Chefe irresistível
Dois
Dei um passo para trás e olhei meu reflexo no espelho.
– Isso… é branco demais – murmurei, alisando a saia do vestido. Atrás de mim, mamãe e Liv suspiravam emocionadas.
– Vocês têm certeza de que eu não deveria ter escolhido azul? Vermelho? Alguma coisa que transmitisse a mensagem “eu trepo com esse homem todo dia” em vez de “virgem”.
Mamãe disse meu nome em voz baixa.
– O quê? Ninguém lá embaixo vai ver Will de smoking e acreditar que eu não fiz de tudo com… – parei no meio da frase ao ver o rosto de Chloe atrás de mim. – Você está… Ah, meu Deus, Chloe. Você… você está chorando?
Chloe alcançou uma caixa de lenços de papel – uma das muitas espalhadas pela espaçosa suíte de núpcias – e puxou um deles, batendo-o de leve debaixo de seus olhos perfeitamente delineados.
– Não – ela ironizou. – Está empoeirado aqui.
Liv fez uma pausa, com o modelador de cachos no ar, e olhou por cima do ombro.
– Sei que sou novata aqui, mas algo me diz que isso não é normal – ela sussurrou.
Tive de segurar a risada. Minha irmã só tinha visto Chloe em duas outras ocasiões breves e já tinha percebido que, tratando-se da senhora Ryan, chorar de alegria não era normal.
– Bem, isso não é verdade – disse George para Liv, gesticulando para ela se afastar enquanto separava alguns dos cachos que tinha acabado de fazer no meu cabelo. – Podemos sair para ver o filme mais emotivo do mundo, que ela sai com os olhos sequinhos. Mas, quando o salto do seu Prada vermelho quebrou ao atravessar a 7th Avenue, foi um verdadeiro chafariz.
Chloe riu, batendo no braço dele.
– Eu não o demiti hoje de manhã?
– Duas vezes – respondi por ele. – Você o demitiu em nome de Sara, no elevador, quando ele se referiu a você como “Amante das Trevas” na frente daquele padre, e uma segunda vez quando ele se ofereceu para ajudar Jensen a se aprontar mais tarde.
Mamãe deixou escapar um gritinho de surpresa.
– Sempre tão prestativa, Hanna, obrigado – disse George, puxando um pouco forte demais um cacho do meu cabelo. – Em minha defesa, ele parecia muito ocupado. Eu só estava tentando ser eficiente. Mas só uma observação: eu deveria ter sido alertado de que o irmão de Hanna era tão adorável, porque… realmente! Alto, escandinavo e solteiro? Acho que fui o injustiçado aqui.
Liv se inclinou, e nossos olhos se cruzaram no espelho.
– Seus amigos são estranhos – disse ela.
– Se por estranhos você quer dizer incríveis, então são mesmo – eu disse e sorri para ela antes de olhar para Chloe. – Eu amo o fato de você ficar emocionada no meu casamento, viu. É como se eu tivesse conquistado algo na vida.
Chloe secou os olhos e assoou o nariz no lenço de papel.
– Deus, que diabos há de errado comigo? Isso tudo é tão… romântico.
– Será que Bennett finalmente… derreteu seu coração? – George perguntou com um tom dramático.
– Vou te dar uma martelada – ela disse, encarando-o. – Até mesmo nesse terno chique.
– Isso é incrível para mim! – disse Sara, que apareceu atrás de Chloe e a abraçou. – Normalmente sou eu que choro.
– Porque você está sempre grávida – Chloe disse, virando-se para acariciar a barriga enorme e redonda de Sara, carregando a Bebê Stella Número Dois.
– Com certeza é assim que me sinto. – Sara deu um beijo no rosto de Chloe. – Mas veja… – Ela levantou o queixo e olhou para mim pelo espelho: – Você distraiu Hanna, ela não está mais nervosa.
– Que motivo ela poderia ter neste mundo para ficar nervosa? – perguntou Liv, puxando um grampo da minha mão e entregando-o a George para colocar no meu cabelo. – Você e Will são atenciosos, inteligentes e responsáveis. Serão ótimos como marido e mulher.
Nossos olhos se encontraram e, quando ela sorriu para mim, tive que morder o lábio para não chorar também.
