A Conquista
Olhando o homem, seus cabelos, suas vestes…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
Os Peregrine tinham lutado por bastante tempo para libertá-la, e na luta tinham perdido dois irmãos. E em seguida descobriram que Jeanne se apaixonara por Oliver Howard e estava por lhe dar um filho.
Zared nessa época era uma menina, mas recordava a raiva silenciosa de seus irmãos sobreviventes. Seus pais e William, o primogênito, tinham morrido dois anos antes e a moça recordava de ter sido presa do terror cada vez que um de seus irmãos a deixava.
— Acredito que o amava— respondeu Tearle, levando-a de novo ao presente. — Não sei se o ama ainda, meu irmão está amargurado porque não tem um herdeiro a quem deixar sua riqueza.
— Rogan tem um filho— disse Zared sorrindo à lembrança do menino de cachos loiros.
Tearle permaneceu em silêncio por alguns momentos e depois, muito docemente perguntou: — Porque chora quando dorme e também agora, aqui sozinha?
Zared se levantou de um salto e se afastou dirigindo-se para o campo, mas ele a seguiu tomando-a pelos ombros.
— Solte-me ou farei com que se arrependa— disse ela libertando-se com um puxão.
— Seriamente?— perguntou-lhe rindo. — Quer me ferir de novo com sua adaga? Ou pedirá ajuda ao seu adorado Colbrand?
— Não é meu…— começou a dizer, tentando afastar-se para evitar que ele a puxasse de novo.
— É por ele que chora? Ignorou-a? Mostrou-se ridícula outra vez a seus olhos? Ainda não percebeu que é uma mulher?
A moça se soltou, mas Tearle, depois de agarrá-la de novo, não soltou à presa e então ela parou de lutar.
— O que quer de mim? Murmurou. — Por que não vai embora me deixando em paz? Não pode se interessar por outras mulheres? Nós dois somos inimigos, não quer entender? Ou como não pode nos vencer na batalha quer nos conquistar fingindo ser nosso amigo.
Seus olhos brilhavam, estava fora de si.
— Não … não é amizade o que quero — disse Tearle com voz rouca antes de tomá-la em seus braços.
Primeiro Zared lutou contra os lábios dele que roçavam os seus. Lutou, tentou virar o rosto, mas ele a impedia de mover-se. Percebendo que a luta seria inútil, abandonou-se, pretendendo fugir quando ele deixasse de abraçá-la.
Porém, logo que deixou de lutar aconteceu algo muito estranho. Tearle soltou sua cabeça e os lábios dele ficaram suaves e Zared sentiu uma sensação nunca provada antes.
Permaneceu onde estava, com os olhos abertos, enquanto ele a beijava, e cada vez se sentia mais fraca. Sentiu que seus corpos se aderiam um ao outro, como se quisessem fundir-se, fechou os olhos enquanto ele a estreitava para si, beijando-a na face, nas têmporas e no pescoço, aproximando-se sempre mais.
Zared já estava totalmente nos braços do jovem. Sua vida tinha sido totalmente privada de afetos; o fato de sentir-se acariciada com doçura e beijada, provocava-lhe milhares de sensações que quase não podia suportar.
Tearle se afastou ligeiramente dela e a olhou. Parecia sem forças, se a soltasse cairia. Nenhuma mulher se abandonou tanto a ele, e sentiu que o invadia uma forte emoção. Tocou-lhe o cabelo, afastando-os da testa. Estava convencido que Zared, amando um homem, se entregaria com todo seu ser…. e ele pretendia ser esse homem.
— Meu nome é Tearle— murmurou beijando-a na testa.
— Tearle— sussurrou ela e o som desse nome pareceu uma carícia.
Sorriu: — Queria levá-la comigo — disse em voz baixa roçando o cabelo. — Queria amá-la durante toda a noite, até amanhã.
A jovem se aproximou ainda mais dele e estendeu o rosto para que a beijasse novamente. Tearle lhe deu um beijo inocente, dizendo logo: — E agora, meu amor, tenho que levá-la onde está seu irmão.
— Oh…— foi tudo o que Zared conseguiu dizer pousando o rosto no pescoço dele.
Nunca tinha pensado que o fato de tocar um homem pudesse ser tão agradável.
Tearle a afastou, sentindo-se invadir por uma onda de desejo. Poderia possuí-la em qualquer momento, sabia. — Devemos voltar— disse. Estava certo de que se a respeitasse o céu o compensaria. Tomou-lhe a mão e começaram a caminhar na direção das tendas.
Mas depois de ter percorrido uns passos, Zared começou a raciocinar. Moveu a cabeça para libertar a mente da raiva e de um puxão retirou sua mão da dele. Entregou-se ao inimigo. Em vez de lembrar que era uma Peregrine e que esse homem era o inimigo de sua família, perdeu o controle de si mesma e permitiu que a tocasse. Ela permitiu? Teria permitido muito mais se ele quisesse…o que não tinha acontecido. Separou-se dela justo quando estava por abandonar-se.
