O Tempo e o Vento: O Arquipélago (Volume 2)
Caderno de pauta simples
Ao anoitecer tivemos de chamar o médico às pressas; o Velho se encontrava em estado de angústia, respirando com dificuldade e temendo uma recidiva do edema.
Nosso Camerino medicou seu impossível paciente e proibiu-o de receber visitas esta noite, fosse de quem fosse.
Está claro que a passagem de Sônia pela frente do Sobrado deixou-o perturbado. Estou certo também de que foi ele quem pediu à rapariga que fizesse aquele passeio.
O curioso é que nós quatro ficamos desconcertados ante a cena, cada qual à sua maneira e por suas razões. Para disfarçar meu embaraço, procurei comentar o fato objetivamente, mas esbarrei no silêncio encabulado do Zeca e no silêncio indignado do Edu. Mas Bandeira, refeito do choque (no fundo esse filósofo que quer parecer cínico não passa dum moralista), tratou de encarar a situação racionalmente. Examinamos seus muitos aspectos e naturalmente não chegamos a nenhuma solução.
Irmão Zeca escapuliu-se ao primeiro pretexto. Eduardo resmungou marxices. Achará ele que num Estado comunista coisas como essa não podem acontecer? Esperará que um soviete brasileiro possa regular o desejo carnal, controlar os pruridos sexuais, burocratizar o amor?
Curiosa a inibição que todos sentem (inclusive eu mesmo) de atacar de frente, como coisa natural, os assuntos de sexo...
Estou pensando agora numa coisa. Como poderei escrever o meu “pretensioso” romance-rio sobre os gaúchos, esses saudáveis carnívoros sensuais, sem falar (e muito) em sexo? Ou sem deixar que eles usem livremente sua própria linguagem, com todos os palavrões que com tanta frequência e espontaneidade lhes saem das bocas?
Privá-los desse vocabulário escatológico seria quase o mesmo que capá-los. Sim, uma castração psicológica. E um atentado à autenticidade da história.
As pessoas em geral têm mais medo das palavras do que das coisas que elas significam. Para muita gente é mais fácil cometer um desses atos que se convencionou chamar de imorais do que dar-lhe expressão verbal.
Por outro lado, conheço velhas damas gaúchas completamente desbocadas e verbalmente pornográficas mas que, não obstante, na vida privada são esteios da virtude e da moralidade, impecáveis matronas romanas.
/
Sônia me pareceu um misto de ave pernilonga e felino. Agora, revendo-a com a memória, sinto nela algo de reptil. É a teiniaguá da lenda da salamanca do Jarau. A lagartixa encantada que desgraçou o sacristão. Uma teiniaguá que não carrega seu carbúnculo ardente na cabeça, mas noutro lugar.
Há poucos dias reli essa lenda na versão de Simões Lopes Neto. Estou pensando agora que minha iniciação sexual aos quinze anos tem uma certa analogia com a aventura do gaúcho Blau Nunes.
Alma forte e coração sereno! A furna escura está lá: entra! entra! — disse o fantasma do sacristão. — E se entrares assim, se te portares lá dentro assim, podes então querer e serás ouvido.
Mas havia sete provas a vencer.
Blau Nunes foi andando. Entrou na boca da toca, meteu-se por um corredor de onde outros sete corredores nasciam.
Foi numa noite de dezembro, nas férias depois do meu primeiro ano no Albion College.
Por ordem de meu pai, tio Toríbio apadrinhava minha iniciação, levando-me à casa duma
mulher. Pelo caminho dava-me conselhos, como a alma do sacristão dera a Blau.
Entramos no Purgatório, metemo-nos em becos e labirintos como os com que se
defrontou o herói da lenda.
Mãos de gente invisível batiam no ombro de Blau Nunes.
Eu sentia no ombro a mão de minha mãe
e parecia-me ouvir sua voz:
Não vás! Volta, meu filho! Não vás!
Blau meteu o peito por entre um espinheiro de espadas.
Na escuridão duma ruela esbarrancada, atravessamos uma cerca de unhas- -de-gato, cujos espinhos me arranharam as mãos.
Blau Nunes foi andando. Eu também.
Num cruzamento de carreiros ouviu-se um ruído de ferros que se chocavam.
Na frente dum boliche homens brigavam num corpo a corpo. Adagas e espadas tiniam,
tio Toríbio sussurrou:
Não é nada. É uma patrulha do Exército contra uma patrulha da polícia.
Puxou-me pelo braço e entramos noutro beco, que desembocava noutro beco, de onde
saía ainda um outro beco. Um suor frio me escorria pelo corpo.
Vai então jaguares e pumas saltaram aos quatro lados de Blau Nunes.
No lusco-fusco cachorros nos atacaram, latindo, os dentes arreganhados. Tio Toríbio
espantou-os com pedradas.
Blau Nunes meteu o peito e continuou a andar.
Agora era um lançante e ao fim dele o gaúcho parou num redondel tapetado de ossamentas humanas.
Passamos por um pequeno cemitério, e minha imaginação viu no escuro esqueletos
brancos dançando uns com os outros.
Por fim chegamos à casa da mulher.
Escolhi esta rapariga — disse Tio Toríbio — porque é limpa e de confiança. Não é china
de porta aberta. Por sinal, mora com a família.
