A Breve Segunda Vida de Bree Tanner
Bree Tanner
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 6 partes.
Assim que m e viu, ele se preparou para atacar.
— Jasper! — Carlisle o deteve.
Ele se conteve e olhou para Carlisle com espanto.
— O que está acontecendo?
— Ela não quer lutar. Já se rendeu.
O vam piro coberto por cicatrizes franziu a testa, e de repente senti um a inesperada onda de frustração, em bora não soubesse com o que estava tão frustrada.
— Carlisle, eu... Ele hesitou, m as continuou: — Lam ento, m as isso é im possível. Não podem os ter nenhum desses recém -criados associados a nós quando os Volturi chegarem . Percebe o perigo em que isso nos colocaria?
Não entendi m uito bem o que ele dizia, m as captei o suficiente. Ele queria m e m atar.
— Jasper, ela é só um a criança — a m ulher protestou. — Não podem os sim plesm ente assassiná-la a sangue-frio!
Era estranho ouvi-la falar com o se fôssem os gente, com o se assassinato fosse um a coisa ruim . Ou a se evitar.
— O que está em j ogo aqui é nossa fam ília, Esm e. Não podem os deixar que eles pensem que violam os a lei.
A m ulher, Esm e, se colocou entre m im e o vam piro que queria m e m atar. Num gesto incom preensível, ela m e virou as costas.
— Não. Não vou perm itir.
Carlisle m e olhou com ansiedade. Percebi que ele gostava m uito daquela m ulher. Eu teria olhado do m esm o j eito para qualquer um que estivesse atrás de Diego. Tentei parecer tão dócil quanto m e sentia.
— Jasper, acho que devem os correr o risco — ele disse lentam ente. — Não som os os Volturi. Seguim os as regras deles, m as não m atam os sem m otivo. Podem os explicar.
— Eles podem pensar que produzim os nossos próprios recém -criados para nos defender.
— Mas não produzim os. E m esm o que tivéssem os produzido, não há nenhum a violação em fazer isso aqui, som ente em Seattle. Não há lei contra criar vam piros, desde que você os controle.
— Isso é m uito perigoso.
Carlisle tocou o om bro de Jasper.
— Jasper, não podem os m atar essa criança.
Jasper rosnou para o hom em de olhos bondosos, e de repente fiquei furiosa. Ele não ousaria atacar aquele vam piro generoso ou a m ulher que ele am ava. Em seguida, Jasper
suspirou, e eu senti que estava tudo bem . Minha raiva se foi.
— Não gosto disso — ele insistiu, m as estava m ais calm o. — Ao m enos deixem que eu cuide dela. Vocês dois não saberiam lidar com um a criatura que esteve livre por tanto tem po.
— É claro — a m ulher respondeu. — Mas sej a gentil.
Jasper revirou os olhos.
— Precisam os voltar para perto dos outros. Alice disse que não tem os m uito tem po.
Carlisle assentiu. Ele estendeu a m ão para Esm e e eles passaram por Jasper de volta à
clareira.
— Você aí — Jasper m e disse, o rosto novam en te carrancudo. — Venha conosco. Não faça nenhum m ovim ento brusco ou acabo com você.
Senti raiva outra vez diante daquele olhar penetrante, e um a pequena parte de m im teve vontade de rosnar e m ostrar os dentes, m as tive a sensação de que esse tipo de desculpa era j ustam ente o que ele estava procurando.
Jasper parou com o se houvesse acabado de pensar em algum a coisa.
— Feche os olhos — ele ordenou.
Eu hesitei. Ele havia decidido m e m atar, afinal?
— Feche os olhos!
Rangi os dentes e obedeci. Agora m e sentia duas vezes m ais indefesa que antes.
— Siga o som da m inha voz e não abra os olhos. Se olhar, está perdida. Entendeu?
Fiz que sim com a cabeça, im aginando o que ele poderia não querer que eu visse. De certa form a, era um alívio perceber que ele se im portava em proteger um segredo. Não haveria razão nenhum a para isso se planej asse m e m atar.
— Por aqui.
Eu cam inhava devagar atrás dele, tornando cuidado para não lhe aborrecer. Ele foi cuidadoso ao m e conduzir; pelo m enos não m e fez bater em nenhum a árvore. Pude perceber com o os ruídos haviam m udado quando chegam os ao espaço aberto; a sensação do vento era diferente tam bém , e o cheiro do m eu bando queim ando estava m ais forte. Eu podia sentir o calor do sol no m eu rosto, e a parte interna das m inhas pálpebras estava m ais clara e cintilante, porque eu brilhava.
Estávam os indo para perto do crepitar do fogo, tão perto que eu podia sentir a fum aça roçando m inha pele. Eu sabia que ele poderia ter m e m atado a qualquer m om ento, m as a proxim idade do fogo ainda m e deixava nervosa.
— Sente-se aqui. De olhos fechados.
O solo estava quente por causa do sol e do fogo. Eu m e m antinha im óvel e tentava m e concentrar em parecer inofensiva, m as podia sentir os olhos dele em m im , e isso m e deixava inquieta. Em bora não estivesse zangada com aqueles vam piros e acreditasse plenam ente que eles tivessem apenas se defendido, sentia estranhas ondas de fúria dentro de m im . Ou vindo de fora,
com o se a batalha que acabara de ocorrer ali ainda ecoasse.
