Breves palavras sobre a cultura da oliveira
Capitulo IV
Viveiro
A—Seu estabelecimento
Os individuos formados nos alfobres pela germinação da semente ahi deposta e os provenientes de estacas que tenham desenvolvido as suas primeiras raizes em viveiro preliminar, necessitam, depois de terem adquirido um certo desenvolvimento, serem transportados para um viveiro onde possam dispôr de mais espaço para desenvolverem e multiplicarem as suas raizes e os seus ramos e onde possam ser convenientemente educados até á edade de poderem ser transportados á sua definitiva morada.
As estacas e outros fragmentos em que se não tenha ainda provocado um primeiro enraizamento no viveiro preliminar, serão immediatamente plantadas no viveiro definitivo nas mesmas condições de espaçamento d'aquellas, porque é aqui que ellas adquirirão todo o seu corpo para poderem ser plantadas definitivamente.
Não é indifferente a qualidade do terreno onde queremos estabelecer o viveiro; pelo contrario, devemos ter muito em consideração a sua escolha.
Um terreno muito argilloso não nos póde convir porque no inverno se torna humido de mais e adquire no verão propriedade opposta. É, além d'isso, muito compacto e as tenras raizes das pequenas plantas não conseguiriam distender-se á vontade, sendo d'este modo muito prejudicado o seu crescimento; greta muito no verão e, ou romperia as raizes ou as deixaria expostas ao calor d'essa estação.
O solo muito silicioso possue propriedades contrarias{30} áquelle e por isso o devemos regeitar tambem.
Escolher-se-ha, sempre para este fim, um terreno de mediana compacidade e porosidade, o mais possivel limpo de pedras e raizes, para que as raizes das novas plantas se possam distender perfeitamente, e onde o ar e a agua possam circular com relativa facilidade.
Deve procurar-se um terreno com exposição ao sul o qual ainda melhor convirá se tiver para essa orientação uma ligeira inclinação. Assim estarão as pequenas plantas garantidas contra a influencia dos ventos do norte que tanto as prejudicam.
Um terreno demasiadamente rico não é dos mais convenientes para n'elle estabelecermos um viveiro porque as plantas encontrando concentrados em um pequeno cubo de terra os alimentos de que carecem não criariam um bom raizame e sofreriam depois muito ao serem plantadas definitivamente porque na morada definitiva não encontrariam terreno em eguaes condições.
Convém antes um terreno sufficientemente rico para que as plantas n'elle possam adquirir grande vigor, mas que a sua riqueza não seja tão grande que possa offerecer aquelle inconveniente. Assim se provoca um grande desenvolvimento na planta e ella ao ir para o terreno definitivo resistirá melhor ás peores condições que este lhe offereça.
Antonio Aloi prefere que o terreno para o viveiro seja mais pobre que aquelle onde depois se plantarão as novas arvores n'elle creadas. A proposito diz este auctor que:
Un indivíduo assuefalto a vivere n'ell opulenza, passerebbe molamente í soi giorni se fosse condannato a nutrirsi nel parco desco dei contadino; e vice-versa, il contadino la passerebbe bene e diverrebbe grasso si se facesse sedere tutti i giorni alla lauta mensa dei ricco.
Estas palavras do mestre italiano teriam razão{31} de ser se o terreno que destinassemos á plantação definitiva estivesse nas mesmas condições climatericas em que está o terreno que escolhemos para viveiro. E não só divergem as condições climatericas do terreno do olival para o terreno do viveiro: para o viveiro escolhem-se sempre os terrenos nas melhores condições physicas para a vida das plantas, submettem-se a trabalhos de limpeza, mobilisação, regas e estrumações a que não serão nunca submettidos com a mesma intensidade e com a mesma perfeição os terrenos destinados ao olival definitivo.
Por isso, a oliveira transplantada vae encontrar peores condições physicas e climatericas do que aquellas a que até ahi tinha estado submettida; e, quanto a mim, parece-me que só a robustez da planta será garantia do seu desenvolvimento na sua ultima morada.
Os terrenos destinados aos olivaes devem ser aquelles em que é pouco remuneradora a cultura cerealifera.
São portanto terrenos pobres; e não me parece que, n'um viveiro estabelecido em terreno ainda mais pobre, as pequenas plantas se possam desenvolver convenientemente. Hão de ser, por força, enfezadas e rachiticas desde a sua infância e incertamente resistiriam ás peores condições do terreno, embora mais rico, que lhes é destinado.