Incarceron

Catherine Fisher · Capítulo 3 de 4 · parte 1/4

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Incarceron

“Com Jared como testemunha.”

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

Relutante, ele a deixou alcançar seus dedos com um aperto de mão. Jared sua mão suave no topo.

“Eu juro. Como um lorde do Reino e um devoto d’Aquele de Nove Dedos.” Os olhos cinza de Lorde Evian eram pálidos na luz do sol. “O Diretor de Incarceron não será morto.”

Ela assentiu. “Obrigada.”

Eles assistiram ele separar sua mão e caminhar para longe, secando seus dedos meticulosamente com um lenço de seda, desaparecendo em baixo do esverdeado passeio de lima.

Tão logo ele tinha ido, Claudia sentou na grama e agarrou seus joelhos em baixo de seu vestido azul. “Oh, Mestre. Que confusão.”

Jared parecia mal estar ouvindo. Ele deslocou-se impacientemente em volta, como se estivesse tenso. Então ele parou tão abruptamente, que ela pensou que uma abelha o tinha picado. “Quem é Aquele de Nove Dedos?”

“O quê?”

“Foi o que Evian disse.” Ele virou-se, e havia uma tensão em seus olhos negros que ela conhecia bem, como as obsessões em chamas que muitas vezes o mantinham em seus experimentos por dias e noites. “Você já ouviu falar de tal culto antes?”

Brutalmente, ela encolheu os ombros. “Não. E não tenho tempo para preocupar-me.

Escute. Hoje à noite, depois do banquete, a Rainha terá uma reunião de seu Conselho, um grande Sínodo, para preparar as ações do casamento e a sucessão. Eles estarão lá, Caspar e o Diretor e seu secretário e qualquer um de importância. E eles não serão capazes de sair.”

“Você não?”

Ela encolheu os ombros. “Quem sou eu, Mestre? Um peão no tabuleiro”. Ela riu, o riso que ela sabia que ele odiava, duro e amargo. “Então é aí que nós entraremos em Incarceron. E desta vez não correremos riscos.”

Jared assentiu suavemente. Seu rosto tinha se abatido, mas a ponta de excitação ainda permanecia.

“Eu estou contente que você disse nós, Claudia,” ele murmurou.

Uma assembleia de sacerdotes e de outros fiéis da Igreja.

Ela ergueu os olhos. “Eu estou assustada por você,” ela disse simplesmente.

“Aconteça o que acontecer.”

Ele assentiu. “Isso faz dois de nós.” Eles ficaram em silêncio por um momento. “A Rainha estará esperando.”

Mas ela não fez nenhum movimento para ir, e quando ela olhou para ele, seu rosto estava tenso e distante. “Aquela garota Attia. Ela estava com ciúmes. Ela estava com ciúmes de mim.”

“Sim. Eles podem ser próximos, Finn e seus amigos.”

Claudia encolheu os ombros. Ela levantou e escovou o pólen de seu vestido.

“Bem. Nós iremos saber logo.”

Você procura a chave para Incarceron?

Olhe dentro de você. Ela sempre esteve escondida lá.

—O Espelho dos Sonhos para Sapphique.

 

A torre do Sapiente era estranha, Finn pensou. Ele, Keiro e Attia tinham levado o homem até seu mundo, e gastaram o dia explorando tudo por lá, e havia coisas sobre isso que os surpreenderam.

“A comida, por exemplo.” Keiro pegou uma pequena fruta verde da tigela e a cheirou cuidadosamente. “Isso é cultivado, mas onde? Estamos milhas acima no céu e não há caminho para baixo. Não me diga que ele leva seu navio prateado para negociar no mercado.”

Eles sabiam que não havia caminho para baixo porque os cômodos do porão, onde as camas ficavam, tinham sido construídos sobre a rocha nua. Pequenas estalagmites cresciam entre os móveis, pingentes de cálcio estavam pendurados no teto, sedimentos se formaram ao longo do século, um meio da vida na prisão, embora Finn tenha pensado que levou mais tempo, até mesmo milênios, para tais coisas se formarem.

Enquanto ele vagava atrás de Attia da cozinha para a despensa para o observatório deixou-se deslizar por um momento para um devaneio de horror fascinante; que Incarceron era de fato um mundo, antigo e vivo, que ele era uma criatura microscópica dentro dele, minúsculo como uma bactéria, e que Claudia também estava aqui, que mesmo Sapphique era um sonho sonhado por Prisioneiros que não poderiam enfrentar o medo de não haver Escapada.

“E então os livros!” Keiro empurrou a porta aberta da biblioteca e olhou para todos eles com nojo. “Quem precisa de tantos livros? Quem poderia se incomodar em lê-los?”

Finn passou por ele. Keiro mal conseguia ler seu próprio nome, e estava orgulhoso disso. Uma vez ele se meteu em uma briga sobre alguns supostos insultos sobre ele escritos em uma parede por um dos capangas de Jormanric; Keiro tinha saído vivo da luta, mas muito espancado. Finn lembrou ter sido incapaz de dizer-lhe que a pichação era inofensiva, mesmo admirando a contragosto.

Finn sabia ler. Ele não tinha ideia de quem lhe ensinou, mas podia ler ainda melhor que Gildas que murmurava as palavras em meia voz e só tinha visto cerca de uma dúzia de livros em sua vida. O Sapiente estava aqui agora, sentado à mesa no coração da biblioteca, suas mãos nodosas virando as páginas de um grande códice encadernado em couro, seus olhos junto ao texto manuscrito.

Em torno dele, em prateleiras que chegavam até o teto sombrio, a biblioteca de Blaize era imensa, torres de pesados volumes todos numerados em dourado e encadernados em verde e marrom.

Gildas levantou a cabeça. Eles esperavam que ele estivesse admirado, mas sua voz estava ácida.

“Livros? Não há livros aqui, garoto.”

Keiro bufou. “Seus olhos estão pior do que pensa.”

Impacientemente, o velho sacudiu a cabeça. “Estes são inúteis. Olhe para eles.

Nomes, números. Não nos dizem nada.”

Attia pegou um livro da prateleira mais próxima e abriu, e Finn olhou por cima de seu ombro.

Estava grosso de poeira, e as bordas das páginas estavam devoradas, tão secas que caiam em flocos. Na página tinha uma lista de nomes:

MARCION.

MASCUS.

MASCUS ATTOR.

MATTHEUS PRIME.

MATTHEUS UMRA.

Cada um seguido de um número. Um longo número de oito dígitos. “Prisioneiros?”

Finn perguntou.

