Incarceron
“Com Jared como testemunha.”
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
“Chantagem, Mestre Sapiente. Seu filho era para ser o único a se casar com Claudia.
Se eu não tivesse concordado, ela me ameaçou dizer a Claudia publicamente quem ela era, a desgraçaria diante de todo o reino. Eu não teria suportado isso.”
Por um momento, houve uma distância melancólica entre eles, uma quietude. Então ele levantou o rosto e viu que o olhar de Jared e seu rosto estavam gélidos. “Não sinta pena de mim, Mestre.
Isso é algo do qual não preciso.” Ele se levantou. “Eu sei que ela entrou em Incarceron. Por este Finn. Não há nada para você trair. E ela tomou a chave.”
Ele riu amargamente. “E já que ela a tomou, não há forma de sair sem ela.”
De repente, ele andou até a porta. “Siga-me.”
Jared levantou assustado, lutando contra um caco de medo, mas o Diretor saiu para o corredor e acenou para os guardas, impaciente. Os homens entreolharam-se.
Um deles disse inquieto: “Senhor, a Rainha emitiu ordens para ficarmos com você.
Para sua proteção.”
O diretor acenou com a cabeça lentamente. “Minha proteção. Vejo. Então, por favor, permaneçam aqui e guardem esta porta depois de eu entrar. Não permitam que ninguém nos siga para baixo.”
Antes que pudessem argumentar ele tinha aberto uma porta escondida nos lambris e liderou o caminho abaixo alguns degraus úmidos nos porões. Até a metade, Jared olhou para trás. Os homens estavam observando curiosamente através da fenda.
“Parece que a Rainha suspeita de mim também.” O Diretor disse calmamente. Ele tirou uma lanterna da parede e acendeu a vela dentro dela. “Nós teremos que trabalhar rápido. O escritório, que você sem dúvida notou, é a mesma sala aqui como em casa. Um espaço entre o meio caminho do mundo e a Prisão, um Portal, como o inventor Martor chama.”
“Os escritos de Manor estão perdidos,” Jared disse, correndo atrás dele.
“Eu os tenho. Eles estão classificados.” Sua silhueta escura desceu rapidamente, segurando a lanterna alta, suas sombras piscando no muro. Ele olhou de volta para o espanto de Jared e se permitiu um sorriso. “Você nunca vai vê-los, Mestre.” Entre os cascos as trevas eram profundas; muito acima, as vozes dos guardas pareciam sussurrar em confusão.
No portão de bronze, ele digitou a combinação rapidamente. O portão abriu e estremeceu enquanto eles passaram, Jared sentiu aquele arrepio estranho de deslocamento que ele havia sentido antes.
O quarto branco se ajustou. Tudo estava exatamente como ele havia deixado. Ele teve uma súbita pontada de ansiedade. Que estava acontecendo com Claudia? Ela estava segura?
“Você a enviou sem ideia do perigo.” O diretor agitou o painel de controle a apertou os sensores.
“Entrar na prisão é perigoso, física e psicologicamente.”
Prateleiras deslizaram para trás. A tela se iluminou.
Sobre ele, Jared viu mil imagens. Elas tremeluziam, um tabuleiro de xadrez de pequenos quadrados, de salas vazias, oceanos sombrios, torres de longe, cantos empoeirados. Ele viu uma rua cheia de pessoas, um antro medonho de crianças raquíticas, um homem batendo um bicho estranho, uma mulher carinhosamente amamentando um bebê. Desnorteado, ele intensificou as imagens baixas, observando elas piscando, a dor, a fome, as amizades improváveis, os negócios selvagens.
“Esta é a Prisão.” O Diretor encostou-se à mesa. “Todas as imagens vistas pelos Olhos. É a única maneira de encontrar Claudia.”
Jared sentiu uma terrível miséria embebê-lo. Na Academia o Experimento era considerado uma das glórias dos Sapienti antigos, o sacrifício nobre das últimas reservas mundiais de energia para salvar os irredimíveis, os pobres, os desprezados. E tinha terminado nisso.
O diretor observou-o, uma silhueta contra as imagens agitadas. “Você vê, Mestre, o que somente o Diretor já viu.”
“Por que não... Por que não fomos informados...?”
“Não há energia suficiente. Eles nunca podem ser trazidos de volta, todos aqueles milhares de pessoas. Eles estão perdidos para nós.” Ele tirou o relógio e deu a Jared, que o levou entorpecido e, em seguida, olhou para ele. O Diretor indicou o cubo de prata na corrente.
“Você é como um deus, Jared. Você segura Incarceron em suas mãos.”
Ele sentiu a dor dentro dele pulsar. Suas mãos tremeram. Ele queria largá-lo, dar um passo atrás, um passo de distância. O cubo era pequeno, ele tinha visto mil vezes a corrente do relógio e pouco notado, mas agora ele se encheu de admiração. Seria possível que contivesse as montanhas que ele viu, as florestas de árvores de prata, as cidades de pessoas esfarrapadas predando um do outro a pobreza? Sudorese, ele segurou-a firmemente e o Diretor disse suavemente, “Com medo, Jared? É preciso ter força para ver um mundo inteiro. Muitos dos meus antecessores nunca ousaram olhar. Eles escondem os seus olhos.” Um sino suave.
Ambos olharam para cima. A tela tinha parado de piscar; enquanto olhavam, as imagens começaram a piscar subitamente, e uma no canto direito inferior cresceu, pixel por pixel, até que encheu a tela inteira.
Era Claudia.
Jared colocou a corrente do relógio tremulamente sobre a mesa.
Ela estava falando com os prisioneiros. Ele reconheceu o garoto Finn, e o outro, Keiro, que estava encostado num muro de pedra, ouvindo. Gildas agachada nas proximidades; Jared viu uma vez que o velho ficou ferido, Attia ao lado dele.
“Você pode falar com eles?”
“Posso,” o Diretor disse. “Mas primeiro nós ouvimos.”
Ele ligou um interruptor.
De que serve uma chave entre um bilhão de prisioneiros?
—Diário de Lorde Calliston
“Ela tentou me impedir de achar você,” Claudia disse. Ela caminhou em direção a ele no corredor sombrio abaixo.
“Você nunca deveria ter vindo para dentro.” Finn sentia-se maravilhado. Ela estava tão fora de lugar, trazendo um perfume de rosas e um estranho ar refrescante que atormentava ele. Ele sentiu que queria arrancar aquele desejo de sua mente; em vez disso ele esfregou a mão sobre seus olhos cansados.