Blau Nunes foi rodeado por uma tropa de anões, cambaios e galhofeiros, fandangueiros e volantins, que pulavam como aranhões e faziam caretas impossíveis para rostos de gente.
Quando entramos na mei’água as crianças da casa (uns sete, contei, mesmo no meu
espanto) nos cercaram pulando e gritando, feios, seminus e barrigudos.
Por trás dum cortinado havia um socavão reluzente. E Blau Nunes viu sentada numa banqueta, fogueando cores como as do arco-íris, uma velha encurvada e toda trêmula.
Sentada a um canto, pitando um cigarro de palha cuja brasa lucilava na penumbra, vi
uma velha encarquilhada. Tio Toríbio murmurou:
É a avó da menina.
E, dirigindo-se à velha: Boa noite, dona Pulca, onde está a Carmelinda?
No quarto. ‘Tá esperando. Pode entrar.
Meu tio me deixou sozinho com a teiniaguá, que se enroscou em mim e me puxou para
a cama.
E então procurei sôfrego a cova escura e úmida
varei o cerro coberto de matagal.
Meu coração batia
meu corpo inteiro latejava
eu tinha vencido as sete provas
e dentro da salamanca estava o tesouro
e os prazeres cobiçados
e o meu documento de homem.
/
Basta. Levei longe demais a fantasia. Decerto forcei a memória a me fornecer elementos para a analogia.
Blau Nunes, alma forte e coração sereno, venceu os sete obstáculos. Ofereceram-lhe como prêmio todos os dons que um mortal pode desejar. Mas ele disse que cobiçava a teiniaguá.
Eu queria a ti, porque tu és tudo!
És tudo o que eu não sei o que é,
porém que atino que existe fora de mim,
Em volta de mim
Superior a mim...
Eu queria a ti, teiniaguá encantada!
Estará nessa lenda a chave da alma e do destino do gaúcho? Enigma a decifrar.
/
Avisto ali na estante de livros a lombada do Pygmalion de Bernard Shaw. Uma brochura da Coleção Tauchnitz. Apanho-a e leio a dedicatória na terceira página.
For my dear, dear Floriano,
with best wishes from his
devoted
Marjorie W. Campbell
Porto Alegre, December 5, 1928
O Albion College... Importante capítulo da minha adolescência.
Éramos acordados às seis e meia da manhã. Ginástica às sete. Banho frio às sete e meia. Café às oito.
Antes de cada refeição Mr. Campbell lia pequenos trechos da Bíblia com sua voz de mordomo inglês.
Nas manhãs de sábado, numa paródia de alpinismo, saíamos a escalar o morro da Polícia.
O diretor abria a marcha, com seu verde chapéu bávaro, sua camisa escocesa, seus knickerbockers, suas botinas com agarradeiras nas solas, e sua bengala com ponteira de metal.
Os alunos o seguiam em fila indiana.
Sem tirar o cachimbo da boca, Mr. C. costumava cantar pelo caminho uma canção que os Tommies cantavam durante a Guerra.
It’s a long way to Tipperary
It’s a long way to go...
A mulher do diretor em geral caminhava a meu lado, e achava sempre um pretexto para me pegar a mão.
Help me, dear boy!
Os meninos caminhavam com o olhar no chão. Dizia-se que o morro estava infestado de aranhas venenosas.
Quando chegávamos ao cume, Mr. C. respirava a plenos pulmões, movendo ritmicamente os braços, e exigia que fizéssemos o mesmo.
Nesses momentos assumia ares de triunfador, como se tivesse acabado de atingir as culminâncias do Himalaia. Só lhe faltava plantar no topo do morro a bandeira da Inglaterra.
Voltávamos para o colégio, cansados. E com um apetite de lobos.
/
Foi no meu derradeiro ano no Albion, na época em que sofri de insônias.
Mrs. Campbell compadeceu-se de mim — pity! pity! poor boy! — e me fazia tomar todas as noites, antes de ir para cama, um copo de leite morno.
Uma ocasião, depois que as luzes do dormitório se apagaram, ela entrou furtivamente no meu quarto, perguntou como eu me sentia, ajeitou-me as cobertas, acariciou-me rapidamente os cabelos, sussurrou: sleep tight, dear boy, and have sweet dreams — e se foi.
Outra noite, já tarde, sua presença no quarto se denunciou primeiro por uma fragrância de lavanda. Ouvi quando a mulher do diretor fechou a porta, vi seu vulto acercar-se de mim.
Pobrezinho! Insônia é uma coisa tão, tão horrível!
Sentou-se na cama e disse que ia cantar em surdina uma velha balada da Escócia, para me ninar. Sua voz, trêmulo falsete, era uma caricatura de soprano.
A coisa toda me divertia, e ao mesmo tempo me fazia sentir pena da criatura, e também me constrangia e alarmava, pois eu sabia o que estava para vir.
No princípio da balada, Mrs. C. me afagava os cabelos.
No meio da balada era meu ombro que seus dedos friccionavam.
Quando a cantiga terminou, a mão da inglesa insinuou-se por baixo das cobertas e, como uma aranha-caranguejeira, me subiu coxa acima, à procura de algo que não lhe foi difícil encontrar.