– Se algum homem um dia me olhar do jeito que Will olha para você – acrescentou George –, eu pediria para ele se casar e ter filhos comigo na mesma hora. Will mal pode esperar por esse casamento. Estou surpreso que ele não a convenceu a fugir para Vegas até hoje.
Liv olhou para ele por cima da minha cabeça.
– Eu não estou. Se ele tivesse sugerido isso, nossa mãe teria cortado as partes dele de que mais gosto.
Juntos, viramo-nos para olhar mamãe, que estava parada em silêncio perto da janela, do outro lado do quarto, assistindo a toda a conversa. Ela concordou de forma decisiva e praticamente explodi de rir.
George levantou a mão com autoridade e disse:
– Ai de mim, acho que não posso deixar isso acontecer. Concordei em deixar Hanna se casar com o homem dos nossos sonhos hoje, desde que ela me conte todos os detalhes íntimos. Nós precisamos saber dessas partes.
Eu vou me casar hoje. Euzinha – pensei.
Quase me belisquei, mas, se isso fosse um sonho, eu jamais ia querer acordar.
Olhei para a porta, na direção do quarto de Will, e senti o mesmo aperto no peito da noite passada.
– Ainda é surpresa para onde vocês vão nessa noite? – perguntou Sara.
– Sim. Você sabe? – Olhei para ela com ansiedade, mas Sara só sacudiu a cabeça.
– Ah, não – disse ela, sorrindo –, e mesmo que soubesse, você não tiraria essa informação de mim. Mas eu não sei. Não foi você quem pediu a ele para surpreendê-la?
– Sim, mas… No fim das contas, a ideia da surpresa é muito melhor do que ficar esperando – admiti. Organizar o casamento tinha sido relativamente fácil; mas a lua de mel foi um verdadeiro balde de água fria. Tínhamos planejado tudo: uma semana numa casa linda no Maine, sem nenhuma roupa para passar todos aqueles dias. Mas, daí, surgiram algumas entrevistas que eu achei que eram improváveis de acontecer e, quando me dei conta, eu tinha entrevistas marcadas por todo o país e nenhuma ideia de onde eu queria estar de verdade. Depois de várias discussões e centenas de conflitos de agenda, decidimos postergar a lua de mel. Minha próxima entrevista seria em dois dias; então aproveitaríamos ao máximo a noite do casamento em algum lugar próximo e voltaríamos para casa na manhã seguinte.
Eu não tinha problemas com isso. Daríamos um passo de cada vez – uma entrevista por vez – e tudo daria certo. Emprego novo, cidade nova, casamento novo. Eu só precisava respirar. Will e eu estaríamos juntos. Mas o “onde” e o “como” eram detalhes com os quais uma outra Hanna poderia se preocupar depois.
Eu estava prestes a me casar com o homem dos meus sonhos. Todo o resto se encaixaria no seu devido lugar.
Um casamento.
Uma noiva tagarela e nervosa. Um noivo sorridente e com lágrimas nos olhos.
Duas alianças de platina nos dedos.
Um monte de amigos bêbados.
E estávamos casados!
Do jeito que eu tinha imaginado, o casamento e a recepção foram praticamente uma grande névoa. Fiquei feliz pelos cliques constantes das câmeras, porque precisaria daquelas fotos para me lembrar de tudo o que aconteceu enquanto eu andava até o altar, na direção de Will, com o coração tentando passar pela boca e sair do meu corpo para encontrar o dele. Mal notei as flores ou a festa de casamento, ou os convidados. Mal percebi que era um dia perfeito de outono e que as folhas estavam vibrando nas árvores da forma mais idílica imaginável. Mal senti a pressão dos lábios do meu pai no meu rosto quando ele entregou minha mão à de Will.
Tudo o que vi foram os olhos azuis intensos de Will e a alegria que irradiava deles enquanto desciam até o decote cavado do meu vestido. Tudo o que ouvi foi o som grave e reverente da voz dele quando repetiu os votos de me respeitar, cuidar de mim e me amar pelo resto de nossa vida. E tudo o que senti foi o contraste entre o metal frio e a pele quente quando ele colocou a aliança no meu dedo.
