Napoleão no Kremlin

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 6 de 8

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Napoleão no Kremlin

Capítulo V

 

—«Ó filho, foi-te oráculo

O genio meu profundo:

Ó filho, achaste um mundo

No berço imperial.

Que resplendor, que auréola

De gloria, de thesouros,

De conquistados louros,

De pompa triumphal!

Cesar, que vens de Césares,

Deus pôz-te, alma adorada,

A tradicção, a espada

Nos braços infantis.

Nasceste rei. Teu titulo

Da mór grandesa assoma.

Nasceste rei de Roma,

E Roma o globo diz.

C'a herança conta. Alargo-t'a.

A immensa monarchia

Apuro noite e dia

No paternal crysol.

Legar-te quero o circulo

Que os povos encorpora,

Desd' onde surge a aurora,

Té onde baixa o sol.

Dissiparão no vórtice

Os diques derradeiros

Meus bravos granadeiros,

Meus esquadrões sem fim.

Da cupula estellifera

Dominarás robusto,

Ó tu, futuro Augusto,

Que és hoje cherubim.

Meu mando, egregio e próvido,

Cabal a terra invade.

Não mais que uma vontade,

Que um throno, e que um altar!

É tempo. Os fados cumprem-se.

Desvende-se o mysterio...

Universal imperio

Começo hoje a fundar!...»