Incarceron
Sinopse
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
Poderia ser realmente a chave de Incarceron? Ela queria pega-la. Mas primeiro ela passou o disco de Jared cuidadosamente na superfície.
Nada.
Ela olhou em volta uma vez. Tudo estava quieto. Então ela pegou a chave.
O quarto estremeceu. Alarmes tocavam; raios-laser do chão atiravam para cima, atingindo ela com uma cegueira de luz vermelha. Uma grade de metal fechou violentamente a porta; Luzes escondidas acenderam de repente e ela congelou em puro terror, o coração dela batia ferozmente em seu peito, e naquele instante o disco espetou um ponto vermelho de dor no dedo dela.
Ela olhou para baixo. A mensagem de Jared estava ofegante de tanto terror.
Ele está voltando! Saia, Claudia! Saia!
Uma vez Sapphique chegou ao final de um túnel e fitou um grande salão. Seu piso era uma piscina de veneno. Vapor corrosivo se elevava dele. Através da escuridão estendia-se um fio esticado, e do outro lado um portal era visível, com uma luz mais além.
Os detentos da Ala tentaram dissuadi-lo. “Muitas pessoas caíram,” disseram. “Seus ossos apodrecem no lago negro. Por que você deveria ser diferente?”
Ele respondeu, “Porque eu tenho sonhos e nesses sonhos eu vejo estrelas.” Então ele se jogou no fio e começou a travessia. Descansou muitas vezes, ou parando com dor. Muitas vezes eles chamaram-no para voltar. Finalmente, depois de horas, ele chegou ao outro lado, e o viram cambalear e desaparecer pela porta.
Ele era escuro, esse Sapphique, e magro. Seu cabelo era liso e longo. Seu verdadeiro nome é apenas para ser adivinhado.
—Peregrinações de Sapphique
Gildas disse impaciente, “Já disse muitas vezes. O Lado de Fora existe. Sapphique encontrou um caminho para lá. Mas ninguém vem. Nem mesmo você.”
“Você não tem certeza disso.”
O velho riu, fazendo o chão balançar. A gaiola de metal suspensa era tão pequena, que mal os cabia agachados. Livros estavam suspensos por correntes, instrumentos cirúrgicos, uma balançante cascata de caixas de lata cheias de espécimes podres. A câmara era acolchoada com velhos colchões, dos quais tufos de palha caiam como uma neve irritante em direção à fogueira de cozinhar e panelas muito abaixo. Uma mulher olhou para cima já para gritar aborrecida, foi então que ela viu Finn, e ficou calada.
“Eu sei disso, rapaz tolo, porque os Sapienti escreveram isso.” Gildas se adiantou.
“A prisão foi feita para aprisionar a escória da humanidade; para selá-los e exilá-los da terra. Foi há séculos, no tempo de Martor, nos dias em que a prisão falou para os homens.
Setenta Sapientes se ofereceram para entrar na prisão para ensinar aos detentos, depois disso, a entrada foi selada para sempre. Eles ensinaram a sua sabedoria aos seus sucessores. Até mesmo as crianças sabem disso.”
Finn esfregou o punho de sua espada. Ele sentia-se cansado e ressentido.
“Ninguém entrou desde então. Nós sabemos sobre os Ventres também, mas não onde estão.
Incarceron é eficiente. Foi projetada para ser. Não desperdiça matéria morta, pelo contrário, recicla tudo. Naquelas celas, ela aumenta o número de detentos. Talvez animais também.”
“Mas eu me recordo de coisas... pedaços de coisas.” Finn agarrou as grades da gaiola como se estivesse mantendo-se firme na sua crença, vendo Keiro atravessar, abraçado com duas meninas e rindo.
O olhar de Gilda seguiu o dele. “Você sonha com os mistérios de Incarceron. Suas visões nos mostrarão como Escapar.”
“Não. Eu me lembro.”
O velho pareceu exasperado. “Lembra-se do quê?”
Ele sentiu-se tolo. ” Bem... um bolo com bolas prateadas e sete velas. Havia pessoas e música...
muita música...” Ele não tinha percebido até agora, estava estranhamente feliz até olhar nos olhos do velho homem.
“Um bolo. Acredito que pode ser um símbolo. O número sete é importante, os Sapienti o conhecem como ‘selo de Sapphique’, por causa da época em que ele conheceu o Besouro renegado.”
” Eu estava lá!”
“Todo mundo tem lembranças, Finn. Suas profecias são o que importam. As visões que você recebe são o grande e estranho presente do Vidente das Estrelas. Elas são únicas.
As pessoas sabem disso, os escravos e bandos de guerra, até Jormanric. Percebe-se isso na forma com que te olham, às vezes tem medo de você.”
Finn estava calado. Ele odiava os ataques. Eles vinham repentinamente, mal-estar vertiginoso e escurecimento que o aterrorizavam, o cruel interrogatório de Gildas depois de cada um o deixou trêmulo e doente.
“Um dia eu vou morrer de um,” ele disse calmamente.
“É verdade que poucos Nascidos-nas-Celas vivem para ficar velhos.” A voz de Gildas era áspera, mas distante. Afivelando o colar ornado sobre seu robe verde ele murmurou “O passado se foi; não importa se era isso, não importa mais. Tire isso da sua cabeça ou isso te levará à loucura.”
Finn disse, “Quantos outros Nascidos-nas-Celas vocês conheceram?”
“Três.” Gildas puxava os trançados de sua barba irritado. Ele parou. “Vocês são seres raros. Eu gastei minha vida pesquisando antes que eu te encontrasse. Um homem que os rumores diziam ser um nascido na cela costumava a mendigar no exterior do Salão de Lepers, mas quando eu finalmente o persuadi a falar eu percebi que ele tinha ficado louco; ele balbuciava sobre um ovo que falava um gato que desbotava somente por sorrir.
Anos depois, depois de muitos rumores, eu achei outro, uma trabalhadora do Civicry na Ala de gelo. Ela parecia normal o suficiente; Eu tentei persuadi-la a me falar sobre as suas visões. Mas ela nunca iria. Um dia eu escutei que ela tinha se enforcado.”
Finn engoliu duramente. “Por quê?”
“Eles disseram que ela gradualmente começou a acreditar que uma criança a seguia, uma criança invisível que agarrava sua saia e a chamava, acordando ela de noite. A voz dela a atormentava.
Ela não conseguia calá-la.”
Finn estremeceu. Ele sabia que Gildas o estava observando. O Sapiente disse rispidamente, “Te achar aqui foi uma chance em um milhão, Finn. Apenas você pode guiar minha Escapada.”
“Eu não posso...”
“Você pode. Você é meu profeta, Finn. Minha ligação com Incarceron. Logo você me trará a visão que eu esperei a vida toda, o sinal que meu tempo chegou. Que eu devo seguir Sapphique e procurar pelo Lado de Fora. Todo Sapiente faz esta jornada. Nenhum teve sucesso, mas nenhum deles teve um Nascido-nas-Celas para guiá-lo.”
Finn balançou sua cabeça. Ele tinha escutado isto por anos e isto ainda continuava o assuntando.
O velho estava obcecado para escapar, mas como Finn podia o ajudar? Como lampejos de memória, formigamentos na pele e lapsos dentro do inconsciente podiam ajudar alguém?