Foi tudo o que eu consegui assimilar… Quer dizer, até ele me beijar. Porque o beijo apagou tudo o que tinha acontecido antes.
Agora você pode beijar a noiva.
O mundo se desfez. De verdade. Éramos somente nós dois naquele ponto minúsculo da Terra, parados em silêncio e olhando um para o outro, na iminência de selar o compromisso que fizemos.
Eu não parava de sorrir.
Suas mãos tocaram meu rosto, e ele deixou escapar um sorriso silencioso e emocionado. Nos olhos dele, pude ver o filme de cada memória que construímos juntos: nossa primeira corrida, nosso primeiro beijo, a primeira vez que fizemos amor, nossa primeira briga, o fim de semana em que ele me pediu em casamento – duas vezes – e cada momento de riso e silêncio entre nós até ali.
Então meu marido se inclinou e cobriu meus lábios com os dele. Eu devia saber que ele não me daria um selinho. O beijo continuou, e continuou, até os gritos de protesto dos nossos amigos ficarem mais fortes. Mas, apesar da alegria compartilhada, eu podia ter largado a festa inteira ali mesmo. Eu podia ter levado Will pela mão e puxado-o para dentro de um closet e o beijado por dias, para, por horas a fio, selar a promessa mais importante de nossa vida.
Depois do “sim”, saímos no jardim de árvores altas e luzes brilhantes ao som dos aplausos de nossos parentes e amigos. Minhas bochechas doíam de tanto sorrir e apertei mais forte a mão de Will, porque ele era a única coisa que me ancorava ao chão. Sem o toque firme dele, tinha certeza de que sairia flutuando e desapareceria no céu noturno como um balão.
Fiquei contente de ter ouvido um conselho que me lembrava de que, dali a vinte anos, eu só me lembraria dele. Porque era verdade: seus olhos mal desgrudaram de mim a noite inteira, e quando o fizeram, foi porque ele me puxou para perto e suas mãos assumiram o controle, passeando carinhosas pelos meus braços, minhas costas, minha cintura. A recepção inteira pareceu uma longa e interminável sessão de preliminares e, quando joguei o buquê, estava praticamente vibrando por poder ficar sozinha com Will.
Foi só quando estávamos na limusine, a caminho do destino surpresa da nossa noite de núpcias, que tivemos um momento para respirar.
– Mal posso acreditar que consegui sobreviver à coisa toda sem estragar nada – eu disse. Eu estava sorrindo sem parar fazia horas. Minhas bochechas doíam e meu coração acelerado me deixava com uma sensação constante de euforia no peito.
– Não sei sobre a coisa toda – Will provocou, escapando com facilidade de um tapinha no braço. – Estou brincando. – Com um dedo sob meu queixo, ele levantou meu rosto. – Eu não disse que tudo seria perfeito?
– Você disse – falei, esticando-me para beliscar seu rosto. – Aparentemente, grandes eventos sociais nos quais eu sou o centro das atenções me deixam um pouco estressada. Quem imaginaria isso?
Ele riu.
– Ei, sabe o quê?
– O quê?
– Você é o meu favorito.
Ele demonstrou seu sentimento com um beijo nos meus lábios, e um beijo se transformou em outro e mais outro até que ouvimos o motorista tossindo seco no banco da frente. Com uma risada envergonhada, afastei-me um pouco de Will. Eu não ia ceder à tentação no banco de trás do carro, a caminho do hotel; eu teria a noite inteira com ele. E planejava desfrutar cada momento.
– Você notou quanto champanhe Jensen bebeu? – perguntei.
Meu irmão mais novo pode ter aquele ar de Irmão Responsável, mas já tinha tocado numa banda com Will, afinal de contas. Eu tinha certeza de que Jensen não era tão inocente quanto dizia ser.
– Eu o vi falando com aquela ruiva que trabalha no seu laboratório – concordou Will. – Acho que vai ser difícil ele encontrar o caminho de casa sozinho. – Will se inclinou e me beijou no rosto, no queixo e depois no pescoço. – Talvez eu não seja o único sortudo desta noite.
Fiz uma careta.
