Manual do Pequeno Investidor em Ações
2. Introdução ao investimento em ações
1. O que é uma ação?
A esm agadora m aioria dos investidores fracassa no m ercado de ações por não entender o que é um a ação. Não que se trate de um conceito difícil. Na verdade, é bem sim ples: um a ação é a m enor fração do capital social de um a com panhia, que confere a seu proprietário o direito de participação na em presa. Trocando em m iúdos: um a ação é o m enor pedaço que alguém pode ter de um a em presa. E esse pedacinho confere ao proprietário o direito de participar no lucro da com panhia, na proporção do núm ero de ações que ele possui.
Isso significa que o proprietário de um a única ação de um a em presa é o dono de um pedacinho m inúsculo de cada m áquina, prédio, com putador, propriedade m óvel e im óvel dela. Por ser o proprietário de um pedacinho da em presa, ele é o dono do lucro que cada pedacinho da com panhia produzir. Assim , alguém que possua um a ação de um a em presa cuj o capital social é dividido em dez ações é o proprietário de um décim o da em presa e de tudo o que ela produzir no período em que a ação perm anecer em sua propriedade.
Há, ainda, um a outra vantagem para o acionista: ele não é responsável por nenhum a dívida da em presa. Se a em presa distribuir seus lucros, ele tem direito a um a parte deles, m as não é o responsável por qualquer dívida da com panhia. Obviam ente, isso não significa que um a em presa endividada dem ais não possa causar prej uízo a seus acionistas; m as esse prej uízo é contabilizado no valor da ação, e não em um débito a ser pago por ele.
Sei que você deve estar pensando que o que acabei de dizer é óbvio, e deve estar se perguntando com o a prim eira frase desse capítulo pode fazer algum sentido. Afinal, com o a m aioria dos investidores fracassa no m ercado de ações por não saber algo tão óbvio e natural? Provavelm ente, você j á sabia disso tudo antes de ler esse texto; com o outros investidores não sabem disso? A verdade é que eles sabem , m as se com portam com o se não soubessem . A m aioria das pessoas negocia ações esquecendo a em presa que está por trás delas, com o se as ações fossem independentes do desem penho dela. Com pram e vendem ações freneticam ente, buscando ganhar centavos com a variação de preço que ocorre ao longo do dia. Buscam prever a variação dos preços e, a partir dessa previsão, tentam lucrar com a negociação das ações.
Mas esse é um erro, no longo prazo. O acionista, por m enor que sej a a fração do patrim ônio da em presa de que é proprietário, deve pensar com o se fosse o proprietário de toda a com panhia. Para com preender m elhor esse ponto, é interessante traçar um a analogia com a situação de alguém que construiu um a em presa e é o seu proprietário. Você acredita que alguém que construiu um a padaria a venderia na prim eira oportunidade que tivesse, só porque o valor de m ercado dela está 2% superior ao valor de m ercado de dois dias atrás? Dificilm ente ele faria isso, concorda? Mas a situação é exatam ente a m esm a de quem com prou ações de um a em presa em um dia para vendê-la dois dias depois: não faz o m enor sentido para seu patrim ônio no longo prazo.
2. Por que uma empresa emite ações?
Muitas vezes, um a em presa encontra barreiras a seu crescim ento, j á que, em algum as situações, se torna difícil expandir as atividades a um ritm o razoável sem aum entar m uito seus custos. Custa m uito dinheiro construir um a nova fábrica, com prar um a nova loj a, reform ar os equipam entos para m elhorar a produtividade ou dar m elhor treinam ento aos funcionários. Para aum entar os lucros, a em presa precisa econom izar m ais para financiar seu crescim ento ou encontrar um a fonte de financiam ento externa.
Econom izar um a parte do lucro e reinvestir norm alm ente é um a boa estratégia, j á que significa que a em presa está usando seu próprio dinheiro para prom over o seu crescim ento orgânico. Mas, às vezes, o uso do próprio capital da com panhia possibilita apenas um crescim ento m odesto ao longo do tem po, e é possível que a utilização de recursos externos viabilize m aiores oportunidades de crescim ento.
Mas de onde viriam esses recursos? Um a prim eira possibilidade seria a tom ada de um em préstim o. Todavia, em préstim os vêm acom panhados de um inconveniente: o devedor tem que pagar j uros. Em algum as situações, nas quais a expectativa de rentabilidade do investim ento no longo prazo é superior aos j uros, pode valer a pena pegar o em préstim o.
Existe, contudo, um a alternativa m ais barata: em itir ações no m ercado por m eio de um a Oferta Pública Inicial (os fam osos IPO - do inglês Initial Public Offering).
Ao decidir por um IPO, os proprietários originais da em presa aceitam vender um a parte do negócio para outros investidores em troca do capital necessário para expandir as atividades da com panhia. É um dinheiro m uito barato, pois a em presa não terá a obrigação de pagar j uros para ninguém , m as apenas dividir parte de seus lucros com os acionistas. Para os novos acionistas, por outro lado, pode vir a ser um grande negócio, se os prognósticos de crescim ento se confirm arem no longo prazo. Falarem os m ais sobre os IPOs m ais à frente.