Gildas passou por ele pegando a escada de metal. “Não fale sobre isto com ninguém. Nem mesmo com Keiro.”
Ele desceu e seus olhos estavam no mesmo nível que os pés de Finn antes que Finn murmurasse, “Jormanric nunca vai deixar você apenas ir.”
Gildas olhou para cima pelos degraus. ” Eu vou onde eu quero. “
“Ele precisa de você. Ele comanda a Ala por causa de você. Sozinho ele—”
“Ele dará um jeito. Ele é bom com medo e violência.”
Gildas desceu um degrau, então se ergueu, seu pequeno rosto enrugado acendeu com um prazer repentino. “Você consegue imaginar como será isto, Finn, um dia, abrir uma escotilha e escalar a escuridão, para fora de Incarceron? Ver as estrelas? Ver o sol!”
Por um momento Finn estava calado; então ele balançou em uma corda passando pelo Sapiente.
“Eu já vi.”
Gildas riu acidamente. “Apenas em visões, garoto tolo. Apenas nos sonhos.”
Ele desceu as escadas amarradas em diagonal com uma agilidade impressionante.
Finn o seguiu, mas lentamente, a fricção da corda esquentando por suas luvas.
Escapar.
Isto era uma palavra que o picava como se fosse uma vespa, uma agudeza que perfurava sua mente, um desejo que prometia tudo e não significava nada. O Sapiente ensinou que Sapphique uma vez achou o caminho para fora, que ele tinha escapado. Finn não tinha certeza se ele acreditava naquilo. As estórias sobre Sapphique cresciam quando contadas; qualquer contador de estórias e poeta tinha uma nova. Se um único homem podia ter todas aquelas estórias, enganado todos aqueles Senhores da ala, feito aquela jornada épica pelas centenas de Alas de Incarceron, ele deve ter vivido por gerações. Era dito que a prisão era vasta e desconhecida, um labirinto de escadas e salas e câmaras e incontáveis torres. Ou assim o Sapiente ensinou.
Seu pé atingiu o chão. Vislumbrando a iridescência do roupão verde cobra de Gildas enquanto o velho se apressava para fora do covil, Finn correu atrás dele, se assegurando que sua lâmina estava na sua bainha e que ele tinha duas adagas no seu cinto.
O cristal de Maestra era o que o preocupava agora.
E pegá-lo não iria ser fácil.
O Abismo do Resgate era apenas três salas de distância, e ele cruzava os escuros espaços vazios rapidamente, alerta para aranhas ou as inatas águias das sombras que atacavam violentamente lá do alto nas vigas. Todo mundo já parecia estar lá. Ele ouviu o Comitatus antes que ele passasse pelo último arco; eles estavam gritando e berrando insultos pelo abismo, seus insultos ecoando pelas lajes lisas e inalcançáveis.
Na margem longe os Civicry esperavam, uma linha de sombras.
O Abismo era uma fenda com pontas cortantes pelo chão, uma face límpida da obsidiana negra.
Se uma pedra fosse jogada nele, nenhum som ecoaria. Comitatus achava que aquilo não tinha fundo; alguns dizem que se você cair dentro das suas profundezas, você cai por Incarceron direto ao coração fundido da terra, e certamente calor cresce dele, um miasma que faz o ar tremular.
No centro, dividido por qualquer coisa que o terremoto na prisão tenha formado, cresce uma rocha do tamanho de uma agulha chamada de a Ponta, sua superfície lisa rachada e gasta. De cada lado uma ponte de metal enferrujado e negro é gordura de porco e deixado lá. Aquele era um espaço neutro que pertencia a ninguém, um lugar para tréguas e negociações, de hesitantes trocas entre as tribos hostis da Ala.
Na beirada sem proteção, onde ele geralmente tinha perturbado alguns escravos gritando com eles, Jormanric descansava em seu trono, o Comitatus do lado dele, o pequeno cachorro escravo agachado no final de sua corrente.
“Olhe para ele,” A Voz de Keiro cochichava na orelha de Finn. “Grande e grosso.”
Espécie de pedra vulcânica.
“E tão vaidoso quanto você.”
Seu irmão de juramento bufou. “Pelo menos eu tenho algo para ser vaidoso.”
Mas Finn estava olhando a Maestra. Enquanto eles á levavam, seus olhos olharam rapidamente para a multidão, as pontes frágeis, seu povo a esperando no ar tremulante.
Bem ali, apenas por um momento um homem chorou, e com o som daquilo seu rosto perdeu a compostura. Ela se empurrou os guardas e gritou, “Sim!”
Finn se perguntou se aquele era seu marido. “Venha,” ele disse para Keiro, e avançou.
Vendo eles, a o bando se moveu para trás. Está no jeito que eles olham para você, Finn pensou amargamente. Sabendo que o velho estava certo deixando ele com raiva. Ele veio atrás da Maestra e agarrou seu braço. “Lembre-se do que eu disse. Ninguém irá te machucar. Mas você tem certeza que eles trarão esta coisa?”
Ela olhou para ele. “Eles não irão deixar nada para trás. Algumas pessoas sabem sobre o amor.”
A brincadeira o pegou. “Talvez eu tenha uma vez.”
Jormanric estava observando-os, seus olhos sem brilho quase sem foco. Ele apontou o dedo anelar para a ponte e gritou, “Preparem-na!”
Keiro colocou as mãos da mulher atrás dela e as algemou. Observando, Finn murmurou, “Olhe.
Sinto muito.”
Ela segurou seu olhar. “Não o tanto quanto eu sinto por você.”
Keiro sorriu maliciosamente. Então ele olhou para Jormanric.
O Senhor da Ala se levantou e andou até a beira do abismo, gritando para os Civicry.
A oleosa malha metálica rangeu enquanto cruzava seus braços sobre seu peito.
“Escutem, ali!” ele gritou. “Vocês conseguem ele de volta pelo seu peso em tesouro. Nada mais, nada menos. E isto não quer dizer nenhum metal fundido ou lixo.”
Suas palavras tremularam no calor de vapor.
“Primeiro, sua palavra que não haverá traição.” A réplica era fria com fúria.
Jormanric sorriu. Seus dentes reluzindo com o suco de ket. “Vocês querem minha palavra! Eu não mantenho minha palavra desde que eu tinha dez anos e esfaqueei meu próprio irmão. Vocês, bem vindos a isto.”
O Comitatus riu em silencio. Atrás deles, com metade de seu corpo nas sombras, Finn viu Gildas, seu rosto azedo.
Silêncio.
Então da neblina de calor cintilante veio um tinido e um baque. Os Civicry estavam arrastando os seus tesouros para a Ponta. Finn estava se perguntando o que eles tinham---minério certamente, mas Jormanric estaria esperando por ouro e platina e o mais precioso de todos, microcircuitos.
Até porque, os Civicry eram um dos grupos mais ricos da Ala.
Isto foi o motivo da emboscada.
A ponte estremeceu. A Maestra agarrou o trilho para se segurar. Finn disse calmamente, “Solte.”
Ela olhou atrás dele. Keiro tinha tirado sua espada.
“Eu estou aqui irmão.”
“Não deixe a puta ir até termos cada grama,” Jormanric disse.
Finn franziu a testa. Empurrando Maestra para frente, ele começou a travessia.