“Volte comigo agora.” Ela estendeu sua mão. “Vamos depressa!”
“Você apenas espere um minuto.” Keiro levantou. “Ele não vai a lugar algum sem mim.”
“Ou eu,” Attia murmurou.
“Todos vocês podem vir então. Deve ser possível.” Então seu rosto caiu.
Finn disse, “O que é?”
Claudia mordeu seu lábio. Ela de repente percebeu que não tinha ideia de como fazer isso. Não havia um portal desse lado, nem cadeira e nem painel de controle; ela simplesmente encontrou a si mesma numa cela vazia. E ela não sabia a forma de voltar para lá, mesmo se o lugar fosse importante.
“Ela não pode fazer isso,” Keiro disse. Ele voltou e olhou atentamente para ela, e apesar de irritá-
la, ela olhou calmamente de volta.
“Ao menos em tenho isso.” Ela pegou a chave de seu bolso e segurou-a fora. Eles viram que era idêntica à que eles conheciam, apesar de seu acabamento parecer melhor, a águia em sua perfeita imobilidade.
Finn colocou sua mão em seu bolso. Estava vazio. Alarmado, ele se virou.
“Está aqui, garoto tolo.” Gildas agarrou a parede e levantou-se. Ele estava cinza, seu rosto úmido.
Ele segurou a Chave tão firmemente em suas mãos nodosas que sua pele ao redor de suas juntas estava branca como os ossos por baixo.
“Você é realmente do Outro Lado?” ele suspirou.
“Eu sou, Mestre”. Ela caminhou em direção a ele e estendeu a mão para ele senti-la.
“E Sapphique Escapou. Jared descobriu o que ele tem seguidores do outro lado. Eles o chamam de Aquele de Nove Dedos.”
Ele balançou a cabeça e eles viram que havia lágrimas em seus olhos. “Eu sei disso.
Eu sempre soube que ele era real. Esse menino o viu em visões. Em breve eu vou ver ele.”
Sua voz era rouca, mas houve um tremor que Finn nunca tinha ouvido antes.
Estranhamente assustado ele disse, “Nós precisamos da Chave, Mestre.”
Por um momento, ele pensou que o Sapiente não iria deixar ir; houve um breve intervalo onde ambos seus dedos e os de Gildas agarraram o cristal. O velho homem olhou para baixo. “Eu sempre confiei em você, Finn. Eu nunca acreditei que você fosse do Lado de Fora e eu estava errado nisto, mas suas visões das estrelas levaram-nos ao Escape, como eu sabia que elas iriam desde o primeiro dia que eu vi você deitado enrolado naquele carrinho. Este é o momento pelo qual tenho vivido.”
Seus dedos abriram; Finn sentiu o peso da Chave.
Ele olhou para Claudia. “E agora?”
Ela tomou uma respiração profunda, mas ela não tinha sua voz para essa resposta.
Attia estava nas sombras atrás de Keiro; ela não veio para frente, mas suas palavras eram afiadas.
“O que aconteceu com o belo vestido?”
Claudia fez uma careta. “Eu o retalhei.”
“E o casamento?”
“Acabou.”
Os braços de Attia estavam ao redor de seu corpo magro. “Então agora você quer Finn.”
“Giles. Seu nome é Giles. Sim, eu o quero. O Reino precisa de seu Rei. Alguém que tenha visto o lado de fora do Palácio e do Protocolo. Alguém que tenha ido direto para baixo dentro das profundezas.” Ela deixou sua irritação sair em suas palavras, canalizando-se em raiva. “Não é isso o que você quer também? Alguém que pode acabar com a miséria de Incarceron porque ele sabe como é ela?”
Attia encolheu os ombros. “É a Finn que você deve perguntar. Você pode estar apenas levando ele para fora de uma prisão para entrar em outra.”
Claudia olhou para ela e Attia olhou de volta. O riso frio de Keiro quebrou o silêncio. “Eu sugiro que nós resolveremos tudo isso fora no admirável mundo novo do Lado de Fora. Antes que a Prisão volte a tremer.”
Finn disse, “Ele está certo. Como nós vamos fazer isso?”
Ela engoliu em seco. “Bem... Eu suponho que nós... Usamos as Chaves.”
“Mas onde está o portal?”
“Não há portal.” Isso foi difícil; eles estavam todos olhando para ela. “Não... Como vocês pensam.”
“Então como você chegou aqui?” Keiro perguntou.
“Isso é... Difícil de explicar.” Enquanto ela falava seus dedos moviam-se nos controles ocultos da Chave; ela zumbiu, luzes moveram-se dentro dela.
Keiro pulou em sua direção. “Oh, não princesa!” Ele arrancou a chave dela; ela a puxou de volta, mas ele tinha sua espada desembainhada e apontada para sua garganta.
“Sem truques. Nós vamos todos juntos ou nenhum vai.”
Furiosa, ela disse “Esse é o plano.”
“Abaixe a arma,” Gildas vociferou.
“Ela está tentando levá-lo. E deixar-nos aqui.”
“Eu não estou—”
“Parem de falar de mim como se eu fosse algum objeto!” Finn rosnou silenciando todos eles. Ele passou a mão através de seu cabelo; seu couro cabeludo estava molhado e seus olhos picaram.
Sua respiração parecia curta. Um desmaio agora iria ser impossível, mas suas mãos estavam tremendo e ele o sentiu rastejar sobre ele.
E então ele sabia que estava caindo dentro, ele deve estar, porque atrás de Gildas a parede estremeceu ao longe, e olhando para fora dela, enorme e sombriamente, estava Blaize.
Os olhos cinza do Sapiente avaliando eles; sua imagem era enorme em uma sala branca de paredes limpas. “Eu estou receoso,” ele disse, “que Escapar não seja tão fácil quanto minha filha parece pensar.”
Eles estavam imóveis. Keiro abaixou a espada. “Então é isso,” ele disse. “E olha o quão contente ela está em vê-lo.”
Finn observou Claudia virar para a imagem. Ele viu agora que apesar do rosto familiar era o Diretor, as feridas tinham o abandonado; ele era mais magro e havia uma refinada tensão sobre seus olhos.
Claudia olhou para ele. “Não me chame de filha.” Sua voz estava dura e fria. “E não tente me parar. Eu estou levando todos eles para fora e você—”
“Você não pode trazer todos eles para fora.” O Diretor reteve os olhos dela. “A Chave trará apenas uma pessoas para fora. A cópia, se funcionar, vai fazer o mesmo.
Toque no olho preto da águia. Você vai desaparecer e reaparecer aqui.” Ele sorriu calmamente.
