Manual do Pequeno Investidor em Ações
1. Você está preparado para investir em ações?
1. Por que investir em ações?
Antes de decidir investir em ações, você deve ter algo claro em sua m ente. Com que obj etivo você pretende aplicar suas econom ias na bolsa de valores? Você quer com prar um carro ou um a casa? Quer fazer um a bela viagem para a Europa? Quer enriquecer rapidam ente? Ou você desej a construir um patrim ônio para financiar a sua aposentadoria?
Saber qual o m otivo pelo qual você desej a investir em ações é im portante não apenas para saber a estratégia, m as principalm ente para verificar se o m ercado de ações é o m eio correto para alcançar seu obj etivo. Muitas pessoas acreditam que investir em ações é um cam inho fácil para enriquecer rapidam ente, ou m esm o realizar obj etivos de curto prazo, com o pagar pelos custos de um a viagem ou de um autom óvel.
Mas essa é um a m aneira equivocada de encarar o investim ento em ações. Se seu obj etivo é de curto prazo, nem pense em investir nesse m ercado. Planej e seu orçam ento e suas econom ias para alcançar seu obj etivo com outras m odalidades de investim ento, tais com o o investim ento em produtos de renda fixa ou m esm o por m eio da busca de fontes alternativas de renda, com o um segundo trabalho.
2. Abrir um negócio ou comprar ações?
Muitas pessoas pensam que abrir um negócio é a m elhor m aneira de enriquecer. Investem as econom ias de anos e anos de trabalho árduo com o em pregado no seu em preendim ento, com a expectativa de, depois de algum tem po, conseguirem a tão sonhada independência financeira. Muitas dessas m esm as pessoas dizem que o m ercado de ações é m uito perigoso. Será m esm o?
Segundo estatísticas do Sebrae, 27% das pequenas em presas abertas no Estado de São Paulo fecham suas portas em m enos de um ano de atividade. Em dois anos, m ais 10% das em presas fecham suas portas (37% do total); e em três anos, quase m etade delas (46%) j á fecharam suas portas. Ao final de cinco anos, apenas 42% das em presas perm anecem em atividade.
Por que isso acontece? A grande razão para esse grande índice de insucesso das pequenas em presas é a falta de conhecim entos em gestão em presarial. A m aioria dos pequenos em presários não tem preparo o suficiente para adm inistrar um a em presa. Não são poucas as exigências: para abrir um a em presa, é necessário preencher um a papelada enorm e, registrar a sociedade na j unta com ercial, j unto à Fazenda m unicipal, estadual e federal, arrum ar dezenas de certidões negativas, contratar contador e advogado. É im portante aprender um pouco sobre direitos trabalhistas antes de contratar os em pregados, para evitar fazer besteira e pagar caro depois. Pagar im postos tam bém dá um a trabalheira danada, porque a legislação tributária é com plicada pra caram ba. E você ainda corre o risco de contratar um contador incom petente, que só vai te trazer m ais problem as depois.
E eu nem falei dos problem as que surgirão depois que a em presa com eçar a funcionar. Tudo isso a que m e referi deve ser enfrentado antes de abrir as portas. Depois, o pequeno em presário tem que controlar estoques, negociar com os fornecedores, adm inistrar a eficiência de seus em pregados (não pode xingar os em pregados ineficientes nem expô-los ao ridículo, tá? Isso dá indenização por danos m orais!). Tem tam bém que controlar seus custos, ter um a publicidade eficiente para conseguir clientes, pensar em soluções que diferenciem sua em presa das dem ais.
Vou parar por aqui. Já deu pra perceber que dá m uito trabalho colocar um a em presa em funcionam ento e ter lucro com elas? A m aioria dos pequenos em presários não tem a m enor ideia de 50% dos requisitos que eu m encionei nos parágrafos acim a. E por isso m esm o m etade de suas em presas quebra antes de com pletar cinco anos de funcionam ento. É possível ficar rico com um a em presa? É claro! É perfeitam ente possível! Mas as probabilidades estão contra você.
Agora, im agine um a segunda situação. Ao invés de abrir você m esm o sua em presa, decide se associar a várias com panhias, que j á tiveram com provado sucesso em produzir bons resultados ano a ano. Você não tem m ais que se preocupar com legislação tributária ou trabalhista, porque as em presas contratam os m elhores advogados e contadores que o dinheiro pode pagar. Não se preocupa com gestão de estoques, propaganda, controle da eficiência dos em pregados. Sua única preocupação é estudar a cada trim estre (ou, se você não tiver tem po m esm o, um a vez por ano) os balanços das em presas para verificar se elas estão sendo bem adm inistradas com o você supôs inicialm ente. Isso é o m ercado de ações. Cada ação é um pedacinho de um a em presa. E você pode investir o quanto considerar plausível, com prando um a fração m aior ou m enor da com panhia.
Quando você abre um a em presa, precisa alocar 100% de seu capital no em preendim ento. Todas as suas econom ias são alocadas para um único investim ento. E, se você é com o a m aioria dos pequenos em preendedores, não tem o m enor conhecim ento de gestão em presarial. Ou sej a, você pega todo o seu dinheiro e entrega na m ão de um a pessoa não tem m uita ideia do que fazer com ele. Você percebe o risco?
Ao investir em ações, você não precisa pegar 100% do seu dinheiro e investir em um único em preendim ento. Na verdade, não é necessário nem que você invista 100% de suas econom ias em ações. Você investe o quanto quiser, o quanto puder, e quando desej ar. Se quiser investir 10% de suas econom ias e colocar o restante em títulos do tesouro ou em outro investim ento de renda fixa, você pode. Se você quiser investir em um a única em presa ou em várias com panhias, tam bém pode. Ou sej a, quem decide o risco que você quer correr é você m esm o. Além disso, ao investir em ações, é perfeitam ente possível alocar suas aplicações em em presas de diversos setores diferentes da econom ia. Quando você abre um a em presa, o único setor em que você investe é aquele em que sua em presa está localizada. Ou sej a, se aquele setor tiver problem as, as chances de o negócio dar errado se tornam m aiores ainda.
E, ao investir em ações, você nem precisa abandonar o em prego em que está. Ao abrir um a em presa, é preciso estar 100% concentrado em tudo o que acontece nela. E a única fonte de renda de 90% dos em presários do setor é a produzida pela em presa. Ou sej a, se você é com o a m aioria das pessoas e tem que com er, se vestir e sustentar um a fam ília, você precisa tirar dinheiro da em presa praticam ente desde sua fundação. Ao investir em ações, contudo, nada im pede que você continue com o seu em prego, dependendo do seu patrão (ou do governo, se você é servidor público): ou sej a, você tem um a renda praticam ente garantida enquanto, aos poucos, vai construindo seu patrim ônio, que paulatinam ente assegura um fluxo de renda que, no futuro, pode ser suficiente para garantir seu padrão de vida.
3. Ações são para o longo prazo
Investir no m ercado de ações é perfeito para quem pretende, em vinte ou trinta anos, se aposentar com um a bela renda. Ou então, para quem pretende construir um bom patrim ônio no longo prazo. Mas é arriscado dem ais investir nesse m ercado para quem pensa em resgatar seu dinheiro em um ou dois anos.