3. Entendendo os tickers
Você j á deve ter visto, em um j ornal televisivo que cubra a m ovim entação da bolsa de valores, um painel eletrônico no qual um a sopa de letras seguidas de núm eros anda rapidam ente em linha horizontal. Se você não viu, é algo m ais ou m enos assim :
Parece um enigm a indecifrável, m as com preender aquela com binação de letras e núm eros é fácil - e ela traz algum as inform ações essenciais sobre cada ação.
Na prim eira coluna, tem os o cham ado ticker, que nada m ais é do que um a sigla que abrevia o nom e da em presa (as quatro letras), seguida por um núm ero, que indica o tipo de ação. Nesse pequeno quadro, tem os ações de cinco em presas- Usim inas (USIM5), BR Malls (BRML3), Diagnósticos da Am érica (DASA3), Souza Cruz (CRUZ3) e Cem ig (CMIG4). Com o tem po de investim ento, qualquer um se acostum a com os tickers e j á sabe, só de olhar, a que em presa cada ticker se refere.
Os núm eros im ediatam ente ao lado das quatro letras indicam a que tipo de ação o ticker se refere. As ações podem ser, basicam ente, de dois tipos: ações preferenciais e ações ordinárias. Mesm o que nunca tenha investido na bolsa de valores, você j á deve ter observado que as ações de um a em presa são acom panhadas de duas letras, ON ou PN. Essas letras indicam o tipo de ação negociada – se ordinária (ON) ou preferencial (PN). As ações ON norm alm ente são negociadas pelo núm ero 3 em um ticker, e as ações PN, pelo núm ero 4 ou 5. Existem tam bém as units, m enos com uns, e que são indicadas pelo núm ero 11.
Assim , as ações preferenciais da Petrobras são representadas pelo ticker PETR4, e as ações ordinárias da em presa, pelo ticker PETR3. As ações preferenciais da Vale, por sua vez, são negociadas pelo código VALE5. Acontece, tam bém , de as em presas lançarem subtipos diferentes, associados a cada tipo de ação: as ações preferenciais do Banrisul, por exem plo, são negociadas pelos tickers BRSR4 (PN), BRSR5 (PNA) e BRSR6 (PNB).
Os núm eros em preto ao lado do ticker indicam o valor do últim o negócio efetuado com a ação. Assim , na tabela, pode-se verificar que as ações preferenciais da Usim inas (USIM5) foram negociadas por R$ 12,52. Ao lado desse núm ero, está ainda um indicador percentual, em algarism os verdes. Esse núm ero m ostra o quanto, em term os percentuais, o preço da ação variou em relação ao últim o negócio (fecham ento) do dia anterior. No caso, as ações preferenciais da Usim inas se valorizaram em 2,79%. A cor desse indicador varia conform e as ações se valorizem ou se desvalorizem : verde no prim eiro caso, e verm elho no caso de desvalorização.
Agora você j á sabe porque, em dias de crise, o noticiário norm alm ente m ostra os painéis eletrônicos da Bovespa repleto de tickers em verm elho, e porque tudo fica verde nos dias de otim ism o!
4. Direitos dos acionistas
Cada classe de ação (preferencial ou ordinária) oferece direitos diferentes para seus proprietários. Muitas vezes, a em presa tam bém define, em seu estatuto, várias subclasses de ações preferenciais ou ordinárias com direitos diferentes.
Vej am os os principais direitos dos acionistas m inoritários.
I. Pagamento de dividendos e direito de voto: as principais diferenças entre ações ordinárias e preferenciais
As ações preferenciais são cham adas assim porque a Lei das Sociedades Anônim as confere a seus proprietários a preferência na distribuição de dividendos - a parcela do lucro que a em presa distribui a seus acionistas. Mas essa preferência tem um custo: a lei não confere aos proprietários das ações PN o direito de voto na Assem bleia Geral da em presa. Eles podem até opinar sobre os negócios da com panhia em um a Assem bleia, m as não podem participar da votação. Em outras palavras, o proprietário destas ações troca o direito de influenciar no negócio pela prioridade no recebim ento dos lucros da em presa, distribuídos na form a de dividendos.
A lei atribui aos proprietários de ações ordinárias, por sua vez, o direito de votar na Assem bleia Geral da em presa, m as ao custo de ceder a preferência ao recebim ento de dividendos aos proprietários de ações preferenciais.
Os pequenos investidores não precisam se preocupar tanto com o direito de voto: na m aioria dos casos, a fração da em presa que cada investidor possui é tão pequena que não influenciaria de qualquer m odo no rum o das decisões da em presa.
Mas é im portante prestar atenção nas diferenças de rem uneração ao acionista que cada classe de ativo oferece. Em prim eiro lugar, é interessante notar que a legislação im põe com o regra a obrigatoriedade de a em presa distribuir dividendos correspondentes a, no m ínim o, 25% do lucro líquido, aj ustado conform e parâm etros especificados na legislação. Caso a em presa não especifique em seu estatuto o percentual do lucro a ser distribuído na form a de dividendos, a legislação im põe, com o regra geral, a distribuição de 50% do lucro líquido, tam bém aj ustado conform e os parâm etros especificados.