A raiva, contudo, não m e tornava estúpida, e eu estava m uito triste — infeliz até o fundo da m inha essência. Miserável. Diego não saía da m inha cabeça, e eu não conseguia deixar de im aginar com o ele havia m orrido.
Tinha certeza de que ele não tinha contado nossos segredos a Riley espontaneam ente — os segredos que haviam sido o m otivo para que eu confiasse em Riley por tem po suficiente até ser tarde dem ais. Na m inha m ente, conseguia ver o rosto de Riley de novo — aquela expresso fria, suave, quando ele am eaçou punir qualquer uru de nós que não se com portasse. Ouvi
novam ente a descrição detalhada e macabra — quando eu os levar até ela, vou segurá-los
enquanto ela ar-rama suas pernas e depois, lentamente, muito lentam ente, queima seus dedos,
orelhas, lábios língua e todos os outrosapêndices supérfluos, um a um .
Percebi então que tinha ouvido a descrição da m orte de Diego
Naquela noite, eu percebera com certeza que algo havia m udado em Riley. E esse algo foi ter m atado Diego, isso o endurecera. Só acreditava em um a coisa de todas as que Riley m e dissera: ele se im portava com Diego m ais do que com qualquer um de nós. Até agora gostava dele. Mesm o assim , assistira enquanto nossa criadora acabava com ele. E, sem dúvida, a aj udara. Matara Diego com ela.
Fiquei pensando em quanta dor seria necessária para m e convencer a trair Diego. Im aginei que teria de ser m uita. E tinha certeza de que Diego tam bém havia sofrido terrivelm ente antes de m e trair.
Estava enj oada. Queria tirar da cabeça a im agem de Diego gritando em agonia, m as ela não ia em bora.
E então ouvi um grito na clareira.
Minhas pálpebras trem eram , m as Jasper rosnou furiosam ente e eu apertei os olhos para m antê-los fechados. Não veria m esm o nada através da densa fum aça lilás.
Ouvi gritos e um uivar estranho, selvagem . Era alto, e eram m uitos. Eu não conseguia im aginar com o um rosto teria de se contorcer para criar aquele som , e não saber o que era
aquilo tornou o ruído ainda m ais assustador. Os vam piros de olhos am arelos eram m uito diferentes do restante de nós. Ou diferentes de mim, acho, j á que era a única que restava. Riley e
nossa criadora haviam desaparecido.
Ouvi alguns nom es. Jacob, Leah, Sam. Havia m uitas vozes diferentes, m as os urros
continuavam . É claro que Riley tam bém havia m entido para nós sobre o núm ero de vam piros
que havia ali.
O som dos uivos foi dim inuindo até se tornar só um a voz, um ganido agoniado que não era hum ano e que m e fez ranger os dentes. Eu podia ver o rosto de Diego m uito claro em m inha m ente, e o som ecoava com o seus gritos.
Ouvi Carlisle falando m ais alto que as outras vozes e o uivo. Ele im plorava para ver algum a coisa.
— Por favor, deixem -m e dar urna olhada. Por favor, deixem -m e aj udar.
Ninguém discutia com ele, m as, por algum a razão, seu tom de voz dava a entender que ele perdia a disputa.
E então o ouvi atingir um a nova nota m ais estridente; Carlisle disse “obrigado” com um a voz em ocionada, e por trás do uivo identifiquei o som de m uitos m ovim entos, m uitos corpos se m exendo. Passos pesados que se aproxim avam . Muitos passos.
Ouvi com atenção e escutei algo inesperado e im possível. Em m eio a respirações pesadas — e eu nunca ouvira ninguém no m eu bando respirar daquele j eito — havia vários baques
surdos. Quase... corações batendo. Mas não eram corações hum anos. Eu conhecia bem esse som em particular. Respirei fundo, m as o vento soprava na direção oposta e só consegui farej ar a fum aça.
Sem nenhum som que m e prevenisse, algum a coisa m e tocou, segurando com firm eza os dois lados da m inha cabeça.
Abri os olhos em pânico e m e levantei, tentando m e livrar do que m e prendia, então m e deparei com os olhos de Jasper a dois centím etros do m eu rosto.
— Pare com isso — ele ordenou, m e j ogando de volta no chão.
Mal podia ouvi-lo e então percebi que as m ãos dele estavam em m inha cabeça tapando m eus ouvidos. Para m e im pedir de escutar.
— Feche os olhos — ele instruiu novam ente, provavelm ente num tom norm al, m as para m im a voz soava abafada.
Tentei ficar calm a e fechei os olhos outra vez. Ha via coisas que eles tam bém não queriam que eu escutasse. Esse era um preço que eu podia pagar para continuar viva.
Por um segundo, enxerguei o rosto de Fred em m inhas pálpebras cerradas. Ele dissera que esperaria por m im . Um dia. Im aginei se cum priria a prom essa.
Queria poder contar a ele a verdade sobre os de olhos am arelos, e sobre tudo o m ais que parecia existir e que desconhecíam os. Era um m undo inteiro sobre o qual não sabíam os nada.
Seria interessante explorá-lo. Especialm ente com alguém capaz de m e tornar invisível e garantir m inha segurança.
Mas Diego se fora. Não iria com igo procurar Fred. Isso tornava o exercício de tentar im aginar o futuro um tanto desagradável.