A ponte era uma rede de correntes entrelaçadas; ela balançava com cada passo. Ele escorregou duas vezes, uma tão duramente que toda estrutura balançou loucamente é quase lançou os três dentro do abismo. Keiro praguejou; As juntas dos dedos de Maestra brancas por segurar as cordas de metal.
Finn não olhou para baixo. Ele sabia que aquilo pertencia a nada mais que escuridão, e o calor que crescia e queimava seu rosto, trazendo estranhos cheiros, era insensato respirar.
Enquanto ela avançava, a voz de Maestra voltava a ele, dura e fria. “Se eles não trouxerem... o cristal? E então?”
“Que cristal?” Keiro perguntou astutamente.
Finn disse, “Cale a boca.” A frente na obscuridade ele podia ver três homens da Civicry, como combinado, esperando na plataforma de pesagem. Ele se mover para perto atrás da Maestra.
“Nem tente correr para lá. Jormanric terá trinta armas apontadas para você.”
“Eu não sou tola,” ela respondeu. Então ela deu um passo para a Ponta.
Finn a seguiu, tomando um pouco de ar de alivio. Isto era um erro. Os cheiros da neblina de calor asfixiaram sua garganta; ele tossiu.
Keiro passou por ele, com a espada em punho, agarrou o braço da mulher. “Aqui.”
Ele a empurrou para dentro da plataforma de pesagem. Que era uma vasta plataforma de alumínio, arrastada até aqui em pedaços e reconstruída com imensa dificuldade para ocasiões como aquela, mas em todo o tempo de Finn com o Comitatus ele nunca a tinha visto sendo usada.
Jormanic geralmente não se incomodava com resgates.
“Olhe bem para o marcador, amigo.” Keiro virou sedosamente para o líder Civicry.
“Ela não é tão leve, não é?” Ele sorriu.
“Talvez você devesse tê-la deixado em um regime rígido.”
O homem estava atarracado, agasalhado em um casaco listrado, volumoso com armar ocultas.
Ignorando o sarcasmo ele veio e olhou para a agulha do marcador enferrujado, mudando rapidamente, arrebatando olhares com a Maestra. Finn o reconheceu da emboscada. Aquele que ela chamava de Sim.
O homem deu a Finn um olhar sujo. Tomando nenhum risco, Keiro puxou Maestra para trás e segurou sua adaga no seu pescoço. “Agora empilhe o tesouro. E não tente nada.”
No momento antes do tesouro ser despejado, Finn limpou o suor de seus olhos. Ele engoliu de novo, tentando não respirar fundo, desejando desesperadamente que ele tivesse amarrado algo sobre seu nariz e boca. Fraqueza, horrivelmente familiar, os pontos de vermelhidão começaram a flutuar atrás de seus olhos. Agora não, ele pensou freneticamente. Por favor.
Agora não.
Ouro estava resvalando e rangendo. Anéis, taças, pratos, elaborados candelabros.
Um saco foi aberto e moedas de prata caíram, forjada provavelmente do minério contrabandeado pelos comerciantes; então um dilúvio de componente delicado roubados de partes ermas e escuras da Ala —Besouros quebrados, lentes de Olhos, um Varredor com seu radar desfigurado.
A agulha começou a se mexer. Olhando aquilo, o Civicry largou um saco de ket e duas pequenas peças da preciosa madeira de ébano que crescia em algum lugar na floresta definhada, madeira que até mesmo Gildas tinha apenas ouvido rumores sobre.
Keiro sorriu para Finn.
Enquanto a agulha vermelha se movia uma pilha de fios de cobre e Pastilhas foram colocadas, um punhado de filamentos de cristal, um elmo remendado, e três folhas enferrujadas que certamente iriam voar no primeiro vento forte.
O homem trabalhava apressadamente, mas estava claro que eles estavam ficando sem bens. A Maestra olhava com lábios apertados, a ponta da faca de Keiro embranquecendo a pele debaixo de sua orelha.
A respiração de Finn estava áspera. Espinhos de dor desencadearam atrás de seus olhos. Ele engoliu e tentou sussurrar para Keiro, mas ele não tinha fôlego e seu irmão de juramento estava observando o último saco—de utensílios inúteis—sendo colocados na pilha.
A agulha balançou.
Aquilo parou com pouco.
“Mais,” Keiro disse calmamente.
“Não tem nada mais.”
Keiro riu. “Você ama o casaco que está usando mais que ela?”
Sim tirou o cassaco e o arremessou. Então, com um olhar para a Maestra ele atirou sua espada e sua espingarda. Os outros dois homens fizeram o mesmo. Eles ficaram parados de mãos vazias e cada um deles viu a agulha tremular.
Ela não tinha atingido a marca.
“Mais,” Keiro disse.
“Pelo amor de deus!” A voz de Sim estava áspera. “Apenas deixe-a ir!” Keiro olhou para Finn. “O
cristal. Está ai?” Atordoado, ele balançou sua cabeça.
Keiro sorriu glacialmente para o homem. Ele pressionou a lâmina; uma brilhante gota de sangue negro caiu dela. “Implore, senhora.”
Ela estava bastante calma. Ela disse, “Eles querem o cristal, Sim. Aquele que você encontrou na sala perdida.”
“Maestra...”
“Dê para eles.”
Sim hesitou. Apenas por um segundo. Pela sua náusea Finn viu aquilo acertar a Maestra como um golpe. Então o homem colocou sua mão em sua camisa e tirou um objeto que pegou o brilho da luz, que fez um rápido arco-íris sair de seus dedos. “Nós achamos algo,” ele disse. “Algo que deve...”
Ela o parou com um olhar. Ele colocou o cristal lentamente dentro da pilha.
A agulha chegou à marca.
De uma vez Keirou empurrou a mulher para longe. Sim agarrou seu braço e a empurrou para a segunda ponte. “Corra!” ele gritou.
Finn agachou. Saliva brotou em sua garganta enquanto ele pegava o cristal. Dentro dele uma águia com as asas abertas. Ela era a mesma da marca em seu punho. Finn.
Ele olhou para cima.
A Maestra tinha parado e seu rosto tinha ficado pálido. “Eu espero que isto o destrua.”
“Maestra!” Sim pegou seu braço, mas ela o sacudiu tirando sua mão. Apertando nas correntes da segunda ponte, ela encarou Finn e cuspiu palavras para ele.
“Eu amaldiçoo o cristal, e eu te amaldiçoo.”
“Não temos tempo,” ele disse rouco. “Apenas vá.”
“Você destruiu minha crença. Minha compaixão. Eu pensei que eu conseguia distinguir a verdade das mentiras. Agora eu nunca mais ousarei mostrar bondade a um estranho de novo. Por isto eu nunca posso te perdoar!”
O ódio dela o queimou. Então, enquanto ela se virava, a ponte tremeu.
O abismo oscilava loucamente. Em um segundo de horror congelado a Maestra gritou e ele arfou, “Não!” cambaleando ele deu um passo em direção a ela. Então Keiro tinha o segurado e estava gritando e algo estava quebrando e como se a dor em sua cabeça os tivesse retardado ele viu as correntes e os rebites que seguravam a ponte batendo e se lançando para fora, escutando as risadas de Jormanic. Ele sabia que isto era uma armadilha.
A Maestra deve ter percebido também. Ela ficou de pé.
