Extensão universitária na UFFS
Extensão em agroecologia: as ações da Universidade Federal da Fronteira Sul
Extensão em agroecologia: as
ações da Universidade Federal
da Fronteira Sul
Josimeire Aparecida Leandrini1 2 , Cristina Sturmer dos Santos,
Gilmar Franzener 3 4 , Maria Eneida de Almeida, André Luiz
Radunz 5
Introdução
A extensão universitária há muito tempo vem sendo negligenciada nas universidades, fato que se dá, principalmente, pela importância assumida pelos segmentos de pesquisa e ensino. Esse dado vem sendo reforçado pelas agências financiadoras e as instituições de ensino que valorizam nos concursos, artigos, relatórios, entre outros, na maioria das vezes, somente aspectos relacionados à pesquisa. Sendo balizado pela posição da Universidade diante da relação com a produção de conhecimento descolada das realidades regionais. A extensão universitária é definida
[…], sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão, é um processo interdisciplinar, educativo, cultural,
científico e político que promove a interação transformadora entre
Universidade e outros setores da sociedade (FORPROEX, 2012, p. 15).
Esses elementos deveriam ser aplicados pelas instituições, porém, em geral, as universidades criam para si um universo muitas vezes particular, que é uma das influências das interações academicistas dentro das instâncias universitárias. Deve-se questionar, assim, qual o tipo, a forma e para que público as ações de extensão da universidade estão se dirigindo. Nesse sentido, Mussoi e Lenzi (2015) pontuam:
Universidade “faz a Extensão que quer fazer” e não a que a Sociedade
precisa. Se isto tem sentido, pode-se afirmar que, agindo desta forma a
Universidade está longe de exercitar seu total potencial de intervenção junto
a Sociedade para transformá-la (em benefício dela própria) (MUSSOI e
LENZI, 2015, p. 105).
Nos últimos anos, iniciou-se um processo de intensificação da valorização da extensão, que passa a ocupar espaços dentro dos projetos político-pedagógicos das entidades de ensino superior, criam articulações mais fortes e concisas entorno da articulação com ensino e a pesquisa, ganham força editais de estruturação como o Programa de Extensão Universitária e a composição em determinadas entidades e atores sociais que criam mecanismos de pressão junto às instituições, trazendo suas demandas.
A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) surge em 2009 em um contexto de fronteira, numa região com 3,7 milhões de habitantes, em 396 municípios, na região administrativa da Grande Fronteira do Mercosul, articulando-se dentro de um movimento de luta e mobilização dos agentes regionais que confluirá com o movimento nacional ligado à política pública de interiorização das instituições de ensino superior federais. Assim, de acordo com Christoffoli et al. (2015),
A UFFS surge de um movimento popular em defesa de um futuro alternativo
para a região, da recusa dos camponeses e dos movimentos sociais rurais a
se invisibilizarem como sujeitos políticos; da articulação campo-cidade, com
lutas e manifestações defendendo o direito à educação superior popular,
pública, gratuita e de qualidade na região (p. 120).
Após sete anos de funcionamento e diversas ações de ensino, pesquisa e extensão, a UFFS realiza um processo de reflexão sobre os resultados, limites e potencialidades que construiu dentro das suas experiências de extensão. Isso se faz essencial para que se fortaleçam os aspectos positivos e que se supere os inúmeros problemas vivenciados pela extensão. Um dos eixos prioritários de atuação da UFFS com foco no seu papel de promoção do desenvolvimento regional reside nas ações de Agroecologia, que se constitui um pressuposto para articulação da capilarização das ações no tecido social regional. A agroecologia como campo de atuação de ações práticas e teóricas pode ser materializada em três dimensões principais: “a ecológica (técnico, produtiva), a socioeconômica e cultural (de desenvolvimento endógeno, local) e a política (transformação socioambiental)” (GUZMÁN, 2013, p. 100, tradução dos autores), propondo-se a construir uma agricultura sobre bases sustentáveis e outras relações entre as sociedades e o ambiente. Assim, o objetivo geral deste capítulo consiste em estabelecer quais são os principais avanços, limites e perspectivas da extensão em agroecologia nesta Instituição.
Para tanto, foram solicitados à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura uma lista dos projetos e programas com foco na Agroecologia desenvolvidos pela UFFS que passaram por uma segmentação de acordo com suas modalidades – Curso de extensão, Programa de Extensão com relação Transversal com a Agroecologia, Programa de Extensão com foco em Agroecologia, Projeto de Articulação, Projeto Extensão com foco na Agroecologia, Projeto de Extensão com relação Transversal com a Agroecologia, Seminário Estadual e Seminário Regional em Agroecologia. A partir disso, fez-se um recorte no sentido de evidenciar as principais temáticas de atuação das atividades de extensão, bem como o público-alvo e as metodologias.
