Histórias de Cronópios e de Famas
História de um urso mole
Olha para essa bola de coltar5 que ressuma, esticando-se e crescendo pela juntura janela de duas árvores. Além das árvores há uma clareira e é ali que o coltar medita e programa seu ingresso na forma de bola, à forma bola e patas, à forma coltar pelas patas que depois o dicionário URSO.
Agora o coltar bola emerge úmido e mole, sacudindo formigas infinitas e redondas, vai jogando-as em cada pegada que se ordena harmoniosamente à medida que caminha. Isto é, o coltar projeta uma pata urso sobre as agulhas de pinheiro, fende a terra lisa e ao soltar-se marca um chinelo em pedaços na frente e deixa nascente um formigueiro múltiplo e redondo, impregnado de coltar. Assim de cada lado do caminho, fundador de impérios simétricos, vai a forma pelos patas aplicando uma construção para formigas redondas que ele sacode úmido.
Finalmente sai o sol e o urso mole levanta uma cara transida e pueril para o sino de mel a que vagamente deseja. O coltar põe-se a cheirar com veemência, a bola cresce ao nível do dia, pelos e patas somente coltar, pelos patas coltar que sussurra um pedido e espreita a resposta, a profunda ressonância do sino lá em cima, o mel do céu em sua língua focinho, em sua alegria pelos patas.