Ela deu a ele um olhar, seus olhos nos dele; então ela tinha ido, ela e Sim e os outros tinha ido para baixo, e a ponte em uma engenhoca batendo e lançando pedaços de metal destruído num barulhento reboliço contra o lado do penhasco.
Gritos ecoando enfraquecidos.
Abaixado até seus joelhos, Finn olhou, horrorizado. Um onda de náusea passou de repente por ele. Ele agarrou o cristal, e pelos uivos em suas orelhas escutou Keiro dizendo calmamente, “Eu devia ter adivinhado que o velho trapaceiro faria isto. E um pedaço de vidro não parece muito por todos seus problemas. O que é isto?”
Finn sabia, em um segundo de clareza ácida, que ele estava certo, que ele devia ter nascido Lá fora; sabia por que ele segurava em suas mãos o objeto que ninguém em Incarceron por gerações tinha visto ou sequer adivinharia o propósito, e ainda assim ele era familiar, ele tinha uma palavra para isto, ele sabia o que aquilo era.
Era uma chave.
Escuridão e dor o engoliram. Ele caiu dentro dos braços firmes de Keiro.
DEBAIXO DA TERRA, AS ESTRELAS SÃO LENDAS
Os Anos de Fúria terminaram e nada pode ser o mesmo. A guerra tornou a lua vazia e parou as marés. Nós devemos achar um jeito mais simples de viver. Nós devemos retornar ao passado, tudo e todos, em seu lugar, em ordem. Liberdade é um preço pequeno a se pagar pela sobrevivência.
—Decreto do Rei Endor
Finn sentiu-se caindo por vários quilômetros abismo abaixo antes que ele batesse em um monte de pedras. Sem ar, ele levantou sua cabeça. A sua volta a escuridão rugiu.
Do seu lado, descansando em uma rocha, alguém estava sentado. Finn disse instantaneamente, “A Chave...”
“Do seu lado.”
Ele tateou por ela no cascalho, sentiu o suave peso dela. Então ele se virou.
Um estranho sentado ali. Ele era novo e tinha um longo cabelo escuro. Ele usava um casaco de gola alta como o de um Sapiente, mas estava todo sujo e remendado. Ele apontou para a face da rocha e disse, “Olhe, Finn.”
Na rocha havia uma fechadura. Uma luz brilhava por ela. E Finn viu que a rocha era uma porta, Pequenina e preta, e na sua transparência estrelas e galáxias estavam cravadas.
“Este é o Tempo. É isto que você deve destrancar,” Sapphique disse.
Finn tentou levantar a chave, mas estava tão pesada que ele teve de usar ambas as mãos, mas mesmo assim ela sacudiu em seu punho. “Ajude-me,” ele suspirou.
Mas o buraco estava fechando, mudando, e no momento que ele havia conseguido deixar a chave firme, só restava um pequeno feixe de luz.
“Tantos já tentaram,” Saphique sussurrou na sua orelha. “Morreram tentando.”
***
Por um segundo Claudia estava paralisada com desespero.
Então ela se moveu. Ela colocou a chave de cristal em seu bolso, usou o disco de Jared para fazer uma fotocópia perfeita daquilo que repousava no veludo negro e fechou a gaveta com força. Com dedos molhados de suor ela pegou a caixa preparada apenas para esta emergência e liberou as joaninhas, Elas voaram pousando no painel de controle e no chão. Então ela mudou o disco de azul para vermelho, oscilando, e mirou aquilo para a porta.
Três das luzes lazeres zuniram e morreram. Ela deslizou pela abertura que eles deixaram, se esquivando dos raios imaginários de armamento. A grade era um pesadelo; o disco fez um som rápido e mostrou mau funcionamento. Ela gemeu para aquilo em desespero, tendo certeza de que aquilo iria parar de funcionar, ficar sem energia, mas vagarosamente um buraco branco e quente derretia no metal enquanto os átomos se embaralhavam e se reorganizavam.
Em segundos ela tinha passado por aquilo e tinha aberto a porta que deu no corredor.
Estava silencioso.
Impressionada, ela escutou. Assim que a porta fechou atrás dela, Os alarmes de pânico desligaram como se eles estivessem em outro mundo.
A casa estava pacífica. Pombas grasnaram. E abaixo, ela escutou vozes.
Ela correu. Pra cima as escadas dos fundos, direto para o sótão, e abaixo uma passagem pelo sótão de serventes que dava nas pequeninas salas de armazenagem; fedia a madeira úmida e a cravo da índia. Abaixando ela tateou rapidamente procurando o mecanismo que abria a cova do antigo sacerdote, tirando sujeira e teias de aranha, e então, sim, lá! O trinco que mal cabia em seu dedão.
Assim que ela apertou aquilo, o painel fez um som estridente; Ela jogou seu peso em cima daquilo, forçando, jurando, e aquilo de repente se abriu e ela caiu para dentro.
Uma vez que tinha fechado e colocado suas costas contras aquilo, ela conseguiu respirar.
Atrás dela, o túnel para a torre de Jared seguia em escuridão.
***
Finn descansava curvado em sua cama.
Ele descansou lá um longo tempo, gradualmente se tornado ciente dos barulhos da gruta lá fora, barulho de alguém correndo, do bater de pratos. Finalmente, tateando com suas mãos, ele descobriu que um cobertor havia sido colocado com cuidado sobre ele. Seus ombros e seu pescoço doíam; um suor gelado o arrepiou.
Ele se enrolou e olhou para o teto imundo. Ecos de um longo grito estavam crescendo em suas orelhas, o zunir dos alarmes e do pânico, e luzes repetitivas. Por um momento doentio ele teve a sensação que sua visão tinha esticado até um longo túnel escuro indo para longe dele, de que ele pode pisar dentro daquilo e tentar seu caminho em direção à luz.
Então Keiro disse. “Já era hora.”
Desfocado e distorcido, seu irmão de juramento veio e se sentou na cama. Ele fez uma cara. “Você parece mal.”
A voz de Finn, quando ele tentou falar, estava rouca. “Você não.”
Devagar ele focou. A cabeleira loira de Keiro estava amarrada para trás. Ele usava o cassaco de Sim com bem mais adereços que seu dono já havia usado. Um grande e bem feito cinto percorria sua cintura, uma adaga cheia de joias presa nele. Ele estendeu seus braços. “Serve em mim. Não acha?”
Finn não respondeu. Uma onda de raiva e vergonha havia crescido em algum ligar nele; Sua mente se contorceu para longe daquilo. Se ele deixasse aquilo entrar, ele iria se afogar. Ele disse com a voz ríspida, “Por quanto tempo? Quão ruim?”
“Duas horas. Você perdeu a partilha. De novo.”
Com cuidado Finn se sentou. Os ataques o deixavam tonto e com a boca seca.
Keiro disse. “Foi um pouco mais severo que o usual. Convulsões. Você se debateu e se contorceu.
Mas eu te segurei e Gildas fez com que tivesse certeza que você não se machucasse de novo.
Ninguém notou muito; Eles estavam muito ocupados devorando o tesouro com os olhos. Nós o carregamos de volta.”
Finn enrubesceu com desespero; os ataques eram impossíveis de prever, e Gildas não sabia de uma cura, ou assim ele havia dito. Finn não tinha ideia do que acontecia depois que a escuridão quente e ribombante o engolia, e não queria saber. Era uma fraqueza e ele era amargamente envergonhado dela, mesmo se o Comitatus o considerava em admiração. Agora ele se sentia como se tivesse saído do corpo e voltado para encontrá-lo dolorido e vazio, que ele não estava dentro dele. “Eu não os tinha quando estava do Lado de Fora. Tenho certeza disso.”