“Aparentemente. Listas de nomes. Volumes deles. Para cada Ala, todos os níveis, que remontam há séculos.”

Ao lado de cada nome tinha uma pequena imagem quadrado de um rosto. Attia tocou um e quase deixou o livro cair. Finn deu um suspiro, o que trouxe Keiro para a mesa, ajoelhando-se por trás deles.

“Bem, bem,” disse.

Para cada nome uma séria de imagens piscava rapidamente sobre a página, aparecendo e desaparecendo em rápida sucessão, até que Attia tocou uma com a ponta dos seus dedos pequenos e ela congelou, abrindo em uma foto de corpo inteiro de um homem corcunda com um casaco amarelo que encheu a página. Quando ela soltou, as fotos ondularam novamente, centenas de imagens de um mesmo homem, na rua, viajando, conversando sobre um incêndio, dormindo, sua vida inteira catalogada lá, seu corpo se tornando gradativamente mais velho diante de seus olhos, curvando, com uma bengala agora, miserável, leprosa com alguma doença terrível. E então nada.

Finn disse em voz baixa, “Os Olhos. Eles devem registrar tanto quanto assistir.”

“Então, como esse Blaize tem tudo isso?” Keiro levantou a cabeça num choque repentino. “Você acha que estou aqui?” Sem esperar por resposta ele cruzou para a prateleira marcada encontrou uma longa escada, e a colocou contra os livros, subindo facilmente por ela. Ele começou a tirar os livros e empurrá-los de volta, impaciente.

Attia tinha atravessado para a seção A e Gildas estava ocupado lendo, então Finn encontrou a letra F e procurou pelo seu nome.

FIMENON.

FIMMA.

FIMMIA.

FIMOS NEPOS.

FINARA.

Seus dedos tremiam quando ele virou a página, percorrendo para baixo até que ele encontrou.

FINN.

Ele olhou fixamente. Havia dezesseis Finns, mas o dele era o último. O número estava lá, em toda a sua negra familiaridade, o número que tinha estado em seu macacão na cela da prisão, que ele havia memorizado. Próximo a ele havia uma pequena imagem, dois triângulos sobrepostos, um deles invertido. Uma estrela. Se sentindo nauseado, ele a tocou.

Imagens ondularam. Ele próprio rastejando no túnel branco. Ele parou instantaneamente.

Lá estava ele, parecendo mais jovem, mais limpo, seu rosto uma máscara de medo e determinação lacrimosa. Magoou-o olhar para isso. Ele tentou voltar, mas essa era a primeira imagem, não havia nada antes.

Nada.

Seu coração disparou. Ele rolou lentamente.

Ele e Keiro. Imagens do Comitatus. Ele lutando, comendo, dormindo. Uma vez, rindo. Crescendo, mudando. Perdendo algo. Ele quase pensou que podia vê-lo em movimento, as imagens em constante mudança mostrando-o se tornando alguém cada vez mais difícil, atento, carrancudo, sempre lá em segundo plano nas brigas e esquemas de Keiro. Uma imagem o mostrou em um ataque, e ele olhou horrorizado com náusea para seu corpo enroscado em convulsão, o rosto contorcido. Rapidamente ele deixou as imagens correrem, quase rápido demais para ver, até que ele apontou para baixo e as segurou imóveis.

A emboscada.

Ele viu a si mesmo congelado, metade fora das correntes, agarrando o braço da Maestra. Ela deve ter percebido nesse momento a armadilha em que estava; seu rosto foi capturado em um estranho olhar ferido, quase magoado, seu sorriso já enrijecido.

Se houvesse mais, ele não queria ver.

Ele bateu o livro fechando-o, o som alto na sala em silêncio, fazendo Gildas resmungar e Attia prestar atenção.

“Encontrou algo?” ela perguntou.

Ele deu de ombros. “Nada que eu não soubesse. E quanto a você?” Ele notou que ela tinha deixado a seção A e estava na C. “Por que lá?”

“O que Blaize disse sobre nenhum Lado de Fora. Pensei em procurar Claudia.”

Ele gelou. “E?”

Ela estava segurando o livro, um grande volume verde. Ela o fechou rapidamente e virou-se, empurrando-o de volta na prateleira. “Nada. Ele está errado. Ela não está em Incarceron.”

Havia algo suave em sua voz, mas antes que pudesse pensar nisso o chiado de raiva de Keiro sacudiu-o.

“Ele tem tudo sobre mim aqui! Tudo!”

Finn sabia que Keiro tinha ficado órfã quando bebê e havia crescido com um bando de moleques imundos de rua que sempre pareceu estar à beira do Comitatus; guerreiros por desgraça, filhos de mulheres que eles haviam matado, crianças que ninguém conhecia.

Deve ter sido uma luta de unhas e dentes para comer e sobreviver e manter um rosto sem marcas como o de Keiro naquela multidão feroz. Talvez por isso seu irmão de juramento parecesse tão alarmado. Ele também fechou o livro com uma batida.

“Esqueça suas histórias insignificantes.” Gildas levantou os olhos, seu rosto afilado iluminado.

“Venha e leia um livro de verdade. Este é o diário de um Lorde Calliston, aquele que chamavam de Lobo de Aço. Ele é dito ter sido o primeiro prisioneiro.” Ele virou uma página. “Está tudo aqui, a vinda dos Sapienti, os primeiros condenados, o estabelecimento da Nova Ordem. Eles parecem ter sido relativamente poucos, e eles falavam com a Prisão naqueles dias como falavam uns com os outros.”

Agora ele pareceu temeroso.

Eles se juntaram e viram que o livro era menor que os outros e o texto verdadeiramente manuscrito, com alguma pena áspera. Gildas bateu a página. “A garota estava certa. Eles estabeleceram a Prisão como um lugar para descarregar todos os seus problemas, mas havia esperança definitiva de criar uma sociedade perfeita. De acordo com isso nós todos deveríamos ter sido filósofos serenos há muito tempo atrás. Ouça.”

Ele leu em voz alta, com sua voz rouca.

"Tudo estava preparado, todas as eventualidades cobertas. Temos alimentos nutritivos, educação gratuita, assistência médica melhor que a de fora, agora que o protocolo governa lá. Temos a disciplina da prisão, aquele ser invisível que vigia e pune e governa.

"E ainda assim.

"As coisas decaíram. Grupos dissidentes estão se formando; território é disputado.

Casamentos e contendas se desenvolvem. Já dois Sapienti levaram seus seguidores para longe para viver no isolamento, alegando que temem os assassinos e ladrões que nunca vão mudar, que um homem foi morto, uma criança atacada. Semana passada dois homens chegaram às vias de fato por uma mulher. Os prisioneiros intervieram. Desde então nenhum deles tem sido visto.