Senti a respiração arquejante da mulher bafejar-me a face.
Soltando um gemido débil, Mrs. C. meteu-se inteira debaixo das cobertas.
Don’t be afraid, dear one!
Decerto julgava que me ia desvirginar. Tive ímpetos de dizer-lhe que era homem, que já conhecera muitas mulheres.
Continuei, porém, calado e imóvel, deixando que ela tomasse todas as iniciativas.
Seus beijos, quentes na intenção mas frios no contato, sabiam a Odol e a uísque.
Nessa primeira noite Mrs. C. manteve um relativo decoro. Mas nas seguintes seus ardores foram ganhando aos poucos uma intensidade frenética. Por fim ela já me murmurava ao ouvido, com seu sotaque britânico, obscenidades brasileiras. (Onde, quando e com quem as teria aprendido?)
Havia momentos em que eu me assustava, com a impressão de que ia ser devorado ou privado de alguma parte essencial da minha anatomia.
Havia momentos em que o Cambará que dormia dentro de mim despertava e vinha à tona. E eu tinha então a orgulhosa ilusão de que estava cavalgando o Império britânico!
Mrs. C. devia andar pelos seus trinta e cinco anos, mas para o adolescente era uma senhora idosa.
Isso não só me impedia de ter por ela um desejo autêntico, integral, como também me deixava perturbado, com a desagradável sensação de estar cometendo incesto.
A esse constrangimento se mesclava o puro temor de sermos descobertos.
E Mr. Campbell — perguntei uma noite. — E se ele entra de repente e descobre tudo?
A mulher, que me apertava contra seu corpo, soltou uma risadinha seca.
Não se preocupe. Mr. Campbell a esta hora anda atrás de seus meninos. Tem um fraco pelos louros de pele branca. Eu prefiro os morenos.
Depois de nosso primeiro contato carnal, pensei que a inglesa não me desse mais uma noite de folga.
Enganava-me. Mrs. C. era metódica. Vinha a meu quarto apenas nas noites de quarta-feira.
Fiquei sabendo depois que tinha outros amantes. No internato havia mais rapazes morenos que louros...
Essa situação durou quase todo um ano letivo.
Quando os colegas descobriram a minha história, não me deixaram mais sossegar com seus trotes e dichotes, suas alusões veladas ou claras ao caso.
Mas neguei tudo. Continuei a negar até o fim.
Depois daquele ano não tornei a rever o Albion College.
Jamais contei essa aventura a quem quer que fosse.
Por que a relembro agora?
Talvez para contar ao homem adulto o segredo do adolescente.
Aconteceu também que naquele último ano de internato meu amor platônico por Mary Lee havia chegado a seu zênite.
A menina teria seus treze ou quatorze anos.
Loura e espigada, parecia uma guardadora de gansos saída dum conto de fadas.
Era, para o adolescente, uma espécie de anti-Marjorie Campbell.
Uma personificação das coisas belas, puras e inatingíveis.
Filha dum missionário episcopal, americano de Alabama, morava na casa vizinha ao colégio. Frequentava os Campbells, a cuja mesa muitas vezes se sentava, no refeitório geral, para meu encanto e espanto.
Eu a adorava de longe.
Muitas vezes, escondido atrás do tronco de um dos cedros do jardim, ficava contemplando a menina dos cabelos de ouro, que, sentada na beira da fonte do fauno, traçava com o dedo desenhos n’água.
Certa manhã (findava o ano, e nós já fazíamos as despedidas) reuni todas as forças de que era capaz, furtei uma rosa vermelha do jardim e dei-a a Mary Lee.
Ela se negou a aceitar a flor. Encolheu os ombros. Virou-me as costas. E com sua clara e fina voz de cristal, disse:
I don’t like you, negro boy. Go back to where you belong.
Não me lembro de nada que me tenha doído tanto como esse gesto e essas palavras.
FIM DO SEGUNDO TOMO
Cronologia
Esta cronologia relaciona fatos históricos a acontecimentos ficcionais dos três volumes de O arquipélago e a dados biográficos de Erico Verissimo.
1916
Nascimento de
O deputado João
Antônio
1917 Cambará
(Jango), filho
O Brasil declara
de
guerra
Rodrigo e
à Alemanha.
Flora.
Em 11 de
novembro,
ocorre a Revolução 1918
Comunista na
Rússia. Nascimento de Começo da Eduardo
formação Cambará,
da União Soviética. filho de Rodrigo
Na Europa, e
levantes de Flora.
soldados e Nacimento
marinheiros de Sílvia,
do Exército alemão afilhada de
forçam a Alemanha Rodrigo, que se
a casará
pedir armistício. A com Jango.
paz
é assinada a seguir 1920
e
Nascimento de
funda-se a Liga das
Bibi
Nações Unidas.
Cambará, filha
No Rio Grande do Sul, de
Borges de Medeiros Rodrigo e
é Flora.
reeleito para mais
um 1922
mandato.
Em fim de
1922 Outubro,
Licurgo afasta-
Em fevereiro se do
realiza-se Partido
a Semana de Arte Republicano
Moderna no Teatro por não
Municipal, em São concordar com
Paulo. apolítica de
Em julho, em meio Borges
às revoltas de Medeiros tenentistas, para
eclode a revolta do os municípios.