Eu ainda conseguia ouvir parte do que estava acontecendo, m as só os uivos e algum as vozes. O que quer que fossem aqueles baques surdos, agora eram abafados dem ais para que eu pudesse analisá-los.
Com preendi as palavras quando, alguns m inutos m ais tarde, Carlisle disse:
— Você vai ter que... — A voz dele ficou m uito baixa por um segundo. E depois: — de agora em diante. Aj udaríam os se pudéssem os, m as não podem os partir.
Escutei um grunhido, m as era estranham ente inofensivo. Os uivos tornaram -se ganidos
baixos que desapareceram lentam ente, com o se estivessem se afastando.
Por um m inuto tudo ficou quieto. Ouvi algum as vozes baixas, as de Carlisle e Esm e entre elas, m as tam bém outras que eu não conhecia. Gostaria de poder farej ar algum a coisa — não poder ver e conseguir ouvir tão pouco m e im pelia a procurar algum a outra inform ação sensorial. Mas tudo que eu podia captar era o cheiro horrivelm ente doce da fum aça.
Havia um a voz, m ais alta e m ais clara que as outras, que eu podia escutar com relativa facilidade.
— Mais cinco m inutos — ela disse. Tive certeza de que era um a garota. — E Bella abrirá
os olhos em trinta e sete segundos. Eu não duvido de que ela possa nos ouvir agora.
Tentei entender aquilo. Havia m ais alguém de olhos fechados, com o eu? Ou ela pensava que m eu nom e era Bella2 Eu não dissera m eu nom e a ninguém . Novam ente, m e esforcei para farej ar alguma coisa.
Mais m urm úrios. Tive a im pressão de que um a voz soava deslocada — eu não conseguia identificar nela nenhum a nuance. Mas não conseguia ter certeza com as m ãos de Jasper cobrindo m inhas orelhas.
— Três m inutos — disse a voz alta e clara.
As m ãos de Jasper m e soltaram .
— É m elhor abrir os olhos agora — ele disse, j á alguns passos longe de m im .
A m aneira com o ele falou m e deixou assustada. Olhei em volta depressa, procurando pelo perigo que sua voz insinuava.
Boa parte do m eu cam po de visão estava obscurecida pela fum aça. Perto, Jasper tinha a testa franzida. Os dentes estavam à m ostra, o m axilar contraído, e ele m e olhava com um a expressão que era quase... am edrontada. Não com o se tivesse m edo de m im , m as com o se sentisse m edo por minha causa. Lem brei o que ele dissera antes, sobre eu representar para eles
algum perigo relacionado a algo que cham avam de Volturi. O que seria um Volturi? Não conseguia im aginar o que seria capaz de assustar aquele vam piro perigoso, coberto de cicatrizes.
Atrás de Jasper, quatro vam piros form avam um a fila irregular, de costas para m im . Um a era Esm e. Com ela havia um a m ulher alta e loura, outra pequenina, de cabelos escuros, e um vam piro de cabelos escuros tão grande que m e dava m edo sim plesm ente olhar para ele. Fora aquele que eu vira m atar Kevin. Por um instante im aginei-o pegando Raoul. A visão foi
estranham ente prazerosa.
Havia m ais três vam piros atrás do grandalhão. Eu não conseguia ver o que estavam fazendo com ele na m inha frente. Carlisle estava aj oelhado no chão, e ao lado dele havia um vam piro de cabelos cor de bronze. Um corpo estava estendido, m as eu pouco podia ver dele, apenas um a calça j eans e botas m arrons e pequenas. Era um a m ulher ou um hom em j ovem . Im aginei se estavam pondo de volta os m em bros do vam piro.
Eram oito de olhos am arelos no total, além de todos aqueles uivos de antes, daqueles tipos estranhos de vam piros; eu havia identificado pelo m enos outras oito vozes. Dezesseis, talvez m ais. Mais que o dobro do que Riley nos alertara.
Desej ei ardentem ente que aqueles vam piros do m anto escuro encontrassem Riley e o fizessem sofrer.
O vam piro no chão com eçou a se levantar devagar — eram m ovim entos estranhos, quase com o se fosse um hum ano desaj eitado.
A brisa m udou de direção, soprando a fum aça contra m im e contra Jasper. Por um
m om ento, tudo ficou invisível, exceto ele. Eu não estava m ais cega, com o quando m antinha os olhos fechados, m as de repente, por algum a razão, m e sentia m ais ansiosa. Era com o se pudesse absorver a ansiedade que irradiava cio vam piro m ais perto de m im .
O vento leve soprou novam ente, agora, na direção oposta, e eu pude ver e farej ar tudo.
Jasper sibilou para m im furiosam ente e m e em purrou para trás, obrigando-m e a abandonar a posição em que estava, agachada, e m e sentar no chão.
Era ela. A hum ana que eu estivera caçando m inutos antes. O cheiro no qual todo m eu corpo estivera concentrado. O arom a doce e úm ido do sangue m ais delicioso que eu j á havia rastreado. Eu sentia a boca e a garganta queim ando.
Tentei desesperadam ente m e agarrar à razão — pensar que Jasper só esperava que eu tentasse qualquer m ovim ento para m e m atar —, m as só um a parte de m im era capaz disso. A sensação era de que eu estava m uito perto de m e rasgar ao m eio na tentativa de continuar onde estava.