Segundo m uitos analistas, o prazo m ínim o para investir em ações é de cinco anos. Mas m esm o essa estim ativa é arriscada, j á que m uitas vezes m esm o esse período é insuficiente para trazer retorno adequado nesse m ercado. Quem investiu em ações no início de 2008 e obteve um a rentabilidade idêntica à do Ibovespa ainda está no prej uízo, passados quatro anos. E nada garante que em 2013 a situação terá se revertido. que o leitor tenha um a ideia, o Ibovespa levou longos 14 anos para se recuperar do longo m ercado de baixa que perdurou entre 1971 e 1985.
Antes de decidir investir em ações, portanto, é obrigatório que o investidor saiba exatam ente qual é a finalidade do dinheiro aplicado e porque ele acredita que o m ercado de ações é adequado para alcançá-la. Muitas pessoas têm prej uízo no m ercado de ações j ustam ente porque, antes de investir, não tinham a m enor ideia da razão pela qual entraram nesse m ercado em prim eiro lugar.
No curto prazo, a bolsa de valores é totalm ente im previsível, sendo perfeitam ente possível obter retornos fabulosos ou prej uízos igualm ente extraordinários. Mas, no longo prazo, dim inui m uito a probabilidade de prej uízo no m ercado de ações. Jerem y Siegel, no livro “Stocks for the long run”, m ostra em estudo realizado considerando o m ercado de ações norte-am ericano por um período que rem onta a m eados do século XIX, que, em nenhum período superior a 20 anos, houve prej uízo para o investidor que apostou nas ações. E, em bora a base de dados no Brasil abranj a um período bastante inferior, até o m om ento essa afirm ação tam bém é verdadeira para nós.
O que quero dizer quando falo em curto ou longo prazo, então? Longo prazo é um prazo indefinível. Em princípio, só deveria investir em ações quem desej asse m anter seu dinheiro aplicado ao longo de toda a sua vida. Essa é um a m aneira bastante diferente de pensar, j á que a m aioria dos livros de educação financeira indicam o longo prazo com o prazo superior a cinco anos. A m eu ver, contudo, essa é um a definição irreal de longo prazo: com boa vontade, cinco anos poderia ser caracterizado com o m édio prazo. Curto prazo é qualquer horizonte de tem po inferior a isso.
Quando colocam os o prazo em perspectiva, isso fica m uito claro. Pense em um a criança que tem , hoj e, cinco anos: será que alguém realm ente acredita que entre o m om ento de seu nascim ento e a sua idade atual se passou um prazo que alguém seriam ente poderia caracterizar com o de longa duração? Por outro lado, quando alguém pensa na situação de um pai que, no m om ento do nascim ento do filho, decide econom izar e investir para que sua criança possa cursar um a boa faculdade no futuro, o horizonte do longo prazo com eça a se delinear. O filho som ente poderá cursar a faculdade dali a 17 ou 18 anos, e passado esse tem po é bastante provável que o m ercado de ações tenha trazido ao investidor a rentabilidade suficiente para realizar seu obj etivo.
Portanto, só invista em ações o dinheiro que você não utilizará nos próxim os anos. Muitos dizem que o investidor só pode investir em ações o dinheiro que não se im porta em perder. Mas esse é um erro: um investidor sem pre deve se im portar em perder dinheiro. O que essas pessoas querem dizer é que um investidor só pode aplicar em ações o dinheiro que ele não vai precisar no curto e m édio prazo e, por isso, pode tolerar as flutuações decorrentes do m ercado acionário.
Antes de prosseguir, um a advertência: em hipótese algum a acredite em prom essas de curto prazo nesse m ercado. A m aioria das pessoas que abandonou o m ercado de ações por ter sofrido m uito prej uízo buscou, na verdade, enriquecer rápido dem ais. Acreditaram saber “o segredo” de investir no m ercado e, por isso, apostaram m ais do que podiam . Outros acreditaram nas “dicas” de am igos e de analistas de m ercado sem realizar suas próprias análises e, por isso, investiram em em presas ruins - ou então, investiram em em presas boas, m as não tiveram a paciência de esperar o preço da em presa corresponder a suas expectativas. Falta de paciência é fatal no m ercado: a paciência é a principal virtude do bom investidor.
4. Ações e independência financeira
Sugiro ao leitor um obj etivo para investir em ações. Se você não concorda, peço que ao m enos reflita sobre ele. Obviam ente, não é o único obj etivo para o qual elas podem ser úteis, m as acredito que é a m elhor finalidade para a qual as ações poderiam servir: a obtenção de um a renda vitalícia capaz de assegurar a verdadeira independência financeira para o investidor.
Para m uitos, a independência financeira é apenas não ter dívidas e ganhar, com o salário, o suficiente para m anter um padrão razoável de vida. Outros acreditam que a verdadeira independência é ter a casa própria e ter algum dinheiro acum ulado para as em ergências da vida; para outros, é passar num concurso público e ter estabilidade e um bom salário. Tam bém há os que acham que independência financeira é ganhar na Mega Sena sozinho, ter um salário espetacular, em torno de R$ 50.000,00 por m ês, ou um estilo de vida dos m ilionários de outros países – com Ferraris, m ansões, iates e tudo o que a vida puder oferecer.
Tenho um a visão um pouco diferente sobre o tem a. Ter independência financeira significa ter um patrim ônio que produza um rendim ento sustentável e suficiente para que o investidor e sua fam ília possam pagar suas contas m ensais, além de sustentar um estilo de vida condizente com as expectativas do investidor.
O prim eiro ponto a ser considerado é que é um conceito baseado na aquisição de ativos, e não apenas na acum ulação de dinheiro. Um a pessoa pode acum ular m uito dinheiro na sua vida produtiva e não ter independência financeira, porque os custos de seu estilo de vida (por m ais frugal que sej a) pouco a pouco deterioram o capital acum ulado. Além disso, a inflação destrói o seu poder aquisitivo de tal form a que, em algum as décadas, um a fortuna acum ulada pode ser capaz de sustentar um estilo de vida apenas m odesto.
O investidor que acum ula ativos, por sua vez, adquire verdadeiras fábricas de dinheiro. Pouco a pouco, os rendim entos dos ativos adquiridos se tornam tão relevantes com relação aos salários do investidor que a renda recebida no trabalho passa a se tornar apenas um a pequena parte do dinheiro disponível. Se o investidor for dem itido, sua qualidade de vida não dim inuirá em nada.
Para que isso aconteça, os rendim entos obtidos precisam ser sustentáveis. Isso significa dizer que o m ontante gerado pelos ativos precisa ser suficiente para garantir indefinidam ente o estilo de vida do investidor e com pensar a perda de poder aquisitivo em razão da inflação. O ideal, na verdade, é que os rendim entos produzidos sej am capazes de sustentar o investidor e sua fam ília e, além disso, continuar a se m ultiplicar ao longo do tem po.
