Balística Forense (Padrão Zeus)
b)Impacto de projetis em Vidros
i) Tipos de Vidros
O vidro comum não recebe nenhum tipo de tratamento. Ele dá origem aos vidros laminados e temperados. Ao quebrar-se, dividi-se em pequenos pedaços pontiagudos e altamente cortantes.
Já os vidros temperados, eles passam por processo de tratamento térmico ou químico sendo até 5 x mais resistente que o Vidro Comum. Ao quebrar-se, fragmenta-se em pedaços menos cortantes que o vidro comum. É muito utilizado na construção civil, decoração e indústria automotiva.
No caso dos vidros laminados, eles possuem duas ou mais camadas de vidros intermediadas de Polivinil Butiral (PVB) ou resina. Ao quebrar-se, os fragmentos cortantes ficam na camada intermediária.
Por fim, os vidros blindados, como nos vidros laminados, também possuem formado por duas ou mais camadas de vidros intermediadas de Polivinil Butiral (PVB) ou resina. No entanto, além disso possuem também poliurenato e lâminas de policarbonato. Ao quebrar-se, os fragmentos cortantes ficam na camada intermediária.
ii) Impacto de Projetis em Vidros
Um projetil ao impactar com o vidro formará um orifício com duas rupturas. A partir da análise desse orifício e de uma dessas rupturas poderemos determinar a trajetória do projetil em relação ao vidro e qual orifício foi originado primeiro (caso tenha mais de um projetil impactado no vidro.
Vamos falar primeiro da ruptura radial. Ela inicia no ponto de impacto, gerando linhas retas ou sinuosas. Como vidro tem uma elasticidade imperfeita, ela irá gerar primeiro na superfície oposta ao impacto, já que sofrerá um maior estado de tensão.
No caso da ruptura espiral, ela se formará imediatamente ao impacto devido a compressão do vidro faz com que ocorra estalos que irão gerar múltiplas espirais. Ela são formadas primeiro na superfície de impacto.
Em relação ao sentido da trajetória do projétil (de dentro para a fora ou de fora para dentro em um veículo, por exemplo) veremos a partir a análise do Cone de Transfixação. Ele se formará com a base maior do lado oposto ao impacto. Caso o projetil venha da direita ou da esquerda, estilhaços se formaram no lado oposto.
Figura 17: Superfície de Impacto.
Figura 18: Superfície oposta ao Impacto.
Quando o projetil impacta um vidro inclinado como no caso de um parabriso de veículo, ele irá sofrer uma alteração na trajetória. Se for de dentro para fora do veículo ele irá subir, se for de fora para dentro ele irá descer. Isso ocorre porque quando atinge o vidro, a inclinação faz com que haja uma variação do contato do projétil com o vidro. No início do impacto é gerado um ponto de fragmentação do vidro enquanto a parte ainda não atingida pelo projétil se mantém preservada, oferecendo maior resistência e, com isso, alterando a trajetória do projétil. Lembrando que esse desvio pode se acentuar ou diminuir dependendo do tipo de projétil.
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