– Vou fingir que você não acabou de fazer uma referência ao meu irmão dormir com alguém na noite do meu casamento. – Will deu risada no meu pescoço, deixando-me inteira arrepiada com seu hálito quente. – Nós dois sabemos que meu irmão não faz sexo, porque, você sabe, é nojento – acrescentei, tentando conter minha tagarelice ansiosa. – Por que você não começa a falar sobre como meu pai estava todo pegajoso com minha mãe hoje à noite?
Will recuou e olhou para mim, achando graça.
– Quanto champanhe você bebeu hoje à noite? – ele perguntou, agarrando meus quadris. – Bom, você não está dormindo no chão, então acho que não foi muito.
– Liv me interrompeu depois de meio copo. Ela disse que era o presente dela para você e que você podia agradecê-la no Natal.
Will riu e nós dois olhamos pela janela quando o carro desacelerou e reduziu até parar suavemente. Ele deslizou para o outro lado do banco e me olhou com um sorriso.
– Você está pronta? – ele perguntou, e imaginei se essas três palavras já tinham tido tanto significado.
Se eu estava pronta? Nem em um milhão de anos! Eu mal estava preparada para dar conta de Will Sumner num dia normal, imagine então num quarto de hotel, de smoking, na noite do nosso casamento, e com aquele olhar…
Era um olhar que sugeria que eu era uma presa. Um olhar que me dizia que eu não tinha nenhuma chance. A porta se abriu, e Will saiu, virando-se rapidamente para me dar a mão. Eu o segui e fui imediatamente recebida pela vista e pelos sons do porto de Rowes Wharf e da cidade de Boston, um pouco mais além.
– Então foi isso que você esteve planejando? – eu disse enquanto admirava os barcos balançando suavemente no píer, ao brilho do prédio todo iluminado à nossa frente. – Você guardou o segredo deste lugar para mim, seu danadinho.
Ele sorriu.
– Você me pediu para surpreendê-la.
– Como é que… – comecei a falar, mas só balancei a cabeça, tomada por uma onda de nostalgia tão grande que me deixou sem palavras. Eu tinha estado no Boston Harbor Hotel quando era criança e sempre quis voltar, mas não fazia ideia de como ele sabia disso. – Minha mãe falou para você sobre esse lugar?
– Bom, ela me ajudou a organizar um pouco as coisas, mas não, ela não disse nada. Você me falou – ele disse, colocando a mão na minha cintura e me acompanhando até a entrada.
– Eu digo umas trezentas coisas aleatórias para você por dia. Não fazia ideia de que conseguisse se lembrar nem mesmo de uma fração delas.
Nossas malas tinham sido enviadas mais cedo para o hotel, então, depois que pegamos as chaves, fomos direto para o elevador.
Depois de pressionar o botão, Will se inclinou para dar um beijo demorado em meu rosto.
– Seu pai a trouxe aqui para o chá da tarde quando você tinha oito anos, e sua mãe a fez usar um vestido terrível e meias-calças que ficavam – se eu me lembro bem dos seus “hannaísmos” – raspando nas suas partes delicadas? Pode ser que eu esteja parafraseando, é claro.
Dei risada ao lembrar.
– Eu odiava aquele vestido. Era da Liv, e o zíper estava todo emperrado e enroscava no meu cabelo. – Ele balançou a cabeça devagar, mostrando que se lembrava de tudo isso… e eu esquentei por dentro. – Havia pétalas de rosa na toalha de mesa.
– Rosas cor-de-rosa – ele acrescentou, desenhando círculos lentos nas minhas costas com a palma da mão.
Eu assenti, com os olhos fixos nos dele antes de admirar sua boca maravilhosa. Eu queria beijar aquela boca, sentir o gosto da sua saliva, esticar-me numa cama gigante enquanto ele me saboreava. Tínhamos feito amor na noite passada e ainda assim parecia que fazia muito tempo.
– Sinto que quase não consegui falar com você hoje – sussurrei. – Não é estranho? Foi o nosso casamento, ficamos do lado um do outro a noite toda, e mesmo assim parece que passamos a maior parte do dia falando com outras pessoas.
– Eu sinto a mesma coisa – disse ele, e sua voz grave vibrou na minha espinha. – Entre os convidados e as fotos, sua família, minha família, e todos os caras roubando você para dançar… Eu só fiquei olhando para você a noite toda.
Eu o puxei para outro beijo e senti-o gemer baixo na minha boca.
