Pai Rico, Pai Pobre

Robert T. Kiyosaki e Sharon L. Lechter · Capítulo 11 de 15

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Pai Rico, Pai Pobre

Capítulo Nove · Em ação

Gostaria de poder dizer que adquirir riqueza foi fácil, mas não foi.

Para responder à pergunta "Como começo?", apresento o processo pelo qual passei dia-a-dia. E realmente fácil encontrar bons negócios. Garanto isso. E como andar de bicicleta. Depois de algumas peripécias, vira um passeio. Mas quando se trata de dinheiro, a determinação para ultrapassar a fase das peripécias é uma decisão pessoal.

Descobrir "negócios únicos na vida", de milhões de dólares, exige que convoquemos nosso gênio financeiro. Acredito que em cada um de nós reside um gênio financeiro. O problema é que ele está adormecido, esperando ser despertado. Está adormecido porque nossa cultura nos educa para acreditar que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Ela nos incentiva a aprender uma profissão para que possamos trabalhar pelo dinheiro, mas não nos ensina a fazer o dinheiro trabalhar para nós. Ela nos ensina a não nos preocupar com nosso futuro financeiro, o governo ou a empresa cuidarão de nós quando chegar o dia da aposentadoria. Contudo, são nossos filhos, formados no mesmo sistema de ensino, que acabarão pagando por ela. A mensagem é trabalhar arduamente, ganhar e gastar o dinheiro, e quando ele faltar sempre poderemos tomar emprestado.

Infelizmente, 90% do mundo ocidental aceita essa teoria, simplesmente porque é mais fácil encontrar um emprego e trabalhar pelo dinheiro. Se você não faz parte dessa "massa", eu lhe mostrarei os dez passos para despertar seu gênio financeiro. São simplesmente os passos que eu segui. Se quiser tentar alguns deles, ótimo. Se não, escolha os seus. Seu gênio financeiro é suficientemente esperto para desenvolver sua própria lista.

Falando no Peru, com um garimpeiro de 45 anos, eu lhe perguntei por que ele tinha tanta confiança em encontrar uma mina de ouro. Ele respondeu: "Há ouro em todo lugar. A maioria das pessoas não está treinada para vê-lo."

E eu diria que isso é verdade. Quanto a imóveis, posso sair qualquer dia e achar quatro ou cinco bons negócios em potencial, onde uma pessoa comum não encontra nada. Mesmo procurando no seu bairro. A razão é que ela não dedica tempo para desenvolver seu gênio financeiro.

Os dez passos a seguir são um processo que pode ajudá-lo a desenvolver os poderes que Deus lhe deu. Poderes que só você pode controlar. l. PRECISO DE UMA RAZÃO MAIOR DO QUE A REALIDADE. O poder do espírito. Se você perguntar à maioria das pessoas se elas desejariam ser ricas ou financeiramente independentes, elas responderão "sim". Mas então caem na realidade. A estrada parece demasiadamente longa, com muitas montanhas a escalar. É mais fácil trabalhar pelo dinheiro e colocar o que sobra nas mãos do corretor.

Certa vez conheci uma jovem que sonhava participar da equipe olímpica de natação dos EUA. Ela acordava todos os dias às 4:00 para treinar durante três horas antes de ir à faculdade. Ela não ia a festas com os amigos nas noites de sábado. Ela tinha que estudar para obter notas altas como todo o mundo.

Quando lhe perguntei o que a levava a essa ambição e a esse sacrifício sobre-humano, ela simplesmente respondeu: "Faço isso por mim mesma e pelas pessoas que amo. E o amor que me leva a superar obstáculos e sacrifícios."

Uma razão ou um propósito é uma combinação de alguns "quero" e alguns "não quero". Quando as pessoas me perguntam qual a razão que me levou a querer ser rico, digo que foi a combinação profunda e emocional dos "quero" e "não quero"..

Listarei alguns. Primeiro os "não quero", pois são eles que criam os "quero". Não quero trabalhar a vida inteira. Não quero o que meus pais aspiravam para mim, que era segurança no emprego e uma casa no subúrbio. Não quero ser um empregado. Odiava quando meu pai não assistia a meus jogos de futebol porque estava ocupado com sua carreira. Odiava ver meu pai trabalhando arduamente, e o governo levando boa parte do que ele tinha obtido quando morreu. Ele não pôde nem mesmo deixar para os filhos aquilo pelo qual tinha trabalhado tanto. Os ricos não fazem isso. Eles trabalham arduamente e deixam um legado para seus filhos.

Agora os "quero". Quero ser livre para viajar por todo o mundo e viver o estilo de vida que gosto. Quero fazer isso ainda jovem. Quero ser simplesmente livre. Quero controlar meu tempo e minha vida. Quero que o dinheiro trabalhe para mim.

Essas são minhas razões emocionais profundas. Quais são as suas? Se elas não forem suficientemente fortes, então a realidade da estrada à frente pode ser maior do que suas razões. Perdi dinheiro e tive vários fracassos, mas foram essas razões emocionais que me mantiveram de pé e me fizeram prosseguir. Queria ser livre por volta dos quarenta anos, mas precisei esperar até os 47 com muitas experiências de aprendizado ao longo do caminho.

Como disse, gostaria de dizer que foi fácil. Mas não foi, mas também não foi duro. Sem uma forte razão ou propósito, aí sim, qualquer coisa na vida é dura. SE VOCÊ NÃO TIVER UM FORTE MOTIVO, NÃO FAZ SENTIDO CONTINUAR A LEITURA. PARECERÁ TRABALHO DEMAIS.

2. ESCOLHO TODOS OS DIAS. O poder da escolha, esta é a principal razão pela qual as pessoas querem viver num país livre. Queremos o poder da escolha.

Financeiramente, com cada dólar que temos em nossas mãos, temos o poder de escolher nosso futuro de ricos, pobres ou classe média. Nossos hábitos de despesa refletem quem somos nós. As pessoas pobres têm simplesmente maus hábitos de despesa.

