A Morte de Ivan Ilitch, O Senhor dos Anéis: Expedições pelo Mundo da Cultura
nenhuma criatura maligna desonre seus ossos. (pág. 8)
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
Os três membros restantes da comitiva decidem tentar resgatar Merry e Pippin e iniciam a caçada aos orcs que os haviam levado.
Com ou sem esperança, seguiremos a trilha de nossos
inimigos. E ai deles se acabarmos sendo mais rápidos!
Faremos uma caçada que será considerada um prodígio
nos Três Reinos: dos elfos, anões e homens. Lá vão os Três
Caçadores! (pág. 13)
182 Professor José Monir Nasser PROF. MONIR: Do grupo de nove, ficaram três. Gandalf morreu. Sam e Frodo foram sozinhos com o barco. Boromir morreu. E dois hobbits que tinham sobrado foram sequestrados por orcs. Portanto, só sobraram o anão, o elfo Legolas e o homem Aragorn. Esses três resolvem ir atrás dos dois sequestrados, seguindo a trilha dos orcs.
Capítulo 2: Os Cavaleiros de Rohan
Por três dias o trio remanescente segue a trilha dos orcs e, no quarto, encontra uma tropa de rohirins, cavaleiros do reino de Rohan, que segundo Aragorn “são voluntariosos e cheios de orgulho mas têm o coração sincero, são generosos em pensamentos e ações; destemidos mas não cruéis; sábios mas incultos, não escrevendo nenhum livro mas cantando muitas canções, à maneira dos filhos dos homens antes dos Anos Escuros.”
Os cavaleiros são liderados por Éomer, sobrinho do Rei Théoden de Rohan, que lhes diz terem enfrentado e derrotado dois dias antes um grupo de orcs, sem que contudo tenham encontrado qualquer vestígio das criaturas pequenas a que o trio chama de “hobbits”, o que causa espécie:
PROF. MONIR: O pessoal não conhece os hobbits. Vejam, há mistérios nessa situação, porque os rohirins que são vizinhos de Gondor – estão mais ao norte de Gondor, entre Gondor e o Condado. Eles não conhecem os hobbits, que acreditam ser apenas uma espécie de figura mitológica. Acham aquilo muito estranho.
– Pequenos! – riu o Cavaleiro que estava do lado de Éomer.
– Pequenos! Mas eles são apenas um pequeno povo em
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 183
velhas cantigas e histórias infantis do norte. Estamos
andando em lendas ou sobre a terra verde à luz do dia?
– Um homem pode fazer as duas coisas – disse Aragorn.
– Pois não seremos nós, mas os que vierem depois, que
farão as lendas de nossa época. A terra verde, você diz?
Este é um grande assunto para as lendas, embora você
pise nela sob a luz do dia. (pág. 29)
Éomer explica que, graças a Gandalf, sabe que a guerra entre Rohan e Isengard, terra controlada por Saruman, é inevitável, mas lamenta o Rei não ter ouvido o Mago Cinzento.
PROF. MONIR: O mago cinzento é Gandalf. E o mago branco é Saruman. É esse Saruman que domina Isengard. Lembrem que ele havia traído os magos e se bandeado para o lado de Sauron. É essa a guerra que vai nascer entre Saruman e os homens de Rohan. Continuamos.
A Aragorn e seus companheiros é concedida permissão especial para atravessar as terras de Rohan e Éomer cede-lhes um par de cavalos pertencentes a cavaleiros caídos na batalha contra os orcs. O trio, com Legolas e o anão montando o mesmo animal, vai investigar os vestígios da batalha entre os orcs e os rohirins, à procura de pistas dos hobbits. Ao acampar ao lado da floresta de Fangorn, veem aproximar-se e rapidamente desaparecer um velho homem vestido de branco, que julgam ser Saruman espionando.
184 Professor José Monir Nasser Capítulo 3: Os Uruk Hai
A narração retrocede para a perspectiva dos hobbits raptados, que são poupados porque seus captores haviam recebido ordens de não matá-los antes de achar o Anel. Pippin lamenta-se:
Gostaria que Gandalf não tivesse persuadido Elrond a
permitir que viéssemos, pensou ele. Que fiz de bom?
Nada: fui só um peso morto, um passageiro, uma peça
de bagagem. E agora fui raptado e sou uma peça de
bagagem para os orcs. (pág. 40)
No entanto, desentendimentos entre os orcs – que pertenciam a clãs diferentes e falavam idiomas diferentes – fazem com que eles briguem entre si. Quando um grande e orgulhoso uruk-hai chamado Grishnákh leva os hobbits para longe para melhor os revistar, é morto pelos cavaleiros de Rohan, que acabam liquidando o resto dos orcs. Os hobbits, pequenos, não são percebidos na luta e escapam rastejando para a floresta.