Em bora tenham prioridade na distribuição de dividendos, as ações preferenciais não pagam , necessariam ente, m ais dividendos do que as ações ordinárias. A prioridade das ações ordinárias som ente poderia ser percebida com m aior precisão no caso de falência da em presa, hipótese na qual, não havendo dinheiro para pagar dividendos para todos os acionistas, os proprietários de ações preferenciais receberiam o dinheiro prim eiro, antes dos dem ais.
Além disso, pode ocorrer de as diferenças de preços entre as ações ordinárias e preferenciais de um a determ inada em presa levar a um a rentabilidade diferente, em term os de dividendos, entre as duas classes de dividendos.
Para com preender esse ponto, im agine a situação de um a em presa fictícia que tem ações ordinárias e preferenciais. As ações ordinárias dessa com panhia pagam 50% do seu lucro líquido em dividendos, e as ações preferenciais, por sua vez, pagam 75%. Todavia, não é sem pre que os proprietários de ações preferenciais recebem um valor m aior em dividendos do que os proprietários de ações ordinárias. Isso ocorre no caso em que o preço das ações preferenciais está m uito acim a da cotação das ações ordinárias.
Para com preender essa questão, voltem os ao nosso exem plo. Digam os que as ações preferenciais de nossa em presa estej am cotadas a R$ 50,00, e as ações ordinárias, a R$ 30,00. Digam os, ainda, que o lucro por ação (a fatia do lucro líquido que é atribuída a cada ação da em presa) é de R$ 5,00. Um investidor que tenha investido na R$ 9.000,00 nas ações preferenciais teria com prado 180 ações, e teria direito a receber 75% do lucro da em presa na form a de dividendos. Assim , com o o lucro por ação é de R$ 5,00, cada ação pagaria a ele R$ 3,75 em dividendos, ou R$ 675,00 no total. Se ele houvesse investido a m esm a quantia em ações ordinárias, teria com prado 300 ações, porque elas estão m ais baratas. Com o ele teria direito a receber 50% do lucro da em presa cada ação pagaria R$ 2,50 em dividendos, m as no total seriam recebidos R$ 750,00. O m otivo da diferença? A disparidade entre o preço das ações preferenciais e ordinárias.
Por essa razão, é im portante prestar bastante atenção antes de decidir optar por um a classe de ações ou por outra. Via de regra, as ações preferenciais são m ais populares do que as ações ordinárias, m as isso não significa necessariam ente que você deveria optar por elas. Verifique, no estatuto da em presa, a política de dividendos atribuída a cada classe de ação da em presa.
II. Direito à informação e à fiscalização da empresa
O acionista, por m enor que sej a a sua participação na em presa, tem direito de requerer – e obter – as inform ações que digam respeito à com panhia. Trata-se de um direito m uito im portante e que m uitas vezes é negligenciado pelos investidores.
As com panhias são obrigadas a divulgar um a série de inform ações ao acionista. Destaco as seguintes: a em presa é obrigada a divulgar a m atéria a ser debatida em um a Assem bleia Geral; o núm ero de ações de que os adm inistradores são proprietários; o relatório anual da adm inistração, que deve inform ar a política de distribuição de lucros, assim com o as dem onstrações financeiras da com panhia. Além disso, a em presa é obrigada a inform ar ao m ercado os fatos relevantes que a envolvem e que possam influir na decisão dos acionistas e dem ais investidores de com prar, vender ou m anter as ações.
Qualquer investidor pode obter essas inform ações no site da m aioria das em presas cuj as ações podem ser negociadas no m ercado, na seção de Relações com Investidores. Muitas em presas, m ais preocupadas com a transparência e a publicidade de sua gestão, adotam a política de enviar essas inform ações por e-m ail, m antendo o acionista sem pre inform ado do que está ocorrendo com a com panhia. Por isso, ao investir em um a em presa, é im portante preencher o cadastro da com panhia, inform ando o e-m ail em que desej a receber tais inform ações.
Além disso, o acionista pode entrar em contato com o Diretor de Relações com Investidores (RI) por e-m ail ou telefone, que usualm ente são fornecidos no site da em presa. Bater um papo com o Diretor ou m esm o com algum funcionário do setor de RI é um a experiência im portante e pode aj udar a entender m elhor a dinâm ica da em presa!
III. Direito de preferência na subscrição de ações
Às vezes, um a em presa precisa aum entar seu capital para financiar suas atividades e em ite ações no m ercado, em bolsando o dinheiro da venda das novas ações. Com isso, os acionistas que eram , anteriorm ente, proprietários de ações da em presa, passam a representar um a participação m enor no capital total da em presa.
Por exem plo, digam os que um a em presa tenha seu capital dividido em 1.000 ações e que um investidor tenha 100 delas. Cada um a delas vale R$ 500,00 – e, portanto, o patrim ônio total do investidor é de R$ 50.000,00. Mas, digam os que a em presa precise investir para am pliar suas atividades e, ao invés de pegar o dinheiro em prestado (pelo qual deveria pagar j uros), a sua adm inistração decide aum entar seu capital social com a em issão de m ais 500 ações.