As ações são um a excelente ferram enta para conquistar esse obj etivo, porque seus preços, ao longo do tem po, acom panham o que acontece na vida das em presas. As ações de um a em presa que tem m uitas dívidas e term ina por falir têm seu valor dim inuído ao longo do tem po; e o preço das ações de um a em presa que lucra, a cada ano, um pouco m ais do que no ano anterior, norm alm ente tam bém se eleva ao longo do tem po. A boa notícia é que o principal obj etivo de um a em presa é obter rentabilidade superior a cada ano, e é isso o que torna o m ercado de ações essencial para que se obtenha a independência financeira. Ou sej a, todas as em presas cuj as ações estão disponíveis para negociação têm o obj etivo de lucrar, a cada ano, m ais do que lucrou no ano anterior. Em bora nem todas as em presas alcancem esse obj etivo, um investidor atento pode aum entar a probabilidade de encontrar com panhias capazes de fazer isso constantem ente, ano após ano. São verdadeiras m inas de ouro que podem garantir a independência financeira de quem decidir se unir ao seu futuro.
5. É preciso ser um gênio para investir bem?
É certo que você j á ouviu falar de sir Isaac Newton, o grande cientista inglês. Se você m al se lem bra de suas três leis da física, não tem problem a: não pretendo trazer à tona lem branças reprim idas de seu passado no ensino m édio. Sei que você se lem bra de que o suj eito foi um dos m aiores cientistas da história hum ana. Isaac Newton foi, tam bém , um exem plo im portante para os investidores - infelizm ente, não pelo seu sucesso.
No início do século XVIII, Newton decidiu investir um a parte substancial de suas econom ias em um a em presa cham ada South Sea Com pany. A em presa foi instituída fundada em 1711 com um im portante ativo: a prom essa do m onopólio do com ércio na Am érica do Sul espanhola, assegurado pela Coroa inglesa em troca da consolidação da dívida pública, que crescera bastante em razão com os custos da Guerra de Sucessão espanhola. O governo inglês adotou um a estratégia engenhosa. Incapaz de pagar seu débito com os portadores de títulos da dívida pública, a Coroa britânica perm itiu que seus credores trocassem os títulos por ações da South Sea Com pany, e em troca deu a ela a prom essa do m onopólio do com ércio na região.
O problem a é que a prom essa j am ais pudera ser cum prida. Em 1713, o Tratado de Utrecht encerrou a guerra, confirm ando a soberania espanhola sobre suas colônias am ericanas. Esse desfecho lim itou substancialm ente as opções de com ércio da em presa, que som ente pôde fazer sua prim eira viagem com ercial em 1717. Apesar de as atividades operacionais da em presa não produzirem qualquer resultado, a em presa continuou bastante ativa financeiram ente, tendo conseguido aprovar j unto ao governo britânico nova conversão da dívida nacional inglesa em ações da com panhia, no ano de 1719. Apesar de constituída basicam ente de dívidas, a em presa continuava a usufruir de m uito prestígio entre os britânicos, m uito em razão de boatos patrocinados por seus diretores de que a em presa lucraria m uito com o com ércio na Am érica. Com a confiança dos investidores, o preço das ações saltou de £ 128 para £ 550 entre j aneiro e m aio de 1720. Em j unho, os preços chegaram a £ 1050 - um ganho de 720% em um sem estre!
A bolha estava inflada e, com o não tardou a acontecer, estourou. Em agosto, os preços caíram para cerca de £ 800 e, por volta de setem bro, j á estava na casa de £ 175, levando ao desespero m ilhares de investidores. No ano seguinte, após investigação do governo inglês, a com panhia decretou a falência.
Newton foi um dos investidores que apostaram na em presa. Pouco antes da ascensão m eteórica dos preços, ele j á havia conseguido em bolsar um lucro razoável com as ações da com panhia. Todavia, vendo os preços dispararem , o brilhante cientista decidiu recom prá-las - apenas para ver seu naufrágio pouco tem po depois. O prej uízo do cientista foi de aproxim adam ente US$ 4 m ilhões em valores atuais.
Investir bem não é uma questão de inteligência
Provavelm ente um ou outro leitor deve estar pensando: “se até um gênio com o Newton teve um prej uízo desses no m ercado de ações, eu que não vou m e m eter nesse m ercado!”. Mas acredito que a lição desse episódio é outra: você não precisa ser um gênio para ser bem sucedido no m ercado de ações. Na verdade, ser inteligente dem ais pode m ais atrapalhar do que aj udar na hora de investir.
Com o diz Warren Buffett: “se você está no negócio de investim entos e tem um QI de 150, venda 30 pontos para outra pessoa”. Os 30 pontos de QI a m ais não farão diferença algum a no sucesso de seus investim entos – e podem atrapalhá-lo, basicam ente, por duas razões.
Um investidor com grande sucesso intelectual em sua vida acadêm ica e profissional pode se tornar arrogante. Muitas pessoas acreditam que, pelo sim ples fato de serem bem sucedidas academ icam ente ou em sua área de atuação profissional, serão bem sucedidas tam bém com seus investim entos. O problem a é que esse raciocínio é falacioso. O conhecim ento de alguém em outras áreas não significa conhecim ento dos princípios m ais basilares dos investim entos financeiros. Ser arrogante pode ser fatal no m undo financeiro - lem bre-se sem pre de que a hum ildade para reconhecer equívocos é um grande passo para se tornar um investidor de sucesso.
Além disso, investidores que se consideram m ais inteligentes acreditam que podem bater o m ercado investindo ativam ente, ou sej a, com prando e vendendo ações rapidam ente. Com pram a ação a R$ 20,50 e a vendem a R$ 22,75. A recom pram a R$ 19,50 e vendem novam ente a R$ 21,20. Fazem isso porque acham , com sua inteligência e esperteza, que podem prever a flutuação dos preços ao longo tem po. Mas a história está contra elas: vários estudos indicam que investidores ativos dificilm ente conseguem m anter sua consistência ao longo de 10 ou 15 anos. Investidores passivos, que com pram um a ação e passam anos a fio com elas têm m aior sucesso j ustam ente porque podem deixar seu investim ento am adurecer. Quem com prou a ação a R$ 20,50 e a vendeu a R$ 22,75 realizou um lucro de 10,9% – m as pode ter deixado de lucrar m uito m ais se um dia a ação vier a ser cotada a R$ 200,00!
Obviam ente, não estou dizendo que inteligência, raciocínio rápido ou um a boa form ação são algo a ser desprezado. Mas não se preocupe se você não foi um estudante de destaque ou não tem doutorado em física nuclear. Nada disso faz diferença na hora de investir. O que você aprendeu até o ensino m édio é o suficiente para ser um bom investidor.
6. Controle emocional é preciso
Se, por um lado, ser um gênio não é necessário para investir no m ercado de ações, é im portante que o investidor saiba controlar suas em oções. Saber aguentar os dias de baixa sem perder a paciência é essencial: m uitos investidores perdem dinheiro na bolsa de valores porque não aguentaram ver o valor de seu patrim ônio cair bastante e venderam suas ações no pior m om ento possível.
Muitos dizem que o segredo da bolsa de valores está em “com prar ações nos períodos de baixa e vender nos períodos de alta”, m as são poucos os investidores que conseguem executar um plano que, aparentem ente, é bem racional. Eu m esm o incorri nesse erro em 2006, quando com ecei a investir em ações: um a pequena queda foi o suficiente para vender as quotas de um fundo de investim ento.
Mas, j ustam ente por ter aprendido que o sucesso no m ercado de ações depende de paciência e de confiança para não se desesperar é que consegui superar com sucesso o abism o em 2008, quando m eu patrim ônio investido chegou a valer quase 40% a m enos nos piores m om entos da crise.
