Incarceron

Catherine Fisher · Capítulo 1 de 4 · parte 2/4

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Incarceron

Sinopse

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

“Somos os Sábios, “ele disse. “A responsabilidade pelo sucesso é nossa. Nós devemos mandar nossas melhores mentes para guiar os prisioneiros.”

Na hora marcada, enquanto ele se aproximava a câmara do portão, eles o virão murmurando seu medo que aquilo estaria vazio. Ele abriu o portão. Setenta homens e mulheres estavam esperando por ele. Em uma grande cerimônia, Eles entraram na prisão.

Eles nunca mais foram vistos.

—Contos do Lobo de Aço

 

Naquela noite o Diretor deu um jantar para seus convidados de honra.

A longa mesa estava posta com um magnífico acervo de prata, as taças e os pratos gravados com cisnes unidos. Claudia estava vestida com um vestido de seda vermelho com um com uma fita de corpete e sentou do lado oposto ao Lorde Evian, enquanto seu pai à cabeceira da mesa comia com moderação e falava baixo, seu olhar calmo movendo pelos convidados nervosos.

Todos os vizinhos e inquilinos haviam obedecido às convocações. E isto era assim, Claudia pensou severamente, porque quando o Diretor de Incarceron convida, não existia recusa. Até mesmo a Senhora Sylvia, que devia estar à beira dos duzentos, flertou e conversou amaneiradamente com o jovem lorde entediado perto dela.

Enquanto Claudia observava, o jovem lorde cuidadosamente abafa um bocejo. Ele pegou seus olhos. Ela sorriu para ele docemente. Então ela piscou e ele observou. Ela sabia que ela não devia importunar ele; ele era um dos ajudantes de seu pai, e a filha do Diretor estaria de longe acima dele. Ainda assim, ela também estava entediada.

Depois de uma infinita progressão de peixe e pavão e javali assado e bombons, ouve uma dança, os músicos estavam em uma galeria iluminada à luz de velas acima do hall esfumaçado. Se esquivando dos braços levantados da longa linha de dançarinos ela se perguntou de repente se os instrumentos eram precisos—certamente as violas eram de um período mais antigo? Isto veio de deixar os detalhes para Ralph. O velho empregado era um excelente servo, mas suas pesquisas eram um pouco apressadas. Quando seu pai não estava aqui, ela não se importava. Mas o Diretor era preciso com os detalhes.

Aquilo foi bem até meia noite quando finalmente ela viu o ultimo convidado em sua carruagem e ficou parada nos degraus da mansão. Atrás dela, dois garotos que seguravam tochas esperavam sonolentos, suas tochas quase se extinguindo na brisa.

“Vão para a cama,” ela disse sem se virar. A luz fraca e o som das chamas se extinguiram. A noite estava quieta.

Logo que eles se foram ela correu escada a baixo, e debaixo do arco da portaria até a ponte por cima do fosso, respirando a profunda quietude da noite quente. Morcegos voaram no céu, observando eles, ela arrancou o rufo rígido e os colares, e por baixo do vestido ela tirou a anágua reforçada e as despejou com alívio na latrina que não era mais usada debaixo do banco.

Muito melhor! Eles poderiam ficar aqui até amanhã.

Seu pai tinha se retirado cedo. Ele tinha levado Lorde Evian até a biblioteca; talvez eles ainda estivessem lá, falando sobre dinheiro residências e o seu futuro. E mais tarde, quando os seus convidados tinham ido e a casa estava silenciosa, seu pai iria puxar a cortina de veludo até o final do corredor e abrir a porta de sua sala com a combinação secreta, a mesma que ela tentou por meses descobrir. Ele iria desaparecer lá por horas, talvez por dias. Até onde ela sabia, ninguém mais já havia entrado naquela sala. Nenhum servo, nenhum técnico, nem mesmo Medlicote, o secretário. Ela mesma nunca tinha estado dentro.

Bem, ainda não.

Olhando para cima para a torre norte ela viu, como ela tinha esperado, uma minúscula chama da janela do quarto mais alto. Ela andou rápido para a porta no muro, abrindo ela, e subiu as escadas no escuro.

Ele pensou nela como uma ferramenta. Uma coisa que ele tinha feito... Gerado, era sua palavra.

Ela apertou seus lábios, seus dedos tateando o muro gelado e sujo. Há muito tempo ela tomou conhecimento que sua crueldade era tão completa que para sobreviver ela teria que igualar ela.

O seu pai a amava? Enquanto ela diminuía a respiração em um vão da escada de pedra ela riu, um entretenimento calmo. Ela não tinha ideia. Ela o amava? Ela certamente o temia. Ele sorriu para ela, tinha algumas vezes a escolhido quando ela era pequena, segurando sua mão em grandes ocasiões, admirando seus vestidos. Ele nunca havia lhe negado nada, nunca tinha batido ou ficado com raiva, nem mesmo quando ela teve ataques de raiva e quebrou o colar de pérolas que ele tinha dado para ela, ou viajado por dias para as montanhas. E ainda assim, desde que ela consegue se lembrar, a calma de seus olhos cinza sempre a tinha aterrorizava, o pavor de seu descontentamento pendurado sobre ela.

Além do terceiro vão, as escadas estavam sujas com cocô de pássaros. Eles eram certamente reais. Ela tomou seu cominho por isto. Tateando pelo corredor até a curva, subiu mais três degraus, e chegou até a porta barrada com ferro. Pegando a argola, ela a virou suavemente e disse. “Jared? Sou eu.”

A sala estava escura. Uma vela solitária queimava na soleira, sua chama pingando no castiçal.

Tudo em volta da torre, a janela tinha sido revertido, em um desrespeito ao protocolo que daria arrepios a Ralph.

O observatório no telhado se elevou em vigas de metal tão estreitas que aquilo parecia flutuar.

Um ótimo telescópio tinha sido girado para olhar pro sul. Ele se erguia com orientadores, leitores infravermelhos e um pequeno monitor oscilante. Claudia balançou sua cabeça. “Olhe para isto!

Se o espião da rainha vê isso, as multas irão nos aleijar.”

“Ele não irá. Não depois da quantidade de cidra que ele bebeu esta noite.”

Primeiro ela não conseguia achar ele. Então uma sombra na janela moveu e a escuridão firme de um estreito vulto que se endireitava pela lente. “Dê uma olhada nisto, Claudia.”

Ela apalpou seu caminho pela sala, entre mesas desordenadas, o astrolábio, o globo pendurado.

Perturbado, um filhote de raposa passou para o peitoral.

Ele pegou o seu braço e a guiou até o telescópio. “Nébula F. Eles a chamam de A Rosa.”

Quando ela olhou, ela podia vê por que. A cremosa explosão de estrelas que preenchiam o turvo circular do céu aberto com pétalas de um vasta flor, através de milênios de anos luz. Uma flor de estrelas e quasares, mundos e buracos negros, seu coração derretido pulsando com nuvens gasosas.

“O quão longe está isto?” ela murmurou.

“Mil anos-luz.”

“Então o que eu estou olhando tem mil anos?”

“Talvez mais.”