Uma vantagem que eu tive em criança foi a de que gostava de jogar Banco Imobiliário constantemente. Ninguém me disse que Banco Imobiliário era só para crianças, de modo que continuei jogando quando adulto. Também tinha pai rico que me mostrou a diferença entre um ativo e um passivo. Sendo assim, há muito tempo, quando ainda era garoto, escolhi ser rico e sabia que tudo o que eu tinha a fazer era adquirir ativos, ativos reais. Meu melhor amigo, Mike, tinha uma coluna de ativos que lhe fora dada, mas ele teve que optar por aprender a mantê-la. Muitas famílias ricas perdem os ativos na geração seguinte simplesmente porque não havia ninguém treinado para ser um bom guardião dos ativos.

Muitas pessoas optam por não ser ricas. Para 90% da população, ser rico é "confusão demais". Então inventam de dizer coisas como "Não estou interessado em dinheiro", "Nunca serei rico", "Não preciso me preocupar, ainda sou jovem", "Quando tiver algum dinheiro vou pensar sobre meu futuro" ou "Meu marido/mulher cuida das finanças". O problema dessas afirmações é que elas roubam das pessoas que pensam assim duas coisas: uma, tempo, que é nosso ativo mais precioso; e, dois, o aprendizado. Só porque você não tem dinheiro, isso não é desculpa para não aprender. Mas é uma escolha que fazemos a cada dia, a escolha do que fazer com nosso tempo, com nosso dinheiro e com o que pomos em nossa cabeça. E o poder da escolha. Todos nós temos escolha. Escolhi ser rico e faço essa opção a cada dia.

INVISTA PRIMEIRO NA INSTRUÇÃO. Na verdade, o único ativo real que você possui é sua mente, o instrumento mais importante que dominamos. Como disse, cada um de nós pode escolher o que põe em sua mente ima. vez alcançada idade suficiente. Você pode ficar assistindo à MTV o dia inteiro, ou ler revistas de golfe, ou fazer um curso de cerâmica ou um curso de planejamento financeiro. Você escolhe. A maioria das pessoas simplesmente compra investimentos em lugar de aprender a investir.

Uma de minhas amigas, uma mulher rica, teve recentemente seu apartamento roubado. Os ladrões levaram o aparelho de televisão e o videocassete e deixaram todos os seus livros. Nós todos temos essa escolha. Novamente, 90% da população compra aparelhos de televisão e somente uns 10% compra livros de negócios ou fitas sobre investimento.

Então, o que é que eu faço? Vou a seminários. Gosto quando eles duram pelo menos dois dias porque gosto de me aprofundar num tema. Em 1973, estava assistindo à televisão e vi o anúncio de um seminário de três dias sobre como comprar imóveis sem precisar de dar entrada. Gastei US$385 e o curso me permitiu ganhar pelo menos US$2 milhões, talvez mais. Porém, mais importante, me comprou vida. Não preciso de trabalhar pelo resto da vida por causa daquele curso. Faço pelo menos dois desses seminários por ano.

Adoro fitas de áudio. A razão: posso voltar para trás rápido. Estava ouvindo uma fita de Peter Lynch e ele disse algo do qual discordei completamente. Em vez de me mostrar arrogante e crítico, simplesmente apertei o botão de "retrocesso" e ouvi aquele trecho da fita umas vinte vezes. Talvez até mais. De repente, mantendo minha mente aberta, entendi por que ele estava falando aquilo. Foi como uma mágica. Senti como se tivesse uma janela para a mente de um dos maiores investidores do nosso tempo. Ganhei uma tremenda profundidade e percepção dos vastos recursos de seu conhecimento e de sua experiência.

Resultado líquido: ainda tenho minha velha maneira de pensar e tenho a forma do Peter de ver o mesmo problema ou situação. Tenho dois pensamentos em vez de um. Mais de uma forma de analisar um problema ou tendência, e isso não tem preço. Hoje me pergunto muitas vezes: "Como Peter Lynch faria isso, ou Donald Trump, ou Warren Buffett ou George Soros?" A única maneira pela qual posso acessar seu vasto poder mental é sendo suficientemente humilde para ler ou ouvir o que eles têm a dizer. Pessoas arrogantes e críticas são muitas vezes pessoas com baixa auto-estima que têm medo de assumir riscos. Veja, se você aprende algo novo, terá que errar a fim de entender totalmente o que aprendeu.

Se você leu até aqui, a arrogância não é um de seus problemas. Pessoas arrogantes raramente lêem ou compram fitas. Por que elas o fariam? Elas são o centro do universo.

Há pessoas "inteligentes" que discutem ou se defendem quando uma idéia nova se choca com o que pensam. Neste caso, sua assim chamada "inteligência" combinada com a "arrogância" se torna "ignorância". Cada um de nós conhece alguém muito instruído, ou que se acredita esperto, mas cujo balanço mostra outra coisa. Uma pessoa verdadeiramente inteligente saúda as novas idéias, porque novas idéias podem aumentar a sinergia de outras idéias acumuladas. Ouvir é mais importante do que falar. Se isso não fosse verdade, Deus não teria nos dado dois ouvidos e apenas uma boca. Gente demais pensa com a boca, em vez de ouvir para assimilar novas idéias e possibilidades. Discute-se em lugar de se perguntar.

Penso em minha riqueza a longo prazo. Não sou partidário da mentalidade do "fique rico depressa" de muitos compradores de bilhetes de loteria ou freqüentadores de cassinos. Posso comprar e vender ações, mas sempre compro instrução. Se você quer pilotar um avião, aconselho a tomar aulas antes. Sempre fico chocado com gente que compra ações ou imóveis mas nunca investe em seu maior ativo: sua mente. O fato de ter comprado um ou dois imóveis não o torna um especialista em imóveis.

3. ESCOLHA OS AMIGOS COM CUIDADO. O poder da associação. Em primeiro lugar, não escolho meus amigos levando em conta suas demonstrações financeiras. Tenho amigos que fizeram, de fato, voto de pobreza, bem como amigos que ganham milhões todo ano. O importante é que aprendo com todos eles e faço um esforço consciente para isso.

Admito que há pessoas que procurei porque têm dinheiro. Mas eu não estava atrás de seu dinheiro, queria seu conhecimento. Em alguns casos, essas pessoas de vastas posses se tornaram amigos queridos, mas nem todos.