Forte de Rodrigo e Flora
Copacabana. retornaram de
Fundação do uma
Partido viagem ao Rio
Comunista do Brasil de
(PCB). Janeiro.
Início do governo Rodrigo
de renuncia ao
Artur Bernardes. cargo de
Na Itália, ascensão deputado
do estadual pelo
fascismo. Partido
No Rio Grande do Republicano.
Sul, Rodrigo
para as eleições do participa
ativamente da
campanha
governo estadual, oposicionista.
o Partido
Federalista e
os dissidentes do
Partido
Republicano
fundam
a Aliança
Libertadora
(que depois origina
o Partido
Libertador)
e lançam a
candidatura
de Joaquim
Francisco
de Assis Brasil.
Borges de Medeiros
vence as eleições,
em
meio a acusações
de fraude.
1923
Lenço encarnado
Licurgo,
1923
Rodrigo e
Toríbio
Inconformados,
organizam a
federalistas e
Coluna
dissidentes
Revolucionária
começam uma
de Santa Fé e
rebelião
partem armada. Os para o interior
republicanos do
seguidores de município e
Borges adjacências.
de Medeiros No inverno,
passam a Licurgo
ser conhecidos é morto em
como combate,
"chimangos". num tiroteio
Os federalistas contra os
(maragatos) inimigos
passam governistas.
a ser chamados de Com o acordo
"libertadores". A de paz,
luta Rodrigo e
armada se expande Toríbio
por voltam ao todo o estado. Sobrado.
Em 7 de novembro
é
assinado um
armistício
entre federalistas.
Em 14 de
dezembro,
paz definitiva com
o
acordo conhecido
como
Pacto de Pedras
Altas.
A paz foi assinada
no
castelo de Assis
Brasil,
na presença do
ministro
da Guerra, gen.
Setembrino de
Carvalho. Morre Rui
Barbosa.
Um certo major
Toríbio
1924
1924
Em julho,
Revolução Morre Alicinha,
Tenentista em São a filha
Paulo. As forças predileta de legalistas atacam a Rodrigo.
cidade, usando até Desolado,
aviões. Sob o Rodrigo
comando abandona
do gen. Isidoro definitivamente
Dias a
Lopes, os rebeldes profissão de
se médico,
retiram para oeste, vende a
chegando ao norte farmácia e o
do consultório.
Paraná. Em dezembro,
Em outubro Toríbio
eclodem sai de Santa Fé
revoltas nas e se
guarnições junta à Coluna
militares da região Prestes.
das
Missões, no Rio
Grande
do Sul.
Perseguidos, os
rebeldes se movem
para
o norte, iniciando a
Coluna que levaria
o 1925
nome do cap. Luiz
Carlos Prestes. Floriano vai
Reúnem-se às para um
colunas colégio interno
revolucionárias de em
São Porto Alegre.
Paulo e começam a marcha que durou
dois
anos e percorreu 24
mil
quilômetros pelo
território nacional.
Em abril, a Coluna
Prestes avança
para
o norte, incitando
as
populações locais a
reagir contra as
oligarquias.
Morre Lênin.
1926
Fim do governo de
Artur Bernardes.
O paulista
Washington
Luís é indicado para
substituí-lo na
1927
presidência.
Toríbio, feito
1927
prisioneiro,
escapa de
A Coluna Prestes se
ser fuzilado.
desfaz e os
Localizado
principais
pela familía no
líderes refugiam-se
Rio de
na
Janeiro, Bolívia. retorna a
Santa Fé.
O cavalo e o
obelisco 1928
1928 Rodrigo
Cambará
Getulio Vargas é torna-se
eleito intendente de
governador do Rio Santa Fé.
Grande do Sul.
1929
1929
Quebra da Bolsa de
Valores de Nova Floriano decide
York. tornar-se
Colapso da escritor. economia
cafeeira no Brasil.
Paulistas e mineiros
se
desentendem sobre
a
sucessão
presidencial.
O gaúcho Getulio
Vargas e o
paraibano
João Pessoa, como
vice,
lançam-se candidatos
pela oposição.
Vitória
eleitoral de Júlio
1930
Prestes, candidato
dos
Rodrigo
paulistas, em meio
arregimenta
a
forças
acusações de
oposicionistas
fraude.
em
Santa Fé e
1930
invade o
Inconformadas, as quartel do
oligarquias Exército,
dissidentes obrigando o
resolvem assumir filho mais o comando de uma velho, Floriano,
conspiração contra a
o governo. participar da
Em 30 de julho, luta.
João Morre o ten.
Pessoa é Bernardo
assassinado no Quaresma,
Recife. Embora o amigo da
crime família, que
tenha motivos defendia
pessoais, a posição
deflagra enorme legalista.
comoção política, Rodrigo aceita
favorecendo a o
revolta. convite de
Em 3 de outubro, Getulio
eclode a revolta no Vargas, chefe Rio da
Grande do Sul. Em revolução
seguida, vitoriosa, e
oposicionistas viaja ao Rio de
insurgem-se no Janeiro
Nordeste, sob o no mesmo
comando de Juarez trem que o
Távora, e em Minas novo
Gerais. Ocorrem presidente.
tiroteios sangrentos
em
Porto Alegre, que
logo
cai em poder dos
rebeldes.