Deslumbrada, ela tirou seus olhos da lente. Quando ela virou para encará-lo, pequenas centelhas de luz borrarão sua visão, brincando, sobre seus emaranhados cabelos escuros, seu rosto estreito e a figura magra, a túnica solta debaixo do manto.

“Ele adiantou o casamento,” ela disse.

Seu tutor franziu a testa. “Sim. É claro.”

“Você sabia? “

” Eu sabia que o Duque tinha sido expulso da Academia.” Ele se moveu para dentro da luz gerada pelas velas e ela viu seus olhos verdes pegarem o reflexo. “Eles me enviaram uma mensagem esta manhã. Eu supus que este deveria ser o resultado.”

Irritada, ela removeu uma pilha de papeis para fora da poltrona e os jogou no chão sentando cansada, balançando seus pés para cima. “Bem, você estava certo. Nós temos dois dias. Não será tempo o bastante, será?”

Ele veio e se sentou no lado oposto a ela. “Para finalizar os testes no dispositivo, não.”

“Você parece cansado, Jared Sapiens, “ela disse.

“Você também, Claudia Arlexa.”

Lá estavam sombras debaixo de seus olhos e sua pele era pálida. Gentilmente ela disse. “Você devia dormir mais.”

Ele balançou sua cabeça. “Enquanto o universo está lá fora girando sobre mim?

Impossível, senhora.”

Ela sabia que era a dor que o mantinha acordado. Agora ele chamou o filhote de raposa que veio e pulou em seu colo, esfregando e batendo seu peito e rosto. Sem pensar ele acariciou suas costas marrons amareladas.

“Claudia, eu estive pensando sobre sua teoria. Eu quero que você me diga sobre como seu noivado foi organizado.”

“Bem, você estava aqui, não estava?”

Ele sorriu seu sorriso gentil. “Pode parecer para você como se eu sempre estivesse aqui, mas na verdade vim depois de seu quinto aniversário. O Diretor enviou para a academia pelo melhor Sapiente disponível. O tutor de sua filha não podia ser nada menos.”

Lembrando-se das palavras de seu pai, ela franziu a testa. Jared olhou para o lado dela. “Eu disse algo?”

“Você não “. Ela foi estendeu a mão até a raposa, mas ela se virou para longe dela, se enfiando dentro dos braços de Jared. Então ela disse azedamente, “Bem, depende de qual noivado você se refere. Eu tenho dois.”

“O primeiro.”

“Eu não posso. Eu tinha cinco. Eu não me lembro disto.”

“Mas eles te noivaram com o filho do rei. Com Giles.”

“Como você disse, a filha do Diretor não fica com o segundo melhor.” Ela pulou de pé e vagueou em volta do observatório, pegando papeis friamente.

Seus olhos verdes olhando ela. “Ele era um menininho bonito, eu me lembro.”

Com suas costas para ele, ela disse, “Sim. Todo ano depois disso o pintor da corte enviava uma foto dele. Eu tenho todas elas em uma caixa. Dez delas. Ele tinha um cabelo castanho escuro e um tipo de rosto firme. Ele seria um excelente homem.” Ela se virou.

“Eu o encontrei realmente uma vez. Quando ele foi para o seu sétimo aniversário na corte.

Eu me lembro de um garoto sentado no trono que era muito grande para ele. Eles tiveram de colocar uma caixa no seu pé. Ele tinha grandes olhos castanhos. Ele estava permitido de me beijar na bochecha, e ele estava tão envergonhado.” Ela sorriu lembrando. “Você sabe como meninas conseguem ficar vermelhas. Bem, ele ficou escarlate. Tudo que ele conseguiu resmungar foi, ‘Olá, Claudia Arlexa. Eu sou Giles.’ Ele me deu um buquê de rosas. Eu as guardei até que elas caíssem em partes.”

Ela foi até o telescópio e sentou-se montando no banco, puxando seu vestido para cima até seus joelhos.

O Sapiente acariciava no filhote, observando Claudia ajustando o ocular e olhando por ele. “Você gostava dele.”

Ela franziu a testa. “Você nunca pensaria que ele era o Herdeiro. Ele era como se fosse só um garoto qualquer. Sim, eu gostei dele. Nós podíamos ter nos dado bem.”

“Mas não seu irmão, o Conde? Nem mesmo naquela época?”

Seus dedos viraram o fino marcador. “Ah ele! Aquele sorrisinho. Não, eu sabia como ele era de cara. Ele trapaceava no xadrez e virava o tabuleiro se estivesse perdendo.

Ele gritava com os serventes, e algumas das outras garotas me disseram coisas. Quando o meu...

Quando o Diretor veio para casa e me disse que Giles tinha morrido tão de repente... Que todos os planos teriam de ser mudados, eu estava furiosa.” Ela se levantou e se virou rapidamente. “O

que eu jurei para você então ainda vale. Mestre, eu não posso me casar com Caspar. Eu não irei me casar com ele. Eu o detesto.”

“Acalme-se, Claudia.”

“Como eu posso! “Ela estava de pé agora, andando. “Eu me sinto como se tudo tivesse quebrado em cima de mim! Eu achei que nós tínhamos tempo, mas alguns dias!

Nós temos de agir, Jared. Eu tenho de entrar dentro da sala de estudo, mesmo que sua máquina ainda não esteja testada.”

Ele balançou a cabeça. Então levantou o filhote de raposa e o largou no chão, ignorando seu rosnado de desanimo. “Venha e dê uma olhada nisto.”

Do lado do telescópio o monitor relinchou. Ele tocou o controle e a tela ondulou com palavras na língua dos Sapienti que ele nunca, apesar de todos os seus apelos, ensinou-a uma palavra.

Enquanto ele mexia na tela um morcego passou batido pela sala aberta e desapareceu de volta na escuridão. Claudia olhou em volta. “Nós devemos ser cuidadosos.”

“Eu vou fechar as janelas daqui a pouco.” Distraidamente Jared parou o texto.

“Aqui.” Seus dedos delicados tocaram uma chave e a tradução apareceu. “Olhe. Isto é um fragmento de um rascunho de carta queimado escrito pela Rainha, recuperado e copiado por um espião dos Sapienti no palácio três anos atrás. Você pediu para eu achar qualquer coisa que possa apoiar sua absurda teoria —”

“Não é absurda.”

“Bem, Sua teoria improvável, então, de que a morte de Giles foi—”

“Assassinato.”

“Suspeitamente repentina. De qualquer forma, eu achei isto.”

Ela quase o empurrou para o lado em sua ansiedade. “Como você conseguiu isto?”

Ele levantou uma sobrancelha. “Segredos do Sábio, Claudia. Vamos apenas dizer que um amigo na academia entrou procurando nos arquivos.” Quando ele foi até a janela ela leu o texto avidamente.

...Quanto aos preparativos que nós falamos antes, isto é infortuno, mas grandes mudanças geralmente demandam grandes sacrifícios. G sido mantido afastado de outros desde que seu pai morreu; a tristeza do povo é real, mas pouco vivida e nós podemos contê-la. Isto apenas necessita dizer que a sua partida será muito valiosa para nós. Quando meu filho for Rei eu posso lhe prometer tudo que eu...