Keiro deu de ombros. “Gildas está desesperado para ouvir sua visão.”
Finn olhou para cima. “Ele pode esperar.” Houve um silêncio incômodo. Nele ele disse, “Jormanric ordenou a morte dela?”
“Quem mais? É o tipo de coisa que o entretém. E é um aviso para nós.”
Severo, Finn assentiu. Ele jogou os pés para fora da cama e encarou suas botas gastas. “Eu vou matá-lo por isso.”
Keiro levantou uma sobrancelha elegante. “Irmão, por que se incomodar? Você conseguiu o que queria.”
“Eu dei minha palavra a ela. Disse a ela que ela estaria segura.”
Keiro o observou por um momento, então disse, “Nós somos Escória, Finn. Nossa palavra não significa nada. Ela sabia disso. Ela era uma refém; se eles tivessem pegado você, os Civicry provavelmente teriam feito o mesmo, então não pense mais nisso. Eu já lhe disse antes, você cisma muito com as coisas. Isso te faz fraco. Não há espaço para fraqueza em Incarceron.
Nenhuma misericórdia para um defeito fatal. Aqui é matar ou ser morto.” Ele estava olhando diretamente para frente e havia um estranho amargor em sua voz que era nova para Finn. Mas quando ele se virou seu sorriso era afiado. “Então. O que é uma chave?”
O coração de Finn bateu forte. “A Chave! Onde ela está?”
Keiro balançou a cabeça em pensamento fingido. “O que você faria sem mim?” Ele levantou sua mão e Finn viu que o cristal estava balançando de um dedo em gancho.
Ele fez um movimento rápido em direção a ela, mas Keiro a desviou. “Eu disse, o que é uma chave?”
Finn lambeu seus lábios secos. “Uma chave é um instrumento que abre.”
“Abre?”
“Destranca.”
Keiro estava alerta. “As Trancas das Alas? Qualquer porta?”
“Eu não sei! Eu só... reconheço-a.” Ele a alcançou com rapidez e a agarrou, e desta vez Keiro a deixou ir. O artefato era pesado, emaranhado de estranhos filamentos de vidro, e o holograma da águia brilhava para Finn majestosamente. Ele viu que ela usava um colar fino moldado em forma de coroa em volta de seu pescoço, e arregaçando suas mangas ele comparou aquilo com as desbotadas marcas azuis em sua pele.
Por cima de seus ombros Keiro disse, “Parece o mesmo.”
“É idêntico.”
“Mas isto não significa nada. Na verdade, se significa algo, significa que você nasceu aqui dentro.”
“Isto não veio de dentro.” Finn segurou aquilo com cuidado em ambas as mãos.
“Olhe para isto. Que material nós temos igual a este? O acabamento...”
“A Prisão pode tê-la feito.”
Finn não disse nada.
Mas naquele momento, como se aquilo tivesse sido escutado, a Prisão desligou todas as luzes.
***
Quando o Diretor abriu a porta do observatório, a tela na parede mostrava imagens dos Reis Havaarna da Décima Oitava Dinastia, aquelas gerações incapazes cujas políticas sociais levaram direto aos Anos de Fúria. Jared estava sentado na mesa, um dos seus pés estava apoiado na cadeira de Claudia, o filhote da raposa em seus braços, ela estava se inclinando para frente e lendo de um bloco em suas mãos.
“...Alexandre o Sexto, Restaurador do Reino. Criou o Contrato de Dualidade. Fechou todos os teatros e formas públicas de entretenimento... Por que ele fez isso?”
“Medo,” Jared disse secamente. “Naquele tempo, qualquer grupo de pessoas era visto como uma ameaça à ordem.”
Claudia sorriu, com a garganta seca. Isto é o que o pai dela deveria ver; sua filha e o amado tutor dela. É claro que ele saberia perfeitamente bem que eles sabiam que ele estava ali.
“Ahem.”
Claudia pulou; Jared olhou em volta. A surpresa deles era magistral.
O Diretor sorriu um sorriso gelado, como se ele admirasse isso.
“Senhor?” Claudia ficou de pé, com seu vestido de seda desamarrotando. “Você já está de volta?
Eu pensei que você tinha dito uma.”
“Isto foi de fato o que eu falei. Posso entrar, Mestre?”
Jared disse, “Claro,” e o filhote saiu de suas mãos e pulou para a estante. “Nós estamos honrados, Diretor.”
O Diretor andou até a mesa desarrumada com aparatos e tocou um alambique. “Seu detalhe de época é um pouco... excêntrico, Jared. Mas Sapienti não são tão presos pelo protocolo, é claro.”
Ele levantou o delicado objeto de vidro até que seu olho esquerdo, incrivelmente aumentado, olhasse por ele. “Os Sapienti fazem como eles querem. Eles inventam, eles experimentam, eles mantiveram a mente das pessoas ativa mesmo durante a tirania do passado. Sempre procurando por uma nova forma de energia, novas curas.
Admirável. Mas me diga. Como minha filha está progredindo?”
Jared juntou seus frágeis dedos. Cuidadosamente ele disse, “Claudia sempre é uma pupila notável.”
“Uma estudiosa.”
“De fato.”
“Inteligente e capaz?” O Diretor abaixou o vidro. Seus olhos estavam fixados nela, ela olhou para cima e olhou calmamente de volta para ele.
“Eu estou certo,” Jared murmurou, “Que ela será um sucesso em tudo que tentar.”
“E ela tentaria qualquer coisa.” O Diretor abriu seus dedos e o frasco caiu. Ele atingiu o canto da mesa e quebrou, uma explosão de pedaços de vidros, mandando um corvo piando para fora da janela.
Jared havia dado um passo para trás; agora ele congelou. Claudia ficou parada atrás dele, bem quieta.
“Eu sinto muito!” O Diretor deu uma olhada nos cacos de vidro calmamente, Então ele pegou um lenço e limpou seus dedos. “O descuido da idade, Eu temo. Eu espero que aquilo não contenha nada vital?”
Jared balançou a cabeça; Claudia pegou o reflexo de suor em sua testa. Ela sabia que sua própria face estava pálida. Seu pai disse, “Claudia, você ficará grata em saber que Lorde Evian e eu finalizamos a negociação pelo dote. É melhor começar a preparar o seu enxoval, minha querida.”
Ele parou na porta. Jared tinha agachado e estava pegando os curvados e afiados fragmentos de vidro. Claudia não se moveu. Ela observou o Diretor, e seu olhar a lembrou, por um momento, da sua própria reflexão enquanto ela olhava para aquilo no espelho toda manhã. Ele disse, “Eu não vou almoçar afinal de contas. Eu tenho muito trabalho para fazer. Em meu escritório. Parece que nós temos problemas com insetos.”
Quando a porta se fechou atrás dele, nenhum dos dois falou. Claudia se sentou, e Jared largou o vidro no lixo e ligou o monitor para a escada da torre. Juntos eles observaram a figura angular e negra de Diretor pegar um caminho estranho pela queda dos ratos e pela as teias de aranha penduradas.
Finalmente Jared disse, “Ele sabe.”