PROF. MONIR: O capítulo 4 eu vou explicar. Não precisamos lê-lo. É um dos capítulos mais fracos da história. É o capítulo em que esses dois hobbits, Pippin e Merry, se metem floresta adentro pra escapar dos orcs e encontram uma árvore falante e andante, que se chama Barbárvore, na tradução que temos aí – uma mistura de árvore com barba. E essa árvore diz a eles que é, na verdade, um ent, um tipo de árvore – de que há muitas outras –, mas que já estão todas em decadência, cada vez mais raras. E que estão muito preocupadas porque o vizinho da floresta, que se chama Saruman, o Mago Branco, tem feito devastação na floresta para retirar lenha com a qual está
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 185 alimentando as fornalhas de uma fábrica de orcs em Isengard. Ele montou uma fábrica de orcs, criaturas desagradabilíssimas, que é movimentada com a lenha dessas madeiras. Então essa árvore conduz os dois hobbits para um “entebate”, que é uma reunião, um debate de ents, que são essas árvores especialíssimas. Nesse “entebate”, as árvores decidem que vão atacar Isengard para acabar com aquela destruição. No filme conta-se uma história muito diferente: as árvores não decidem atacar Isengard; só atacam depois que os dois hobbits fazem uma porção de chantagens emocionais, muito diferente do que está aqui no original. No original, no “entebate” as árvores – não todas, mas aquele tipo de árvores – decidem atacar Saruman, que estava destruindo [a floresta]. É o que foi contado na página 20, no alto da página.
Capítulo 4: Barbárvore
Merry e Pippin adentram a floresta de Fangorn e lá conhecem um tipo de árvore falante e móvel (um “ent”) chamado Barbárvore, que os acolhe e lhes fala da floresta e de sua raça:
– Somos pastores de árvores, nós, os velhos ents. – Restou
um número suficiente de nossa espécie. As ovelhas ficam
como os pastores, e os pastores como as ovelhas, é o que
se diz; mas lentamente, e nenhum dos dois permanece
muito no mundo. Acontece mais rápido e mais de perto
com as árvores e os ents, e eles caminham juntos através
das eras. Pois os ents são mais como os elfos: menos
interessados em si próprios do que os homens, e melhores
para penetrar os outros seres. E apesar disso os ents são
186 Professor José Monir Nasser
mais como os homens, mais mutáveis que os elfos, e mais
rápidos para assumir as cores do exterior, por assim dizer.
Ou melhores que ambos: pois são mais firmes e mantêm
as mentes nas coisas por mais tempo. Alguns de meus
parentes são exatamente como árvores atualmente, e
precisam de algo grandioso que os desperte; agora só
conversam aos sussurros. Mas outros têm os membros
flexíveis, e muitos conseguem conversar comigo. Os
elfos começaram tudo, é claro, despertando as árvores e
ensinando-as a falar e aprendendo sua fala-de-árvore. Eles
sempre desejaram conversar com tudo, os velhos elfos.
Mas depois a Grande Escuridão chegou, e eles foram para
longe através do Mar, ou fugiram para vales distantes e se
esconderam, e fizeram canções sobre tempos que jamais
voltariam. Nunca mais.
– É sim, houve um tempo em que só havia uma floresta,
daqui até as Montanhas de Lûn, e esta era apenas a
Extremidade Leste. (pág. 66)
Fala também sobre o Saruman, o mago vizinho que havia mudado e começara a ameaçar a floresta, destruindo árvores e extraindo madeira para produzir um exército.
– Quem é Saruman? – perguntou Pippin. – Você sabe algo
sobre a história dele?
– Saruman é um Mago – respondeu Barbárvore. – Mais que
isso não posso dizer. Não conheço a história dos Magos.
Eles apareceram primeiro, depois que os Grandes Navios
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 187
vieram através do Mar; mas se vieram com os Navios eu
não sei. Saruman era considerado importante entre os
seus, eu acho. Ele desistiu de vagar por aí e de se preocupar
com os problemas dos homens e dos elfos, há algum
tempo – vocês chamariam isso de muito, muito tempo
–, e se acomodou em Angrenost, ou Isengard, como os
homens de Rohan chamam o lugar. No início ficou muito
quieto, mas sua fama começou a crescer. Foi escolhido
como o presidente do Conselho Branco, pelo que dizem;
mas isso não deu muito certo, Fico imaginando agora se
mesmo naquela época Saruman já não estava se voltando
para o mal. Mas, de qualquer forma, não costumava trazer
problemas para seus vizinhos. Eu costumava conversar
com ele. Houve um tempo em que estava sempre
perambulando por minhas florestas. Era educado naquela
época, sempre pedindo minha permissão (pelo menos
quando me encontrava); e sempre ansioso por escutar.
Eu lhe disse coisas que ele nunca descobriria por conta
própria, mas nunca me retribuiu da mesma forma. Não
consigo recordar de ele me ter contado qualquer coisa.
E ficou cada vez mais assim; o rosto, pelo que me lembro
– não o vejo há muitos dias –, ficou parecido com janelas
numa muralha de pedra: janelas, vedadas por dentro. (pág.
71)
Por causa da devastação produzida por Saruman, Barbárvore, revoltado, convoca os outros ents para um “entebate” em que discutem o que fazer. Depois de um bom tempo – pois os ents fazem tudo com paciência e vagarosidade – decidem
188 Professor José Monir Nasser marchar militarmente contra Isengard, a morada de Saruman. Os dois hobbits acompanham a movimentação de guerra.
Pippin olhou para trás. O número de ents tinha crescido
– ou o que estava acontecendo? No lugar onde deveriam
estar as encostas nuas que tinham atravessado, ele teve a
impressão de ver bosques de árvores. Mas elas estavam
se movendo. Será que as árvores de Fangorn estavam
acordadas, e que a floresta estava subindo, marchando
sobre as colinas em direção à guerra? (pág. 85)
PROF. MONIR: Estavam sim, com certeza.