Ela sibilou em aborrecimento. “Isto é tudo?”

“A rainha sempre foi muito cuidadosa. Nós temos pelo menos dezessete pessoas dentro do palácio, mas evidência de qualquer coisa e raro.” Ele deslizou a última janela para baixo, fechando as estrelas. “Isto levou muita procura.”

“Mas está tão claro!” Avidamente ela o leu de novo. “Eu quero dizer... a tristeza será real.. quando o meu filho for Rei...”

Assim que ele veio e acendeu a lâmpada ela olhou para ele e seus olhos estavam brilhando de entusiasmo. “Mestre, isto prova que ela o matou. Ela assassinou o herdeiro do Rei, o ultimo da dinastia Havaarna, para que seu meio irmão, seu próprio filho, pudesse ter o trono.”

Por um momento ele estava quieto. Então as chamas se acalmaram e ele pode olhar para ela. O

coração dela parou. “Você não acha.”

“Eu pensei que eu lhe ensinei melhor que isto, Claudia. Seja rigorosa em seu argumento. Tudo que isto prova e que ela pretendia que sou filho fosse Rei. Não que ela fez algo sobre isto.”

“Mas este G—”

“Pode ser qualquer um com esta inicial.” Sem remorso ele olhou para baixo.

“Você não pensa isto! Você não pode...”

“Não é o que eu penso que importa, Claudia. Se você fizer uma acusação como esta, você precisará de uma prova completa, não pode haver perguntas ou qualquer dúvida.”

Ele relaxou a si mesmo dentro de uma cadeira e estremeceu. “O príncipe morreu em uma queda de cavalo. Doutores certificaram isto. Seu corpo repousou em cerimônia no grande hall do palácio por três dias. Centenas em fila passaram por ele. Seu próprio pai...”

“Ela deve ter feito com que ele fosse morto. Ela tinha ciúmes dele.”

“Ela nunca demonstrou nenhum sinal disto. E o corpo foi cremado. Não há como dizer agora.”

Ele suspirou. “Você não percebe como isto vai parecer, Claudia? Você é apenas a garota mimada que não gostou do casamento arranjado e está enganando para levantar qualquer tipo de escândalo para sair dele. “

Ela estalou, “Eu não ligo! O que—”

Ele sentou-se. “Quieta!”

Ela congelou. O filhote de raposa estava de pé, orelhas levantaram. Um sussurro de corrente de ar entrou de repente por baixo da porta.

Instantaneamente os dois se moveram. Claudia estava na janela em segundos, escurecendo o vidro; virando ela viu os dedos de Jared no painel de controle pelos sensores e alarmes que ele tinha colocado nas escadas. Pequenas luzes vermelhas dançaram.

“O quê?”, ela sussurrou. “O que foi isto?”

Por um momento ele não respondeu. Então sua voz estava baixa. “Alguma coisa estava lá.

Pequena. Talvez um aparelho de escuta.”

Seu coração pulsou. “Meu pai?”

“Quem sabe? Talvez Lorde Evian. Talvez Medlicote.”

Eles ficaram um longo tempo na escuridão, escutando. A noite era calma. Em algum lugar um cachorro latiu. Eles podiam ouvir o som fraco de ovelhas nas campinas depois do fosso. E uma coruja, caçando. Depois de um tempo um ruído na sala os disse que o filhote tinha dormido. A vela pingou e se apagou. No silêncio ela disse, “Eu vou para a sala de estudos amanhã. Se eu não posso descobrir sobre Giles, pelo menos eu posso aprender algo sobre Incarceron.”

“Com ele na casa...”

“É minha última chance.”

Jared correu seus longos dedos pelos seus cabelos desalinhados. “Claudia você deve ir. Nós falaremos sobre isto amanhã. “Então de repente seu rosto estava branco, suas mãos achatadas em cima da mesa. Ele se inclinou e respirou rigidamente.

Ela deu a volta no telescópio silenciosamente. “Mestre?”

“Minha medicação. Por favor.”

Ela pegou a vela, sacudiu-a de volta para dentro da luz e amaldiçoou a Era pela centésima vez.

“Onde... Não consigo encontrar...”

“A caixa azul. Perto do astrolábio.”

Ela tateou, pegando canetas, papéis, livros, a caixa. Dentro tinha a pequena seringa e as ampolas; Ajeitando uma cuidadosamente, ela a levou para ele. “Eu devo...?”

Ele sorriu gentilmente. “Não. Eu consigo fazer.”

Ela trouxe a lâmpada mais perto; Ele rolou suas mangas para cima e ela viu as inúmeras cicatrizes em volta de sua veia. Ele fez a injeção cuidadosamente, o micro-infusor mal tocou sua pele, e enquanto ele colocava aquilo de volta para a caixa, sua voz estava calma e firme.

“Obrigado, Claudia. E não fique assim tão assustada. Esta condição tem me matado por dez anos e não está com pressa. Levara provavelmente outros dez para acabar comigo.”

Ela não podia sorrir. Horas como aquelas a aterrorizavam. Ela disse, “Eu devo enviar alguém...?”

“Não, Não. Eu irei para cama dormir.” Dando a ela a vela, ele disse, “Seja cuidadosa em como você desce as escadas.”

Ela balançou a cabeça, relutante, E cruzou a sala. Na porta ela parou e virou. Ele ficou parado como se ele tivesse esperado por aquilo, fechando a caixa, o verde escuro do casaco do Sapiente com sua gola alta brilhando com uma estranha iridescência.

“Mestre, aquele carta. Você sabe para quem ela foi escrita?”

Ele olhou para cima infeliz. “Sim. E isto faz com que seja ainda mais urgente para nós entrarmos na sala de estudos.”

A vela se agitou enquanto ela respirava em desanimo. “Você quer dizer...”

“Eu temo que sim, Claudia. A carta da Rainha estava endereçada a seu pai.”

Havia um homem e seu nome era Sapphique. De onde ele veio é um mistério. Alguns dizem que ele nasceu na Prisão, crescendo de seus componentes armazenados. Alguns dizem que ele veio do Lado de Fora, porque apenas ele dos homens retornou para lá. Alguns dizem que ele nem mesmo era um homem, mas uma criatura daquelas faíscas brilhantes que os lunáticos veem em sonhos e que dão nomes às estrelas. Alguns dizem que ele era um mentiroso e um tolo.

—Lendas de Sapphique

“Você tem de comer algo.” Finn olha com desaprovação para a mulher. Ela sentava encarando-o, relutante, longe dele, com o próprio sangue sobre a face.

Ela não disse uma palavra.

Ele jogou o prato no lixo e sentou em um banco de madeira perto dela, esfregando seus olhos cansados como a palma de sua mão. A volta deles o som de Comitatus durante seu café da manhã com o bater de pratos e metal. Isto foi uma hora depois do Acender das Luzes quando as portas que não estavam quebradas abriram de repente com um grande ruído, levou anos para ele se acostumar com aquilo. Ele olhou para cima para as vigas e viu um dos olhos do presídio o observando curioso; a pequena luz vermelha olhou sem medo pra baixo.

Finn franziu. Ninguém mais conseguiu ver os Olhos, mas ele os detestava.