Portanto, prepare-se em ocionalm ente para ver seu patrim ônio cair bastante, nos m om entos de crise (e eles virão, acredite!), e perm anecer inerte. Nesses m om entos, parece tentadora a vontade vender seus ativos para evitar m aiores prej uízos.
Por outro lado, tam bém é difícil ter um a ação que se valoriza bastante ao longo do tem po, m ais do que seria j ustificado esperar, e não vendê-la em razão da aparente tranquilidade do crescim ento dos preços. O controle em ocional é essencial para que o investidor se atenha a sua análise: se ela diz que um a ação vale R$ 50,00 e a sua cotação (o preço da ação) está em R$ 53,00, não hesite em vendê-la. É por não saber controlar as em oções que as pessoas vendem ações excelentes a preço de banana e com pram ações de em presas péssim as a preços exorbitantes. Essa é, talvez, um a das principais razões pelas quais as pessoas levam prej uízo em boa parte de seus investim entos.
Mas com o controlar m elhor suas em oções? Felizm ente, o controle em ocional é algo que qualquer pessoa pode desenvolver. Mas não é algo autom ático: o fato de você ler esse livro não vai levar a m udança algum a no seu com portam ento, se não levar a um a m udança com pleta dos seus hábitos de investim ento. Mas, por outro lado, ele pode aj udar em um certo sentido. Ter conhecim ento sobre com o funciona o m ercado de ações é o prim eiro passo para não se deixar levar pelas em oções, e espero que esse livro sej a um a pequena porta de entrada para que você procure com preender m elhor o m ercado.
7. A bolsa de valores não é um cassino
Muitas pessoas se desesperam ao investir em ações porque têm um a im agem equivocada da bolsa de valores. Elas acreditam que o m ercado é com o um cassino em Las Vegas, onde você pode ficar m ilionário ou perder todas as suas econom ias pelo sim ples fato de ter sorte ou azar. Outros acreditam que, com o num cassino quem ganha dinheiro de verdade é o proprietário do cassino, som ente poderia ganhar m uito dinheiro de ações quem tem inform ação privilegiada, ou sej a, os “donos da bolsa”.
Por essa razão, ainda hoj e os pequenos investidores são cham ados de sardinha, em contraposição aos grandes investidores, os “tubarões”. Convenham os: essa m etáfora é de assustar. Afinal, em que m undo sardinhas podem pretender desafiar os tubarões?
Mas essa é um a im agem equivocada da bolsa de valores. A m aior parte das inform ações é pública, e a Com issão de Valores Mobiliários (CVM) pune quem se aproveita de inform ações privilegiadas para lucrar com ações. E não estou sendo otim ista dem ais: vez ou outra os j ornais divulgam punições aplicadas pela CVM contra investidores que tentaram se aproveitar daquela inform ação que obtiveram porque faziam parte de um negócio m ilionário.
Mas m uitos se desesperam porque acreditam que investir em ações é análogo a apostar as fichas em um cassino. Não têm controle em ocional porque, ao acreditar nessa com paração, acreditam que podem perder tudo em um só instante. Realm ente... se bolsa de valores fosse igual a cassino, essas pessoas estariam certas. Mas, para a sorte delas, estão equivocadas.
Guarde essa frase: a bolsa de valores só é um cassino para quem com pra ações com o obj etivo de lucrar no curto prazo. Assim com o não há com o saber o resultado da roleta na próxim a rodada, ninguém (repito: NINGUÉM) sabe o que vai acontecer no m ercado de ações em 1 ou 2 m eses. Mas no longo prazo, aum entam m uito as chances de conseguir bons lucros no m ercado de ações. No longuíssim o prazo, é praticam ente inevitável. E só essa característica j á torna a bolsa de valores m uito diferente de um cassino. Ou você acha que construirá um bom patrim ônio apostando seu dinheiro no cassino por 10, 15 ou 20 anos?
Em boa parte dos j ogos disponíveis em um cassino, o fator sorte é determ inante para o resultado positivo do j ogador. Um j ogo de azar é, na verdade, um a estrutura lógica baseada em probabilidades, na qual a quantidade de resultados positivos para o j ogador é, desde o início, determ inada a ser m uito m enor do que a quantidade de resultados negativos. É por isso que só quem ganha dinheiro com cassino é o próprio cassino.
Um j ogador “sortudo” é aquele que consegue, em suas j ogadas, estar na zona de frequência de resultados positivos para ele. O problem a é que ninguém tem o m enor controle sobre com o fazer isso. Na m aior parte dos casos, o resultado é com pletam ente aleatório – e, pior, apesar de ser aleatório, a lógica dos j ogos é determ inada de form a que resultados positivos sej am a m inoria entre todos os resultados possíveis! O j ogo é program ado para que alguns poucos apostadores ganhem – m as, em algum m om ento, alguém ganhará.
Dizer que essa pessoa tem um a característica especial – a “sorte” – é apenas um a m aneira de dizer que ela ganhou por deter esse atributo especial. Mas isso não é verdade! Alguém sem pre ganhará no cassino, m as a som a dos que ganham é m uito inferior à som a dos que perdem . E é por isso que j ogos de azar são tão atrativos para quem os oferece. Quem ganhou, não ganhou por ter um atributo especial; ganhou porque alguém ganharia de qualquer j eito, e por puro acaso aconteceu de ser aquela determ inada pessoa. É o que acontece na Mega-Sena.
Núm eros estatísticos são interessantes porque, às vezes, acontecem determ inadas anom alias que parecem se desviar do padrão estatístico esperado. Lance um a m oeda ao alto por 10 vezes e você perceberá que, em 10 lançam entos, não é tão difícil obter um a sequência diferente da esperada de 50% cara e 50% coroa; m uitas vezes, você obterá 6 caras e 4 coroas (ou vice-versa) e, às vezes, até um a sequência m ais im provável, com o 9 caras e 1 coroa. E a m oeda não precisa estar viciada para que isso aconteça. Basta que o espaço am ostral (o núm ero de vezes que a m oeda foi lançada) sej a m uito pequeno. Se você lançar m oedas 1 m ilhão de vezes, provavelm ente obterá um a frequência estatística de 50% para cada resultado. Mas 10 vezes é um espaço am ostral m uito, m uito pequeno. É por isso que na m aioria dos concursos da Mega-Sena existe um ganhador. Em bora a chance de qualquer pessoa em particular sej a ínfim a de ganhar, o núm ero de j ogadores é tão grande que é praticam ente certo que, em algum m om ento, alguém ganhe. Se a chance é de 1 pessoa em 1 m ilhão ganhar o prêm io de um a determ inada loteria, e se há 2 m ilhões de j ogadores, não é tão difícil assim que haj a 2 vencedores.
É por isso que, m uitas vezes, alguém que j ogou duas vezes na m áquina caça níquel e ganhou nas duas vezes acredita estar com sorte. Não é sorte; é que o espaço am ostral dele (duas j ogadas) foi m uito pequeno. Se ele continuar a j ogar por dezenas de vezes, o núm ero de j ogadas vencedoras dim inuirá até ficar em harm onia com o padrão estatístico predeterm inado. Foi puro acaso o fato de as duas prim eiras j ogadas terem sido bem sucedidas. Puro acaso. Mas nossa m ente é program ada para identificar padrões e, por isso, ela acaba sendo enganada quando eventos não recorrentes acontecem : o j ogador que ganhou nas duas prim eiras rodadas acredita que está num dia especial e acaba j ogando fora todo o dinheiro que conquistou.