Extraiu a pequena adaga que levava na cintura, virou-se e a levantou como se quisesse golpeá-lo: — Se me tocar outra vez, eu o matarei — disse.
E ele, esse odioso e horrível homem sorriu.
Zared ficou pronta para atacá-lo e ele agarrou seu pulso e a arrastou para ele.
— Já tenho uma cicatriz que lembra a ferida que você me fez. Não desejo outras.
— Farei piores, se me obrigar de novo a…
— Obrigá-la?— exclamou Tearle sem deixar de sorrir, depois disso inclinou a cabeça como se quisesse beijá-la de novo.
Zared virou a cabeça: — Não…— murmurou.
Deixou-a ir e ela se afastou correndo, ouvindo que ele ria.
Capítulo Oito
Zared não parou de correr em direção a tenda e quando chegou suas pernas estavam tremendo tanto quanto os seus braços. Severn estava deitado em sua cama, comia uma maçã e quando ela entrou se virou para olhá-la.
— Alguém a persegue?— perguntou. — Trata-se ainda do escudeiro de Colbrand? Suspeito que esse moço desconfia de que seja uma mulher. Parece ter a inteligência que falta no seu patrão.
— Não tem nada para fazer?— balbuciou ela. — Nenhuma espada para afiar, nenhuma mulher para cortejar?
— Tive todas as mulheres que quis— respondeu ele amuado.
— Menos Lady Anne.
Severn terminou a maçã e se levantou da cama: — Onde está Smith? Talvez o tenha visto com alguma mulher e isso te pôs de mau humor? Cuidado irmãzinha, não se faça muito de difícil!
— Não entende nada! — gritou a jovem. — Nada!
Severn riu e saiu da tenda.
Zared se sentou em sua cama, rígida pela cólera. Estava furiosa com seu irmão que não compreendia nada, furiosa com esse Howard por ter entrado em sua vida, furiosa consigo mesma pelo modo que se comportou.
— Teria acontecido com qualquer homem que tivesse me beijado — murmurou. — Se Colbrand me beijasse, me deixaria meio doida…— Recordou o modo como reagiu quando Howard a tocou. Justo ele, repetiu para si mesma. Teria reagido da mesma maneira com qualquer homem.
Levantou-se. Sim, era uma Peregrine. Como seus irmãos amavam muitas mulheres, ela amava muitos homens. Era vergonhoso, com toda a certeza, que o inimigo de sua família lhe provocasse sensações tão fortes, mas assim girava o mundo. Só devia controlar-se e não permitir que esse homem a fizesse perder o sentido. Era um Howard, e se havia se intrometido no campo dos Peregrine, devia ter um bom motivo. Como era a única a saber quem era de verdade, pretendia seduzi-la para que confiasse? Ainda não entendia bem por que se apresentara com nome falso, mas ela sentia o dever de proteger a sua família.
Isso não significava deixar-se fascinar por seus beijos. O fato não se repetiria, não mais permitiria que a tocasse e se ele o fizesse, não cairia em seus braços como qualquer boba. Levantou o queixo e prometeu a si mesma pegar sua adaga e golpeá-lo, se tentasse importuná-la novamente.
Algumas horas depois, quando seu irmão e seu inimigo entraram na tenda, encontraram-na deitada, com os olhos fechados. Entreabriu-os e viu que cambaleavam e da forma como riam, compreendeu que haviam bebido em abundância .
— Cala…— disse Severn em voz alta. — Não devemos despertar a minha irmãzinha.
— Levaria de volta para cama— disse Tearle em voz ainda mais alta, e ambos estalaram em risadas.
Zared golpeou com o punho o travesseiro e se virou para o lado. A cólera e a indignação a impediram de voltar a dormir, mas de qualquer modo não teria conseguido por causa dos roncos de seu irmão.
Estava quase dormindo quando ouviu que Tearle se levantava sem fazer ruído e saía da tenda. Olhou em direção de Severn e viu que dormia profundamente. Levantou-se também, colocou a túnica e seguiu o homem. Mas Severn tinha despertado no mesmo momento que Tearle tinha posto os pés no chão, e o tinha observado enquanto tomava sua espada e saía da tenda. Ainda achava-o simpático, Severn era prudente e a constante animosidade de Zared fazia Smith menos confiável do quanto teria sido normalmente.
Embebedaram-se juntos, ou pelo menos Severn fingiu estar ébrio. Esperava fazê-lo falar, de saber onde tinha aprendido tantas coisas com em relação às armas, que lhe dissesse onde Liana o havia conhecido. Mas Smith foi muito hábil em não responder as perguntas e não revelou nada dele.
Quando viu que sua irmã deslizava para fora da tenda seguindo o homem, relaxou.