Há uma diferença que gostaria de destacar. Observei que meus amigos ricos falam de dinheiro. E não estou querendo dizer que se gabem. Eles se interessam pelo assunto. Já os amigos que sei estarem em dificuldades financeiras não gostam de falar de dinheiro, negócios ou investimentos. Muitas vezes pensam que isso não é educado ou que é antiintelectual. Ou seja, também aprendo com os amigos que têm dificuldades financeiras: descubro o que não fazer.

Tenho vários amigos que obtiveram mais de um bilhão de dólares durante suas breves vidas. Três deles observam o mesmo fenómeno: seus amigos que não têm dinheiro nunca lhes perguntaram como eles o conseguiram. Mas eles pedem duas coisas: dinheiro emprestado e/ou um emprego.

ADVERTÊNCIA; Não ouça as pessoas pobres ou apavoradas. Tenho amigos assim, e gosto muito deles, mas são "galinhas pessimistas" na vida. Quando se trata de dinheiro, especialmente investimentos, "O céu está sempre caindo". Eles sempre sabem por que as coisas não funcionam. O problema é que as pessoas as ouvem mas aquelas que aceitam cegamente essas informações pessimistas são também "galinhas pessimistas". E, como diz o velho ditado, "Galinhas da mesma plumagem concordam entre si".

Se você assiste à CNBC, uma mina de ouro de informações sobre investimentos, sabe que eles apresentam freqüentemente uma mesa-redonda dos chamados "especialistas". Um deles diz que o mercado está a ponto de desabar e outro afirma que está em ascensão. Se você for esperto ouvirá os dois. Mantenha sua mente aberta porque ambos têm razões válidas. Infelizmente, a maioria das pessoas ouve apenas as "galinhas pessimistas". Alguns amigos próximos procuraram me fazer desistir de algum negócio ou investimento. Alguns anos atrás, um amigo me contou que estava empolgado porque descobrira um certificado de depósito que rendia 6% ao ano. Contei então que estava ganhando 16% com títulos do governo estadual. No dia seguinte ele me enviou um artigo que mostrava por que minha aplicação era perigosa. Há anos estou obtendo os 16% e ele continua com os 6%.

Diria que o mais difícil quanto à formação de uma fortuna é ser fiel a si mesmo e estar disposto a não acompanhar a multidão. No mercado é muito comum que seja a manada a chegar tarde e ser abatida. Se um grande negócio está nas manchetes, na maioria dos casos é tarde demais. Procure um negócio novo. Como dizem os surfistas: "Sempre há outra onda." As pessoas que correm e pegam a onda tarde são em geral as que se dão mal.

Investidores espertos não se afobam. Se perdem uma onda, esperam pela próxima e se preparam. Isto é difícil para a maioria dos investidores porque comprar o que não é popular lhes parece apavorante. Os investidores tímidos gostam de acompanhar a multidão. Sua ganância os leva para as aplicações somente quando os investidores sábios já auferiram seus lucros e se retiraram. Investidores sábios aplicam quando o negócio ainda não é popular. Eles sabem que seus ganhos são gerados quando compram e não quando vendem. Esperam pacientemente. Como já disse, eles não se afobam. Como um surfista, eles se preparam para a próxima onda.

Tudo é insider trading* Há formas de insider trading que são ilegais e outras que são legais. Mas de qualquer forma é insider trading. A única distinção é quanto você está distante do "por dentro"? A razão pela qual você quer ter amigos ricos que estão por dentro é porque o dinheiro é ganho aí. E informação fabricada. Você quer saber quando haverá a próxima subida, entrar e sair antes da queda seguinte. Não estou dizendo para fazer nada ilegal, mas quanto mais cedo você souber, maiores são as chances de lucro com risco mínimo. Para isso existem os amigos. E isso é inteligência financeira.

4. DOMINE UMA FÓRMULA E ENTÃO APRENDA OUTRA. O poder do aprendizado rápido. Para fazer o pão, todo padeiro segue uma receita, mesmo que esta só exista em sua cabeça. O mesmo se pode dizer quanto a ganhar dinheiro. Por isso, na gíria, o dinheiro é muitas vezes chamado de "massa".

Muitos de nós já ouvimos a expressão "Você é o que você come". Eu tenho uma variação "Você se torna o que você estuda". Em outras palavras, seja cuidadoso com o que você estuda e aprende, porque sua mente é tão poderosa que você se torna aquilo que você põe em sua cabeça. Por exemplo, se você estuda culinária, você tende a ser cozinheiro. Se você não quer continuar sendo cozinheiro, precisará estudar outra coisa. Digamos, um professor. Depois de estudar para o magistério, você muitas vezes se torna professor. E assim por diante. Escolha cuidadosamente o que você estuda.

Quando se trata de dinheiro, as massas têm uma fórmula básica aprendida na escola. E essa é: trabalhe pelo dinheiro. A fórmula que vejo predominar no mundo é que todos os dias milhões de pessoas acordam e vão trabalhar, ganham dinheiro, pagam contas, conferem seus talões de cheque, compram alguns fundos mútuos e voltam ao trabalho. Essa é a fórmula, ou receita, básica.

Se você está cansado do que está fazendo ou se não ganha o suficiente, é simplesmente o momento de mudar a fórmula com a qual você ganha dinheiro.

"Expressão (JC difícil tradução c geralmente usada, em inglês, pelo mercado. Refere-se a negócios entre pessoas "que estão por dentro" (administradores ou membros do conselho de sociedades anônimas de capital aberto que compram e/ou vendem ações da própria empresa) em geral com conhecimentos do que ocorre nas empresas mas não vem a público. (N. T.)

Quando eu tinha 26 anos, fiz um curso de fim de semana chamado "Como Comprar Imóveis Executados Judicialmente". Aprendi a fórmula. O passo seguinte foi ter a disciplina para pôr em ação o que eu tinha aprendido. E aí que a maioria das pessoas pára. Durante três anos, enquanto eu trabalhava na Xerox, passava minhas horas de folga aprendendo a arte de comprar imóveis executados. Ganhei vários milhões de dólares usando essa fórmula, mas hoje isso é muito lento e há muita gente que faz o mesmo.