Levantando, ele virou suas costas para aquilo. “Venha comigo.” ele desse rápido. “A algum lugar mais calmo.”

Ele andou rápido, sem olhar para ver se estava sendo seguido. Ele não podia mais esperar por Keiro. Ele tinha saído para resolver a divisão do saque, pois era Keiro que sempre resolvia essas coisas. Finn tinha percebido que seu irmão de juramento certamente havia o traído. Mas ele não podia deixar se importar muito com isto. Agora, ele abaixava sob um arco que sai no topo de uma escada que se curva de forma elegante para baixo em direção à escuridão.

Do lado de fora o barulho ecoava estranhamente em espaços cavernosos. Algumas escravas magricelas passaram rapidamente, com um olhar aterrorizado, como elas sempre faziam quando um dos Comitatus apenas olhava para elas. No teto invisível várias correntes penduradas em um laço como se fossem grandes pontes, com o elo mais grosso que um homem. Em algumas delas aranhas grandes haviam feito seus ninhos, preparando o metal com suas teias grudentas. Metade de um cachorro dissecado estava pendurado em um dos casulos.

Quando ele se virou, Maestra estava lá.

Ele andou para frente, e com a voz baixa disse “Escute-me. Eu tive que te trazer. Eu não quero te machucar. Mas lá atrás no caminho do transito você disse algo, Você disse que reconhecia isto.”

Suspendendo sua manga, ele estendeu seu punho até ela.

Ela deu uma olhada desdenhosa para aquilo. “Eu fui estúpida em sentir pena de você.”

A raiva aumentou nele, mas ele se conteve. “Eu preciso saber. Eu não tenho nenhuma ideia de quem eu sou ou o que essa marca significa. Eu não me lembro de nada.”

Agora ela olhou para ele. “Você é um Nascido-nas-Celas?”

O nome o irritava. “É como eles chamam.”

Ela disse, “Eu já escutei sobre eles, mas nunca tinha visto um antes.”

Finn desviou o olhar. Falar sobre ele mesmo o perturbou. Ele sentiu o primeiro degrau; essa podia ser a única chance. Ele sentou-se nele, sentindo o frio emanado pela pedra debaixo de suas mãos.

Encarando a escuridão. Ele falou, “Eu apenas acordei. Isto foi tudo. Estava escuro e silencioso, minha mente estava totalmente vazia e eu não fazia ideia de quem era e de onde estava.”

Ele podia tê-la dito sobre o pânico, o grito terrível de pânico que havia surgido e o fez bater contra a parede da pequenina e sufocante cela.

Não pôde dizer que ele forçou vomito, que ele tinha se acovardado no canto tremendo por dias— o canto da sua mente, o canto da cela, porque os dois eram os mesmos e os dois estavam vazios.

Talvez ela tenha adivinhado; ela veio e sentou ao seu lado.

“Quantos anos você tinha?”

Ele balançou os ombros e disse. “Como vou saber? Isto foi há três anos.”

“Quinze anos então. Jovem o bastante. Eu ouvi que alguns deles nasceram insanos, já velhos.

Você teve sorte.”

A mais leve simpatia. Ele pegou isto apesar da dureza de sua voz, lembrando sua preocupação antes da emboscada. Ela era uma mulher que sentia pelos outros. Aquela era sua fraqueza e ele iria utilizar isto. Como Keiro o havia ensinado.

“Eu estava insano, Maestra. Algumas vezes eu ainda sou. Você não pode imaginar como é não ter passado, sem ideia de nome, de onde veio, onde está e o que você é. Eu me achei vestido com uma túnica cinza com um nome pintado nele, e um número. O nome era FINN e o número era /.

Eu li aqueles números de novo e de novo. Eu os aprendi. Risquei-os em uma pedra com um objeto afiado, os cortei em letras do meu sangue nos meus braços. Eu rastejei pelo chão como um animal, imundo, meu cabelo crescia enorme. Dia e noite onde as luzes entravam e saiam. Comida servida de uma fresta pela parede; dejetos saiam pela mesma maneira. Uma ou duas vezes eu tentava escalar pelo buraco, mas eu caia rápido demais. A maioria das vezes eu caia em uma espécie de torpor. E quando eu dormia, eu tinha sonhos terríveis.”

Ela o estava observando. Suas mãos eram fortes e capazes; trabalhara arduamente com elas, ele podia ver. Ela também tinha as unhas avermelhadas. Quieto ele falou, “Eu não sei seu nome.”

“Meu nome não importa.” Ela manteve seu olhar nivelado. “Eu já ouvi falar nessas celas. Os Sapienti as chamam de Ventres de Incarceron. Nelas a Prisão cria novas pessoas; elas emergem crianças ou adultos, inteiras, não como os meio-homens. Mas apenas os mais jovens sobrevivem.

As Crianças de Incarceron.”

“Algo sobreviveu, não tenho certeza se fui eu.” Ele queria lhe dizer sobre os pesadelos de imagens distorcidas, nos tempos que ele acordou, mesmo agora, em um pânico de esquecimento, perguntando seu nome, e onde ele estava, até que a respiração calma de Keiro o tranquilizou.

“Lá sempre tinha um Olho. Primeiro eu não sabia o que era aquilo, apenas se percebia aquilo a noite, um pequeno ponto vermelho brilhante perto do teto. Lentamente eu percebi que aquele era todo meu tempo, vim a imaginar se aquilo me observava, que não havia escapatória de lá. Eu comecei a pensar que havia uma inteligência por trás daquilo, curiosa e cruel. Eu odiava aquilo, me incomodava, colocava minha face contra a pedra úmida para não ver aquilo. Depois de um tempo, eu não conseguia parar de olhar por ai pra checar se ainda estava lá. Aquilo virou um tipo de conforto. Eu estava com medo daquilo ir embora, não podia suportar a ideia daquilo me deixar.

Foi quando eu comecei a falar com aquilo.”

Ele não havia dito aquilo nem mesmo a Keiro. A sua calma, sua proximidade, o cheiro de sabão e de conforto, ele deve ter conhecido algo como aquilo antes, porque aquilo extraia relutantemente palavras de sua boca.

“Você alguma vez já falou com Incarceron, Maestra? No escuro quando todo mundo está dormindo? Rezar e sussurrar para aquilo? Implorar para aquilo acabar com os pesadelos sem sentido? Isto é o que aqueles que nascem na cela fazem. Porque não há ninguém mais no mundo.

Aquilo é o mundo.”

Sua voz cessou. Cuidadosa para não olhar para ele, ela disse, “Eu nunca estive assim tão sozinha.

Eu tenho um marido. Eu tenho filhos.”

Ele engoliu seco, a raiva dela feriu sua auto piedade. Talvez ela tenha o manipulado.

Ele mordeu seus lábios e tirou os cabelos de seus olhos, sabendo que eles estavam molhados e bagunçados. “Bem, você tem sorte, Maestra, porque eu não tenho ninguém a não ser a Prisão, e a Prisão tem o coração de pedra. Mas gradualmente eu comecei a entender que ela era enorme e eu vivia ali dentro, que eu era minúsculo, uma criatura perdida, que eu havia me consumido.

