Chefe irresistível

Christina Lauren · Capítulo 1 de 7

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Chefe irresistível

Um

 

Uma viagem para Boston.

Um jantar, um jantar de véspera de casamento, e uma noite de farra com os amigos.

O casamento amanhã, e uma noiva dormindo… no fim do corredor.

Eu tinha a sensação de que esse arranjo não duraria muito. Hanna odiava dormir longe de mim nas viagens que vinha fazendo para entrevistas para cargos docentes. E eu também. E, justo na noite anterior ao nosso casamento, a mãe dela nos reserva quartos separados… para seguir a tradição, aumentar o suspense?

Deixa para lá.

Aquilo não duraria muito.

Estendi a mão para trás, afofando os travesseiros e me estiquei na cama king-size gigante.

Meu celular vibrou no criado-mudo e eu ri, dizendo “eu sabia” para o quarto vazio, antes de atender:

– Hanna, meu amor.

Ela nem disse alô.

– Estou nervosa.

Eu sorri ao telefone.

– Isso não me deixa surpreso. Você vai jurar me obedecer e ser minha escrava sexual pelo resto da sua vida. Você sabe que não vou te dar moleza.

Ela nem se deu ao trabalho de rir.

– Posso ir para o seu quarto?

– É claro – eu disse. – Estava aqui imaginando você me fazendo um…

– Não! – ela interrompeu bruscamente. – Não, não posso. Isso foi um teste, Will. Você deveria me dizer que dá azar.

– Mas eu sou ateu – lembrei-lhe. – Não acredito em sorte. Acredito em intenção. Acredito em descoberta. Acredito em sexo na véspera do casamento. Na verdade, só penso que você está a três portas de mim, totalmente enlouquecida, quando poderia vir para cá e conversar. E deixar eu enfiar meu pau dentro de você. E vou olhar para você o tempo todo e ainda assim o casamento amanhã vai ser o melhor do…

– Meus peitos parecem enormes dentro do vestido.

Suspirei, cobrindo o rosto com o braço.

– Você está tentando me matar? – perguntei.

– Eu só queria te avisar – a voz dela ficou indistinta e logo imaginei que estivesse roendo as unhas de nervoso. – Acho que talvez esteja muito exagerado. Eu queria que fosse uma coisinha só nossa, a sua obsessão por peitos, o nosso casamento; quer dizer, você…

– Hanna – eu a interrompi –, prometo fazer o possível para não enfiar a cabeça nos seus peitos no altar!

– Não foi isso que eu quis dizer.

– Ameixa. Respire. – Eu a ouvi inspirar profundamente e soltar o ar devagar. – Fala para mim o que está querendo dizer? – respondi em voz baixa.

– Só que… E se eu parecer…

– Perfeita? – sugeri.

Ela soltou o ar com força e admitiu rápido:

– Peituda. Uma noiva peituda e vadia.

Segurei o riso porque, embora isso fosse ridículo para mim, sabia que não era para ela.

– Você está mesmo falando sério? É este o seu surto de véspera de casamento? Que seus peitos vão estar lindos demais amanhã?

Hanna tinha planejado o casamento com tranquilidade, delegando os detalhes finais para sua mãe enquanto viajava para as entrevistas de emprego. Ela tinha sido chamada por faculdades de quase todos os cantos do país, chegou a visitar até dois lugares diferentes em uma única semana, e nunca reclamou da loucura dos últimos meses, nem uma vez. Eu sabia que minha Hanna era sossegada, mas, Jesus, levando tudo isso em conta, eu esperava que acontecesse… alguma coisa. Um colapso emocional enquanto fazíamos as malas, mas não: entramos numa divertida guerra de roupas na lavanderia e terminamos fazendo sexo no corredor. Talvez uma discussão boba no caminho para Beantown, também conhecida como Boston, mas não: dessa vez ela me fez um boquete. Ou ainda um acesso de raiva ao chegarmos ao hotel, mas nada: ela sorriu, ficou na ponta dos pés para me beijar e gritou: “Aqui vamos nós!”.

Olhei para o quarto vazio do hotel e disse:

– Acho que tirei a sorte grande.

Ela resmungou e fez minha boca se curvar num sorriso, que logo desapareceu quando sua voz saiu aguda e estressada.

– E se meu vestido for só peitos e você for o único que não vai achar obsceno?