Capítulo 5: O Cavaleiro Branco
A narração volta para Aragorn, Legolas e Gimli que encontram as adagas dos hobbits no campo de batalha e decidem perseguir a pista floresta de Fangorn adentro, onde – no mesmo local em que Barbárvore havia encontrado os pequenos – são confrontados por um velho vestido de branco. Para a surpresa de todos, trata-se de Gandalf, renascido após sua batalha com o Balrog que causara a morte de ambos.
PROF. MONIR: Agora reapareceu Gandalf. Ele de fato morreu naquela batalha, mas ressuscitou, e não nos diz por quê. No texto ele nos diz que não contará o que aconteceu com ele. Na verdade, ele está de volta, com uma diferença. Em vez de ser Gandalf, o Cinzento, agora é Gandalf, o Branco. De alguma maneira foi promovido em termos de cor, em termos de importância. Vamos lá.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 189 Gandalf, que parece saber tudo sobre o paradeiro dos hobbits, conta-lhes sobre Barbárvore (“o guardião da floresta; é o mais velho dos ents”) e sobre o perigo que ronda o reino de Rohan, pois Saruman, que prepara-se para enfrentar o rei Théoden, tem disseminado discórdia entre os rohirins para enfraquecê-los. Assim, decidem partir para a capital de Rohan, a cidade de Edoras. Quanto a Frodo, Gandalf observa que a concentração das forças de Sauron no exterior, em busca pelo Anel, provavelmente resultaria em atenção menor aos portões de Mordor, que ficariam menos bem guardados, facilitando a entrada do portador do Anel, pois “o Inimigo, é claro, já sabe há muito tempo que o Anel está viajando, e que seu portador é um hobbit. Sabe o número dos integrantes de nossa Comitiva, que partiu de Valfenda, e que tipo de pessoas somos. Mas ainda não percebe nosso propósito claramente”. (pág. 95)
Quando Gimli lhe pergunta sobre sua luta com o Balrog e sobre suas novas vestes, brancas e não cinzentas, Gandalf responde que por uma “eternidade” lutou nas profundezas até que “uma grande fumaça se ergueu à nossa volta. O gelo caiu como chuva. Joguei o inimigo para baixo, e ele caiu e quebrou a encosta da montanha no ponto em que a atingiu ao ser destruído. Depois a escuridão me dominou, e eu me perdi do pensamento e do tempo, e vaguei muito por estradas que não vou contar”. Aragorn sente-se mais confiante por ter Gandalf de volta ao seu lado, dizendo-lhe: “ – Gandalf, você é nosso capitão e nossa insígnia. O Senhor do Escuro tem Nove. Mas nós temos Um, mais poderoso que eles: o Cavaleiro Branco. Passou pelo fogo e pelo abismo, e eles devem temê-lo. Iremos aonde nos levar”.
PROF. MONIR: Gandalf passou pelo fogo e pelo abismo. Fico sempre dizendo pra vocês que há uma coincidência incrível de livros que aparecem por aqui em que há visitas ao fogo e ao inferno. Há o caso de Ulisses, na Odisseia; há
190 Professor José Monir Nasser o caso de Fausto, na Noite de Valpurgis; há o caso de Jesus Cristo, que vai ao inferno antes de subir aos céus; há o caso de Dante Alighieri, que viaja pelos infernos. É como se não fosse possível, para o ser humano, passar para o céu sem passar pelo inferno antes. Os muçulmanos, no seu esoterismo, dizem que o trono do diabo fica entre o céu e a terra – o trono do diabo é mais ou menos a ideia de inferno. Ou seja, há uma coincidência incrível. Gandalf faz um processo de purificação ao cair com Balrog nas profundezas do inferno, e volta então com uma modificação de qualidade: agora ele já não é mais Gandalf, o Cinzento; ele é Gandalf, o Branco. Essa é mais uma das coincidências que acontecem aqui. Então, Gandalf ressurgiu e agora renasce a esperança de eles conseguirem vencer. Então vamos agora para Rohan, porque o rei de Rohan, que se chama Théoden, está indiretamente dominado por Saruman, que quer controlá-lo. Esse rei é aquele a quem pertencem aqueles cavaleiros que disseram para Legolas, Gimli e Aragorn que haviam matado os orcs. Eles vão pra lá agora tentar ver se conseguem salvar o rei da influência de Saruman.
Capítulo 6: O Rei do Palácio Dourado
Ao chegarem em Edoras, são informados pela guarda de que ninguém é bem-vindo em tempos de guerra e de que, segundo as ordens do cortesão Língua-de-Cobra, não é possível receber visitantes no palácio.
PROF. MONIR: Língua-de-Cobra não deve ser boa pessoa, não é? Muito bem.
Gandalf insiste e a entrada acaba permitida, desde que todos se desarmem (todavia, Gandalf preserva seu cajado). O rei Théoden encontra-se enfraquecido e envelhecido em seu trono. Ao seu lado, estão sua sobrinha
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 191 Éowyn e o conselheiro chamado Grima, o Língua-de-Cobra, que controla psicologicamente o Rei e não hesita em ofender Gandalf dizendo-lhe: “Duvidamos que seja bem-vindo aqui, Mestre Gandalf. Você sempre foi um arauto do pesar. Os problemas o seguem como corvos, e, quanto maior a frequência, tanto pior.” O Mago fica furioso e denuncia Língua-de-Cobra como falso conselheiro a serviço de Isengard. Derrubando Grima com um relâmpago de seu cajado, Gandalf exorta o Rei a acordar e reivindicar sua força e autoridade. Théoden acorda de uma espécie de encantamento e percebe o quanto havia se tornado fraco sob a influência de Grima, e o mal que havia causado enquanto o “sussurro de Língua-de-Cobra estava em seus ouvidos, envenenando seus pensamentos, enregelando seu coração, enfraquecendo seus músculos, enquanto os outros viam tudo e não podiam dizer nada, pois sua vontade era controlada por ele”.