Eu era filho daquilo, e aquilo era meu pai, muito além do entendimento. E quando eu tinha certeza, tanta certeza de eu estava paralisado pelo silêncio, a porta se abriu.”

“Então havia uma porta!” Sua voz era cheia de sarcasmo.

“Havia. O tempo todo. Era pequena e tinha sido invisível todo aquele tempo na parede cinza. Por um longo tempo, horas talvez, eu apenas observava aquele retângulo de escuridão, temendo o que poderia entrar, os sons vazios e os cheiros de além. Finalmente eu juntei coragem para me arrastar e sair de lá.” Ele sabia que ela estava olhando para ele agora. Ele colocou suas mãos juntas e ficou estático. “A única coisa fora da porta era um corredor tubular iluminado por cima.

Ele ia direto a ambas as direções, e não havia saída dali, e nenhum fim. Aquilo se apertava eternamente dentro da escuridão, eu me arrastei para cima—”

“Você conseguia andar, então?”

“Com muita dificuldade. Eu tinha pouca força.”

Ela sorriu, sem humor. Ele se apressou. “Eu tropecei para frente até minhas pernas não me obedecerem mais, mas o corredor continuava sem nada como antes. As luzes se apagaram e só os Olhos me observavam. Quando eu deixava um para trás eu achava outro logo à frente, e aquilo me confortava, porque estupidamente eu achava que Incarceron estava olhando por mim, me guiando em segurança. Eu dormi onde caí aquela noite. Ao Acender das Luzes havia um prato cheio de alguma comida pálida perto da minha cabeça.

Eu comi aquilo e continuei andando. Por dois dias eu segui aquele corredor até ficar convencido de que eu estava andando no mesmo lugar, chegando a lugar nenhum, que era o corredor que estava se movendo, movendo continuamente comigo, de que eu estava numa terrível esteira e iria andar para sempre. Então eu bati em um muro de pedra. Eu bati naquilo em desespero. Aquilo abriu, e eu cai para fora. Dentro da escuridão.”

Ele estava calado quando ela disse, “E você se encontrou aqui?”

Ela estava fascinada, apesar dela mesma. Finn balançou os ombros. “Quando eu me dei conta eu estava deitado em uma carroça cheia de grãos e uma dúzia de ratos. O

Comitatus me pegou em uma de suas patrulhas. Eles podiam me ter escravizado ou cortado minha garganta. O Sapiente foi quem consegui convencer a eles não o fazerem, mas foi Keiro quem levou o crédito.”

Ela riu rudemente, “Tenho certeza que ele levou. E você nunca tentou achar esse túnel de novo?”

“Eu tentei, mas nunca tive sucesso.”

“Mas para ficar com estes... animais.”

“Não tinha mais ninguém. E Keiro precisava de um irmão de juramento; você não consegue sobreviver aqui sem um. Ele achou que minhas... visões... poderiam ser úteis, e talvez ele reconhecesse que eu era muito descuidado para ele. Nós cortamos nossas mãos e misturamos nosso sangue e cavamos debaixo de um arco de correntes juntos. Isto é o que eles fazem aqui --

uma ligação sagrada. Nós protegeremos um ao outro. Se um morrer, o outro se vinga por ele.

Isto nunca pode ser quebrado.”

Ela olhou em volta. “Ele não é um irmão que eu escolheria. E o Sapiente?”

Finn balançou os ombros. “Ele acredita que meus flashes de memória foram enviados por Sapphique. Para nos ajudar a achar o caminho de fora.” Ela estava silenciosa.

Calmo ele disse. “Agora você sabe minha história, me fale sobre a marca na pele. Você falou de um cristal..”

“Eu lhe ofereci gentileza.” Seus lábios estavam apertados. “Em retorno eu fui raptada e provavelmente vou ser morta por um bandido que acha que pode guardar vidas para ele mesmo.

Em anéis de prata!”

“Não brinque com isto,” Finn disse com dificuldade. “É perigoso.”

“Você acredita nisso?” Ela soou espantada.

“É verdade. O pai dele viveu por duzentos anos...”

“Besteira total.” Seu menos prezo era absoluto. “O pai dele deve ter vivido até a velhice, mas provavelmente porque ele sempre tinha as melhores comidas e roupas e deixava qualquer perigo para seu estúpido seguidor. Como você.” Ela virou e olhou para ele, “Você joga sobre a minha compaixão. Você continua a fazer isto.”

“Eu não. Eu me coloquei em risco para te salvar. Você viu.”

A Maestra balançou sua cabeça. Então ela pegou o braço dele e antes que ele pudesse puxar de volta ela puxou a manga maltrapilha de sua roupa.

Sua pela suja estava ralada, mas sem cicatrizes.

“O que aconteceu com os cortes que você fez?”

“Eles curaram,” ele disse calmamente.

Ela deixou ir as mangas dele com desgosto e se virou. “O que vai acontecer comigo?”

“Jormanic irá enviar um mensageiro para o seu povo. O resgate será seu peso em tesouro.”

“E se eles não pagarem?”

“Certamente eles irão.”

“E se não pagarem?” ela virou. “O que acontece então?”

Infeliz ele, balançou os ombros. “Você acabaria aqui como escrava. Processando o minério, e fazendo armas. É perigoso. Pouca comida. Ele faz com que trabalhem até a morte.”

Ela balançou a cabeça. Olhando direto para o escuro vazio das escadas. Ela tomou um pouco de ar, ele viu sua incerteza no ar frio. Então ela disse, “Neste caso, fazemos um acordo. Eu os faço trazerem o cristal, e você me liberta. Hoje à noite.”

O coração dele pulsou. Mas ele disse, “Não é assim tão simples...”

“É simples sim. De outra maneira eu não darei nada a você, Finn Nascido-nas-Celas. Nada.

Nunca.”

Ela se virou e seus olhos negros o observavam quieto. “Eu sou a Maestra do meu povo e nunca me submeterei à Escória.”

Ela era brava, ele pensou. Mas ela não tinha ideia. Em menos de uma hora Jormanric poderia tela gritando para obter tudo que ele quisesse. Mas Finn já havia visto muito aquilo, e isto o deixava doente.

“Eles devem trazê-lo com o resgate.”

“Eu não quero que eles precisem fazer isso. Eu quero que você me leve de volta para onde me encontrou, hoje, antes de trancarem. Uma vez que cheguemos lá—”

“Eu não posso.” ele parou abruptamente. Atrás deles o som estridente do sino de aviso enviando um monte de pombos que infestavam o Covil mergulhando dentro da escuridão. “Eles iriam arrancar minha pele vivo!”

“Problema seu.” Ela deu um sorriso azedo. “Eu tenho certeza de que você pode inventar alguma estória. Você é um especialista.”

“Tudo o que disse e verdade.” De repente ele precisava que ela acreditasse nele.

Ela colocou seu rosto próximo a ele e seus olhos eram intensos. “Como a história de má sorte na emboscada?”

Finn olhou para trás. Depois ela abaixou seu olhar. “Eu não posso simplesmente libertar você.

Mas eu juro, se me der o este cristal, você chegará em casa segura.”

Por um momento o silencio era gélido. Ela virou suas costas para ele e se abraçou.