– Se você fizesse um topless no altar eu não acharia nada mal. E a minha opinião é a única que importa amanhã.

– Então por que convidamos cento e sessenta e quatro pessoas?

– Hanna. Pare de falar agora. Venha para o meu quarto para a gente transar.

O telefone ficou mudo num clique, e alguns segundos mais tarde ouvi o barulho de passos na frente da porta, uma longa pausa e depois uma batida discreta.

– Feche os olhos – ela disse do corredor.

Fui até lá com os olhos bem fechados e abri a porta.

– Fique com os olhos fechados – ela alertou.

Obediente, eu os apertei ainda mais.

As mãos dela tocaram meu pescoço e deslizaram para o rosto, desajeitadas pelo nervosismo, até que conseguiu amarrar algo em torno dos meus olhos. E então Hanna ficou em silêncio. Eu não podia vê-la nem senti-la.

Estendendo as mãos, encontrei sua cintura e puxei-a para o meu peito nu.

– Fala para mim: o que está acontecendo de verdade?

– Eu não gosto de ficar longe de você na véspera do nosso casamento – ela confessou, encostada à minha pele. – Preciso de você.

Sem enxergar, deslizei as mãos pelos lados do seu corpo, passando pelos ombros e pelo pescoço e, por fim, segurei seu rosto. Meus dedos encontraram a seda macia e fui tateando o tecido até chegar ao nó atrás da cabeça.

Hanna também tinha amarrado um lenço em volta dos próprios olhos. Ah, essa mulher…

Rindo, beijei-a no topo da cabeça.

– Então fique aqui comigo.

Ela suspirou.

– Essa tradição é um saco, mas acho que, se há alguma tradição que eu deva seguir, é essa, para não estragar o casamento. Não podemos nos ver até amanhã.

Segurei seu rosto entre as mãos, inclinando-o para que eu pudesse beijá-la. Meus lábios encontraram primeiro a ponta do seu nariz e seguiram para seu alvo mais abaixo.

– Não há como estragar isso – eu disse, com os lábios encostados nos dela. Mesmo que a gente não case amanhã, você é o amor da minha vida. Vou ficar com você até nós dois morrermos, ao mesmo tempo, quando eu tiver cem anos e você, noventa e três.

Com uma risadinha, ela me virou, guiou-me até a cama e me sentou com cuidado. Então, empurrou-me até eu deitar de costas e sentou-se sobre a minha virilha.

– Seus olhos estão abertos agora? – perguntei, provocando-a.

– Levantei minha venda por um segundo, mas já fechei os olhos de novo. Alguém tinha de nos levar para a cama em segurança.

– Quer dizer, acho que a regra é que o noivo não pode ver a noiva, certo? Você pode olhar para mim – eu sussurrei.

Ela fez uma pausa.

– Verdade?

– Sim, querida.

Depois de hesitar um pouco, ouvi a venda deslizar enquanto ela a retirava e o som suave de sua respiração.

– Aí está você. – Ela acariciou meu peito e meu pescoço e percorreu o traçado da minha boca com a ponta do dedo. – Marido. Isso não é uma loucura?

Minha pele se incendiou, faminta.

– Ahn…

Sua boca encostou-se à minha, calando-me. Seus lábios, tão carnudos e molhados… As mãos dela desciam pelos meus quadris, tirando a cueca. Hanna lambeu meu pescoço, enquanto seus cabelos arrepiavam minha pele à medida que ela descia até o peito e chegava à barriga…

– Dá boa sorte fazer um boquete antes do casamento. – Pude confirmar isso quando ela me segurou, lambendo-me perto da base e arrastando a língua até a ponta. – Então estamos no caminho certo.

A risadinha dela fez meu pau vibrar enquanto ela o beijava e chupava, lambendo-o e prendendo-o com toda força entre os lábios.

– Meu Deus! – sussurrei, com os quadris arqueados na cama. – Ameixa, essa venda… essa sua língua. Caralho!

Ela brincou comigo o suficiente para me fazer ondular na cama, então a senti mudar de posição, puxar a camisola para cima dos quadris e montar em mim.

Sua boca veio direto na minha orelha.

– Sem pegar nos meus peitos.

– O que você quiser – jurei imediatamente. – Só não pare.