“Aquele é o portal, Finn.”
Horrorizada, ela olhou para ele. “Você está mentindo. Você levou-me para fora.”
“Você era um bebê. Minúsculo. Eu tive uma chance”. Havia uma voz na sala; ele virou e Claudia viu Jared atrás dele, em pé pálido e cansado.
“Mestre! Isso é verdade?”
“Eu não tenho nenhuma forma de saber, Claudia.” Ele olhou infeliz, seu cabelo escuro embaraçado. “Há apenas uma maneira de descobrir que é tentar.”
Ela olhou para Finn.
“Não você.” Foi Keiro que se moveu. “Finn e eu vamos primeiro, e se funcionar eu vou voltar pelo Sapient”. Ele sacou para cima sua espada enquanto Claudia sacou a sua.
“Solte isso Princesa ou eu vou cortar sua garganta.”
Ela segurou apertado a bainha de couro, mas Finn disse, “Faça isso, Claudia, por favor.”
Ele estava olhando para Keiro; enquanto ela abaixava a lâmina ela o viu em pé mais perto e disse, “Você realmente acha que eu vou ir e deixar eles? Devolva a Chave para ela.”
“De jeito nenhum.”
“Keiro...”
“Você é estúpido, Finn. Você não consegue ver que isso é uma armadilha! Você e ela desapareceriam e o que iria ser isso. Ninguém se incomodaria em voltar pelo resto de nós.”
“Eu iria.”
“Claro. Não foi isso o que Sapphique disse?”
Na quietude Gildas sentou-se abruptamente, como se sua força tivesse ido. “Não me deixe aqui, Finn,” ele murmurou.
Finn balançou sua cabeça, totalmente exausto. “Nós não podemos deixar Claudia aqui, seja o que for que o resto de nós decida. Ela veio para nos resgatar.”
“Pior pra ela.” Os olhos azuis de Keiro eram implacáveis. “Ela era uma vez Prisioneira—pode ser novamente. Eu vou primeiro. Para descobrir o que está esperando lá fora. E se funcionar, como eu disse, eu vou voltar.”
“Mentiroso,” Attia vociferou.
“Você não pode me parar.”
O Diretor riu baixinho. “É esse o herói que você acha que é Giles, Claudia? O homem para governar o Reino? Ele nem mesmo pode controlar essa corja.”
Instantaneamente Finn moveu-se. Ele jogou a Chave para Claudia; pegando Keiro desprevenido, ele puxou sua espada. Raiva trovejava nele; raiva de todos eles, do sorriso malicioso do Diretor, do medo e fraqueza em si mesmo. Keiro cambaleou para trás; se recuperando rápido, ele moveu rapidamente a lâmina para cima e ambos os dois as tinham, então Finn rompeu seu controle sobre a lâmina.
Keiro não vacilou enquanto a lâmina cintilou em seu rosto. “Você não vai usar isso em mim.”
O coração de Finn bateu. Seu peito arfou. Atrás dele Attia sibilou, “Por que não, Finn? Ele matou a Maestra. Você sabe disso, você sempre soube! Ele cortou a ponte. Não Jormanric.”
“É verdade?” Ele mal reconheceu seu próprio sussurro.
Keiro sorriu. “Tire suas próprias conclusões.”
“Diga-me.”
“Não.” Seu irmão de juramento agarrou a Chave em uma mão fechada. “A escolha é sua. Eu não justifico a mim mesmo para ninguém.”
Seus batimentos cardíacos estavam tão altos, machucava. Encheu a Prisão, ricocheteando para baixo em todos os corredores, em todas as celas.
Ele arremessou a espada para baixo. Keiro mergulhou para ela, Finn chutou-a para longe. De repente eles estavam lutando, todo o ar de Finn indo num cruel soco no seu estômago, a brutal habilidade de Keiro derrubando ele. Claudia estava gritando, Gildas rugindo em raiva, mas ele não se importava agora, levantando-se, ele atirou-se sobre Keiro, agarrando a Chave. Retardado pelo frágil cristal Keiro esquivou-se e então socou-o novamente; Finn o tinha ao redor da cintura e abaixou-se, mas quando ele aproximou-se Keiro deu um chute que o mandou cambaleando para trás.
Keiro agitou-se, levantando-se. Sangue brotou em seu lábio. “Agora nós vamos ver, irmão,” ele assobiou. Ele tocou o olho preto do pássaro.
Uma luz.
Era tão brilhante, queimou seus olhos.
A luz ampliou-se ao redor de Keiro, o engolindo e houve um barulho com ela, um gemido que era doloroso, uma nota aguda desconcertante que atravessou fora instantaneamente.
A luz cuspiu.
E Keiro ainda estava lá.
O silêncio quebrou-se com um riso frio e pesaroso do Diretor. “Ah,” ele disse. “Eu estou receoso que isso quer dizer que a chave não funcionará para você. Provavelmente os componentes do metal em seu corpo tornam o processo inválido. Incarceron é um sistema fechado; seus próprios elementos nunca podem sair.”
Keiro estava em pé ainda chocado.
“Nunca?” ele suspirou.
“A menos que os componentes sejam removidos.”
Keiro assentiu. Seu rosto era sombrio e ruborizado. “Se isso é o que preciso.” Ele deu um passo em direção a Finn e disse, “Dê sua faca.”
“O quê?”
“Você ouviu.”
“Eu não posso fazer isso!”
Keiro sorriu amargamente— “Por que não? Keiro o Nove Dedos. Eu sempre me perguntei sobre o que eram todos os sacrifícios de Sapphique.”
Gildas gemeu. “Rapaz, você está sugerindo—”
“Talvez mais de nós nasceram na Prisão do que pensamos. Talvez você esteja velho homem. Mas eu não vou deixar um dedo manter-me aqui. Dê-me a faca.”
Finn não se moveu, mas Attia o fez. Ela trazia uma pequena lâmina que ela sempre usava e segurou-a para ele. Ele pegou lentamente. Keiro estendeu sua mão no chão, os dedos espalhados.
A unha metálica parecia a mesma que as outras. “Faça-o agora,” ele disse.
“Eu não posso...”
“Você pode. Por minha causa.”
Eles olharam um para o outro. Finn ajoelhou-se. Sua mão estava tremendo. Ele colocou a lâmina sobre a pele de Keiro.
“Espere,” Attia vociferou. Ela se agachou. “Pense! Isso pode não ser o suficiente.
Como você disse nenhum de nós sabe do que nós somos feitos por dentro. Deve haver outra maneira.”