A hum ana — cham ada Bella — m e fitou com os olhos castanhos atordoados. Olhar para ela tornou tudo ainda pior. Eu conseguia ver o sangue correndo sob sua pele fina. Tentei m e virar para outro lugar qualquer, m as m eus olhos eram atraídos de volta Iara ela.
O de cabelos cor de bronze falou com ela em voz baixa.
— Ela se rendeu. É um a coisa que nunca vi na vida. Só Carlisle pensaria nessa oferta. Jasper não aprovou.
Carlisle devia ter explicado tudo ao grupo enquanto eu estava com os ouvidos tapados.
O vam piro abraçava a hum ana, e ela m antinha as m ãos apoiadas no peito dele. Sua garganta estava a poucos centím etros da boca do vam piro, m as ela não parecia ter m edo dele. E ele não parecia estar caçando. Eu tinha tentado entender a ideia de um bando com um hum ano de estim ação, m as aquilo não passava nem perto de nada que eu pudesse ter im aginado. Se ela fosse um a vam pira, eu deduziria que eles form avam um casal.
— Jasper está bem ? — a hum ana sussurrou.
— Ele está bem . O veneno pinica — disse o vam piro.
— Ele foi m ordido? — ela perguntou, com o se estivesse chocada com a ideia.
Quem era aquela garota? Por que os vam piros a aceitavam no bando? Por que ainda não a haviam m atado? Por que ela parecia tão confortável entre eles, com o se não a assustassem ? Ela parecia fazer parte daquele m undo, m as tam bém não com preendia suas realidades. Jasper fora m ordido, claro. Ele havia acabado de enfrentar — e destruir — m eu bando inteiro. Aquela garota ao m enos sabia o que éram os?
A ardência na m inha garganta era insuportável! Tentei não pensar em aplacá-la com o sangue da hum ana, m as o vento soprava o cheiro dela diretam ente para o m eu nariz. Era tarde
dem ais para conseguir m e controlar — eu sentira o cheiro da presa que estava caçando, e nada poderia m udar isso agora.
— Ele tentava estar em toda parte ao m esm o tem po — o vam piro de cabelos cor de bronze contou à hum ana. — Tentando se certificar de que Alice não tivesse que fazer nada, na verdade. — Ele sacudiu a cabeça e olhou para a garota pequena de cabelos pretos. — Alice não precisa da aj uda de ninguém .
A vam pira cham ada Alice fez um a careta para Jasper.
— Tolo superprotetor — ela disse com um a voz clara de soprano.
Jasper a encarou com um m eio sorriso, e por um segundo tive a im pressão de que ele tinha esquecido que eu existia.
Era difícil segurar o im pulso de tirar proveito desse lapso e saltar sobre a garota hum ana. Levaria m enos de um instante, e então seu sangue quente — o sangue que eu podia ouvir pulsando, bom beado por seu coração — aplacaria a m inha sede. Ela estava tão perto...
O vam piro de cabelos cor de bronze m e encarou com um olhar furioso de advertência, e eu sabia que m orreria se tentasse atacar a garota, m as a agonia na m inha garganta dava a im pressão de que tam bém m orreria se não tentasse. A dor era tão intensa que gritei de frustração.
Jasper rosnou para m im , e eu tentava não m e m exer, m as era com o se o cheiro fosse um a garra gigantesca que m e arrancava do chão. Eu nunca havia tentando m e abster do alim ento um a vez iniciada um a caçada. Cravei os dedos no solo, procurando algo em que m e segurar, m as não encontrei nada. Jasper ficou em posição de ataque, e, m esm o sabendo que eu estava a dois segundos da m orte, não conseguia focar m eus pensam entos sedentos.
E então Carlisle apareceu e colocou a m ão no braço de Jasper. Ele m e olhou com um a expressão bondosa, calm a.
— Você m udou de ideia, j ovem ? — ele m e per guntou. — Não querem os destruí-la, m as o farem os se não conseguir se controlar.
— Com o pode suportar isso? — eu perguntei num tom de súplica. Ele não se sentia queim ando, tam bém ? — Eu a quero.
Olhei a garota, desej ando com desespero que a distância entre nós desaparecesse. Meus dedos cavavam inutilm ente a terra encravada de pedras.
— Deve suportar — Carlisle disse num tom solene. — Deve exercitar o controle. É possível e é a única coisa que a salvará agora.
Se ser capaz de tolerar a presença da hum ana com o faziam aqueles estranhos vam piros era m inha única esperança de sobrevivência, eu j á estava condenada. Não suportava o fogo. Além disso, tam bém tinha opiniões conflitantes sobre sobrevivência. Eu não queria m orrer, não queria a dor, m as qual era o propósito? Todos os outros estavam m ortos. Diego esta va m orto havia dias.
Seu nom e bailava nos m eus lábios. Quase o pronunciei. Em vez disso, agarrei a cabeça
com as duas m ãos e tentei pensar em algo que não causasse dor. Algo que não fosse a garota, nem Diego. Não funcionou.
— Não devíam os nos afastar dela? — a hum ana m urm urou, atrapalhando m inha concentração.
Meus olhos voltaram a ela. Sua pele era m uito fina e m acia. Eu podia ver a veia pulsando em seu pescoço.
— Tem os de ficar aqui — disse o vam piro que a abraçava. — Eles estão chegando ao
norte da clareira agora.
