Pai Rico, Pai Pobre

Robert T. Kiyosaki e Sharon L. Lechter · Capítulo 10 de 15

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Pai Rico, Pai Pobre

Capítulo Oito · Como superar obstáculos

INÍCIO

 

CAPÍTULO OITO

Como superar obstáculos

Mesmo que as pessoas tenham estudado e se alfabetizado do ponto de vista financeiro, elas ainda podem enfrentar obstáculos para se tornar financeiramente independentes. Há cinco razões principais que levam pessoas financeiramente alfabetizadas a não desenvolver uma coluna de ativos significativa, que poderia render grandes montantes de fluxo de caixa. Colunas de ativos que as poderiam libertar para viver a vida sonhada em lugar de trabalhar em tempo integral apenas para pagar as contas. Essas cinco razões são:

1. Medo.

2. Ceticismo.

3. Preguiça.

4. Maus hábitos.

5. Arrogância.

Razão no. l. Superar o medo de perder dinheiro. Nunca encontrei alguém que gostasse realmente de perder dinheiro. E em toda minha vida nunca encontrei uma pessoa rica que nunca tivesse perdido dinheiro. Mas encontrei uma porção de gente pobre que nunca perdeu um tostão ... investindo.

O medo de perder dinheiro é real. Todo o mundo tem. Mesmo os ricos. Mas o problema não está no medo, está na maneira de lidar com as perdas. E a maneira de lidar com o fracasso que faz a diferença na vida da gente. Isso serve para qualquer coisa, não apenas para o dinheiro. A principal diferença entre uma pessoa rica e outra pobre está em como elas lidam com esse medo.

Não há nada errado com ter medo. E aceitável ser um covarde quando se trata de dinheiro. Você ainda pode ser rico. Somos todos heróis em algumas circunstâncias e covardes em outras. Uma amiga de minha esposa é enfermeira de um pronto-socorro. Quando vê sangue, entra em ação. Quando falo em investir, ela sai correndo. Quando eu vejo sangue, não fujo. Desmaio.

Meu pai rico entendia as fobias relativas ao dinheiro. "Algumas pessoas têm pavor de cobra. Algumas pessoas têm pavor de perder dinheiro. Ambas são fobias", dizia. Sua solução para a fobia de perder dinheiro era um pequeno verso:

"Se você odeia risco e preocupação ... comece cedo."

E por isso que os bancos aconselham iniciar o hábito da poupança desde a juventude. Se você começar jovem, será fácil ser rico. Não vou me estender sobre isso mas há uma grande diferença entre pessoas que começam a poupar aos vinte anos e as que começam aos trinta. Uma diferença apreciável.

Diz-se que um dos assombros do mundo é o poder dos juros compostos. A aquisição da Ilha de Manhattan é considerada uma das maiores pechinchas de todos os tempos. Nova York foi comprada por US$24 em badulaques e contas de vidro. Contudo, se esses US$24 tivessem sido investidos a juros de 8% ao ano, esses US$24 estariam valendo mais de US$28 trilhões em 1995. Manhattan poderia ser recomprada e ainda sobraria dinheiro para comprar boa parte de Los Angeles, especialmente com os preços de imóveis vigentes em 1995.

Meu vizinho trabalha para uma grande empresa de computadores. Está lá há 25 anos. Em cinco anos ele deixará a empresa com US$4 milhões em seu fundo de pensão privado. O dinheiro está aplicado em fundos mútuos altamente rentáveis, que ele converterá em títulos e papéis do governo. Ao aposentar-se ele estará com 55 e terá um fluxo de caixa de cerca de US$300 mil ao ano, mais do que o seu salário atual. Isto quer dizer que é possível fazer, mesmo se você não quer perder ou odeia riscos. Mas precisa começar cedo e fazer um plano de pensão; além disso, você deveria contratar um consultor financeiro em quem confie antes de investir.

Mas se não tiver muito tempo pela frente ou se quiser aposentar-se mais cedo? Como você lida com o medo de perder dinheiro?

Meu pai pobre não fez nada. Ele simplesmente evitava o assunto, recusando-se a discuti-lo.

Pai rico por outro lado recomendava que eu pensasse como um texano. "Gosto do Texas e dos texanos", falava. "No Texas tudo é maior. Quando os texanos ganham, elas ganham muito. E quando perdem, é espetacular."

- Eles gostam de perder? - perguntei.

- Não estou dizendo isso. Ninguém gosta de perder. Mostre-me um perdedor feliz e eu lhe mostro um fracassado - respondeu pai rico. - É da atitude dos texanos em face do risco, da recompensa e do fracasso que estou falando. É como eles encaram a vida. Eles vivem grande. Não como a maioria do pessoal daqui, que vive como baratas quando se trata de dinheiro. Baratas com medo que alguém jogue um facho de luz em cima delas.