Inicialm ente, o investidor tinha em seu poder 10% do total do capital da em presa, pois tinha 100 de 1.000 ações da em presa. Com a em issão das 500 novas ações, ele passou a deter apenas 1/15 (6,67%) do capital total da ação. Ele não perdeu dinheiro – j á que suas ações continuariam , idealm ente, a valer R$ 50,00 - m as perdeu um a grande fração de sua participação na em presa.
Para garantir ao acionista o direito de m anter a sua participação inicial, assegura-se o direito de preferência na subscrição das novas ações, no prazo de 30 dias. Ou sej a, ele tem a preferencia de adquirir parte das novas ações em itidas, na quantidade necessária para m anter a proporção anterior de sua participação no capital da em presa.
É im portante observar que a Lei das Sociedades Anônim as prevê que o estatuto social da em presa pode estabelecer, em hipóteses excepcionais, a exclusão do direito de preferencia, ou a redução do prazo de 30 dias.
IV. Direito de recesso
Os acionistas m inoritários têm , ainda, o direito de retirar-se da com panhia, caso não concordem com certas decisões da Assem bleia Geral, recebendo o valor das ações que estão sob sua propriedade.
Entre as principais hipóteses previstas na legislação para o exercício do direito de recesso estão as seguintes:
• Redução do dividendo obrigatório;
• Fusão da com panhia, cisão ou sua incorporação em outra; • Mudança do obj eto social da em presa;
• Alteração nas preferências, vantagens e condições de resgate ou am ortização de um a ou m ais classes de ações preferenciais; • Criação de nova classe de ação preferencial, m ais favorecida do que as existentes.
V. Tag Along
As ações ordinárias norm alm ente tam bém têm o direito ao tag along, que, nos casos em que o controle da em presa é vendido para outros investidores, assegura ao detentor de ações ordinárias a possibilidade de vender suas ações ao novo controlador por um preço de, no m ínim o, 80% daquele pelo qual os acionistas m aj oritários negociaram suas ações para o novo controlador. Em bora a legislação assegure esse direito apenas aos acionistas detentores de ações ordinárias, o estatuto da em presa tam bém pode prever que os proprietários de ações preferenciais têm esse direito (em bora norm alm ente em percentuais m enores), ou definir um percentual diferenciado de tag along.
Parece com plicado com preender o tag along, m as é m ais fácil do que aparenta. Im agine que você detém 1% das ações ordinárias de um a em presa, e um outro acionista é detentor de 51% do controle da com panhia. Digam os que as ações ordinárias da em presa estej am negociadas por um preço de R$ 1,00, m as o acionista m aj oritário negociou a venda de suas ações por R$ 2,00 para outra em presa, que irá deter o controle da em presa a partir de então. O tag along garante que, com o o controle será transferido, você terá o direito de vender as suas ações para o novo controlador por, no m ínim o, 80% daquele valor: ou sej a, você tem o direito de vender suas ações ordinárias por R$ 1,60, graças ao tag along.
Mas digam os que você sej a um investidor de longo prazo: por que você iria se desfazer de suas ações? Um m otivo para vender suas ações pode parecer evidente: se a em presa é tão boa assim , por que diabos os acionistas m aj oritários venderiam seu controle para outra pessoa? Ou sej a, o fato de o controle estar sendo transferido pode indicar que a em presa não é tão boa assim quanto você pensava inicialm ente. Se este for o caso, aproveitar o tag along pode ser um a boa, afinal receber R$ 1,60 por suas ações é m elhor negócio do que receber apenas o R$ 1,00 que ela valeria no m ercado em geral. Nesse caso, a diferença corresponderia a 60% de lucro a m ais! Além disso, m uitas vezes o investidor é obrigado a aproveitar o tag along, sob pena de ficar sócio de um a em presa que sairá da bolsa de valores, caso o novo proprietário decida fechar o capital da com panhia. Nesse caso, se o investidor decida não vender suas ações, pode ter que ser obrigado a perm anecer sócio de um a em presa indefinidam ente, j á que suas ações terão baixíssim a liquidez no m ercado.
O tag along pode ter um lado perverso, tam bém . Se os acionistas detentores de ações ordinárias podem ter lucros fantásticos em poucos dias, os proprietários de ações preferenciais podem am argar um prej uízo enorm e no m esm o período.
Um dos casos m ais ilustrativos dessa questão, no m ercado brasileiro, ocorreu em m arço de 2004, com a transferência do controle acionário da Am bev para a belga Interbrew. Por causa das diferenças de direitos assegurados pelos proprietários dos diferentes tipos de ações, as ações ordinárias da Am Bev (AMBV3) acum ularam ganho de 10,35%, m esm o após a valorização acum ulada de 36,6% nos 5 pregões anteriores, que j á anteciparam os rum ores em relação à negociação. As ações preferenciais, por sua vez, caíram 17,98% em dois pregões, contra um ganho de apenas 7,4% nos cinco pregões anteriores. Até hoj e, m uitos investidores m inoritários (que norm alm ente não têm qualquer incentivo para investir em ações ordinárias, j á que os dividendos das ações preferenciais norm alm ente são m ais atrativos) têm ressalva de investir na em presa por conta do episódio.