Eles? Olhei para o norte, m as não havia nada além de fum aça. Ele se referia a Riley e m inha criadora? Senti urna nova onda de pânico, seguida por um pequeno espasm o de esperança. Ela e Riley não poderiam enfrentar e vencer aqueles vam piros que j á haviam m atado tantos dos nossos, poderiam ? Mesm o que os outros, os que uivavam , j á tivessem partido, Jasper parecia capaz de lidar sozinho com os dois.
Ou ele se referia aos m isteriosos Volturi?
O vento soprou o cheiro da garota hum ana contra m eu rosto novam ente, e m eus pensam entos se dispersaram . Olhei-a sem disfarçar a sede.
A garota sustentou m eu olhar, m as sua expressão era m uito diferente do que deveria ser. Em bora eu pudesse sentir m eus lábios retraídos e os dentes expostos, em bora o esforço de conter
o im pulso de atacá-la m e fizesse trem er, ela não parecia ter m edo de m im . Em vez disso, sua expressão sugeria que estava fascinada. Era quase com o se quisesse falar com igo — com o se tivesse um a pergunta que esperava que eu respondesse.
Carlisle e Jasper com eçaram a se afastar do fogo — e de m im —, fechando fileiras com os outros e a hum ana. Todos olhavam para um ponto atrás de m im , além da fum aça, sinal de que, qualquer que fosse a origem de seu m edo, estava m ais perto de m im que deles. Eu m e encolhi no m eio da fum aça, apesar das cham as próxim as. Devia tentar correr? Eles estariam tão distraídos que eu teria a chance de fugir? E para onde iria? Procurar Fred? Seguir sozinha?
Encontrar Riley e fazê-lo pagar pelo que fizera com Diego?
Hesitei, m uito atraída por essa últim a alternativa, e o m om ento passou. Ouvi m ovim entos ao norte e soube que estava encurralada entre os de olhos am arelos e o que quer que se aproxim asse.
— Hm m m — um a voz m onótona soou por trás da fum aça.
Essa única sílaba m e fez ter certeza de quem era, e se eu não estivesse gelada e paralisada com um terror incontrolável, j á teria corrido.
Eram os dos m antos escuros. O que isso significava? Um a nova batalha com eçaria agora?
Eu sabia que os vam piros de m anto escuro queriam que m inha criadora tivesse sucesso na destruição dos de olhos am arelos. Minha criadora falhara, evidentem ente. Isso significava que eles iam m atá-la? Ou será que, em vez disso, m atariam Carlisle, Esm e e todos ali? Se eu pudesse escolher, sabia quem destruiria, e não seriam aqueles que agora m e m antinham cativa.
Os dos m antos escuros deslizaram por entre a fum aça e pararam diante dos de olhos am arelos. Nenhum deles olhava na m inha direção. Eu continuava com pletam ente im óvel.
Eram só quatro deles, com o na vez anterior. Mas não fazia diferença o fato de haver sete dos de olhos am arelos. Eu sentia que eles eram tão cautelosos quanto Riley e nossa criadora haviam sido ao tratar com os de m anto escuro. Havia m ais neles do que eu podia ver, m as eu, definitivam ente, podia sentir. Eram eles os que aplicavam as punições, e eles não perdiam .
— Bem -vinda, Jane — disse o de olho am arelo que abraçava a hum ana.
Eles se conheciam . Mas a voz do vam piro de cabelos cor de bronze não era am istosa — não era m ansa, nem ansiosa para agradar, com o havia soado a de Riley, nem furiosam ente aterrorizada com o a eia m inha criadora. A voz era sim plesm ente fria, educada e desprovida de qualquer nota de surpresa. Os de m anto escuro eram os Volturi, então?
A pequena vam pira que os liderava — Jane, aparentem ente — olhou sem pressa para cada um dos sete do outro bando e para a hum ana e depois, finalm ente, se virou para m im . Pude
ver seu rosto pela prim eira vez. Ela era m ais j ovem que eu, m as m uito m ais antiga tam bém , pensei. Os olhos eram verm elhos com o a m ais escura e aveludada rosa. Sabia que era tarde dem ais para tentar passar despercebida, por isso baixei a cabeça, cobrindo-a com as m ãos. Talvez se ficasse claro que eu não queria lutar, Jane m e tratasse com o Carlisle fizera. Mas eu não tinha m uita esperança.
— Não entendo — a voz m orta de Jane traía certo aborrecim ento.
— Ela se rendeu — explicou o de cabelos cor de bronze.
— Rendeu-se? —Jane disparou.
Levantei a cabeça apenas o suficiente para ver que os de m anto escuro se entreolhavam .
O vam piro de cabelos cor de bronze dissera que nunca vira ninguém se render antes. Talvez eles tam bém não.
— Carlisle lhe deu essa opção — disse então o vam piro.
Ele parecia ser o porta-voz dos de olhos am arelos, em bora Carlisle parecesse ser o líder.
— Não há opções para os que quebram as regras — disse Jane com sua voz sem em oção.
Carlisle respondeu com a voz branda.
Está em suas m ãos. Com o a m enina se dispôs a parar de nos atacar, não vi necessidade de destruí-la. Ninguém lhe ensinou nada.
