Pai Rico, Pai Pobre
Atualmente, ainda ouço contestações à idéia de…
Atualmente, ainda ouço contestações à idéia de que uma casa não é um ativo. E sei que para a maioria das pessoas, ela é não só seu maior investimento como também seu sonho. E sermos donos de nossa moradia é melhor do que nada. Eu ofereço simplesmente uma maneira alternativa de encarar esse dogma popular. Se minha mulher e eu fôssemos comprar uma casa maior, mais vistosa, nós a encararíamos não como um ativo mas como um passivo, já que esta iria tirar dinheiro de nossos bolsos.
Aqui vai o argumento que desenvolvo. Na verdade, não espero que a maioria das pessoas concorde com ele, uma vez que um lar agradável é um fator emocional. E, no que se refere a dinheiro, grandes emoções tendem a reduzir a inteligência financeira.
l. Em relação a casas, destaco que em geral as pessoas passam a vida pagando por uma moradia que nunca será delas. Em outras palavras, compra-se uma casa nova a cada tantos anos, incorrendo, cada vez, em um novo empréstimo de trinta anos sobre a casa anterior.
2. Apesar de poderem deduzir os juros da hipoteca imobiliária para fins de imposto de renda, as pessoas pagam todas as demais despesas com o dinheiro que sobra depois de pago o imposto, mesmo depois que liquidam a hipoteca.
3. Impostos sobre a propriedade. Os pais de minha mulher ficaram chocados quando os impostos sobre a propriedade relativos a sua residência aumentaram para US$1.000 mensais. Isso ocorreu após sua aposentadoria, de modo que o aumento pressionou seu orçamento e eles se viram obrigados a mudar de casa.
4. O valor dos imóveis nem sempre aumenta. Em 1997, enquanto escrevo este livro, eu tenho amigos que devem um milhão de dólares por imóveis que só conseguiriam vender por US$700 mil.
5. As maiores perdas são as das oportunidades que não foram aproveitadas. Se todo o seu dinheiro está comprometido com o imóvel onde mora, você pode ser obrigado a trabalhar mais porque todo o seu dinheiro continua saindo na coluna das despesas (o padrão clássico do fluxo de caixa da classe média) em lugar de aumentar a coluna dos ativos. Se um jovem casal destinasse uma soma maior a aquisição de ativos, mais tarde teria maiores facilidades, especialmente estaria preparado para pagar os estudos superiores de seus filhos. Seus ativos teriam aumentado e estariam disponíveis para cobrir despesas. Com excessiva freqüência, um imóvel residencial só serve como meio de incorrer em empréstimos hipotecários para pagar despesas crescentes.
Em suma, o resultado final de optar por possuir um imóvel residencial caro demais, em lugar de começar a formar um portfólio de ativos mais cedo, prejudica o indivíduo de três formas:
1. Perda de tempo, porque outros ativos poderiam ter registrado aumento em seu valor.
2. Perda de capital adicional, que poderia ter sido investido em vez de se ter pago as altas despesas de manutenção relacionadas diretamente ao imóvel residencial.
3. Perdas na instrução. Com muita freqüência, os casais consideram seu imóvel residencial, as poupanças e o plano de aposentadoria como o total de sua coluna de ativos. Como não têm dinheiro pára investir, eles simplesmente não investem. Isso lhes custa a experiência do investimento. Quase nunca conseguem tornar-se o que o mundo dos investimentos denomina um "investidor sofisticado". E os melhores investimentos são em geral oferecidos aos "investidores sofisticados" que, por sua vez, vendem-nos às pessoas que buscam a segurança.
A demonstração financeira de meu pai instruído é a melhor demonstração da vida de alguém que está na Corrida dos Ratos. Suas despesas sempre acompanharam sua renda, de modo que nunca investiu em ativos. Em conseqüência, seus passivos, como a hipoteca imobiliária e as dívidas do cartão de crédito, eram maiores que seus ativos. A figura a seguir fala mais do que mil palavras.
Demonstração financeira de pai pobre:
A demonstração financeira pessoal de pai rico, por outro lado, reflete os resultados de uma vida dedicada ao investimento e à minimização do passivo.
Demonstração financeira de pai rico:
Uma revisão da demonstração financeira de meu pai rico mostra porque os ricos ficam mais ricos. A coluna dos ativos gera renda mais do que suficiente para cobrir as despesas, com o saldo reinvestido na coluna dos ativos. A coluna dos ativos continua crescendo e, portanto, a renda gerada continua crescendo com eles.
