Bases da ortografia portuguesa
Capítulo III
O NOSSO INTUITO
Se quiséssemos entrar em minudéncias de linguajem e defender em
todos os pontos a ortografia que iniciámos, teríamos de escrever um livro de grosso volume. Se o nosso intuito fôsse ensinar,
publicaríamos um tratado. Mas é diferente o fim dêste escrito, que oferecemos gratuitamente aos nossos conterráneos, como
testemunho de respeito pelas cousas da nossa pátria: Damos razão da reforma iniciada e sujeitamos ao são critério as bases em que
esta assenta. Por êste motivo deixámos de tratar pontos de que o Congresso terá de se ocupar.
Andam infelizmente esquecidas por alguns escritores regras de
gramática, que, a serem lembradas, os não deixariam cometer erros imperdoáveis. Temos visto ortografar (e até pronunciar!!),
passeiando, passeiata, ideiou, receiará, feichara, etc., em vez de passeando, passeata, ideou, receará, fechara, etc. É certo que a
maioria dos leitores sabe que, por motivo de a acentuação tónica se fazer nas tres pessoas do singular e terceira do plural de todos os
presentes dos verbos, como idear, recear, passear, etc., únicamente nessas fórmas pessoais aparece o ditongo ei no radical: passeio,
passeias, passeia, passeamos, passeais, passeiam;—passeava, passeavas_, etc.;—passeei, passeaste, etc.;—passearei,
passearás, etc.;—passearia, etc.;—passeia tu, passeie ele, passeemos nós, passeai vós, passeiem eles;—que eu passeie, que
tu passeies, que ele passeie, que nós passeemos, que vós passeeis, que eles passeiem;—passear, passeando, passeado. O