Em bora suas palavras fossem neutras, tive a im pressão de que ele quase intercedia por m im . Mas, com o ele m esm o dissera, m eu destino não dependia dele.
— Isso é irrelevante — Jane confirm ou.
— Com o quiser.
Jane fitava Carlisle com um a expressão que era um m isto de dúvida e frustração. Ela sacudiu a cabeça, e seu rosto se tornou novam ente um a m áscara indecifrável.
— Aro esperava que viéssem os m ais a oeste para ver você, Carlisle — ela disse. — Ele m anda lem branças.
— Eu agradeceria se transm itisse as m inhas a ele. Jane sorriu.
— Claro. — Depois olhou para m im novam ente, os lábios ainda distendidos num esboço de sorriso. — Parece que vocês fizeram o trabalho por nós hoj e... A m aior parte dele. Só por curiosidade profissional, quantos havia? Eles deixaram urna bela esteira de destruição em Seattle.
Ela falava de trabalho e profissionalism o. Eu estava certa, então, ao pensar que era sua
função punir. E se havia os que puniam , devia haver regras. Carlisle dissera isso antes: Seguimos
as regras, e tam bém : Não há lei contra criar vampiros, desde que você os controle. Riley e m inha
criadora haviam ficado tem erosos, m as não exatam ente surpresos com a chegada dos de m anto escuro, os Volturi. Eles sabiam sobre as leis, e sabiam que as estavam desrespeitando. Por que não nos disseram ? E havia m ais Volturi que aqueles quatro. Alguém cha m ado Aro e, provavelm ente, m uitos outros. Deviam ser m uitos para todos sentirem tanto m edo deles.
Carlisle respondeu à pergunta de Jane.
— Dezoito, incluindo esta.
Houve um m urm úrio audível entre os quatro de m anto.
— Dezoito? — Jane repetiu num tom surpreso.
Nossa criadora não dissera a ela quantos de nós havia criado. Jane estava realm ente
surpresa ou só fingia?
— Todos novos — continuou Carlisle. — Eram inábeis.
Inábeis e desinform ados, graças a Riley. Eu com e çava a ter um a ideia de com o esses vam piros m ais velhos nos viam . Recém-criada, Jasper m e cham ara. Com o um bebê.
— Todos? — Jane indagou, incisiva. — Então, quem foi seu criador?
Com o se j á não tivessem sido apresentadas. Aquela Jane m entia m ais que Riley, e era m uito m elhor nisso que ele.
— O nom e dela era Victoria — respondeu o de cabelos cor de bronze.
Com o ele sabia disso, se nem eu sabia? Lem brei que Riley dissera que havia um entre
eles capaz de ler m entes. Era assim que sabiam de tudo? Ou essa fora m ais um a das m entiras de Riley ?
— Era? — perguntou Jane.
O de cabelo de bronze inclinou a cabeça para o leste com o se estivesse apontando. Ergui a cabeça e vi um a nuvem densa de fum aça lilás pairando acim a da encosta de um a m ontanha.
Era. Senti um prazer sem elhante ao que havia experim entado quando im aginara o
vam piro grandalhão dilacerando Raoul. Só que m uito, m uito m ais intenso.
— Essa Victoria... — Jane perguntou sem pressa. — Eram ela c m ais os dezoito aqui?
— Sim — confirm ou o cabelo de bronze. — Tinha um deles com ela. Ele não era tão j ovem quanto esta aqui, m as não devia passar de um ano m ais velho.
Riley. Meu prazer aum entou. Se — tudo bem , quando — eu m orresse naquele dia, pelo
m enos não deixaria essa ponta solta. Diego fora vingado. Eu quase sorri.
— Vinte — Jane sussurrou. Ou o núm ero era m aior do que ela esperava ou ela era um a atriz fabulosa. — Quem lidou com a criadora?
— Eu — o de cabelo de bronze respondeu num tom frio.
Quem quer que fosse aquele vam piro, tendo ou não um a hum ana de estim ação, ele era
m eu am igo. Mesm o que m e m atasse no final, ainda seria eternam ente grata a ele.
Jane m e olhou, estreitando os olhos.
— Você aí — disse com a voz severa. — Seu nom e.
Eu estava m orta de qualquer j eito, pelo que ela dissera pouco antes. Então, por que dar àquela vam pira m entirosa o que ela queria? Eu a encarei, a cara fechada.
Jane sorriu para m im , o sorriso radiante e feliz de um a criança inocente, e de repente m e senti queim ar. Era com o se eu tivesse voltado no tem po até a pior noite da m inha vida. O fogo
ardia em todas as veias do m eu corpo, cobria cada centím etro de pele, devorava a m edula de cada osso. Era com o estar bem no m eio da pira funerária do m eu bando, cercada de cham as. Não havia um a única célula em m eu corpo que não estivesse queim ando na pior agonia im aginável. Eu m al podia ouvir m eus próprios gritos, porque m eus ouvidos doíam terrivelm ente.
— Seu nom e — Jane repetiu, e enquanto ela falava o fogo desapareceu. Sum iu, com o se eu o houvesse im aginado.
— Bree — respondi tão depressa quanto pude, ainda ofegando, em bora não sentisse m ais a dor.