Théoden confronta seu traiçoeiro ministro, acusando-o de traição e dando-lhe a alternativa de lutar contra Isengard junto a Rohan ou fugir. Grima foge e o rei ordena a libertação de seu sobrinho Éomer, que havia sido preso por ter se voltado contra o mau conselheiro Língua-de-Cobra. O senhor de Rohan presenteia Gandalf com o cavalo Scadufax, oferecendo também armaduras para seus companheiros.
PROF. MONIR: Antes, ele já tinha o cavalo porque tinha recebido emprestado, agora o rei dá de presente para Gandalf o tal do cavalo branco.
O rei Rohan decide enfrentar Saruman com seu exército e designa sua sobrinha Éowyn para governar Edoras na sua ausência.
192 Professor José Monir Nasser PROF. MONIR: No filme, Éowyn vai parar no castelo lá no Abismo de Helm porque o filme quer fazer um par romântico entre ela e o Aragorn, mas, na verdade, na história original a moça fica em Edoras e não vai para essa guerra – é apenas uma invenção comercial do filme.
Capítulo 7: O Abismo de Helm
Théoden e suas tropas, acompanhado de Aragorn, Gimli, Legolas e Éomer cavalga para o sul. Legolas e Gandalf percebem sombras se movendo à distância, e o Mago, pressentindo perigo, pois julga com razão tratar-se de um exército de orcs, parte sozinho e em grande velocidade para Isengard (para pedir ajuda aos ents) e diz ao Rei que leve as tropas de Rohan para a segurança da fortaleza do abismo de Helm.
Na fortaleza, os rohirins são atacados por gigantesco exército de orcs e homens selvagens do Sul. A batalha é difícil e Théoden chega a julgar a vitória impossível, já que os atacantes conseguiram dinamitar os muros até então inexpugnáveis. No entanto, concentrados na última defesa, o forte da Trombeta, os cavaleiros resistem e emergem para o contra-ataque no mesmo momento em que Gandalf retorna com a ajuda de Erkennbrand, um senhor do Folde Ocidental. Os orcs são encurralados em uma floresta (“recém-nascida”), armadilha preparada pelos ents. Assim os inimigos em fuga “passaram gemendo sob a sombra das árvores que os esperava; e daquela sombra nenhum deles saiu de novo.”
PROF. MONIR: Então, os orcs tentaram matar os cavaleiros de Rohan, os rohirins, e são mortos, são derrotados com a ajuda de pessoas que vieram trazidas por Gandalf e pelas árvores que montaram uma floresta armadilha – quando os orcs entraram nela para se esconder, foram mortos pelas árvores.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 193 Daqui para a frente, para que a gente possa ter um bom debate sobre o conteúdo eu vou, mais ou menos, resumindo a continuação da história. A gente vai ler ainda daqui a pouquinho.
O que acontece em seguida, no capítulo 8 – A Estrada para Isengard – é que, depois dessa vitória o grupo volta para Isengard para ver o que havia acontecido lá e descobre que as árvores tinham destruído tudo. As árvores – lembram que haviam tido aquele “entebate”? – destruíram uma represa e inundaram todas as fábricas subterrâneas de orcs do Saruman. E Saruman ficou junto com Língua-de-Cobra, que havia fugido para o seu mestre. Ficaram então ilhados naquela torre onde Saruman morava.
No capítulo 9, a comitiva que vem do Abismo de Helm encontra Pippin e Merry, que julgavam perdidos e até então ainda sequestrados. Refaz-se parte da sociedade, apenas com a ausência de Sam e de Frodo, que estão tentando entregar o anel para as profundezas do fogo, e de Boromir, que havia sido morto de fato.
Quando chega ao capítulo 10, Saruman, que está bloqueado, tenta fazer uma negociação usando feitiçaria e, usando habilidades de sedução, tenta conseguir que o rei de Rohan e Gandalf façam com ele um acordo, para que ele não se sinta tão derrotado. Na verdade ele é repelido, o anão o chama de maligno, há uma briga entre eles. Língua-de-Cobra tenta atingir Gandalf jogando nele uma esfera de vidro que ele, Língua-de-Cobra, certamente não sabia o que era, e que não chegou a atingir Gandalf. Merry pega aquela esfera e a guarda. Em seguida descobre-se, no capítulo 11, que aquela esfera é um palantir, uma espécie de esfera de comunicação em que você olha para se comunicar com outras pessoas. Era muito perigosa, porque
194 Professor José Monir Nasser por ela Sauron podia descobrir onde estava o anel – se Sauron pudesse se comunicar com alguém da sociedade que lhe contasse que o anel estava viajando com Frodo.
Gandalf tenta impedir esse perigo dormindo agarrado na esfera, mas Pippin, que é encrenqueiro e muito moleque, vai lá de noite e a tira com todo o cuidado das mãos de Gandalf. Olha na esfera e entra em contato com Sauron. Quando Gandalf descobre, retira a esfera dele, mas é muito tarde. Não que Sauron tenha recebido alguma informação importante. De certo modo, houve até um benefício nisso, porque Sauron ficou na dúvida sobre quem é que tinha o anel de verdade. Houve uma certa confusão. Mas essa confusão quase gerou o final de toda a história, com esta falta de cuidado de Pippin.