“É claro que ele sabe.” Claudia percebeu que estava tremendo; ela colocou um velho cassaco de Jared em volta de seus ombros. Ela estava com o seu macacão debaixo de seu vestido, seus sapatos estavam nos pés errados, e seu cabelo estava jogado para trás todo emaranhado. “Ele veio aqui só para nos mostrar isto.”
“Ele não acredita que as joaninhas ligaram o alarme.”
“Eu te disse. A sala não tem janelas, mas ele não irá admitir que eu o superei, e nunca irá. Então nós jogamos o jogo.”
“Mas a Chave... para levá-la embora...”
“Ele não saberá se ele apenas abrir a gaveta e olhar para aquilo. Só se ele tentar pegar. Eu posso colocar a original de volta antes.”
Jared enxugou seu rosto com uma das mãos. Ele sentou temeroso. “Um Sapiente não devia falar isto, mas ele me aterroriza.”
“Está tudo bem com você?”
Ele virou seus olhos escuros para ela, O filhote de raposa pulou de seu ombro e ficou no seu joelho.
“Sim. Mas então você me aterroriza igualmente, Claudia. Por que razão na terra você roubou aquilo? Você queria que ele soubesse que foi você?”
Ela franziu a testa. Às vezes ele era perspicaz demais. “Onde está?”
Jared olhou para ela por um momento, e fez uma cara deplorável. Ele pegou a tampa da caneca de barro mergulhando um gancho lá dentro, levantando a chave do formaldeído. O cheiro irritante de química encheu a câmara; Claudia colocou a manga do seu casaco sobre sua face.
“Deus. Não tinha nenhum outro lugar?”
Ela tinha confiado aquilo em suas mãos e tinha estado muito ocupada com os arranjos para ver onde ele tinha colocado. Agora ele desenrola aquilo cuidadosamente do selo protetor e a coloca no banco de madeira deformada. Eles olharam para baixo observando aquilo.
Era lindo. Ela podia ver aquilo claramente, suas facetas capturavam a luz do sol que vinha da janela em um arco íris brilhante. Incorporado em seu coração a águia perfeita olhava orgulhosa.
Mas aquilo parecia muito frágil para colocar em qualquer fechadura, e sua transparência não mostrava nenhum circuito. Ela disse, “A senha para abrir a gaveta era Incarceron!”
Jared levantou uma sobrancelha. “Então você pensou...”
“´É obvio, não é? O que mais uma chave como esta destrancaria? Nada nesta casa tem uma chave igual a esta.”
“Nós não temos nenhuma ideia de onde Incarceron está. E se soubéssemos, não poderíamos usar isto.”
Ela franziu a testa. “Eu tenha a intenção de descobrir.”
Por um momento Jared considerou. Então, enquanto ela observava, ele colocou a chave em uma pequena balança e pesou ela com precisão. Pegou sua massa e seu comprimento, constatando o resultado em seu manuscrito de precisão. “Não é vidro. Nem um cristal de silicato” —ele ajustou a balança— “Isto tem um campo eletromagnético bem peculiar. Eu diria que isto não é uma chave em um mecanismo estritamente mecânico, mas algum tipo de tecnologia bem complexa, bem Pré-Era. Isto não iria apenas destrancar a porta da prisão Claudia.”
Ela tinha adivinhado aquilo. Ela se sentou de novo e disse duramente, “Eu costumava ter ciúmes da Prisão.”
Atônito, ele se virou, e ela riu.
“Sim. Verdade. Quando eu era pequena e nós estávamos na corte. Pessoas se reuniam para ver ele— O Diretor de Incarceron, o Guardião dos Prisioneiros, Protetor do Reino. Eu não sabia o que as palavras significavam, mas eu as odiava. Eu achava que Incarceron era uma pessoa, outra filha, outra gêmea malvada, eu a odiava.” Ela pegou um par de compassos da mesa e os abriu. “Quando eu descobri que era uma prisão, eu o imaginava indo para baixo nas celas com uma lanterna e uma chave gigante—uma chave rústica e antiga. Lá haveria uma porta enorme, trabalhada e pregada com carne seca de criminosos.”
Jared balançou a cabeça. “Muitos romances góticos.”
Ela equilibrou os compassos em um ponto e os girou. “Por um tempo eu sonhei com a Prisão, imaginei os ladrões e assassinos nas profundezas da casa, batendo nas portas, lutando para sair, e costumava acordar assustada, pensando que eu podia ouvi-los vindo atrás de mim. E então eu percebia que não era assim tão simples.” Ela olhou para cima. “Aquela tela na sala de estudos.
Ele deve ser capaz de monitorar ela de lá.”
Jared balançou a cabeça e cruzou seus braços. “Incarceron, todos os registros dizem, foi feita e selada. Ninguém entra ninguém sai. Apenas o Diretor supervisiona seu progresso. Apenas ele sabe sua localização. Há uma teoria, uma bem antiga, que ela está no subterrâneo, muitos quilômetros abaixo da superfície, um vasto labirinto. Depois dos Anos de Fúria metade da população foi removida para lá. Uma grande injustiça, Claudia.”
Ela tocou a chave levemente. “Sim. Mas nada disso me ajuda. Eu preciso de alguma prova do assassinato, não...” Uma tremulação.
Uma luz dissolvida.
Ela puxou seu dedo para fora.
“Impressionante!” Jared respirou.
Uma impressão digital da escuridão ainda permanece no cristal, uma abertura circular, como um olho.
Dentro daquilo, bem no fundo, eles viram duas luzes se movendo como pequenas estrelas.
Você é meu pai, Incarceron.
Eu nasci da sua dor.
Ossos de ferro; circuitos por veias
Meu coração um cofre de aço.
—Canções de Sapphique
Keiro levantou a lanterna dele. “Onde você está, Sábio?” Gildas não estava dormindo em sua cela ou em nenhum lugar na parte principal do local, onde o Comitatus havia acendido chamas provocantes em cada braseiro e estavam celebrando a vitória deles com barulhos estridentes e ostentação. Levou um pouco de persuasão do punho de Keiro em alguns escravos para encontrar alguém que houvesse visto o velho homem, caminhando para os casebres. Agora eles haviam rastreado ele até uma pequena sala; ele estava enfaixando uma sangrenta ferida na perna de uma criança-escrava, a mão dele segurava uma pequena vela e esperava ansiosamente.
“Eu estou aqui.” Gildas olhou em volta. “Traga a lanterna mais perto. Eu não consigo ver direito.”
Finn se aproximou e viu o leve brilho sobre o garoto, notando o quão doente ele parecia.
“Anime-se,” ele disse asperamente.
O garoto sorriu, apavorado.
“Se apenas você o tocasse, senhor,” a mãe murmurou.
Finn se virou. Ela poderia ter sido bonita uma vez; agora ela estava abatida e magra.
“O toque de um Vidente das Estrelas cura, eles dizem."
“Superstição totalmente sem sentido,” Gildas berrou, atando, mas do mesmo modo Finn colocou os dedos dele suavemente na testa quente do garoto.
“Não muito diferente das suas, Sábio,” Keiro disse de modo cativante.
Gildas se ajeitou, limpando seus dedos no próprio casaco, e ignorando a provocação. “Bom, este é o melhor que eu posso fazer. A ferida precisa drenar. Mantenha-a limpa.”