Os olhos azuis de Keiro estavam brancos com desespero. Ele hesitou.
Por um longo momento, ele ficou lá imóvel e então ele fechou sua mão e assentiu lentamente.
Ele abaixou os olhos para Chave e estendeu-a para Finn.
“Então eu terei que encontrá-lo. Aproveite seu reino, irmão. Bom reinado. Presta atenção à sua volta.”
Finn estava muito abalado para responder. Uma distante martelada fez todos eles olharem para cima.
“O que é isso?” Claudia perguntou.
Jared disse rapidamente, “Estão aqui. Evian fez sua tentativa e está morto. Os guardas da Rainha estão na porta.”
Ela olhou para seu pai. Ele disse, “Você deve voltar, Claudia. Traga o garoto.
Preciso dele agora.”
“Ele é realmente Giles?” Ela perguntou asperamente.
O sorriso do Diretor era invernal. “Agora ele é.”
Quando suas palavras terminaram a tela ficou em branco. Uma onda de movimento correu abaixou no corredor; Finn olhou ao redor ansiosamente. Tijolos caiam da abóboda da galeria.
Então ele olhou para cima e viu um Olho vermelho zunir e clicar nele.
“Oh sim,” a voz disse suavemente. “Você tem de esquecer tudo sobre mim. E por que eu deveria deixar algum de minhas crianças ir?”
Ele acordou e encontrou todos eles ao seu redor. O velho manco, o doente, os homens de meia idade. Ele escondeu o rosto e estava preenchido com vergonha e raiva. “Eu falhei com vocês,”
ele disse. “Eu viajei tão longe e falhei.”
“Não é assim,” eles responderam. “Há uma porta que nós identificamos, uma minúscula e secreta porta. Nenhum de nós se atreve a passar através, no caso de morremos lá. Se você prometer voltar por nós, mostraremos para você.”
Sapphique era ágil e magro. Ele olhou para eles com seus olhos escuros. “Levem-me até lá,” ele sussurrou.
—Lendas de Sapphique
“O que aconteceu?” Jared engasgou. “A Prisão está interferindo,” o Diretor sibilou com fúria. Seus dedos se moviam rapidamente sobre os controles.
“Bem, pare-a! Ordene-a a—”
“Eu não posso fazer Incarceron obedecer-me.” O Diretor lançou um olhar para ele.
“Ninguém tem feito isso por séculos. As regras da Prisão, Mestre. Eu não tenho poder sobre ela.”
Então em uma voz tão baixa que Jared mal ouvia, “Ela ri de mim.”
Consternado, Jared olhou para a tela em branco. Do lado de fora, um punho bateu novamente na porta de bronze. Uma voz bradou, “Diretor! Abra! A Rainha exige a sua presença.”
“Evian fez de seu assassinato um mau negócio”, o Diretor disse. Ele olhou para baixo. “Não tenha medo, eles não vão entrar. Mesmo com machados.”
“Ela pensa que você estava envolvido.”
“Talvez. É uma boa desculpa para se livrar de mim. Não haverá nenhum casamento agora.”
Jared balançou sua cabeça. “Então estará tudo acabado.”
“Neste caso, Mestre, eu poderia contar com a sua ajuda.” Os olhos cinza estavam fixos nele. “Pelo amor de Claudia, nós precisamos trabalhar juntos.”
Jared assentiu lentamente. Tentando ignorar as furiosas batidas, ele veio ao redor dos controles e examinou-os cuidadosamente. “Isso é tão antigo. Muitos desses símbolos estão na língua dos Sapienti.” Ele olhou para cima. “Vamos tentar conversar com Incarceron na linguagem de seus criadores.”
***
O Prisão tremeu, foi rápido e repentino. O chão dobrou; paredes vieram a baixo.
Finn agarrou Keiro; juntos eles caíram para trás contra uma porta que cedeu sobre seu peso, os lançando para dentro.
Claudia agitou-se antes deles, mas Attia disse, “Ajude-me com ele!” Ela tinha Gildas curvado, ofegante. Apressadamente, Claudia levantou colocando seus braços sobre os ombros dela e elas o moveram com grande esforço para dentro da cela, onde Finn puxou-os dentro e bateu a porta estreita, ele e Keiro calçaram a porta com uma lasca de madeira.
Do lado de fora, o entulho caiu em cascata e eles ouviram-no com pavor. O corredor estava certamente bloqueado.
“Mas você não acha que podes impedir-me de entrar, eu espero? Incarceron riu sua risada retumbando. “Ninguém pode fazer isso. Eu sou inescapável.”
“Sapphique Escapou.” A voz de Gildas era grossa de dor, mas ele cuspiu as palavras fora. Suas mãos segurando o seu peito; eles tremiam sem controle. “Como ele fez isso então, sem uma Chave? Existe outra saída, que somente ele descobriu? Um caminho tão secreto, tão surpreendente, você não pode bloqueá-lo? Uma maneira que não precise de portal ou nem de máquinas? É isso, Incarceron? É isso o que você teme, sempre observando, sempre escutando?”
“Eu não temo nada.”
“Não é o que você me disse,” Claudia disparou. Ela estava respirando com dificuldade, ela olhou para Finn. “Eu devo voltar. Jared está em apuros. Você virá?”
“Eu não posso deixar eles. Leve o velho homem com você.”
Gildas riu: seu corpo convulsionando com ofegantes arquejos. Attia segurou suas mãos; então ela virou sua cabeça. “Ele está morrendo,” ela sussurrou.
“Finn,” O Sapiente resmungou.
Finn se agachou, doente com a picada atrás de seus olhos. Quaisquer lesões de Gildas tinham sido internas, mas o tremor de suas mãos, o suor e palidez de seu rosto ficaram apenas tão claras.
O Sapiente levou sua boca perto da orelha de Finn. “Mostre-me as estrelas,” ele sussurrou.
Finn olhou para os outros. “Eu não posso...”
“Então permita-me,” a Prisão disse. O vislumbre de luz saiu na cela. Um Olho vermelho estava faiscou no canto da parede. “Olhe para esta estrela velho homem. Essa é a única estrela que você verá.”
“Pare de atormentá-lo!” Finn estava gritando de raiva assustando a todos eles. E em seguida para espanto de Claudia ele virou de volta para Gildas e apertou sua mão. “Venha comigo,” ele disse.
“Eu mostrarei a você.”
As vertigens de sua mente varrendo sobre ele e ele deixou isso. Ele caminhou deliberadamente dentro de sua escuridão e arrastou o velho homem consigo e tudo ao redor deles, o lago luziu fracamente sob as lanternas flutuantes, azul, roxo e dourado e o barco balançou debaixo dele enquanto o deitou nele e olhou para as estrelas acima.