Gente que se lamuria quando o empregado do armazém erra o troco por vinte centavos.

Pai rico continuou explicando:

- O que eu mais gosto é da atitude dos texanos. Eles se orgulham de ganhar e se gabam quando perdem. Os texanos têm um ditado: "Se você for quebrar, quebre em grande estilo." Você não vai querer admitir que quebrou por uma ninharia. A maioria das pessoas aqui tem tanto medo de perder que não tem sequer uma ninharia para perder.

Ele falava constantemente com Mike e comigo que a maior razão da falta de sucesso financeiro era que a maioria das pessoas buscava segurança demais. "As pessoas têm tanto medo de perder que elas perdem", costumava dizer.

Fran Tarkenton, que foi um grande zagueiro do futebol americano, dizia isso de outra forma: "Vencer significa não ter medo de perder."

Ao longo de minha vida, observei que os ganhos em geral se seguem às perdas. Antes de aprender a andar de bicicleta, levei muitas quedas. Nunca encontrei um jogador de golfe que não tivesse perdido alguma vez uma bola. Nunca encontrei alguém apaixonado que nunca tivesse tido o coração despedaçado. E nunca encontrei ninguém rico que não tivesse perdido dinheiro.

A maioria das pessoas não obtém ganhos financeiros porque a dor de perder dinheiro é maior do que a alegria de ficar rico. Outro ditado do Texas é: "Todos querem ir para o céu, mas ninguém quer morrer." Todos sonham em ser ricos, mas têm pavor de perder dinheiro. Então nunca se chegará ao céu.

Pai rico costumava contar para Mike e para mim histórias de suas viagens ao Texas. "Se você quer realmente aprender como lidar com o risco, com as perdas e com os fracassos, vá para San António e visite o Álamo. O Álamo é uma grande história de gente corajosa que optou por lutar, sabendo que não havia esperança de sucesso contra a superioridade do inimigo. Eles preferiram morrer a render-se. É uma história inspiradora que merece ser estudada; contudo, não deixa de ser uma trágica derrota militar. Eles levaram um chute no traseiro. Um fracasso, se quiserem. Perderam. Então, como é que os texanos lidam com o fracasso? Eles ainda gritam Lembre-se do Álamo."

Mike e eu ouvimos esta história muitas vezes. Pai rico sempre a repetia quando estava entrando em um grande negócio e ficava nervoso. Depois que tinha estudado tudo e era pegar ou largar, ele nos contava a história. Toda vez que sentia medo de cometer um erro, ou de perder dinheiro, ele nos contava a história. Ela lhe dava força, lembrava-lhe que sempre é possível transformar uma perda financeira em um ganho financeiro. Pai rico sabia que esse fracasso o tornaria mais forte e mais esperto. Não é que ele quisesse perder; apenas sabia quem ele era e como ele aceitaria a perda. Ele pegaria uma perda e a transformaria num ganho. Isso é que o tornava um vencedor e os outros perdedores. A história lhe dava coragem para avançar quando outros recuavam. "E por isso que gosto tanto dos texanos. Eles pegaram um grande fracasso e o transformaram em uma atração turística que lhes rende milhões."

Provavelmente, as palavras que mais significam para mim nos dias de hoje são estas: "Os texanos não escondem seus fracassos. São inspirados por eles. Pegam seus fracassos e os transformam em gritos de guerra. O fracasso inspira os texanos a se tornarem vencedores. Mas isso não é apenas uma fórmula para os texanos. É uma fórmula para todos os vencedores."

E como andar de bicicleta: as quedas foram parte de meu aprendizado. Lembro que elas aumentavam minha determinação de aprender. Não a diminuíam. Também disse que nunca encontrei um jogador de golfe que nunca tivesse perdido uma bola. Perder uma bola ou um torneio serve de inspiração aos jogadores de golfe para serem melhores, praticarem mais, estudarem mais. Isso é o que os aperfeiçoa. Para os vencedores, os fracassos são uma inspiração. Para os perdedores, o fracasso é uma derrota.

Citando John D. Rockefeller: "Sempre tentei transformar cada fracasso em uma oportunidade."

Sendo nipo-americano, posso falar o seguinte. Muitas pessoas dizem que Pearl Harbor foi um erro americano. Eu digo que foi um erro japonês. No filme Tora, Tora, Tora, um sombrio almirante japonês diz a seus subordinados: "Receio que tenhamos acordado um gigante adormecido." "Lembre-se de Pearl Harbor" tornou-se um grito de guerra. Transformou uma das maiores derrotas dos EUA em uma razão para vencer. Esta grande derrota deu força aos EUA que logo se transformou em uma potência mundial.

