O Triângulo das Bermudas
Um
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SEIS
GRAUS
ÚLTIMA
COMUNICAÇÃO APROXIMADAMENTE 15 MILHAS AO SUL
DE BERMUDA ÀS 1337 GMT MESMO 17 DE JANEIRO.
TODAS AS EMBARCAÇÕES ESTÃO INTIMADAS A
RELATAR ESTAÇÃO A PRESENÇA DE QUALQUER DESTROÇO FLUTUANTE COMO ESTOFAMENTO DA AERONAVE
E ALMOFADAS DE COR AZUL: BALSAS SALVA-VIDAS DE
COR AMARELA: COLETES SALVA-VIDAS DE COR MARROMESCURO, TUDO MARCADO COM AS LETRAS BSAA, OU
QUAISQUER OUTROS DESTROÇOS OU VESTIMENTAS."
Setenta e dois aviões voando em formação cerrada, algumas vezes quase com "as asas se tocando", cobriram 150.000 milhas quadradas de oceano, começando nas proximidades de onde se fizera a última comunicação pelo rádio e seguindo a sudoeste em direção à
Jamaica. Ninguém foi capaz de encontrar uma só peça que evidenciasse alguma coisa ou que pudesse ser identificada como tendo feito parte do avião desaparecido. Informações sobre "uma luz estranha" no mar no dia 18 de janeiro foram enviadas de dois aviões, um inglês e um americano, mas as unidades de busca-e-resgate enviadas para tal região não encontraram nada e a Força Aérea suspendeu as operações de busca no dia 22 de janeiro.
O fato de dois aviões ingleses de passageiros (ambos pertencentes à mesma companhia — Aerovias Britânicas e Sul-Americanas) terem desaparecido exatamente com um ano de diferença e na mesma área, deu lugar a suspeitas de sabotagens, apesar de naquela época os seqüestros de aviões ainda não estarem em moda. Tal possibilidade e, simultaneamente, o treinamento dos pilotos e das tripulações, o funcionamento dos instrumentos, as condições do tempo, foram investigados por uma Comissão de Inquérito, o Comitê Brabazon, que não encontrou nada desfavorável e nenhuma pista conclusiva: "...falta de evidências devido à ausência de destroços fazem que as causas do acidente com o Star Ariel sejam desconhecidas". Uma das teorias propostas na época foi de que o metilbromido dos extintores tenha penetrado acidentalmente na circulação do sistema de pressurização, causando uma explosão. Esta poderia ser a possibilidade de um acidente isolado, porém dificilmente serviria de explicação para o desaparecimento de muitos outros aviões na mesma área.
Uma das razões para que as buscas ao Star Ariel tenham sido tão intensas foi o fato de um outro avião de passageiros, um DC-3 alugado para um vôo de San Juan de Porto Rico a Miami, ter desaparecido com seus 36 passageiros e tripulantes na manhã de 28 de dezembro de 1948. As buscas infrutíferas deste avião, que envolveram mais de 40 aviões militares e numerosos barcos, tinham coberto mais de 300.000 milhas quadradas de mares e costas, e haviam sido suspensas apenas uma semana antes do desaparecimento do Star Ariel. As circunstâncias que cercaram o desaparecimento do DC-3 eram ainda mais surpreendentes que a dos outros aviões perdidos. O tempo também estava bom e a noite era clara. O avião decolara às 10h30m da noite de 27 de dezembro. Durante o vôo noturno, o comandante do avião, Robert Linquist, fizera a seguinte observação pelo rádio: — O
que é que vocês acham?... Estamos todos cantando músicas de Natal!... (Isto nos faz mais uma vez lembrar a época em que a maioria dos aviões desapareceram.)