– Quer ficar sozinho comigo agora? – perguntei. – Quero te mostrar o quanto gostei da surpresa.
– Estou um pouco dividido entre querer te olhar nesse vestido mais um tempo e querer arrancá-lo de você.
As portas do elevador se abriram e entramos. Fomos para o fundo, para dar lugar a algumas outras pessoas, que sorriram para nós e murmuraram congratulações.
Cada vez que eu me lembrava de que Will era meu marido agora, bombas minúsculas explodiam em meu peito.
Pressionei meu rosto contra seu ombro, sentindo seu cheiro enquanto o elevador começava a subir. Ele cheirava tão bem, o aroma de orquídeas que havia enchido o salão de festas se impregnara nele. Fiquei um pouco zonza por um segundo. O nervosismo e a excitação tinham passado, e o desejo puro e simples corria pelas minhas veias.
Dei uma olhada rápida para me certificar de que ninguém estava prestando atenção, então fiquei na ponta dos pés para poder sussurrar no ouvido dele.
– Sei que vamos para casa cedo amanhã – eu disse, já temendo o alarme que soaria às oito da manhã para nos levar ao aeroporto. – Então precisamos aproveitar ao máximo o nosso tempo. Na cama, no chão, no sofá… Quero que me possua em todos os lugares. – Fiz uma pausa e acrescentei, ainda mais baixinho: – Quero sentir você em todos os lugares.
Will se endireitou com uma inspiração rápida e olhou em volta.
– Jesus… Hanna.
– O quê? Estou sussurrando…
Will se segurou para não rir.
– Você por acaso já se ouviu sussurrando? Parece um sussurro de palco, só para efeito cômico, feito para até a última fileira ouvir.
Balancei a cabeça.
– De jeito nenhum – eu disse, apontei para o peito e acrescentei: – É muito sutil.
A risada de Will foi interrompida quando as portas se abriram no segundo andar e todos foram para a esquerda para um casal idoso sair. Eu odiava admitir, mas, a julgar pelos olhares enviesados que todos nos deram, Will estava certo. Eles tinham ouvido tudo.
Quando começamos a subir de novo, Will se inclinou e encostou a boca no meu ouvido.
– Mas, honestamente, gosto muito da ideia.
– Tenho uma lista e quero ter certeza de que vamos fazer tudo.
– Você tem uma lista?
Olhei para ele, piscando, e disse:
– Você não?
– Hanna – disse ele, rindo. – Você é incrível!
Uma campainha indicou que tínhamos chegado ao nosso andar e as portas se abriram. Mal dei um passo para fora do elevador quando ele me agarrou, carregando-me em seus braços e rindo enquanto o meu gritinho de surpresa reverberava pelo corredor vazio.
– Você está me carregando?
– Estou carregando você.
Passei os braços em volta de seu pescoço.
– Achei que você não era muito fã de tradições.
Pude ouvir os passos dele no carpete, mas não conseguia tirar os olhos de seu rosto. Eu estava fascinada com sua boca e seus cílios e com a facilidade com que meus dedos corriam pelos seus cabelos.
– Algumas tradições devem ser baseadas em pesquisa – disse ele, sorrindo para mim. – Todo mundo que já fez isso antes de mim com certeza descobriu como a sensação é heroica.
Virei para ele e disse:
– Eu não sou baixinha, e esse vestido tem cerca de vinte quilos de pedras. Olhe só para você: nem ficou sem fôlego. Estou impressionada!
Encolhendo os ombros, comigo nos braços, ele acrescentou em voz baixa:
– Além disso, seus peitos estão lindos apertados assim. Nós dois saímos ganhando.
Soltei uma risada, surpresa.
– Ah, essa é a verdade, então.
Will parou diante do quarto e, de algum jeito, conseguiu passar o cartão e girar a maçaneta, de forma que a porta se abrisse à nossa frente.
– Bem, senhora Sumner-Bergstrom, aqui estamos. – Ele fez uma pausa e deu um beijo suave na minha boca para marcar aquele momento; em seguida, me carregou para dentro.
Então me dei conta de novo: estávamos casados. Will era meu marido – meu marido.