Mais recentem ente, ocorreu algo parecido com as ações da Usim inas. Com rum ores de que a CSN adquiriria o controle acionário da em presa, as ações ordinárias da em presa (USIM3) subiram 25,6% entre 01 de j aneiro e 17 de fevereiro de 2011, enquanto as ações preferenciais (USIM5) haviam subido apenas 3,79% no m esm o período.
5. Por que os preços das ações variam tanto?
Se há algo que assusta o leigo no m ercado de ações é o fato de o preço das ações variar tanto. Em um dia, um a ação vale R$ 5,00; no dia seguinte, R$ 5,15; e no terceiro dia, R$ 4,90. É... não é por m enos que se cham a m ercado de renda variável!
Mas por que os preços das ações variam tanto?
No fundo, a única resposta certa é econôm ica: os preços sobem ou descem de acordo com a dem anda e a oferta. Se m ais investidores querem com prar um a ação do que vendê-la, os preços tendem a subir; afinal, se m uita gente quer com prar a ação, os vendedores podem aum entar o preço e a dem anda ainda existirá. E o contrário tam bém é verdadeiro: se m uitos investidores querem vender um a ação e poucos querem com prá-la, a tendência é que os preços caiam . Afinal, quem quer se desfazer de um a ação de qualquer j eito topa, m uitas vezes, vendê-la por um preço m ais baixo.
Com preender a lei da oferta e da dem anda é fácil. Mas o que determ ina porque a oferta e a dem anda variam tanto? E a resposta a essa pergunta é: ninguém sabe. Às vezes, a dem anda por um a ação sobe porque os analistas de m ercado acreditam que o lucro da em presa vai aum entar, e isso eleva a procura por ela (e seus preços). Às vezes, porque o m ercado acredita que a em presa vai ter m enos prej uízo do que o esperado, a cotação sobe. Outras vezes, o preço cai por causa de um pronunciam ento de um dos diretores da com panhia que não agrada os investidores, e eles com eçam a vender as ações. A verdade é que, em boa parte dos casos, os preços sobem ou descem sem nenhum a razão definitiva.
Volatilidade não é sinônimo de risco
Mas isso não significa que você deva tem er a volatilidade. Muitas pessoas acreditam que o investim ento em ações é arriscado porque os preços variam dem ais e, por isso, preferem a renda fixa, que traz m aior estabilidade e, portanto, m aior segurança.
Mas não poderia haver um a im pressão m ais equivocada do m ercado de ações. Preste bem atenção: as ações podem trazer m aior rentabilidade por causa da volatilidade, e não apesar dela! Você só pode ganhar m uito dinheiro com as ações porque a volatilidade existe. Se ela não existisse, não haveria com o você tirar proveito do m ercado e de suas oscilações.
Para dem onstrar esse ponto, traçarei a seguinte experiência de pensam ento. Im agine um a ação que pague apenas 5% de dividendos sobre o valor de sua cotação a cada ano e se valorize apenas 50% em DEZENOVE anos. Um a ação com o essa pode ter um a rentabilidade m aior do que um título de renda fixa que pague 10% ao ano, ininterruptam ente. Os seguintes gráficos ilustram a flutuação dos preços dos dois tipos de investim ento:
No exem plo, assum i as seguintes prem issas: cada investidor aplica, anualm ente, R$ 1.000,00 em cada ativo, e reinveste os lucros obtidos, com prando m ais ativos. Ou sej a, o investidor que com pra ações reinveste os dividendos recebidos, e o investidor que aplica seus recursos no título de renda fixa, reinveste os j uros recebidos com prando novos títulos. Agora, dê um a olhada nos seguintes gráficos, que retratam a evolução do patrim ônio de cada investidor:
Quem investiu em ações acum ulou, investindo R$ 19.000,00 ao longo dos 19 anos (R$ 1.000 por ano), R$ 67.943,46, um a rentabilidade total de 257,6% (ou 6,94% ao ano). Quem investiu na renda fixa, por sua vez, aplicou a m esm a quantia, m as colheu apenas R$ 51.159,09 (169,26%, ou 5,35% ao ano). A rentabilidade da renda fixa é inferior aos 10% que cada título deveria render porque, com o o investidor aplica recursos todo ano, as últim as aplicações rendem m enos do que as prim eiras. A prim eira aplicação de quem investiu em renda fixa teria rendido, ao longo dos 19 anos, o equivalente a 511%. Mas a últim a aplicação da série, realizada no ano 19, não teria rendido nada (no m odelo, com putei a rentabilidade de um ano após o ano seguinte). Na m édia de todas as aplicações, chegam os aos resultados afirm ados.
Você duvida dos resultados? Então vej a a planilha de cálculos:
Com o m ostra a tabela, quem investiu em ações alcançou um patrim ônio 33% m aior do que quem investiu em renda fixa – m esm o que o preço final das ações tenha subido m uito m enos do que o preço da renda fixa. Mas com o esse resultado tão contra intuitivo pode ser explicado?
