Homens e Monstros: A Guerra Fria Vitoriana
Posfácio
Aztecas... Com z???
Sim , eu sei. Em português m oderno “asteca” é a form a correta, com o se apressam em bradar os m ais rigorosos e im placáveis guardiões da língua. Neste livro a palavra “azteca” foi sem pre gravada assim , com “z”, e talvez isso tenha cham ado sua atenção.
A palavra, originalm ente, deriva do etnônim o indígena aztecatl, que significa “hom em do norte” em nahuatl, língua nativa daquele povo. Mesm o nos dias de hoj e, a form a utilizada no México é com “z”, vide nom es com o “Estádio Azteca”, ou “TV Azteca”.
A grafia original com “z” deve-se ao fato histórico de que os astecas seriam os descendentes das sete tribos originárias de um a ilha cham ada Aztlán, que alguns historiadores m exicanos acreditam ser lendária. O Aubin Codex, docum ento que relata através de textos e desenhos a saga dos astecas desde sua partida de Aztlán até o início do período colonial espanhol, e que se encontra no Museu Britânico, revela, de acordo com estudiosos, que, após a partida da últim a das sete tribos (os “m exicas”), o deus Huitzliopóchtli ordenou que seu povo j am ais se identificasse com o “Azteca”, e sim com o “Mexìcá”, para que se diferenciassem dos dem ais grupos.
Modernos estudiosos m exicanos se referem com o “Aztecas” aos povos indígenas que falavam a língua nahuatl antes da conquista espanhola, em 1519, e com o “Nahua” a esses m esm os povos após a conquista. Muitos, entretanto, ainda preferem referir-se a cada grupo étnico por sua denom inação particular, com o “Mexica”, “Acolhua” ou “Tepaneca”.
O fato é que, historicam ente, nenhum desses grupos j am ais se referiu a si m esm o utilizando o term o “Azteca”, talvez por isso os próprios acadêm icos m exicanos rej eitem a generalização. O term o “Aztec”, assim m esm o, com “z”, ganhou popularidade após ser sugerido pela prim eira vez pelo explorador e geógrafo prussiano Alexander Von Hum boldt, e foi assim ilado pelos espanhóis do século XIX em diante. Hoj e o que se observa é que a m aioria da população, tanto dentro quanto fora do México, usa o term o “asteca” de m aneira genérica para referir-se aos indígenas m exicanos da era pré-colonial.
Considerando que em nosso universo alternativo, que você conheceu neste livro, aquela cultura sobreviveu sem interrupções desde os tem pos prim itivos até o século XX, e que isso aconteceu sob o dom ínio dos ingleses (que usam o term o “Aztec”), optam os por m anter a grafia com “z”, com o um sím bolo dessa sobrevivência de tradições m uito antigas. Ao m esm o tem po, a discreta estranheza que essa grafia pode provocar nos bastidores da consciência serve com o um lem brete sublim inar de que estam os vivendo, neste livro, em um a realidade alternativa. Que não é real para nós, m as bem que poderia ter sido, se a Noche Triste houvesse tido um desfecho um pouquinho diferente. Quem sabe?...
Sobre os ombros de gigantes
Parafraseando Sir Isaac Newton, e pedindo seu perdão por usar sua célebre frase dirigida em carta a Robert Hooke para finalidade tão prosaica, “se vi mais longe foi porque estava sobre os ombros de gigantes”.
Os “gigantes” em questão, no m eu caso, são os grandes escritores cuj as obras foram produzidas na cham ada Era Vitoriana (1837 – 1901), ou alguns poucos anos depois. O rom ance tornava-se a principal form a da Literatura Inglesa, m ais voltado para agradar o público leitor de classe m édia, e não os patronos aristocratas. Essas obras tornaram -se im ortais, talvez devido a esse m esm o im pacto j unto a um a parcela m aior da população, e am plam ente conhecidas em todo o m undo até os dias de hoj e.
Foram esses livros, ao longo da infância e adolescência, que acenderam m eu gosto pela literatura fantástica. Refiro-m e, por exem plo, a autores com o Jules Verne e H.G.Wells, que a despeito de suas diferenças pessoais uniram -se em m inha vida e levaram -m e desde o fundo do m ar até o espaço cósm ico, passando por algum as voltas ao redor da Terra e até m esm o algum as escapadelas para fora de nossa linha tem poral.
“Homens e Monstros – A Guerra Fria Vitoriana” nada m ais é do que m inha singela e reverente hom enagem a esses escritores, fantásticos e eternos. Minha m aior recom pensa seria que este livro fosse apreciado por um a nova geração de leitores e que acendesse nesses j ovens o interesse em conhecer as obras originais que o inspiraram do início ao fim . Para tanto, faço a seguir um a lista de todos os textos que m e forneceram situações, cenários e, principalm ente, personagens para que eu, com o escritor, m e divertisse tanto. Recom endo fortem ente cada um deles, sem exceção.
Arthur Conan Doyle – A Aventura do Intérprete Grego (conto)
Arthur Conan Doyle – As Memórias de Sherlock Holmes
Arthur Conan Doyle – Dr. Negro e Outras Histórias de Terror
Arthur Conan Doyle – O Vale do Terror
Edgar Allan Poe – O Corvo (poema)
Edgar Allan Poe – O Demônio da Perversidade (conto)
Edgar Allan Poe – O Poço e o Pêndulo (conto)
Edgar Allan Poe – Os Assassinatos da Rua Morgue (conto)
Herbert George Wells – A Guerra dos Mundos
Herbert George Wells – A Ilha do Doutor Moreau
Herbert George Wells – A Máquina do Tempo
Herbert George Wells – O Homem Invisível
Herbert George Wells – Os Dias do Cometa
Herbert George Wells – Os Primeiros Homens na Lua
Jack London – A Praga Escarlate
Joseph Conrad – O Coração das Trevas
Jules Verne – A Casa a Vapor
Jules Verne – A Jangada
Jules Verne – A Volta ao Mundo em Oitenta Dias
Jules Verne – Cinco Semanas Num Balão
Jules Verne – Da Terra à Lua
Jules Verne – Hector Servadac
Jules Verne – Os Quinhentos Milhões da Begun
Jules Verne – Robur, o Conquistador
Jules Verne – Viagem ao Centro da Terra
Jules Verne – Vinte Mil Léguas Submarinas
Leopoldo Lugones – A Força Ômega (conto)
Leopoldo Lugones – Viola acherontia (conto)
Leopoldo Lugones – Yzur (conto)
Robert E. Howard – Além do Rio Negro (conto)
Robert Louis Stevenson – O Médico e o Monstro