Ele sabia que ela estava prestes a dizer para ele. A voz dela era austera.

“Tudo bem. Há pouco tempo meu povo entrou em um salão deserto, estava trancado por dentro, talvez por séculos. O ar era imundo. Quando nós nos arrastamos para dentro encontramos algumas roupas empoeiradas, algumas joias, e um esqueleto de um homem.”

“E?” Ele esperou algum significado.

Ela olhou para ele com o canto dos olhos. “Na sua mão havia um pequeno artefato cilíndrico feito de cristal ou de algum vidro grosso. Dentro havia um holograma de um águia com as asas abertas.

Em uma das garras ela segura uma esfera. Em volta de seu pescoço, como o seu, ela usava uma coroa.”

Por um momento ele não podia falar. Antes que ele pudesse tomar ar ela disse.

“Você deve jurar minha segurança.”

Ele queria pegar sua mão e correr com ela, imediatamente, de volta para a coluna e escalando para cima continuamente até a área transitória. Mas ele disse, “Eles tem de pagar o resgate. Eu não posso fazer nada agora—se tentarmos, nós dois seremos mortos. E

Keiro também.”

A Maestra acenou com a cabeça insatisfeita. “Vai custar tudo ao meu povo para conseguir pagar o resgate de ouro em meu peso.”

Ele engoliu seco. “Então eu juro para você—pela minha vida, pela vida de Keiro— que se eles pagarem o resgate, nenhum mal acontecerá a você. De que eu terei certeza que a troca será honesta. Isto é tudo o que eu posso fazer.”

A Maestra se levantou, “Mesmo que você um dia tenha sido um Nascido-nas-Celas,” ela sussurrou “você está rapidamente se tornando Escória. E você é tão prisioneiro quanto eu aqui.”

Sem esperar por sua resposta, ela se virou e foi para a caverna. Lentamente, Finn esfregou sua mão em seu pescoço, sentindo uma doce rejeição. Ele percebeu que seu corpo estava cheio de tensão; ele fez com que se relaxasse. Então ele congelou.

Um vulto negro estava sentado degraus abaixo das escadas escuras, encostado no corrimão. Finn disse irritado. “Você não confia em mim?”

“Você é uma criança, Finn. Um inocente.” Keiro virou uma moeda de ouro por entre seus dedos.

Então ele disse, “Não jure por minha vida de novo.”

“Eu não quis dizer...”

“Não quis?” Com um movimento rápido seu irmão de juramento ficou quieto, subiu as escadas e o encarou face a face. “Certo. Então se lembre disso, você e eu temos um contrato por juramento.

Se Jormanric descobrir que estamos o enganando de qualquer jeito, nós dois terminamos como um de seus pequenos aneizinhos. Mas eu não tenho intenção de morrer, Finn. E você me deve.

Eu te pus nesse grupo de guerra, quando sua cabeça era vazia e você era um estúpido com medo.”

Ele contraiu os ombros em sinal de indiferença. “Às vezes eu me pergunto por que eu me importei.”

Finn engoliu seco. “Você se importou porque ninguém mais iria tolerar seu orgulho, sua arrogância, e sua desonestidade. Você se importou porque disse que eu seria tão vadio quanto você. E quando você enfrentar Jormanric, você precisará de mim para guardar suas costas.”

Keiro levantou suas sobrancelhas sarcasticamente. “O que te faz pensar—”

“Você irá um dia. Talvez logo. Então me ajude nisto, irmão, e eu o ajudarei.” Ele franziu a testa.

“Por favor, isto significa muito para mim.”

“Você está obcecado com esta estúpida ideia de que veio do Lado de Fora.”

“Estúpida não. Não para mim.”

“Você e o Sapiente. Um par de tolos juntos.” Quando ele não respondeu Keiro riu rudemente.

“Você nasceu em Incarceron, Finn. Aceite isso. Ninguém vem do Lado de Fora. Ninguém escapa!

Incarceron é selada. Nós todos nascemos aqui e iremos todos morrer aqui. Sua mãe lhe jogou aqui e você não consegue lembrar--se dela. A cicatriz do pássaro é apenas uma marca de tribo.

Esqueça.”

Ele não o faria. Ele não podia. Imprudentemente ele disse, “Eu não nasci aqui. Eu não me lembro de ter sido criança, mas eu fui uma, não consigo me lembrar de como eu cheguei aqui, mas eu não fui criado com um útero de fios e produtos químicos. E isto” — ele levanta seu pulso— “irá provar.”

“Algumas vezes eu penso que você ainda está fora de si.”

Finn fez uma careta. Então ele subiu as escadas, no topo ele teve que pisar sobre algo agachado na escuridão. Parecia um dos cães escravos de Jormanic, esticando sua corrente até o fim para alcançar uma tigela de água que algum engraçadinho colocara fora do alcance dele. Finn chutou a tigela para perto dele e continuou a andar.

A corrente do escravo estalou.

Por aqueles emaranhados de cabelos, seus pequenos olhos o viram indo embora.

Foi decidido desde o começo que a localização de Incarceron seria conhecida somente ao Diretor.

Todos os criminosos, indesejáveis, extremistas políticos, degenerados, lunáticos, seriam transportados para lá. O Portão seria selado e o Experimento começaria. Era vital que nada perturbasse o delicado balanço da programação de Incarceron, que proveria todo o necessário— educação, dieta balanceada, exercício, bem-estar espiritual, e trabalho significativo—para criar um paraíso.

Cento e cinquenta anos se passaram.

O Diretor relata que o progresso é excelente.

—Arquivos da Corte /

“Estava tão delicioso!” Lorde Evian limpou seus lábios carnudos com um guardanapo branco.

“Você realmente precisa me deixar ter a receita, minha querida.”

Claudia parou de bater as unhas na toalha de mesa e sorriu brilhantemente. “Farei com que alguém a copie para você, meu senhor.”

O pai dela estava olhando da ponta da mesa, as migalhas de seu café da manhã ascético de dois pãezinhos secos reunidas organizadamente em uma pilha no canto de seu prato. Como ela, ele havia terminado há pelo menos meia hora atrás, mas sua impaciência estava escondida com controle de ferro. Se ele estivesse impaciente. Ela nem mesmo sabia.

Agora ele dizia, “Sua Senhoria e eu iremos cavalgar esta manhã, Claudia, e fazer um breve almoço à uma da tarde exatamente. Após isto iremos retomar nossas negociações.”

Sobre meu futuro, ela pensou, mas apenas assentiu, notando o desânimo do Lorde gordo. Ele não podia ser um tolo tão grande quando parecia ou a Rainha não o teria mandando, e embora ele tentasse muito, uns poucos comentários perspicazes haviam escapado. Mas ele dificilmente era um cavaleiro.

O Diretor estava ciente disto. O pai dela tinha um humor cruel.

Quando ela ficou de pé, ele a acompanhou, meticulosamente polido, e pegou o pequeno relógio dourado do bolso dele. O relógio reluzia. Era lindo, digitalmente preciso, e totalmente fora dessa Era. Isso era uma excentricidade, o relógio e a corrente fina e o fino cubo prata que pendia dele.