Elas brilhavam na noite de verão. Parecia poeira prateada que foi colocada através do cormo como se uma enorme mão tivesse espalhado elas e seu misterioso encantamento aveludasse a escuridão.
Ao lado dele, Finn sentiu a admiração do velho homem.
“Estas são as estrelas, Mestre. Mundos inteiros, tão longe, parecendo minúsculos, mas realmente gigantescos além de qualquer coisa que nós conhecemos.”
A água do lago agitou-se.
Gildas disse, “Tão longe. Tantas!”
Uma garça levantou-se da água com um golpe gracioso. Na margem a música soava doce; vozes riam suavemente.
O velho homem disse roucamente, “Eu tenho que ir para elas agora, Finn. Eu tenho que ir e encontrar Sapphique. Ele não irá estar contente, você sabe, apenas por estar do Lado de Fora.
Não uma vez que ele tenha visto isso.”
Finn assentiu. Ele sentiu o barco desprender-se embaixo dele, o bater e deslizar das ondas. Ele sentiu os dedos do velho homem soltaram os seus. E enquanto ele olhava fixamente para elas, as estrelas cresciam e queimavam, tronando-se pequenas chamas, nas pontas de pequenas velas, e ele estava soprando elas, soprando elas com toda sua respiração, toda sua energia.
Elas desapareceram e ele sorriu, um grande sorriso de triunfo e todas as pessoas ao sua volta sorriram com ele, o Rei em sua capa vermelha e Bartlett e a sua pálida nova madrasta e todos os cortesões e enfermeiros e músicos e a pequena garota em um belo vestido branco, a garota que tinha vindo naquele dia, que eles disseram que iria ser sua amiga especial.
Ela estava olhando para ele agora. Ela disse, “Finn. Você pode me ouvir?”
Claudia.
***
“Está pronto.” Jared olhou para cima. “Você fala e a tradução será instantânea.”
O Diretor tinha estado andando e ouvindo as vozes do lado de fora; agora ele veio e parou em pé do lado da escrivaninha, seus braços cruzados.
“Incarceron,” ele disse.
Silêncio. Então, na tela, um pequeno ponto vermelho de luz. Ele era minúsculo como uma estrela.
Contemplou-os. E disse, “Quem é esse que fala a velha língua?”
A voz era incerta. Parecendo ter perdido algo de seu estrondeante ecoar.
O Diretor olhou para Jared. Então ele disse calmamente, “Você sabe quem é esse, meu pai. Este é Sapphique.”
Os olhos de Jared arregalaram-se, mas ele permaneceu em silêncio.
Houve outro silêncio. Desta vez, o Diretor o quebrou. “Eu falo para você na linguagem do Sapiente. Eu ordeno você que não machuque o garoto Finn.”
“Ele tem a Chave. Nenhum prisioneiro é permitido Escapar.”
“Mas sua raiva pode prejudicá-lo. E Claudia.” A voz do Diretor tinha mudado enquanto falava o nome dela? Jared não estava certo.
Um momento de silêncio. Então, “Muito bem. Por você, meu filho.”
O diretor fez um sinal para Jared para cortar a comunicação, mas enquanto seu dedo alcançou sobre o painel, a Prisão disse suavemente, “Mas se você é realmente Sapphique, nós temos nos falado muitas vezes antes. Você lembrará.”
“Isso foi há muito tempo atrás,” o Diretor disse cautelosamente.
“Sim. Você deu-me o Pagamento que eu exigi. Eu cacei você e você impediu-me. Você se escondeu em buracos e roubou o coração de meus filhos. Conte-me Sapphique, como você Escapou de mim? Depois que eu derrubei você, depois da queda terrível através da escuridão, qual a entrada que você encontrou que eu tenha negligenciado? Através de qual fenda você rastejou? E onde você está agora, lá fora em que lugar que eu não posso nem imaginar?”
A voz era melancólica; o Diretor olhou firme para o Olho na tela. Ele estava acalmando-se enquanto ele respondia. “Este é um mistério que eu não posso revelar.”
“Uma pena. Você vê, eles não me ofereceram nenhum modo de ver outro lado de mim mesma.
Você pode imaginar, Sapphique, você o andarilho, o grande viajante, você pode sequer sonhar de como é viver para sempre viajando em sua própria mente, observando somente as criaturas que o habitam? Eles fazem-me poderosa e eles fazem-me defeituosa. E somente você, quando você voltar, pode me ajudar.”
O Diretor estava quieto. Com a boca seca, Jared ligou o interruptor. Suas mãos estavam tremendo e úmidas com suor. Enquanto ele observava o Olho desbotar.
***
A visão de Finn estava turva e seu corpo todo tinha se esgotado. Ele deitou-se curvado; apenas o braço de Keiro manteve sua cabeça fora do chão. Mas por um momento, antes de o fedor da Prisão deslizar de volta, antes de o mundo surgir, ele era um príncipe e o filho de um príncipe, aquele seu mundo era dourado com luz do sol, aquele que ele tinha vagado para dentro da escuridão da floresta numa manhã de contos de fadas e nunca voltou novamente.
“Beba um pouco disso.” Attia deu-lhe água; ele bebeu um gole e tossiu e tentou sentar-se.
“Ele parece pior,” Keiro estava dizendo para Claudia. “Isso é o que seu pai tem feito para ele.”
Ela o ignorou e inclinou-se sobre Finn. “Os tremores da Prisão pararam. Ela acabou ficando calma.”
“Gildas?” Finn murmurou.
“O velho homem se foi. Ele não tem que preocupar-se com Sapphique nunca mais.”
A voz de Keiro estava rouca. Virando-se, Finn viu o Sapient deitado nos escombros, seus olhos fechados, seu corpo enrolado, como se ele dormisse. Em seu dedo, solto e desbotado, como se Keiro empurrou nele com algum esforço infrutífero de salvá-lo, brilhou o último anel-caveira.
“O que você fez?” Claudia perguntou. “Ele disse... coisas estranhas.”
“Eu mostrei a ele a saída.” Finn sentiu-se em carne viva, raspado por completo. Ele não queria falar sobre isso agora, nem dizer a eles o que ele tinha lembrado, então ele sentou-se lentamente e disse, “Você tentou o anel sobre ele?”
“Não funcionou. Ele estava certo sobre isso também. Talvez nenhum deles jamais funcionou.”