Enquanto isso está acontecendo no oeste, no Abismo de Helm, Frodo e Sam seguem a leste em direção a Mordor, e são finalmente interceptados por Sméagol, que nesta altura se chama Gollum. E Gollum quer fazer tudo para tirar deles o anel. Ele não é um agente do Sauron, mas gostaria de reaver o anel pela mesma razão que todo mundo quer o anel: para ficar com o poder que o anel representa. Gollum, então, tenta reaver o anel. Ele é subjugado pelos dois hobbits e, sendo preso, faz uma cena terrível, pede perdão e coloca-se à disposição dos dois para levá-los até Mordor.
Gollum é uma criatura ambígua, ambivalente porque dentro dele existe ainda a lembrança do seu passado como Sméagol – uma espécie de hobbit bom –, ao mesmo tempo em que há o próprio Gollum, que é a degeneração da figura original chamada Sméagol. Essa criatura então está o tempo todo ambivalentemente falando com si mesma, como se falasse
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 195 com outra pessoa. Há uma esquizofrenia, no sentido técnico da palavra, dentro dessa criatura chamada Gollum. No entanto ele é aceito como guia pelos dois, porque nenhum dos dois tem a menor ideia de como é que se chega a Mordor. Sabendo que seriam dificílimas as estradas, eles aceitam que Gollum os guie. No entanto, mantêm com relação a Gollum um certo ceticismo, cuidado e prudência. Sobretudo Sam, que não confia em Gollum de jeito nenhum.
O que acontece é que Gollum, no capítulo 2, vai levando os dois pelos pântanos, os vai carregando... A grande vantagem é que Gollum não come o pão de lembas. A única comida que os dois têm é o pão élfico lembas, de extrema capacidade de nutrição. Gollum acha aquilo a coisa mais nojenta do mundo e vai, de vez em quando, conseguindo pescar um peixe, que come cru. Gollum é uma criatura animalesca. Não deixa de ter alguns aspectos positivos, mas é basicamente um sujeito decadente, uma criatura degenerada. E ele não quer de modo nenhum que o anel caia nas mãos do Senhor do Escuro; ele sabe que Sauron quer o anel porque esteve preso lá, e provavelmente foi torturado por Sauron para contar onde estava o anel. Ele quer o anel para si. Gollum não é associado a Sauron, ele quer ficar com o anel porque todo mundo quer o poder.
Eles vão atravessando os pântanos, todas as regiões mais inóspitas que se possa imaginar, até que no capítulo 3, na página 25, eles chegam aos portões negros de Mordor. Mordor é protegida por uma única entrada totalmente contornada por montanhas. É uma grande entrada, onde há um portão negro completamente fechado, e eles não conseguem ir em frente porque o portão impede. Sam, que tem pouca paciência com Gollum, o obriga a contar qual seria o caminho alternativo.
196 Professor José Monir Nasser Então eles acabam indo por uma região que ainda não está totalmente tomada pelo espírito maligno de Sauron. É uma região onde há prados e florestas, água limpa e animais silvestres. Nessa região, finalmente Gollum caça dois coelhos que são assados por Sam. Gollum se irrita profundamente com a perspectiva de assar os coelhos, porque o coelho cru tem muito mais gosto para alguém como ele. Só que, ao assar aqueles coelhos faz-se um pouco de fumaça e esta atrai, no capítulo 5, um outro guerreiro humano que estava nas imediações, chamado Faramir. Faramir é irmão de Boromir, aquele que morreu tentando impedir que os orcs sequestrassem os dois pequenos hobbits. Obviamente Gollum dá no pé, porque percebe perigo. E Faramir, sem denunciar-se como irmão do Boromir, ouve as explicações daqueles dois hobbits, que não contam para ele da sua missão. Mas ele acaba descobrindo sozinho. No filme pinta-se Faramir muito mal, como querendo também pegar o anel. Isso não aparece no livro em momento nenhum, nenhum, nenhum, nenhum. No livro, Faramir não tenta pegar o anel, na verdade ele compreende. No filme não. Pinta-se Faramir como sendo um sujeito invejoso do anel. Ele não faz nada disso.
Faramir leva então os dois hobbits para comer alguma coisa e descansar na sua caverna oculta sob o véu de uma cachoeira. A cachoeira encobre a entrada da caverna. No dia seguinte àquele descanso, soldados de Faramir descobrem Gollum tentando caçar peixes num determinado lago que era proibido e que ficava ali ao lado da caverna. Faramir desconfia que aquele é o terceiro daquele pequeno grupo e chantageia Frodo, dizendo que se ele não ajudasse a capturá-lo, eles iriam matar Gollum a flechadas, porque o lago era vigiado. Frodo então vai lá e convence Gollum a vir para a direção dele. Gollum é preso, é interrogado sem grandes violências e depois libertado junto com Frodo e com Sam para que pudessem partir juntos. Gollum, na
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 197 verdade, é perdoado sob sursis. É colocado condicionalmente em liberdade contanto que obedecesse Frodo. Gollum não entende nada disso, então acha-se meio traído. Aquele pedaço de Gollum que era contra Frodo fica fortalecido. Então ele dizia assim: “Kill him, he hates us, kill him.”17 Ficava com aquela conversinha de Golum.