Estava contente que Zared gostasse de Smith e sabia que podia confiar nele para que a protegesse, como tinha acontecido com o cavalo descontrolado que esteve a ponto de atropelá-la. Deitou-se de novo e dormiu.
Zared seguiu Tearle que avançava devagar e com cautela, evidentemente desejando não ser visto, e por duas vezes se escondeu na sombra, para que não a descobrisse.
Depois de várias voltas, o homem entrou no portão que se abria na muralha de pedra que rodeava o castelo dos Marshall. Não podendo segui-lo sem ser vista, decidiu subir em uma árvore, de modo que pudesse observar o interior da propriedade. Para não ser ouvida, subiu muito devagar e quando estava no alto o suficiente, o que viu a fez abrir a boca de surpresa.
Howard estava abraçando Lady Anne, a fazia girar sobre si mesma, enquanto a bela saia dela girava ao seu redor. Logo a fez sentar-se e a beijou sonoramente em ambas as bochechas. Zared não queria ver mais, e desceu da árvore.
Por um momento, enquanto voltava para a tenda foi incapaz de pensar claramente.
Tinha descoberto o motivo do interesse por parte do membro da família Howard com respeito à família Peregrine: queria impedir que um deles se apropriasse da riqueza dos Marshall. Queria se assegurar que os Peregrine nunca chegassem enriquecer o suficiente para vencer os Howard.
Deitou-se, mas não conseguiu dormir e quando por fim, o odioso Howard entrou na tenda, estava deitada tensa e permaneceu acordada a noite toda, cedendo ao sono somente ao amanhecer.
No curso da manhã ocorreram duas coisas: iniciou-se a última parte do torneio, aquela dedicada às brincadeiras, e o odioso Howard desapareceu de circulação.
Severn dormiu mais do que de costume e quando despertou viu que Zared dormia e a cama de Smith estava vazia; dirigiu seu mau humor para sua irmã, pensando o que teria feito para que o jovem se zangasse. Disse que necessitava de Smith para pedir conselhos sobre os duelos do dia e declarou que se o jovem se afastou, certamente foi por culpa de Zared.
Esta não teve como defender-se. Havia conservado para si segredos por muito tempo, para começar a revelá-los. Seu único consolo era pensar que ao voltar para casa, poderia contar toda a verdade ao seu irmão e esperava que Severn oferecesse suas desculpas por havê-la acusado injustamente. Entretanto, no momento só podia apertar os punhos e repetir que não tinha a mais brilhante ideia de onde estava Smith.
As “zombarias” ou “brincadeiras”, só se iniciaram pouco depois de sua chegada.
Severn, ao colocar o elmo, descobriu que o seu interior tinha sido recheado com lodo. E no primeiro ataque sua lança se despedaçou entre as mãos, ainda antes de golpear o seu rival. Alguém libertou abelhas de um favo e quando os presentes tentaram afastá-las, essas foram pousar sobre Severn porque algumas partes de sua armadura tinham sido pinceladas com mel. Quando o estandarte de Severn foi desenrolado, viu que o falcão branco sobre o campo vermelho foi substituído por uma malha no qual se desenhou um sátiro perseguindo uma virgem…e o sátiro se parecia muitíssimo com Severn.
Ao descobrir cada uma dessas brincadeiras as pessoas riam e as risadas aumentaram ao ponto que, por volta do meio-dia, só a visão de um Peregrine causava estrondosas gargalhadas.
Zared, olhando em direção às tribunas viu Lady Anne que, sentada ao lado de seu pai, ria e indicava o grupo de seu irmão e seus homens. Estava contente pelo rei ter partido no dia anterior, mas sem dúvida contariam o que estava acontecendo.
Severn ordenou a um de seus homens que vigiasse sua armadura para que ninguém preparasse outras brincadeiras. Zared foi pedir emprestada outras lanças a outros cavaleiros, porque durante a noite as de seu irmão tinha sido todas trocadas. Colbrand as mandou através de seu desprezível escudeiro, e a moça se viu obrigada a agradecer.
Severn tomou a coisa com calma e enquanto a irmã limpava o seu rosto e o elmo não disse uma palavra. Mas o fato de que não se inclinava para ela, obrigando-a a colocar-se sobre um baú para alcançá-lo, a fez compreender até que ponto estava furioso.
Tampouco falou quando limpou o mel da armadura, nem quando enrolava freneticamente o estandarte que deveria representar o orgulhoso falcão dos Peregrine.
À medida que a risada das pessoas aumentava, Zared estava cada vez mais segura de que nessas brincadeiras estava à mão do odioso Howard. Ela o faria pagar, pensou.
Parecia que esse homem passava a maior parte de seu tempo zombando dela, e procurava uma maneira que todos rissem de Severn.
E todas essas gargalhadas a convenciam que certamente Lady Anne não se casaria com um Peregrine. Era impossível que um velho cavaleiro de combate como Hugo Marshall, permitisse que a filha se casasse com um homem que era o alvo de tais brincadeiras.