O capítulo organiza-se em três seções: uma dedicada a discussões sobre a agroecologia, transição agroecológica e os elementos de uma extensão universitária que contribui para esse processo; uma que foca nas ações e na agroecologia dentro da UFFS e da sua extensão universitária; e uma última com as principais impressões dessa curta experiência da UFFS com extensão em agroecologia.
Agroecologia e extensão
As alterações que ocorreram no modelo de desenvolvimento rural a partir da década de 1950, com o estabelecimento da chamada
revolução verde 6 como proposta para os diferentes arranjos socioambientais do meio rural, resulta no aprofundamento de várias contradições que catalisam efeitos negativos tanto ambientais, como econômicos e sociais (FAVARETO, 2006; PETERSEN et al., 2009; MACHADO E MACHADO FILHO, 2014; CAPORAL et al., 2009).
Em meados da década de 1980, com base nas críticas que derivam de uma realidade problemática e na intensificação das contestações ao modelo de produção das sociedades industriais e da agricultura convencional, ficam em evidência formatos de agricultura de base ecológica. Emergindo diversas expressões políticas, sociais, econômicas, culturais, ambientais e científicas em torno da construção de uma agricultura alternativa que visa ser sustentável (ALTIERI, 2004; GUZMÁN, 2013; FAVARETO, 2006).
Para a construção desse tipo de agricultura se pressupõe um manejo dos agroecossistemas integrando os componentes ecológicos e socioeconômicos. Para tanto, é necessário um novo paradigma em que as tentativas de construir soluções considerem as interações de todos os componentes citados dentro dos sistemas agrícolas e que incorporem o conhecimento acerca desses elementos existentes no nível local-regional (SARANDÓN e FLORES, 2014).
Nesse contexto, a agroecologia vem se consolidando como base científica para a construção dessa nova organização da agricultura, caracterizando-se, de maneira geral, pela incorporação de “ideias ambientais e de sentido social acerca da agricultura, focando não somente na produção, mas também na sustentabilidade ecológica dos sistemas de produção” (ALTIERI, 1989, p. 28). Como campo do conhecimento científico, a agroecologia parte de uma abordagem sistêmica com foco em um redirecionamento que permita a construção de novas relações pautadas em outra possibilidade de coevolução social e ecológica. Para tanto,
reúne, sintetiza e aplica conhecimentos da agronomia, da ecologia, da
sociologia, da etnobotânica e outras ciências afins, com uma óptica holística
e sistêmica e um forte componente ético, para gerar conhecimentos e validar
e aplicar estratégias adequadas para projetar, manejar e avaliar
agroecossistemas sustentáveis (SARANDÓN e FLORES, 2014, p. 56.
Tradução dos autores).
Esses elementos não estão integrados às interpretações da agroecologia ao acaso. Eles resultam de um processo de construção histórica e material que obtém grande parte das suas percepções a partir de uma base crítica que emerge da resistência ao modelo hegemônico de agricultura e/ou enfrentamento do avanço do capital e de políticas estatais neoliberais sobre os territórios de camponeses e povos tradicionais (GUZMÁN, 2013).
A agricultura sustentável não pode ser limitada somente ao objetivo da obtenção de rendimentos duráveis, em longo prazo, obtidos com o uso de tecnologias de manejo ecologicamente adequadas. Aqui melhor se delimitaria o que é chamado de agricultura orgânica, que, em seu sentido político, vem representando o processo apenas de “ecologização” da agricultura convencional, articulando o modelo da “revolução verde”. A agroecologia apresenta potencialidade de contribuir para a construção de alternativas para a produção de alimentos e para resolução de diversos problemas da sociedade, fazendo-se central – pela complexidade e suas múltiplas – refutar alguns mitos sobre a agroecologia, uma vez que:
Não é só um “estilo” da agricultura (orgânicos, biodinâmicos, natural,
permacultura); Não é uma série de técnicas ou prescrições “verdes”; Não é
sinônimo de um “retorno ao passado” tecnologias “pré-históricos” ou não
nega nem ignora todas as contribuições da ciência e tecnologia moderna;
Não significa “nenhuma intervenção” nos agroecossistemas, deixando tudo
“natural”; Também não é aplicável apenas a determinados tipos de
agricultores, em pequena escala ou escassos em termos de recursos
(SARANDÓN e FLORES, 2014, p.62. Tradução dos autores).