Outra mensagem do DC-3 foi captada pela torre de controle do aeroporto de Miami às 4hl3m da manhã do dia 28. Dizia:
— ... estamos nos aproximando do campo... Calculo cerca de 80 quilômetros ao sul... Já podemos ver as luzes de Miami. Tudo vai bem. Ficaremos na escuta à espera das instruções para a aterrissagem. Nada mais se ouviu do avião, e uma operação de buscas em terra e no mar não encontrou nenhum vestígio. Naturalmente não houve sobreviventes ou qualquer indicação sobre o que sucedeu aos passageiros e à tripulação. Mais extraordinário ainda é o fato de não ter havido nenhuma explosão, nenhum foguete, nenhum SOS ou MAYDAY no ar, já que o capitão tinha dado a sua posição a apenas 80
quilômetros ao sul de Miami. Além disso, o local em que o avião desapareceu, sobre os baixios da Flórida, era de águas claras, com apenas seis metros de profundidade, o que facilitava a localização e identificação da aeronave. Esta iria ser uma das muitas vezes em que um avião e seus passageiros iriam "desmaterializar-se" quase ao alcance do campo de aterrissagem, ou que um navio, como nós veremos no capítulo seguinte, sumiria já à vista de seu porto.
Aviões grandes desaparecidos desde a perda do Star Anel geralmente seguiram o mesmo padrão: isto é, processo normal de vôo, e depois — nada. Subseqüentemente nenhum vestígio de destroços, de manchas de óleo, pedaços boiando, tripulantes náufragos ou mesmo concentrações suspeitas de tubarões.
Aviões menores também continuam desaparecendo. Nada menos de nove deles sumiram nas costas da Flórida sem deixar nenhum traço em dezembro de 1949, número suficiente para causar a todos um momento de reflexão e a suspeita de que existe algo perigoso e inexplicável nesta área.
Na década de 50, os aviões continuavam a desaparecer. Em março de 1950, um Globemaster americano desapareceu na parte norte do Triângulo quando se achava na rota da Irlanda. No dia 2 de fevereiro, de 1952, um avião York de transporte inglês, levando 33 passageiros e tripulantes, evaporou-se em pleno ar na ponta ao norte do Triângulo quando estava a caminho da Jamaica. Alguns fracos sinais de SOS
foram captados, mas logo claramente interrompidos.
Em 30 de outubro de 1954, um Constellation da Marinha americana desapareceu com 42 tripulantes e passageiros enquanto voava, com bom tempo, da Base Aeronaval do Rió Patuxent, em Maryland para os Açores. Mais de 200 aviões e muitos barcos se uniram nas buscas de centenas de milhas quadradas de oceano mas não encontraram nada. Como no caso de alguns outros aviões, um débil SOS, quase não identificável, foi a certa altura captado pouco depois do desaparecimento do avião.
No dia 5 de abril de 1956, um B-25, transformado num avião comercial de carga, desapareceu com três tripulantes a bordo nas vizinhanças da Língua do Oceano, um profundo desfiladeiro submarino de mais de uma milha de profundidade a leste da ilha de Andros, nas Bahamas.
Um Martin Marlin P5M da Marinha dos Estados Unidos, hidroavião de patrulha, desapareceu enquanto realizava uma missão de patrulhamento nas Bermudas no dia 9 de novembro de 1956, com uma tripulação de 10 homens.
Um avião-tanque KB-50, da Força Aérea dos Estados Unidos, decolou da Base Aérea de Langley, na Virgínia, seguindo diretamente para os Açores no dia 8 de janeiro de 1962, e desapareceu da mesma forma que o Super-Constellation perdido em 1954. Novamente, como no caso do Super-Constellation, houve uma mensagem de rádio muito fraca indicando dificuldade não-especificada e depois o silêncio — e, sempre seguindo o mesmo esquema, nenhum destroço ou qualquer indicação do que acontecera. Em cada um dos casos deve ser lembrado que as tripulações tinham vastas equipagens de salvamento. Mesmo que tenham caído no mar ou amerissado, o que quer
que tenha acontecido com eles ocorreu de forma inesperada e muito rapidamente.