Ele disse, “Talvez você devesse tocar o sino, Claudia. Eu estou preocupado que nós mantemos você por muito tempo longe de seus estudos.”

Ela foi rapidamente para borla verde perto da lareira e ele adicionou sem levantar a cabeça de dele, “Eu falei com o Mestre Jared no jardim mais cedo. Ele parecia bem pálido.

Com esteve a saúde dele nestes dias?”

Os dedos dela congelaram por momento no sino. Então ela puxou firmemente. “Ele está bem, senhor. Muito bem.”

Ele colocou o relógio para longe. “Eu tenho considerado, você não precisará de um tutor depois do seu casamento, e, além disso, há diversos Sapienti na Corte. Talvez nós devêssemos deixar Jared retornar para a Academia.”

Ela queria encará-lo com horror no turvo espelho, mas isto seria o que ele estava esperando.

Então ela manteve a face dela brilhante e virou-se levemente. “Se é o que você deseja. Eu sentirei falta dele, claro. E nós estamos no meio de um estudo fascinante sobre os Reis Havaarna. Ele sabe tudo sobre que há para saber sobre eles.”

Os olhos cinza dele a observaram cuidadosamente.

Se ela dissesse outra palavra o desanimo dela iria aparecer e isto decidiria para ele.

Uma pomba esvoaçou nos tijolos do lado de fora.

Lorde Evian rangeu com os sapatos dele. “Bem, se você fizer isso, Diretor, eu garanto a você que outra família o pegará. Jared Sapiens é muito renomado no Reino. Ele poderia nomear os honorários dele. Poeta, filósofo, inventor, gênio. Você deveria mantê-lo, senhor.”

Claudia sorriu agradavelmente concordando, mas por dentro ela estava perplexa.

Era como se o homem gordo no terno de seda azul soubesse o que ela não poderia falar por si mesma. Ele sorriu de volta, os pequenos olhos dele brilhavam.

Os lábios do Diretor estavam finos. “Eu tenho certeza que você está certo. Devemos ir, meu senhor?”

Claudia abaixou-se em uma reverencia. Enquanto o pai dela seguia Evian e quando se virou para fechar as portas duplas, os olhos dele encontraram os dela. Então as portas fecharam com uma batida.

Ela suspirou de alivio, como os olhos de um gato para um rato, ela pensou. Mas tudo que ela disse foi, “Agora, por favor.”

Instantaneamente, os painéis deslizaram para trás e empregadas e homens correram para fora para remover copos, pratos, os candelabros, peças de centro, vidros, pratos de Kedgeree, tigela de frutas. A janela abertas bateram e apagando as velas acesas; Tipo de comida típica inglesa.

O crepitante fogo queimava na madeira da lareira desapareceu sem a deixar odor de madeira carbonizada. Poeira sumiu, as cortinas mudaram de cor. E o ar adocicou-se com o cheiro de uma mistura de diversas flores e especiarias.

Deixando eles com isso, Claudia apressou-se para fora. Ela atravessou o salão educadamente segurando suas saias, então ela correu pela escada curva feita de carvalho e indo direto para a porta escondida no patamar, passando instantaneamente do luxo extremo para o corredor frio e cinza do corredor da ala dos servos, as paredes nuas amarradas com fios, cabos e powerpoints, pequenas telas de câmeras e scanners sônicos.

As escadas eram feitas de pedra, ela subiu tamborilando e abriu a porta acolchoada e saiu para o luxuoso corredor perfeito da Era.

Dois passos a levaram para o seu próprio quarto.

As empregadas já o haviam limpado. Ela trancou a porta dupla, ligou toda a segurança do bloco, e atravessou o quarto indo para janela.

Verde e macio, os gramados eram maravilhosos no brilho do verão. O jovem jardineiro, Job, estava vagando com um saco e um espeto, recolhendo as folhas caídas. Ela podia não estar com os pequenos fones de ouvido na orelha, mas os movimentos agitados dele fizeram com que repentinamente ela começasse a sorrir. Embora se o Diretor o visse, ele seria demitido.

Virando-se, ela deslizou de volta a gaveta da penteadeira dela, tirou o minicom, e o ativou. Em um lampejo ele acendeu e mostrou a uma visão distorcida do eco da face dele, grotesco em um vidro curvo. Assustada ela disse, “Mestre?”

Uma sombra. Dois vastos dedos e polegar abaixo e erguendo o alambique para fora.

Então Jared sentou abaixo do receptor escondido.

“Eu estou aqui, Claudia.”

“Está tudo certo? Eles sairão em alguns minutos.”

A fina face dele escureceu. “Eu estou preocupado com isso. O disco pode não funcionar. Nós precisamos testá-lo..”

“Não temos tempo! Eu vou hoje. Agora.”

Ele suspirou. Ela sabia que ele queria argumentar, mas apesar de todas as preocupações dele, alguém poderia estar ouvindo. Era perigoso falar demais. Em vez disso ele murmurou, “Por favor, seja cuidadosa.”

“Como você me ensinou, Mestre” por um breve segundo ela pensou sobre a ameaça do Diretor feita contra ele, mas não era a hora para isso. “Comece agora,” ela disse, e cortou o link.

O quarto dela era de mogno escuro, o dossel era decorado com um veludo vermelho pendurado, a cabeceira tinha um distintivo de um cisne negro. Além dela havia um closet que parecia um pouco pequeno no conjunto de paredes, mas se ela aproximar-se a ilusão se desfazia, dando lugar a um banheiro muito luxuoso, havia limites até para a rigidez do Diretor ao Protocolo. Enquanto ela ficava em pé no assento do vaso sanitário e olhava pela estreita janela, poeiras ensolaradas circulavam em montes em volta dela.

Ela podia ver o lado de fora. Dois cavalos estavam selados; seu pai estava ao lado de um, ambas as mãos enluvadas descansando nas rédeas, e com um grito suprimido de alívio ela viu que seu secretário, o sombrio homem atento chamado Medlicote, estava subindo na égua cinzenta. Atrás, Lorde Evian estava sendo elevado para a sela por dois ajudantes de estábulo suados. Claudia se perguntou quanto de sua cômica inabilidade era fingimento, e se ele havia estado preparado para cavalos de verdade ao invés de cibercavalos. Evian e o pai dela estavam jogando um jogo elaborado e mortal de educação e insultos, irritação e etiqueta. Aquilo a entediava, mas era assim que as coisas eram na Corte.

A ideia de uma vida futura disso a gelou.

Para se esconder, ela pulou para baixo, e tirou o vestido elaborado. Por baixo ela estava vestindo um macacão escuro. Por um momento ela se olhou no espelho. Roupas mudavam você. Há muito tempo atrás, o Rei Endor sabia disso. Foi por isso que ele parou o Tempo, aprisionou todos em gibões e vestidos, os endureceu em conformidade e rigidez.

Agora Claudia se sentia ágil e livre. Perigosa, até. Ela se levantou de novo. Eles estavam cavalgando pelo portão. O pai dela pausou e olhou de relance em direção à torre de Jared. Ela sorriu secretamente. Ela sabia o que ele podia ver.

Ele podia vê-la.