Aí eles continuam na sua direção de encontrar as montanhas onde deverão destruir o anel. E, no capítulo 8, eles sobem e pegam outro atalho no monte chamado Cirith Ungol, tentando evitar o caminho em que os orcs estão vigiando.
No capítulo 9 Gollum arma uma armadilha para os dois. Essa armadilha no filme é muito mal contada, porque ali está narrado que Frodo expulsa Sam, o que não acontece em nenhum momento, de jeito nenhum. Os dois são entregues para uma caverna onde mora uma aranha, chamada Laracna, uma terrível e desagradável aranha, muito grande, e ela ataca os dois hobbits. Gollum obviamente dá no pé. E Frodo é paralisado pelo veneno. Sam tira o anel dele e, colocando o anel no dedo, consegue então, invisível, ouvir os orcs dizendo que Frodo não estava morto, mas apenas paralisado, porque a aranha não comia ninguém morto. Aí então Sam resolve seguir. Em seguida, ele ataca a aranha com aquela espada chamada Ferroada que Bilbo havia dado para os dois na saída de Valfenda. Sam acaba machucando Laracna, coisa que ninguém havia feito. Não só faz isso, como também consegue abrir uma passagem por uma abertura coberta com os fios da Laracna, que eram excepcionalmente fortes. Então Frodo, já enrolado como se fosse um pacote, é levado pelos orcs para uma torre de controle, e Sam os segue, invisível. Ao chegar lá na torre, não sabe como fazer para resgatar o amigo que ele sabe que está vivo. Ele tem o anel, mas quer resgatar o amigo. 17 “Mate-o, ele nos odeia, mate-o.”
198 Professor José Monir Nasser Aí então começa uma briga terrível entre os orcs – porque os orcs são de duas facções diferentes, que falam línguas diferentes e que têm diferenças muito grandes. Os orcs mais ou menos se entrematam, e Sam então consegue resgatar Frodo e continua com ele na direção dos abismos de fogo, onde deverá destruir o anel. Gollum está desaparecido neste momento. Mas agora eles conseguem entender o que os orcs dizem ficando invisíveis de vez em quando, e descobrem que Gollum ainda está vivo.
E aí chegamos ao fim do segundo volume, acabou o segundo livro. O início do terceiro livro começa então com Gandalf. Quando aquela situação de Isengard acaba, ele pega Pippin e, para impedir que Pippin faça mais besteira – ele já tinha derrubado a pedra dentro das minas e chamado os orcs, ele já tinha aberto o palantir sem que tivesse jeito pra isso – então Gandalf pega Pippin e o leva com ele para Minas Tirith, que é a capital de Gondor, a mais importante cidade daquela região toda. Chega lá e encontra Denethor, o rei de Gondor. Ele é pai de Boromir e Faramir, de ambos. Faramir é mais novo do que Boromir. Chega lá e encontra o rei profundamente decadente – tão decadente que a tal da Árvore Branca, uma árvore mágica que garantia a vitalidade de Gondor, já estava morta há muitas e muitas dezenas de anos. Desde que se havia retomado a atividade do anel, toda aquela região estava lentamente se perdendo. Encontram então este rei profundamente magoado com a perda do filho Boromir. E tentam alertar o rei para a necessidade de tomar medidas contra as tropas de Sauron, que viriam necessariamente atacá-lo. O rei encontra-se num estado de desinteresse profundo. Com ódio pelo fato de que o seu filho Boromir tinha morrido, ele envia o filho Faramir para uma missão suicida, ou seja, para uma missão da qual ele não poderia voltar vivo. Faramir obedece ao pai. Vai para esta missão suicida e volta logo em seguida, ferido por uma ponta de
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 199 flecha envenenada. O rei então recebe o filho moribundo. Resolve imolar-se com o filho, ambos vivos, nas Casas dos Mortos, um pedaço do castelo onde se faz isso, imolam-se os mortos. O rei Denethor, então, completamente louco, abandona o Estado, o governo, e Gandalf, o Branco, agora assume o comando das tropas que irão rechaçar os inimigos, as tropas de Sauron.
Antes que isso acontecesse, o rei de Gondor havia pedido auxílio para os vizinhos – no filme quem faz isso é Gandalf, mas não é a verdade; no livro quem pede auxílio é o rei de Gondor. E havia tropas chegando, e chegavam a cada momento, tropas aliadas a Gondor para lutar contra Sauron. Mas estas tropas eram todas muito pequenas e não seriam capazes de rechaçar um exército muito, muito, muito maior que Sauron havia enviado para atacá-lo.
Enquanto isso acontecia, o rei de Rohan, que havia escapado já do primeiro ataque, arrumava as suas tropas em Edoras para poder vir ajudar Gondor contra Sauron. No entanto Aragorn, que estava junto naquele episódio do Abismo de Helm, resolve tomar outro caminho e ir para a Senda dos Mortos, lugar maldito do qual ninguém podia sair porque ali existiam guerreiros fantasmas condenados a passar o resto de sua existência sob forma espectral por terem traído o antigo Isildur, antepassado de Aragorn. Aragorn então vai até o reino dos mortos e diz para aqueles guerreiros espectrais que ele os libertaria daquela maldição caso eles os ajudassem a atacar as tropas de Sauron. Feito isso, começa uma grande batalha que no filme é extremamente bem feita. Uma batalha monumental, que é a batalha do cerco de Gondor.