Além da desconstrução de algumas visões e práticas limitadoras, a agroecologia possui inúmeros desafios, contradições e limites que necessitam ser superados. Um dos desafios é a modificação dos sistemas convencionais para sistemas de base ecológica. Há várias proposições teóricas e práticas sobre como esse processo poderia ocorrer de forma mais eficiente e generalizada, sem que se estabeleça consenso sobre o assunto. Alguns autores consideram necessária uma ruptura dentro do sistema de produção e que ocorra uma transição total das produções e da unidade (MACHADO e MACHADO FILHO, 2014); outros pontuam a possibilidade de transição parcial em um processo organizado em etapas de transição (GLIESSMAN, 2007; ALTIERI e NICHOLLS, 2007); ou, ainda, que apontem a necessidade um processo dinâmico que envolve concomitantemente as três dimensões que compõem a agroecologia aqui já referenciada (GUZMÁN, 2013).
Considerando o processo de construção histórico e material da agroecologia, de acordo com Santos (2016), torna-se possível resumir o estágio da projeção e das contradições ligadas a ela e aos alimentos ecológicos em cinco pontos que concerne ao tempo presente: (I) existe um fortalecimento de diversas organizações e movimentos sociais em torno da construção de uma agricultura sustentável que considerem a necessidade de uma perspectiva transformadora das dimensões sociais, culturais e políticas, e não apenas produtivas; (II) as instituições de ensino e outras figuras de pesquisa e extensão assumem espaços e se apropriam, em certa medida, do debate ligado à agroecologia como ciência, contudo nem sempre considerando sua perspectiva transformadora; (III) as políticas públicas vão se constituindo um eixo importante de articulação e fortalecimento das iniciativas ligadas à agricultura ecológica, mesmo que nem sempre tenham um caráter estruturante; (IV) o capital reage e incorpora parte dos movimentos de contestações reduzindo ao nicho de mercado de produtos orgânicos e na produção desses em larga escala dissociado de outras dimensões que não a produtiva; (V) por outro lado, desencadeia-se um aprofundamento do modelo da revolução verde com uma nova onda de avanço do capital com a transgenia e outros processos de maior artificialização na agricultura, calcados em estratégias de acumulação por expropriação.
A partir desses elementos se pontua a necessidade de debater amplamente questões ligadas a transição agroecológica e o modelo de extensão universitária que se pratica nos campi desta Universidade.
Transição agroecológica e extensão
universitária
Diante da complexidade da proposta da agroecologia se faz latente o estabelecimento de mecanismos para conversão dos agroecossistemas. Esses elementos podem ser agrupados dentro de processos de transição agroecológica. Dessa maneira, a transição agroecológica torna-se um “processo social orientado à obtenção de níveis mais equilibrados de sustentabilidade, produtividade, estabilidade e equidade na atividade agrária, utilizando estilos mais respeitosos com o meio ambiente” (COSTABEBER e MOYANO, 2000, p. 04). Como essência, a transição agroecológica possui um elemento de fundo relacionado com a articulação de alternativas para a saída da crise socioambiental, que põe em risco a reprodução socioeconômica de setores incluídos e excluídos do processo de modernização baseado na revolução verde. Esses setores construíram alternativas em suas unidades produtivas que em maior ou menor medida, buscaram “padrões poliprodutivos ou multifuncionais (em parte como resposta às incertezas dos mercados globalizados), havendo uma maior geração de externalidades positivas. Novamente, isso se traduz (ainda que indiretamente) em contribuições positivas para a sustentabilidade” (PLOEG, 2009, p. 29).
A transformação socioambiental para agroecossistemas sustentáveis deveria ser percebida como um processo que necessita da articulação entre as experiências agroecológicas com outros grupos sociais, para que se torne possível construir relações de diálogo e integração com a sociedade em geral (CAPORAL e COSTABEBER, 2002). Guzmán (2013) considera a articulação de cinco níveis de ação da agroecologia, que dialogam entre si e se integram desde a unidade de produção (transformações ecológico-produtivas) até o processo de articulação e enfrentamento do modelo hegemônico em nível global (transformações socioeconômicas).
Para que esse processo se efetive, existe a necessidade (entre outros elementos) da construção de tecnologias e assistência técnica. A visão hegemônica do desenvolvimento tecnológico, compreende a geração de tecnologia através de uma ideia abstrata denominada “demanda” do mercado. De forma que “a influência que governa o processo de inovação é a demanda de mercado; as inovações são em algum sentido “induzidas por” ou “desencadeadas” em resposta a demandas pela satisfação de certas categorias de necessidades” (ROSENBERG, 2006, p. 290). Ora, trata-se de uma completa desvinculação da estrutura institucional e política do sistema econômico, uma vez que, durante todo o processo recente de avanço científico, são perceptíveis as influências de natureza continuada que direcionam a produção e geração de tecnologias (DUPAS, 2006).
