A Hora do Lobisomem

Stephen King · Capítulo 7 de 12

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A Hora do Lobisomem

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DEZEMBRO

Cancelaram o 4 de julho.

Marty Coslaw obteve bem pouca simpatia dos seus familiares quando lhes disse aquilo. Talvez tenha sido porque eles simplesmente não entendem a profundidade de sua dor.

- Não seja tolo - sua mãe lhe disse bruscamente - ela é quase sempre brusca com ele e, quando tem de racionalizar sua grosseria para si própria, diz que não quer mimar o garoto só porque ele é aleijado, só porque tem a desculpa de que vai passar o resto de sua vida em uma cadeira de rodas.

- Espere até o próximo ano! - seu pai lhe diz, com uma palmada nas costas. - Em dobro é melhor! Em dobro é bem, bem melhor! Você vai ver, meu parceiro! Ei, ei!

Herman Coslaw é o professor de Educação Física da escola primária de Tarker's Mills e ele quase sempre fala com o filho num tom que Marty chama de voz do "amigão". Ele também diz "Ei, ei!" num tom alto. A verdade é que Marty deixa Herman Coslaw um pouco nervoso. Herman vive num mundo de crianças extremamente ativas, garotos que disputam corridas, jogam beisebol, nadam. E enquanto dirige tudo isso, algumas vezes ele vê Marty nas proximidades, sentado em sua cadeira de rodas, assistindo. Isto deixava Herman nervoso e quando ele ficava nervoso, falava com a voz gutural do "amigão" e dizia "Ei, ei!" ou "de primeira" e chamava Marty de "parceiro".

- Ah, ah, então finalmente você não conseguiu algo que queria! - diz sua irmã mais velha quando ele tenta lhe contar como esperou por esta noite, como ele a espera todo ano, as flores de luz no céu acima das pessoas, os relâmpagos estalando em brilhos seguidos pelo estrondoso eco de um imenso BOOUMM! que soa por entre as colinas que cercam a cidade. Kate tem treze anos, Marty dez, e ela está convencida de que todos amam Marty só porque ele ruão pode andar. Ela está adorando que os fogos tenham sido cancelados.

Nem mesmo vovô Coslaw, que normalmente poderia ser considerado um simpatizante, ficou impressionado. "Ninguém está cancelando o Quatro de Julho, garoto", ele disse com seu forte sotaque eslavo. Estava sentado na varanda e Marty veio em sua cadeira de rodas movida a bateria conversar com ele. Vovô Coslaw sentava olhando a grama irregular em frente aos arbustos, um copo de schnapps em uma das mãos. Isto tinha acontecido em 2 de julho, dois dias atrás.

- Eles apenas cancelaram os fogos. E você sabe por quê.

Marty sabia. O assassino, este era o porquê. Nos jornais eles o chamavam O Assassino da Lua Cheia, mas Marty tinha ouvido montes de falatórios pela estola antes das aulas acabarem para as férias de verão. Um bando de garotos dizia que o Assassino da Lua Cheia não era um homem, mas alguma espécie de criatura sobrenatural. Um lobisomem, talvez. Marty não acreditava naquilo - lobisomens existiam estritamente nos filmes de terror - , mas achava que podia ser algum sujeito maluco que somente sentia necessidade de matar durante a lua cheia. Os fogos tinham sido canelados por causa de um nojento toque de recolher.

Em janeiro, sentado em sua cadeira de rodas defronte ás portas de vaivém que dão para a varanda, o vento soprando amargos véus de neve sobre a terra gelada, ou em pé na porta da frente, rígido como uma estátua em suas muletas, vendo outros garotos empurrar seus trenós em direção do morro Wright, apenas pensar nos fogos fazia uma grande diferença. Pensar numa noite morna de verão, uma Coca gelada, pensar nas rosas de fogo desabrochando no céu escuro, estrelinhas e uma bandeira americana feita de fogos de artifícios.

Mas agora eles cancelaram os fogos... e, não importa o que digam, Marty sente que foi mesmo o Quatro de Julho - o seu Quatro de julho - que eles mataram.