Nos últimos três meses, não importava o quanto nossa vida estivesse atribulada – no trabalho, em casa, com amigos –, mas sempre alguma questão relacionada ao casamento acabava entrando em todas as conversas. Fiquei feliz de seguir o conselho de todos e pensar que aquele seria apenas mais um dia, e boa parte dele passaria como uma névoa. Eu não me lembrava muito das flores ou dos lugares dos convidados no salão nem mesmo quando foi que conseguimos comer. Mas me recordava do rosto de Will quando o vi pela primeira vez no altar, esperando por mim. Lembrava-me de como ele parecia estar feliz enquanto me viu caminhar em sua direção, de como a vergonha que eu tinha sentido pelo meu vestido e pelos meus peitos, ou por estar na frente de toda aquela gente, tinha simplesmente desaparecido quando vi seus olhos percorrendo todo o meu corpo. Eu teria corrido nua até o altar se ele tivesse me pedido. A voz dele estremeceu quando declarou os votos, e nunca vou me esquecer das lágrimas em seus olhos quando disse sim.
– Estou pronta para fazer sexo agora – disse a ele, sem querer esperar nem um minuto.
Will sorriu e balançou a cabeça, dando os últimos passos que nos levariam ao quarto da suíte máster.
– A vida nunca será chata com você por perto, Ameixa.
Eu tinha certeza de que nosso quarto era maravilhoso – carpete felpudo, janelas largas e móveis elegantes, assim como o restante do hotel –, mas não vi nada, não conseguia tirar os lábios do pescoço de Will enquanto ele me deitava na cama, amarrotando o vestido entre nós dois.
Will estendeu a mão e acendeu um abajur de cristal ao lado da cama, e lá estava ele, pairando sobre mim.
– Eu te amo – sussurrei.
– Eu também te amo.
Eu estava tão ansiosa para essa noite de núpcias… mas ele não se movia. Esperei, virei para o lado e olhei para ele de novo. – Está tudo bem?
– Tudo está absolutamente perfeito.
Outro momento se passou. Admirei seu sorriso suave, a forma como seus olhos passavam por cada parte de meu rosto antes de focar em minha boca. – Então… o que você está fazendo?
– Olhando para você. Olhando para a minha esposa.
– Isso não chega nem perto de fazermos sexo.
Will riu e balançou a cabeça.
– Nós estamos casados, Hanna – disse ele, e pareceu que ainda estava se maravilhando com aquilo também.
– Então, eu estava me perguntando o que você está fazendo nesse smoking. – Enrolei meus dedos em sua gravata e puxei, trazendo-o para perto de mim. – A menos que você seja um homem muito, muito elegante. Mas daí você tem essa aliança no dedo também…
– Quero ser carinhoso com você – ele disse e segurou meu ombro com a palma da mão, deslizando-a para os meus seios. Pude sentir o peso, a pressão de seu toque através das camadas finas de tecido. Apesar da suavidade em sua voz, ela gritava de luxúria, querendo me possuir. – Sinto que devo ser carinhoso hoje à noite.
A luz delicada lançava sombras em seu rosto e puxei sua gravata novamente, parando quando sua boca encostou-se à minha.
– Você é sempre carinhoso comigo, Will. Você me faz sentir amada, respeitada e adorada todos os dias. Eu amo esse seu lado.
Pude perceber em sua voz, mesmo no escuro, que o sorriso dele havia se alargado.
– Estou sentindo um grande “mas” vindo aí, Ameixa.
– Mas temos só oito horas e depois precisamos acordar.
Suas sobrancelhas se ergueram de surpresa.
– Oito horas inteiras – ele disse.
– Isso mesmo. Então você pode ser carinhoso na segunda vez.
Era tudo o que ele precisava ouvir. Ver Will perder o comedimento foi como ver um fusível queimar. Ele se inclinou para a frente, e o pouco espaço que nos separava desapareceu de repente. O calor de seu corpo se irradiou pelo meu, e gemi, puxando seu paletó.
– Tire – murmurei entre os beijos, o sabor de sua língua e a mordida incisiva de seus dentes – a roupa! – Puxei a gravata e a camisa, enroscando os dedos nos botões à procura de sua pele.