Esse modelo de produção de tecnológica é implementado também na agricultura a partir dos anos de 1950, seguindo uma lógica de geração e difusão de tecnologia (GUZMÁN, 2013; MACHADO e MACHADO FILHO, 2014). De maneira que a tecnologia que fica à disposição no pós-segunda guerra mundial sofre adaptações e na forma de pacote técnico-produtivo é disseminada pelos países, tendo como pano de fundo “uma tática política do grande capital para introduzir o capitalismo no campo e gerar mais uma promissora fonte de reprodução no capital nos países da América Latina, Ásia e África” (MACHADO e MACHADO FILHO, 2014, p. 53). Um dos elementos centrais para o sucesso desse processo é a promoção desse modelo pelas agências de assistência técnica em articulação com outras ações do Estado, especialmente o crédito subsidiado. Todo um mecanismo de extensão rural se estabelece pautado no processo de transferência de tecnologia, que reproduz uma lógica tecnicista e que reduz a forma de conduzir as atividades produtivas a simplificações e receitas que envolvem aporte de insumos químicos (agrotóxicos, fertilizantes, hormônios entre outros) e utilização de motomecanização. Assim, o progresso técnico nesses moldes ocorre no tripé baseado em transferência de tecnologia de forma difusionista, na qual existe “uma separação clara dos objetivos e responsabilidades entre os que ‘criavam’ tecnologias (pesquisadores) e os que as tinham de transferir (extensão)” (SARANDÓN e FLORES, 2014, p. 43. Tradução dos autores).
Nesse cenário, a pesquisa é desenvolvida em estruturas que não necessariamente expressam a realidade da maioria dos agricultores, uma vez que são realizadas com um estrito controle das variáveis, dentro de universidades ou estações de pesquisas. Dentro desse quadro, quando algo “novo” e “válido” é descoberto, ele é transformado em boa “tecnologia”, sendo transferida para produtores que adotarão o que foi desenvolvido (MACHADO e MACHADO FILHO, 2014; SARANDÓN e FLORES, 2014). Os problemas de implementação ou as falhas na difusão ou adoção dessa tecnologia foram atribuídas, muitas vezes, dentro dessa concepção ao “atraso” dos agricultores, “incapazes” para entender os supostos benefícios da nova tecnologia oferecida (MACHADO e MACHADO FILHO, 2014; SARANDÓN e FLORES, 2014).
A aplicação dessa lógica dentro da agricultura produziu avanços produtivos significativos em termos quantitativos, mas em outra medida trouxe efeitos negativos complexos, que não podem ser associados a problemas de “adoção tecnológica” dos agricultores. De forma que o termo “difusão” de tecnologia, principalmente no caso brasileiro, está imerso em significações políticas que remetem ao processo histórico e social pelo qual se realizou a transição do modelo de agricultura tradicional para um modelo com base na revolução verde. A lógica produtiva pautada no uso de agroquímicos, monocultivos, cultivos para fins não alimentícios com foco em exportação que ameaçam a soberania alimentar dos países, levam em conjunto danos irreversíveis sobre o ambiente e as pessoas.
Contramovimentos emergem diante do estabelecimento e aprofundamento desse formato hegemônico dentro da agricultura. Perspectivas de técnicos e famílias agricultoras que vão contrapor a forma como ocorre o processo de extensão rural que executa as ações de difusão de tecnologia. Essas proposições visam a superação da visão reducionista alocadas nas perspectivas da extensão que estão associadas a transformação do agricultor “em coisa”, se propondo uma conotação levar, transferir, entregar, depositar, ou seja, há um sujeito que sabe e outro que desconhece, passivo (FREIRE, 1983). Dessas movimentações de famílias agricultoras, movimentos sociais, técnicos e pesquisadores com perspectiva crítica emergem metodologias mais participativas e integradoras de extensão rural e produção de outros tipos de tecnologia que se adaptem às realidades e necessidades locais.
É necessária outra lógica de construção e adoção de tecnologias quando se pretende adotar uma proposta pautada na agroecologia e em uma agricultura sustentável. Elementos importantes para a construção desses processos são: visões críticas às abordagens tradicionais, reducionistas e tecnicistas; incorporação das particularidades e diferenças regionais; aproximação da relação técnicos agricultores; resgate e potencialização dos conhecimentos obtidos histórica e social pelas famílias agricultoras, entre outros elementos que foquem a quebra e superação do paradigma hegemônico de geração e apropriação de tecnologias para o meio rural (MACHADO e MACHADO FILHO, 2014; SARANDÓN e FLORES, 2014; CAPORAL et al., 2009; COSTABEBER e MOYANO, 2000) .