Apenas tio Al, que apareceu naquela manhã para o tradicional salmão e ervilhas frescas com a família, entendeu. Ele ouviu atenciosamente, encostado na grade da varanda com sua roupa de banho pingando (os outros estavam nadando e rindo na nova piscina dos Coslaws, no outro lado da casa), depois do almoço.

Marty acabou e olhou ansiosamente para tio Al.

- Vê o que eu quero dizer? Entende? Não tem nada a ver com o fato de eu ser aleijado, como Katie diz, ou misturar os fogos com a América, como vovô pensa. Apenas não está certo, quando você espera alguma coisa por tanto tempo... não está certo Victor Bowle e algum conselho comunitário imbecil virem acabar com tudo. Não quando é algo que você realmente precisa. Entende?

Houve uma longa e agoniaste pausa enquanto tio Al considerava o caso de Marty. Tempo suficiente para Marty ouvir o rangido do trampolim na parte mais funda da piscina, seguido pelo tom gutural de papai: "Muito bem, Kate, Ei, ei. Muito bemmmmm... mesmo".

Então tio Al disse calmamente:

- Claro que eu entendi. E tenho algo para você, eu acho. Talvez você possa fazer o seu próprio Quatro de julho.

- Meu próprio Quatro de julho? O que você quer dizer?

- Venha até meu carro, Marty. Tenho algo... bem, eu te mostrarei. - E ele caminhou junto à calçada que circundava a casa antes que Marty pudesse perguntar o que ele queria dizer.

Sua cadeira de rodas zuniu pela calçada em direção à saída, para longe dos sons da piscina - mergulhos, risadas histéricas, o tóoinnng do trampolim. Para longe da voz de "amigão" de seu pai. O som de sua cadeira de rodas era um murmúrio abafado que Marty ouvia com exatidão - toda sua vida aquele som, e o som metálico dos braços da cadeira, tinham sido a música dos seus movimentos.

O carro de tio Al era uma Mercedes conversível. Marty sabia que seus pais desaprovavam ("Uma ratoeira de vinte e oito mil dólares", sua mãe disse uma vez com uma grosseira fungadela), mas Marty adorava. Uma vez tio Al o levou para um passeio em algumas das estradinhas que riscavam Tarker's Mills e ele dirigira muito rápido -130 ou 140 por hora. Ele não contara a Marty a velocidade em que estavam indo. "Se você não souber, não ficará assustado", ele dissera. Mas Marty não tinha se assustado. Sua barriga doía no dia seguinte de tanto rir.

Tio Al apanhou algo no porta-luvas e, quando Marty se aproximou, ele colocou um grande pacote enrolado em celofane sobre as pernas imprestáveis do garoto.

- Vamos lá, menino - ele disse. - Feliz Quatro de julho.

A primeira coisa que Marty viu foram exóticos caracteres chineses no rótulo do pacote. Então ele viu o que havia dentro e o coração se apertou em seu peito. A embalagem de celofane estava cheia de fogos de artifício.

- Estes que parecem pirâmides são especiais disse tio Al.

Marty, totalmente atordoado pela alegria, mexeu os lábios, mas não conseguiu dizer nada.

- Acenda os pavios e jogue que eles vão se esparramar em tantas cores quantas há na língua de fogo do dragão. Os tubos com palitos aparecendo são foguetes. Ponha-os em uma garrafa vazia de Coca e eles sobem. Os pequenos são cascatas. Há duas velas romanas também... e, claro, um pacote de bombinhas. Mas é melhor lançar estes amanhã.

Tio Al prestou atenção nos ruídos vindos da piscina.

- Obrigado - Marty finalmente conseguiu pronunciar. - Obrigado, tio Al!

- Só não vá dizer para a mãe onde você os conseguiu - disse tio Al. - Um aceno de cabeça é tão bom quanto uma piscadela para um cavalo cego, certo?

- Certo, certo - Marty balbuciou, apesar de não ter a mínima idéia do que acenos, piscadelas e cavalo cegos tivessem a ver com fogos de artifício. - Mas você está certo que não os quer, tio Al?