O fracasso inspira os vencedores. E o fracasso derrota os perdedores. E o maior segredo dos ganhadores. E o segredo que os perdedores não conhecem. O maior segredo dos vencedores é que o fracasso inspira a vitória; por isso, eles não têm medo de perder. Repetindo Fran Tarkenton: "Vencer significa não ter medo de perder." Pessoas como Tarkenton não têm medo de perder porque sabem quem são. Odeiam perder, de modo que sabem que o fracasso apenas as incentivará a se tornarem melhores. Há uma grande diferença entre detestar perder e ter medo de perder. A maioria das pessoas tem tanto medo de perder dinheiro que acaba perdendo. Elas quebram por uma ninharia. Financeiramente desejam segurança demais e têm um horizonte estreito. Compram casas grandes e carros grandes, mas não fazem grandes investimentos. A principal razão que leva 90% dos americanos a ter problemas financeiros é que eles jogam para não perder. Não jogam para ganhar.

Eles procuram seus consultores financeiros ou seus contadores ou seus corretores e adquirem um portfólio equilibrado. Muitos aplicam altas somas em Certificados de Depósito, em títulos de baixo rendimento, em fundos mútuos e em poucas ações. É um portfólio seguro e inteligente. Mas não é um portfólio vencedor. É o portfólio de quem não quer perder.

Não me entenda mal. É provavelmente um portfólio melhor do que o da média da população, mas isso é apavorante. Um portfólio seguro é melhor do que nenhum portfólio. É um grande portfólio para quem adora a segurança. Mas buscar a segurança e o "equilíbrio" em seu portfólio de aplicações não é a forma como jogam os investidores bem-sucedidos. Se você tem pouco dinheiro e quer ficar rico, você deve estar "focado", não "equilibrado". Se você observar qualquer pessoa bem-sucedida, verá que no início não estavam equilibradas. Pessoas equilibradas não vão a lugar algum. Ficam em um lugar. Para progredir é preciso, no início, de um desequilíbrio. Veja como você progride quando anda.

Thomas Edison não estava equilibrado. Estava focado. Bill Gates não estava equilibrado. Estava focado. Donald Trump está focado. George Soros está focado. George Patton não distribuiu seus tanques por uma área ampla. Ele os focou e arrasou os pontos fracos da linha alemã. Os franceses se espalharam pela Linha Maginot e você sabe o que aconteceu com eles.

Se você tem algum desejo de ser rico, você deve focar. Pôr uma porção de ovos em umas poucas cestas. Não fazer o que fazem os pobres e a classe média: põem poucos ovos em muitas cestas.

Se você odeia perder, procure a segurança. Se perder o enfraquece, procure a segurança. Procure aplicações equilibradas. Se você tem mais de 25 anos e está apavorado em assumir riscos, não mude. Procure a segurança, mas comece cedo. Comece a formar suas poupanças cedo porque vai levar tempo.

Mas se você tem sonhos de liberdade, a primeira coisa a perguntar-se é:

"Qual a minha reação ante o fracasso?" Se o fracasso o inspirar a ganhar, talvez você deva seguir adiante - mas só talvez. Se o fracasso o enfraquece ou o leva ao desespero - como os garotos mimados que correm ao advogado para processar alguém toda vez que as coisas não saem do seu jeito então procure

a segurança. Fique com seu emprego. Ou compre títulos ou fundos mútuos. Mas lembre que esses instrumentos financeiros também têm seus riscos, mesmo sendo mais seguros.

Digo tudo isso, citando os texanos e Fran Tarkenton, porque aumentar a coluna de ativos é fácil. E realmente um jogo que não exige grandes atitudes. Não exige muita instrução. A matemática do primeiro grau resolve. Mas aumentar a coluna de ativos é um jogo de atitude. Exige garra, paciência e resistência ante o fracasso. Os perdedores evitam o fracasso. E o fracasso transforma perdedores em vencedores, lembre-se do Álamo.

Razão no. 2. Superar o ceticismo. "O céu está caindo. O céu está caindo." Todos nós conhecemos a história da galinha pessimista, que corria em torno do terreiro anunciando o fim do mundo. Todos conhecemos gente assim. Mas todos temos uma "galinha pessimista" dentro de nós.

Como já disse em outra ocasião, o cético é verdadeiramente uma galinha pessimista. Todos nós parecemos com a galinha pessimista quando o medo e a dúvida toldam nossos pensamentos.

Todos nós temos dúvidas. "Não sou inteligente." "Não sou tão bom assim."