O conhecimento agroecológico tem como elemento-chave processos pedagógicos pautados no uso e na experimentação que os agricultores vivenciam nas suas bases de recursos, conjuntamente ou não com técnicos e outros profissionais. Existem algumas experiências significativas com foco nesses elementos ligados a práxis das famílias agricultoras, que se organizam principalmente em processos participativos com uma infinidade de áreas e variações que prezam pela interação de famílias agricultoras, técnicos, movimentos sociais e outras organizações em uma proposta de diálogo dos saberes distintos. Assim,
há diversas formas de participação social e um conjunto imenso de técnicas
e dinâmicas que permitem a sua materialização, indo desde a consulta nos
processos de intervenção em comunidades até a incorporação dos saberes
e práticas dos agricultores nos processos de pesquisa, como na
experimentação participativa (SANTOS, 2012, p. 09).
Essas formas de participação se traduzem em várias experiências práticas que remetem ao resgate e à utilização de sementes crioulas, aos processos de planejamento participativo, à recuperação coletiva de áreas degradadas e à construção comunitária de experiências produtivas (mutirões), entre outras. Metodologicamente, essas ações vão se pautar por um processo de pesquisa-ação que coloca uma ação de forma planejada, de caráter social/educacional/técnica a ser trabalhado de forma participativa (THIOLLENT, 2011). As ações de extensão universitária – para que não reproduzam o padrão hegemônico – devem se renovar e considerar novas bases para a construção de processos de transição agroecológica. Parte desse processo envolve uma integração das famílias agricultoras com os outros promotores da mudança tecnossocial. A seguir, discutem-se elementos da ação universitária da UFFS em torno da agroecologia.
Universidade Federal da Fronteira Sul
e as ações com foco na agroecologia
A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) na UFFS tem como missão compartilhar conhecimentos através de programas educacionais, culturais, sociais e tecnológicos, tendo como base a integração da Universidade com a sociedade em geral, contribuindo para o desenvolvimento regional e a melhoria da qualidade de vida. Além disso, cooperar com a construção de novos conhecimentos e a integração da Universidade, em sintonia com as políticas definidas pelos conselhos superiores.
A PROEC organiza-se nos seis campi da UFFS através dos comitês de extensão e tem como papel fundamental promover ações relacionadas à extensão e contribuir na avaliação dos projetos.
No ano de 2016, a fim de avaliar suas ações e encaminhar novos rumos, a PROEC se propôs a realizar o I Seminário Integrador de Extensão composto por mesas temáticas que problematizaram a experiência de extensão desenvolvida pela Instituição nas seguintes áreas: Agroecologia; Cooperativismo, Economia Solidária e Incubação Tecnológica; Desenvolvimento Territorial; Juventude e Sucessão Familiar; Gênero e Organização Produtiva do Campo. A partir da significativa discussão, o diálogo das mesas resultou na organização de um livro. O GT de agroecologia, composto pelos professores Gilmar Frenzener (coordenador), Maria Eneida de Almeida, André Luiz Radunz, Cristina Sturmer dos Santos e Josimeire Aparecida Leandrini, fez um levantamento como são as ações da extensão em relação à agroecologia e como esta perpassa e se articula nos cursos de graduação nos seis campi da UFFS.
Cursos de graduação e pós-
graduação
A UFFS, fruto do processo de interiorização proposto pelo Programa de Reestruturação e Expansão Universitária (REUNI) das instituições de ensino superior federal, está presente no estado do Paraná, em Realeza e Laranjeiras do Sul; em Santa Catarina, em Chapecó; e no Rio Grande do Sul, em Passo Fundo, Cerro Largo e Erechim. O eixo de atuação da UFFS está na sua missão:
1. Assegurar o acesso à educação superior como fator decisivo
para o desenvolvimento da Mesorregião Grande Fronteira Mercosul, a qualificação profissional e a inclusão social;
2. Desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão
buscando a interação e a integração das cidades e estados que compõem a grande fronteira do Mercosul e seu entorno;
3. Promover o desenvolvimento regional integrado — condição
essencial para a garantia da permanência dos cidadãos graduados na Mesorregião Grande Fronteira Mercosul e a reversão do processo de litoralização hoje em curso (UFFS, 2016).
É perfil da Universidade propor como eixo transversal a utilização da agroecologia e o diálogo e a interação com a comunidade e os movimentos sociais do tecido regional que integram a UFFS. Por mais que esses elementos apareçam nos documentos institucionais e projetos políticos pedágios dos cursos (PPCs), existe um imenso desafio em construir proposições práticas dentro dos cursos de graduação.
