Balística Forense (Padrão Zeus)

Diego Lameirão · Capítulo 21 de 25

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Balística Forense (Padrão Zeus)

b)Ferimentos provocados por projetil de arma de fogo de alma raiada

Figura 22: Balotes calibre .32.

b) Ferimentos provocados por projetil de arma de fogo de alma

raiada

Nas armas de fogo de alma raiada os canos são providos, internamente, de estrias, o qual está constituído por um número equivalente de sulcos (as raias) e de cristas (os cheios) de forma helicoidal, alternada e paralelamente dispostos com regularidade, e se destina a imprimir aos projéteis, por forçamento, um movimento de rotação transversal à trajetória.

i) Ferimentos de Entrada

Serão ferimentos perfuro-contusos de bordos nítidos e invertidos de formato regular, que terão orlas, aréola e talvez zonas (dependendo da distância de disparo). Quanto mais impactarem perpendicularmente a um plano paralelo a pele, mais circular será o formato. Quanto mais obliquo, mais ovular será o ferimento.

Figura 23: Ferimento provocado por entrada de projetil de arma de fogo de alma raiada.

Tratando-se apenas de uma convergência de relatos e, obviamente sem fundo científico, tiros no ou ao redor dos genitais têm sido observados com grande frequência, sobretudo, quando investigações posteriores dão conta de se tratar de cadáveres oriundos de acusações pregressas de estupros e/ou violência sexual.

 

Figura 24: Convergência de lesões de entrada de projetil de arma de fogo em região íntima.

Como dito, os ferimentos de entrada de projetil de arma de fogo de alma raiada terão orlas. Elas são de três tipos:

Orla de Escoriação A Orla de Escoriação é mais interna de todas. A orla de escoriação ou de contusão, em tais ferimentos, deve-se ao arrancamento da epiderme motivado pelo movimento rotatório do projétil antes de penetrar no corpo. Apresenta-se, portanto, como uma orla escoriada ou desepitelizada em redor do ponto de impacto na pele. Todavia, se o projétil encontra um obstáculo antes de penetrar no corpo, perde parte ou o todo do movimento e rotação, desmotivando assim a formação da orla de escoriação.

Orla de Enxugo

As sujidades presentes no cano da arma de fogo são depositadas no projetil de arma de fogo devido ao atrito, com isso ao entrar em contato com a pele, ela “enxuga” o projetil, fazendo com que ele deposite essas sujidades na pele.

Aréola Equimótica

Finalmente temos a Aréola Equimótica. Ela é resultante também da ação mecânica assim como a Orla de Escoriação. Só que no caso da Aréola ocorre um estiramento dos tecidos e ruptura dos vasos sanguíneos no entorno do ferimento, provocando uma equimose. No caso das Zonas, elas irão aparecer a partir de determinada distância de disparo. Isso vai depender do calibre e da arma de fogo utilizada. Para fins didáticos, consideraremos uma média fixa de distância de disparo.

Figura 25: Orlas e Aréola.

Zona de Tatuagem

São Grãos de pólvora e resíduos metálicos que queimam a pele (de 5 cm até 50 cm de distância de disparo). Por serem uma queimadura, não podem ser limpas com uma lavagem.

Zona de Esfumaçamento ou Zona de Falsa Tatuagem

Gases e fumaças expelidas que se depositam na pele (até 30 cm de distância de disparo). Por serem sujidades depositadas na pele podem ser limpas como uma lavagem.

Zona de Chamuscamento

Pele queimada pela chama ao entorno do ferimento (cano até 5cm de disparo). Por ser uma queimadura, não pode ser limpa com uma lavagem.

Figura 26: Zona de Tatuagem.

 

 

Figura 27: Zona de Esfumaçamento.

Figura 28: Zona de Chamuscamento.

 

Falsa Zona de Tatuagem

Os pigmentos de um vidro fumê escurecem a lâmina vítrea, ficando o vidro com aspecto acinzentado e enegrecido. No caso de calibres com alta velocidade como os fuzis, a energia dissipada é bastante alta, pulverizando o vidro e resultando em um pó enegrecido e fino que se adere ao ferimento de entrada produzindo um efeito semelhante a Zona de Esfumaçamento. Nesse caso, a observância de um ferimento irregular na entrada devido a deformação do projetil ao impactar com o vidro pode ajudar o Perito Criminal a perceber se tratar de uma falsa zona de tatuagem.

ii) Tiro encostado

Os tiros encostados serão de dois tipos, a depender do tipo de tecido sob a pele

Tecidos duros

No caso de tecidos duros como os tecidos ósseos irã ocorrer a chamada Boca de Mina de Hoffman. Não encontrando espaço para a expansão necessária, os gases oriundos da combustão do tiro deslocam os tecidos moles dos planos ósseos subjacentes e provoquem uma verdadeira ruptura explosiva dos tecidos moles locais. Com a expansão dos gases e ruptura da pele local forma-se uma cratera, de bordas evertidas, inteiramente irregulares, Hoffman denominou de orifício em forma de boca de mina.

Figura 29: Boca de Mina de Hoffman.

Normalmente, embaixo da câmara de mina de Hoffmann, temos um sinal de Benassi. Quando o projetil transfixa o crânio, no buraco de entrada, ele fica sujo de pólvora, já que os gases entraram junto do crânio. Esse resíduo de pólvora no osso do crânio, chama-se sinal de Benassi.

