História do pensamento geográfico e epistemologia em Geografia

Paulo R. Teixeira de Godoy · Capítulo 1 de 14

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História do pensamento geográfico e epistemologia em Geografia

Apresentação

 

A História do Pensamento Geográfico consiste em um campo de discussões teóricas, filosóficas, institucionais, epistemológicas e metodológicas. Embora sua relevância seja reconhecida entre os geógrafos, existem poucos estudos dedicados aos problemas enfrentados pela geografia em sua trajetória científica, histórica e social.

O objetivo deste livro não é suprir as deficiências ou as lacunas da História do Pensamento Geográfico e, tampouco, adotar o escrúpulo historicista de compreensão de uma história petrificada em narrativas e pontos de vista acerca de problemas científicos que interessam a poucos. Nesse sentido, não se trata, fundamentalmente, da História do Pensamento Geográfico como tradicionalmente se concebe o conjunto de temas relacionados ao desenvolvimento científico da geografia. Se essa fosse a sua finalidade, sua deficiência seria manifesta e o desequilíbrio entre as partes retiraria todo o seu sentido. O seu propósito é o de reunir as contribuições de docentes e pósgraduandos em geografia em torno de dois grandes eixos temáticos: História do Pensamento Geográfico e epistemologia em geografia.

A organização dos capítulos se orientou por temáticas que trataram, na Primeira Parte, dos fundamentos históricos da geografia, centrados no pensamento filosófico sobre a relação Homem-Natureza; das contribuições de Humboldt como naturalista e entusiasta da natureza; da concepção de espaço, segundo Kant, e suas influências na geografia regional; e da história do ensino de geografia no Brasil.

Em seguida, na Segunda Parte, para introduzir os temas de cunho teórico-metodológico, foram apresentados, inicialmente, a análise das contribuições metodológicas de David Harvey em Explanation in Geography (1969); uma reflexão sobre os argumentos teóricos e metodológicos da geografia teorética; uma proposição metodológica a partir do pensamento de Henri Lefèbvre; e, finalmente, a apresentação de elementos para uma discussão sobre a História do Pensamento Geográfico.

Na Terceira Parte do livro foram reunidos os capítulos que tratam de temas mais específicos, tais como: a relação entre a geografia e a literatura, por meio da obra de Euclides da Cunha; a releitura do pensamento de Josué de Castro; os problemas conceituais da análise da relação rural-urbana; considerações acerca das bases teóricas da geografia agrária brasileira a partir das obras de Pierre Monbeig e Leo Waibel; e, finalmente, as relações entre geografia e turismo a partir de uma reflexão teórica e conceitual.

O livro possui, em certo sentido, um caráter didático que atende não somente estudantes universitários e professores de geografia, mas também a interesses de outras áreas do conhecimento, como a história, a sociologia e a antropologia. Com efeito, o livro não tem como tarefa nos munir de convicções novas, mas fazer-nos colocar em questão o modo como são abordados e discutidos os problemas da história da geografia e de sua construção como ciência.