"Eu acredito que eles estejam mortos e que Incarceron os integrou em seus sistemas. Não havia condição para a pena de morte, mas a prisão é responsável agora. Está pensando por si mesma"

No silêncio Keiro disse, “Eles realmente pensaram que isso iria funcionar?”

Depois de um momento Gildas virou a página. O sussurro era alto na quietude.

“Parece que sim. Ele não é claro sobre o que deu errado. Talvez algum elemento não planejado entrou e desequilibrou a balança, com apenas um comentário, um pequeno ato, de modo que a falha em seu ecossistema perfeito cresceu gradualmente e o destruiu.

Talvez a própria Incarceron se avariou, tornando-se uma tirana—isso certamente aconteceu, mas isso foi causa ou efeito? E depois há isso.”

Ele apontou as palavras enquanto as lia, e Finn, se inclinando para frente, viu que estavam sublinhadas, a página suja, como se mais alguém as tivesse manuseado repetidamente.

"... ou isso significa que o homem contém dentro de si mesmo as sementes do mal? Que mesmo que seja colocado em um paraíso perfeitamente formado para ele vai envenená-lo, lentamente, com seus próprios ciúmes e desejos? Temo que possamos culpar a Prisão por nossa própria corrupção. E não me excluo, pois também sou um que matei e olhei para meus próprios ganhos."

Na vasta sala silenciosa apenas partículas de poeira caíam através do declive da iluminação do telhado.

Gildas fechou o livro. Olhou para Finn e seu rosto estava cinzento. “Não devemos ficar aqui,” disse pesadamente. “Esse é um lugar onde o pó se reúne e a dúvida entra no coração. Devemos ir, Finn. Este não é um refúgio. É uma armadilha.”

Um passo na poeira os fez olhar para cima. Blaize estava de pé na galeria que circulava a claraboia, olhando para baixo para eles, suas mãos apertadas sobre o corrimão.

“Vocês precisam descansar,” disse calmamente. “Além disso, não há caminho daqui para baixo.

Até que eu decida levá-los.”

***

Claudia tinha sido meticulosa; scanners pré-colocados em todo o porão, halo-imagens dela e de Jared dormindo tranquilamente em suas camas, um robusto suborno para o subintendente para saber a duração do debate, o número de cláusulas do tratado de casamento, o tempo que tudo levaria.

Finalmente ela tinha visto Evian e disse-lhe para argumentar sobre qualquer coisa.

Desde que seu pai permanecesse na Grande Câmara até bem depois da meia-noite.

Escorregando entre os toneis e barris em suas roupas escuras, ela se sentiu como uma sombra liberada do banquete interminável lá em cima, as brincadeiras educadas, da Rainha de lábios vermelhos intimidantes enjoativos, do jeito como agarrou a mão de Claudia e segurou-a com tanta força, excitando-se com o quanto elas seriam tão felizes, os palácios que iriam construir, as caçadas, as danças, os vestidos. Caspar tinha fechado a cara para ela, bebendo muito vinho e fugindo tão logo pode para encontrar alguma serviçal. E seu pai, sério e equilibrado em sua sobrecasaca preta e botas brilhantes, havia encontrado seu olhar uma vez através da longa mesa, um ligeiro olhar entre as velas e flores.

Ele adivinhou que ela tinha algum plano?

Não havia tempo para preocupar-se agora. Quando se abaixou sob uma barreira de teia de aranha, ajeitou-se em uma figura alta e quase gritou com o choque.

Ele a segurou. “Desculpe, Claudia.”

Jared vestia roupas escuras também. Ela olhou para ele. “Deus, você me deu um susto! Você tem tudo?”

“Sim.” Ele estava pálido, seus olhos com sombras escuras.

“Seus remédios?”

“Tudo.” Ele forçou um fraco sorriso. “Qualquer um pensaria que eu era o discípulo aqui.”

Ela sorriu de volta, querendo animá-lo. “Vai dar tudo certo. Temos que olhar, Mestre. Temos que ver o Lado de Dentro.”

Ele balançou a cabeça. “Depressa então.”

Ela o levou pelos corredores abobadados. Esta noite os tijolos pareciam mais úmidos que antes, as exalações das paredes salgadas um ar fétido que nublava suas respirações.

O portão parecia maior, e quando ela se aproximou dele, Claudia viu que as correntes estavam transversalmente para trás, cada elo de metal mais grosso que seu braço. Mas foram as lesmas que a fizeram tremer: criaturas grandes e gordas, suas trilhas prateadas cruzando a condensação sobre o metal como se tivessem sido criados aqui por séculos.

“Eca.” Ela tirou uma; saiu com um plop suave e ela jogou-a para baixo. “É isso. Ele colocou uma combinação na fechadura.”

A águia Havaarna abriu as asas largas. No globo que a mantinha havia sete pequenas depressões circulares; ela estava prestes a tocá-las quando Jared segurou seus dedos.

“Não! Se a combinação errada for usada, alarmes vão tocar. Ou pior, podemos ser presos em uma armadilha. Isso deve ser feito com cuidado, Claudia.”

Ele pegou o scanner pequeno e começou, muito gentilmente, a fazer leituras e ajustá-las, contraindo entre as correntes enferrujadas.

Impaciente, ela foi, verificou o porão, voltou.

“Depressa, Mestre.”

“Não posso apresar isso.” Ele estava absorto, seus dedos se movendo suavemente.

Após longos minutos, ela estava quase doente de impaciência. Ela tirou a Chave, e olhou por cima de suas costas. “Você acha que...?”

“Espere, Claudia, estou quase certo do primeiro número.”

Poderia levar horas. Havia um disco na porta; brilhava um bronze esverdeado, ligeiramente mais brilhante que o metal ao redor. Sobre a cabeça dela, ela estendeu a mão e deslizou para o lado.

Um buraco de fechadura.

Modelado como o cristal, hexagonal.

Ela estendeu a mão e encaixou a Chave nele.

Instantaneamente ela pulou para fora de seus dedos.

Com um grande estalo que a fez gritar e fez Jared pular para trás em pavor, a Chave girou por si só. Correntes desabaram. Ferrugem caiu. O portão estremeceu entreaberto.

Arrastando-se para cima, Jared foi freneticamente verificar todos os alarmes; ele engasgou, “Claudia, isso foi tão estúpido!” mas ela não se importou, estava rindo porque estava aberto, o portão, a Prisão. Ela tinha aberto Incarceron.

A última corrente deslizou.

O porão se envolveu com os ecos.