Jogos de azar são j ogos de som a zero. Para que alguém ganhe 1, alguém perde 1. Jogos de azar têm esse nom e porque a probabilidade de o j ogador ganhar algum a coisa é m uito m enor do que a de ele perder. Isso significa que, em um a rodada qualquer, ele é um j ogo de som a zero (ou o j ogador ganha, ou o j ogador perde). O problem a é que os j ogos de azar organizados por cassinos são aj ustados de tal m aneira que a probabilidade de um resultado negativo acontecer é altíssim a.
Muita gente acredita que a bolsa de valores funciona da m esm a m aneira. Segundo alguns, para que alguém ganhe dinheiro na bolsa, é necessário que alguém perca. Afinal, se alguém vende um a ação e outra pessoa com pra, com o podem am bos estarem ganhando com a transação? E a verdade é… podem sim .
Vej am os a situação de alguém que com eçou a investir em ações em 2001, e com prou ações da Vale. As ações da Vale, naquela época, poderiam ter sido adquiridas por R$ 3,62. Esta pessoa poderia ter vendido essas ações, em 2010, por R$ 49,00 (um ganho total de 1260%). Quem com prou essas ações, fez um m al negócio? Não necessariam ente. Se ele decidir m anter as ações da em presa, é bem possível que, no longo prazo, suas ações se valorizem bastante ao longo do tem po. Então, na verdade, am bos os investidores podem ganhar bastante dinheiro com as m esm as ações. Isso significa que quem vendeu as ações fez m al negócio? Não! Ele pode ter vendido porque encontrou um a oportunidade de investim ento que j ulga m elhor, ou porque quer gastar o dinheiro em coisas que j ulga serem m ais valiosas.
Onde está “a pegadinha”? Não parece ser um negócio bom dem ais esse em que tanto quem com pra quanto quem vende pode ganhar? “A pegadinha” do investim ento em ações está no prazo do investim ento e na qualidade da em presa. A transação m utuam ente benéfica foi possível porque o prazo do investim ento foi longo, e a qualidade da Vale é excepcional. No longo prazo, o risco de se perder dinheiro investindo em um a em presa adequada com prada por um preço tam bém adequado é m ínim o. Se os investidores tivessem com prado ações da Vale para vender no curto prazo, poderia ter ocorrido de am bos perderem dinheiro, ou de um deles perder dinheiro e o outro ganhar. Im agine a situação em que o prim eiro investidor com prou ações da Vale a R$ 52,00, vendeu a R$ 49,00, e o novo com prador as vendeu a R$ 46… todos perderam dinheiro com um a em presa excelente!
O fator sorte influencia m enos o sucesso de um investim ento feito no longo prazo. No curto prazo, as chances de perder dinheiro são m aiores do que no longo prazo. No curto prazo, a flutuação dos preços não segue qualquer lógica; no longo prazo, ela segue a perform ance da em presa. O ponto de entrada só é im portante no curto prazo; no longo prazo, ele se torna cada vez m ais irrelevante. Não é por acaso a seguinte citação de Benj am in Graham : “No curto prazo, o m ercado é um a m áquina de votação, m ais no longo prazo o m ercado é um a balança”. Um a m áquina de votação registra o hum or de m ercado em um determ inado m om ento. Um a balança, por sua vez, registra o peso de um a em presa. Quanto m ais bem sucedida, m aior o seu peso.
E então? A sorte influencia no m ercado de ações? Sim e não. Influencia o sucesso de trades e investidores de curto prazo, que buscam identificar pontos de entrada e de saída a partir do que j ulgam ser anom alias estatísticas no com portam ento dos preços das ações. Para quem se torna um verdadeiro acionista de um a em presa de qualidade e acom panha o com portam ento de sua atividade operacional, o fator sorte assum e cada vez m enos relevância.
Saber disso é im portante para m anter o controle em ocional. Afinal, saber que você está investindo em um m ercado que se torna m enos arriscado a cada dia que você perm anece nele j á dá um a certa tranquilidade. Portanto, fique tranquilo: a bolsa de valores só será um cassino se você decidir investir com o se apostasse em Las Vegas. Tudo depende de você.
8. Q ualidades do bom investidor em ações
Muitas pessoas acreditam que um bom investidor é alguém com QI acim a da m édia, três telas de com putadores ligadas 24 horas por dia nos principais m ercados de ações do m undo, e um a cabeça antenada em todas as notícias do m ercado. Mas essa é um a im agem equivocada: a m aior parte das pessoas pode desenvolver as qualidades necessárias para se tornar a um bom investidor. A m á notícia é que, provavelm ente, a m aioria das pessoas j am ais as terá – não porque elas são inacessíveis, m as porque exigem algum as virtudes que a m aioria de nós não tem a m enor vontade de desenvolver, ou acredita que elas não as tornariam pessoas ou investidores m elhores. Menos do que inteligência, investir requer certos traços de tem peram ento.
O prim eiro desses traços é a paciência. Reconheço: é m uito difícil ser paciente em m om entos de crise no m ercado. Não é fácil ver o valor de sua carteira de ações despencar 10% em um m ês, 15% em outro, e ficar quieto sem fazer absolutam ente nada a não ser com prar m ais ações. Para m uitos - e m esm o especialistas de m ercado dizem isso -, com prar m ais ações nessas situações é irracional. Mas não é: é a m elhor situação que um investidor poderia encontrar -poder com prar as ações de em presas fantásticas a preços bem m ais baratos.
A m aior parte dos investidores desiste logo, e acabam am argando o prej uízo ao vender suas ações depois de quedas elevadas. Os que persistem , têm dois destinos: ou veem seus investim entos ir para o ralo de um a vez ou são bem sucedidos.
Por isso, não basta ser paciente. É im portante ter outras virtudes que, em seu conj unto, tornam m ais provável que a recuperação aconteça.
Um a outra virtude com um aos bons investidores é que eles pensam por si m esm os. Eles têm noção do que acontece no m undo; leem bons j ornais, sabem com o está a econom ia do país e do m undo. Mas, m ais im portante do que isso, não cedem à tentação de seguir o que o “m ercado” acredita que vai acontecer. Eles têm um a boa educação financeira: leem bons livros sobre investim ento e seguem suas próprias conclusões. Leem o que os analistas pensam , m as não seguem cegam ente a opinião deles. Estudam os balanços das em presas, pois é lá que podem ser encontradas a m aior parte das inform ações necessárias para ser um bom investidor.
Por essa razão, bons investidores não seguem as m ultidões e as tendências do m ercado. Muitos perdem dinheiro por seguirem o com portam ento da m aioria. Em dias de crise, boa parte dos investidores se desesperam e vendem suas ações por preços extrem am ente baixos e inj ustificados. E acabam levando m uitos outros investidores, que sucum bem ao cham ado “efeito m anada”, a vender suas ações im pulsivam ente porque “é o que todo m undo está fazendo”. Em dias de euforia, acontece o contrário: m uitos seguem o im pulso de com prar ações a qualquer preço, apenas porque todo m undo está fazendo isso. Essa é um a das razões que levam ao surgim ento de bolhas de m ercado, que ocorrem quando m uitos especuladores resolvem com prar ações a preços m uitos superiores ao de seu valor real.