Keiro pressionou a Chave dentro de suas mãos. “Vamos. Saia agora.
Convença o Sapiente a projetar uma chave para eu escapar. E mandar alguém de volta para a garota.”
Finn olhou para Attia. “Eu vou voltar eu mesmo. Eu juro.”
Attia sorriu, fraco, mas Keiro disse, “Cuide você de agir. Eu não quero ficar preso com ela.”
“E por você também. Eu vou persuadir todos os Sapienti em meu reino sobre isso.
Nós fizemos um voto, irmão. Você acha que eu esqueci?”
Keiro sorriu. Seu belo rosto estava sujo e machucado, seu cabelo sem brilho com a sujeira, seu fino casaco arruinado. Mas ele era o único, Finn pensou, que parecia como um príncipe. “Talvez.
Ou talvez esta seja a sua chance de ficar livre de mim. Talvez você tenha ficado com medo que eu iria matar você e tomar seu lugar. Se você não voltar, acredite em mim, eu vou fazê-lo.”
Finn sorriu. Por um momento eles olharam um para o outro através da cela inclinada, através do derramamento de algemas e correntes. Então Finn virou-se para Claudia.
“Você primeiro,” ela disse.
“Você virá?”
“Sim.”
Ela olhou para ele, em seguida para os outros. Rapidamente ela tocou o olho da águia e estava indo, em um brilho que fez todos eles suspirarem.
Finn olhou para Chave que ele segurava. “Eu não posso,” ele disse. Attia sorriu brilhantemente.
“Eu confio em você. Eu estarei esperando.” Mas seus dedos não se moveram, parados sobre o olho negro da águia, então ela esticou o braço e apertou por ele.
Claudia encontrou a si mesma sentada na cadeira, em meio a um alvoroço de vozes e marteladas.
Do lado de fora da porta Caspar estava gritando, “...sob prisão por alta traição. Diretor! Você pode me ouvir?” O bronze ressoava os golpes frenéticos.
Seu pai segurou sua mão e levantou-a sobre seus pés. “Minha querida. Então onde está nosso jovem príncipe?”
Jared estava observando a porta de bronze curvando-se para dentro. Ele lançou um rápido e alegre olhar para Claudia.
Seu cabelo estava emaranhado, seu rosto sujo. Um cheiro estranho pairava em torno dela. Ela disse, “Logo atrás de mim.”
Finn estava sentado numa cadeira também, mas está sala estava escura, uma pequena cela, parecida com uma que ele lembrou-se de longos anos atrás, antiga, paredes gordurosas com nomes gravados.
Em frente a ele estava um homem magro de cabelos escuros. Por um momento ele pensou que esse era Jared e então ele sabia quem era.
Ele olhou ao redor, confuso. “Onde eu estou? Esse é o Lado de Fora?”
Sapphique estava sentado contra a parede, joelhos dobrados. Ele disse calmamente, “Nenhum de nós tem alguma ideia de onde nós estamos. Talvez todas as nossas vidas nós estivemos preocupados demais com onde e não o suficiente com quem.”
Os dedos de Finn estavam apertados na Chave de cristal. “Deixe-me ir,” ele suspirou.
“Não sou eu quem está impedindo você.” Sapphique observava Finn e seus olhos estavam escuros e as estrelas eram pontos de luz profundos dentro deles. “Não se esqueça de nós, Finn.
Não esqueça ninguém lá atrás naquele escuro, os famintos e os arruinados, os assassinos e os bandidos. Existem prisões dentro de prisões e eles habitam o mais profundo.”
Ele estendeu sua mão e tocou a extensão da corrente na parede; chacoalhando-a, ferrugem escamando fora. Ele deslizou seus dedos em cima dos elos. “Como você, eu sai para o Reino. Não era o que eu tinha esperado. E eu fiz uma promessa também.” Ele caiu no chão de metal, uma enorme queda e Finn viu o dedo mutilado. “Talvez isso seja o que está aprisionando você.”
Ele virou para o lado e fez um sinal. Uma sombra ergueu-se atrás dele e andou em sua direção, e Finn reprimiu um grito, porque era a Maestra. Ela tinha o mesmo caminhar, alta e magra, o cabelo vermelho, os olhos zombadores. Ela parou abaixando o olhar para Finn e ele sentiu que uma corrente o ligava, fina e invisível e ela parou no final dela, porque ela não podia mover as mãos ou os pés.
“Como você pode estar aqui?” ele sussurrou. “Você caiu.”
“Oh sim, eu cai! Através de reinos e séculos. Como um pássaro com uma asa quebrada. Como um anjo caído.” Ele mal conseguia dizer se era o seu sussurro ou de Sapphique. Mas a raiva era dela.
“E isso tudo foi sua culpa.”
“Eu...” Ele queria culpar Keiro ou Jormanric. Qualquer um. Mas ele disse, “Eu sei.”
“Lembre-se, Príncipe. Aprenda com isso.”
“Você está viva?” Ele estava preso com a velha vergonha, tornando a fala difícil.
“Incarceron não desperdiça nada. Eu estou vivendo nas profundezas, em suas células, células de seu corpo.”
“Eu sinto muito.”
Ela envolveu seu casaco ao redor do corpo dela com a dignidade da idade. “Se é você, isso é tudo o que peço.”
“Você vai mantê-lo aqui?” Sapphique murmurou.
“Como ele me manteve?” Ela sorriu calmamente. “Eu não preciso de um resgate para minha redenção. Adeus, menino assustado. Guarde minha Chave de cristal.”
A cela turvou e abriu. Ele sentiu como se fosse arrastado através de um ofuscante abalo de pedras e carne fresca; essas rodas enormes de ferro rugindo sobre ele, que ele foi aberto e fechado, dilacerado e remendado.
Ele se levantou da cadeira e a figura escura estendeu a mão para acalmá-lo.
E desta vez era Jared.
Tenho caminhado por degraus de espadas,
Tenho usado um casaco de cicatrizes.
Jurei com palavras ocas,
Menti meu caminho para as estrelas.
—Canções de Sapphique.
O portão estremeceu.
“Não se preocupe. Nunca vai quebrar.” Calmo, o Diretor analisou Finn. “Então este é o que você acha que é Giles.” Ela olhou para ele.
“Você deveria saber.” Finn olhou em volta. A sala era tão branca que feria, o brilho das luzes fazendo seus olhos doerem. O homem que ele reconheceu como Blaize riu levemente, cruzando os braços. “Na verdade, não importa se ele é ou não. Agora que você o tem, terá de fazê-lo Giles.
Porque somente ele se interpõe entre você e um desastre.”