Jane sorriu outra vez, e o fogo voltou a arder em todos os lugares. Quanta dor teria de suportar antes de m orrer? Os gritos nem pareciam brotar de m im . Por que alguém não arrancava m inha cabeça? Carlisle era generoso o suficiente para isso, não era? Ou o tal leitor de m entes, quem quer que fosse — ele não conseguiria entender tudo e fazer aquilo parar?
— Ela vai lhe contar o que quiser — disse o de cabelo de bronze. — Não precisava fazer
isso.
A dor desapareceu outra vez, com o se Jane a controlasse por um interruptor. Eu estava deitada no chão, o rosto colado na terra, arfando com o se o ar m e faltasse.
— Ah, eu sei — Jane disse anim ada. — Bree?
Estrem eci quando ela pronunciou m eu nom e, m as a dor não voltou.
— O que ele diz é verdade? Vocês eram vinte? As palavras voaram da m inha boca.
— Dezenove ou vinte, talvez m ais, eu não sei! Sara e aquele cuj o nom e não sei brigaram
no cam inho...
Esperei a dor com o punição pela falta de um a resposta m elhor, m as em vez disso Jane falou novam ente.
— E essa Victoria... Ela criou você?
— Não sei — adm iti apavorada. — Riley nunca disse o nom e dela. Eu não a vi naquela noite... Estava escuro, e doía... — Eu trem i. — Ele não queria que pudéssem os pensar nela. Disse
que nossos pensam entos não estavam seguros...
Jane olhou para o vam piro de cabelos cor de bronze, depois voltou a olhar para m im .
— Fale-m e de Riley — ela disse. — Por que ele a trouxe aqui?
Recitei as m entiras de Riley tão depressa quanto podia.
— Riley nos disse que tínham os que destruir os estranhos de olhos am arelos aqui. Disse que seria fácil. Disse que a cidade era deles, e que eles viriam nos pegar. Disse que depois que eles sum issem , todo o sangue seria nosso. E nos deu o cheiro dela. — Apontei para a hum ana. — Ele disse que saberíam os que tínham os o bando certo porque ela estaria com eles. Disse que quem a pegasse prim eiro poderia tê-la.
— Parece que Riley estava enganado sobre a parte fácil — Jane disse num tom m eio debochado.
Ela parecia satisfeita com a m inha história. Num lam pej o de percepção, com preendi que ela estava aliviada por Riley não ter m e contado nem aos outros sobre a visita à nossa criadora. Victoria. Essa era a história que ela queria que os de olhos am arelos soubessem — um a história que não im plicava Jane nem os Volturi de m anto escuro. Pois bem , eu podia m anter a versão. Com sorte, o leitor de m entes descobriria o que não fosse revelado com palavras.
Não podia m e vingar fisicam ente daquele m onstro, m as podia contar aos de olhos am arelos tudo o que sabia usando m eus pensam entos. Era o que eu esperava.
Assenti, concordando com a piadinha de Jane, e m e sentei, porque queria a atenção do leitor de m entes, quem quer que ele fosse. Continuei com a versão da história que qualquer outro m em bro do m eu bando poderia ter relatado. Fingi que era Kevin. Burro com o um saco de pedras e totalm ente ignorante.
— Não sei o que aconteceu. — Essa parte era verdadeira. A confusão no cam po de
batalha ainda era um m istério. Eu não vira ninguém do grupo de Kristie. Os vam piros m isteriosos que uivavam tinham acabado com eles? Eu guardaria esse segredo para os de olhos am arelos. — Nós nos separam os, m as os outros não chegavam nunca. E Riley nos deixou, não voltou para aj udar, com o prom eteu. E depois ficou tudo m uito confuso e todos estavam em pedaços. — Trem i ao lem brar o tronco sobre o qual havia saltado. — Eu fiquei com m edo. Queria fugir. — Apontei para Carlisle. — Aquele ali disse que eles não m achucariam se eu parasse de lutar.
Eu não estava traindo Carlisle. Ele m esm o j á dissera isso a Jane.
— Ah, m as ele não podia lhe oferecer esse presente, m inha j ovem — disse Jane. Ela parecia estar se divertindo. — A transgressão às regras tem suas consequências.
Ainda fingindo que era Kevin, sim plesm ente olhei-a com o se fosse estúpida dem ais para entender.
Jane olhou para Carlisle.
— Tem certeza de ter elim inado todos eles? A outra m etade que se dividiu?
Carlisle assentiu.
— Nós tam bém nos dividim os.
Então foram os que uivavam que pegaram Kristie. Eu esperava que, fossem o que fossem ,
eles tivessem o poder de realm ente aterrorizar. Kristie m erecia.
— Não posso negar que estou im pressionada — Jane disse num tom sincero, e pensei que, provavelm ente, era verdade.
Jane esperara que o exército de Victoria causasse algum estrago ali, e nós havíam os fracassado.
— Sim — os três vam piros atrás de Jane concordaram em voz baixa.
— Nunca vi um bando escapar intacto de um ataque dessa m agnitude — Jane continuou. — Sabe o que estava por trás disso? Parece um a conduta extrem ada, considerando o m odo com o vocês vivem aqui. E por que a garota era a chave?
Os olhos dela pousaram na hum ana por um m om ento.
— Victoria tinha ressentim entos com relação a Bella — o de cabelos cor de bronze
respondeu.
E a estratégia finalm ente fez sentindo. Riley só queria acabar com a garota, não se im portava com quantos de nós m orreríam os para isso. Jane riu com alegria.