Na iminência de
uma
guerra civil, os
chefes
militares depõem o
presidente
1930-1931
Washington
Luís. Em 3 de Para resolver a
novembro, Getulio crise
Vargas assume o financeira da
governo provisório família,
do Brasil. Rodrigo aceita
um
Noite de Ano-Bom
cartório no Rio.
1932 Flora e
os filhos
Em São Paulo, mudam-se para
insatisfação contra o Rio de
o governo. Janeiro.
Exigência
de nova
constituição
para o Brasil.
No Rio Grande do
Sul,
Borges de Medeiros
adere ao
movimento.
Em 9 de julho,
começa 1932
a luta armada em São Em Santa Fé,
Paulo. Após três Toríbio
meses apoia a revolta.
de guerra civil, os
rebeldes rendem-se
às
forças federais.
Formação da Ação
Integralista
Brasileira
(aib), liderada por
Plínio Salgado.
1933
Ascensão do
nazismo na
Alemanha.
1934
Promulgação da
terceira
Constituição
brasileira, que
estabeleceu
avanços
como o voto
secreto e o
voto feminino.
Getulio
Vargas permanece
na
presidência.
1935
Criação da Aliança
Nacional
Libertadora
(ANL). Luiz Carlos
Prestes, líder da
Coluna
e membro do PCB,
é
eleito presidente de
honra do partido.
Em 11 de julho, o
governo federal
decreta
o fechamento dos
núcleos da ANL.
Em 27 de
novembro, eclodem revoltas
militares de
inspiração
comunista,
sobretudo
no Rio de Janeiro e
em
Natal, onde se
forma
um governo
provisório.
O movimento não obtém apoio
popular e
logo é sufocado. No
país todo sucedem-
se
prisões em massa
de
esquerdistas, entre
elas a
do escritor
Graciliano
Ramos.
1936 1936
O gen. Franco se De Santa Fé,
insurge contra o Arão
Stein, amigo de governo Rodrigo, parte
republicano para a
na Espanha. Início Espanha para
da Guerra Civil juntar-se
Espanhola. às Brigadas
Os falangistas Internacionais.
(partidários de O mesmo faz
Franco) Vasco,
recebem personagem do
armamento romance Saga,
e ajuda militar dos de Erico
fascistas italianos e Verissimo.
dos
nazistas alemães.
Os
republicanos
recebem
apoio da União
Soviética. Formam-
se 1937
Brigadas
Começa o
Internacionais
romance
de apoio aos
de Floriano
republicanos. Cerca
com a
de 30 mil
norte-
combatentes
americana
acorrem do mundo
Marian
inteiro para lutar
(Mandy)
contra
Patterson.
os falangistas.
Rodrigo, figura
Entre
política
eles vão dezesseis
influente do
brasileiros: dois
governo
civis
e catorze militares.
1937
Preparativos para
as
eleições
presidenciais
de 1938. Getulio
Vargas
consegue apoio de
dois
generais, Góes
Monteiro e Eurico
Vargas, vai a
Santa Fé
para tentar
Gaspar Dutra.
Em 10 de convencer
novembro, os amigos da
o Congresso é legitimidade do
fechado, golpe.
alguns comandos Enfrenta a
militares são oposição de
substituídos e o seu irmão,
Diário Toríbio.
Oficial publica uma Em 31 de
Constituição dezembro,
outorgada, festeja-se o
chamada de noivado de
"Polaca". Jango e Sílvia,
Em dezembro, afilhada
todos os de Rodrigo.
partidos políticos Rompimento
são entre extintos. os irmãos
Implantação Rodrigo
do Estado Novo. e Toríbio.
Toríbio vai a
Do diário de Sílvia uma festa
num bar e é
1938
morto
durante uma
Os integralistas
briga.
tentam
derrubar Getulio
1938
Vargas, mas são
derrotados. Plínio Floriano e
Salgado exila-se Mandy se
em separam. Ela
Portugal. vai para os
Estados
1939
Os republicanos são Unidos.
derrotados na
Espanha. 1939
Muitos membros
Arão Stein
das
refugia-se na
Brigadas
França. O
Internacionais
personagem
se refugiam na
Vasco, de
França,
Saga, faz o
onde permanecem
mesmo.
em
campos de
1940
concentração.
Em 1o de Em abril, Arão
setembro, a Stein
Alemanha invade a volta a Santa
Fé. Antes, Polônia. Início da repatriado ao
Segunda Guerra Brasil,
fora preso e
torturado
no Rio como
Mundial. Em 17 de comunista.
setembro, a União
Soviética também
invade a Polônia.
Partilhando esse
país,
alemães e
soviéticos
celebram um pacto
de não agressão.
De 28 de maio a 3 de junho, a França
é
derrotada.
Soldados
ingleses e
franceses que
não aceitam a
derrota
são evacuados para
a
Inglaterra na
Retirada
de Dunquerque, um
1941
dos
episódios mais
Em 24 de
dramáticos da
setembro,
Segunda Guerra. Os alemães Sílvia começa a
começam o redigir
bombardeio um diário, no
da Inglaterra pelo qual
ar. reflete sobre o
fracasso
amoroso de
seu
1941
casamento.