"Fulano é melhor do que eu." Nossas dúvidas muitas vezes nos paralisam. Jogamos o jogo do "E se?". "E se a economia entrar em colapso logo depois de eu fazer o investimento?" "E se eu me descontrolar e não conseguir pagar as dívidas?" "E se as coisas não funcionarem como planejado?" Ou temos amigos ou pessoas amadas que nos lembram sempre nossas falhas. Eles dizem freqüentemente: "O que o faz pensar que você pode fazer isso?" "Se fosse uma idéia tão boa, então como foi que ninguém se lembrou disso antes?" "Isso nunca vai dar certo. Você não sabe do que está falando." Essas palavras de dúvida muitas vezes calam tão profundamente que deixamos de agir. Um sentimento horrível aperta nosso estômago. As vezes não conseguimos dormir. Não andamos para a frente, de modo que ficamos com a segurança e abandonamos as oportunidades. Observamos a vida passando por nós enquanto sentamos imobilizados com um frio no corpo. Todos já passamos por isso na vida, alguns mais do que outros.

Peter Lynch, do Fidelity Magellan, um conhecido fundo mútuo, faz advertências sobre o céu que despenca como um "ruído" e todos nós o ouvimos. O "ruído" pode ser criado dentro de nossa cabeça ou vir de fora. Muitas vezes de amigos, familiares, colegas ou da mídia. Lynch lembra o tempo, na década de 1950, em que a ameaça de uma guerra nuclear era tão comum no noticiário que as pessoas começaram a construir abrigos antinucleares e a estocar alimentos e água. Se elas investissem esse dinheiro sabiamente no mercado, em lugar de construir os abrigos, provavelmente teriam atingido a independência financeira nos dias de hoje.

Quando explodiram os motins em Los Angeles há alguns anos, as vendas de armas aumentaram em todo o país. Uma pessoa morreu depois de ter ingerido um hambúrguer malpassado no estado de Washington e o Departamento de Saúde do Arizona determinou que os restaurantes preparassem somente carne bem-passada. Uma empresa farmacêutica divulgou nacionalmente um anúncio de televisão mostrando pessoas gripadas. O anúncio foi divulgado em fevereiro. Os casos de gripe aumentaram bem como as vendas do medicamento anunciado.

A maioria das pessoas é pobre porque quando se trata de investir, o mundo está cheio de "galinhas pessimistas" que correm gritando "O céu está caindo. O céu está caindo". E as galinhas pessimistas atingem seus objetivos porque todos temos um pouco de galinha pessimista. Muitas vezes é necessário coragem para não permitir que rumores e anúncios de desastres afetem nossas dúvidas e medos.

Em 1992, um amigo chamado Richard foi de Boston a Phoenix para visitar minha mulher e eu. Ele estava impressionado com o que tínhamos feito por meio de ações e imóveis. Os preços dos imóveis em Phoenix estavam deprimidos. Passamos dois dias mostrando-lhe o que considerávamos excelentes oportunidades de geração de fluxo de caixa e de valorização de capital.

Minha mulher e eu não somos verdadeiramente corretores imobiliários. Somos apenas investidores. Depois de identificar uma unidade em um condomínio de lazer, chamamos o corretor que a vendeu para Richard naquela mesma tarde. O preço era de apenas US$42 mil para uma casa de dois quartos. Unidades semelhantes estavam sendo vendidas a US$65 mil. Meu amigo achou que era uma pechincha, fechou o negócio e voltou a Boston.

Duas semanas depois o corretor ligou dizendo que meu amigo tinha voltado atrás. Liguei imediatamente para ele a fim de saber o que ocorrera. Tudo o que ele disse foi que falou com um vizinho e este lhe disse que era um mau negócio. O preço era alto demais.

Perguntei a Richard se o vizinho era um investidor. Richard respondeu "não". Quando lhe perguntei por que, então, lhe dava ouvidos, meu amigo partiu para a defensiva e simplesmente disse que preferia procurar um pouco mais.

O mercado imobiliário de Phoenix se recuperou e, por volta de 1994, aquela pequena unidade estava sendo alugada por US$1 mil mensais - US$2,5 mil nos meses de inverno. Seu valor alcançava, em 1995, US$95 mil. Tudo o que Richard teria precisado era dar uma entrada de US$5 mil e já teria dado o primeiro passo para sair da Corrida dos Ratos. Até hoje ele não fez nada.

E as pechinchas de Phoenix ainda estão aí, só que agora é preciso procurar bem mais.

O recuo de Richard não me surpreendeu. É chamado "remorso dó comprador" e afeta a todos. São essas dúvidas que atrapalham. A galinha pessimista ganhou e perdeu-se uma chance de libertação.

Outro exemplo. Uma pequena parte de meus ativos está aplicada em Certificados de Gravame de Impostos em lugar de Certificados de Depósitos. Assim, meu dinheiro rende 16% ao ano, o que sem dúvida é melhor do que os 5% que o banco oferece. Esses certificados são garantidos por imóveis e são estabelecidos por leis estaduais, o que também é melhor do que o que a maioria dos bancos oferece. A fórmula em que estão embasados os torna seguros. Eles só não têm liquidez. De modo que eu os considero Certificados de Depósito com prazo de dois a sete anos. Sempre que menciono para alguém, especialmente para aqueles que aplicam em Certificados de Depósito, que também aplico daquela forma, ouço dizer que se trata de uma opção arriscada. Dizem que eu não deveria aplicar nesses títulos. Quando pergunto como obtiveram essa informação, mencionam um amigo ou uma revista de negócios. Eles nunca aplicaram nisso e falam para quem o faz que é um equívoco fazê-lo. O rendimento mais baixo que procuro é 16%, mas pessoas cheias de dúvidas se conformam com 5%. A dúvida é cara.