Então, depois de ter dominado a fórmula, passei a procurar outras fórmulas. Em muitos dos casos não usei de forma direta a informação que obtive, mas sempre aprendi algo novo.

Já fiz cursos destinados a corretores especializados em derivativos, um curso de negociação de opções de commodities e um curso sobre a Ciência do Caos. Neste, estava fora de meu ambiente, em uma sala cheia de gente com doutorado em física nuclear e ciência espacial. Contudo, aprendi uma porção de coisas que tornaram meus investimentos em imóveis e ações mais significativos e lucrativos.

Muitas instituições comunitárias de ensino superior têm cursos de planejamento financeiro e aquisição de investimentos tradicionais. São lugares ótimos para se começar.

Sempre procuro a fórmula mais rápida. É por isso que, com bastante regularidade, faço mais em um dia do que muitas pessoas fazem em toda sua vida.

Outra observação secundária. No mundo em rápida mudança de nossos dias, a questão não é tanto o que você sabe, porque com freqüência o que você sabe já está ultrapassado. É a rapidez com que você aprende.

Esta habilidade não tem preço. Não tem preço para encontrar fórmulas - receitas, se preferir - mais rápidas de fazer dinheiro. Trabalhar arduamente pelo dinheiro é uma fórmula velha nascida nos dias do homem das cavernas.

5. PAGUE A SI MESMO PRIMEIRO. O poder da autodisciplina. Se você não pode se controlar, não tente ficar rico. Talvez fosse bom entrar para a Marinha ou alguma ordem religiosa para aprender a se controlar. É a falta de autodisciplina que leva à falência muitos ganhadores de loteria pouco depois de eles terem ganhado milhões. E a falta de autodisciplina que leva pessoas que acabaram de obter um aumento a comprar um carro novo ou fazer um cruzeiro.

E difícil dizer qual dos dez passos é o mais importante. Mas de todos este é possivelmente o mais difícil de dominar, se já não for parte de sua personalidade. Eu arriscaria dizer que é a falta de autodisciplina que se constitui no fator número um a separar ricos, pobres e classe média.

Dito de forma simples, pessoas que têm baixa auto-estima e reduzida tolerância à pressão financeira não poderão nunca, e quero dizer isso mesmo, nunca, ser ricas. Como já disse, uma lição aprendida com pai rico foi que o "mundo vai bater em você". O mundo bate nas pessoas não porque as outras pessoas sejam ruins mas porque os indivíduos não têm controle interno e disciplina. Quem não tem força interior muitas vezes se torna vítima daqueles que têm autodisciplina.

Nos cursos para empreendedores onde leciono, lembro constantemente aos participantes que não devem focar seu produto, serviço ou atividade, mas o desenvolvimento de habilidades de gestão. As três habilidades de gestão mais importantes para se iniciar um negocio próprio são:

1. Gestão do fluxo de caixa.

2. Gestão de pessoal.

3. Gestão pessoal do tempo.

Diria que essas habilidades de gestão se aplicam a qualquer coisa, não apenas a empreendedores. As três têm importância para a forma como você vive sua vida como indivíduo, ou como parte de uma família, um negócio, uma organização de caridade, uma cidade ou uma nação;

Cada uma dessas habilidades é realçada pelo domínio da autodisciplina. Levo a sério o dito "pague-se a si próprio em primeiro lugar".

The richest man in Babylon,* de George Classen, é onde encontrei a expressão "pague-se a si próprio em primeiro lugar". O livro vendeu milhões de exemplares, mas embora milhões de pessoas repitam livremente essa afirmação poderosa, poucas seguem o conselho. Como disse, a alfabetização financeira nos permite ler os números e estes contam a história. Vendo a demonstração de renda e o balanço de uma pessoa, posso ver facilmente se a pessoa que diz "pague-se a si próprio em primeiro lugar" está praticando o que prega.

Uma imagem vale mil palavras. Comparemos então as demonstrações financeiras de pessoas que pagam a si mesmas em primeiro lugar e as que não o fazem.

*O homem mais rico da Babilónia. O livro ensina a investir por meio da história de um rei da Babilônia que manda o homem mais rico do reino ensinar aos pobres o que fazer. Segundo a historia, isso levou o reino a um período de fartura. (N. T.)

Pessoas que se pagam em primeiro lugar:

 

Estude os diagramas e observe se você pode notar algumas diferenças. Repito, tem a ver com o entendimento do fluxo de caixa, que conta a história. Se você pode realmente começar a compreender o poder do fluxo de caixa, perceberá rapidamente o que há de errado com o diagrama seguinte. Ou seja, por que 90% das pessoas trabalham arduamente durante toda a vida e precisam de apoio do governo, a Seguridade Social, quando não podem mais trabalhar.

Está vendo? O diagrama anterior reflete as ações de uma pessoa que opta por pagar a si mesmo em primeiro lugar. Todo mês ela destina dinheiro para sua coluna de ativos antes de pagar as despesas mensais. Embora milhões de pessoas tenham lido o livro de Classen e entendido a expressão "pague-se a si próprio em primeiro lugar", na verdade elas o fazem em último lugar.

Agora posso ouvir as reclamações daqueles que acreditam sinceramente em pagar as contas primeiro. E posso ouvir todas as pessoas "responsáveis" que pagam suas contas em dia. Não estou falando para ser irresponsável e deixar de pagar as contas. Digo apenas o que está no livro e isso é: "pague a si mesmo em primeiro lugar". O diagrama anterior é a imagem contábil correta dessa ação e não a que se segue.

Alguém que paga todos os demais primeiro

Freqüentemente não lhe sobra nada:

 

Minha mulher e eu temos tido muitos guarda-livros, contadores e gerentes de banco que têm problemas com esta forma de considerar o "pague a si mesmo em primeiro lugar". A razão é que estes profissionais fazem de fato o mesmo que as massas, que é se pagar em último lugar. Eles pagam a todos os demais primeiro.

Em certos meses, quando por qualquer razão o fluxo de caixa é bem menor do que minhas contas, eu pago a mim mesmo em primeiro lugar.