Com foco nas ações de ensino, pode-se observar o exemplo de cursos de graduação que dialogam com a temática da agroecologia: o curso de Agronomia, Linha de formação em Agroecologia, que está presente em quatro dos seis campi da Instituição; os cursos de Licenciatura e Educação do Campo, presentes em dois campi; o curso de Medicina nos campi Chapecó e Passo Fundo, que traz a discussão da saúde e perpassa a saúde do homem no campo e cidade cada dia mais afetada pelo uso de agrotóxicos e que exige novas formas de produção, entre outros. E também os programas de pós-graduação stricto sensu, como: Mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, em Laranjeiras do Sul; Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental, em Erechim; Mestrado em Desenvolvimento e Políticas Públicas, em Cerro Largo. E ainda cursos lato sensu (especialização), como o curso Desenvolvimento Rural Sustentável e Agricultura Familiar e Produção de Leite Agroecológico.
Essas atividades permitiram que se abrisse espaço para novas linhas de estudo e um processo de construção de um arsenal de ferramentas e de conhecimento referente às ações de agroecologia dentro da região de atuação da universidade. Isso permite que se amplie o campo de atuação da pesquisa e dos campos que podem ser alvo dos projetos e programas de extensão em agroecologia.
Projetos e programas: objetivos,
público-alvo e metodologia
A partir do levantamento dos projetos de extensão executados pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) na UFFS e da entrevista com informantes-chave, foram diagnosticados 42 projetos de extensão com interação em agroecologia institucionalizados em diferentes modalidades, de 2010 a 2016.1, em cinco campi da UFFS
(Gráfico 01). A divisão dos projetos para análise ocorreu nos eixos: Curso de extensão, Programa de Extensão com relação Transversal com a Agroecologia, Programa de Extensão com foco em
Agroecologia, Projeto de Articulação7, Projeto Extensão com foco na Agroecologia, Projeto de Extensão com relação Transversal com a Agroecologia, Seminário Estadual e Seminário Regional. A maior representatividade está localizada nas ações de Projeto Extensão com foco na Agroecologia e Projeto de Extensão com relação Transversal com a agroecologia (09 e 08 projetos, respectivamente).
Gráfico 01 - Segmentação das ações institucionalizadas de
extensão com foco ou com relação transversal com a
agroecologia, da UFFS, no período de 2010 a 2015
Fonte: Dados da pesquisa (elaboração dos autores), 2016.
Pelos dados disponibilizados pela PROEC, considerando a localização geográfica das ações desenvolvidas, o Campus Laranjeiras do Sul apresentou 30 ações; Chapecó, 07; Cerro Largo, 03; Erechim, 01; Realeza, 01 em parceria. Observa-se, com esses dados, que a agroecologia e a agricultura familiar é uma pauta institucional, contudo não está claro nos projetos que foram articulados pela extensão de maneira similar dentro dos campi.
Os principais eixos de atuação relacionados a programas e projetos de extensão em agroecologia são economia solidária e comercialização, seguidos por: produção, renda, cursos, hortas escolares, educação, mulheres, piscicultura e seminários; metodologias participativas e certificação; e por último a instalação dos núcleos de estudos em agroecologia. Em geral os projetos são para atender a comunidade local e regional, contudo o enfoque maior é dado à comunidade local, mais próxima da região de atuação do campus. Em todos os projetos, como público-alvo são citados estudantes e técnicos administrativos, assim como o público da comunidade regional – agricultores e agricultoras da agricultura familiar, povos tradicionais, faxinalenses e assentados da reforma agrária técnicos de ATER das respectivas regiões.
Dois projetos de extensão tinham como foco o apoio à organização de mulheres rurais, e apenas um focava em comunidades indígenas que trazem a agroecologia direta ou indiretamente. Ressalta-se que a atuação em organizações de mulheres, com povos indígenas e tradicionais é estabelecida como prioritária institucionalmente por seus processos histórico de exclusão e marginalização, porém, se visualiza pouca atuação da extensão em agroecologia para estes campos.
Os projetos usaram ferramentas metodológicas visando atender diferentes demandas, tais como: construção de diagnósticos em diversas áreas, para entender as realidades e traçar possíveis rumos; curso EAD; organização de reuniões de articulação com movimentos sociais, rede Ecovida, Grupo Cooperativo e a organização do Laticínio Orgânico e das Feiras de Produtores a fim de estabelecer agendas comuns que permitissem o diálogo; participação na organização de feiras regionais; realização de intercâmbios entre grupos de agricultores familiares camponeses de diferentes regiões a fim de visualizar a prática agroecológica e experimentá-la; realização de oficinas divulgando práticas dentro da agroecologia e formação; seminários que permitiram não só a pesquisadores de outras instituições trazer e compartilhar suas experiências, mas também a agricultores expor sua experiência e seu modo de produção.