Jared esperou até que cada último suspiro de ruído foi silenciado.

“Bem?” ela perguntou.

“Ninguém vindo. Tudo está normal.” Ele limpou o suor da testa com uma mão.

“Devemos estar muito baixo para eles ouvirem. Mais do que merecemos, Claudia.”

Ele deu de ombros. “Eu mereço encontrar Finn. E ele merece ser livre.”

Olharam para a fenda escura, esperando. Ela meio que esperava uma multidão de prisioneiros explodir de lá.

Mas nada aconteceu, então ela deu um passo à frente e abriu o portão.

E olhou para o Lado de Dentro.

Eu me lembro da história de uma garota no Paraíso que comeu uma maça que Algum sábio Sapiente deu a ela. Por causa disso ela viu algumas coisas diferentes. O que tinha parecido moedas de ouro eram folhas mortas. Ricas roupas eram trapos esfarrapados. E ela viu que havia um muro ao redor do mundo, com um portão trancado.

Eu estou ficando fraco. Os outros estão todos mortos. Eu terminei a chave, mas não mais ouso usá-la.

—Diário de Lorde Callister

Era impossível. Ela estava em pé congelada, sentiu a esperança romper-se dentro dela. Ela esperou corredores escuros, um labirinto de celas, passagens de pedras com ratos correndo e umidade. Não isto.

Atrás de sua estranha entrada inclinada a sala branca era uma perfeita cópia da sala de estudos de seu pai. Suas máquinas zumbindo eficientemente, sua única escrivaninha e cadeira estavam organizadas na faixa de luz do teto.

Ela soltou um sopro de desespero. “É exatamente a mesma!”

Jared estava examinando cuidadosamente. “O Diretor é uma homem de gosto meticulosos.” Ele abaixou o dispositivo e ela viu pelo seu rosto que ele estava tão atordoado quanto ela estava.

“Claudia, agora que o portão está aberto, eu posso dizer que não há Prisão abaixo de nós, no labirinto subterrâneo. Esta sala é tudo o que há.”

Consternada, ela balançou sua cabeça. Então ela entrou.

Imediatamente ela sentiu o mesmo efeito de antes; aquele peculiar nublado e produzindo aquele som seco pelo choque de dois objetos, o chão parecendo nivelar-se sob seus pés, as paredes elevarem-se retas, até mesmo o ar pareceu diferente na sala, mais frio e mais seco, não as úmidas emanações dos porões.

Virando-se, ela observou Jared.

“Agora isso foi muito estranho,” ele disse. “Aquilo foi uma mudança espacial.

Como eu disse antes, como se a sala e o porão não estão completamente... próximos.”

Ele deu um passo em sua direção, e ela viu como seus olhos escuros se arregalaram.

Mas ela estava quase doente demais com a decepção para preocupar-se.

“Por que fazer uma cópia de sua sala de estudos aqui?” Ela aproximou-se e recuou a escrivaninha zangada. “Não parece mais usada do que a outra!”

Jared olhou ao redor, fascinado. “É exatamente a mesma?”

“Em cada único detalhe.” Ela inclinou-se na escrivaninha e disse a senha para Incarceron e a gaveta rolou aberta. Dentro, como ela tinha esperado, estava a Chave de cristal a imagem se sua própria. “Ele mantem uma Chave em casa e uma aqui. Mas a Prisão é em algum outro lugar.”

A amargura em sua voz fez Jared dar-lhe um olhar preocupado e então voltou para seu lado.

Calmamente ele disse, “Não atormente a si mesma...”

“Eu disse a Finn que tinha achado uma forma de entrar!” Desgostosa, ela virou-se e abraçou a si mesma. “E o que nós vamos fazer agora? Amanhã vou estar casada com Caspar ou executada por traição.”

“Ou você vai ser Rainha,” ele disse.

Ela olhou para ele. “Ou Rainha. Depois de um banho de sangue que vai assombrar-me para sempre.”

Ela afastou-se e olhou para as máquinas de prata zumbindo. Atrás dela, ela ouviu Jared dizer, “Bem, pelo menos...”

Ele parou.

Quando ele não terminou a sentença ela virou-se, viu ele curvado sobre a gaveta aberta com a Chave dentro. De repente ele endireitou-se e olhou para sua lateral. Quando ele falou sua voz estava rouca com excitação.

“Isto não é uma cópia. É a mesma sala.”

Ela o encarou.

“Olhe, Claudia. Venha e olhe.”

A Chave. Ela está sobre o veludo preto e ele a alcançou e a tocou, e para seu espanto ela viu como seus dedos passaram através da imagem dentro do suave e felpudo tecido abaixo. Era uma holoimagem.

A holoimagem que ela tinha colocado lá.

Ela recuou, procurando em volta. Então calmamente, ela afundou e raspou ao redor da cadeira as pernas. “Se é a mesma sala, há uma...” Ela engasgou, então pulou com um murmúrio de confusão. Ela segurava um pedaço muito pequeno de metal. “Isto estava disposto bem ali antes!

Mas como? Como pode estar na mesma sala? Aquela estava na casa. Milhas de distância.” Ela olhou para a porta aberta, o sombrio porão do Palácio além dele.

Jared parecia ter esquecido seu medo. Seu rosto estreito estava iluminado, ele pegou o pedaço de metal e olhou com atenção, então deslizou uma pequenina bolsa de seu bolso e fechou o objeto dentro. Ele dirigiu-se ao exame na cadeira. “Há alguma coisa estranha bem aqui. A fenda espacial pareceu mais forte.” Ele fez uma careta de frustração.

“Ah, se nós somente tivéssemos melhores instrumentos, Claudia! Se os Sapienti não tivessem sido tão obstruídos pelo Protocolo todos esses anos!”

“Você percebeu,” ela disse, “como a cadeira está fixada no chão?”

Ela não tinha visto isso antes, mas haviam pedaços de metal para mantê-la na posição. Ela caminhou ao redor dela. “E por que aqui? É tão longe da escrivaninha. Há apenas aquela luz acima.”

Eles olharam para cima para aquilo. Uma estreita luz levemente azul caindo sobre a cadeira e nada mais. Mal brilhava o suficiente para ler.

Um pensamento frio a arrepiou. “Mestre... este não é um local de tortura, é?”

Ele não respondeu de início, então ela ficou grata por seu tom comedido. “Eu duvido. Não há encarceramento, nem sinais de violência. Você acha que seu pai necessitaria usar tais dispositivos?”

Ela não queria responder isso. Em lugar ela disse, “Nós vimos tudo o que nós pudemos. Vamos sair.” É passado da meia-noite. Seu corpo todo estava ouvindo por passos.

