O Homem Mais Rico da Babilônia
Sete soluções para a falta de dinheiro
Seus amigos agradeceram-lhe por aquelas palavras e se foram. Alguns mantiveram-se em silêncio, porque não tinham imaginação e não podiam entender. Outros mostraram-se sarcásticos, porque pensavam que um homem tão rico deveria compartilhar sua fortuna com velhos amigos menos afortunados. Um terceiro grupo, entretanto, parecia ter nos olhos uma nova luz. Perceberam que Algamish tinha voltado regularmente à sala dos escribas, porque estava observando um homem que por seus próprios esforços saía da escuridão para a luz. Quando esse homem achou a luz, um lugar esperava por ele. Ninguém podia ocupar esse lugar sem que pêlos próprios esforços chegasse à compreensão, ou seja, até que estivesse pronto para a oportunidade.
As pessoas desse terceiro grupo foram as únicas que, nos anos que se seguiram, continuaram visitando Arkad, que as recebia cheio de contentamento. Reunia-se com elas e transmitia-lhes de bom grado sua sabedoria, como gostam sempre de fazer os homens de grande experiência. E assistia-os quanto a investirem suas economias naquilo que trouxesse lucros com segurança, evitando que apostassem em coisas que não rendessem dividendos.
O momento decisivo na vida desses homens ocorreu quando compreenderam a verdade que tinha passado de Algamish para Arkad e de Arkad para eles.
“Uma parte de todos os seus ganhos
pertence exclusivamente a você”
Sete soluções para a falta de dinheiro A GLÓRIA DA Babilônia permanece. Através das idades, sua reputação chega até nós como a mais rica das cidades, e seus tesouros, como fabulosos.
Mas nem sempre tinha sido assim. As riquezas da Babilônia foram o resultado da sabedoria de seu povo. Eles primeiro tiveram que aprender a se tornarem prósperos.
Quando o bom Rei Sargon voltou à Babilônia, depois de ter derrotado seus inimigos, os elamitas, viu-se confrontado com uma séria situação. O chanceler real explicou-lhe o que estava se passando:
— Depois de muitos anos da grande prosperidade trazida a nosso povo, porque Sua Majestade mandou construir os grandes canais de irrigação e os suntuosos templos para nossos deuses, agora que tais obras se acham prontas o povo parece incapaz de garantir sua própria sobrevivência.
"Os trabalhadores estão desempregados. Os comerciantes contam com poucos fregueses. Os fazendeiros não conseguem vender suas colheitas. O povo em geral não tem dinheiro para comprar comida."
— Mas onde foi parar todo o ouro que gastei nessas benfeitorias? — perguntou o rei.
— Temo que se encontre no bolso — respondeu o chanceler — de alguns poucos homens ricos de nossa cidade. Escorreu pelos dedos da maioria das pessoas tão rapidamente quanto o leite das cabras pelo coador. Agora que o fluxo de ouro cessou, o grosso da população não tem nada para apresentar dos seus ganhos.
O rei ficou pensativo por algum momento, depois perguntou:
— Por que deveriam tão poucos homens serem capazes de adquirir todo o ouro?
— Porque sabem como fazê-lo — replicou o chanceler. — Não se pode condenar um homem por ter sabido atrair o êxito. Tampouco se pode com justiça tirar de um homem que construiu honestamente sua fortuna para dividir com outros que não tiveram tal capacidade.
— Mas por que — insistiu o rei — não deveria todo o povo aprender a acumular riqueza e, conseqüentemente, tornar a si mesmo rico e próspero?
— Até que seria possível, majestade. Mas quem pode ensinar-lhes? Certamente não os sacerdotes, já que nada conhecem a respeito de ganhar dinheiro.
— Quem, chanceler, em nossa cidade é o mais bem preparado nessas questões de fazer fortuna? — inquiriu o rei.
— Eis uma pergunta que já traz embutida a própria resposta, majestade. Quem acumulou a maior riqueza em toda a Babilônia?
— Muito bem dito, chanceler. Trata-se de Arkad. Ele é o homem mais rico da Babilónia. Traga-o até o palácio amanhã cedo.