Quero ressaltar que são essas dúvidas e esse ceticismo que mantêm muitas pessoas na pobreza, correndo atrás da segurança. O mundo real está aí esperando que você enriqueça. Só as dúvidas mantêm as pessoas na pobreza. E, como já disse, sair da Corrida dos Ratos é tecnicamente fácil. Não requer muita instrução, mas as dúvidas são um obstáculo para muita gente.

"Os céticos nunca ganham", dizia pai rico. "A dúvida não esclarecida e o medo criam o cético. Os céticos criticam e os vencedores analisam" era outra de suas frases favoritas. Pai rico explicava que a crítica cegava enquanto a análise abria os olhos. A análise permitia que os vencedores vissem que os críticos eram cegos e que percebessem oportunidades que todos os demais não percebiam. E encontrar o que os outros não vêem é a chave para qualquer sucesso.

Os imóveis são uma poderosa ferramenta de investimento para quem esteja em busca da independência financeira. É um instrumento único. Contudo, sempre que menciono os imóveis como uma aplicação, ouço alguém dizer: "Não quero consertar vasos sanitários." Isso é o que Peter Lynch chama de "ruído". É o que pai rico chamava de conversa de cético. Alguém que critica e não analisa. Alguém que deixa que suas dúvidas e medos fechem sua mente em vez de abrir seus olhos.

Quando alguém fala "Não quero consertar vasos sanitários", tenho vontade de retrucar: "E o que o faz pensar que eu quero?" Eles estão dizendo que um vaso é mais importante do que aquilo que eles querem. Eu falo de liberação da Corrida dos Ratos, e eles pensam em vasos sanitários. Esse é o padrão de pensamento que mantém muita gente na pobreza. Criticam em vez de analisar.

"A chave de seu sucesso está nos não quero", dizia pai rico.

Eu também não estou a fim de consertar vasos sanitários, procuro sempre um bom administrador de imóveis que conserte os vasos. E ao encontrar um bom administrador que cuide bem dos imóveis, meu fluxo de caixa aumenta. Mais importante ainda, um bom administrador de imóveis me permite comprar ainda mais imóveis, pois não preciso me preocupar com o conserto dos vasos sanitários. Um bom administrador de imóveis é a chave para o sucesso com imóveis. Achá-lo é mais importante do que o próprio imóvel. Um bom administrador muitas vezes sabe de bons negócios antes dos corretores, o que os torna ainda mais valiosos.

E isso o que meu pai rico queria dizer quando falava "A chave de seu sucesso está nos não quero". Como eu também não quero consertar vasos, descobri uma forma de comprar mais imóveis e apressar minha saída da Corrida dos Ratos. As pessoas que continuam falando "Não quero consertar vasos sanitários", muitas vezes se privam deste poderoso instrumento de investimento. Os vasos são mais importantes que sua liberdade.

No mercado de ações ouço muita gente declarar: "Não quero perder dinheiro." Bom, e o que os leva a pensar que eu, ou qualquer outra pessoa, gosta de perder dinheiro? Eles não ganham dinheiro porque optam por não perder dinheiro. Em lugar de analisar, fecham suas mentes a outro poderoso meio de investimento, o mercado de ações.

Em dezembro de 1996, estava passando com um amigo pelo posto de gasolina do bairro. Ele olhou e viu que o preço da gasolina estava aumentando. Meu amigo é um cara encucado, uma "galinha pessimista". Para ele o céu está sempre a ponto de cair, e em geral cai sobre sua cabeça.

Quando chegamos em casa, ele me expôs todas as estatísticas que mostravam por que o preço do petróleo deveria aumentar nos próximos anos. Estatísticas que eu nunca vira antes, mesmo quando eu já tinha um substancial bloco de ações de uma empresa petrolífera. Com essa informação em mãos comecei a procurar e achei uma nova empresa petrolífera que estava a ponto de descobrir algumas jazidas. Meu corretor ficou entusiasmado com essa nova empresa e eu comprei 15 mil ações por 65 centavos cada uma.

Em fevereiro de 1997, enquanto escrevo este livro, o mesmo amigo e eu passamos pelo mesmo posto de gasolina e, de fato, o preço do combustível subira cerca de 15%. Novamente, a "galinha pessimista" se preocupou e se queixou. Eu sorri porque em janeiro desse mesmo ano, o preço daquelas ações da pequena empresa petrolífera já valiam US$3 cada uma. E o preço da gasolina deverá continuar aumentando, se o que meu amigo diz for verdade.