Tecidos Moles

Quando na presença de tecidos moles sob a pele forma-se o Sinal de Puppe-Werkgaertner. Ele é o epônimo dado a lesão que, nos tiros encostados, reproduz, sobre a pele, a extremidade aquecida da arma de fogo, deixando seu contorno impresso junto ao orifício de entrada do projétil.

 

Figura 30: Sinal de Puppe-Werkgaertner. Como localiza-se na mão, sugere autodefesa.

iii) Sinal de Bonnet Só que o osso do crânio é duplo, entre as duas camadas do osso, tem uma membrana, que fica cheio de pedaços de osso. E esse projetil quando bate no osso, ela fica desestabilizada, daí o buraco na parte de dentro do osso do crânio é maior do que a de fora, como se fosse a metade de um cone, que leva o nome de tronco de cone, em ângulo divergente, crescente, em bisel. Esse aspecto de funil leva o nome de sinal de Bonnet.

iv) Lesão em sedenho

É quando o projetil não atinge órgãos internos, atingindo a pele tangencialmente.

 

Figura 31: Lesão em Sedenho.

v) Ferimento de Saída

 

A lesão de saída das feridas produzidas por projéteis de arma de fogo tem forma irregular, bordas reviradas para fora, maior sangramento e não apresenta orla de escoriação nem halo de enxugo e nem a presença dos elementos químicos resultantes da decomposição da pólvora.

Figura 32: Ferimento de saída de projetil de arma de fogo.

 

vi) Sinal de Romanese

Quando o corpo se encontra encostado numa superfície rígida observamos o chamado Sinal de Romanese, que é a pele equimosada na superfície de saída.

 

Figura 33: Sinal de Romanesi.

vii) Trajeto em Chuleio ou Trajeto em Alinhavo

Quando um único projétil é capaz de transfixar vários segmentos ou partes do corpo, com orifícios de entrada e saída.

Figura 34: Trajeto em Chuleio. Projetil adentrou a região torácica direita, saindo pela região

 

torácica esquerda. Ato continuo, pegou em sedenho no braço, reentrando e se alojando no

antebraço..

Figura 35: Trajeto em chuleio. Projetil adentrou a coxa direita, saindo pela própria coxa. Ato

contínuo, pegou em sedenho em região pubiana, reentrando na coxa esquerda

viii) Ferimento de projetil de arma de fogo de alta de velocidade (fuzil)

O ferimento provocado por projetil de arma de fogo de alta velocidade vai depender do momento de tombamento do projetil de arma de fogo de alta velocidade (fuzil). Todavia, em feridas produzidas por projéteis de alta velocidade, quando eles transfixam ao mesmo tempo dois corpos, o segundo corpo pode ter o ferimento de entrada com o diâmetro maior que o de saída, em face da possibilidade de o projétil sofrer uma rotação de até 90°, reencontrando-se, assim, com o seu verdadeiro eixo.

Caso 01: Tombamento antes de adentrar o corpo

No primeiro caso, o projetil de fuzil pode tombar antes de adentrar o corpo caso o fuzil esteja com o raiamento gasto, ou o projetil sofra alguma desestabilização na trajetória, ou ate em disparos de curtíssimas distâncias, já que o projetil demora de alguns cm até alguns metros para se estabilizar. Caso o projetil de fuzil tombe antes de adentrar o corpo ele provocará um ferimento irregular na entrada de bordos invertidos. Por ter perdido velocidade, dificilmente provocará um ferimento de saída.

 

Figura 36: Ferimento de entrada de projetil de alta velocidade (fuzil) que se desestabilizou antes de

impactar no cabeça.

Caso 02: Tombamento no momento que impacta no corpo

No segundo caso, o projetil pode tombar no momento que impacta ao atingir um tecido duro como um tecido ósseo, por exemplo, provocando uma explosão. Causando, assim, um ferimento de grandes proporções na entrada.

 

Figura 37: Ferimento de entrada de projetil de alta velocidade (fuzil) de grandes proporções na

região da Patela.

Caso 03: Projetil tomba no interior do corpo

No terceiro caso, que é o mais comum, o projetil tomba no interior do corpo. Nesse caso a entrada será do mesmo perfil dos projetis de média velocidade. No entanto, a saída poderá ser com grandes proporções, com tanto que o projetil consiga empurrar a matéria presente no interior do corpo para fora do mesmo devido ao momento linear. Lembrando que o tombamento pode não ser suficiente, e não havendo saída.

 

Figura 38: Ferimento de saída de grandes proporções de projetil de arma de fogo de alta

velocidade.

Caso 04: Mais de uma saída

No quarto caso, e poderão ocorrer situações de mais de uma saída por divisão do projetil ou projetil secundário.

Figura 39: Saída dupla de projetil de fuzil.

Caso 05: Saída de Pequenas proporções

No Quinto caso, o projetil pode não tombar, tenho uma entrada e uma saída de pequenas proporções, semelhantes a um projetil de biaxa velocidade.

Figura 40: Saída de projetil de Fuzil de pequenas proporções.

ix) Caso 06: Sem saída.

Pode ainda ocorrer de não ter saída devido ao projeto ser freado de alguma maneira.

 

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