Histórias de Cronópios e de Famas

Julio Cortázar · Capítulo 46 de 69

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Histórias de Cronópios e de Famas

Alegria do cronópios

 

Encontro de um cronópio e de um fama na liquidação da loja La Mondiale.

— Boa tarde, fama. Trégua catala espera.

— Cronópio cronópio?

— Cronópio cronópio.

— Linha?

— Duas, mas uma azul.

O fama respeita o cronópio. Nunca falará se não souber que suas palavras são as convenientes, temeroso de que as esperanças sempre alertas, esses micróbios resplandecentes, não deslizem no ar, e por uma palavra errada possam invadir o bondoso coração do cronópio.

— Chove lá fora — diz o cronópio — Céu abaixo.

— Não se preocupe — diz o fama. — Iremos no meu automóvel. Para proteger as linhas.

E olha para o ar, mas não enxerga nenhuma esperança, e suspira satisfeito. Além do mais, agrada-lhe observar a alegria comovente do cronópio, que segura contra o peito as duas linhas — uma azul — e espera ansioso que o fama o convide a subir no seu automóvel.