Na m aioria das vezes, seguir as m ultidões levará a resultados pífios: a com eçar a investir em ações quando elas estão em alta, e deixá-las quando elas estiverem em baixa. Obviam ente, isso não significa que é correto adotar a postura de não seguir o que a m aioria está fazendo. O bom investidor deve avaliar se a tendência e o com portam ento de m assa é ou não racional. Às vezes, as m ultidões e o m ercado estão certos, e às vezes não. O im portante é m anter a cabeça fria para avaliar a situação e com preender se o m ovim ento é j ustificado ou não.
Outra qualidade do bom investidor é a de com preender que as flutuações de m ercado são norm ais. A volatilidade é um com ponente intrínseco do m ercado de ações. Por isso é que esse m ercado é cham ado de renda variável; os preços das ações são bastante erráticos no curto prazo.
Mas por que isso acontece? Se os m ercados fossem absolutam ente racionais, eles em butiriam no preço da ação todas as inform ações disponíveis na em presa. Ou sej a, os preços de cada ação refletiriam todas as inform ações da em presa e, assim , seria im possível vencer um índice que espelhasse o m ercado de ações. O m áxim o que um bom investidor poderia alm ej ar seria em patar com ele.
Mas os m ercados não funcionam assim : os m ercados não são absolutam ente racionais, apesar de m uitas pessoas acreditarem na hipótese do m ercado racional. Os m ercados são com postos por pessoas, e elas são m uitas vezes irracionais. Aceitam pagar por um a em presa ruim um valor m uito alto, ou pagar um valor m uito baixo por um a em presa excelente. E isso pode ser a desgraça ou o m aior trunfo de um investidor.
Por isso, se você reunir as qualidades a que m e referi - ser paciente, pensar por si m esm o, não seguir as tendências do m ercado e pensar na ação com o parte de um negócio, é m uito m ais fácil descobrir oportunidades e pensar racionalm ente se o preço de determ inada ação é j ustificado ou não - e, a partir daí, tirar vantagem de suas conclusões para a sua carteira de investim entos.
Se você acha que não reúne essas virtudes, não se preocupe. É perfeitam ente possível desenvolvê-las - desde que haj a vontade e você as pratique. Se você acredita que não é paciente, pratique a virtude da paciência. Se você não gosta de estudar balanços, com ece a estudá-los. Se você acredita cegam ente nas opiniões dos analistas de m ercado, com ece a estudá-las m elhor para identificar quais são os seus pontos m ais fracos. Aristóteles, o grande filósofo grego, estava certo ao ensinar que alguém só pode adquirir um a virtude pelo hábito: e só se adquire um hábito praticando-o até que eles sej a incorporado a seu caráter. Portanto, com ece hoj e a praticar as virtudes de um bom investidor!
9. Você tem o perfil necessário para investir em ações?
Por fim , para saber se você está preparado para investir em ações, é im portante verificar se o investim ento em um m ercado de renda variável é com patível com o seu perfil de investidor. Saber o seu perfil é im portante porque cada perfil de investidor deve investir em ativos com patíveis.
Esse é um tem a m uito abordado em m atérias j ornalísticas que cobrem a educação financeira, que norm alm ente partem dos seguintes pressupostos: alguém que tem um perfil conservador não deve investir em ações (ou investir m uito pouco nesse m ercado, em torno de dez por cento de todas as suas econom ias). Por outro lado, um investidor com perfil m oderado deveria investir um a parte do capital em renda fixa e no m áxim o uns 20% em ações. E alguém com perfil agressivo deve investir no m áxim o uns 50% em ações e a outra m etade em renda fixa, im óveis ou fundos im obiliários. Moral da história: m esm o com um perfil extrem am ente agressivo, o investidor deveria investir, no m áxim o, 50% de seu patrim ônio no m ercado de ações.
No fundo, os pressupostos subj acentes a essa “cartilha” são os seguintes: se você é um a pessoa cuidadosa, não invista m uito em ações. Por outro lado, se você for um j ogador com pulsivo, invista nelas! Você fica tranquilo se perde dinheiro? Invista em ações! Ou sej a, a ideia por trás desse m odo de identificação de perfis de investim ento é a de que o perfil de um investidor é puram ente psicológico: se o investidor é um a pessoa que gosta de se arriscar, deve investir em ativos m ais arriscados; se é um m edroso, deve fugir deles.
Essa, contudo, é um a im agem inadequada e im produtiva. O perfil do investidor é algo extrem am ente difícil de se definir, e depende de m uito m ais fatores do que o perfil psicológico do investidor. Na verdade, definir o perfil de um investidor pressupõe um a com binação bastante com plexa entre circunstâncias obj etivas e subj etivas.
Para com preender esse ponto, vej a os exem plos de dois investidores hipotéticos, João e Maria. João é um vendedor de sapatos com um salário bastante variado. Ele ganha um salário m ínim o, m ais um a com issão sobre as vendas que realizar. O setor de varej o de calçados é bastante instável: ele pode ter em prego por 2, 3 anos e, de repente, pode ser dem itido e ficar m eses sem trabalhar. Apesar disso, é um suj eito bastante com edido que poupa o que pode.
Maria, por sua vez, é um a funcionária pública que ganha um a rem uneração constante, e tem estabilidade. Sua renda é m ais do que suficiente para assegurar um padrão de vida aceitável para sua fam ília e ainda econom izar um a quantia razoável.
Digam os que João tenha um perfil psicológico arroj ado, nos term os com preendidos pela m aioria das instituições brasileiras. Ele gosta de se arriscar, e não se preocupa caso perca seu dinheiro. Por isso, investe suas econom ias integralm ente em ações. Não parece que seu futuro será prom issor, parece? Ele pode ser dem itido a qualquer m om ento e será obrigado a vender suas ações ao preço em que estiverem , para poder se sustentar. Se for em um período de alta, ótim o! Terá um bom lucro e poderá viver algum tem po dignam ente até conseguir um novo em prego. Mas pode acontecer o contrário: se vender as ações em um m om ento de crise financeira, João pode vir a ter um prej uízo enorm e, e terá que viver com um padrão de vida infinitam ente inferior até conseguir novo em prego.
Por outro lado, digam os que Maria tenha um perfil psicológico conservador. Ela não se “arrisca” de j eito nenhum . Só confia na poupança para “investir” seu dinheirinho. Ela nunca irá precisar daquele dinheiro, porque j á tem estabilidade, casa própria e tem um plano de saúde m uito bom para si m esm a e para sua fam ília. Além disso, ela paga um seguro de vida que deixará seus filhos m uito bem caso venha a falecer, além de ter econom ias suficientes para deixar sua fam ília num a condição de vida fantástica. A situação financeira de Maria tam bém não é m uito boa, não é? Ela está deixando de lado a oportunidade de ter, daqui a alguns anos, um a vida financeira espetacular, para se contentar com um a vida m odesta. Não vai passar fom e, m as dificilm ente vai realizar seus sonhos de passar um m ês inteiro na Europa ou de ter um a aposentadoria realm ente digna.
Você percebe com o a situação dos dois investidores é contraditória? João deveria ter um a reserva m uito boa em investim entos conservadores, o suficiente para que se m antivesse por um ano ou dois desem pregado, antes de pensar em investir em ações. Som ente assim ele teria a tranquilidade necessária para investir em ações pensando no longo prazo, sem que as intem péries do dia-a-dia o afetem .