— Obteve o que quis— murmurou para si mesmo observando Severn desmontar outro cavalheiro. Parecia que o odioso Howard conseguiria impedir os Peregrine de fazer uso da riqueza dos Marshall para reconquistar suas terras.
Lady Anne se casaria com ele? Perguntou-se, recordando que os tinha visto enquanto trocavam um beijo. E o que teria feito Tearle se Zared aceitasse sua proposta de matrimônio? Teria mais outro motivo de brincadeira aos que já faziam rir dos Peregrine?
Teria sentado ao lado de seu gordo irmão e contado rindo que a mais nova dos Peregrine aceitou casar-se com ele? — Esta é uma satisfação que não lhe darei — disse para si.
Quando os jogos foram interrompidos para o almoço, Severn não foi ao castelo comer e proibiu Zared de fazê-lo. Mas não se importava, porque não poderia suportar mais risadas zombeteiras.
Seu irmão enviou um de seus homens para buscar alimentos e Zared se sentou só e silenciosa sobre um tamborete em um extremo da tenda.
A certa altura perguntou ao irmão quem podia ter sido, segundo ele, o autor das brincadeiras.
— Quem quer que tenha sido, eu o matarei— replicou Severn começando a comer tranquilamente.
Zared sabia. Se houvesse dito ao irmão estar certa que Smith, o homem a quem ele tinha em grande estima, era na realidade um Howard, que estava pondo em ridículo os Peregrine, ele o teria matado. E depois? Seria a sua vez de ser assassinado? Oliver Howard se vingaria assediando o castelo onde viviam Rogan, Liana e seus filhos? A jovem continuou comendo e nada disse.
Severn não voltou para o campo de torneio. Só tinha que apresentar-se no campo ao final da tarde e não lhe interessava encontrar-se com os homens que tinha vencido.
Entrou na tenda e ali permaneceu.
Zared, por sua vez decidiu observar os outros combatentes. Ao aproximar-se do campo endireitou os ombros, preparando-se para ser recebida por outra explosão de risadas.
Imediatamente percebeu que algo novo atraíra a atenção do público, porque ninguém olhou para ela. Todos os olhos estavam dirigidos para o campo. Viu que os ocupantes das tribunas também abriam os olhos surpresos, olhando para o campo.
Abriu caminho entre a multidão, e num instante se encontrou ao lado de Jaime. Este apenas a olhou e não deu sinais de recordar a humilhação que os Peregrine tinham experimentado na manhã.
— O que há? — perguntou. As pessoas se calaram como se esperassem algo.
— Ali —, disse Jaime indicando o extremo do campo.
Zared olhou e viu um homem montado em um cavalo negro coberto com um manto de seda também negro. O cavalheiro vestia uma armadura negra, tinha o rosto coberto e na ponta de seu casco uma pluma negra. Não era estranho ver uma armadura dessa cor e o cavalheiro nada tinha de estranho.
— É ele que estão olhando?— perguntou.
Jaime lançou um olhar de desprezo, como se a considerasse muito burra para compreender até a coisa mais simples.
— É o Cavalheiro Negro. Ninguém sabe quem é, veio desafiar a todos os outros. Até este momento venceu cada homem com quem combateu.
— Meu irmão tem feito o mesmo! - Balbuciou Zared.
Jaime riu zombando : — Seu irmão…melhor não falar.
Zared levantou a mão para golpear o moço, mas Colbrand se interpôs entre os dois contendores e Zared, vendo que o cavalheiro lhe sorria, sentiu desvanecer sua cólera.
— Esse homem é um mistério — disse Colbrand.
— Quem é?— perguntou Zared sorrindo, pensando que seus cabelos eram maravilhosamente ondulados e que seus olhos nunca pareceram tão azuis.
— Já falei, o Cavalheiro Negro! — disse Jaime. — Em sua família são todos estúpidos, além de loucos? — sussurrou de modo que só a moça ouviria.
— Eu o farei engolir estas palavras— replicou ela e se preparou para golpeá-lo, mas sua atenção foi atraída pelos gritos das pessoas. O Cavalheiro Negro estava indo contra o seu adversário.
Seu cavalo galopou pesadamente sobre o terreno; o cavaleiro tinha seu corpo para frente, a lança muito baixa. Quando golpeou o homem na armadura, o golpe foi tão duro que este pareceu literalmente levantar-se de sua sela e caiu sobre a terra com um grande estrondo.
— É hábil — murmurou Zared.
— Melhor que qualquer um, além de Colbrand!— exclamou Jaime, mas em sua voz se notou um pouco de dúvida.
— Quem é? De onde vem? O que quer? - Perguntou Zared.
— Foi anunciado como o cavalheiro de Marshall para desafiar a todos outros, e sua identidade deve ser mantida em segredo.
— As pessoas têm seus motivos para serem misteriosas — disse Zared, mas bem amargamente. — O que quer?
