O Segredo de Emma Corrigan

Sophie Kinsella · Capítulo 29 de 30

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O Segredo de Emma Corrigan

Vinte e sete

Não consigo evitar um riso fungado, mas Jack continua mesmo assim, com o olhar fixo no meu.

- Eu nunca usei nenhuma das gravatas que minha mãe me deu de Natal. Sempre quis ser uns dois a cinco centímetros mais alto. Eu... não sei o que significa co-dependente. Tenho um sonho recorrente em que sou o Super-homem, caindo do céu. Às vezes fico sentado nas reuniões de diretoria, olho em volta e penso: “Pô, quem são afinal esses caras?”

Ele respira fundo e me olha. Seus olhos estão mais escuros do que nunca.

- Eu conheci uma garota num avião. E... como resultado minha vida inteira mudou.

Uma coisa quente está crescendo dentro de mim. Minha garganta está tensa, a cabeça inteira doendo. Estou me esforçando ao máximo para não chorar, mas meu rosto inteiro se contorce.

- Jack. – Engulo em seco desesperadamente. – Eu não... eu realmente não...

- Eu sei – ele me interrompe assentindo. – Eu sei que não.

- Eu nunca faria...

- Eu sei que não – murmura ele com gentileza. – Sei que não.

E agora não consigo evitar, as lágrimas começam a jorrar dos meus olhos, de puro alívio.

Ele sabe. Está tudo bem.

- Então... – Enxugo o rosto tentando recuperar o controle. – Então isso... isso significa...

que nós... – Não consigo me obrigar a dizer as palavras.

Há um silêncio longo, insuportável.

Se ele disser não, não sei o que vou fazer.

- Bem, talvez você queira recuar de sua decisão – sugere Jack finalmente, e me olha na maior cara-de-pau. – Porque eu tenho muito mais coisas mais para contar. E nem tudo é bonito.

Dou um riso trêmulo.

- Você não precisa contar nada.

- Ah, preciso sim – insiste Jack com firmeza. – Acho que preciso. Vamos andar? – Ele sinaliza para o pátio. – Porque isso pode demorar um pouco.

- Certo – concordo com a voz ainda um pouco embargada.

Jack estende o braço, e depois de uma pausa eu o seguro.

- Então... onde eu estava? – pergunta ele enquanto vamos andando. – Ah, certo. Bom, isso você realmente não pode contar a ninguém. – Ele se inclina para perto e baixa a voz. –

Eu não gosto de Panther Cola. Prefiro Pepsi.

- Não! – exclamo chocada.

- Na verdade, às vezes eu coloco Pepsi numa lata de Panther...

- Não! – gargalho.

- Verdade. Eu disse que não era bonito...

Lentamente começamos a rodear juntos o pátio escuro. O único som é o dos nossos pés no cascalho, da brisa nas árvores e da voz seca de Jack, falando. Contando tudo.

Vinte e sete É incrível como sou uma pessoa diferente esses dias. É como se tivesse me transformado.