– Você tem o dom de deixar chupões nos meus seios. E meu vestido é bem decotado.

– Você mencionou isso.

– Se deixar alguma marca, não vou te chupar por um ano.

Embora, provavelmente, ela estivesse brincando – eu acho? –, a ideia fez meu coração parar por umas três batidas.

Respondi com um reverente “eu juro”.

Ela pegou meu pau e o esfregou na pele perfeita e molhada entre suas pernas. Minhas mãos agarraram o lençol de ambos os lados do meu corpo.

– Hanna? – perguntei, ofegante.

Ela fez uma pausa e respondeu:

– O quê?

– Posso pegar na sua bunda, né?

Senti quando ela parou em cima de mim e então começou a rir.

– Que tipo de vestido neste mundo mostraria a minha bunda?

– Desculpa, desculpa – falei, rindo –, não estou pensando. Caralho, Ameixa, sobe logo no meu pau!

Mas ela não fez isso. Senti seu calor, tão perto, e ela lentamente se sentou nas minhas coxas, acariciando minha barriga.

– Você está bem? – perguntei, enquanto desajeitado, saía de baixo do corpo dela, procurando seu rosto com as mãos. – Você está surtando por causa do vestido de novo? – Tentei passar os dedos discretamente debaixo dos seus olhos para ter certeza de que não estava chorando, mas ela se afastou.

– Não estou chorando!

Balancei a cabeça e fiquei em silêncio, tentando ser cuidadoso.

– Só estou nervosa – ela disse.

Meu peito ficou apertado.

– Você sabe que não vai mudar nada entre nós só porque vamos casar, não é? Continuaremos sendo Will e Hanna. Continuaremos sendo nós.

– Já parece diferente – ela disse e deslizou a ponta dos dedos pelos meus lábios quando abri a boca para protestar, e logo acrescentou: – Não em um sentido ruim. Quer dizer, parece mais profundo. Parece mais importante. Antes, eu olhava para o seu corpo e pensava: “uau, posso brincar com isso a noite inteira!”. Agora, olho para o seu corpo e penso: “uau, posso brincar com isso e… ai, meu Deus, se alguma coisa acontecer com ele e…”.

– Hanna, respire – eu disse com carinho, entre seus dedos.

Ela respirou fundo e deslizou a mão pelo meu pescoço, quase como se traçasse uma linha até o meu coração.

– Eu só tenho vinte e cinco anos – ela comentou depois de uma longa pausa – e sei que minha vida acabaria se eu te perdesse.

Pensar nisso foi uma facada no estômago.

– Você nunca vai me perder.

Ela não disse nada, só desenhou pequenos círculos no meu peito com os dedos.

– Ameixa, não fique assim… Nós já cuidamos tão bem um do outro… Isso aqui só irá oficializar as coisas.

O dedo dela subiu de novo e passou de um lado para o outro do meu lábio inferior. Meu sangue ferveu nas veias.

– Eu cuido de você? – ela perguntou.

– Cuida, sim. E quando não sabe direito o que fazer, você pergunta.

Depois de algumas inspirações em silêncio, ela disse:

– Como agora?

Eu amava e odiava a escuridão de estar vendado. Queria ver o rosto de Hanna, mas só pela voz eu podia imaginar: os dentes mordendo delicadamente os lábios, os olhos fixos onde seus dedos tocavam minha pele com um cuidado enlouquecedor. Foi assim que começamos: ela perguntava e eu dizia o que fazer.

– Você não sabe como cuidar de mim agora?

– Só estou ansiosa nesta noite… – ela sussurrou. – Ajuda quando você me diz o que quer que eu faça.

Meu coração pareceu parar e depois explodir. Já fazia um tempo que não entrávamos nesse jogo.

– Sente-se de novo em cima de mim – eu a instruí, com a voz rouca.

Ela se mexeu, e senti seu calor intenso, quase encostando no meu pau. Segurei um gemido.

– Coloque para dentro. Devagar. Me provoque um pouco.

A mão dela me segurava firme, à medida que ela se posicionava em cima de mim, se esfregando e abaixando, pouco a pouco.

Que tesão do caralho!

Quase não me segurei.

– Assim, assim.

– Will…

Já tínhamos feito amor umas mil vezes, talvez mais, e sempre me chocava o fato de eu ter de contar até dez e me distrair para não explodir logo que a penetrava.

