras do pai de Pedro, a possível presença de estranhos era algo tão raro que não gerava preocupação aos dois.

Quando chegaram ao depósito, eles entraram e o pai, com medo de que eles saíssem em seguida, ficou atrás de umas árvores apenas aguardando. Alguns minutos se passaram até que ele se aproximou e tentou espiar o que acontecia lá dentro. Quando encontrou um buraco na parede de madeira, quase teve um infarto. A cena era terrível. Seu filho, Junior, estava em pé, com as calças no chão, e o Ronaldo, também com as calças até o chão, logo atrás dele tentando penetrá-lo.

O Sr. Antônio não se conteve, tirou o cinto e começou a gritar:

– Seu desgraçado! Filho de uma puta! Larga meu filho! – ele avançava com muita raiva em direção à porta. Os dois, reconhecendo o dono da gritaria, imediatamente levantaram as calças, mas não com tempo suficiente para se arrumarem e disfarçarem. O Sr. Antônio entrou e começou a disparar cintadas em cima de Ronaldo e Junior.

– Tomem, seus viados! Tomem, seus baitolas! Que porcaria é essa, seus infelizes? Tanta mulher nesse mundo e vocês aqui fazendo sacanagem! – Calma, Sr. Antônio! Não é nada disso que o senhor está pensando! – falou Ronaldo.

– Calma a puta que te pariu! Você acha que eu não vi vocês dois? – Sr. Antônio gritou muito nervoso, dando mais cintadas. Junior, assustado, conseguiu sair dali, mas seu pai o seguiu e continuou lhe batendo.

– Para, pai, para... eu não fiz nada, eu juro! – Jura nada, seu filho imundo! Filho do cão! Eu vi você dando a bunda para o Ronaldo! – gritava ele, com lágrimas nos olhos, enquanto batia nele sem parar.

– Não, pai... não é nada disso!

– Cala a boca, seu desgraçado! – ele chorava muito. – Sr. Antônio, deixa eu explicar! – Ronaldo tentou se aproximar. – Sai daqui, seu porra, antes que eu faça uma besteira! Sr. Antônio, naquele momento, pegou uma enxada que estava ali próxima e ameaçou bater no Ronaldo com ela. – Anda! Some daqui! – gritou ele, empunhando a enxada como uma arma.

Continuar: parte 3 de 6