O Peregrino
Conclusão
Acabo, leitor, de contar-te o meu sonho;
Espero não o aches torpor enfadonho,
Mas interpreta-o para mim ou para ti.
Só te peço: não desvirtues o que vi,
Senão não o bem, mas o mal te fará.
Distorcer, portanto, te é opção má.
Cuida também tu de evitar o extremo,
De ver esse sonho como algo blasfemo.
Nem deixes que esse símile ou imagem
Te leve ao riso ou à mera voragem.
Larga isso aos meninos, aos malucos,
Mas extrai a essência, espreme o suco,
Abre a cortina; transcende esse véu;
Disseca a metáfora sem ser infiel.
Se ali buscares, acharás coisas boas,
Proveitosas até, dignas aliás de loas.
Mas se na bateia te vier a impureza, Releva, retendo o ouro, a riqueza.