Napoleão no Kremlin

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 7 de 8

Páginas do PDF

Napoleão no Kremlin

Capítulo VI

 

Nisto uma chamma, e outra, e cento, e centos Brotam-lhe em torno, as trevas arraiando; Abrazam-se os minados monumentos;

Cresce o mal, cresce o damno, desabando No rubro chão os rotos pavimentos;

Negro e espesso vapor, de quando em quando, O espaço tolda, golpha nas verédas.

É tudo em pouco um mar de labaredas!

Soprando sobre a ardente cataracta,

Rijo aquilão o estrago faz mais breve,

E o hynverno boreal, veloz, desata

Dos rócheos hombros o lençol de neve.

Triumpha a morte; o horror o horror dilata; O espirito a medil-o mal se atreve.

Que dôr! Que fim! Que circulo medonho!... Tal foi o despertar qual fôra o sonho!

Inspira patrio amor delirio intenso.

Do rude Scytha a barbara energia

Faz do seu Capitolio um facho immenso, (Funerea tocha em lugubre agonia!)

E brada ao vencedor tôrvo e suspenso:

—«Hospede vens: meu braço te allumia!» Pressagio triste ao grande temerario!

O incendio, occaso! Os gellos, um sudario!

D'esse lume ao revérbero inimigo Vê-se, na encosta qu'inda o sangue innunda, Descendo, só, quem só contou comsigo;