Meu contador gritou em pânico: "Eles vão pegar o senhor. A receita vai colocar o senhor na cadeia. O senhor vai acabar com sua capacidade de tomar crédito. Vão cortar a eletricidade." Ainda assim, pago a mim mesmo em primeiro lugar.

"Por quê?", perguntará o leitor. Porque esse é todo o sentido da história de The richest man in Babylon. O poder da autodisciplina e o poder da força interior. "Garra" num linguajar mais popular. E como pai rico me ensinou no primeiro mês em que trabalhei para ele, a maioria das pessoas permite que o mundo bata nelas. O cobrador liga e diz "paga ou então". Aí você deixa de pagar a si próprio. Um vendedor diz "ponha no cartão". Seu corretor imobiliário diz para você ir em frente porque "o governo permite dedução no imposto de renda da hipoteca de sua casa". E disso tudo que o livro trata. Ter a garra para ir contra a maré e enriquecer. Você pode não ser fraco, mas quando se trata de dinheiro muitos balançam.

Não estou falando para ser irresponsável. Não dou muito valor aos cartões de crédito e às facilidades de empréstimo porque quero pagar a mim primeiro. A razão pela qual minimizo minha renda é porque não quero entregá-la ao governo. E por isso, como sabem os que assistiram a meu vídeo, The secrets of the rich, que minha renda se origina em minha coluna de ativos por meio de uma sociedade anônima em Nevada. Se eu trabalhar pelo dinheiro, o governo o pega.

Embora pague minhas contas por último, tenho suficiente astúcia financeira para não me colocar numa situação enrolada. Não gosto de dívidas de consumo. Na verdade tenho passivos que são mais altos do que os de 99% da população, mas não pago por eles, outros o fazem. Eles são chamados locatários. O principal, então, para se pagar a si próprio em primeiro lugar é começar por não se endividar. Apesar de pagar minhas contas por último, me organizo para ter apenas pequenas contas sem importância, que terei que pagar.

Quando eventualmente estou num aperto, ainda assim pago primeiro a mim mesmo. Deixo que os credores e até o governo gritem. Gosto quando eles ficam zangados. Por quê? Porque eles me fazem um favor. Eles me inspiram a sair e criar mais dinheiro. Continuo pagando a mim mesmo primeiro, invisto o dinheiro e deixo os credores gritarem. Em geral acabo, de qualquer forma, pagando logo. Minha mulher e eu temos excelente crédito. Só que não cedemos à pressão e não gastamos nossa poupança ou liquidamos ações para pagar dívidas de consumo. Isso não é muito inteligente do ponto de vista financeiro.

Portanto, a resposta é:

1. Não se endivide demais. Mantenha suas despesas reduzidas. Forme seus ativos primeiro. Então compre uma casa maior ou um carro grande. Ficar preso na Corrida dos Ratos não é inteligente.

2. Quando apertado de dinheiro, não se afobe e não gaste suas poupanças ou investimentos. Use a pressão para inspirar seu gênio financeiro a descobrir novas formas de ganhar mais dinheiro e então pague as contas. Você terá aumentado sua habilidade de ganhar mais dinheiro bem como sua inteligência financeira.

Assim, muitas vezes tive problemas financeiros e usei meu cérebro para criar mais renda, enquanto defendia firmemente meus ativos. Meu contador gritava e procurava cobertura, mas eu parecia um bom soldado de cavalaria defendendo o forte, o Forte Ativos.

Pessoas pobres têm hábitos pobres. Um mau hábito comum é chamado inocentemente de "meter a mão na poupança". Os ricos sabem que as poupanças só são usadas para criar mais dinheiro, não para pagar contas. Sei que isso parece cruel mas, como já disse, se não for internamente resistente, o mundo vai sempre bater em você.

Se é do tipo que não gosta de pressão financeira, então descubra uma fórmula que funcione para você. Uma boa fórmula é cortar despesas, pôr o dinheiro no banco e pagar mais do que o necessário em imposto de renda, aplicar em fundos mútuos seguros e esperar sempre resultados médios. Mas isto viola a regra do "pague a si mesmo em primeiro lugar".

Este princípio não estimula o auto-sacrifício ou a abstinência financeira. Não significa pagar a você mesmo primeiro e passar fome. A vida foi feita para ser desfrutada. Se você conjura seu gênio financeiro, pode ter todas as coisas boas da vida, enriquecer e pagar contas, sem se sacrificar. E isso é inteligência financeira.

6. PAGUE BEM A SEUS CORRETORES. O poder do bom conselho. Muitas vezes vejo pessoas colocando um cartaz na frente de casa:

"Proprietário vende." Ou vejo na televisão muita gente se anunciando como "Corretor de Desconto".*

Pai rico me ensinou a fazer exatamente o contrário. Ele acreditava que os profissionais deviam ser bem pagos e eu adotei a mesma política. Hoje, tenho a meu serviço advogados, contadores, corretores de imóveis e de ações caros. Por quê? Porque se, e destaco o se, as pessoas são profissionais, seus serviços devem render dinheiro para você. E quanto mais dinheiro ganharem, mais eu ganho.

Vivemos na Era da Informação. A informação não tem preço. Um bom corretor deve lhe oferecer informação e dedicar tempo a instruir você. Tenho vários corretores dispostos a fazer isso por mim. Alguns me ensinaram quando eu tinha pouco ou nenhum dinheiro e até hoje trabalho com eles.

O que pago a um corretor é pouco em comparação com o dinheiro que posso ganhar em conseqüência das informações que eles me trazem. Adoro quando meu corretor de imóveis ou o de ações ganham muito dinheiro. Em geral isso significa que ganhei muito dinheiro também.

Um bom corretor, além de ganhar dinheiro para mim, me poupa tempo - como quando comprei um lote vazio por US$9 mil e o vendi logo a seguir por US$25 mil, de modo que pude comprar mais depressa meu Porsche.

* Corretores que cobram comissões inferiores e prestam também menos serviços do que os corretores tradicionais. K muito comum amarem por meio de home pages na Internet. (N. T.)

Um corretor é seus olhos e ouvidos no mercado. Eles estão lá todos os dias enquanto eu não preciso estar. Prefiro jogar golfe.