Registra
Em junho, a
também como
Alemanha
o grupo
invade a União do Sobrado
Soviética, pondo vive os
fim ao acontecimentos
pacto de não da
agressão. Segunda Em dezembro, os Guerra.
alemães são Em 26 de
derrotados novembro,
em Moscou, mas Floriano passa
continuam lutando alguns
em dias no
Stalingrado, numa Sobrado, antes
batalha que dura de seguir para
um os
ano e quatro Estados Unidos
meses. como
Em 7 de dezembro, professor
os japoneses convidado
atacam na
de surpresa a base Universidade
norte-americana da
de Pearl Harbor. Califórnia.
Desenham-se
definitivamente as
grandes formações
da
Segunda Guerra: de
um lado, os Aliados
1942
Em julho,
e a União Soviética; Floriano
do outro, o Eixo, publica o
com romance
Alemanha, Itália e O beijo no
Japão. espelho.
Em Santa Fé,
1942 como em
cidades Em 23 de agosto, brasileiras
diante do reais,
torpedeamento de há quebra-
navios brasileiros, o quebra em
governo declara lojas e
guerra empresas cujos
ao Eixo. proprietários
são
1943 alemães ou
seus
Os alemães são
descendentes.
derrotados em
Em 14 de
Stalingrado, na
setembro, o
União
pintor Pepe
Soviética, em
García
janeiro.
retorna a Santa
Em 13 de maio, os
Fé.
alemães e italianos
são
derrotados no 1943
Norte
Nos Estados
da África.
Unidos,
Em 11 de junho, os
Floriano
Aliados iniciam a
reencontra
invasão da Itália.
Mandy.
Em 26 de
Arão Stein é
novembro,
expulso do
Roosevelt, Churchill
Partido
e Stálin reúnem-se
Comunista sob
em
acusação de
Teerã.
ser
trotskista.
1944 1944
Em 6 de junho, os Em Monte
Aliados Castelo o
desembarcam cabo Lauro
na França. Em 16 Caré morre
de ao enfrentar
julho, chega a sozinho
Nápoles, uma patrulha
na Itália, a Força alemã.
Expedicionária Torna-se herói
de
guerra.
Brasileira para lutar
ao
lado dos Aliados.
Em
setembro a FEB
entra
em ação, seguindo
para
o Norte da Itália.
De 29 de novembro
de
1944 a 20 de
fevereiro
de 1945, Batalha
de
Monte Castelo,
entre
tropas brasileiras e
alemãs. Vitória dos
brasileiros.
Reunião de família
e
Caderno de pauta
simples
1945
1945 Floriano
Cambará, que
Em 8 de maio, a está na
Alemanha se rende Universidade
aos da
Exércitos Aliados e Califórnia como
à professor
União Soviética, e convidado,
põe prepara-se
fim à guerra na para voltar Europa. ao Brasil.
As tropas
brasileiras que
estão na Itália
retornam
ao Brasil.
Em 6 de agosto, os
Estados Unidos
lançam
uma bomba
atômica
sobre Hiroshima,
no
Japão.
Em 9 de agosto,
lançam
uma bomba
atômica
sobre Nagasaki.
O Japão se rende
incondicionalmente.
Fim da Segunda
Guerra
Mundial.
Em 29 de outubro,
no
Rio de Janeiro,
golpe militar para
derrubar o
presidente Getulio
Vargas.
Vargas renuncia em
30
de outubro e segue para
o Rio Grande do
Sul.
No começo de
dezembro, o gen.
Eurico Gaspar Dutra
é
eleito para a
presidência
da República e
Getulio
Vargas para o
Senado.
Doente, com
problemas
cardíacos,
Rodrigo volta
para o Sobrado
com a
família. Sônia
Fraga,
jovem amante
de
Rodrigo,
também o
acompanha.
Rodrigo sofre
militar para um edema
derrubar o agudo de
presidente Getulio pulmão.
Vargas.
Vargas renuncia em 1945
30
de outubro e segue Em 1o de
para dezembro,
o Rio Grande do inauguração de
Sul. um
No começo de busto em
dezembro, o gen. homenagem
Eurico Gaspar Dutra ao cabo Lauro
é Caré na
eleito para a praça da
presidência Matriz.
da República e Floriano
Getulio comparece,
Vargas para o representando
Senado. o pai.
Em 18 de
dezembro,
Arão Stein se
enforca
diante do
Sobrado.
Encruzilhada
Em 22 de
dezembro,
durante a
madrugada,
Rodrigo sofre
novo
infarto e morre
como
não queria: na
cama. É
enterrado no
mesmo dia.
Na noite de
Ano-Bom,
Floriano
começa a
escrever o
romance da
saga de uma
família
gaúcha através
da
história: O
tempo e o
vento.
Crônica biográfica
Erico Verissimo escreve O arquipélago, terceira parte de O tempo e o vento, entre janeiro de 1958 e março de 1962. Foram mais de 1600 páginas datilografadas, num processo extremamente difícil de criação, segundo depoimento do escritor no segundo volume de Solo de clarineta, seu livro de memórias. O arquipélago foi publicado em três volumes: os dois primeiros no final de 1961 e o terceiro no ano seguinte.