Em vez de analisar, as galinhas pessimistas fecham suas mentes. Se a maioria das pessoas entendesse como uma ordem de "stop" funciona nos investimentos em ações, haveria mais gente investindo para ganhar do que para não perder. O "stop" é simplesmente um comando de computador que vende automaticamente suas ações se o preço começa a cair, ajudando-o a minimizar as perdas e a maximizar alguns ganhos. É uma grande ferramenta para aqueles que têm pavor de perder.

Por isso, sempre que ouço pessoas preocupadas com os "Não quero" em vez de pensar no que querem, sei que o "ruído" em suas cabeças deve ser grande. A galinha pessimista se apoderou delas e grita "O céu caiu e os vasos sanitários estão enguiçando". Assim elas evitam seus "Não quero" mas pagam um preço alto. Nunca conseguirão o que querem na vida.

Pai rico me mostrou uma maneira de olhar para a galinha pessimista. "Faça o que fez o coronel Sanders." Com 66 anos de idade, ele perdeu seu negócio e começou a viver da aposentadoria da Seguridade Social. Não era o suficiente. Ele começou a percorrer o país tentando vender sua receita de galinha frita. Ela foi recusada 1.009 vezes antes que alguém dissesse "sim". E ele acabou se tornando um multimilionário numa idade em que a maioria das pessoas está desistindo. "Ele era um homem corajoso e tenaz", dizia pai rico a respeito de Harlan Sanders.

Assim, quando você estiver em dúvida e um pouco receoso, faça o que o coronel Sanders fez com sua galinha. Ele a fritou.

Razão no. 3. Preguiça. Pessoas ocupadas são, com freqüência, preguiçosas. Todos nós conhecemos histórias do homem de negócios que trabalha arduamente para ganhar dinheiro. Ele dá duro para ser um bom provedor de sua mulher e de seus filhos. Ele passa longas horas no escritório e leva trabalho para casa nos fins de semana. Um dia, ao chegar em casa, encontra-a vazia. Sua esposa foi embora com as crianças. Ele sabia que estava tendo problemas com a esposa, mas em vez de esforçar-se em fortalecer a relação, ele se dedicou ao trabalho. Desiludido, seu desempenho no emprego declina e ele é demitido.

Hoje em dia, encontro freqüentemente gente muito ocupada para cuidar de sua riqueza. E há pessoas muito ocupadas para cuidar da própria saúde. A causa é a mesma. Estão ocupadas e continuam ocupadas como forma de evitar algo que não desejam enfrentar. Ninguém precisa lhes dizer isso. No seu íntimo elas sabem. De fato, se você falar sobre o assunto com elas, elas respondem muitas vezes com raiva ou irritação.

Se não estão ocupadas com o trabalho ou com as crianças, muitas vezes estão ocupadas assistindo à televisão, pescando, jogando golfe ou fazendo compras. Contudo, lá no fundo sabem que estão fugindo de algo importante. Essa é a forma mais comum de preguiça. A preguiça mantendo-se ocupado.

E qual é a cura para a preguiça? A resposta está em um pouco de ambição.

Muitos de nós fomos educados pensando que a ambição ou a ganância é algo ruim. "Pessoas gananciosas são más", dizia minha mãe. Contudo, todos nós temos o desejo de possuir coisas belas, novas ou empolgantes. Para manter essa emoção de desejo sob controle, muitas vezes os pais encontram formas de suprir esse sentimento com culpa.

"Você só pensa em você mesmo, não sabe que tem irmãos e irmãs?" - era uma das frases favoritas de minha mãe. Ou "Você quer que eu compre o que para você?", repetia meu pai. "Você pensa que fabricamos dinheiro? Você pensa que o dinheiro dá em árvore? Você sabe que não somos ricos."

Não eram tanto as palavras, mas o sentimento de culpa que as acompanhava, o que me deixava possesso.

O reverso da criação desse sentimento de culpa era: "Sacrifico minha vida para lhe comprar isto. Estou comprando para você porque nunca tive coisas assim quando criança." Tenho um vizinho que está totalmente falido, mas que não consegue colocar o carro na sua garagem. A garagem está cheia de brinquedos das crianças. Esses garotos mimados têm tudo o que sonham. "Não quero que saibam o que é passar necessidade", diz o pai. Ele não tem um tostão guardado para mandar os filhos para a universidade ou para ele mesmo se aposentar, mas seus filhos têm todos os brinquedos possíveis. Recentemente recebeu pelo correio um novo cartão de crédito e levou os filhos para conhecer Lãs Vegas. "Faço isso pêlos garotos", diz com ar de grande sacrifício.

