Bases da ortografia portuguesa
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OFERTA DOS AUTORES
Ex.^mo Sr.
Para respondermos às perguntas que nos teem sido feitas acêrca da ortografia adoptada pelos editores técnicos da «+Enciclopédia de
ciéncia, arte e literatura—Biblioteca de Portugal e Brasil[1]+» temos a honra de dirijir a V. Ex.ª esta circular, e rogamos-lhe que faça tão
conhecidos, quanto em seu poder esteja, os fundamentos em que essa ortografia assenta.
Os princípios que servem de base à reforma ortográfica iniciada
por nós ambos e usada ha dois anos pelo segundo signatário desta circular, em escritos particulares e oficiais, e em artigos publicados
em alguns papéis periódicos, são resultado de estudo consciencioso e larga discussão dos iniciadores. São princípios deduzidos ou
antes expressão dos factos glotolójicos examinados com rigor; são todos demonstráveis, e de simplicidade tal que os poderá
compreender a sã intelijéncia, aínda que para ela sejam estranhos os estudos de glotolojia.
Vamos expô-los à apreciação pública desde já, e assim começará
a preparar-se a crítica de todos os indivíduos, que, por se prezarem de Portugueses, não queiram que estranjeiros censurem não haver,
para a nossa formosíssima lingua, ortografia científica e uniforme a que deva chamar-se +Ortografia Portuguesa+.
No futuro Congresso que temos a peito convocar breve, essa
crítica será o único juíz a que todos nós os Portugueses havemos de nos sujeitar para adopção de ortografia portuguesa e rejeição
absoluta de toda ortografia individual, seja quem for seu autor.
[1] Estão publicados: o 1.º vol. da Colecção científica «A
Literatura e a Relijião dos Árias na Índia», por G. de Vasconcellos
Abreu; e o 1.º vol. da Colecção literária «Mágoas de Werther»,
romance traduzido do orijinal alemão, de J.W. von Goethe, por A.
R. Gonçalves Vianna.
O custo de cada volume é de 300 réis, brochura, 400 réis, cartonado.
Estes volumes por serem os primeíros, e particularmente
«Werther», saíram com erros tipográficos que não devem ser
levados à conta do sistema de ortografia.
São editores técnicos A. R. Gonçalves Vianna, G. de
Vasconcellos Abreu
(a quem devem ser dirijidos os manuscritos e toda a
correspondéncia),
S. Consiglieri Pedroso, em Lisboa.
São editores-impressores Guillard, Ailland & C.ª, em Paris.
Todos nós, os que lemos, e mais aínda os que escrevemos para o
público, sabemos quão diverjentes são as ortografias das várias Redacções e estabelecimentos tipográficos. Teem escritores +suas
ortografias+ próprias, como +as+ teem as imprensas particulares e as do Estado. E nas do Estado são diferentes +as ortografias+ da
Imprensa Nacional e +as+ da Imprensa da Universidade—estes plurais são a expressão real de um facto, sem censura pessoal.