E a resposta é... a volatilidade. Ao invés de aum entar o risco do investim ento, ela o dim inuiu! Por que isso aconteceu? Por duas razões. Em prim eiro lugar, o investidor do exem plo era um suj eito esperto, que investiu pensando no longo prazo. Ele não retirou o dinheiro na prim eira crise, m as seguiu reinvestindo os dividendos disciplinadam ente. Com isso, quando os preços das ações caíam , ele acabava com prando m ais ações com o m esm o dinheiro, e um pouco m enos quando os preços subiam .
Além disso, a volatilidade das ações levou o investidor a com prar ações a preços bastante distintos. Em um ano, o investidor com prava m ais caro, no outro, m ais barato. E isso o levou a ter um bom preço m édio ao longo do tem po, m ais baixo do que os preços pagos pelo investidor que aplicou todos os seus recursos em renda fixa – que sem pre teve que pagar um preço m ais alto a cada ano.
Ou sej a, apesar de a renda fixa ter tido um a rentabilidade m ais estável, as ações não precisaram se valorizar tanto para dar retornos m uito superiores. Obviam ente, se am bos os investidores tivessem investido todos os R$ 19.000 no prim eiro ano, o resultado seria diferente e quem tivesse aplicado em renda fixa estaria em vantagem . A rentabilidade acom panharia os prim eiros gráficos, que apontavam m aior crescim ento patrim onial no caso da renda fixa. E tudo por causa da volatilidade.
Mas não é assim que funciona no m undo real: ninguém deveria aplicar R$ 100.000,00 em um único investim ento. E, na verdade, a m aioria das pessoas não faz isso. Elas econom izam aos poucos, acum ulando recursos e os investindo ao longo de sua vida produtiva. A boa notícia é: quem faz isso, investindo aos poucos e com constância, utiliza a volatilidade em seu proveito.
6. Os riscos de investir em ações
Se, ao contrário do que a m aioria das pessoas acredita, volatilidade não é sinônim o de risco, fica a pergunta: qual o risco de investir em ações? Mas, antes de responder a essa pergunta, é necessário discutir um a prim eira questão: o que é risco?
Segundo Benj am in Graham , risco é um conceito que deveria ser aplicado apenas a três situações: (i) a um a perda de valor que é efetivam ente realizada por m eio de um a venda do ativo, ou (ii) que é causada por um a deterioração significativa da em presa, ou ainda (iii) é o resultado de se pagar um preço alto dem ais em relação ao valor intrínseco da com panhia.
O prim eiro risco é o cham ado risco de m ercado, que é o risco de se ter que vender a ação por um preço abaixo do que se com prou, ou por um a rentabilidade inferior à que se esperava inicialm ente. Esse risco está atrelado à volatilidade inerente ao m ercado de ações, m as não se confunde com a volatilidade em si m esm a. Afinal, o investidor som ente terá prej uízo com a volatilidade se efetivam ente decidir vender suas ações em um m om ento de baixa, quando provavelm ente elas estarão subavaliadas pelo m ercado, a não ser que tenham sido adquiridas por um preço m uito superior a seu valor intrínseco.
A m aior parte das pessoas tam bém tem e o segundo risco m encionado por Graham - a possibilidade de que a em presa sofra deterioração e entre em processo de falência. Esse é o cham ado risco financeiro, e que talvez sej a um a das principais razões que afastam o pequeno investidor do m ercado de ações. Muitas pessoas decidem não investir no m ercado pelo m edo de investir em em presas ruins, que encerrarão suas atividades repentinam ente em razão de problem as financeiros.
A boa notícia é que este é um risco que pode ser evitado com base em um estudo m inucioso da situação financeira e operacional da em presa. No fim da década de 1990, m uitos investidores subestim aram esse risco e decidiram investir em ações de com panhias da Internet que não tinham a m enor estabilidade financeira - não davam lucro, tinham pouca receita e m uitas dívidas. O resultado foi prej uízo para m uita gente, naquela que ficou conhecida com o a bolha das em presas "ponto com ".
Existem ainda os riscos específicos de cada em presa, que dizem respeito às peculiaridades do m ercado em que a com panhia atua e à solidez de sua adm inistração - o seu plano de negócios, lucratividade, prática de contabilidade, estratégia de crescim ento e outros fatores específicos. É im portante não confundir esse risco com os riscos específicos de cada setor, que se relaciona a circunstâncias específicas de todo o setor e que afeta praticam ente todas as em presas dele. O setor de aviação, por exem plo, depende estritam ente do preço dos com bustíveis; quando ele se eleva m uito, a rentabilidade de praticam ente todas as em presas do setor dim inui bastante. Cada setor da econom ia está suj eito tam bém ao risco de regulação setorial - o de que o governo altere dem ais as regras de um m ercado específico. As em presas prestadoras de serviço público, com o as de telefonia e do setor elétrico, estão particularm ente suj eitas a esse risco.
Por fim , o últim o risco a que Graham alude é o risco de se desconsiderar o valor intrínseco do ativo. Pagar um preço m uito alto por um a ação exacerba dem ais o risco do investim ento - m uito m ais do que pagar um preço m uito baixo por um a em presa que tem apresentado resultados financeiros e operacionais sólidos e consistentes. O bom investidor deve descobrir o valor intrínseco da ação e com prá-la por um preço razoavelm ente abaixo daquele valor, garantindo assim a m argem de segurança necessária para m inim izar os riscos e aum entar o potencial de ganhos.