Estamos agora, nessa altura, no capítulo 4. Temos aí a descrição do cerco de Gondor, quando as tropas de orcs de Sauron começam levando muita
200 Professor José Monir Nasser vantagem. Gandalf coordena as tropas de Minas Tirith contra os atacantes. Enquanto isso, o rei louco Denethor tenta matar-se com o filho moribundo nas Casas dos Mortos. Os defensores começam tendendo a perder. No entanto, na medida em que chega Rohan, e depois quando chegam os cavaleiros espectrais, a luta torna-se contrária, a situação inverte-se e, finalmente, Sauron é completamente derrotado.
Em A Cavalgada dos Rohirins, capítulo 5 – isso aqui é certamente homenagem à Cavalgada das Valquírias, de Wagner –, mais ou menos no fim desse capítulo, o que acontece de importante é que o rei de Rohan acaba sendo morto em batalha, apesar da ajuda muito grande de Pippin.
Havia uma lenda que dizia que os reis tinham poder de cura. Aragorn então testa estas suas habilidades e acaba mostrando que ele é o rei que precisava voltar a reinar em Gondor. O rei de Gondor chamado Denethor, não era rei, era regente, era alguém que estava no lugar do rei. Então Aragorn, neste momento – e apenas nesse momento – fica claramente qualificado como o rei que estava voltando para recuperar a ordem, recuperar o poder perdido com a destruição por parte das forças malignas de Sauron. Então o que acontece é que Gandalf e seus amigos, tendo vencido Sauron, pensam assim: “Bom, o que interessa no fundo é que Frodo consiga destruir o anel. Como podemos ajudar para que isso aconteça? A única coisa possível é pegar as nossas tropas disponíveis e marchar contra o portão negro de Sauron, porque se fizermos isso, já que Sauron não sabe de fato onde está o anel, é muito provável que nos ataque e então se distraia, e quanto mais se distrair conosco, maior será a possibilidade de Frodo passar pelas defesas de Mordor”. Fazem isso e chamam então Sauron para a briga. Sauron manda um sujeito chamado Boca de Sauron, uma espécie de diplomata, ordenar
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 201 que se rendessem. Eles não aceitam e começa então uma luta entre os remanescentes das tropas vencedoras da batalha de Minas Tirith e um imenso exército de Sauron, muito maior do que o deles.
Enquanto isso, Frodo e Sam arrastam-se finalmente na direção da montanha onde deveriam jogar o anel nas profundezas cálidas do monte. Não têm mais água, não têm mais comida, estão completamente exaustos e cansados. No entanto, uma força excepcional os faz continuar seguindo em frente. De um lado, nas portas de Mordor, há uma luta muito grande com as forças do oeste, tentando chamar atenção de Sauron. Enquanto isso, os dois hobbits arrastam-se penosamente na direção das profundezas de fogo, da montanha dentro da qual era para jogar o anel.
Quando eles estão praticamente chegando em cima, reaparece Gollum, que eles sabiam que não estava morto. Sam luta com Gollum, permitindo que Frodo então chegue até a beirada do abismo onde jogaria o anel. Na hora em que Frodo vai tentar fazer isso, ele fraqueja, e aí então estamos no capítulo 3 – A Montanha da Perdição. Poderia ler, por favor, quem estiver na vez?
Capítulo 5: A Cavalgada dos Rohirins
Por quatro dias havia o exército de Théoden cavalgado sem descanso, tomando atalho revelado por um povo aliado de homens selvagens, marchando ao som do chifre de Théoden, e caindo sobre os exércitos de Sauron exatamente a tempo.
202 Professor José Monir Nasser Capítulo 8: A Estrada para Isengard
Isengard era um lugar forte e maravilhoso, e fora belo por
muito tempo; ali moraram grandes senhores, os guardiões
de Gondor no oeste, e homens sábios que observavam
as estrelas. Mas Saruman lentamente transformou o lugar
para seus propósitos mutantes, e o melhorou, na sua
opinião; mas se enganava – pois todas as artes e sutis
artifícios, pelos quais abandonou sua sabedoria antiga,
e que ingenuamente imaginou serem seus, vinham de
Mordor; assim tudo o que fez não passou de uma pequena
cópia, um modelo infantil ou uma adulação de escravo,
daquela vasta fortaleza, do arsenal, da prisão, da fornalha
de grande poder, Barad-dûr, a Torre Escura, que não tinha
rival, e ria da adulação, ganhando tempo, segura de seu
orgulho e de sua força incomensurável. (pág. 159)
Após a vitória sobre os exércitos de Saruman, os remanescentes da sociedade decidem cavalgar para Isengard acompanhados do Rei e de alguns cavaleiros. No caminho, Gimli e Legolas, agora amigos, falam das maravilhas das cavernas e das florestas da região e combinam voltar lá um dia para juntos visitá-las.