Curioso, ele aproximou-se de Finn. “E o que você acha, Prisioneiro? Quem você acha que é?”
Finn se sentiu frágil e imundo; de repente ele percebeu que sua pele estava encardida com sujeira, que ele fedia nesta sala estéril. “Eu... Acho que me lembro. O noivado.”
“Tem certeza? Ou não pode ser que essas são memórias que outra pessoa tinha, que agora estão enterradas em você, filamentos de pensamentos presos no tecido emprestado, que a Prisão construiu em você?” Ele sorriu seu sorriso frio.
“Uma vez poderíamos ter descoberto,” Claudia rangeu os dentes. “Antes do Protocolo.”
“Sim.” O Diretor se virou para ela. “E esse problema eu vou deixar para você.”
Finn viu o quanto ela estava pálida, com raiva. Ela disse, “Toda minha vida você me deixou acreditar que eu era sua filha. E foi tudo uma mentira.”
“Não.”
“Sim! Você me escolheu, me educou, me formou... Você mesmo me disse tudo!
Criou uma criatura que seria exatamente tudo o que você queria, que seria dócil e casaria com quem você dissesse e seria o que você queria. O que aconteceria a mim depois? Teria a pobre Rainha Claudia sofrido um acidente também, deixando apenas o Diretor para ser Regente? Era esse o plano?”
Ele encontrou os olhos dela, e os seus eram claros e cinzas. “Se era, eu o mudei, porque eu aprendi a amar você.”
“Mentiroso!”
Jared disse infeliz, “Claudia, eu...” mas o Diretor ergueu a mão.
“Não Mestre, deixe-me explicar. Eu escolhi você, sim, e eu livremente admito que no início você era um meio para um fim. Um bebê berrando que eu vi tão raramente quanto possível. Mas conforme você cresceu, eu comecei... A ficar ansioso por vê-la. À maneira que você fazia uma reverência para mim, mostrava-me seu trabalho, era tímida comigo. Você se tornou querida para mim.”
Ela o encarou, não querendo ouvir isso, ou acreditar. Ela queria manter sua raiva brilhante, recém-cunhada como uma moeda.
Ele encolheu os ombros. “Eu não fui um bom pai. Por isso eu sinto muito.”
Na quietude entre eles o martelar eclodiu novamente, ainda mais alto. Jared disse com urgência, “Pouco importa, senhor, o que você fez ou quem este menino é. Estamos todos condenados agora. Não há como escapar da morte, a menos que todos nós entremos na Prisão.”
Finn murmurou, “Tenho que voltar para Attia.” Ele estendeu a mão para Claudia pela outra Chave; ela sacudiu a cabeça. “Você não. Eu vou voltar.” Estendendo a mão, ela pegou a cópia de cristal dele e comparou as duas. “Quem fez isso?”
“Lorde Calliston. O próprio Lobo de Aço.” O Diretor olhou para o cristal. “Muitas vezes me perguntei se os rumores eram verdadeiros, se existia uma cópia, em algum lugar nas profundezas da Prisão.”
Ela moveu seus dedos em direção ao painel, mas ele a parou. “Espere. Primeiro temos que garantir nossa própria segurança, ou a garota vai estar melhor onde estiver.”
Claudia olhou para ele. “Como posso confiar em você novamente?”
“Você deve.” Ele colocou um dedo sobre os lábios e balançou a cabeça. Então, caminhando através da cela branca, tocou o controle da porta e se afastou.
Dois soldados caíram de cabeça dentro da sala. Atrás deles, o carneiro em correntes balançava no ar vazio. Espadas foram atraídas, sussurros afiados de aço.
“Queiram entrar, por favor,” o Diretor disse graciosamente.
A Rainha em pessoa estava lá, Claudia viu com choque, vestindo um manto escuro.
Atrás de sua mãe Caspar olhou furiosamente para ela. “Nunca vou perdoar você,” rosnou.
“Fique quieto.” Sua mãe passou arrogantemente por ele para a sala, parou no estranho arrepio de energia na soleira da porta, e em seguida olhou ao redor. “Fascinante.
Então este é o Portal.”
“De fato.” O Diretor se curvou. “Estou feliz em vê-la tão bem.”
“Eu duvido muito.” Sia parou diante de Finn. Ela o olhou de cima a baixo e seu rosto empalideceu.
Ela apertou os lábios vermelhos com força.
“Sim,” o Diretor disse suavemente. “Infelizmente um Prisioneiro escapou.”
Furiosa, ela se voltou para ele. “Por que você fez isso? Que traição você está planejando?”
“Nenhuma. Todos nós podemos sair desta com segurança. Todos nós. Sem segredos revelados, sem assassinatos. Observe.”
Ele caminhou até a mesa de controle, tocou em uma combinação de controles, e se afastou.
Claudia olhou fixamente, porque a parede limpou e mostrou uma imagem que ela demorou um momento para reconhecer. Em uma sala enorme, cortesãos amontoavam-se em um zumbido de escândalo. Pratos comidos pela metade jaziam ignorados em mesas enormes. Servos fofocavam amontoados ansiosos.
Era seu banquete de casamento.
“O que você está fazendo?” A Rainha repreendeu, mas já era tarde demais. O
Diretor disse, “Amigos.” Cada cabeça na sala virou. A conversa esgotou em um silêncio de espanto.
Depois de cem anos de Protocolo a vasta tela por trás do trono provavelmente tinha sido esquecida; agora Finn olhava para o Tribunal através de uma franja de teia de aranhas, um filme de sujeira.
“Por favor, perdoem todas as confusões infelizes do dia,” o Diretor disse gravemente. “E peço a todos vocês, embaixadores de Além-mar, e cortesãos, duques e Sapientes, damas e viúvas, todos, para negligenciar essa quebra de protocolo. Mas um grande dia raiou, e um grande erro foi corrigido.”
A Rainha parecia muito surpresa para falar; Claudia sentia quase o mesmo. Mas ela se moveu; agarrou o braço de Finn e o arrastou para perto dela. Eles permaneceram juntos encarando os rostos confusos e fascinados do Tribunal quando seu pai disse, “Pasmem. O
Príncipe que pensávamos estar perdido, o herdeiro de seu pai, a esperança do Tribunal, Giles, voltou para nós.”
Milhares de olhos encararam Finn. Ele encarou de volta, vendo em cada um o pontinho de luz, sentindo sua intensa curiosidade, sua dúvida, descendo diretamente em sua alma. Era assim que seria, ser um Rei?