Também as pessoas que vendem suas casas por conta própria não dão muito valor ao seu tempo. Por que eu iria querer deixar de gastar alguns dólares quando posso empregar esse tempo para ganhar mais dinheiro ou para estar com aqueles que amo? O que acho engraçado é como tantas pessoas pobres e da classe média insistem em dar gorjetas de 15% a 20% nos restaurantes por um mau serviço e reclamam de pagar a um corretor algo entre 3% e 7%. Elas gostam de dar gorjeta a pessoas que figuram na coluna da despesa e maltratam as que estão na coluna dos ativos. Isso não é inteligente do ponto de vista financeiro.

Nem todos os corretores são iguais. Infelizmente, em sua maioria, são apenas vendedores. E diria que os vendedores de imóveis são os piores. Eles vendem, mas têm poucos ou nenhum imóvel próprio. Há grande diferença entre um corretor que vende casas e um corretor que vende investimentos. E o mesmo se aplica a corretores de ações, títulos, fundos mútuos e seguros que se autodenominam de consultores financeiros. Como no conto de fadas, você tem que beijar um monte de sapos para achar um príncipe. Lembre o velho adágio: "Nunca chame um vendedor de enciclopédias se você precisa de uma enciclopédia."

Quando entrevisto algum profissional pago, procuro primeiro descobrir quantos imóveis ou ações possuem pessoalmente e qual a alíquota de imposto que pagam. E isso se aplica a meus advogados tributaristas bem como a meu contador. Uma de minhas contadoras tem seu próprio negócio. Sua profissão é a contabilidade, mas seu negócio são os imóveis. Eu tinha um contador que tinha uma pequena empresa de contabilidade, mas não tinha qualquer imóvel. Mudei porque nós não gostávamos do mesmo

negócio.

Descubra um corretor que leve a sério seus interesses. Muitos corretores dedicarão seu tempo a instruí-lo e eles podem ser o melhor ativo que você pode encontrar. Seja apenas justo e a maioria deles será justa com você. Se você só se preocupar em cortar suas comissões, então por que eles quererão estar com você? E uma lógica simples.

Como disse anteriormente, uma das habilidades gerenciais é a administração de pessoas. Muitas pessoas só conseguem gerenciar pessoas que consideram inferiores a si próprias e sobre quem podem ter um poder, como subordinados em uma relação de trabalho. Muitos gerentes médios continuam nessa posição e não são promovidos porque sabem como trabalhar com pessoas que estão abaixo deles mas não com pessoas que estão acima. A verdadeira habilidade é administrar e pagar bem pessoas que são mais inteligentes do que você em alguma área técnica. E por isso que as grandes empresas têm conselhos administrativos. Você também precisa de um. E isso é inteligência financeira.

7. SEJA UM "DOADOR ÍNDIO". Este é o poder de obter alguma coisa a troco de nada. Quando os primeiros colonizadores brancos chegaram aos EUA, eles ficaram espantados com prática cultural de alguns índios americanos. Por exemplo, se um colono estava com frio, o índio lhe dava um cobertor. Achando que fosse um presente, o colono freqüentemente ficava ofendido quando o índio o pedia de volta.

Os índios também ficavam perturbados quando constatavam que os colonos não queriam devolver o cobertor. É daí que se origina a expressão "doador índio". Um simples desentendimento cultural.

No mundo da "coluna de ativos" é vital para a riqueza ser um doador índio. A primeira pergunta do investidor sofisticado é: "Com que rapidez posso ter meu dinheiro de volta?" Ele também quer saber o que poderá obter de graça, ou o que se chama uma participação nos lucros. E por isso que o retorno sobre o investimento é tão importante.

Por exemplo, descobri um pequeno imóvel, a alguns quarteirões de onde moro, que estava sendo executado judicialmente. O banco estava pedindo US$60 mil e eu apresentei uma oferta de US$50 mil, que foi aceita, simplesmente porque estava acompanhada de um cheque à vista no valor de US$50 mil. Verificaram que eu era sério. Muitos investidores perguntarão se eu não estava imobilizando muito dinheiro de uma vez. Não seria melhor hipotecá-lo? A resposta neste caso é não. Minha empresa de investimentos o aluga por temporada nos meses de inverno e obtém US$2.500 ao mês durante quatro meses, quando os "pássaros-da-neve" procuram o Arizona. Fora da temporada de férias, seu aluguel é de apenas US$1 mil mensais. Em cerca de três anos consegui meu dinheiro de volta. Agora sou proprietário desse ativo, que gera dinheiro para mim todos os meses.

O mesmo se aplica às ações. Freqüentemente, meu corretor liga e sugere que eu aplique uma considerável quantia em ações de alguma empresa que, segundo ele, está a ponto de fazer alguma coisa que aumentará o valor delas, como lançar um produto novo. Então, durante uma semana ou um mês, aplico meu dinheiro nessas ações, enquanto seus preços sobem. Depois, tiro aquela soma inicial e paro de me preocupar com as flutuações do mercado, porque tenho de volta meu dinheiro inicial e agora sou dono de um ativo que, tecnicamente, me saiu de graça.

Sem dúvida, em muitas ocasiões perdi dinheiro. Mas somente jogo com dinheiro que posso perder. Diria que na média de dez investimentos faço uns dois ou três gols de placa, cinco ou seis não são lá essas coisas e perco em dois ou três. Mas limito minhas perdas ao dinheiro que apliquei neles naquele momento.

As pessoas que odeiam o risco põem seu dinheiro no banco. E, no longo prazo, qualquer poupança é melhor do que nenhuma poupança. Mas leva muito tempo para você recuperar seu dinheiro e, em muitos casos, você não leva nada de graça. Eles costumavam dar torradeiras,* mas atualmente isso está ficando mais raro.

Em todos os meus investimentos precisa haver algo mais, algo de graça. Um imóvel, um lote de terreno, uma casa, ações, escritórios. E o risco deve ser limitado ou deve ser uma idéia de baixo risco. Há livros inteiros que tratam deste assunto de modo que não me estenderei aqui. Ray Kroc, da McDonald's, vendia franquias de hambúrgueres não porque gostasse do sanduíche, mas porque queria os terrenos das franquias de graça.