Ele assentiu, relutante. “E ainda essa sala guarda segredos, Claudia, o que eu iria dar no mundo para descobrir. Talvez seja uma passagem. Talvez nós não estamos vendo o que há.”

“Jared. Isso é suficiente.”

Ela cruzou a porta e andou através. O porão estava silencioso e sombrio. Todos os alarmes estavam seguros no lugar. E ela ainda ficou repentinamente balançada por terrores; aquelas figuras sombrias estavam observando, aquela Cópia existia, aquilo que seu pai mantinha nas sombras onde ela tinha estado, aquele portal de bronze iria fechar com força repentinamente e Jared ficou preso dentro. Ela arrastou-o para fora tão depressa que ele quase caiu.

Pegando a Chave, ela puxou-a para fora do buraco da fechadura, observando como instantaneamente o portal juntava-se de volta com muito pouco tinido, as correntes unindo-se por si mesma no lugar, os caracóis continuando seu rígido progresso viscoso para fora das asas desgastadas da águia.

Ela ficou em silêncio enquanto ela seguia a figura escura do Sapiente através dos barris empilhados, silenciados pelo desapontamento e amargo fracasso. O que Finn pensaria dela agora?

Como Keiro iria rir em desdém e aquela garota iria sorrir afetadamente. E para si mesma, um dia de liberdade desperdiçado.

No topo da escada, ela parou com o puxão de Jared em suas mangas. “Nós devemos voltar separadamente, Mestre. Nós não devemos ser vistos juntos.”

Ele assentiu e no escuro ela achou que ele corou um pouco. “Você vai primeiro.

Tome cuidado.”

Ela não se moveu, sua voz sombria. “Está tudo acabado, não está? Todas as coisas terminaram.

Finn vai apodrecer naquele lugar para sempre.”

Jared recostou-se no pilar e inspirou profundamente. “Não se desespere, Claudia.

Incarceron está perto. Eu estou certo disso.” Ele tirou alguma coisa de seu bolso e, para sua surpresa ela viu que era uma pequena lâmina de metal do chão em sua embalagem de plástico.

“O que é isso?”

“Eu não tenho ideia. Eu vou usar a torre do Sapiente aqui e tentar algumas investigações amanhã.”

“Que sorte.” Ela virou-se azedamente. “Tudo o que eu tenho que tentar é o meu vestido de noiva.”

Ela estava indo antes que ele pudesse responder, deslizando até as escadas dentro do corredor à luz de velas, o silêncio da meia-noite e os sussurros do Palácio.

Jared virou o pequeno pedaço entre as pontas de seus dedos.

Ele empurrou de volta seus cabelos úmidos e respirou muito de lentamente.

Por um momento, a estranheza da sala o tinha feito esquecer a dor. Agora ela voltou pior, como se para puni-lo.

***

Por horas eles não viram nada de Blaize. Ele pareceu sumir, mas Finn não tinha ideia para onde.

“Há uma parte dessa torre que nós não encontramos ainda,” Keiro murmurou, “e essa é a forma de sair.” Ele deitou na cama olhando para o teto branco. “E essa conversa fiada sobre os livros— eu não acredito em uma palavra disso.”

Blaize tinha rido de suas questões sobre os registros da Prisão. “Esta torre estava vazia e possivelmente foi feita somente para estes livros, para estarem guardados aqui,” ele tinha dito, passando o pão mais adiante na mesa naquela noite. “Eu achei o lugar e gostei dele, então eu entrei. Eu garanto a você não tenho ideia de como as imagens chegaram a ser armazenadas aqui, e nem tempo nem disposição para olhá-las.”

“Mas você se sente seguro aqui,” Gildas murmurou.

“Eu estou seguro. Ninguém pode alcançar-me. Eu removi todos os Olhos e os Besouros não podem entrar. É claro, Incarceron tem muitas formas de observar e eu estou certamente sob observação, já que minhas imagens surgem nos livros provavelmente como as de qualquer outro.

Mas não no momento, entretanto, por causa do estranho de poder de sua Chave. No momento, todos nós estamos invisíveis.” Ele tinha sorrido então, em seguida esfregando as feridas em seu queixo. “Agora, se eu tivesse um dispositivo como esse, eu poderia aprender muito sobre ele. Eu suponho que você não iria considerar se separar dele?”

“Ele quer isso.” Keiro sentou-se agora, rapidamente. “Você viu como ele pareceu quando Gilda riu dele? Havia uma frieza em seu rosto, em seguida, um brilho de alguma coisa. Ele quer a Chave.”

Finn sentou-se no chão, joelhos juntos. “Ele nunca vai consegui-la.”

“Onde ela está?”

“Segura, irmão.” Ele deu um tapinha em seu casaco.

“Bom.” Keiro deitou de volta. “E mantenha sua espada contigo. Este Sapiente miserável deixa-me inquieto. Eu não gosto dele.”

“Attia diz que nós somos seus prisioneiros.”

“Aquela pequena cadela.” Mas o comentário de Keiro era preocupado; enquanto Finn assistiu ele rolar para fora da cama e levantar-se, pegando um rápido olhar de si mesmo no vidro polido da janela. “Mas não se preocupe, irmão. Keiro tem um plano.”

Ele puxou seu casaco e saiu, espreitando cautelosamente ao redor da porta.

Sozinho, Finn puxou a Chave fora e olhou ela. Attia estava dormindo e Gilda estava impacientemente examinando os livros, do mesmo modo que ele pareceu ter estado fazendo desde que eles vieram para cá. Silenciosamente, Finn fechou a porta e colocou suas costas contra ela. Então ele ativou a Chave.

Ela acendeu rapidamente.

Ele viu um quarto cheio com roupas e havia luz lá que fez seus olhos picarem, luz do sol através da janela. Do outro lado do círculo da Chave estava uma grande e pesada cama de madeira, suspensa, uma parede de painéis esculpidos. Então, sem fôlego, Claudia.

“Você deve me dar mais aviso! Eles poderiam ter visto você!”

“Quem?” Ele perguntou.

“As criadas, a costureira. Pelo amor de Deus, Finn!”

Ela estava com o rosto vermelho, seu cabelo desgrenhado. Ele percebeu que ela estava usando um vestido branco, o corpete elaborado com pérolas e rendas. Um vestido de casamento.

Por um momento ele não tinha ideia do que dizer. Em seguida, ela sentou-se próxima a ele, agachando no chão espalhando a saia em um movimento rápido no chão.