Um incidente que de certa maneira lembra a confusão das mensagens captadas do Vôo 19 ocorreu na forma de um SOS enviado por um avião particular procedente de Nassau, nas Bahamas, mas que voava nas proximidades da ilha Great Abaco. Apesar de o tempo naquela manhã estar excelente, o piloto dava a impressão de estar voando através de muita neblina e foi incapaz de informar sua posição ou mesmo de avistar as ilhas embaixo, apesar da visibilidade clara e aparente para observadores que se achavam nas áreas circunvizinhas. Neste caso o avião não desapareceu completamente: parte de uma das asas foi encontrada boiando no mar.
Em 28 de agosto de 1963, registrou-se a perda de dois aviões. Primeiramente, pensou-se ter ocorrido outro desaparecimento, mas quando alguns destroços foram encontrados e identificados o mistério simplesmente aumentou. Dois KC-135, jatos quadrimotores Stratotankers (primeiros aviões a jato perdidos no Triângulo), que voavam em missão de reabastecimento e haviam decolado da Base Aérea de Homestead, na Flórida, desapareceram logo depois de enviarem suas posições, cerca de 300 milhas a sudoeste das Bermudas. Uma busca intensiva no local encontrou os prováveis restos dos aviões perdidos a cerca de 260 milhas a sudoeste das Bermudas, e os investigadores concluíram que deve ter havido uma colisão entre os dois aviões. Vários dias depois, entretanto, outros destroços, calculados como sendo do outro avião, foram encontrados a 160 milhas de distância. Se eles colidiram no ar, apesar de uma declaração da Força Aérea que afirmava que os aviões não estavam voando lado a lado, algo deve ter separado os dois destroços muito mais depressa do que as correntes oceânicas poderiam ter feito. E, se ambos caíram simultaneamente, como talvez tenha acontecido com os cinco Avengers, o que teria sucedido aos seus instrumentos ou motores para que apresentassem avarias ao mesmo tempo?
No mês seguinte, 22 de setembro, um Cargomaster C-132 desapareceu entre Delaware e os Açores. A última mensagem enviada pelo piloto indicando a sua posição cerca de 80 milhas ao largo da costa sul de Jersey, demonstrara que tudo ia bem. Uma busca intensiva realizada por aviões, barcos da Marinha e da Guarda Costeira continuou até o dia 25 de setembro, mas nada foi encontrado que pudesse ser identificado como parte do avião perdido.
No dia 5 de junho de 1965, um Flying Boxcar C-l 19 em missão de rotina, com uma tripulação de 10 homens, desapareceu quando voava da Base Aérea de Homestead, na Flórida para a ilha Grand Turk, perto das Bahamas. A última chamada recebida de bordo do C-l 19 dava a posição como sendo cerca de 100 milhas de seu destino, com a chegada calculada em mais uma hora. Esta foi a sua última mensagem. Depois de uma busca de cinco dias e cinco noites, a Guarda Costeira declarou:
— Resultados negativos. — E acrescentava em tom familiar: —
Não existem conjeturas.
Como no caso do Vôo 19, dos Avengers, e de outros aviões que desapareceram, mensagens fracas e ininteligíveis foram captadas e logo se desvaneceram como se algo estivesse bloqueando as transmissões de rádio, ou que os aviões estivessem se afastando, como foi sugerido na ocasião, cada vez mais, do espaço e do tempo. É interessante notar que outro avião na mesma rota, mas em direção oposta ao desaparecido C-119, comunicou que o tempo estava claro e que a visibilidade era boa.
Dentro do período de 1945 a 1965, quinze aviões comerciais desapareceram naquela área, além de muitos aviões militares e particulares. A ocorrência do fenômeno não tem diminuído de freqüência. Certas circunstâncias muito estranhas acompanharam o desaparecimento de Carolyn Cascio, uma aviadora bastante conhecida, que, voando num aviãozinho leve, sumiu com um passageiro no dia 7
de junho de 1964, de Nassau para a ilha Grand Turk, enviou uma mensagem pelo rádio dizendo que não conseguia descobrir o rumo e que estava dando voltas sobre duas ilhas não identificadas, acrescentando:
— Não tem nada lá embaixo... — E mais tarde: — Será que tem alguma maneira de sair disto?