Maria, por sua vez, poderia investir todo o seu patrim ônio excedente em ações que seu padrão de vida não seria alterado de nenhum a m aneira. Afinal, ela j á tem casa própria e, se falecer, seu m arido receberia um a pensão razoável, além do seguro. Ela poderia guardar um dinheiro para eventuais necessidades cotidianas em renda fixa e investir o restante em ações, e daqui a 10 ou 15 anos, poderia ter um a rentabilidade fantástica – m uito superior ao que teria na poupança. O suficiente para que realizasse seus sonhos sem qualquer preocupação.
Com o se vê, não basta que Maria sej a conservadora ou João arroj ado para que seu perfil sej a definido. É preciso um a conj unção de fatores obj etivos e psicológicos para definir o perfil do investidor. Mesm o que Maria sej a extrem am ente conservadora, ela pode investir um quinhão de seu patrim ônio em ações com tranquilidade. E m esm o que João sej a extrem am ente arroj ado, ele precisa ter um a reserva em renda fixa antes de investir em ações.
Quando conj ugam os as circunstâncias de am bos os investidores, tem os a seguinte situação. A vida de João exige que ele sej a inicialm ente conservador, e progressivam ente evolua para um perfil m oderado. Apenas após acum ular um patrim ônio substantivo nessas condições é que ele deve pensar em assum ir um a postura m ais “arroj ada”. Antes, deve acum ular o suficiente para viver razoavelm ente bem por um ou m esm o dois anos antes de partir para as ações.
Maria, por sua vez, tem um a condição financeira que exige um a postura m ais agressiva, que possibilite a construção patrim ônio espetacular. Já seu perfil psicológico é extrem am ente conservador, exigindo que ela tenha um a boa reserva em investim entos m enos voláteis. Nessas condições, o ideal é que ela assum a um perfil m oderado, m antendo um percentual razoável em ações, e um percentual em renda fixa. Prefiro não opinar sobre os percentuais que Maria deveria investir em cada tipo de investim ento, j á que é um a decisão pessoal. Mas, de qualquer m odo, o que fica claro é que ela não pode deixar seu dinheiro investido apenas na poupança, a não ser que ela desej e que todo o seu patrim ônio sej a usufruído pelo Sistem a Financeiro de Habitação (que é financiado em parte pela poupança), e não por ela.
Com o se vê, não é fácil definir o perfil de investidor. Mas não confie apenas no seu perfil psicológico: verifique que tipo de perfil é com patível com suas características psicológicas e com seu patrim ônio. Alguém que tem R$ 10.000.000,00 não precisa ser conservador: caso invista apenas em ações, o valor que recebe anualm ente em dividendos é m ais do que suficiente para garantir um padrão de vida bastante razoável!
10. A importância da diversificação
Um dos conselhos m ais ouvidos por quem quer com eçar a investir decerto é: não coloque todos os ovos num a cesta só - diversifique! A ideia por trás desse conselho é a de que o investim ento em várias categorias diferentes de investim entos atenua os riscos de cada um deles. É verdade que há gente de respeito contra essa recom endação - Warren Buffett, a quem j á m e referi outras vezes, é contrário a esse conselho. De acordo com ele, a m elhor form a de atenuar riscos é conhecer bem os ativos que se pretende adquirir, de m odo a com prar apenas ativos cuj o potencial de rentabilidade sej a tão alto que se dilua de bastante os riscos.
Não discordo de Buffett quanto a isso: de fato, conhecer bem as em presas cuj as ações o investidor pretende investir é um a ótim a m aneira de separar o j oio do trigo. Isso decerto não se aplica apenas ao m ercado de ações: é im portante conhecer o m ercado im obiliário e o potencial de valorização de um im óvel quando se pretende adquirir um a casa ou apartam ento para investir, assim com o tam bém é relevante conhecer a lógica dos títulos do tesouro nacional antes de se aventurar pelos cam inhos do tesouro direto. Apesar da m enor volatilidade, é perfeitam ente possível perder dinheiro com im óveis ou com a renda fixa.
Apesar de o conhecim ento ser essencial para am ortecer os riscos de um investim ento, a diversificação tam bém é um bom princípio. Se o conhecim ento protege o investidor de com prar ativos com alto risco de prej uízo, a diversificação o protege de sua ignorância - ou sej a, dos riscos que ele não sabe que está correndo.
Im aginem que alguém pretende com prar ações da em presa fictícia PTRX5. O investidor olha os balanços anteriores da em presa, os estuda, e ela parece ótim a: há 10 anos ela não dá prej uízos, tem um a política razoável de governança, os lucros são crescentes, e ela tem pago dividendos frequentem ente. Mais ainda, suas ações estão sendo negociadas no preço m ais baixo dos últim os 12 m eses! Parece um a pechincha, não é? Bom , 3 m eses depois da aquisição da em presa, sem qualquer aviso, a CVM descobre um a fraude praticada por um dos controladores da com panhia: ele m aquiava os balanços para que todos achassem que a em presa era ótim a e não tinha dívida algum a, quando na verdade as dívidas eram tão altas que se tornou im possível pagá-las. As ações da com panhia, no dia seguinte, "derretem ": o preço delas, que estava na m ínim a anual, despencam ainda m ais, sem expectativa de um dia retornar ao patam ar anterior. Im agine a tristeza do investidor se tivesse utilizado todas as suas econom ias para adquirir aquelas ações!
Claro, o exem plo acim a é hipotético: a CVM tem se profissionalizado bastante, exigido a auditoria contábil das em presas, e algo do tipo dificilm ente aconteceria. Mas nunca se sabe... há alguns anos, o investidor Bernard Madoff conseguiu engabelar m uita gente nos EUA com o seu fundo de investim entos, que m ais tarde se descobriu ser apenas um esquem a de pirâm ide! Ele foi preso, m as o prej uízo causado dificilm ente será recuperado pelos investidores. Im agine o que aconteceu com quem tinha todo o seu patrim ônio nos fundos de investim ento adm inistrados por Madoff…
Além disso, m esm o em presas sólidas podem ruir em relativam ente pouco tem po, em razão de fatores que o investidor não pôde levar em consideração porque os ignorava - não por sua falha, m as porque a inform ação talvez não estivesse disponível ou tenha sido negligenciada com o m enos im portante pelo próprio investidor. Assim , m esm o que se faça o dever de casa e se estude bastante as em presas cuj as ações pretende com prar, ainda há o risco da ignorância. E o que se ignora, não pode ser analisado.
Um outro exem plo de com o a ignorância quanto a certos aspectos do negócio da em presa que se está analisando ocorreu recentem ente com a Sadia. No terceiro trim estre de 2008, no início da crise im obiliária dos EUA, a em presa apresentou um prej uízo de quase R$ 800 m ilhões em razão da liquidação de operações financeiras cam biais (que, paradoxalm ente, a em presa m antinha para se proteger da variação do câm bio) e de investim entos que a em presa m antinha no Lehm an Brothers, a instituição financeira que veio a falir no auge da crise. Esses investim entos até constavam dos balanços da em presa, m as boa parte dos investidores os ignoravam com o de m enor im portância.
