Bases da ortografia portuguesa

A. R. Gonçalves Viana · Capítulo 9 de 13

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Bases da ortografia portuguesa

Vi—dos Sufixos

1.º Os homónimos confundem-se umas vezes na escrita do

português como na sua pronúncia; exemplos: cedo (verbo e advérbio); conto (verbo e nome): são (verbo e adjectivo). Outras

vezes distinguem-se com exactidão na escrita, embora não se distingam em todas as pronúncias; exemplos: vez, vês; cem, sem;

coser, cozer; sessão, cessão; -passo, paço,—parónimos no dialecto em que se faça diferença na articulação de s para a de ç e para a de

z. Podem aínda os homónimos distinguir-se na escrita e não se distinguirem em pronúncia nenhuma: houve, ouve; dê-se, dêsse.

 

Escólio.—Distinguem-se na escrita, mas sem exactidão rigorosa:

hora, ora; heis, eis; e por êrro de analojia falsa, pelo cuja orijem é per-lo, que deu pel lo e pe'-lo homónimo, quando se pronuncie

enfáticamente, de pello, que etimolójicamente só tem um l e devemos escrever (como de facto se escreve nesta ortografia

proposta) pêlo (cf. pélo, pelo).

 

2.º Os parónimos são perfeitamente distintos na presente ortografia: pelo, pêlo, pélo; para, pára; crê, cré; cesto, sexto

(homónimos em Lisboa); fôsse, fósse; fôrça, fórça; sessão, cessão, secção; coando, quando; quanto, canto; credor, crèdor; incómodo,

incomodo; colhêr, colhér; contrato, contracto; alias, aliás; alem (verbo), além; papeis (verbo), papéis; reis (pl. de rei), réis (pl. de

real); bateis (verbo), batéis; caia, caía; etc.

 

VI—DOS SUFIXOS

 

Conservamos toda a exactidão na ortografia dêstes elementos

morfolójicos cuja função anda tão ignorada. Pululam os galicismos, os estranjeirismos, até na ortografia da nossa linguajem e na sua morfolojia, que não só em se introduzirem vocábulos novos