- Eu posso conseguir mais - disse tio Al. - Conheço um cara em Bridgton. Ele trabalha até o anoitecer. - Colocou a mão sobre a cabeça de Marty. - Você faz o seu Quatro de Julho depois que todo mundo for para a cama. Não dispare os barulhentos pois vai despertar todos. E, pelo amor de Deus, não estoure sua mão, ou minha irmã nunca mais irá falar comigo.

Então tio Al riu, entrou no carro e fez o motor roncar como algo vivo. Ergueu a mão num abano a Marty e então partiu, quando Marty ainda estava tentando demonstrar sua gratidão. Ele ficou ali por um tempo após a partida do tio, engolindo em seco para não chorar. Então colocou o pacote de fogos por dentro da camisa e zuniu de volta à casa e ao seu quarto. Em sua cabeça, ele já esperava pela chegada da noite e que todos estivessem dormindo.

Ele é o primeiro a ir para a cama naquela noite. Sua mãe vem e lhe dá um beijo de boa-noite (bruscamente, sem olhar para suas pernas magrelas por debaixo do lençol).

- Você está bem, Marty?

- Sim, mãe.

Ela faz uma pausa como se fosse dizer mais alguma coisa e então dá uma sacudidela de cabeça. Sai.

Sua irmã Kate vem. Ela não o beija; simplesmente encosta a cabeça em seu pescoço para que ele sinta o cheiro de cloro em seus cabelos e sussurra:

- Vê? Você nem sempre consegue o que quer só porque é aleijado.

- Você poderia se surpreender com o que eu consigo - ele diz suavemente, e ela o observa por um momento com uma forte suspeita antes de se retirar.

Seu pai vem por último e senta no lado da cama de Marty. Ele fala com sua estrondosa voz de "amigão".

- Tudo legal, garotão? Você tá caindo na cama muito cedo. Cedo mesmo.

- Só um pouco cansado, papai.

- Certo. - Ele dá uma palmada em uma das pernas inúteis de Marty com sua grande mão, se descompõe inconscientemente e então levanta apressado. Lamento pelos fogos de artifício, mas espere até o próximo ano! Ei, ei! De primeira!

Marty sorri, um rápido e secreto sorriso.

Então começa a espera para que o resto da casa vá para a cama. Muito tempo se passa. A TV vaiem frente, sempre e sempre, na sala de estar, as risadas enlatadas seguidamente acrescidas pelos fricotes risonhos de Katie. A válvula de descarga soa com estrépito seguida do jato de água no banheiro do quarto de vovô. Sua mãe tagarela ao telefone, deseja um feliz Quatro de Julho a alguém, diz sim, é uma vergonha terem cancelado os fogos de artifício, mas ela pensa que, naquelas circunstâncias, todos entenderam por que tinha de ser assim. Sim, Marty ficara desapontado. Uma vez, perto do fim da conversa, ela ri e, quando ela ri, não parece nada brusca. Ela raramente ri perto de Marty.

E assim, enquanto as sete e meia se transformam em oito e nove, sua mão tateia debaixo do travesseiro para se certificar de que o pacote de celofane com os fogos ainda está ali. Por volta de nove e meia, quando a lua está bastante alta para penetrar por sua janela e inundar o quarto com sua luz prateada, a casa finalmente começa a se acalmar.

A TV é desligada. Katie vai para a cama, reclamando que todos seus amigos ficam acordados até tarde no verão. Depois que ela se vai, os pais de Marty sentam na sala um pouco mais, sua conversa reduzida a murmúrios. E...

...e talvez ele tenha dormido, pois quando toca de novo o maravilhoso saco de fogos percebe que a casa está totalmente silenciosa e a lua mais brilhante - brilhante o suficiente para projetar sombras. Ele apanha o saco junto com o pacote de fósforos que pegou mais cedo. Põe a camisa do pijama para dentro das calças; enfia o saco e os fósforos por dentro da camisa e se prepara para deixar a cama.