Will concordou, ajudou-me a tirar a camisa e depois me colocou sentada o suficiente para abrir o zíper do meu vestido e puxá-lo para baixo. Eu queria pedir para ele ter cuidado, lembrá-lo de quantas horas passei procurando aquele vestido com minha mãe, de que o tecido era muito delicado e que podia rasgar facilmente. Mas nunca me importei tão pouco com as roupas em toda minha vida. De repente, eu estava fora de mim, como quando a faculdade e o trabalho exigiam demais e eu sentia que meus músculos iam explodir se não saísse e corresse, se não me mexesse.
Foi necessário um pouco de contorcionismo de nossa parte, mas com um puxão final Will conseguiu passar o vestido pelos meus quadris e pelas minhas pernas. Saltei sobre os joelhos, procurando com os lábios a sua pele e tentando, com mãos vorazes, puxá-lo de volta para mim.
– Eu te amo tanto – eu disse entre beijos. – Foi tão perfeita esta noite… Tudo isso… Você…
Pude sentir seu sorriso contra os meus lábios, nosso beijo desajeitado com os dentes à mostra e palavras sussurradas de tanta felicidade por estarmos finalmente ali, juntos.
– Você não faz ideia do quanto esperei por isso – ele disse, segurando meu rosto suavemente com as mãos.
– Desde a noite em que você foi ao meu apartamento? – eu perguntei, mas ele já estava balançando a cabeça.
– Antes disso. Talvez desde aquele dia na trilha? Com o moletom largo do seu irmão e…
– E aquele sutiã horrível? – eu disse, rindo com o rosto colado ao dele. – Sempre vou rir do fato de você ter feito Chloe me levar às compras. Você deve ter ficado horrorizado.
– Você tinha que ficar segurando os peitos e isso me deixou muito triste por eles. Eu queria me oferecer para segurá-los para você, oferecer o meu suporte, pedir desculpas por você ter sido tão malvada com eles – disse ele, passando o polegar no meu mamilo.
– Deus, eu teria perdido a cabeça! – exclamei, e minha risada se transformou num gemido suave enquanto ele aumentava a pressão. Veio um beijo, depois outro, um em cada canto da boca antes que ele inclinasse minha cabeça, com o polegar em meu queixo.
Ele desceu pelo meu corpo e o ouvi dizer um palavrão quando percebeu o que eu estava vestindo, enquanto seu dedo subia para tocar a renda delicada que mal cobria meus peitos.
– Chloe – expliquei, sem precisar dizer mais nada.
Ele engoliu seco e limpou a testa com o braço; então respirou longa e profundamente, sem que seus olhos desgrudassem dos meus peitos, apertados sob o tecido sedoso.
– Lembre-me disso quando for aniversário dela – ele falou.
– Estou basicamente me derramando para fora dele – afirmei.
– Esse é o ponto – disse ele, deitando-me com delicadeza e pressionando meu corpo contra a cama. Minhas pernas se abriram e ele ficou de joelhos, com os quadris entre minhas coxas e sua silhueta enquadrada pelas janelas amplas. Eu o observei, encantada mais uma vez com o fato de ele ser bem maior do que eu e pela forma como seus ombros largos e costas amplas eram suficientes para encobrir as luzes da cidade atrás dele.
Estendi as mãos, sentindo sua forma ainda dentro das calças, e o apertei, com um pouco de força, do jeito que ele gostava.
Com um gemido, ele baixou a cabeça e se inclinou para me dar um beijo de tirar o fôlego. O teto ficou borrado e fechei os olhos, perdida na sensação de sua boca e seus dentes, no arranhar do seu queixo, na pressão de seus dedos abrindo caminho dentro de meu corpo.
Suspirei, fazendo um arco com as costas na cama e passando as unhas por seu ombro e suas costas, com a medida certa de força. Não tinha certeza se ele já estava preparado. Will gostava quando doía de vez em quando, ele pedia por isso. Era o tipo de coisa que o levava ao clímax quando estava tão perto que mal conseguia respirar ou pensar, ou mesmo dizer o que queria. Ele só sabia que queria mais.
Will deve ter percebido a dúvida em meus olhos, porque engoliu em seco e respirou trêmulo.
– Faça doer – ele pediu.
Enrolei meus dedos em seus cabelos de um jeito desesperado e profundo, e rude o suficiente para fazer com que seus quadris se lançassem para a frente, de surpresa.
