Chocolate
Vianne Rocher chega a Lansquenet-sous-Tannes na Terça-feira de Carnaval, com a filha Anouk, de seis anos, e Pantoufle, o coelho que anda com Anouk. Paga o trespasse da padaria do velho Blaireau, morto há quatro anos, e no dia de São Valentim abre ali uma loja de chocolate, LA CELESTE PRALINE, de persianas escarlates, com uma casa de biscoito de gengibre e uma bruxa de chocolate preto na montra. Sabe o que cada cliente prefere sem lhe perguntar: Guillaume, que traz o cão Charly, Armande Voizin, a quem a filha Caroline e o médico proibiram o chocolate, Joséphine Muscat, que faz passar uma caixinha prateada da prateleira para o bolso do casaco. Da casa quase em frente, na praça de Saint-Jérôme, o cura Francis Reynaud desabafa na sua visita semanal a um velho padre alimentado por um tubo e vê na loja uma piscadela contra a abstinência da Quaresma.