Pai rico proibia que se dissesse "Não dá para comprar".

Na casa de minha família de verdade, escutava isso a toda hora. Já pai rico queria que seus filhos dissessem: "Como posso comprar isso?" Ele considerava que as palavras "Não dá para comprar" fechavam o cérebro. Você não precisava pensar mais. "Como posso comprar isso?" era uma forma de abrir a mente. Obrigava você a pensar e buscar alternativas.

Mais importante do que isso, ele considerava que "Não dá para comprar" é uma mentira. E o espírito humano sabe disso. "O espírito humano é poderoso, muito poderoso", dizia. Quando sua mente preguiçosa repete "Não dá para comprar", uma guerra se estabelece dentro de você. Seu espírito se enfurece, e sua mente preguiçosa deve defender a mentira dita. O espírito grita: "Vamos. Vamos para Academia fazer exercícios". E a mente preguiçosa responde: "Estou cansada. Trabalhei muito hoje." Ou o espírito humano diz: "Estou cansado de ser pobre. Vamos sair daqui e enriquecer." E a mente preguiçosa fala: "Pessoas ricas são gananciosas. Além disso, dá muito trabalho. Não é seguro. Posso perder dinheiro. Do jeito que está já trabalho muito. Já tenho que fazer coisa demais no emprego. Veja o que tenho que fazer hoje à noite. O chefe quer que eu entregue de manhã."

"Não dá para comprar" também traz tristeza. Uma sensação de desamparo que leva ao desânimo e muitas vezes à depressão. "Apatia" é outra palavra que se aplica. "Como posso comprar isso?" abre possibilidades, empolgação e sonhos. Pai rico não estava tão preocupado com o que você queria comprar, mas esse "Como posso comprar isso?" fortalecia a mente e dinamizava o espírito.

Assim, raramente ele dava alguma coisa a Mike ou a mim. Em vez disso perguntava "Como você pode comprar isso?", e isso incluía a mensalidade da universidade que nós tínhamos que pagar com nosso dinheiro. Não era o objetivo, mas o processo de atingir o objetivo que desejávamos o que ele procurava passar para nós.

O problema é que hoje sinto que milhões de pessoas se sentem culpadas por sua ambição. E um condicionamento que vem da infância. Elas desejam ter as melhores condições que a vida oferece. A maioria foi condicionada, entretanto, a dizer subconscientemente "Você não pode ter isso" ou "Você não conseguirá comprar isso nunca".

Quando decidi sair da Corrida dos Ratos, havia uma questão simples:

"Como posso conseguir não voltar a trabalhar mais?" E minha mente começou a disparar respostas e soluções. A parte mais difícil foi romper com os dogmas de minha família de verdade... "Não podemos comprar isso" ou "Pare de pensar só em você" ou "Por que você não pensa nos outros?" e outras expressões parecidas que se destinavam a criar culpa e suprimir minha ambição.

Assim, como combater a preguiça? A resposta está em um pouco de ambição. É como diz aquela estação de rádio, a WII-FM, O que há aí para mim? A pessoa precisa sentar e pensar. "O que há aí para mim se sou saudável, sexy e tenho boa aparência?" "Como seria minha vida se eu nunca tivesse que voltar a trabalhar?" "O que seria de mim se eu tivesse todo o dinheiro de que preciso?" Sem esse pouco de ambição, não há o desejo de ter algo melhor, de progredir. Vamos à escola e estudamos muito porque queremos algo melhor. Então sempre que você se flagrar evitando algo que você sabe que deveria fazer, a única coisa a fazer é perguntar-se O que há aí para mim? Seja um pouco ambicioso. É a melhor cura para a preguiça.

Contudo, ambição demais, como todo exagero, não é bom. Mas lembre que Michael Douglas falava no filme Wall Street: "A ambição é boa." Pai rico falava de forma diferente: "A culpa é pior do que a ambição, pois a culpa nos rouba a alma." E, para mim, quem falou melhor foi Eleanor Roosevelt: "Faça o que seu coração acha certo - de qualquer forma você será criticado. Você estará perdido se fizer e perdido se não fizer."

Razão no. 4. Maus hábitos. Nossas vidas são mais um reflexo de nossos hábitos do que de nossa educação. Depois de ver o filme Conan, protagonizado por Arnold Schwarzenegger, um amigo falou:

- Adoraria ter o corpo de Schwarzenegger - vários caras concordaram.

- Ouvi dizer que antes ele ela magro e fraco - acrescentou outro amigo.

- Também já ouvi isso - acrescentou outro. - Dizem que ele malha todos os dias na academia.

- Aposto que sim.

- O quê? - exclamou o cínico do grupo. - Aposto que é assim de nascença. Vamos mudar de assunto e tomar umas cervejas.