Por mais estranho que pareça, observadores que estavam na ilha Grand Turk naquela ocasião tiveram sua atenção voltada para um pequeno avião que circulou a ilha durante uma meia hora antes de desaparecer. Como explicar o fato de que pessoas em terra viam o avião com clareza, enquanto o piloto não podia ver os edifícios em Grand Turk?
Um avião Chase YC-122 que partira de Palm Beach, na Flórida, levando quatro pessoas com destino a Grand Bahama, sumiu em algum lugar a noroeste de Bimini no dia 11 de janeiro de 1967. Uma perda recente no percurso comparativamente curto entre Forte Lauderdale e Freeport sucedeu no dia 1.° de junho de 1973, quando Reno Rigoni desapareceu com seu co-piloto, Bob Corner, a bordo de um Cessna-180. Nenhum vestígio foi achado nas vizinhanças do que indicava a direção do vôo em uma busca que incluiu até os Everglades, zonas pantanosas da Flórida. Nenhum sinal de socorro foi ouvido.
No momento em que este livro foi para a gráfica, ainda outro desaparecimento estranho ocorreu a 900 milhas a sudoeste dos Açores, num local que marcou a última visão de Thomas Gatch (17 de fevereiro de 1974), um aspirante a aeronauta transatlântico que sumiu a bordo de seu balão. Uma área de 223.000 milhas quadradas foi vasculhada por aviões da Marinha dos Estados Unidos, sem nenhum resultado. Embora a vastidão do oceano e a inconstância dos ventos fossem suficientes para explicar o desaparecimento de um balão nas águas, a área onde isto ocorreu é por si mesma estranha. Apesar das razões especiais e das sugestões dadas em cada um dos casos de desaparecimentos inexplicados, certas frases reaparecem tanto nos relatórios oficiais como nos livros e artigos escritos a respeito das perdas. Estas frases incluem: "CAT" (clear air tur-bulence)—turbulências com ar claro, "cortina de vento", "aberrações atmosféricas", "anomalias magnéticas" e "distúrbios eletromagnéticos", que poderiam vir a explicar a perda de alguns dos aviões; mas de forma alguma elas explicariam o desaparecimento de todos os aviões ou dos muitos aviões naquela mesma área.
Enquanto a Marinha americana e a Guarda Costeira reconhecem as variações da bússola tanto quanto um local de zona de sombra para o rádio numa das seções daquela área, a política oficial é ainda claramente expressa nas palavras do Capitão S. W. Humphrey:
"Não acreditamos que existam aberrações atmosféricas naquela região ou que haja existido alguma coisa no passado. Esquadrilhas de aviões e vôos de patrulha são realizados regularmente nesta mesma área sem incidentes."
De qualquer forma, a incidência de desaparecimentos na seção inferior do Triângulo das Bermudas, especialmente nas Bahamas, na costa leste da Flórida e nas ilhas costeiras da Flórida, foi muito bem descrita pelo falecido Ivan Sanderson, que investigou esta área tanto quanto numerosas outras áreas onde navios e aviões desapareceram num período de muitos anos:
"O número de desaparecimentos é fora de proporções em comparação com outras perdas registradas em qualquer outro lugar." Uma observação apropriada foi feita por Dale Titler em seu livro Nas Asas do Mistério. Diz ele que até agora "um número considerável de aviões" desapareceu sem deixar traços dentro desta pequena área.
"Todos estes aviões eram pilotados por profissionais experientes e calejados... por navegadores treinados. Todos levavam rádio e equipamento de salvamento e todos desapareceram com tempo bom." Ela acrescenta a curiosa observação que "quase todos os aviões desapareceram durante o dia".
