Breves palavras sobre a cultura da oliveira
B—Trabalhos nos viveiros Enxertia
Para esse fim abrem-se pequenas covas, no fundo das quaes se lança bom terriço, e sobre este se collocam as plantas; distribuem-se-lhes bem as raizes para não ficarem acavalladas n'uns sitios e rareadas n'outros; cobrem-se depois, primeiro, com bom terriço e depois com a mesma terra que sahiu da cova. Fixam-se bem a um tutor, para que os ventos as não desloquem ou quebrem, e assim se deixam{36} até que principiem a desenvolver-se para então se lhes prodigalizarem os cuidados de educação que necessitam.
B—Trabalhos nos viveiros
Enxertia
Carecem d'esta operação não só as oliveiras provenientes de semente mas ainda aquellas que tiveram como origem qualquer fragmento extrahido abaixo do ponto em que foi enxertada a planta mãe.
Todas as especies de enxertia se podem empregar na oliveira mas as mais usadas são a de escudo e algumas vezes a de flauta, para oliveiras novas e a de coroa para troncos grossos.
Para se operar um enxerto de escudo principia-se por fazer na casca do ramo ou oliveira delgada que queremos enxertar uma incisão em forma de T afastando-a depois com a espatula da enxertadeira de modo a separal-a do alburno. Em seguida tira-se do ramo da oliveira que queremos propagar um bocado de casca munido de uma borbulha e dá-se-lhe a forma de um escudo.
Introduz-se em seguida este escudo na fenda, de modo que esta fique bem cheia. Liga-se em seguida a fim de nos assegurarmos bem do perfeito contacto do garfo com o alburno e casca do cavallo.
Logo que nos asseguremos do bom resultado da enxertia corta-se o ramo a 3 ou 4 centimetros acima do enxerto.
Esta enxertia pode fazer-se na primavera ou no outomno tomando respectivamente os nomes de enxertia de olho vivo e olho dormente.
A enxertia de flauta, que não é tão usada como a primeira, exige que tanto o garfo como o cavallo tenham a mesma grossura. Consiste em tirar de um ramo delgado um annel de casca munido de{37} um ou dois olhos e collocal-o no ramo a enxertar a que previamente se tenha tirado um annel igual de casca e liga-se bem com um fio de lã ou com uma fita de casca de arvore.
Uma outra enxertia, muito usada, é a de fenda cheia. Esta exige tambem que o cavallo e o garfo tenham perfeitamente a mesma grossura.
Corta-se o cavallo horisontalmente á altura a que queremos fazer o enxerto e fende-se verticalmente no sentido do seu diametro; em seguida prepara-se o garfo em forma de cunha e introduz-se na fenda de modo que as cascas do cavallo e do garfo coincidam perfeitamente; liga-se bem com raphia e n'estas condições estará o enxerto apto para pegar.
Alem d'estes enxertos fazem-se ainda os de fenda simples e fenda dupla, que differem do precedente em os dois elementos não serem da mesma grossura.