A Grande Gripe
Meados de setembro de 1918, Filadélfia. Paul Lewis, o cientista que provara ser um vírus a causa da poliomielite, é chamado às enfermarias para explicar marinheiros com hemorragias nasais e um tom azulado ao redor dos lábios. Milton Rosenau já avisara de Boston; o isolamento preparado não segurou nada: dezenove internados num dia, 87 no seguinte, seiscentos dois dias depois. Barry conta a pandemia que até 1920 matou, pelas estimativas atuais, ao menos cinquenta milhões, cerca de metade entre os vinte e os trinta anos. Antes disso vem a medicina americana que precisou virar ciência: ao menos cem faculdades aceitavam qualquer homem que pagasse a mensalidade, mulheres não; a inauguração da Johns Hopkins em 1876, onde Huxley falou e ninguém pronunciou a palavra Deus; a sangria defendida por Benjamin Rush; o poço de Londres até onde John Snow rastreou a cólera.