É por isso que a diversificação tem sua im portância: adquirir vários ativos diferentes com bom potencial de valorização dilui o risco da ignorância do investidor. Note bem que a ideia não é diversificar com a aquisição de qualquer ativo, m as apenas ativos com bom potencial de valorização. Não adianta ter vários ovos na cesta se alguns deles estão podres: você não vai conseguir bons lucros, no longo prazo, com em presas ruins ou caras dem ais.
Em se tratando do m ercado de ações, tam bém é im portante adquirir ações de setores diferentes (bancos, siderúrgicas, m ineradoras, setor de consum os, etc.), para evitar que algum risco daquele setor específico contam ine a carteira inteira. Com prar apenas ações de em presas do m esm o setor significa se suj eitar ao risco setorial, sem diluí-lo.
Se o investidor for um pouco conservador, tam bém é im portante diversificar com outros tipos de ativos: im óveis (inclusive fundos im obiliários) e renda fixa são opções im portantes a serem levadas em consideração. Diversificar tam bém é im portante por outro m otivo: m anter dinheiro em investim entos m enos voláteis para poder com prar m ais ações nos m om entos de crise, quando elas são negociadas a preços m ais baixos. Se o investidor não tiver dinheiro em caixa para com prar ações nos m om entos de crise, pode perder excelentes oportunidades.
O quanto diversificar é algo que só o investidor pode definir. Caso tenha pouco dinheiro em caixa, talvez sej a ideal diversificar pouco: de repente, 20% em um fundo de ações, e o restante em renda fixa. Com m ais dinheiro, é possível diversificar um pouco m ais - ao invés de com prar cotas de um fundo, pode com prar ações diretam ente. Isso tam bém depende da disposição do investidor em enfrentar as oscilações do m ercado: se ele tiver m ais disposição a enfrentá-las, pode ter parte m aior do seu patrim ônio em ações; se tiver m enos disposição, pode m anter um colchão m aior em renda fixa, deixando um percentual m enor em ações.
11. Você tem um colchão de segurança?
Antes de investir em ações, é im portante ter um "colchão de segurança" em outros investim entos m ais líquidos. Esse colchão tem por obj etivo garantir que o investidor tenha com o pagar por despesas extraordinárias e im previsíveis, com o em ergências de saúde, por exem plo, que dem andem a utilização de bastante dinheiro em um tem po relativam ente curto de tem po.
Esse é um pré-requisito para investir em ações pela seguinte razão: alguém cuj o patrim ônio sej a com posto exclusivam ente de ações pode precisar ter que vendê-las a um preço baixo, caso ocorra um a urgência que torne necessária a utilização de parte dos recursos.
Os ativos necessários para a form ação do colchão de segurança devem ser líquidos, ou sej a, precisam ser facilm ente convertidos em dinheiro. Im óveis, por exem plo, seriam um péssim o ativo para com por o colchão de segurança. Eles têm um a liquidez m uito baixa, j á que é m uito difícil converter um apartam ento ou um a casa em dinheiro. É preciso contratar um corretor de im óveis, anunciar em j ornais, colocar a placa de "vende-se" e aguardar propostas. Caso alguém pretenda vender seu im óvel rapidam ente - com o seria necessário em um a em ergência m édica -, provavelm ente seria obrigado a vendê-lo por um preço abaixo do m ercado.
Que m odalidades de investim ento têm liquidez im ediata? A poupança é um investim ento com altíssim a liquidez; o investidor pode resgatar rapidam ente o valor aplicado na poupança. Outros investim entos bastante líquidos são CDBs e alguns fundos de renda fixa de curto prazo. É im portante, contudo, que você observe na instituição financeira em que seus investim entos estão custodiados as regras específicas para esses casos, j á que cada instituição pode definir prazos específicos. Em alguns CDBs, som ente é possível resgatar o valor investido no m om ento do vencim ento. O tesouro direto tem liquidez apenas m ediana; os títulos podem ser vendidos apenas na quarta-feira de cada sem ana, e o valor resgatado ainda pode dem orar m ais um dia para ser depositado na contracorrente do investidor.
Por outro lado, não basta liquidez; os investim entos voltados para a construção desse colchão de segurança precisam ter outra qualidade: a estabilidade. Essa característica indica que esses investim entos não podem ser excessivam ente voláteis, ou sej a, ter variações brutas em seu preço de m ercado .Por outro lado, im óveis têm preços relativam ente estáveis, m as são m uito pouco líquidos. Nesse sentido, os investim entos m ais estáveis e líquidos são aqueles a que se referiu anteriorm ente: CDBs, poupança e investim entos em títulos do tesouro direto. Preferencialm ente, um a parte desses investim entos deve ser alocada em CDBs com liquidez im ediata e na poupança, que possibilitam o resgate a qualquer tem po do m ontante investido.
Por que não é recom endável que ações e im óveis sej am utilizados para com por essa reserva financeira? Por um lado, os im óveis têm um preço relativam ente estável, m as são m uito pouco líquidos. Por outro lado, apesar de serem relativam ente líquidas, as ações tam bém não podem cum prir essa função porque o seu preço de m ercado pode variar bastante de um dia para outro; elas são relativam ente líquidas, m as m uito voláteis.
É im portante notar que o valor do colchão de segurança não está em sua rentabilidade potencial. Todos os ativos assinalados para cum prir essa função têm risco relativam ente baixo, m as tam bém apresentam um potencial m ais lim itado de rentabilidade quando com parado ao potencial das ações, por exem plo. A função do colchão é garantir liquidez, não rentabilidade.
O valor a ser destinado à construção desse “colchão de segurança” varia conform e o perfil de um a pessoa. Um servidor público estável pode ter um valor de reserva m enor, m as quem tem um em prego m uito instável precisa de um colchão m aior. Muitos especialistas aconselham que se tenha, ao m enos, o valor equivalente a seis m eses de rem uneração em reservas nesses tipos de ativo. Assim , alguém com um a rem uneração de R$ 2.000,00 por m ês necessitaria de pelo m enos R$ 12.000,00 investidos com esse obj etivo.
Esse critério é relevante, m as deve ser adaptado à realidade de cada um . Alguém que trabalhe em um setor altam ente especializado, sem qualquer tipo de estabilidade assegurada, pode dem orar m ais de seis m eses para encontrar um novo em prego e, portanto, necessitaria de um valor ainda m aior. Por outro lado, alguém que tenha um em prego m ais estável pode se dar ao luxo de contar com um colchão de segurança m enor, capaz de suprir apenas as necessidades m ais urgentes - e não a de garantir a sustentação de um a fam ília por m eses a fio. É im portante, portanto, avaliar as suas reais necessidades ao estabelecer o valor de suas econom ias a ser destinado para essa finalidade.
Com essas considerações, podem os partir para o que interessa: conhecer m ais sobre o funcionam ento do m ercado de ações e com o alcançar a independência financeira com ele. Antes de passar diretam ente para a discussão desses aspectos, era im portante m ostrar que o m aior inim igo do sucesso na bolsa de valores é o próprio investidor e que, para evitar o fracasso, é necessário "preparar o terreno" antes de se aventurar. Todavia, m esm o que você j ulgue não satisfazer todos os requisitos que apontei, não se desespere; é possível desenvolver cada um deles j á cam inhando pela longa estrada do investim ento em ações. Vam os em frente!