Quando chegam à região chamada de “Vale do Mago”, deparam com estranho líquido negro escorrendo pelo chão e quando chegam a Isengard, para seu espanto, encontram-na em escombros. “O rei e toda a comitiva permaneceram montados em seus cavalos, estupefatos, percebendo que o poder de Saruman fora derrotado; mas como, eles não podiam adivinhar”. Próximo aos portões, encontram Merry e Pippin bebendo e fumando descontraidamente, recostados em uma grande pedra.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 203 Capítulo 9: Escombros e Destroços
Os dois hobbits narram o ataque das árvores, contando como os ents haviam devastado Isengard, abrindo a represa que Saruman havia construído nas imediações, inundando as fornalhas subterrâneas para a produção de armas e afogando os orcs que lá estavam. A resistência contra os ents fora inútil, pois “flechas não adiantam nada contra os ents. É claro que os machucam, e os enfurecem: como picadas de insetos. Mas um ent pode ficar crivado de flechas de orcs como uma almofada de alfinetes, sem que fique seriamente ferido”. Contam ainda como Grima havia fracassado em passar-se por um mensageiro do Rei, tendo sido encurralado em Orthanc (torre de Saruman) juntamente com seu mestre. Gimli, que resmungava não ter com o que fumar, recebe um cachimbo de presente de Pippin.
Capítulo 10: A Voz de Saruman
Segue-se, ao pé da torre, confronto dos vencedores com Saruman – precedido por uma aparição de Grima, em que fica claro que se tratava de um espião – no qual o mago decaído se vale de sua voz enfeitiçante para tentar convencer Théoden e Gandalf a formar uma aliança pacífica com Isengard. A sedução de Saruman é recusada, mas não facilmente, pois:
As pessoas que escutavam aquela voz desavisadamente
mal conseguiam depois reportar as palavras que tinham
ouvido; e quando conseguiam titubeavam, pois pouca
força restava nelas. A maior parte do que conseguiam
lembrar era o prazer que sentiram ao ouvir a voz falando,
e que tudo o que ela dissera parecera sábio e razoável,
204 Professor José Monir Nasser
despertando neles um desejo de, mediante um acordo
rápido, parecerem sábios também. Quando outras vozes
falavam, pareciam por contraste rudes e grosseiras; e se se
opusessem à voz o ódio se acendia no coração dos que
estavam sob o efeito do encanto. Para alguns o encanto
durava apenas enquanto a voz lhes falava, e quando ela
se dirigia aos outros eles sorriam, como os homens fazem
quando percebem o truque de um ilusionista diante do
qual os outros ficam pasmos. Para muitos, apenas a voz
era o suficiente para mantê-los cativos; mas para aqueles
que eram seduzidos por ela o encantamento perdurava
mesmo quando estava longe, e eles continuavam
escutando a voz suave sussurrando e incitando-os. Mas
ninguém ficava impassível; ninguém conseguia recusar
seus pedidos e seus comandos sem um esforço de mente
e de vontade, enquanto seu mestre tivesse controle dela.
(pág. 184)
Gandalf dá ao seu antigo mestre a alternativa de entregar seu cajado, sair da torre e ajudá-los a derrotar Sauron ou permanecer para sempre nela trancado. Furioso, Saruman pragueja e tenta retirar-se, mas Gandalf o imobiliza magicamente.
– Não lhe dei permissão para sair – disse Gandalf numa voz
firme. Ainda não terminei. Você se transformou num tolo,
Saruman, e apesar disso causa pena.
(...)
– Olhe! Não sou Gandalf, o Cinzento, que você traiu. Sou
Gandalf, o Branco, que retornou da morte. Agora você não
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 205
tem cor alguma e eu o expulso da ordem e do Conselho.
Ergueu a mão e falou lentamente, numa voz límpida e fria.
– Saruman, seu cajado está quebrado. Houve um estalido,
o cajado se partiu em pedaços, e sua parte superior caiu
aos pés de Gandalf. (pág. 190)
Grima, enfurecido, arremessa uma esfera de cristal pela janela tentando atingir Gandalf, mas erra o alvo e Pippin agarra o globo que decidem guardar, julgando ser algum artefato de grande poder, o que é confirmado por um grito de raiva de Saruman que é ouvido assim que eles saem. Gandalf pede a Barbárvore que mantenha inundado o poço ao redor de Orthanc e vigie a torre para que Saruman e Grima não saiam dela.
Capítulo 11: O Palantir
A sociedade decide acompanhar o Rei até Edoras. No caminho, Pippin, tomado de curiosidade pela esfera que havia sido atirada por Grima, a surrupia dos braços de Gandalf enquanto este dorme. Quando olha no globo, Pippin vê a torre escura de Morgul e entra em comunicação direta com o próprio Sauron, que o interroga. Com um grito, o hobbit derruba a esfera, acordando um enfurecido Gandalf que, após certificar-se de que nada havia sido revelado a quem quer que estivesse do outro lado, compreende tratar-se a pedra de um dos palantires, artefatos mágicos usados pelos antigos reis dos homens que permitem observação e comunicação por grandes distâncias. Como observa Aragorn, provavelmente era assim que Saruman se comunicava com Sauron e deve ter sido este o instrumento maior da corrupção do mago. Gandalf nota ainda que, apesar do risco pelo qual acabam de passar, a tolice de Pippin talvez tenha tido o efeito benéfico de confundir o senhor das trevas (gerando dúvida
206 Professor José Monir Nasser se o hobbit visto possuía ou não o Anel, e se ele se encontrava ou não em Isengard). A guarda da pedra é confiada a Aragorn, que reconhece o perigo da tarefa, mas que a recebe legitimamente:
– Há uma pessoa que poderá reivindicá-la por direito. Pois
este é certamente o palantír de Orthanc, do tesouro de
Elendil, colocado aqui pelos Reis de Gondor. Agora minha
hora se aproxima. Vou ficar com ele! (pág. 203)
Gandalf cavalga para Minas Tirith e, por prudência, leva o encrenqueiro Pippin consigo. Os outros prosseguem para Edoras.