No dia seguinte, como o rei havia determinado, Arkad apresentou-se diante dele lépido e fagueiro, a despeito de seus setenta anos de idade.
— Arkad — disse o rei —, é verdade que você é o homem mais rico da Babilónia?
— É o que se costuma dizer, majestade, sem que ninguém tenha aparecido para contestá-lo.
— Como se tornou tão rico? — Aproveitando as oportunidades disponíveis a todos os cidadãos de nossa boa cidade.
— Mas naturalmente começou com alguma coisa...
— Somente com o desejo de ser rico. Além disso, mais nada.
— Arkad — continuou o rei —, nossa cidade encontra-se numa péssima situação, porque alguns poucos sabem como ganhar dinheiro e, conseqüentemente, monopolizam-no, enquanto a massa dos cidadãos não sabe guardar uma parte sequer do que recebem.
"É meu desejo que a Babilónia seja a cidade mais rica do mundo. Precisa portanto ser uma cidade de muitos homens ricos. Assim, temos de ensinar a todas as pessoas como adquirir riqueza. Diga-me, Arkad, existe algum segredo para isso?
Trata-se de algo que possa ser ensinado?"
— Naturalmente, majestade. Tudo o que um homem conhece pode ser ensinado a outros. Os olhos do rei brilharam.
— Arkad, você acaba de pronunciaras palavras que eu queria ouvir. E se você mesmo se incumbisse dessa nobre causa? Não gostaria de formar com seus conhecimentos uma escola de professores, cada um dos quais educaria outros até que tivéssemos um quadro amplo o bastante para levar essas verdades a todos os súditos honestos de meu reino?
Arkad inclinou-se e disse:
— Sou um humilde servo a suas ordens. Darei de bom grado todo o conhecimento que possuo pelo aperfeiçoamento de meus semelhantes e pela glória de meu rei.
Faça com que seu bom chanceler me arrume uma turma de cem homens e lhes ensinarei essas sete soluções que acabaram por resolver todas as minhas questões de dinheiro, quando, talvez, no início, não houvesse em toda a Babilônia um cidadão mais atrapalhado do que eu.
Duas semanas depois, de acordo com as ordens do rei, os cem escolhidos reuniram-se no grande saguão do Templo do Saber, sentados em semicírculo, formando fileiras multicoloridas. À frente deles achava-se Arkad, ocupando um tamborete acima do qual ardia um candeeiro sagrado, origem do forte e agradável aroma que se espalhava pela sala.
— Veja, o cidadão mais rico da Babilónia — murmurou um estudante, cutucando um vizinho quando Arkad se levantou. — Não passa de um homem como qualquer um de nós.
— Como um respeitoso súdito de nosso grande rei — começou Arkad —, encontro-me diante de vocês a serviço dele. Considerando que alguma vez fui um pobre jovem que alimentava o forte desejo de adquirir ouro e que, nessa busca, acumulou conhecimentos que o capacitaram a isso, ele determinou que eu viesse até aqui para transmitir a vocês tudo que aprendi.
"Comecei minha fortuna de modo bastante humilde. Não tinha maior vantagem do que aquela de que todos vocês e qualquer outro cidadão da Babilônia dispõem.
"O primeiro depósito de meu tesouro foi uma bolsa já gasta pelo uso. Eu detestava vê-la imprestavelmente vazia. Queria que estivesse gorda e repleta, tilintando ao som do ouro. Por isso, busquei todos os remédios possíveis para conseguir uma bolsa cheia. Achei sete.
"Assim, explicarei aos que se acham reunidos nesta sala as sete soluções para a falta de dinheiro, que recomendo a todos aqueles que anseiam por bastante ouro. Consagrarei cada um dos dias da semana a um desses remédios.
"Ouçam atentamente tudo quanto lhes disser. Debatam o assunto comigo.
Discutam-no entre vocês mesmos. Aprendam meticulosamente estas lições, para que também possam plantar em suas próprias bolsas a semente da riqueza. Primeiro cada um de vocês deverá sabiamente construir a própria fortuna. Quando tiverem acumulado competência suficiente para isso, estarão aptos a passar adiante tais verdades.