– Para cima e para baixo – eu disse. – Não provoque. Quero sentir cada milímetro.

O hálito quente dela me arrepiava o pescoço, seus cabelos roçavam nos meus ombros, e ela fez exatamente o que pedi. Mas podia facilmente ter me deixado entrar de uma só vez. Ela estava molhada como o oceano.

Meus pensamentos saíram dos trilhos com toda aquela intensidade, e tudo pareceu vir à tona num lampejo: ali estávamos nós, à beira dessa aventura maluca, e eu nunca tinha desejado nada com tanta força em toda minha vida.

Enquanto Hanna se movia lentamente sobre mim, mais rápido e cada vez mais confiante, esquecendo-se de si mesma e se perdendo, eu não parava de pensar na verdade daquilo. Quanta gente encontra uma pessoa a quem deseje tanto, de quem queira estar junto, a quem queira pertencer? Quantos homens se casam com a sua melhor amiga, com a pessoa que mais admiram no mundo?

Tirei minha venda e vi seu rosto no momento em que ela se deixou cair: os olhos fixos nos meus, os lábios abertos num gemido ofegante. O alívio tomou conta de sua expressão quando nossos olhos se encontraram – ela precisava ver isso, precisava me ver, ser acalmada pelo meu olhar –, e eu sabia que ela podia ler meus pensamentos com a mesma clareza com que eu lia os dela.

Não confie na tradição dos outros, pensei, sentindo meu corpo se mexer mais para cima, mais perto dela. Confie em mim. Confie em nós para encontrarmos nosso próprio caminho.

A necessidade e o prazer desciam se debatendo pela minha espinha, quentes e urgentes. Meus dedos se afundaram em seus lábios, empurrando-a com força para a frente e para trás em cima de mim, até que senti que estava perto, quase lá, e o sussurro dela – adoro ver você gozar – me fez perder o controle.

Gozei dentro de Hanna com um gemido forte, com os meus olhos presos desesperadamente aos seus.

– Viu? – ela sussurrou, com o rosto encharcado de suor quando o pressionou contra o meu pescoço. – Eu precisava disso. Amanhã é uma mera formalidade. Parece que nos casamos agora mesmo.

– Amanhã será uma formalidade desde que você me bateu uma punheta naquela festa nojenta de estudantes.

Em cima de mim, ela riu.

 

–

 

Hanna não estava mais lá quando acordei mas sim um bilhete escrito por ela às pressas e deixado no meu travesseiro – Vejo você às duas! – que me fez rir alto no quarto vazio.

Minha noiva: que romântica!

A manhã foi movimentada: café da manhã com os padrinhos homens; recepção dos convidados que chegavam ao hotel; minha mãe e minhas irmãs me chamando o tempo todo para checar de novo a disposição das mesas, as instruções de entrega e os pedidos para os músicos. Percebendo minha necessidade de simplesmente me enfiar no chuveiro e me aprontar para o casamento, Jensen entrou em ação e as levou para o Centro de Comando, e a mãe de Hanna, Helena, ficou mais do que feliz delegando tarefas o dia inteiro.

Depois de tomar um banho quente, fazer bem a barba e tomar três xícaras de café, ouvi uma batida na porta do meu quarto. Uma parte de mim se perguntava se poderia ser Hanna, mas percebi que isso só seria possível se ela tivesse fugido de sua irmã Liv, de sua mãe, de George e de Chloe e Sara, mais conhecidas como “a matilha”, como Jensen gostava de chamá-las, como se fossem um bando de leoas. Se Hanna tivesse conseguido tudo isso, com certeza haveria corpos em algum lugar, e me ver antes do casamento seria a última de nossas preocupações.

– Sou eu – ouvi meu futuro cunhado dizendo.

Deixei Jensen entrar na suíte. Ele já estava vestido, usava o smoking de praxe e estava com uma aparência ótima. Estivéramos juntos durante todo o dia anterior, mas, de certa forma, no frenesi da véspera do casamento, não percebi que ele tinha perdido uns dez quilos desde a última vez que tínhamos nos visto.

– Você tem se exercitado? Você está bonito, cara.

– Você vai casar com minha irmã – disse ele, passando por mim. – Por favor, não dê em cima de mim hoje.