Como eles o seguiam grunhiu “Sempre mais infecções, mais doenças. Nós precisamos de antibióticos, não ouro ou objetos estranhos.”
Finn sabia como ele ficava com esse humor. A melancolia sombria o mantinha dias em sua cela, lendo, dormindo, sem falar com ninguém. A morte de Maestra deveria estar atormentando o velho homem. Então abruptamente ele disse, “Eu vi Sapphique.”
“Quê!” Gildas parou abruptamente. Até mesmo Keiro parecia interessado.
"Ele disse—”
“Espera.” O Sapiente olhou em volta rapidamente. “Aqui.”
Era um arco escuro e isto levava a uma vasta cadeia de circuitos, o telhado da Toca.
Gildas colocou o pé dele em uma ligação e escalou até a escuridão o esconder; enquanto Finn escalava atrás dele, ele encontrou o velho homem em um parapeito alto na parede, empurrando um antigo ninho e sujeira de passarinho para lado.
“Eu não vou sentar nisso,” Keiro disse.
“Fique em pé então.” Gildas levou a lanterna até Finn e a apoio nos circuitos.
“Agora. Diga-me tudo. Cada palavra, exatamente.”
Finn colocou o pé dele sobre a borda e olhou para baixo. “Era um lugar como esse, no alto. Ele estava comigo, e eu tinha a Chave.”
“De cristal? Disse que era uma chave?” Gildas parecia espantado; ele mexia em sua barba por fazer branca. “Essa é uma palavra Sapiente, Finn, uma palavra mágica. Um dispositivo para destrancar.”
“Eu sei o que é uma chave.” Sua voz soava brava; ele tentou se acalmar. “Sapphique me disse para usá-la para destrancar o Tempo; era uma fechadura em uma pedra brilhante e preta, mas a chave era tão pesada que eu não conseguia manejá-la. Eu me senti...devastado.”
O velho homem agarrou o pulso de Finn, com força, um aperto selvagem. “Como ele se parecia?”
“Novo, cabelo escuro e longo. Como nas histórias.”
“E a porta?”
“Bem pequena, a pedra tinha um luz dentro, como as estrelas.”
Keiro encostou-se elegantemente a costa contra a parede. “Sonho estranho, irmão.”
“Não são sonhos.” Gildas o soltou; o velho homem tinha um olhar incrédulo de felicidade. “Eu conheço essa porta. Ela nunca foi aberta; Ela fica a quilômetros daqui, próxima aos terrenos dos Civicry.” Ele esfregou a cara com as duas mãos e disse. “Onde está essa chave?”
Finn hesitou. Ele a havia amarrado em uma antiga corrente em volta do pescoço, mas pesava muito, então agora ela estava presa no cinto dentro da camiseta dele.
Relutante, ele a puxou para fora.
O Sapiente a pegou reverentemente. As pequenas mãos com as veias saltadas dele a exploravam; ele a trouxe para mais perto do olho dele e olhou para águia. “Isto é o que eu estava esperando”
a voz dele estaca embriagada de emoção. “Um sinal de Sapphique.” Ele olhou para cima. “Isso decide tudo. Nós iremos partir, está noite, antes que Jormanric saiba sobre o que essa coisa é.
Abrupto e rápido, Finn, nós começamos nossa Fuga.”
“Espera!” Keiro desencostou da parede. “Ele não irá a nenhum lugar. Ele jurou para mim”
Gildas olhou para ele com desinteresse. “Apenas por que ele é útil para você.”
“E não é para você?” Keiro riu com desprezo. “Você é um hipócrita, velho homem.
Um vidro sem valor e alguns delírios quando ele está fora de si mesmo é tudo que você está interessado nele.”
Gildas parou. Ele foi calmo até ficar o ombro de Keiro, mas o olhar dele era malevolente, seu corpo magro estava tenso.
“Eu seria mais cuidadoso, garoto. Bem mais cuidadoso.”
“Ou o que? Você irá me transforma em uma cobra?”
“Você já estava fazendo isso com você mesmo.”
Com um tiritar de ferro Keiro desembainhou a espada dele. Seus olhos estavam azuis e gelados.
Finn disse, “Parem com isso.” Nenhum deles ao menos olhou para ele.
“Eu nunca gostei de você, garoto. Eu nunca nem mesmo confiei em você,” Gildas disse severamente. “Você é um orgulhoso, ladrão arrogante que apenas considera as coisas que lhe dá prazer, que mataria se isso fosse conveniente a você—como certamente já fez. E você não gostaria nada mais do que fazer de Finn sua cópia.”
O rosto de Keiro estava vermelho. Ele apontou a espada de forma que a ponta afiada ameaça o velho homem na altura dos olhos. “Finn precisa de mim para protegê-lo de você. Eu sou o único que cuidada dele, que segura à cabeça dele quando ele está doente, vigia as costas dele. Se nós estamos falando verdades certeiras, eu deveria dizer que os Sapienti são velhos tolos apegados a velhos trapos de feitiçaria—”
“Eu disse já chega!” Finn ficou entre eles e empurrou a espada para o lado.
Carrancudo, Keiro a abaixou.
“Você vai com ele? Por quê?”
“E que motivo temos para ficar?”
“Pelo amor de Deus, Finn! Nós estamos bem aqui—comida, garotas, tudo que queremos! Nós somos temidos, respeitados—poderosos o suficiente para enfrentar Jormanric a qualquer hora agora. Então nós vamos ser Senhores da Alas, nós dois!”
“E quanto tempo,” Gildas zombou, “antes de dois ser demais?”
“Calem a boca” Finn virou-se, furioso. “Olhem para vocês dois! Você são os únicos amigos que eu tenho nesse inferno e tudo que vocês conseguem fazer é brigar por mim.
Algum de vocês se preocupa comigo? Não o vidente, ou lutador, ou o tolo que assume todos os riscos, mas eu, Finn?” Ele começou a tremer, de repente pesado demais para seus ossos, e enquanto eles o encaravam ele agachou, com as mãos em sua cabeça, a voz dele estava quebrada. “Eu não posso ficar mais aqui. Eu estou morrendo aqui, aterrorizado, vivendo entre crises, temendo a próxima, eu não aguento mais isso, eu preciso sair daqui, descobrir que eu sou!
Eu preciso Fugir.”
Eles ficaram em silêncio. Poeira caia vagarosamente pelo feixe de luz da lanterna.
Então Keiro guardou sua espada.
Finn tentou parar de tremer. Ele olhou para cima, esperando ver escárnio nos olhos de Keiro, mas seu irmão de juramento estendia-lhe a mão e o puxou para cima até eles ficarem cara-a-cara.
Gildas rosnou, “Eu me importo com você, garoto tolo.”
Os olhos de Keiro estavam afiados e azuis. “Fique quieto, velho homem. Você não consegue ver que ele está manipulando nós dois, como sempre? Você é tão bom nisso, Finn. Você fez isso com Maestra e você faz isso com nós.”
Ele soltou o braço de Finn e foi para trás. “Tudo bem. Vamos dizer que nós tentemos fugir. Você esqueceu que ela amaldiçoou você? Uma maldição que mata, Finn.
Como nós podemos ir contra isso?”
“Deixe isso comigo,” Gildas falou ríspido.
"Ah sim. Feitiçaria.” Keiro balançou a cabeça em descrença. “Como sabemos que a chave irá abrir essa porta? Portas apenas abrem se Incaceron quiser.”
