
O Espelho
Numa noite no morro de Santa Teresa, quatro ou cinco homens discutem questões metafísicas até que Jacobina, o convidado calado, resolve expor sua teoria da alma humana. Segundo ele, cada pessoa carrega duas almas: uma voltada para dentro, outra para fora. Para sustentar o argumento, narra um episódio da juventude, quando foi nomeado alferes e passou dias sozinho numa fazenda. Machado de Assis parte dessa moldura simples para investigar como o olhar dos outros e os papéis sociais alimentam a identidade. O conto combina ironia fina, prosa enxuta e um toque de estranheza psicológica. Publicado em Papéis Avulsos (1882), segue entre os textos mais comentados do autor, leitura curta que rende longas conversas sobre vaidade, solidão e a máscara que cada um veste.