— Ganhar a esmeralda como prêmio — respondeu Colbrand. — Que outra coisa pode querer?
— Tudo o que Lady Anne possui— disse ela. — O poder e a atenção do rei.
Colbrand a olhou com olhos inocentes que manifestou não estar seguro de haver entendido…e de repente Zared pensou que esses olhos, de certa forma não eram tão belos. Levantou os ombros e olhou para outro lado. Tinha outras coisas em que pensar no momento, e o fato de que os olhos de Colbrand fossem belos ou não, estava em segundo lugar. Havia algo que não compreendia. Por que esse homem tinha esperado até o segundo dia para participar do torneio? Por que mantinha em segredo sua própria identidade?
Afastou-se de Colbrand e de Jaime e se dirigiu para um extremo do campo, onde se encontrava o Cavalheiro Negro. Estava rodeado por uma dúzia de garotos que lhe estendiam novas lanças, secavam o seu cavalo e admiravam o homem misterioso que sabia lutar tão bem.
Zared olhou o homem durante outros dois combates e ao final percebeu algo de familiar nele. Desde o início pensou que podia ser seu irmão mais velho. Tinha o mesmo porte de Rogan, mas não se movia como ele. Nem tampouco era um dos filhos ilegítimos de seu pai que ela conhecia muito bem.
Aproximou-se de uma parede baixa de madeira para observá-lo melhor e nesse momento o homem virou a cabeça em sua direção.
Através da tela de proteção da máscara que lhe cobria o rosto não podia ver nada, mas o modo como moveu a cabeça, embora estivesse encerrado no aço, fez parar a sua respiração.
— Howard! - Pensou e não teve nenhuma dúvida da identidade do misterioso cavalheiro.
Afastou-se antes que ele pudesse ver a expressão de seu rosto. Voltou para o lado de Colbrand e observou como o homem lutava, mas agora o fez com olhos distintos. Esse era o homem que quase tinha morrido quando a adaga dela tinha roçado suas costelas?
Estava quase morto ou teria sido uma simulação? Havia permanecido deitado no chão e disse que tinha medo de ficar sozinho e ela havia acreditado! Afastou-se e então voltou para o seu lado, temendo que estivesse morto.
Mentiras, pensou. Isso estava cheio de mentiras. Fingia ser pouco robusto, de ser quem não era, fingia querer casar-se com uma Peregrine e fingia ser seu amigo.
— Acredita que seu irmão seja capaz de vencê-lo?— Não compreendeu imediatamente o que Colbrand estava falando, nem tampouco percebeu que seu corpo não vibrava mais ao estar perto desse belo homem. Muito belo é claro, mas também eram belas as luvas que Tearle lhe dera, e os olhos de Colbrand não eram mais bonitos que essas luvas.
Ela gostaria de falar com alguém sobre o cavalheiro misterioso, mas quando olhou o belo rosto de Colbrand compreendeu que esse “alguém” não podia ser ele. Certamente não era de sua natureza seguir numa conversa que implicasse fazer uso da lógica e a dedução.
— Meu irmão o matará— disse em voz baixa.
— Com o lodo ou com o mel? — perguntou Jaime rindo.
Ante estas palavras não reagiu, mas olhou o moço com olhos de fogo: — Vá procurar meu irmão.
Jaime não vacilou, porque sabia reconhecer uma ordem. Virou-se e partiu correndo.
Zared, de pé perto do campo, observou o Cavalheiro Negro que desmontava atrás de outro. Em seus ouvidos ressoavam todas as palavras que ela havia dito a Howard, e recordava o modo que o acusara de ser fraco, de reconhecer muito bem o vestuário feminino mas de não entender nada de armas.
Como devia ter rido dela! Devia ter-se divertido ante cada uma de suas palavras. Riu dela também tendo em seus braços Lady Anne? Admitiu tê-la conhecido na França e talvez tivesse sido lá que planejaram seu matrimônio.
O que acontecera? O pai de Lady Anne não desejava um Howard como genro e tinha obrigado à filha a escolher outro homem? Talvez Hugo Marshall escolhesse Severn?
Mas Howard havia eliminado Severn como pretendente a mão de Lady Anne. Agora as pessoas riam cada vez que um Peregrine aparecia, riam ante a vista de seu estandarte.
E agora Howard concentrava sobre si a curiosidade e a atenção das pessoas apresentando-se como um cavalheiro misterioso. Não lutava melhor do que Severn, mas ao final, quando revelasse sua identidade, as pessoas não ririam dele. No fim, Hugo Marshall lhe concederia a mão de sua filha.
Zared observava o homem que se fazia chamar Cavalheiro Negro com crescente atenção e pensou que Severn devia vencê-lo.
Não percebeu que seu irmão se encontrava as suas costas.
— O que pensas?— perguntou em voz baixa.