— Essa aí — ela sorriu para a hum ana com o sorrira para m im — parece provocar reações estranham ente fortes em nossa espécie.
Nada aconteceu com a garota. Talvez Jane não quisesse feri-la. Ou talvez seu horrível talento só funcionasse com vam piros.
— Poderia, por favor, não fazer isso? — o de cabelo cor de bronze perguntou num a voz controlada, m as furiosa.
Jane riu novam ente.
— Só estou verificando. Ao que parece, não causei dano algum .
Tentei m anter a expressão “kevinizada” e não entregar o que m e interessava. Então, Jane não conseguia causar dor à garota com o fizera com igo, e isso não era algo norm al para ela. Em bora estivesse rindo, era visível que estava m uito irritada. Era por isso que a garota hum ana era tolerada pelos de olhos am arelos? Mas, se ela era de algum a form a especial, por que eles não a transform avam em vam pira e pronto?
— Bem , parece que não nos resta m uito a fazer — disse Jane, a voz retom ando aquele
nota inexpressiva. — Singular. Não estam os acostum ados a ser desnecessários. É um a pena que tenham os perdido a luta. Parece que teríam os um a diversão para assistir.
— Sim — respondeu o de cabelos cor de bronze. — E vocês chegaram perto. É um a pena que não tenham chegado m eia hora atrás. Talvez pudessem cum prir seus obj etivos aqui.
Eu lutei contra um sorriso. Então, o cabelo cor de bronze era o que podia ler pensam entos, e ele ouvira tudo que eu queria que ouvisse. Jane não conseguiria esconder nada.
Ela olhou para o vam piro leitor de m entes com um a expressão indecifrável.
— Um a pena que as coisas tenham sido assim , não é?
O leitor de m entes assentiu, e eu fiquei im aginando o que ele ouvia dos pensam entos de Jane.
Jane virou o rosto sem expressão para m im . Não havia nada nos olhos dela, m as eu podia sentir que m eu tem po se esgotara. Ela j á obtivera de m im o que queria. Não sabia que eu tam bém havia transm itido ao leitor de m entes tudo o que podia. E protegido os segredos do bando dele tam bém . Eu devia isso a ele. Ele punira Riley e Victoria por m im .
Olhei-o pelo canto do olho e pensei: Obrigada.
— Felix? — Jane cham ou sem pressa.
— Espere — disse em voz alta o que lia pensam entos.
Ele se virou para Carlisle e falou depressa:
— Podem os explicar as regras à j ovem . Ela não parece relutante em aprender. Ela não sabe o que estava fazendo.
— É claro — Carlisle respondeu ansioso, olhando para Jane. — Certam ente estaríam os preparados para assum ir a responsabilidade por Bree.
Jane assum iu um a expressão cética, com o se não soubesse se eles estavam brincando ou
não, m as, se estivessem brincando, eram m ais divertidos do que ela havia im aginado.
Eu estava profundam ente tocada. Aqueles vam piros eram estranhos, e estavam se arriscando por m im . Eu j á sabia que não ia adiantar nada, m as m esm o assim ...
— Não abrim os exceções — Jane disse a eles num tom de prazer. — E não dam os um a segunda chance. É ruim para nossa reputação.
Era com o se ela discutisse sobre outra pessoa. Eu não m e im portava que estivesse se
referindo a m e m atar. Sabia que os de olhos am arelos não podiam im pedi-la. Ela era a polícia dos vam piros. E, em bora os tiras vam piros fossem suj os — realm ente suj os —, pelo m enos os de olhos am arelos sabiam disso agora.
— O que m e lem bra... — Jane continuou, os olhos se fixando novam ente na garota hum ana e o sorriso se tornando m ais largo. — Caius vai ficar muito interessado em saber que ainda é
hum ana, Bella. Talvez ele decida fazer um a visita.
Ainda hum ana. Então, eles iam transform ar a garota. Tentei im aginar o que estariam
esperando.
— A data está m arcada — disse a vam pira pequena de cabelos escuros e voz clara. — Talvez nós os visitem os daqui a alguns m eses.
O sorriso de Jane desapareceu com o se alguém o tivesse apagado. Ela deu de om bros sem olhar para a vam pira de cabelos escuros, e tive a sensação de que, por m ais que odiasse a
garota hum ana, odiava aquela vam pira dez vezes m ais.
Jane deu as costas para Carlisle com a m esm a expressão vaga de antes.
— Foi um prazer encontrá-lo, Carlisle... Pensei que Aro estivesse exagerando. Bem , até a próxim a vez...
Era isso, então. Eu ainda não sentia m edo. Só lam entava não poder contar m ais sobre
aquilo tudo a Fred. Ele entraria quase totalm ente às cegas naquele m undo cheio de regras perigosas, policiais suj os e bandos m isteriosos. Mas Fred era inteligente, cuidadoso e talentoso. O que poderiam fazer com ele, se nem conseguiam vê-lo? Talvez os de olhos am arelos um dia O encontrassem . Sejam bons para ele, por favor, pensei para o leitor de m entes.
— Cuide disso, Felix — disse Jane indiferente, apontando para m im com um m ovim ento de cabeça. — Quero ir para casa.
— Não olhe — sussurrou o leitor de m entes de cabelos cor de bronze.
Eu fechei os olhos.
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Stephenie Meyer
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