Fiz Will rolar e ficar de costas para a cama e levantei minha perna para cavalgar em cima dele. Na luz suave, notei a surpresa em seu rosto e a forma como ele mordeu o lábio inferior quando tirei o sutiã.
O ar fresco envolveu os meus seios, e meus mamilos ficaram duros. Will se livrou das calças e puxou minha calcinha para baixo, tirando-a. Sua pele estava quente debaixo de mim, suas coxas firmes e cobertas de pelos macios. Seu pau duro estava deitado sobre a barriga.
Fiquei de joelhos e o posicionei onde eu queria, esfregando-o em mim, provocando-o.
– Você quer isso? – perguntei.
Ele fez que sim com a cabeça no travesseiro, agarrando meus quadris com os dedos. Abaixei-me bem
devagar
devagar
até que ele entrou inteiro dentro de mim.
Will gemia sem se conter, metendo fundo enquanto eu rebolava em cima dele. Ele estendeu as mãos e agarrou meus peitos, levantando-os e espremendo-os; então, se levantou e colocou meu mamilo na boca.
– Will…
Ele gemeu enquanto me chupava mais forte e depois soltava, desenhando com a língua círculos em volta do bico. Ele estava tão fundo dentro de mim, que eu não pensava em mais nada além de sentir sua pele e ouvir sua voz. Sua barriga molhada de suor encostava na minha; suas coxas firmes encostavam na minha bunda. Seus dedos me faziam subir e descer, e escorregaram quando ele me segurou mais forte, tentando mexer mais rápido.
Com um gemido, ele nos virou e me jogou de costas na cama. De cabeça baixa e os cabelos caindo sobre a testa, ele olhava enquanto se mexia dentro de mim, para dentro e para fora. Mais forte. Mais rápido.
Uma eternidade, mas nunca o suficiente.
– Caralho, Ameixa! – ele exclamou e me beijou até ficar insuportável e meus lábios ficarem quase em carne viva. Com uma mão, ele levantou minha perna e empurrou-a contra o meu peito.
– Que tesão! – ele gemeu, movendo-se como um pistão, ainda mais rápido, cada estocada pressionando algo dentro de mim que me fazia ver estrelas.
Estendi os braços e agarrei a cabeceira da cama; precisava me segurar em algo… Cada movimento de seus quadris me empurrava mais para cima no colchão e mais para o fundo daquele lugar na minha mente onde só havia estática. A tensão crescente na parte de baixo do meu ventre, a fricção e o calor entre as minhas pernas ficaram impossíveis de ignorar.
– Will… – sussurrei e respirei em sua boca aberta. Eu ia gozar, e queria gozar junto a ele. Queria senti-lo gozar dentro de mim, nos meus peitos, na minha barriga, na minha boca.
Will segurou na extremidade do colchão e empurrou minha perna ainda mais para cima. O calor explodiu entre minhas pernas e ricocheteou em cada parte do meu corpo. Meus pés se contraíram. Eu gozava tão forte que mal conseguia gritar ou dizer seu nome. Ele meteu dentro de mim mais uma vez, tão fundo que fiquei sem ar e pude sentir seus músculos tensos quando gozou dentro de mim.
Will caiu de costas na cama e me puxou para junto dele, aninhando-me ao seu lado.
– Meu Deus!
Olhei para o teto e pisquei algumas vezes, esperando minha respiração voltar ao normal. Meus ossos pareciam de borracha; o ar esfriava minha pele febril. Olhei para Will e alcancei o relógio do lado da cama. Ainda temos seis horas e vinte e dois minutos. Nada mal.
Sentei-me na cama, peguei a garrafa de água gelada que estava no criado-mudo e enchi dois copos. Esvaziei o meu lentamente e me sentei em cima de Will.
Seus olhos se voltaram para o meu corpo nu e ele pegou o outro copo da minha mão. Eu o observei enquanto bebia, maravilhada com sua garganta ao engolir, seu peito nu, seu cabelo desgrenhado. Aquele corpo era meu… Quando ele terminou, guardei o copo vazio e o empurrei de volta no travesseiro.
– Agora – falei, levantando uma sobrancelha –, quanto àquela lista…