— Pode abatê-lo —respondeu ela. — Atemoriza os seus adversários….a metade dos rivais está convencido que será abatido….os assusta. É forte e pesado mas não é robusto nem forte como você.
— Parece muito segura do que diz.
Virou-se para olhá-lo: — Estou certa…— Pela expressão dos olhos de seu irmão, compreendeu que as brincadeiras das pessoas naquela manhã tinham-no ferido profundamente e disse: — Foi ele quem pôs o lodo em seu casco e que libertou as abelhas.
Severn a olhou: — Tem certeza?
— Sim — replicou convencida. — Esse homem não se vale só de sua habilidade, diverte-se ao assustar os outros. Porque se disfarçou, então? Sabia que não podia vencê-lo e sabia que não podia assustá-lo, assim tratou de minguar seu espírito com as pessoas zombando de você.
Poderia dizer ao seu irmão que esse homem era Smith, o mesmo que ele acreditava ser seu amigo, mas não o fez. Não sabia com exatidão porque não dissera a verdade a Severn; talvez porque temesse sua raiva frente à tamanha traição, ou talvez porque se tivesse dado muita informação, ele teria feito outras perguntas até descobrir a verdadeira identidade de Tearle.
Severn endireitou-se, olhou o homem sobre o cavalo negro e Zared viu que a expressão de seus olhos mudou. Seu irmão voltara a ser ele mesmo, diante dela estava novamente um homem seguro de si mesmo e em seu olhar já não existia a mínima dúvida.
— Sim, posso vencê-lo — murmurou Severn.
Faça-o também por mim, pensou Zared. Faça-o por todas as humilhações que me causou. Pouco depois seguiu seu irmão em direção à tenda para ajudá-lo a colocar a armadura.
Uma hora mais tarde voltou com ele ao campo do torneio e ao vê-lo as pessoas começaram a sorrir e a golpear uns aos outros pelos cotovelos.
Zared soube que o Cavalheiro Negro havia desmontado Colbrand e logo o tinha desafiado para um duelo a pé; mas Colbrand não aceitou o desafio.
— Se o Cavalheiro Negro pode abater Colbrand, pode vencer qualquer um, — disse um dos presentes enquanto Severn passava.
— Lembre-se das abelhas — disse Zared estendendo a lança quando seu irmão estava montado em seu cavalo.
Ambos os combatentes destroçaram suas lanças no primeiro embate e o mesmo aconteceu durante a segunda. Estavam empatados.
— Lembre-se do lodo — disse Zared ao irmão, estendendo a terceira lança. No terceiro embate Severn rompeu sua própria lança contra o Cavaleiro Negro e ganhou um ponto.
— Acredito que pretende obter a mão de Lady Anne — disse Zared ao irmão, oferecendo um jarro com água. — Quer que as pessoas riam de você, assim obterá a mão e a riqueza da dama.
Os olhos de Severn brilharam de raiva e atacou o adversário como teria atacado um inimigo no campo de batalha. Estava sedento de sangue. Rígido sobre a sela e inclinado para frente, levantou a lança e atacou. O que aconteceu mais adiante foi muito rápido para que Zared pudesse se dar conta. Um minuto antes seu irmão havia partido para o ataque…e imediatamente estava no chão. O grito de aprovação das pessoas com respeito ao Cavalheiro Negro foi ensurdecedor e a jovem correu para ajudar Severn. Este, humilhado até não poder mais, rechaçou-a e se dirigiu para a tenda, seguido por Zared que segurava seu elmo.
— O que aconteceu?— perguntou quando estavam a sós.
— Venceu-me, — respondeu Severn. — ganhou o melhor.
— Não acredito. É melhor que ele.
Severn pegou uma maçã da bandeja que estava sobre a mesa a pouca distância dele e a esmagou com seus dedos fortes. Depois de um momento olhou para olhar a sua irmã.
A expressão de seu rosto traía sua raiva. — A cilha de meus arreios escorregou. Esse homem não me tocou. Eu caí do cavalo.
Zared respirou fundo, Howard pagaria por isso. Ela o faria pagar, a custo de morrer.
Capítulo Nove
Tearle nadava sob a água e só voltou para a superfície do lago quando seus pulmões estavam a ponto de estalar. Nadou por alguns minutos de costas, sorrindo. Não se sentira tão bem em toda sua vida. Estava cansado, dolorido e faminto, mas se sentia bem.
Fez exatamente o que se propôs fazer: Tinha provado a Zared que era um homem.
Estava certo que o reconhecera porque a viu olhá-lo muito surpresa. Perguntava-se se o teria denunciado ao irmão, mas talvez se limitasse a descobrir quem era o Cavalheiro Negro, como ele tinha descoberto que ela pertencia ao sexo feminino na primeira vez que a viu.
Trocou novamente de posição e recomeçou a nadar. Agora Zared mudaria de atitude com ele. Nunca mais duvidaria dele, nunca mais pensaria que não era varonil.