Este é um exemplo de comportamento controlado pêlos hábitos. Lembro-me de fazer perguntas a pai rico sobre os hábitos dos ricos. Em vez de dar uma resposta direta, ele tentou ensinar pelo exemplo como costumava fazer.

- Quando seu pai paga as contas dele? - perguntou pai rico.

- No início do mês - respondi.

- E sobra alguma coisa? - prosseguiu pai rico.

- Pouco - disse eu.

- É por isso que ele tem dificuldades - falou pai rico. - Ele tem maus hábitos. Seu pai paga primeiro todos os outros. Ele paga a si mesmo por último, mas só se sobrar alguma coisa.

- O que em geral não acontece - comentei. - Mas ele tem que pagar as contas, não tem? O senhor está dizendo que ele não deveria pagar as contas?

- Claro que não - disse pai rico. - Acredito firmemente em pagar milhas contas no prazo. Só que eu pago a mim mesmo em primeiro lugar. Mesmo antes de pagar ao governo.

- Mas o que acontece se o senhor não tiver dinheiro que chegue? - retruquei. - O que o senhor faz então?

- A mesma coisa - prosseguiu pai rico. - Primeiro pago a mim mesmo. Mesmo se tiver pouco dinheiro. Minha coluna de ativos é muito mais importante para mim do que o governo.

- Mas - continuei - eles não vão atrás do senhor?

- Sim, se você não pagar - disse pai rico. - Olhe, não estou falando para não pagar. Só que eu pago a mim mesmo primeiro, mesmo quando tenho pouco dinheiro.

- Mas como é o que o senhor consegue isso? - disse eu. - A questão não é como. A questão é por quê? - replicou pai rico.

- OK, por quê?

- Motivação - falou pai rico. - Quem reclamará mais se eu não pagar eu ou meus credores?

- Sem dúvida os credores gritarão mais alto - respondi à pergunta óbvia.

- O senhor não faria nada se não se pagasse a si próprio.

- Está vendo, depois de pagar a mim mesmo, a pressão para pagar meus impostos e os demais credores é tão grande que me obriga a buscar outras formas de renda. A pressão para pagar se torna uma motivação. Já tive empregos extras, comecei outros empreendimentos, negociei na bolsa, qualquer coisa para ter certeza de que esses caras não ficassem gritando comigo. Essa pressão me fez trabalhar mais, me obrigou a pensar, e tudo isso me tornou mais esperto e mais ativo no que se refere ao dinheiro. Se eu deixasse para me pagar no final, não teriam sentido as pressões, e estaria quebrado.

- Quer dizer que é o medo do governo ou de outras pessoas a quem deve dinheiro que o motiva?

- Certo - disse pai rico. - Você vê, o pessoal do governo é forte. Os demais credores também. A maioria das pessoas se rende a esses tiranos. Elas pagam a eles e nunca se pagam a si próprias. Você conhece a história do fracote a quem atiram areia na cara?

Abanei a cabeça afirmativamente:

- Já vi esse anúncio de aulas de fisiculturismo nos gibis muitas vezes.

- Bem, grande parte das pessoas deixa que os fortes lhes joguem areia na cara. Eu decidi usar o medo do tirano para me tornar mais forte. Outros ficam mais fracos. Ao me forçar a pensar em como ter mais dinheiro, estou fazendo como quem vai malhar na academia. Quanto mais trabalho os músculos de minha mente, mais forte me torno. Agora não tenho medo desse pessoal.

Gostei do que pai rico estava falando.

- Então se eu pagar a mim mesmo primeiro, ficarei mais forte financeira, mental e fisicamente. Pai rico concordou.

- E se eu me pagar por último, ou deixar de me pagar, fico mais fraco. Chefes, administradores, credores e locadores ficarão me perturbando a vida inteira, só porque não tenho bons hábitos quanto ao dinheiro. - Igualzinho ao fracote do anúncio - disse pai rico.

Razão no. 5. A arrogância é ego mais ignorância.

"O que eu sei me faz ganhar dinheiro. O que eu não sei me faz perder dinheiro. Toda vez que fui arrogante, perdi dinheiro, porque quando sou arrogante, acredito mesmo que o que não sei não é importante", repetia freqüentemente pai rico.

Descobri que muita gente usa a arrogância para tentar esconder a própria ignorância. Isso costuma acontecer quando discuto demonstrações financeiras com contadores ou até com outros investidores. Eles tentam forçar caminho na discussão. Para mim, fica claro que não sabem do que estão falando. Não estão mentindo, mas também não estão falando a verdade.

Há muita gente no mundo do dinheiro, das finanças e do investimento que não tem nenhuma idéia do que está falando. A maioria das pessoas do setor fica fazendo proposições de venda vazias como as de um vendedor de carros usados.

Quando você for ignorante a respeito de um assunto, comece a instruir-se achando um especialista ou um livro sobre o tema.