Robert Burgess, outro pesquisador e escritor sobre fenômenos dos mares, conclui em seu livro Afundamentos, Salvamentos e Naufrágios:
"Existe uma razão para acreditarmos que algo bem maior que a simples chance possa estar envolvido nestes misteriosos acidentes." Ele acrescenta que seja lá como isto for chamado, "uma aberração atmosférica ou qualquer outro nome, se manifesta sem aviso algum e com uma freqüência que chega a ser alarmante". Como já mencionamos antes, existem dúvidas consideráveis quanto aos limites do Triângulo das Bermudas, assim como se ele existe mesmo ou não. Já o ouvimos ser descrito como um triângulo verdadeiro, do qual o vértice norte é Bermuda, uma área em forma de um grande losango na parte ocidental do Atlântico Norte, uma área que segue a plataforma continental do sul dos Estados Unidos, o Golfo do México e as Antilhas, ou uma área elástica de perigo que se estende desde as Bahamas até a Flórida, e através da Flórida até o Golfo do México. Seja lá qual for a sua forma exata, esta região já deu lugar à criação de todo um folclore de desaparecimentos, seja o objeto um avião, um navio, um iate, um barco a vela, submarino, ou pessoas desaparecidas em barcos abandonados. Atribuir-se poderes inexplicáveis ao Triângulo das Bermudas tornou-se prática tão conhecida que qualquer desaparecimento ou acidente misterioso sugere comentários e recordações de muitos dos antigos casos insolúveis. Comentários pela televisão ou o rádio geralmente causam perguntas de ouvintes compreensivelmente preocupados e que pretendem visitar de avião a área. Tais perguntas nervosas são geralmente respondidas com a segurança de que não existe perigo em tais viagens, já que inúmeras travessias do Triângulo são feitas sem nenhum incidente. Agentes de viagens são muitas vezes hesitantemente interrogados por passageiros com destino a locais além do Triângulo: —
Vocês voam através do Triângulo das Bermudas? — uma pergunta muito fácil de responder negativamente já que as fronteiras do Triângulo são de certa forma fluidas. Em uma ocasião pelo menos, que me lembre, foi dada uma desculpa a um passageiro impaciente que indagava sobre o atraso do avião: — Nós tivemos de voar em volta do Triângulo das Bermudas.
Um fato mais tranqüilizador, no entanto, é que as aeronaves de hoje têm muito mais instrumentos de segurança que algumas daquelas que desapareceram no passado. Alguns destes aparelhos ainda não se achavam em uso na época de alguns dos mais estranhos acidentes. Eles incluem transistores, decca, hi-fix, loran (que existiam, entretanto, a bordo do StarAriel), e o fato de que mesmo pequenos aviões são hoje em dia equipados com "omni", um sistema direcional pelo rádio que permite aos aviões de acharem o caminho de volta às suas bases mesmo através das nuvens mais espessas.
De qualquer forma, apesar de todos estes aperfeiçoamentos modernos, estranhos incidentes e perdas continuam a ocorrer dentro do Triângulo e nas costas adjacentes. No ano passado, vários aviões se desintegraram misteriosamente sobre o continente a pouca distância do aeroporto de Miami, inclusive o vôo 401 da Eastern Airlines (um Lockheed L-1011), com a morte de cem passageiros e tripulantes no dia 29 de dezembro de 1972. O exame das condições em que se deu a perda do Vôo 401 talvez possa lançar algumas luzes sobre os muitos aviões que desapareceram repentinamente nas águas. O Dr. Manson Valentine observa o seguinte:
"Analisando todos os dados disponíveis, torna-se aparente que nos últimos sete ou oito segundos de vôo o avião desceu a uma tal velocidade que nem a torre de Miami ou os pilotos tiveram tempo de controlara queda; todos os altímetros estavam funcionando e por este motivo os pilotos poderiam, sob circunstâncias normais, ter tempo suficiente para uma correção de vôo: foi tão rápida a descida (porém não houve alusão a isto em nenhum relatório como sendo extraordinário) que a torre de controle de Miami só teve uma varredura no radar — 40 segundos ao todo — para perceber o que estava acontecendo; na segunda varredura o avião já descera para 300 metros (ocasião em que foi reconhecido pela primeira vez que ele não se encontrava no teto prescrito de 700 metros) para menos de 100 metros. Provavelmente já havia até caído.