Jared havia aperfeiçoado a holoimagem nas longas noites de insônia. Quando ele havia mostrado a ela, ela mesma, sentada, falando, rindo, lendo no assento da janela da torre ensolarada, ela havia ficado fascinada e estarrecida.

“Esta não sou eu!”

Ele havia sorrido. “Ninguém gosta de se ver pelo lado de fora.”

Ela havia visto uma criatura presunçosa e petulante, seu rosto uma máscara de compostura, cada ação considerada, cada fala ensaiada. Superior e menosprezante.

“É realmente assim que eu sou?”

Jared havia dado de ombros. “É uma imagem, Claudia. Digamos que é como você pode parecer.”

Agora, saltando e correndo de volta para o quarto, ela observava o ritmo elegante dos cavalos movendo-se nos campos aparados, Evian falava, seu pai estava em silêncio.

Job havia desaparecido, e o céu azul estava sarapintado com nuvens altas.

Eles iriam levar pelo menos uma hora.

Ela pegou o pequeno disco do bolso dela, arremessou, pegou e colocou-o de volta.

Então ela abriu a porta do quarto dela e olhou para fora.

A Longa Galeria corria o comprimento da casa. Ela era adornada por painéis de carvalho e com retratos, estantes de livros, vasos azuis em pedestais. Acima de cada porta havia um busto de um imperador romano olhando com firmeza para baixo no seu suporte. Mais adiante perto do final a luz do sol fazia com que losangos cintilassem por toda a parede, e pela armadura que guardava o topo da escada como um rígido fantasma.

Ela deu um passo, e a tabua rangeu. As tabuas eram tão antigas, e ela franziu o cenho, por causa disto não havia maneira de desligá-las. Não havia nada que ela pudesse fazer sobre os bustos também, mas enquanto ela passa por cada pintura ela tocava o controle na moldura e a escurecias, pois atrás de algumas delas provavelmente haveria câmeras. Ela segurou o disco gentilmente na mão dela, na única vez que ela deu um discreto sinal de aviso, e ela já sabia sobre isso, uma encruzilhada fraca de linhas do lado de fora da porta do escritório, facilmente desfeita.

Claudia olhou para trás no corredor. Longe na casa uma porta bateu, um servo foi chamado.

Mesmo aqui em cima com todo abafado luxo do passado, o ar tinha a fragrância de zimbro e alecrim, e uma combinação de lavanda do armário da lavanderia.

A porta do escritório era escondida nas sombras. Ela era preta, e parecia ser de ébano; um painel vaziou, com exceção do cisne. Imenso e malévolo, o pássaro olhava para ela, o pescoço esticado como se estivesse cuspindo em deboche, asas amplas. Os olhos minúsculos dele cintilavam como se fosse de diamantes ou de uma opala negra.

Mais como um olho mágico, ela pensou.

Tensa, ela levantou o disco de Jared e o segurou cuidadosamente na a porta; Se grampeou sozinho com um clique minúsculo metálico.

O dispositivo zumbiu. Um pequeno gemido surgiu a partir dele, mudando frequentemente de tom e intensidade, como se perseguisse a intricada combinação da fechadura com as escalas de som. Jared havia dado explicações pacientes sobre como aquilo funcionava, mas ela não havia estado realmente escutando.

Impaciente, ela se mexeu. Então congelou.

Passos estavam subindo à escada, um leve tamborilar.

Talvez uma das empregadas, apesar da ordem. Claudia se esmagou para dentro do nicho, amaldiçoando silenciosamente, mal respirando.

Logo atrás da orelha dela, o disco deu um suave e satisfatório estalo.

De uma vez ela se virou, a porta estava aberta, e ela entrou em segundos, colocando um braço rapidamente para fora para pegar o disco.

Quando a empregada passou com a pilha de roupa, a porta do escritório estava escura e sombriamente trancada como sempre.

Devagar, Claudia tirou o olho do olho mágico e suspirou de alivio. Então ela endureceu seus ombros com tensão. Uma curiosa e terrível certeza a atingiu. A sala atrás dela não estava vazia, o pai dela estava em pé ás suas costas, perto o suficiente para tocar, com um sorriso amargo. O

cavaleiro que ela tinha visto sair tinha feito sua própria imagem holográfica, que ele tinha adivinhado ela como sempre fazia.

Ela se obrigou a virar.

A sala estava vazia. Mas não do jeito que ela esperava. Para começo ela era grande demais. Era totalmente fora da Era. E era inclinada.

Pelo menos, ela achou por um momento, por que nos primeiros passos que ela deu para espaço foram estranhamente instáveis, como se o chão estivesse inclinado, ou a perspectiva das paredes cinza sem nada que subiam em estanhos ângulos. Algo embaçou e pisco. Então a sala parecia gentilmente, voltar ao normal, exceto pelo calor, o leve aroma doce e um zumbido baixo que ela não conseguia identificar.

O teto era alto e abobadado. Dispositivos prateados brilhantes cobriam a linha das paredes, cada um com pequenas luzes vermelhas piscando. Havia uma estreita linha de iluminação exatamente na área depois dela, revelando uma mesa solitária e uma cadeira de metal perfeitamente alinhada.

O resto do quarto estava vazio. A única coisa que estragava o chão perfeito era uma pequena sujeira preta. Ela se aproximou e examinou. Era um pedaço de metal, caído de algum dispositivo.

Impressionada, ela ainda não tinha certeza se estava sozinha. Claudia olhou em volta. Onde estavam as janelas? Deveriam haver duas—ambas de caixilhos ornados. Você podia vê-las do lado de fora, e através dela também um teto branco ornamentado e algumas estantes. Muitas vezes ela havia imaginado em escalar a hera para chegar nesta sala. Do lado de fora a sala parecia normal, não com esse zumbido e com uma mesa inclinada grande demais para esse espaço.

Ela deu um passo à frente, segurando firmemente, o disco de Jared, mas ele não havia registrado nenhum aviso. Chegando a mesa, ela tocou a sua lisa e monótona superfície e uma tela subiu silenciosamente sem controles visíveis. Ela procurou, mas não havia nada, então ela assumiu que era por reconhecimento de voz. “Comece,” ela disse quietamente.

Nada aconteceu.

“Vai. Ligue. Comece. Inicie.”

A tela continuava em branco. Apenas o quarto zumbia.

Deveria haver uma senha. Ela olhou para baixou com as duas mãos em cima da superfície da mesa. Havia apenas uma palavra que ela podia pensar, então ela falou.

“Incarceron.”

Nenhuma imagem. Mas abaixo dos dedos da mão esquerda dela a caixa moveu-se suavemente, abrindo-se.

Dentro, havia um suporte de veludo preto, em que havia uma única chave. Ela era complexa, uma emaranhada teia de cristais. Incrustado em um coração estava uma águia real; a insígnia real da dinastia Havaarna. Mais perto da curva, ela olhou para as facetas afiadas que brilhavam muito.

Isso era diamante? Vidro? Atraída pela beleza maçante disto ela se curvou para bem perto, sua respiração a tocava, a sombra dela bloqueava a luz de cima, então o arco-íris que cegava sumiu.

Continuar: parte 3 de 4