Alcançou a borda do lago. Dois dos homens de seu irmão estavam escondidos entre as árvores. Durante o torneio se disfarçaram de comerciantes e Tearle os pagara muito bem para que mantivessem o segredo; ajudaram a prepará-lo para o duelo e sucessivamente esconderam seu cavalo e sua armadura.
Secou-se e começou a vestir-se, sem deixar de sorrir. Não tinha sido fácil vencer a todos os combatentes e quando enfrentou Severn, seu corpo estava muito dolorido. A dor provocada pelas feridas causadas no dia anterior pelos cascos do cavalo, unido ao contragolpe cada vez que sua lança se chocava com a armadura do adversário era insuportável.
Mas valeu a pena resistir, porque tinha derrotado todos. Colbrand deu trabalho e para desmontá-lo teve que recorrer a toda sua habilidade. Enfrentando Severn, tinha duvidado da vitória, mas no último ataque o homem escorregou de seus arreios e caíra por terra.
Para Tearle foi um triunfo doce-amargo, porque não pôde saboreá-lo, nem pode tirar o elmo e mostrar ao público quem era. Antes de ser rodeado pela multidão, mal teve tempo de ver Zared sair na direção do seu irmão. Todos queriam descobrir sua identidade: desviou sua montaria e se afastou a galope.
Tinha alcançado o bosque a umas quantas milhas de distância, onde os homens de seu irmão o esperavam e tiraram a sua armadura, logo alcançou a borda do lago, entrando na água.
Uma hora depois se sentia outro homem e estava ansioso para ver a carinha de Zared. A moça dava muita importância à habilidade de manejar as armas, não era como as demais mulheres que só amavam as histórias doces e as flores, e agora ele demonstrara que sabia combater até melhor que seu irmão.
Ao montar em sua sela ainda sorria. Finalmente Zared o olharia com uma expressão distinta da que se olha um inimigo.
Zared não sabia como consolar um homem triste….sempre vira seus irmãos cheios de ira. Tinha-os visto superar a dor quando o luto golpeava a sua família, mas também sua dor sempre estava misturada com a cólera, porque a maior parte dos lutos dos Peregrine foram causadas pelos Howard.
Mas agora a cólera de Severn tinha um motivo diferente; de fato parecia que seu irmão havia perdido a fé em si mesmo, enquanto ela sempre o via seguro de si. O fato de vê-lo sentado em silencio no interior da tenda e comendo sozinho, desejoso de não ver ninguém salvo ela, preocupava-a.
Quando ao entardecer, Howard entrou na tenda, olhou-o e por um momento não conseguiu dissimular sua expressão de ódio. Poderia matá-lo pelo que havia feito ao seu irmão. Olhou para outro lado. Não permitiria que percebesse o quanto que o odiava porque pensava numa grande vingança. Ela o faria pagar, embora ainda não soubesse como.
— Um membro de minha família adoeceu — disse Tearle para ambos os irmãos.
Havia pensado bem, uma desculpa por sua ausência, mas o olhar de Zared o fez esquecer o que havia decidido dizer. Se antes nos olhos da jovem tinha visto ressentimento, agora se deu conta que o odiava.
— Perdeu o espetáculo da humilhação final dos Peregrine — disse Severn sentando-se na cama.
O olhar de Tearle passou do rosto gasto do homem à nuca da moça, que lhe dava as costas e compreendeu que a situação era grave. Tão mal havia sido a derrota para Severn?
Tinha-o acreditado mais forte.
Encheu o prato de comida e sentando-se em um tamborete, começou a comer. — Ouvi dizer que houve certa comoção hoje — disse— A propósito de um cavalheiro misterioso.
Severn, depois de lhe devolver um olhar cheio de cólera, saiu da tenda. Zared contente por não ter revelado ao irmão a identidade do Cavalheiro Negro, seguiu-o.
— Volte para dentro — Severn disse quando chegaram ao limite do bosque.
— As pessoas deveriam saber— disse — Todos deveriam saber que esse homem que o desmontou…que se a cilha de seus arreios não tivessem cedido, teria vencido.
— Deveria me humilhar ainda mais? Não, faria com que aumentassem as risadas…olhou-a: Não entende? Falhei.
— Não! Não falhaste. Tem um inimigo neste torneio, um inimigo que o impediu de sair vitorioso.
— Sim, nós os Peregrine temos um inimigo, mas Oliver Howard não está aqui. Não entende que isto é o fim de nossas esperanças de reconquistar o que perdemos?
— O que quer dizer?— sussurrou ela.
— Tinha esperado sobressair neste torneio, de atrair a atenção de Hugh Marshall. Depois da humilhação que sofri hoje, nunca concederá sua filha a um Peregrine. Saberão o que aconteceu neste torneio em cada rincão da Inglaterra. Se não encontrar uma esposa rica, nunca teremos condições de procurar o que é necessário para vencer os Howard. Nunca nos devolverão o que nos arrebataram.