Existem , ainda, outras fontes potenciais de risco no m ercado de ações. Para quem investe pensando no curto prazo, existe o risco derivado da tendência: nesse caso, o ideal é investir acom panhando a tendência de m ercado. Um a forte tendência de alta é um sinal verde para continuar com prando, ao passo que um a forte tendência de baixa é o sinal verm elho que indica a venda das ações. Para um investidor de longo prazo, contudo, esse é um risco desprezível, j á que um m ercado em tendência de baixa pode se m ostrar um a grande oportunidade para investir em ações. Que o diga quem com eçou a investir entre setem bro de 2008 e j aneiro de 2009, quando o m ercado estava em pânico. Poucos m eses depois, o Ibovespa subiu m ais de 100% em relação ao pior m om ento.
7. Análise fundamentalist ou análise técnica?
As duas principais escolas de investim ento são as conhecidas com o análise fundam entalista e análise técnica. A escola m ais popular das duas é a da análise técnica. Em bora as duas escolas de análise possam funcionar, elas têm características diferentes. É im portante entender as características das duas escolas, a fim de optar conscientem ente pela que se com patibiliza m ais com seu perfil de investidor.
As escolas de análise fundam entalista e análise técnica se diferenciam por vários fatores - em especial, quanto ao horizonte de tem po dos investim entos, à abordagem com que veem a aplicação de recursos em ações (investir ou especular), e quanto aos instrum entos utilizados com o m étodos para aplicar ou resgatar os valores aplicados. Seguem as principais diferenças:
Quanto ao horizonte de tem po, a análise fundam entalista privilegia o longo prazo. Um investidor que utiliza a análise fundam entalista investe na em presa com o obj etivo de tornar-se seu sócio e de usufruir dos lucros da com panhia pelo período integral em que se é sócio da em presa. Por essa razão, ao analisar um a em presa, ele busca elem entos no passado da em presa que indiquem um a probabilidade m aior de sucesso no futuro. A análise dos lucros de um único ano não faz m uito sentido; é preciso ver o histórico da adm inistração da com panhia ao longo de vários anos - com o a em presa se endividou e controlou suas dívidas; se as suas m argens de lucro são crescentes; se a sua receita e lucro são crescentes (e se isso não é m ero reflexo da atividade econôm ica, m as fruto da com petência de sua adm inistração); se sua eficiência aum enta ou dim inui ao longo do tem po; e se os preços da em presa são adequados para o investim ento no longo prazo - enfim , são vários os indicadores utilizados.
Já a escola de análise técnica, por usa vez, norm alm ente utiliza indicadores gráficos de curto prazo - em bora possa traçar perspectivas de longo prazo, traçando tendências de 10 ou 20 anos (ou m ais), as negociações (cham adas de trades) são norm alm ente traçadas com base nas condições m ostradas pelos gráficos no curtíssim o prazo. Os gráficos traçados podem traçar trades que podem durar segundos, m inutos, horas, dias ou sem anas, m as dificilm ente estabelecem prazos m aiores do que isso.
As duas abordagens se diferenciam tam bém quanto ao obj etivo da aplicação. O investidor que usa análise fundam entalista tem por obj etivo investir na em presa, com o obj etivo de se tornar seu sócio. Ele pode aguentar alguns balanços ruins, se tiver boas razões para acreditar na recuperação da em presa no longo prazo, ou se acreditar que os balanços estão fracos por condições exteriores à em presa (com o, por exem plo, a econom ia com o um todo). Investir é ganhar com o crescim ento da em presa no longo prazo, ou, no m ínim o, com a precificação adequada de um a em presa que estava m uito subvalorizada no passado. Por exem plo, se o investidor que usa análise fundam entalista acreditar, por sua análise, que as ações de um a em presa valem R$ 30 e elas estão cotadas a R$ 10, então ele enxerga um a grande oportunidade de investim ento, porque há um a incom patibilidade entre o valor da com panhia e seu preço.
Já o analista técnico não se preocupa em nada com os balanços da em presa. Não há, segundo essa perspectiva, porque diferenciar preço de valor. A em presa vale o preço que o m ercado a atribui, e ponto - um a hipótese que é cham ada, entre os econom istas, de hipótese do m ercado eficiente. Com o o m ercado é eficiente ao estabelecer os preços das em presas, porque tem a sua disposição todas as inform ações sobre a com panhia, não haveria com o ganhar dinheiro postulando um a diferença inj ustificada entre o valor intrínseco da em presa e o seu preço de m ercado. Por isso, quem usa análise técnica prefere especular com base na inform ação contida nos gráficos de negociação, estabelecendo padrões que indiquem tendências de alta ou de baixa e negociando as ações de acordo com o indicado nos padrões.
Dessa diferença de abordagem se segue um a im portante conclusão: o analista técnico norm alm ente incorre em m aiores custos com as negociações do que um analista fundam entalista. Com o ele tem que negociar várias e várias vezes, seus custos com im postos e corretagem são m uito superiores aos de um analista fundam entalista que investe com obj etivos de longo prazo e que, em alguns casos, podem nem pagar im posto de renda - porque pretende ficar com as ações por um horizonte de tem po indefinido.