Este índice de queda não pode ser atribuído à perda do piloto-automático, características de estolar, inexperiência do piloto, ou até
mesmo à posição de meia-potência nos maneies de gasolina. Deve ter havido uma razão atmosférica, muito provavelmente uma anomalia magnética de qualquer natureza.
Quando aviões e navios desaparecem misteriosamente, ou quando aviões se desintegram, nesta área, permanece cada vez mais a dúvida. Quantos deles se teriam perdido "normalmente" — isto é, devido a condições extraordinárias de tempo, erro ou fadiga do piloto, defeito nos controles, falhas estruturais ou dos motores, etc, e quantos deles refletiriam a ação da tal força que tantas vezes apoderou-se de aviões nos ares, e de navios na superfície das águas? John Godwin (autor de Este Mundo Estranho), ao comentar a aceitação pública de uma tal possibilidade, nota que as autoridades inglesas e americanas nunca proclamaram oficialmente a área do Triângulo como uma "zona de perigo" e acrescenta: — "Particularmente tanto os técnicos da marinha como da aeronáutica confessaram que eles talvez estejam enfrentando um fenômeno de ambiente, mais que uma simples cadeia de contratempos técnicos." Ele observa que o que quer que esteja acontecendo parece ser tão desconhecido para o mundo de hoje como
"o poder do radium o era para os alquimistas do século XV". Acrescenta mais adiante que "apesar de não podermos ter a certeza de que existe uma conexão entre todos estes navios e aviões desaparecidos... todos estes aparelhos estavam navegando nestes mesmos limitados confins geográficos".
Muito antes dos incidentes com aviões da década de 40 e dos que se seguiram mais tarde, a área de mar que abrange o Triângulo das Bermudas, e que inclui o Cabo Hatteras, as costas da Carolina, e o Estreito da Flórida, tinha sido freqüentemente descrita como o
'"Cemitério de Navios", sendo os naufrágios geralmente causados por mares violentos e tempestades repentinas. O Mar dos Sargaços é também conhecido como "Cemitério de Navios" ou o "Mar dos Navios Perdidos" porém por razão inversa: os navios se perderam lá não por causa de tempestades, mas devido às calmarias. Dentro desta área, em geral, certos desaparecimentos misteriosos de navios grandes que não enviaram um SOS ou os achados subseqüentes de destroços ou corpos boiando, já vinham sendo notados no correr dos anos, mas somente a partir do desaparecimento em massa dos aviões em 1945 e depois das perdas súbitas de barcos grandes e pequenos, que os observadores começaram a considerar o padrão repetitivo dos desaparecimentos. A manchete no jornal Guardian de Manchester, publicada na época do desaparecimento do Vôo 19, é típica desta reação; dizia ela: —
"CEMITÉRIO DOS SARGAÇOS AGORA REIVINDICA TANTO
AVIÕES QUANTO NAVIOS."
O sumiço de aviões chamou a atenção do mundo inteiro para o Triângulo das Bermudas. Porém, há mais de 170 anos, e talvez mesmo antes que se relatassem tais ocorrências, navios grandes e pequenos vêm desaparecendo com suas tripulações (e muitas tripulações desapareceram de seus navios) dentro do Triângulo das Bermudas. Alguns destes incidentes ligados a desastres marítimos possuem aspectos que lembram firmemente as perdas misteriosas, enquanto outros apresentam peculiaridades estranhas e surpreendentes.