É uma operação para Marty, mas não dolorosa, como as pessoas à vezes parecem pensar. Não há sensações de qualquer espécie em suas pernas, portanto, não há dor. Ele segura a cabeceira da cama, forçando o corpo a sentar, então joga as pernas para a beirada, uma de cada vez. Ele faz isso com uma mão só, usando a outra para segurar o trilho que começa na cama e se estende ao redor de todo o quarto. Uma vez ele tentou mover as pernas com ambas as mãos e acabou caindo de cabeça no chão. O acidente fez com que todos viessem correndo. "Seu estúpido exibido!", Kate sussurrou em seu ouvido depois de ele ter sido colocado na cadeira, um pouco trêmulo, mas rindo loucamente apesar do arranhão em uma das têmporas e o lábio cortado. "Você quer se matar, hein?" E então ela saiu correndo do quarto, chorando.

Uma vez sentado na beira da cama, ele limpa as mãos no casaco para ter certeza de que elas estão secas e não vão escorregar. Então usa o trilho para ir, palmo a palmo, até a cadeira de rodas. Suas inúteis pernas ressequidas, um verdadeiro peso morto, se arrastam a seu comando. O luar reluz o bastante para projetar sua sombra, nítida e frágil, no chão a sua frente.

Sua cadeira de rodas está travada e ele se joga sobre o assento, confiante. Pára por um instante, prendendo a respiração, ouvindo o silêncio da casa. Não dispare nenhum dos barulhentos esta noite, tio Al disse, e, ouvindo o silêncio, Marty sabe que ele estava certo. Ele vai ter um Quatro de julho por si próprio e somente para si próprio e ninguém saberá. Pelo menos não até amanhã, quando eles virem os cartuchos enegrecidos das estrelinhas e as cascatas pela varanda e então não terá mais importância. Tantas cores quantas existem na língua de fogo do dragão, tio Al tinha dito. Mas Marty supõe que não há qualquer lei contra um dragão que solte chamas silenciosamente.

Ele destrava a cadeira e puxa a chave de força. O pequeno olho âmbar, aquele que mostra se a bateria está carregada, brilha na escuridão. Marty empurra a alavanca para VIRAR À DIREITA. A cadeira faz uma rotação à direita. Ei, ei. Quando está voltado para as portas da varanda, ele empurra o controle para a posição de AVANÇAR. A cadeira se move para a frente, zumbindo baixinho.

Marty desliza os trincos da porta dupla, aperta o AVANÇAR novamente e sai. Abre o maravilhoso saco de fogos e se detém rapidamente, encantado com a noite de verão'- o sonolento cricri dos grilos, a lenta e perfumada brisa que praticamente acaricia as folhas das árvores no limite do bosque, o quase sobrenatural brilho da lua.

Ele não pode esperar mais. Puxa uma tira de fogos, risca um fósforo, acende o estopim e observa num silêncio pesado enquanto eles espargem uma chama verde azulada e crescem magicamente, se retorcendo e cuspindo chamuscas pelo rabo.

O Quatro de Julho, ele pensa, os olhos brilhantes. O Quatro de Julho, feliz Quatro de Julho para mim.

A serpente de fogos diminui o brilho, tremula, se esvai. Marty acende um dos que têm forma de triângulo, soltando um fogo tão amarelo quanto a cor da camisa de sorte que seu pai usa no golfe. Antes que se apague, ele acende um segundo que desprende uma luz vermelha como as rosas que crescem ao lado da cerca ao redor da piscina nova. Agora um maravilhoso aroma de pólvora queimada enche a noite para ser apanhado pelo vento e levado embora lentamente.

Cegamente, suas mãos puxam o pacote achatado das bombas e ele já o abriu antes mesmo que percebesse que acender estes seria uma calamidade - seus estrondos estremecedores e estrepitosos de revólver despertariam a vizinhança inteira: fogo, inundação, alarme, evacuação. Tudo isso e um garoto de dez anos chamado Martin Coslaw trancado na casa do cachorro até o Natal, provavelmente.