O Retrato, a segunda parte da trilogia, fora lançado em 1951. Há um longo período entre a publicação da segunda e da terceira parte de O tempo e o vento. Durante esse intervalo, em 1953, Erico escreve Noite, novela que lembra o conto “O homem da multidão”, de Edgar Allan Poe. No mesmo ano muda-se com a família para os Estados Unidos, onde permanecerá até 1956, como diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana, secretaria da Organização dos Estados Americanos. Em 1955 viaja em férias ao México e em seguida publica uma narrativa de viagem intitulada México. Em 1959, quando já começara a escrever O arquipélago, vai à Europa pela primeira vez, fazendo uma longa visita a Portugal e também a Espanha, Itália, França, Alemanha, Holanda e Inglaterra.
Erico enfrentava a última parte de O tempo e o vento com temor. A magnitude da obra o assustava um pouco. Em O Continente acompanhara um século e meio da formação guerreira do Rio Grande do Sul. A quase ausência de documentação facilitara sua liberdade de imaginar. Em O Retrato começara a desenhar o processo de modernização do estado e o embaralhamento dos laços tradicionais na fictícia Santa Fé. Mas agora a complexidade crescente da matéria o assustava, por convergir vertiginosamente para o presente. As sucessivas viagens e os outros livros lhe ofereciam caminhos de fuga.
Várias vezes, diz Erico em suas anotações, sentou-se diante da máquina de escrever para encarar o romance... e nada vinha à tona, ou ao papel. Numa dessas oportunidades, por exemplo, distrai-se e, sem dar-se conta, desenha rostos de índios mexicanos — nasce daí mais um livro de viagens. Erico atribui a México, escrito em 1956, o mérito de começar o “descongelamento da cidade de Santa Fé e dos personagens de O arquipélago”. Mas não é de todo improvável que a decisão de começar a escrever essa última parte e de prosseguir até o fim com pressa crescente também lhe tenha ocorrido aos poucos, mas dramaticamente, devido a sua condição de saúde.
Segundo suas memórias, em abril de 1957 Erico teve um primeiro aviso: uma angustiante taquicardia durante uma conferência. E no verão de 1958, quando já começara O arquipélago, testemunha a morte de um jovem turista na praia de Torres. Tenta ajudá-lo, mas sem sucesso. O acontecimento o faz refletir sobre a vida e a morte e desperta no escritor alguma urgência no sentido de terminar a trilogia. Em 1959, porém, decide realizar uma protelada viagem à Europa — e os personagens de O arquipélago são mais uma vez postos de lado...
Em 1960, de volta a Porto Alegre, continua a trabalhar intensamente no livro, várias horas por dia, até o entardecer. Tem duas máquinas de escrever. Uma tradicional, negra — e reservada para os momentos de dúvida e impasse. Outra nova, de fabricação chinesa e de cor vermelha, abriga os momentos inspirados, quando escreve páginas e páginas sem parar.
No entanto, na noite de um domingo de março de 1961, Erico sofre a primeira crise cardíaca grave. Medicado com urgência por médicos amigos, acha que vai se recuperar logo. Mas na noite de segunda para terça sobrevém-lhe a segunda crise, já anunciando um infarto. O escritor só se levanta da cama dois meses mais tarde, para retomar o romance a todo o vapor. Diz ele que destruiu o primeiro capítulo do livro — em que o dr. Rodrigo Cambará sofre um ataque de insuficiência cardíaca que lhe provoca um edema pulmonar — e o reescreveu. Agora tem conhecimento direto da matéria.
Erico termina O arquipélago no ano seguinte, nos Estados Unidos, quando faz uma viagem para visitar a filha, o genro e os dois netos. Há um terceiro a caminho. Clarissa, a filha mais velha, casara-se em 1956 com David Jaffe, físico norte-americano. Seu primeiro filho, Mike, nasceu em 1958. O segundo, Paul, em 1960.
Muitos já disseram que o escritor Floriano Cambará, filho do dr. Rodrigo, é uma espécie de espelho da alma de Erico Verissimo. É verdade. Mas, sem querer reduzir a ficção a mero espelho da vida do romancista, é possível perceber, com esta breve crônica biográfica, que o próprio dr. Rodrigo também é, em parte, um espelho do olhar de Erico. Tolhido pela convalescença, ameaçado pela ideia de ser o primeiro Cambará a morrer numa cama, o personagem de Erico quer pôr em dia sua vida, acertar as contas com o filho, com a nora, com o passado, com o mundo.
Em Solo de clarineta, Erico lastima o destino de seu personagem: “Eu sabia que o pai de Floriano ia morrer no último capítulo do livro, e isso me dava uma certa pena. Aquele homem sensível e sensual adorava a vida”. Nos últimos momentos, o dr. Rodrigo tem uma conversa definitiva com o filho. É uma conversa sincera, que não recua nos momentos difíceis. No fim, ao despedir-se, Floriano diz ao pai que espera que o diálogo não lhe tenha feito mal. O pai responde: “Mal? Pelo contrário. Eu andava louco por conversar contigo. Tu é que me fugias”.
A frase pode se estender ao escritor real, fora do livro. Criador e criatura se encontraram e seus destinos se confundiram por um momento. O espírito de Erico, como o de Floriano, estava pronto para novas partidas.