Rindo, virei-me para o espelho para apertar a gravata borboleta. – Casar – ele repetiu, deixando escapar um assobio.

– Eu sei.

Hanna ia ser minha esposa. Eu ia apresentá-la deste jeito:

Esta é minha esposa.

Eu não conseguia parar de repetir a palavra na minha cabeça. Esposa. A sensação era boa. Parecia concreto. Fez com que eu quisesse subir em cima dela e repetir a palavra “esposa” sem parar em seu ouvido, tatuando-a em seus pensamentos.

Você é minha esposa, Ameixa.

Jensen sacudiu-me desse fluxo de pensamentos quando me deu um tapinha no ombro.

– Casado, Will.

Olhei-o, repetindo com um sorriso curioso.

– Eu sei, Jensen.

– Com minha irmãzinha. – Seus olhos se estreitaram enquanto ele apontava o dedo do meio, ameaçador, para mim. – É estranho, não é?

Já havíamos tido essa conversa antes, durante um jantar, depois que Jensen nos pegou de surpresa uma vez: eu embaixo do balcão, Hanna inclinada sobre mim, com o velho vestido de formatura enrolado na cintura enquanto eu a chupava. Por sorte, Jensen não viu muita coisa… Mas com certeza viu o suficiente para deduzir o que estava acontecendo. Bem ao estilo de Hanna, ela não tirou o vestido, calçou o tênis e fez com que a levássemos para comer num restaurante vietnamita, para acabar com qualquer tipo de constrangimento. Jensen tinha se mostrado surpreendentemente inabalável até o meio do jantar, quando deixou cair os pauzinhos com um barulho discreto na tigela e anunciou:

– Caralho. Você vai ser meu cunhado!

Hanna e eu sabíamos que íamos nos casar um dia, mas ainda não estávamos prontos para isso. Naquela época, demos risada. Mas certamente estamos prontos agora.

Jensen foi até uma das poltronas de couro perto da janela e se sentou.

– Você já tinha imaginado esse dia? O dia do seu casamento, você se aprontando junto a mim, ela lá no salão se aprontando com a “matilha”?

Encolhi os ombros.

– Eu sabia que ia encontrar a mulher certa para mim, ou então não me casaria. Acho que não tinha pensado muito nisso. – Levantei o queixo, inspecionando minha gravata no reflexo. – Agora parece impossível que em algum universo paralelo eu não me encontrasse com Hanna. E se ela nunca me ligasse? E se eu nunca tivesse ido correr naquela manhã? – Virando-me para encará-lo, pisquei. – Deus, isso é aterrador.

Ele podia ter me provocado por causa dessa visão sentimental rara, mas não o fez.

– Posso garantir que não era exatamente isso que eu tinha em mente quando sugeri que ela ligasse para sair com você – disse ele, passando o dedo pela sobrancelha. – Mas aqui estamos. Da próxima vez que a vir, ela estará subindo ao altar.

Olhei para ele, depois de, nos últimos dias, pensar várias vezes em como ele se sentia com o evento. Hanna e eu nos casaríamos no mesmo jardim privado onde Jensen tinha se casado com sua namorada da faculdade. E onde a irmã mais velha de Hanna tinha se casado com seu marido, Rob. Infelizmente, o casamento de Jensen com aquela que fora sua namorada por nove anos tinha durado apenas dois meses.

Jensen interrompeu meus pensamentos antes que eu pudesse pensar no que dizer.

– Você está imaginando como é que vai ser? – ele indagou.

– É claro. Estou me perguntando se ela não vai tropeçar antes de chegar ao altar ou parar no meio do caminho para abraçar alguém que não vê há anos. Hanna sempre me surpreende.

– Ou se ela vai desistir de andar e começar a correr na sua direção. – Ele riu baixo. – E nunca vai deixar de ser estranho você chamá-la de Hanna.

– Não consigo me imaginar chamando-a de Ziggy – admiti, sentindo um arrepio. – Parece muito pervertido.

– Porque é – disse ele. – Você tinha dezessete quando ela tinha dez. Quando minha irmãzinha tinha dez, você estava dormindo com a mãe de um de seus colegas de banda.

Dei um olhar enojado para ele.

– Está tentando me fazer passar mal?

– Estou – ele riu, levantando-se para me dar outro tapinha no ombro, no exato momento em que Bennet e Max batiam à porta do quarto.