Ele repõe as bombas em seus estojos, remexe alegremente o saco outra vez, e retira o maior dos fogos coloridos - um tipo Classe A, se é que existe isto. É tão grande quanto seu punho fechado. Ele o acende numa mescla de medo e prazer, e o atira.

Um fogo vermelho tão brilhante quanto o fogo do inferno toma a noite... e é através do seu brilho febril e inquieto que Marty vê os ramos dos arbustos abaixo da varanda serem sacudidos e divididos. Há um ruído leve, meio tosse, meio grunhido. A Besta aparece.

Pára por um momento à beira da grama baixa e parece farejar o ar... e então começa a cruzar desordenadamente o chão desnivelado em direção ao lugar onde Marty está sentado em sua cadeira de rodas, os olhos arregalados, o tronco colando contra o encosto de lona da cadeira. A Besta vem curvada, mas caminha nitidamente sobre suas duas patas traseiras. Caminhando da maneira que um homem caminharia. A luz vermelha dos fogos perpassa infernalmente seus olhos verdes.

Move-se lentamente, suas largas narinas bufam ritmadamente. Farejando a presa, quase farejando a fraqueza da presa. Marty pode sentir o odor - o pêlo, o suor, a selvageria. Grunhidos, novamente. O grosso lábio superior cor de fígado, arreganhado, mostra seus dentes fortes, quase presas. Seu pêlo é colorido de um vermelho-prateado frio.

Está quase alcançando o garoto - as mãos com garras, mãos, a um só tempo, humanas e não-humanas, em busca de sua garganta - quando ele lembra do pacote de bombas. Quase sem se dar conta do que está fazendo, risca um fósforo e o aproxima do pavio principal. O pavio cospe uma linha quente de faíscas vermelhas que chamuscam os pêlos das costas de suas mãos, crispando-as. O lobisomem, momentaneamente descontrolado, recua, lançando um grunhido que, como suas mãos, é quase humano. Marty joga o pacote de bombas em seu rosto.

Elas vão explodindo, um faiscante trem de luz e som. A Besta emite um rugido de dor e raiva; recua, as patas tentando evitar as explosões que tatuam pontos de fogo e pólvora ardente em seu rosto. Marty vê um de seus olhos verdes se desfazer no ar quando quatro bombas estouram juntas com um estrondoso CABULJUMMM!, bem do lado do focinho. Agora os gritos são pura agonia. Com as patas sobre o rosto, abaixando-se, quando as primeiras luzes se acendem na casa dos Coslaw, foge pela grama em direção aos arbustos, deixando atrás de si apenas um odor de pêlo chamuscado e os primeiros gritos apavorados e descontrolados vindos da casa.

- O que foi? - é a voz de sua mãe não parecendo nada brusca.

- Quem era, maldição? - pergunta o pai, não parecendo muito com o "amigão".

- Marty? - é a voz de Kate, trêmula, não parecendo tão empolada. - Marty, você está bem?

Vovô Coslaw dorme apesar de tudo.

Marty empurra sua cadeira de rodas enquanto o grande fogo vermelho vai se extinguindo. Sua luz é agora mais suave e adoravelmente rosada como um amanhecer antecipado. Ele está chocado demais para chorar. Mas seu choque não é apenas emocional, apesar de que, no dia seguinte, seus pais o enviarão para uma visita a tio Jim e tia Ida lá em Stowe, Vermont, onde ele ficará até o final das férias de verão (a policia concorda; eles acham que O Assassino da Lua Cheia pode tentar atacar Marty outra vez, e silenciá-lo). Ele está exultante. É algo mais forte que o choque. Ele olhou a terrível face da Besta e sobreviveu. E há uma simples e infantil alegria nele, bem como um júbilo tranqüilo, que ele é incapaz de transmitir a qualquer um mais tarde, nem mesmo a tio Al, que poderia entender. Ele sente essa alegria porque os fogos aconteceram, afinal de contas.

E enquanto seus pais se questionavam, se interrogavam sobre sua saúde mental e se ele não ficaria com traumas dessa experiência, Marty Coslaw passou a acreditar do fundo do coração que aquele foi o melhor Quatro de Julho de todos.