Analisando alguns dos quinze relatórios finais dos projetos disponibilizados observa-se uma discrepância entre os objetivos propostos e as informações disponibilizadas nos relatórios finais. Essa discrepância permite traçar alguns pontos que merecem ser propostos como pontos a avançar, podendo se consolidar como futuras áreas de concentração das ações de extensão em agroecologia. São eles:
1. Gênero e a agroecologia no desenvolvimento –
Impulsionamento a ações de formação e capacitação para agricultoras familiares, assentadas da reforma agrária e de mulheres indígenas através de atividades sociais e de produção agrícola, beneficiamento e processamento de alimentos, solidificando a agroecologia e a participação da mulher como estratégia de desenvolvimento;
2. Cooperação e economia solidária e a agroecologia – Apoio
à gestão de empreendimentos solidários, com elaboração de planejamento, formação de cadeias e promoção da agroindustrialização;
3. Unidades de vida e produção familiar e a agroecologia –
Planejamento dos agroecossistemas; gestão das unidades de produção familiar ou coletiva; estabelecimento de protocolos para transição agroecológica; protocolo de produção de peixes de base agroecológica priorizando espécies nativas e promovendo a diversificação do meio rural;
4. Formação de multiplicadores em diversos temas
relacionados a agroecologia – O sujeito formado passa a formar novos indivíduos;
5. Metodologias participativas em extensão e na pesquisa –
Aprofundamento da discussão sobre metodologias participativas; estabelecimento de formação na área;
6. Redes de comercialização e circuitos na agroecologia –
Estabelecimento de canais de comercialização junto com a comunidade; informações; elaboração de novos rumos de organização;
7. Segurança Alimentar e Nutricional e demais linhas
correlatas – Aprofundamento da discussão da comunidade quanto à segurança alimentar e nutricional; informações entre as diferentes áreas; elaboração de novos rumos de organização.
Ainda focando o avanço da extensão, ressalta-se a necessidade de uma articulação entre ensino, pesquisa e extensão, uma vez que essa interação pode gerar conhecimento sistemático, possibilitando inserção crítica e contextualizada do discente no âmbito de sua formação e do professor extensionista que, ao se deparar com a realidade trazida pela sociedade, traria pontos de reflexão e de avanços na pesquisa. É necessário e central que o conhecimento não seja unilateral, mas dialogado tanto entre sociedade e universidade, quanto entre docentes, técnicos, discentes, comunidades, e movimentos sociais, para que se estabeleça um
fluxo de trocas que privilegie a relação teoria e prática – 8 praxis.
Principais impressões
Considerando as informações dialogadas, torna-se possível visualizar alguns pontos destacados:
a. Os PROEXT foram, ao longo desses seis anos de universidade,
e ainda são importantes para alavancar a discussão institucional dos projetos de extensão e estruturar ações que impactaram diretamente a agroecologia. Uma delas foi a possibilidade de estruturação dos núcleos de estudos em agroecologia, que surgiram a partir de projetos preexistentes;
b. Mesmo com a movimentação provocada pela execução dos
projetos ligados ao PROEXT, ainda há um limite dentro dos campi, pois os seminários e cursos muitas vezes não levam a ações concretas de avanços nas discussões;
c. Agroecologia é uma proposta institucionalizada, mas há limites,
pois os cursos que têm linha de formação em agroecologia não disponibilizam claramente essa informação no site, ficando pulverizada;
d. O estabelecimento da agroecologia é ainda um campo em
construção no meio de uma ideologia hegemônica do conhecimento convencional;
e. Os diagnósticos são fonte de informação que, necessariamente,
deveriam estar disponíveis, assim como relatórios de projetos
para facilitar a revisão e construir avanços nos projetos a serem construídos;
f. É necessário desenvolver uma base de dados de fácil acesso
interno para os relatórios de pesquisa e extensão para facilitar ações futuras;
g. Seminários trouxeram grupos de sistematização dos projetos
para discussão, mas a falta de sistematização da atividade não permite ter uma memória dos assuntos abordados e das sugestões propostas;
h. As disciplinas que constituíram os currículos no início da
Instituição (tronco comum formação cidadã) estão sendo suprimidas e seu foco construía o campo para extensão. É necessário pensar como fazer para que os currículos garantam a carga mínima exigida atualmente pela legislação para a extensão;
i. Garantia, nos currículos, de uma formação que contemple
ensino, pesquisa e extensão em igual medida;
j. Inviabilidade de utilizar o dinheiro do PROEXT para as
atividades devido aos processos internos de licitação e compra, que, na maioria das vezes, impedem a realização das atividades;
k. Fortalecimento de editais direcionados à agroecologia;
l. O transporte é uma limitação para fazer extensão, já que é
necessário ir às comunidades. Pensar sobre como a universidade pode criar mecanismos para utilização de transportes.