Erico Verissimo nasceu em Cruz Alta (RS), em 1905, e faleceu em Porto Alegre, em 1975. Na juventude, foi bancário e sócio de uma farmácia. Em 1931 casou-se com Mafalda Halfen von Volpe, com quem teve os filhos Clarissa e Luis Fernando. Sua estreia literária foi na Revista do Globo, com o conto "Ladrão de gado". A partir de 1930, já radicado em Porto Alegre, tornou-se redator da revista. Depois, foi secretário do Departamento Editorial da Livraria do Globo e também conselheiro editorial, até o fim da vida.
A década de 30 marca a ascensão literária do escritor. Em 1932 ele publica o primeiro livro de contos, Fantoches, e em 1933 o primeiro romance, Clarissa, inaugurando um grupo de personagens que acompanharia boa parte de sua obra. Em 1938, tem seu primeiro grande sucesso: Olhai os lírios do campo. O livro marca o reconhecimento de Erico no país inteiro e em seguida internacionalmente, com a edição de seus romances em vários países: Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, Argentina, Espanha, México, Alemanha, Holanda, Noruega, Japão, Hungria, Indonésia, Polônia, Romênia, Rússia, Suécia, Tchecoslováquia e Finlândia. Erico escreve também livros infantis, como Os três porquinhos pobres, O urso com música na barriga, As aventuras do avião vermelho e A vida do elefante Basílio.
Em 1941 faz uma viagem de três meses aos Estados Unidos a convite do Departamento de Estado norte-americano. A estada resulta na obra Gato preto em campo de neve, primeira de uma série de livros de viagens. Em 1943, dá aulas na Universidade de Berkeley. Volta ao Brasil em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo. Em 1953 vai mais uma vez aos Estados Unidos, como diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana, secretaria da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Em 1947 Erico Verissimo começa a escrever a trilogia O tempo e o vento, cuja publicação só termina em 1962. Recebe vários prêmios, como o Jabuti e o Pen Club. Em 1965 publica O senhor embaixador, ambientado num hipotético país do Caribe que lembra Cuba. Em 1967 é a vez de O prisioneiro, parábola sobre a intervenção dos Estados Unidos no Vietnã. Em plena ditadura, lança Incidente em Antares (1971), crítica ao regime militar. Em 1973 sai o primeiro volume de Solo de clarineta, seu livro de memórias. Morre em 1975, quando terminava o segundo volume, publicado postumamente.
Obras de Erico Verissimo
Fantoches [1932]
Clarissa [1933]
Música ao longe [1935]
Caminhos cruzados [1935]
Um lugar ao sol [1936]
Olhai os lírios do campo [1938]
Saga [1940]
Gato preto em campo de neve [narrativa de viagem, 1941]
O resto é silêncio [1943]
Breve história da literatura brasileira [ensaio, 1944]
A volta do gato preto [narrativa de viagem, 1946]
As mãos de meu filho [1948]
Noite [1954]
México [narrativa de viagem, 1957]
O senhor embaixador [1965]
O prisioneiro [1967]
Israel em abril [narrativa de viagem, 1969]
Um certo capitão Rodrigo [1970]
Incidente em Antares [1971]
Ana Terra [1971]
Um certo Henrique Bertaso [biografia, 1972]
Solo de clarineta [memórias, 2 volumes, 1973, 1976]
O TEMPO E O VENTO
Parte I: O Continente [2 volumes, 1949]
Parte II: O Retrato [2 volumes, 1951]
Parte III: O arquipélago [3 volumes, 1961-1962]
OBRA INFANTOJUVENIL
A vida de Joana D’Arc [1935]
Meu ABC [1936]
Rosa Maria no castelo encantado [1936]
Os três porquinhos pobres [1936]
As aventuras do avião vermelho [1936]
As aventuras de Tibicuera [1937]
O urso com música na barriga [1938]
Outra vez os três porquinhos [1939]
Aventuras no mundo da higiene [1939]
A vida do elefante Basílio [1939]
Viagem à aurora do mundo [1939]
Gente e bichos [1956]
Copyright © 2004 by Herdeiros de Erico Verissimo Texto fixado pelo Acervo Literário de Erico Verissimo (PUC-RS) com base na edição princeps, sob coordenação de Maria da Glória Bordini.
Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009.
CAPA E PROJETO GRÁFICO Raul Loureiro
FOTO DE CAPA Luiz Carlos Felizardo [Fazenda Cerca Velha, Vacaria, RS, 2003]
FOTO DE ERICO VERISSIMO Leonid Streliaev, 1974
SUPERVISÃO EDITORIAL Flávio Aguiar
CRONOLOGIA E CRÔNICA BIOGRÁFICA Flávio Aguiar
PESQUISA Anita de Moraes
PREPARAÇÃO Cristina Yamazaki
REVISÃO Maysa Monção e Isabel Jorge Cury
ATUALIZAÇÃO ORTOGRÁFICA Página Viva
ISBN: 978-85-8086-015-3
Os personagens e as situações desta obra são reais apenas no universo da ficção; não se referem a pessoas e fatos concretos, e sobre eles não emitem opinião.
Todos os direitos desta edição reservados à EDITORA SCHWARCZ LTDA.
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