Breves palavras sobre a cultura da oliveira

Avelino Nunes d'Almeida · Capítulo 12 de 18

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Breves palavras sobre a cultura da oliveira

Plantação nos viveiros

E poder-se-ha tambem dizer que, um individuo mal alimentado na sua infancia soffreria muito mais ao mudar para um mau clima, do que outro que, desde creança tambem, tenha sido submettido a uma boa alimentação, precursora de uma boa robustez physica.

O terreno em boas condições para viveiro será aquelle em que, n'um cubo de terra rasoavel, a planta encontre elementos bastantes para lhe fornecerem uma boa alimentação, e que tenha compacidade sufficiente para bem sustentar a planta e para lhe permittir um facil desenvolvimento de{32} raizes. Satisfazem a estas condições os terrenos argillo-silico-humiferos de mediana riqueza.

 

Escolhido o terreno, surriba-se a uma profundidade não inferior a 0m,50, no principio do inverno, servindo-nos, para esse fim, da pá ou da enxada. Convem que, durante a execução d'esta operação, haja sempre o cuidado de inverter a disposição das camadas de terra.

No fundo das vallas, é de grande conveniencia lançar-se ramos de arvores que desempenharão o papel de uma drainagem.

Depois d'esta surriba, a terra ficará exposta á influencia benefica dos agentes atmosphericos até Março, epocha em que se pratica uma segunda lavoura, d'esta vez apenas com a profundidade de 0m m ,40 a 0,45. Aplaina-se em seguida a terra, que ficará apta para receber a plantação dos individuos provenientes do alfobre, assim como a plantação das estacas, enraizadas ou não, raizes, polas, etc.

 

Plantação nos viveiros

Quer os individuos a plantar venham já enraizados do alfobre ou do viveiro preliminar, ou venham ainda enraizar n'estes viveiros, deve sempre a sua plantação ser feita methodicamente.

As disposições methodicas adoptadas tanto para os viveiros como para a plantação definitiva, são: em quadrado, em linhas e em quinconcio.

De todas, a melhor e por isso a mais recommendada e seguida é a ultima.

N'esta disposição conservam todas as plantas a mesma distancia entre si, tendo assim, todas, a mesma extensão de terra á sua disposição.

Tem ainda a vantagem de as plantas se defenderem mutuamente da acção dos ventos.

É relativamente facil fazer sobre o terreno uma marcação em quinconcio.

 

Diagrama

 

Para isso traça-se sobre o terreno a linha AB e{33} prependicularmente a esta as linhas AK e BL; em seguida, com uma sirga que tenha um compasso egual ao que queremos dar á plantação, que n'este caso será de 0 m,80, marcam-se os pontos a a' a'' ...; feito isto, constroe-se o triangulo isosceles a b a', o que é facil: basta descrever dois arcos de circulo com um dos compassos da corda, fixando-lhe uma das extremidades, uma vez em a e outra em a'. Estes dois arcos cruzar-se-hão em b, vertice do triangulo: mede-se em seguida a distancia de b ao meio c da linha a a'; esta distancia que é a altura do triangulo, applica-se sobre as linhas AK e BL tantas vezes quantas for possivel, o que se faz muito facilmente arranjando uma sirga com aquelle compasso.

Determinaremos assim os pontos C, E, G... na linha AK e os pontos correspondentes D, T, H... na linha BL.

Levanta-se em seguida a sirga da posição AB e colloca-se em CD, de maneira que em C assente o meio c do compasso a a', e assim teremos uma segunda linha para a plantação. Colloca-se depois a sirga em EF, na mesma posição que estava em AB, e teremos a terceira linha; em seguida transporta-se{34} a sirga para GH, collocando-a na posição em que se collocou em CD; assim se vão successivamente traçando as linhas de plantação pelos pontos marcados nas linhas AK e BL, tendo sempre o cuidado de collocar a sirga alternadamente nas posições em que se collocou em AB e em CD.

Ficará assim marcada uma rigorosa plantação hexagonal.

Marcados, d'esta ou d'outra maneira, os pontos correspondentes a cada individuo, procede-se então á plantação.

Para as estacas simples abre-se um buraco no terreno com um furador, mettendo ahi a estaca com a sua parte mais grossa para baixo, tendo o cuidado de lhe deixar fóra da terra os ultimos 2 ou 3 olhos.

Uma vez collocada a estaca no seu logar, aconchega-se-lhe bem a terra, desfazendo bem as paredes do buraco em que foram enterradas. Sem esta precaução ha todas as probabilidades de a estaca não pegar.

Para as exostoses escavam-se á enxada pequenas covas com a profundidade de 0m,30 onde serão collocados estes seres. Antonio Aloi aconselha que antes de os enterrar se mergulhem em agua que tenha em solução bosta de boi, se envolvam depois em terra fina para em seguida se collocarem nos covachos. Ao dispôr estes seres nas covas deve haver sempre o cuidado de os deixar com a gemma voltada para cima e um pouco inclinada para o sul. Cobrem-se depois com terriço acabando de encher a cova com cinza de barrella, que tendo a propriedade de manter fôfo o terreno, dá facil sahida aos rebentos. Estes apparecem á superfície ao cabo de 30 a 40 dias.

Muitas vezes o calor em seguida á chuva faz endurecer a camada de cinza e este endurecimento impede os rebentos de sahirem da terra. Então com uma espatula de madeira, se removerá cuidadosamente{35} a crosta endurecida, nos sitios em que se fizeram as plantações, que nos serão indicados por uma cana ou pequeno pau ahi enterrado na occasião da plantação.

Muitos rebentos podem nascer d'um mesmo individuo, dos quaes uma parte vem á superficie da terra e outros, devido a qualquer obstaculo que encontram no terreno, dirigem-se, tortuosamente em diversas direcções debaixo da terra. Convem então afastar a terra e com a unha, extrahir todos esses rebentos á excepção de dois, tendo o cuidado de, ao executar esta operação, não deslocar do seu logar o ser que lhes dá origem. Dos dois rebentos poupados por esta operação, um d'elles, o mais fraco, é mais tarde destruido.

Deve haver sempre muita vigilancia no viveiro para ir destruindo todos os rebentos que forem apparecendo depois d'esta primeira operação.

 

Para os individuos já enraizados necessario se torna prodigalizar-lhes outra especie de cuidados para os não prejudicarmos com a mudança. Estes cuidados devem principiar logo no acto do arranque no alfobre ou no viveiro preliminar.

Usa-se da enxada ou da pá para procedermos a esta operação mas com todos os cuidados possiveis para lhes não prejudicarmos as raizes. Se alguma ou algumas raizes forem dilaceradas devem-se cortar acima do ponto ferido para evitar que a sua putrefacção acarrete á planta algum soffrimento. Arrancadas as plantas trazem-se para o viveiro e ahi serão plantadas nos sitios marcados.