“Nós falhamos. Nós abrimos o portal, mas ele não levou Incarceron, Finn. Foi tudo um estúpido erro. Tudo o que eu encontrei foi à sala de estudos do meu pai.” Ela soou desgostosa consigo mesma.

“Mas seu pai é o Diretor,” ele disse lentamente.

“O que quer que isso signifique.” Ela fez uma careta.

Ele balançou a cabeça. “Eu desejo que eu pudesse lembrar de você, Claudia. Você, o lado de fora, tudo o mais.” Ele olhou para cima. “E se eu não for realmente Giles? Aquela pintura... Eu não pareço como aquilo. Eu não sou aquele menino.”

“Você foi uma vez.” Sua voz era teimosa; ela contorceu-se para encará-lo, a seda farfalhando.

“Olhe, tudo o que eu quero é não casar com Caspar. Uma vez que você for salvo, uma vez que você estiver livre, então o nosso compromisso... Bem, ele não terá que acontecer, isso é tudo.

Attia estava errada; não é apenas sobre mim sendo egoísta.” Ela sorriu ironicamente. “Onde ela está?”

“Dormindo. Eu acho.”

“Ela está gostando de você.”

Ele deu de ombros. “Nós a resgatamos. Ela está agradecida.”

“É isso que você chama?” Ela olhou para frente para o nada. “As pessoas amam umas às outras em Incarceron, Finn?”

“Se ele o fazem, eu não tenho visto nada disso.” Mas então ele pensou na Maestra, e sentiu-se envergonhado. Houve um silêncio constrangedor. Claudia podia ouvir as criadas tagarelando na câmara próxima; podia ver atrás de Finn um pequeno quarto com uma janela congelada, através da qual cintilava um ofuscado e artificial crepúsculo.

E havia um cheiro. Enquanto ela percebia, ela inspirou com severidade, tanto que ele olhou para ela. Um desagradável cheiro de mofo, metal e suor, o ar que foi preso e reciclado infinitamente.

Ela remexeu-se em seus joelhos.

“Eu posso sentir o cheiro da Prisão!”

Ele olhou. “Não há cheiro. Além disso, como—”

“Eu não sei, mas eu posso!”

Ela pulou e correu para fora de sua vista, voltou com uma pequena garrafa de vidro que ela destampou e pulverizou levemente na luz do sol.

Minúsculas gotas brilharam no pó.

E Finn gritou, porque o cheiro dele era rico e forte e cortou dentro de sua memória como uma faca; ele juntou suas mãos em cima de sua boca e respirou de novo e de novo, fechando seus olhos, forçando-se a pensar.

Rosas. Um jardim de rosas amarelas.

Uma faca cortando um bolo e ele foi empurrando para baixo, cortando ele, era fácil e ele estava sorrindo. Migalhas em seus dedos. O sabor doce.

“Finn? Finn!” A voz de Claudia o trouxe de volta da distância infinita. A secura estava em sua boca, o formigamento de aviso em sua pele. Ele estremeceu, forçando a si mesmo a ficar calmo, respirar devagar, deixou um suor frio em sua testa.

Ela estava próxima a ele. “Se você pode sentir isso, as gotas devem estar viajando para você, elas não devem? Talvez você possa tocar-me agora. Tente, Finn.”

Sua mão estava perto. Ele colocou a sua própria mão ao redor dela, fechando seus dedos.

Eles atravessaram através das dela e nada havia, nem um calor, nem uma sensação.

Ele voltou a sentar e eles ficaram em silêncio.

Finalmente ele disse, “Eu tenho que sair daqui, Claudia.”

“E você vai.” Ela ajoelhou-se, seu rosto feroz. “Eu juro para você, eu não vou desistir. Se tiver que ir para meu pai e pedir a ele de joelhos, eu vou fazer isso.” Ela virou-se. “Alys está chamando.

Espere por mim.”

O círculo ficou escuro.

Ele sentou-se aconchegado ali até que ele ficou rígido e o quarto ficou insuportavelmente sozinho; então ele se levantou, deslizou a chave dentro de seu casaco, e saiu, descendo os degraus dentro da livraria, onde Gilda estava marchando irritadamente para frente e para trás.

Blaize o observou através da mesa com comida espalhada. Quando ele viu Finn, o magro Sapiente ficou em pé.

“Nossa última refeição juntos,” ele disse, estendendo a mão.

Desconfiado, Finn olhou para ele. “Então o quê?”

“Em seguida, eu levarei todos vocês para um lugar seguro e deixarei vocês prosseguirem sua jornada.”

“Onde Keiro está?” Gildas vociferou.

“Eu não sei. Então você irá simplesmente nos deixar ir?”

Blaize olhou para ele, seus olhos cinza calmos. “É claro. Meu objetivo foi unicamente sempre ajudar vocês. Gildas persuadiu-me que você precisa viajar.”

“E a Chave?”

“Eu devo ficar sem ela.”

Attia estava sentada à mesa, suas mãos fechadas juntas.

Capturando o olhar de Finn, ela encolheu ligeiramente os ombros. Blaize levantou-se. “Eu vou deixar você fazer seus planos. Aprecie sua refeição.”

No silêncio depois que ele tinha ido, Finn disse “Nós o julgamos mal.”

“Eu ainda acho que ele é perigoso. Se ele é um Sapiente, por que ele não cura aquela varicela que ele tem?”

“O que você sabe do Sapiente, garota ignorante?” Gildas rosnou.

Attia roeu sua unha, enquanto Finn alcançou uma maçã, cortou-a ao meio e a mordeu. “Eu testo sua comida,” ela disse incertamente. “Lembra-se?”

Ele ficou zangado. “Eu não sou o Senhor da Ala. Você não é minha escrava.”

“Não, Finn.” Ela inclinou-se sobre a mesa. “Eu sou sua amiga. Isso significa muito mais.”

Gildas sentou-se. “Alguma notícia de Claudia?”

“Eles falharam. O portal não levou a lugar algum.”

“Como eu pensei.” O velho homem balançou a cabeça fortemente. “A garota é esperta, mas nós não devemos esperar por ajuda deles. Nós devemos seguir Sapphique sozinhos. Agora, há uma história que conta como...”

Sua mão alcançou a fruta, mas Finn a agarrou. Seus olhos estavam fixos em Attia; ela meio levantou, e de repente asfixiou-se, o talo da maçã caindo de seus dedos. Quando ele a puxou em sua direção e a pegou, ela caiu, seus dedos correndo para sua garganta.

“A maçã,” ela ofegou. “Está me queimando!”

Você escolheu imprudentemente. Eu tinha advertido antes.

Ela é esperta demais e você subestima o Sapiente.

—Rainha Sia para o Diretor; carta particular.