Finn coçou seu queixo. Ele se fez ficar em pé direito. “Nós precisamos tentar.”
Keiro suspirou. Ele se virou, encarando o fogo de Comitatus, e Gilda encontrou o olhar de Finn e assentiu. Ele parecia quietamente triunfante.
Keiro balançou para trás. “Tudo bem. Mas em segredo. Então se nós falharmos ninguém saberá.”
“Você não precisa vir.” Gildas disse.
"Se ele vai, eu vou.”
Enquanto ele dizia isso o pé dele desprendia um cocô de passarinho espalhado na borda; observando ele cair, Finn pensou ter visto uma sombra lampejando abaixo. Ele segurou uma corrente. “Alguém estava lá”
Keiro olhou para baixo. “Você tem certeza?”
“Eu acho que sim.”
O Sapiente se colocou em pé. Ele parecia angustiado. “Se for um espião, e ele ouviu sobre a chave, nós estamos com problemas. Peguem armas e comidas e me encontrem em dez minutos na entrada.” Ele olhou para A Chave, com um brilho de arco-íris. “Eu ficarei com isso.”
“Não você não vai.” Finn a pegou de volta com firmeza. “Isso fica comigo.”
E ele se virou para ir com ela, e quando sentiu uma estranha quentura em seu peso, ele olhou para baixo. Sob uma garra da águia um círculo pálido desvanecia. Dentro dele ele pensou ter visto, apenas por um momento, uma sombra de um rosto, olhando para ele.
Um rosto de uma garota.
***
“Eu tenho que confessor que eu odeio montar.” Lorde Evian andava entre os canteiros de flores examinando atentamente. “Para mim é apenas um modo desnecessário de uma longa caminhada pelo campo.” Ele sentou perto dela e olhando além do ensolarado campo, a torre da igreja brilhando com a neblina quente. “E então o seu pai quis voltar tão abruptamente! Eu espero que não seja nenhum mal-estar repentino?”
“Eu suponho que ele deva ter se lembrado de algo,” Claudia disse cuidadosamente.
A luz da tarde esquentava a parede cor de mel da mansão; ela refletia dourada nas escuras águas do posso. Patos flutuavam em volta dos pães jogados, e ela dava mais para eles, cortando o pão com os dedos dela.
O reflexo de Evian mostrava suavidade no rosto dele enquanto se inclinava. A boca dele dizia, “Você deve estar um pouco ansiosa, assim como impaciente, sobre este casamento.”
Ela jogou um pedaço para um pássaro na água. “Às vezes.”
“Eu asseguro a você, todos dizem você irá mandar no Conde de Steen sem problemas nenhum.
A mãe dele é completamente apaixonada por ele.”
Claudia não tinha nenhuma dúvida sobre isso. De repente ela se sentiu cansada, todo o esforço de atuação por parte dela estava se sobressaindo. Ela levantou-se, sua sombra escura na água.
“Se você me der licença meu lorde, eu tenho muita coisa para fazer.”
Ele não olhou para cima, tentando alcançar com os seus dedos gordos os patos.
Mas ele disse, “Sente-se, Claudia Arlexa.”
A voz dele. Ela encarava atônita a costas da cabeça dele. O tom amansado havia ido. Agora ele soava forte e imponente. Ele olhou para cima.
Ela sentou, silenciosamente.
“Isso pode ser um choque, eu tenho certeza. Eu gosto do meu disfarce, mas ás vezes pode ser cansativo.” O sorriso escorregadio havia ido embora também, as linhas pesadas dos olhos dele o fazia parecer um pouco cansado. Velho.
“Disfarce?” ela disse.
“Fingir outra personalidade. Todos nós os temos, não temos, nesse Tempo de tirania? Claudia nós podemos ser ouvidos aqui?”
“É tão seguro quanto na casa.”
“Sim.” Ele se virou no banco, o terno claro de seda roçou, e ela sentiu uma lufada de ar do perfume requentado que ele usava. “Ouça-me agora. Eu preciso falar com você, e essa pode ser a única chance. Você já ouviu falar sobre os Lobos de Ferro?”
Perigoso. Isso era perigoso aqui e ela deveria ter muito cuidado. Ela disse. “Jared é um professor completo. Os Lobos de Ferro são um símbolo heráldico do Lorde de Calliston, que foi considerado culpado de planejar traição contra o Reino, e foi o primeiro Prisioneiro a entrar em Incarceron, mas isso foi a séculos atrás.”
“Há cento e seis anos atrás.” Evian murmurou. “E isso é tudo que você sabe?”
“Sim,” Isso era verdade.
Ele olhou rapidamente através dos gramados. “Então deixe-me dizer a você que os Lobos de Ferro também são uma organização secreta dos nobres e.. Como dizemos...
Descontentes com esse jogo infinito de idealizar o passado. A partir da tirania dos Havaarnas eles... Nós... Gostaríamos de um reino comandado por uma rainha que se importasse com as pessoas, que nos deixasse viver como quiséssemos. Alguém que abrisse Incarceron.”
O coração dela batia com medo.
“Você entende o que eu estou dizendo, Claudia?”
Ela não tinha ideia nenhuma de como lidar com isso. Mordendo o lábio dela ela viu Medlicote sair da portaria e olhou envolta por eles. “Eu penso que sim. Você faz parte desse grupo?”
Ele viu o secretário também. Ele disse rapidamente. “Talvez eu faça. Eu estou tendo uma grande chance falando com você. Mas eu penso que você não é muito filha do seu pai.”
A escura figura do secretário atravessou a ponte levadiça e caminhava em direção a eles. Evian acenou frouxamente. “Pense sobre isso. Não seriam muitos que ficariam de luto pelo Conde de Steen.” Ele se levantou. “Você está procurando por mim, senhor?”
John Medlicote era um homem alto de poucas palavras. Ele curvou-se para Claudia e disse. “Eu estava, meu senhor. O Diretor mandou os cumprimentos dele e mandou informar a você que estes despachos chegaram da Corte.” Ele estendeu uma mochila de couro.
Evian sorriu e pegou a mochila delicadamente. “Então eu devo ir e lê-los. Com licença, minha querida.”
Claudia dobrou-se em uma desajeitada reverência, vendo o pequeno homem andando ao lado do sério funcionário, conversando suavemente sobre as perspectivas da colheita, puxando alguns documentos para fora para ler.
Ela desmantelou o pão entre os dedos dela em um silencio de descrença.
Não seriam muitos que ficariam de luto pelo Conde de Steen Ele estava falando sobre assassinato? Ou ele era sincero, ou isso era algum plano da Rainha de pegar ela, para testa a lealdade dela? Se ela reportasse isso ou mantivesse-se em silêncio, de qualquer forma isso poderia ser um erro.
Ela jogou o pão na água escura, observando o marreco maior com garganta verde brilhante bicando e afastando os menores para o lado. A vida dela havia sido um labirinto de tramas e fingimento, e a única pessoa ha que ela poderia realmente confiar tudo isso era Jared.
Ela espanou os dedos juntos, fria no sol. Porque ele poderia estar morrendo.
“Claudia.” Evian havia retornado, ele segurava uma carta entre seus dedos gordos.
“Boa notícia, minha querida, do seu noivo.” Ele olhou para ela, a face dele ilegível.