O principal instrum ento utilizado pela análise fundam entalista é o balanço das em presas. É possível que leve em consideração, tam bém , fatores m acroeconôm icos que podem afetar o futuro da em presa, m as com o condições econôm icas diversas podem indicar j ustam ente que é o caso de investir ainda m ais na em presa (porque provavelm ente seus ativos estarão subavaliados),
Na análise técnica, os principais instrum entos utilizados são o gráfico e certos indicadores de negociação das ações. E, aqui, é preciso fazer um a ressalva: qualquer gráfico. Analistas técnicos m ais profissionais não utilizam um único gráfico, m as vários, de ativos correlacionados. Por exem plo, se ele for analisar um a em presa com o a Petrobras, ele não vai se restringir ao gráfico dos preços da em presa - m as vai cruzar os dados desse gráfico com o gráfico da flutuação do preço do dólar e com o gráfico da flutuação do preço do petróleo (e poderia usar m uitos outros gráficos). Obviam ente, a m aioria dos analistas técnicos não é tão sofisticada: usam apenas o gráfico do preço da ação, e traçam sua análise a partir dele.
É possível ganhar dinheiro com as duas ferram entas, não nego. Mas defendo que o pequeno investidor deveria utilizar a análise fundam entalista à análise técnica. Minhas razões são as seguintes:
Tempo: o público alvo para quem escrevo é o do pequeno investidor, alguém que provavelm ente trabalha oito horas por dia (às vezes m ais, se for proprietário de um negócio ou trabalhar m uitas horas extras) e não tem tem po para ficar acom panhando os gráficos. A análise técnica exige m uito tem po: às vezes, e dependendo da estratégia, você tem que ficar horas a fio na frente do m onitor, acom panhando o sobe e desce das cotações. A análise fundam entalista exige do investidor que ele estude os balanços das em presas, e só. De m inha parte, nem acom panho tanto os balanços trim estrais: dou m ais valor aos balanços anuais e acom panho apenas os releases de m ercado que a m aioria das em presas envia trim estralm ente, logo após a publicação dos balanços trim estrais - ou sej a, em tese preciso de apenas um estudo detalhado de cada em presa por ano, e de um a olhada m ais rápida nesses releases. E acredite: com isso j á é possível separar excelentes em presas de m uita porcaria que existe no m ercado.
Custos: a análise técnica exige m uito m ais custos em term os de corretagem e im postos. A análise fundam entalista, associada a um a estratégia Buy and Hold, dim inui m uito os custos com essas despesas ao longo do tem po.
Eficiência: vários estudos m ostram com o um a estratégia Buy and Hold, que só pode ser estabelecida a partir da análise fundam entalista, é extrem am ente eficiente no longo prazo. Com prar e segurar ações de boas em presas é fórm ula que tem m ostrado seus resultados em períodos de longo prazo. Não conheço nenhum estudo que m ostre qualquer vantagem da análise técnica sobre a análise fundam entalista no longuíssim o prazo - 20 ou 30 anos. Ou sej a, em bora sej a possível que um especulador que use análise técnica ganhe m ais do que um investidor de longo prazo, isso é im provável. A não ser que você sej a um ás da análise técnica e tenha tem po a sua disposição, as chances são grandes de que você acabe apenas perdendo tem po e dinheiro usando análise técnica - até porque a m aioria das pessoas não tem form ação m atem ática adequada para aplicar com profundidade todo o conhecim ento necessário para operar com m aior probabilidade de sucesso a análise técnica. Quanto à análise fundam entalista, se você souber as quatro operações, é capaz de estudar o suficiente para aplicá-la com razoável eficiência.
Fundamento: a dificuldade de entender os fundam entos da análise técnica. Já li vários livros sobre o assunto, e é profundo esoterism o para m im . Não entendo as razões pelas quais a análise técnica às vezes funciona ou deixa de funcionar. A análise fundam entalista faz m ais sentido para m im , pois consigo entender que a cotação de um a ação sobe porque o lucro da em presa sobe, m as não consigo entender porque ela sobe em razão de ter superado a resistência em um gráfico. Tudo parece m uito arbitrário para m im , sem qualquer fundam ento que pareça razoável. Obviam ente, algum as coisas podem funcionar sem ter fundam ento -por exem plo, se m uitos investidores operarem de acordo com a análise técnica, provavelm ente o m ercado a respeitará -, m as isso m e parece insustentável pro longo prazo, que é o que m e interessa e é o que deveria im portar para quem pretenda construir um bom patrim ônio com consistência.
Escassez de informação: há pouquíssim a inform ação sobre investim ento fundam entalista na internet. A m aioria dos blogs e sites de investim ento utiliza análise técnica, e a m aior parte das corretoras (que ganham dinheiro com um a quantidade m aior de negociações) a privilegia. Esse foi um dos m otivos pelos quais preferi adotar, tanto em m eu blog quanto nesse livro, um a abordagem fundam entalista: ensinar o que quase ninguém m ais ensina