“Está envenenada!” Finn subiu sobre a mesa e agarrou-a; ela sufocou, agarrando os seus braços.

“Faça alguma coisa!”

Gildas o empurrou para o lado. “Pegue minha bolsa de medicamentos. Rápido!”

Levou preciosos segundos para ele encontrá-la, e pelo tempo que ele voltou Gildas tinha Attia deitada ao seu lado, contorcendo-se em dor. O Sapiente agarrou a bolsa e correu em direção a ela, então ele puxou a tampa fora de um pequeno frasco e o segurou em seus lábios. Attia lutou.

“Ela está sufocando,” Finn murmurou, mas Gildas apenas xingou, forçando-o nela para que ela bebesse e tossiu e convulsionou.

Então, com um som horrível e torturante ela passou mal.

“Bom,” Gildas disse calmamente. “É isso.” Ele a segurou bem apertado, seus dedos velozmente sentindo seu pulso, a pele fria e úmida de sua testa. Ela estava passando mal novamente, e então desmoronou para baixo, seu rosto branco e manchado.

“Ele saiu? Ela está bem?”

Mas Gildas ainda estava carrancudo. “Frio demais,” ele murmurou. “Consiga um cobertor.” Então, “Feche a porta e vigie ela. Se Blaize vier, mantenha-o fora.”

“Por que ele iria...?”

“A Chave, garoto tolo. Ele quer a Chave. Quem mais poderia ter feito isso?”

Attia gemeu. Ela estava tremendo agora, um estranho azulado em seus lábios e sob seus olhos.

Ele obedeceu, batendo a pesada porta.

“Ele saiu dela?”

“Eu não sei. Eu penso que sim. Pode ter entrado na corrente sanguínea quase que imediatamente.”

Finn olhou para ele em consternação. Gildas sabia sobre os venenos; as mulheres do Comitatus tinham sido especialistas, e Gildas não tinha nada contra aprender com elas.

“O que mais podemos fazer?”

“Nada.”

A porta estremeceu; bateu no ombro de Finn e ele virou, puxando sua espada com um golpe feroz. Keiro ficou parado.

“O que é....?” Seus olhos rápidos captaram o acontecimento. Ele disse, “Veneno?”

“Alguma coisa corrosiva.” Gilda observava a garota tentando vomitar sem êxito e contorcendo-se. Ele se levantou de vagar, resignado. “Não há nada que eu possa fazer.”

“Tem que haver!” Finn empurra-se para o lado. “Eu podia ter comido aquilo! Podia ter sido eu!”

Ele ajoelhou-se próximo a ela, tentando suspendê-la, fazê-la mais confortável, mas ela balbuciou de dor o fazendo parar. Ele sentiu furioso e impotente. “Nós temos que fazer alguma coisa!”

Gildas agachou-se perto dele. Suas palavras duras cortando através dos lamentos.

“É ácido, Finn. Seu sistema interno já deve estar queimado, seus lábios, sua garganta. Será muito em breve.”

Finn olhou para Keiro.

“Nós vamos,” seu irmão disse. “Agora mesmo. Eu descobri onde eles mantêm o navio.”

“Não sem ela.”

“Ela está morrendo.” Gilda o forçou a olhar. “Nada pode ser feito. Seria preciso um milagre e eu não tenho um.”

“Então nós salvamos a nós mesmos?”

“É o que ela iria querer.”

Eles tinham segurando ele, mas ele se soltou e ajoelhou-se perto dela. Ela ainda estava e parecia estar mal respirando, os hematomas desaparecendo em sua pele clara. Ele tinha visto a morte, ele estava acostumado à morte, mas toda sua alma revoltou-se contra isso, e a vergonha que ele tinha sentido da traição vinda de volta da Maestra e varreu sobre ele parecendo inflamá-lo, como se ela iria esmagá-lo. Ele abafou de volta suas as palavras, sabendo que lágrimas estavam enchendo seus olhos.

Se precisava um milagre, Attia conseguiria um.

Ele saltou para cima e virou-se para Keiro, agarrando as suas mãos. “Um anel. Dê-me outro dos anéis.”

“Agora espere um minuto.” Keiro puxou de volta.

“Dê para mim!” Sua voz era um ruído estridente; ele levantou a espada. “Não me faça usar isso, Keiro. Você ainda tem um sobrando.”

Keiro estava calmo. Seus olhos azuis deram uma olhada para Attia enquanto ela se enrolava em agonia. Então ele olhou para trás. “Você acha que vai funcionar?”

“Eu não sei! Mas nós podemos tentar.”

“Ela é uma garota. Ela não é ninguém.”

“Um para cada um, você disse. Eu estou dando o meu para ela.”

“Você já teve o seu.”

Por um momento eles encararam um ao outro, Gildas observando. Então Keiro puxou um dos anéis fora das articulações de seus dedos e olhou para baixo. Sem palavras, ele atirou-o para Finn.

Finn pegou-o, derrubou a espada, e agarrou os dedos de Attia, empurrando o anel nele; ele era grande demais para ela, enquanto ele o segurava lá, rezando sob sua respiração, para Sapphique, para o homem cuja vida era o anel, para qualquer um. Gildas agachou-se atrás dele, profundamente cínico.

“Nada está acontecendo. O que deve acontecer?”

O Sapiente fez uma carranca. “Isso é superstição. Você mesma a desprezou.”

“Sua respiração. Está desacelerando.”

Gilda sentiu seu pulso, tocando as cicatrizes sujas onde as algemas tinham estado.

“Finn. Aceite. Não há...” Ele parou. Seus dedos apertaram, sentiram de novo.

“O quê? O que—”

“Eu pensei... O pulso parece mais forte...”

Keiro disse, “Então apanhem ela! Tragam ela. Mas vamos!”

Finn atirou-lhe a espada, agachou, e pegou Attia.

Ela era tão leve, ele podia carregá-la facilmente, apesar de sua cabeça recostou-se contra ele.

Keiro já tinha a porta aberta e estava olhando para fora. “Por aqui. Fiquem quietos.”

Ele os levou para fora.

Eles correram ao encontro de uma escada empoeirada de cordas em espiral para o alçapão; Keiro de volta e puxando a si mesmo dentro da escuridão, arrastando Gildas rapidamente atrás dele.

“A garota.”

Finn a passou para cima. Então olhou para trás.

Na escadaria um estranho zunir parecia ondular no ar. Ele cresceu ameaçadoramente através dele e ele subiu apressadamente, correndo para cima e batendo o alçapão para baixo. Keiro estava lutando com uma grade na parede, Gildas segurando-a com força com suas mãos enojadas.