“Em sua grande sabedoria, a Rainha achou necessário escondê-lo no exílio seguro contra uma conspiração contra sua vida,” o Diretor disse suavemente. “Mas finalmente, depois de muitos anos, esse perigoso está terminado. Os conspiradores fracassaram, e estão presos. Tudo está calmo novamente.”
Ele olhou uma vez para a Rainha; fúria estava em cada centímetro de suas costas ereta, mas quando ela falou, sua voz estava agradável com felicidade. “Meus amigos, estou tão feliz! O
Diretor e eu temos trabalhado tão duro para combater essa ameaça. Eu quero que vocês preparem o banquete agora, para a vinda do Príncipe. Ao invés de um casamento, um grande regresso para casa, mas ainda um dia maravilhoso, assim como planejamos.”
O Tribunal ficou em silêncio. Então, nos fundos, uma aclamação irregular começou.
Ela sacudiu a cabeça; o Diretor tocou o painel. A tela apagou.
Ela respirou fundo. “Não vou perdoá-lo nunca por isso, nunca,” disse suavemente.
“Eu sei.” John Arlex ligou outro interruptor vagarosamente. Sentou-se e cruzou uma perna sobre a outra, seu casaco bordado escuro cintilando, e então estendeu a mão e pegou ambas as chaves de onde Claudia as tinha colocado e as segurou brilhando em suas mãos.
“Cristais brilhantes tão pequenos,” murmurou. “E tanto poder contido neles!
Suponho, Claudia, minha querida, que se alguém não pode ser o mestre de um mundo, deve encontrar um outro mundo para conquistar.” Ele olhou para Jared. “A deixo com você, Mestre.
Lembre-se de nossa conversa.”
Os olhos de Jared se arregalaram; gritou, “Claudia!” mas ela já sabia o que estava acontecendo.
Seu pai estava sentado na cadeira do Portal—ela sabia que deveria correr e arremessar-se para frente, e tentar pegar as Chaves dele, mas não podia se mover, como se o poder de sua terrível vontade a mantivesse congelada.
Seu pai sorriu. “Queira me desculpar, Majestade. Acho que eu seria um espectro neste banquete.” Seus dedos tocaram o painel.
Um brilho explodiu na sala, fazendo-os todos recuarem; então a cadeira estava vazia, girando ligeiramente na sala branca, e enquanto eles olhavam para ela uma faísca cuspiu nos controles, e depois outra. Fumaça ácida levantou; a rainha cerrou os punhos e gritou para o vazio, “Você não pode fazer isso!”
Claudia estava olhando para a cadeira; quando ela implodiu em chamas, Jared a puxou para trás rapidamente. Ela disse friamente, “Ele pode. Ele fez.”
Jared a observou. Seus olhos estavam mais brilhantes seu rosto corado, mas sua cabeça estava erguida. A Rainha se enfureceu, golpeando todos os botões e apenas causando explosões.
Enquanto ela varreu para fora com Caspar correndo em seus calcanhares, Jared disse, “Ele vai voltar, Claudia. Tenho certeza...”
“Não me interessa o que ele faz.” Ela virou-se para Finn, que estava olhando chocado para ela.
“Attia,” ele sussurrou. “E Attia? Prometi voltar para ela!”
“Isso não é possível...”
Ele balançou a cabeça. “Você não entende. Eu preciso! Não posso deixá-los lá.
Especialmente Keiro.” Ele estava apavorado. “Keiro nunca vai me perdoar. Eu prometi.”
“Vamos encontrar um jeito. Jared encontrará um. Mesmo que leve anos. Essa é minha promessa para você.” Ela agarrou sua mão e empurrou a manga desfiada para mostrar a marca da águia.
“Mas você deve pensar sobre isso agora. Você está aqui. Você está no Exterior e está livre. Deles, de tudo aquilo. E nós temos que fazer isso funcionar, porque Sai sempre estará lá, tramando nas nossas costas.”
Confuso, ele olhou para ela e percebeu que ela não tinha ideia do que ele tinha perdido. “Keiro é meu irmão.”
“Farei tudo que puder,” Jared disse em voz baixa. “Deve haver outra maneira. Seu pai veio e foi como Blaize. E Sapphique descobriu isso.”
Finn levantou a cabeça e deu-lhe um olhar estranho. “Sim. Ele descobriu.”
Claudia pegou seu braço. “Temos que ir lá fora agora,” ela disse baixo. “Você tem que manter sua cabeça erguida e ser um príncipe. Não será como você espera. Mas tudo é representação aqui.
Um jogo, meu pai diz. Você está pronto?”
Ele sentiu o velho medo correr em seu corpo. Ele sentiu que estava caminhando para uma grande emboscada que havia sido armada para ele. Mas concordou.
De braços dados, saíram da sala branca, e Claudia o levou para cima através do porão e das escadas. Ele passou pelas câmaras da multidão, olhando para as pessoas. Ela abriu uma porta e ele gritou de alegria, porque o mundo era um jardim e acima dele, brilhante e ardente, havia estrelas, milhões delas, muito altas, acima das torres do Palácio, e das árvores, e as doces camas das flores.
“Eu sabia,” ele sussurrou. “Eu sempre soube.”
Deixado sozinho, Jared olhou em volta para as ruínas do Portal. A sabotagem do Diretor apenas parecia muito perfeita. Ele havia falado de bom grado para o rapaz, mas em seu coração sentia um profundo receio, porque encontrar um caminho de volta através dessa destruição levaria tempo, e quanto tempo ele tinha?
“Você foi demais para nós, Diretor,” murmurou em voz alta.
Ele subiu depois deles, cansado agora, o peito doendo. Servos corriam por ele; conversas ressoavam em cada câmara e corredor. Apressou-se, saindo para os jardins, contente com a noite fria, os aromas doces.
Claudia e Finn estavam de pé na escadaria da construção. O garoto parecia como se estivesse cego com a glória da noite, como se a sua pureza fosse uma agonia para ele.
Ao lado deles, Jared enfiou a mão no bolso e tirou o relógio. Claudia encarou. “Esse não é....?”
“Sim. De seu pai.”
“Ele deu a você?”
“Pode-se dizer que sim.” E segurou-o em seus dedos delicados, e ela percebeu, como se pela primeira vez, que havia um cubo minúsculo de prata pendurado em sua corrente, um amuleto que girava e brilhava à luz das estrelas.
“Mas onde eles estão?” Finn perguntou, atormentado. “Keiro e Attia e a Prisão?”
Jared olhou para o cubo, pensativo. “Mais perto do que você pensa, Finn,” disse.