Ao Sul de Lugar Nenhum
Algo sobre uma bandeira vietcongue
O deserto assava sob o sol do verão. Red pulou de seu vagão enquanto o trem parava, logo antes do parque ferroviário. Cagou atrás de umas pequenas pedras ao norte, limpou a bunda com algumas folhas. Depois caminhou uns cinquenta metros, sentou-se à sombra, atrás de outra pedra e enrolou um cigarro. Viu os hippies caminhando em sua direção. Dois sujeitos e uma garota. Haviam pulado do trem no parque e estavam caminhando de volta.
Um dos sujeitos carregava uma bandeira vietcongue. Os sujeitos pareciam moles e inofensivos. A garota tinha um belo e largo traseiro, quase rasgava sua calça jeans. Era loira e tinha um caso grave de acne. Red esperou até que se aproximassem dele.
– Heil Hitler! – ele disse.
Os hippies riram.
– Para onde vocês estão indo? – Red perguntou.
– Estamos tentando chegar a Denver. Acho que vamos conseguir.
– Bem – disse Red –, vão ter de esperar um pouco. Vou ter de usar a garota de vocês.
– O que você quer dizer?
– Vocês me ouviram.
Red agarrou a garota. Com uma mão segurando o cabelo dela e a outra pegando sua bunda, ele a beijou. O mais alto dos sujeitos pegou Red pelo ombro.
– Espere um minuto...
Red se virou e pôs o sujeito no chão com um soco curto de esquerda. Um soco no estômago. O sujeito ficou no chão, respirando com dificuldade. Red olhou para o sujeito que estava com a bandeira vietcongue e disse:
– Se você não quer se machucar, me deixe em paz.
– Vamos – disse para a garota –, vá para trás daquelas pedras.
– Não, não vou fazer nada – ela disse. – Não vou!
Red puxou seu canivete e apertou o botão. A lâmina estava contra o nariz dela, pressionando para baixo.
– Como você acha que ficaria sem nariz?
Ela não respondeu.
– Vou cortá-lo fora – ele disse sorrindo maliciosamente.
– Escute – disse o sujeito com a bandeira –, você não vai se safar dessa.
– Venha, garotinha – disse Red, empurrando-a para as pedras.
Red e a garota desapareceram atrás das pedras. O sujeito com a bandeira ajudou seu amigo a se levantar. Ficaram lá parados. Ficaram parados por alguns minutos.
– Ele está fodendo a Sally. O que podemos fazer? Ele está fodendo a Sally agora mesmo.
– O que podemos fazer? Ele é um louco.
– Acho que deveríamos fazer algo.
– Sally deve estar pensando que nós somos uns merdas.
– Nós somos. Estamos em dois. Podíamos ter dado um jeito nele.
– Ele tinha uma faca.
– Não tem importância. Podíamos ter dado um jeito.
– Me sinto miserável.
– Como você acha que Sally está se sentindo? Ele está trepando com ela.
Ficaram parados e esperaram. O mais alto dos dois, o que havia levado o soco, se chamava Leo. O outro, Dale. Estava quente no sol enquanto esperavam.
– Temos dois cigarros ainda – disse Dale –, devemos fumar?
– Como, raios, podemos fumar sabendo o que está acontecendo atrás daquelas pedras?
– Tem razão. Meu Deus, por que está demorando tanto?
– Deus, não sei. Você acha que ele está matando ela?
– Estou ficando preocupado.
– Talvez. Melhor darmos uma olhada.
– Ok, mas tenha cuidado.
Leo caminhou em direção às pedras. Havia um pequeno morro com algum mato. Ele rastejou morro acima e espiou por trás do mato. Red estava fodendo Sally. Leo ficou olhando. Parecia não ter fim. Red continuava e continuava. Leo rastejou descendo o morro e caminhou até Dale e ficou em pé ao lado dele.
– Acho que ela está bem – ele disse.
Eles esperaram.
Finalmente Red e Sally saíram de trás das pedras. Caminharam até eles.
– Obrigado, irmãos – disse Red –, ela é muito gostosa.
– Apodreça no inferno! – disse Leo.
Red riu.
– Paz! Paz!
Mostrou o símbolo da paz com os dedos.
– Bem, acho que já vou seguir o meu caminho...
Red enrolou um cigarro rapidamente, sorrindo enquanto o lambia. Então acendeu, tragou e se afastou em direção ao norte, mantendo-se à sombra.
– Vamos fazer o resto do caminho pegando carona – disse Dale. – Vagões não são nada seguros.
– A autoestrada para o oeste – disse Leo. – Vamos.
Começaram a caminhar em direção ao oeste.
– Cristo – disse Sally –, mal posso caminhar! Ele é um animal!
Leo e Dale não disseram nada.
– Tomara que eu não fique grávida – disse Sally.
– Sally – disse Leo –, sinto muito...
– Ah, cale a boca!
Caminharam. O entardecer estava chegando e o calor do deserto estava diminuindo.
– Odeio os homens! – disse Sally.
Uma lebre saltou de trás de um arbusto e Leo e Dale se assustaram enquanto a lebre corria para longe.
– Um coelho – disse Leo. – Um coelho.
– O coelho assustou vocês, não é, rapazes?
– Bem, depois do que aconteceu, estamos um pouco assustados.
– Vocês estão assustados? E eu? Escutem, vamos sentar um minuto. Estou cansada.
Havia um pedaço de sombra e Sally sentou entre eles.
– Sabem, apesar... – ela disse.
– O quê?
– Não foi tão ruim. Considerando estritamente o sexo, quero dizer. Ele realmente me fodeu. Considerando estritamente o sexo, foi bem significativo.
– O quê? – disse Dale.
– Quero dizer, moralmente eu o odeio. O filho da puta devia levar um tiro. É um cachorro, um porco. Mas considerando estritamente o sexo, foi bastante...
Eles ficaram ali sentados sem dizer nada. Então tiraram os dois cigarros e fumaram, passando um para o outro.
– Queria que tivéssemos alguma droga – disse Leo.
– Deus, eu sabia que vocês iam dizer isso – disse Sally. – Vocês quase não existem.
– Talvez você se sentisse melhor se a gente estuprasse você? – perguntou Leo.
– Não seja idiota.
– Acha que não conseguiríamos estuprar você?
– Eu devia ter ido com ele. Vocês não são nada.
– Então agora você gosta dele? – perguntou Dale.
– Esqueça! – disse Sally. – Vamos para a estrada tentar descolar uma carona.
– Posso bater em você – disse Leo. – Posso fazer você chorar.
– Posso ficar olhando? – perguntou Dale rindo.
– Não haverá nada para olhar – disse Sally. – Vamos. Vamos embora.
Levantaram-se e caminharam para a estrada. Foi uma caminhada de dez minutos. Quando chegaram lá, Sally ficou na estrada com o dedão para cima. Leo e Dale ficaram escondidos. Haviam esquecido a bandeira vietcongue. Deixaram-na perto do parque ferroviário. Estava sobre a terra, perto dos trilhos dos trens. A guerra continuava. Sete formigas vermelhas das grandes caminhavam por cima da bandeira.