Investidores sábios devem dar mais atenção ao retorno sobre o investimento: são os ativos que você obtém de graça depois que você recebe seu dinheiro de volta. Isso é inteligência financeira.

8. ATIVOS COMPRAM SUPÉRFLUOS. O poder do foco. O filho de um amigo estava desenvolvendo um hábito desagradável de gastar demais. Aos dezesseis anos naturalmente desejava ter seu carro. A desculpa: os pais de todos os seus amigos tinham comprado um carro para o filho. O garoto queria pegar suas poupanças e dar a entrada para o carro. Foi aí que o pai me procurou.

- Você acha que devo fazer o que ele quer ou deveria fazer como os outros pais e dar um carro para ele? Minha resposta: - A curto prazo pode ser bom, mas o que você lhe terá ensinado a longo prazo? Você não pode usar seu desejo de ter um carro e incentivar seu filho a aprender alguma coisa?

De repente se acendeu uma luz e ele foi correndo para casa. Dois meses depois voltei a encontrar meu amigo.

- Seu filho já está com o carro? - perguntei.

- Não. Mas lhe dei US$3 mil para comprar o carro. Falei para ele usar meu dinheiro em lugar do seu dinheiro, reservado para a universidade.

- Você foi bastante generoso - respondi.

*Referência a uma prática adotada por alguns bancos americanos de distribuir eletrodomésticos a quem abrisse contas novas. (N. T.)

- Nem tanto. O dinheiro veio acompanhado de uma condição. Segui sua orientação para usar seu desejo por um carro como incentivo para que aprendesse alguma coisa.

- E qual foi a condição? - perguntei.

- Bom, primeiro voltamos a jogar seu CASHFLOW. Jogamos e tivemos uma longa discussão sobre o uso sábio do dinheiro. Fiz para ele uma assinatura do Wall Street Journal e comprei alguns livros sobre mercado de ações.

- E daí? - indaguei. - O que fez?

- Falei que os US$3 mil eram dele, mas que ele não poderia comprar o carro direto. Ele deveria usar o dinheiro para comprar e vender ações, achar seu próprio corretor, e quando tivesse ganho US$6 mil, metade ele poderia usar para comprar o carro e o resto devia colocar na poupança para pagar a faculdade.

- E o resultado? - continuei.

- Bem, teve sorte nos primeiros negócios, mas daí a pouco perdeu tudo. Então começou a ficar interessado de verdade. Hoje, ainda lhe faltam uns US$2 mil e está mais interessado ainda. Leu todos os livros que dei e pegou outros na biblioteca. Lê avidamente o Wall Street Journal, acompanhando os indicadores, e assiste à CNBC em vez da MTV e está aprendendo muito. Ele sabe que se perder dinheiro vai ter que andar a pé mais uns dois anos. Mas não está muito preocupado. Já nem liga tanto para o carro porque encontrou algo mais divertido para fazer.

- E se ele perder todo o dinheiro? - perguntei.

- Aí vamos ver. Prefiro que ele perca tudo agora do que ter que esperar chegar à nossa idade para se arriscar a perder tudo. E, além do mais, esses são os melhores US$3 mil que gastei com sua educação. O que está aprendendo vai lhe servir toda a vida e ele parece ter adquirido mais respeito pelo poder do dinheiro. Acho que parou de torrá-lo.

Como já falei na seção "Pague a si mesmo em primeiro lugar" se uma pessoa não domina o poder da autodisciplina, é melhor nem tentar ficar rico. Embora o processo de gerar fluxo de caixa a partir da coluna de ativos seja fácil, é a fortaleza mental de direcionar o dinheiro que é difícil. Devido às tentações externas é mais cômodo neste mundo de consumismo torrar o dinheiro na coluna das despesas. A falta de fortaleza mental leva a permitir que o dinheiro flua pêlos caminhos de menor resistência.

Darei um exemplo numérico de inteligência financeira, especificamente a capacidade de usar dinheiro para ganhar mais dinheiro.

Se eu der a 100 pessoas US$10 mil no início do ano, acho que ao fim do ano: - 80 não terão mais nada. De fato, elas terão aumentado seu endividamento usando o dinheiro para dar entrada na compra de carro novo, geladeira, televisor, gravador de vídeo ou em viagem de férias.

16 terão aumentado esses US$10 mil em torno de 5% e 10%.

4 terão aumentado a soma para US$20 mil ou para alguns milhões.

Estudamos para aprender uma profissão de modo a poder trabalhar pelo dinheiro. Na minha opinião é também importante aprender a fazer o dinheiro trabalhar para nós.

Gosto de meus supérfluos tanto quanto qualquer outro ser humano. A diferença é que algumas pessoas compram seus supérfluos em prestações. É a armadilha de querer imitar o vizinho. Quando eu quis comprar um Porsche, o caminho mais fácil era procurar o gerente do banco e conseguir um financiamento. Em lugar de me preocupar com a coluna do passivo, decidi me concentrar na coluna dos ativos.

Como de hábito, empreguei meu desejo de consumir para me inspirar e motivar meu gênio financeiro a investir.

Constantemente nos preocupamos em obter as coisas que desejamos em vez de nos concentrarmos em criar dinheiro. E mais fácil no curto prazo, porém mais duro no longo prazo. E um mau hábito em que incorremos como indivíduos e como nação. Lembre, o caminho mais fácil muitas vezes se transforma no mais áspero e o caminho árduo muitas vezes se torna suave. Quanto mais cedo você se disciplinar e àqueles que ama para dominar o dinheiro, tanto melhor. O dinheiro é uma força poderosa. Infelizmente, as pessoas usam esse poder contra elas mesmas. Se sua inteligência financeira for pouca, o dinheiro escorrerá de suas mãos, será mais esperto que você. Se o dinheiro for mais esperto, você trabalhará toda sua vida.

Para ser o senhor do dinheiro, você precisa ser mais esperto do que ele. Então o dinheiro fará o que você mandar. Ele lhe obedecerá. Em vez de ser escravo, você será o senhor. Isso é inteligência financeira.