As perguntas que ficam são: como a Instituição está promovendo e valorizando a extensão? Como ela cria mecanismos que permitem ir a campo, fazer trocas com a comunidade? Como construímos os programas em relação à extensão de não ser apenas ações pontuais e pouco estruturantes, mas sim programas articulados com ensino e extensão?
Referências ALTIERI, M. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. Porto Alegre: UFRGS, 2004.
ALTIERI, M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Rio de Janeiro: AS-PTA, 1989.
ALTIERI, M.; NICHOLLS, C. Conversión agroecológica de sistemas convencionales de producción: teoría, estrategias y evaluación. Ecossistemas – Revista científica y técnica de ecología y médio ambiente, v. 16, n. 1. p. 3-12, jan. 2007.
CAPORAL, F. R. et al. Agroecologia: uma ciência do campo da Complexidade. Brasília: MDA/EMATER, 2009.
CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Construindo uma Nova Extensão Rural no Rio Grande do Sul. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v. 3, n. 4, p.10-15, out./dez. 2002.
CHRISTOFFOLI, P. I. et al. Experiência do Mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável da Universidade Federal da Fronteira Sul. In: PEDRO, J. M; FREIRE, P. de Sá. Interdisciplinaridade Universidade e Inovação Social e Tecnológica. Curitiba: CRV, 2016, 273 p.
COSTABEBER, J. A.; MOYANO, E. E. Transição Agroecológica e Ação Social Coletiva. Revista Agroeocologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, v. 1, n. 4, p. 50-60, out. dez/2000. Disponível em:
http://coral.ufsm.br/desenvolvimentorural/textos/28.pdf. Acesso em: 06 nov. 2014.
DOWBOR, L. Produtores, intermediários e consumidores: o enfoque da cadeia de preços. Rev. Econ. NE, Fortaleza, v. 45, n. 3, p. 7-16, jul-set., 2014.
DUPAS, G. O mito do progresso: ou progresso como ideologia. São Paulo: UNESP, 2006.
FAVARETO, A. da S. Paradigmas do desenvolvimento rural em questão – do agrário ao territorial. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo: 2006.
FORPROEX. Política Nacional de Extensão Universitária. Manaus: FORPROEX, 2012. Disponível em:
http://www.renex.org.br/documentos/2012-07-13-Politica-
Nacionalde-Extensao.pdf. Acesso em: 29 nov. 2014.
FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? 7. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
GLIESSMAN, S. et al. Agroecologia: promoviendo una transición hasta La sostenibilidad. Ecossistemas – Revista científica y técnica de ecología y médio ambiente, v. 16, n. 1. p. 13-23, jan. 2007.
GUZMÁN, E. S. El despliegue de la Sociología Agraria hacia la Agroecología. Cuaderno Interdisciplinar de Desarrollo Sostenible. Barcelona: Cajamar, 2013. p. 85-109.
HESPANHOL, R. A.de M. Agroecologia: limites e perspectivas. In: ALVES, A. F. (org). Desenvolvimento territorial e Agroecologia. São Paulo: Expressão Popular, 2008. 256 p.
MACHADO, L. C. P.; MACHADO FILHO, L. C. P. Dialética da Agroecologia. São Paulo: Expressão Popular, 2014.
MAZOYER, M.; ROUDART, L. História das agriculturas no mundo: do neolítico à crise contemporânea. São Paulo: UNESP, 2010.
MUSSOI, E. M.; LENZI, L. H. C. Extensão Universitária: entre o continuismo e a utopia. R. Eletr. de Extensão, Florianópolis, v. 12, n. 20, p.103-122, 2015.
PETERSEN, P.; SOGLIO, F. K. D.; CAPORAL, F. R. A construção de uma Ciência a serviço do campesinato. In: PETERSEN, P. (org.) Agricultura familiar camponesa na construção do futuro. Rio de Janeiro: AS-PTA, 2009.
PLOEG, J. D. Sete teses sobre a agricultura camponesa. In: PETERSEN, P. (org.) Agricultura familiar camponesa na construção do futuro. Rio de Janeiro: AS-PTA, 2009.
ROSENBERG, N. Por dentro da caixa-preta: tecnologia e economia. Campinas: Unicamp, 2006.
SANTOS, A. da S. dos. Perspectivas para pesquisa agroecológica: diálogo de saberes. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2012.
SANTOS, C. S. dos. Análise do Processo de Transição Agroecológica das Famílias Agricultoras do Núcleo da Rede Ecovida de Agroecologia Luta Camponesa. Dissertação de mestrado. Universidade Federal da Fronteira Sul, Laranjeiras do Sul. 2016.
SARANDÓN, S. J.; FLORES, C. C. Agroecología: bases teóricas para el diseño y manejo de agroecosistemas sustentables. La Plata: Universidad Nacional de La Plata, 2014.
THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011. 136 p.