Os olhos de Attia pestanejaram, então abriram.

Finn olhou a fixamente. “Você devia estar morta.”

Ela balançou sua cabeça, em silêncio.

A grade saiu da parede com um pancada intensa, atrás ele viu um grande salão escuro, e no centro, amarrado com uma corda ao chão por um cabo de ferro, o navio de prata, flutuando livremente. Eles correram, Finn com o braço de Attia sobre seus ombros, pequenas figuras sobre um liso piso cinza, vulneráveis e expostos, como ratos sob o amplo olhar de uma coruja, porque no teto acima deles projetava-se uma grande tela iluminada, e Finn olhou para cima e ela mostrava para ele um olho. Não os pequenos Olhos vermelhos que ele conhecia, mas um olho humano, uma íris cinza, ampliada enormemente, como se ela olha-se dentro de um potente microscópio.

Então uma agitação no ar veio através do chão e atirou todos eles fora de seis pés, a Prisão tremeu isso fez a fina agulha da bússola do Sapiente a fortaleza vibrou até seu topo.

Keiro rolou e saltou para cima. “Aqui.”

Um vislumbre da escada de cordas feita a mão pairava para baixo. Gildas agarrou-a e começou a subir, balançando sem jeito, embora Keiro segurasse o final firmemente.

Finn disse, “Você pode chegar lá em cima?”

“Eu penso que sim.” Attia empurrou o cabelo de seu rosto. Ela ainda estava mortalmente pálida, mas o azulado estava diminuindo. Ela parecia ser capaz de respirar.

Ele olhou para baixo para seus dedos.

O anel estava encolhido. Um fino aro, ele rompeu-se quando ela agarrou a corda; finos fragmentos caíram imperceptíveis. Finn tocou um com seu pé. Ele parecia como osso.

Osso velho, ressecado.

Atrás deles, o alçapão retiniu aberto. Finn virou; ele sentiu Keiro passar de volta sua espada e desembainhar a sua própria.

Juntos, eles encararam o quadrado negro de escuridão.

***

“E então está tudo pronto para amanhã.” A Rainha colocou o último dos papéis sob o couro vermelho da escrivaninha e recostou-se, colocando as pontas de seus dedos juntas.

“O Diretor tem sido tão generoso. Que dote, Claudia. Propriedades rurais inteiras, um cofre de joias, doze cavalos negros. Ele deve amar muito você.”

Suas unhas foram pintadas de ouro. Ele era provavelmente real, Claudia pensou.

Ela pegou um dos documentos e o olhou, mas tudo o que ela ficou ciente foi de Caspar, caminhando para cima e para baixo no rangente chão de madeira.

Rainha Sia olhou ao redor. “Caspar, fique quieto.”

“Eu estou entediado e tenso.”

“Então vá cavalgar, querido. Ou importunar um texugo, ou o que quer que seja que você faz.”

Ele virou. “Certo. Boa ideia. Vejo você, Claudia.”

A Rainha levantou uma sobrancelha perfeita. “Dificilmente este é o modo que o Herdeiro fala com sua noiva, meu lorde.”

No meio do caminho para a porta ele parou e voltou. “Protocolo é para os servos, Mãe. Não nós.”

“Protocolo nos mantém no poder, Caspar. Não esqueça isso.”

Ele sorriu e fez uma reverência baixa e elaborada para Claudia, então beijou sua mão. “Vejo você no altar, Claudia.” Ela levantou e fez uma reverência friamente.

“Certo. Agora eu estou fora.”

Ele bateu a porta e elas puderam ouvir o baque de suas botas corredor abaixo.

A Rainha inclinou-se sobre a mesa. “Eu estou tão contente que nós tenhamos esse pouco tempo sozinhas, Claudia, porque eu tenho algumas coisas para dizer. Eu sei que você não vai se importar, minha querida.”

Claudia tentou não franzir as sobrancelhas, mas seus lábios apertaram. Ela queria escapar, encontrar Jared. Eles tinham tão pouco tempo!

“Eu mudei minha opinião. Eu pedi ao Mestre Jared para deixar a Corte.”

“Não.”

Estava dito antes que ela pudesse parar a si mesma.

“Sim, querida. Depois do casamento, ele irá retornar para a Academia.”

“Você não tem o direito...” Claudia estava de pé.

“Eu tenho todo o direito.” O sorriso da Rainha era doce e mortal. Ela inclinou-se para frente.

“Vamos entender uma a outra. Há somente uma Rainha aqui. Eu vou ensinar você, mas eu não vou tolerar nenhuma rival. E você e eu necessitamos entender isso, porque nós somos iguais, Claudia. Homens são fracos; mesmo seu pai pode ser governar, mas você tem sido educada para ser minha sucessora. Espere seu tempo. Você pode aprender muito comigo.” Ela inclinou-se para trás, seus dedos tamborilando os papéis.

“Sente-se, minha querida.”

Havia uma dura ameaça nas palavras. Claudia sentou devagar. “Jared é meu amigo.”

“De agora em diante, eu serei sua amiga. Eu tenho muitos espiões, Claudia. Eles contam-me muito. Isto realmente vai ser para o melhor.”

Ela alcançou e deu uma batida no sino; um servo veio de imediata, de peruca empoeirada e uniforme. “Diga ao Diretor que eu o aguardo.”

Quando ela tinha ido ela abriu uma caixa de doces de menta e levou um momento para escolher um, então os ofereceu para Claudia com um sorriso.

Entorpecida, Claudia balançou a cabeça. Ela sentiu-se como se ela tivesse pegado uma bela flor e encontrado ela apodrecida completamente por dentro, fervilhando vermes.

Ela percebeu que nunca tinha pensado seriamente em Sia como um perigo. Seu pai sempre tinha sido o único a temer. Agora ela perguntou quão errada ela estava.

Sia a observava, seus lábios vermelhos em um pequeno sorriso. Ela os secou com um lenço rendado. E então as portas foram lançadas abertas, ela inclinou-se para trás na cadeira e balançou seu braço para cima e para o lado. “Meu querido Diretor, o que prendeu você?”

Ele estava corado.

Claudia percebeu isso ao mesmo tempo, por meio do atropelo de sua consternação.

Ele nunca se apressava, porém agora seu cabelo estava realmente um pouco torto, seu casaco escuro desbotado no topo.

Ele fez uma reverência gravemente, mas sua voz era um fio da falta de ar. “Eu sinto muito, minha senhora. Algo exigiu minha atenção.”

***

Nada veio através do alçapão.

Finn disse, “Levante a escada.”

Continuar: parte 2 de 4