9. A NECESSIDADE DE HERÓIS. O poder do mito. Quando eu era garoto, admirava profundamente Willie Mays, Hank Aaron, Yogi Berra. Eles eram meus heróis. Quando garoto, jogando no beisebol infantil, queria ser como eles. Seus cartões de beisebol eram meu tesouro. Queria saber tudo a respeito deles. Conhecia suas estatísticas, suas jogadas, quanto ganhavam e como tinham ascendido aos times profissionais. Queria saber tudo porque queria ser como eles.

Quando, aos nove, dez anos de idade, pulava para arremessar ou apanhar a bola, não era eu: era Yogi ou Hank. É uma das formas mais poderosas de aprender que freqüentemente esquecemos ao chegar à idade adulta. Perdemos nossos heróis. Perdemos nossa ingenuidade.

Hoje, observo os garotos jogando beisebol perto de casa. Na quadra não é o Joãozinho, é Michael Jordan, Sir Charles ou Clyde. Copiar ou emular heróis é um aprendizado poderoso. E é por isso que quando alguém como O. J. Simpson cai em desgraça, há um clamor tão grande.

É mais do que um simples julgamento. E a perda de um herói. Alguém com quem se cresceu que se observou e se quis imitar. De repente precisamos nos livrar dessa pessoa.

Quando cresci encontrei novos heróis. Tenho heróis como Peter Jacobsen, Fred Couples e Tiger Woods. Imito suas jogadas no golfe e faço o possível para ler tudo a respeito deles. Também tenho heróis como Donald Trump, Warren Buffett, Peter Lynch, George Soros e Jim Rogers. Em minha maturidade acompanho suas estatísticas como o fazia com meus heróis do beisebol. Acompanho os investimentos de Warren Buffett e leio tudo sobre suas opiniões a respeito do mercado. Leio o livro de Peter Lynch para entender como ele escolhe suas ações. E leio sobre Donald Trump tentando descobrir como negocia e monta operações.

Da mesma maneira que não era eu no campo de beisebol, quando estou no mercado ou fechando um negócio, estou agindo subconscientemente com a ousadia de Trump. Ou ao analisar uma tendência, procuro pensar em como Peter Lynch o faria. Tendo heróis, me aproprio de uma fonte imensa de gênio em estado puro.

Mas heróis fazem mais do que simplesmente inspirá-lo. Heróis fazem com que as situações pareçam fáceis. Ao fazer parecerem fáceis nos convencem a querer ser como eles. "Se eles conseguiram, eu também posso."

Quando se trata de investimentos, há gente demais para complicar. Procure heróis que façam as situações parecerem fáceis.

10. ENSINA E RECEBERÁS. O poder da doação. Ambos os meus pais eram mestres. Pai rico me ensinou uma lição que me acompanha toda a vida, e essa foi a necessidade de ser caridoso ou de doar. Meu pai instruído doava muito na forma de tempo ou conhecimento, mas quase nunca doava dinheiro. Como já mencionei, ele costumava dizer que doaria quando tivesse algum dinheiro sobrando. Só que raramente sobrava algum dinheiro.

Pai rico doava tanto dinheiro quanto ensinamentos. Ele acreditava firmemente na troca. "Se você deseja algo, primeiro você precisa dar", dizia sempre. Quando tinha pouco dinheiro, ele simplesmente doava dinheiro à igreja ou a alguma instituição de caridade.

Se eu tivesse de passar apenas uma única idéia para o leitor, seria esta. Sempre que você sentir "falta" ou "escassez" de alguma coisa, doe, antes, o que você quer e isso retornará para você aos montes. Isso é verdadeiro para dinheiro, sorrisos, amor, amizade. Sei que muitas vezes isso é a última coisa que se deseja fazer, mas, para mim, sempre funcionou. Apenas confio em que o princípio da reciprocidade funciona e do que desejo. Se quero dinheiro, dou dinheiro e ele volta multiplicado. Se desejo vendas, ajudo alguém a vender e as vendas aparecem para mim. Se desejo contatos, ajudo alguém a obter contatos e, como num passe de mágica, os contatos vêm para mim. Há muitos anos ouvi algo assim: "Deus não precisa receber, mas os homens precisam doar."

Pai rico dizia com freqüência: "Os pobres são mais gananciosos do que os ricos." Ele então explicava que se uma pessoa era rica, essa pessoa oferecia algo que os outros desejavam. Ao longo de minha vida, em todos estes anos, sempre que senti necessidade de dinheiro ou de auxílio, procurava no fundo de meu coração o que eu queria e decidia doá-lo antes. Ao fazê-lo, o que eu doava sempre retornava para mim.

Isso me lembra a história do cara sentado com lenha nos braços numa noite gelada. E ele gritava para a lareira à sua frente: "Quando você me esquentar um pouco, eu ponho um pouco de lenha dentro de você." Quando se trata de dinheiro, amor, felicidade, vendas e contatos, tudo o que a gente precisa lembrar é doar primeiramente o que se deseja e isso retornará aos montes para nós. Muitas vezes apenas o processo de refletir sobre o que você deseja e como você o poderia doar para alguém desencadeia uma torrente de generosidade. Sempre que sinto que as pessoas não estão sorrindo para mim, simplesmente começo a sorrir e a cumprimentar e, como por milagre, de repente há mais gente sorrindo à minha volta. É verdade que seu mundo é apenas um espelho de você.

Por isso, digo: "Ensina e receberás." Descobri que quanto mais sinceramente ensino aos que estão desejosos de aprender, tanto mais aprendo. Se você quer aprender sobre dinheiro, ensine a alguém. Uma torrente de novas idéias e distinções mais sutis surgirá.

Houve momentos em que doei e nada retornou ou em que o que recebi não era o que eu desejava. Mas depois de refletir e examinar minha alma, concluí que em vez de doar por doar, eu estava doando para receber.

Meu pai ensinava professores e se tornou mestre dos mestres. Pai rico sempre ensinava aos jovens seu jeito de fazer negócios. Em retrospecto, foi a generosidade deles com o que eles sabiam que os fez melhores. Há neste mundo poderes muito mais fortes do que nós. Você pode chegar lá por si mesmo, mas chegará mais rápido com auxílio dos poderes superiores. Tudo de que precisa é ser generoso com o que você tem e os poderes superiores serão generosos com você.