Zared não suportava escutar essas palavras porque pensava que tudo ocorrera por culpa dela. Se desde o começo houvesse dito ao irmão que o homem em quem tinha depositado sua confiança, na realidade era um Howard, as coisas teriam acontecido de maneira diferente. Lembrava-se muito bem o encontro entre Tearle e Lady Anne.
— Você se casará com ela — disse em voz baixa. — Se casará com Lady Anne.
Assim dizendo se afastou do irmão. Tinha muitas coisas em que pensar.
Quando chegou à tenda dos Peregrine, abrindo caminho entre as pessoas, muitos sorriram, decididos a seguir zombando de sua família. Ao entrar na tenda viu Tearle dormindo em sua cama. Não vacilou e aferrando a espada de Severn levantou-a preparando-se para deixá-la cair sobre o pescoço do homem.
Tearle rolou para o chão enquanto a espada golpeava a cama. Levantou-se rapidamente e estendendo os braços, segurou a jovem fazendo-a cair e imobilizando-a no chão.
— Pensou que poderia me matar— disse.
— Queria fazê-lo— respondeu ela. — Se morresse e libertasse a terra de sua presença, seria feliz.
Observou sua expressão. Sempre o olhara com raiva, mas também com doçura.
Agora a doçura havia desaparecido…se estivesse dormindo profundamente quando ela levantou a espada, agora não estaria vivo porque sua cabeça estaria separada de seu pescoço.
— O que aconteceu?— perguntou em voz baixa, afastando-se levemente dela, sem deixar de tê-la apertada junto a si.
— Fez o que seu irmão não pôde fazer. Porém ele usa armas dignas de um homem, enquanto você usa a traição. Meu irmão acredita que é…um amigo…— Ao pronunciar esta última palavra Zared quase se sufocou.
— O que você sabe?— perguntou-lhe.
— Sei tudo. Quer Lady Anne para você e…
— Anne? Eu quero Anne?
— Conspira com ela. Você…
Tearle a olhou de novo. Estava dizendo que ele queria Anne. Se Anne estivesse zangada com um homem, não teria tomado a espada e tentado decapitá-lo. Teria colocado um lindo vestido e o induziria a fazer o que ela quisesse. Não…ele não queria Anne. Queria Zared, que falava e agia de forma sincera, sem intenções escondidas e sem traições.
— Porque diz que quero Anne?
— É uma esposa rica para um segundo filho.
— É certo — Assim dizendo pôs a mão no braço dela e a atraiu para si.
— Não me toque! — gritou Zared debatendo-se, mas ele a segurou.
— Não é Anne que eu quero — disse e pôs o rosto sobre seu pescoço.
Zared permaneceu tranquila por um momento e logo lhe deu um chute e se libertou.
Tearle gemeu e a agarrou de novo. — Sente-se!— ordenou indicando a cama.
Inclinou-se sobre ela, tentando dominar a dor física que o oprimia e disse: — Quero saber tudo. Quero saber tudo o que se passa pela sua mente.
— Não direi nada! — replicou ela, apertando as mandíbulas.
— Se não falar, direi ao seu irmão quem sou.
— Ele o matará!
— Como quase fez hoje? — perguntou irônico, mas se arrependeu porque não queria feri-la.
— Soltou a cilha de seus arreios— jogou em seu rosto. — Humilhou-o! Porque quer Lady Anne!
Tearle estava atônito. Talvez não houvesse “magia” no fato de Severn ter caído do cavalo. Depois de tudo sua lança apenas o havia tocado.
— Alguém soltou a cilha dos arreios?— perguntou com voz muito baixa. A coisa poderia ter sido ordenada por Oliver. Depois da partida do rei, poderia ter ousado um ato de tal magnitude.
— Você deveria saber. Não foi você que pôs o lodo em seu elmo, as abelhas sobre…
— O quê? — Tearle se endireitou. — Eu coloquei lodo em seu elmo?— perguntou indignado.
— As pessoas riram de Severn — replicou ela e ante a lembrança se enfureceu. — Severn não poderá obter a mão de uma jovem rica e a culpa será minha. Se houvesse dito desde o começo quem você era, poderia tê-lo matado. O enforcamento seria preferível a tanta humilhação por parte do público.
Por um momento Tearle não conseguiu pensar. Quis colocar a armadura negra para impressionar a jovem que desejava, mas em vez de alcançar seu objetivo, causou desonra e humilhação à família dela.
— O que quer de mim?— perguntou em voz baixa. — Quer que eu vá? Que não apareça nunca mais?
— Sim — respondeu Zared escondendo o rosto entre as mãos. — Arruinou tudo. Severn nunca terá a esposa rica que sonhava.
Passou as mãos no cabelo: — Deve acreditar. Nunca tive a intenção de fazer mal a você e a seu irmão. Nunca hei….
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