O resultado é: os ricos ficam mais ricos!
Por que os ricos ficam mais ricos:
A classe média se encontra em um estado de constantes dificuldades financeiras. Sua renda principal é gerada por salários e quando seus salários aumentam, os impostos também aumentam. Suas despesas tendem a crescer no mesmo montante de seus salários, daí a expressão "Corrida dos Ratos". Eles consideram seu imóvel residencial como seu principal ativo, em lugar de investir em ativos geradores de renda.
Por que a classe média tem dificuldades financeiras:
O padrão de se considerar o imóvel residencial como investimento e a filosofia de que um aumento de salário significa que você pode comprar uma casa maior ou gastar mais é a base do atual endividamento da sociedade. Este processo de despesa crescente faz com que as famílias se endividem mais e tenham mais incerteza financeira, mesmo quando progridem no emprego e recebem aumentos salariais regulares. Esta é uma vida muito arriscada decorrente da precária instrução financeira.
A maciça perda de empregos da década de 1990 - o downsizing das empresas - trouxe à luz a instabilidade financeira da classe média. De repente, os planos de pensão das empresas estavam sendo substituídos por planos 401k.
* (Planos de contribuição definida em que a aposentadoria resulta do montante acumulado ao longo dos anos e que são o oposto dos antigos planos de aposentadoria em que o benefício era definido. (N. T.))
A Seguridade Social está obviamente com problemas e não pode ser considerada como uma alternativa de aposentadoria. O pânico se instalou na classe média. O bom, nestes dias, é que muitas dessas pessoas reconheceram esses problemas e começaram a aplicar em fundos mútuos. Este aumento nos investimentos é responsável em boa medida pela acentuada alta do mercado de ações. Hoje, mais e mais fundos mútuos estão sendo criados em resposta à demanda da classe média.
Os fundos mútuos são populares porque representam segurança. Os aplicadores médios dos fundos de pensão estão demasiadamente ocupados trabalhando para pagar impostos e hipotecas imobiliárias, e têm dificuldade em poupar de modo a poder pôr seus filhos na faculdade e liquidar as dividas do cartão de crédito. Não têm tempo de aprender a investir, de modo que confiam na experiência do administrador do fundo mútuo. Como o fundo mútuo também inclui muitos tipos diferentes de investimento, tem-se uma sensação de segurança porque o fundo é "diversificado".
Este grupo da classe média instruída aceita o dogma da "diversificação" defendido por corretores de fundos mútuos e consultores financeiros. Procure a segurança. Evite o risco.
A verdadeira tragédia, contudo, é a falta de instrução financeira precoce, responsável pelo risco enfrentado pela pessoa comum da classe média. A razão é que precisam procurar a segurança porque sua situação financeira é, na melhor das hipóteses, precária. Seus balanços não fecham. Estão atulhados de passivos, sem verdadeiros ativos para gerar renda. Em geral, sua única fonte de renda é o contracheque. Seu modo de vida depende totalmente do empregador.
Sendo assim, quando os verdadeiros "negócios de sua vida" aparecem, essas mesmas pessoas não podem aproveitar a oportunidade. Elas devem procurar a segurança, porque estão trabalhando muito, pagando impostos máximos e assoberbadas de dívidas.
Como disse no início da seção, a regra mais importante é conhecer a diferença entre um ativo e um passivo. Uma vez que você consiga entender a diferença, concentre seus esforços na compra exclusiva de ativos geradores de renda. Essa é a melhor maneira de dar o primeiro passo para se tornar rico. Continue fazendo isso e sua coluna dos ativos crescerá. Concentre-se em reduzir passivos e despesas. Isso aumentará o dinheiro disponível para continuar aumentando a coluna dos ativos. Logo, a base de ativos será tão profunda que você poderá permitir-se olhar para investimentos mais especulativos. Investimentos que podem ter retornos que variam de 100% ao infinito. Investimentos em que US$5 mil podem se transformar rapidamente em US$1 milhão ou mais. Investimentos que a classe média considera "demasiado arriscados". O investimento não é arriscado. E a falta de simples inteligência financeira, a começar pela alfabetização financeira, que leva o indivíduo a ser "muito arriscado".
Se você fizer o que as massas fazem, você estará na seguinte situação:
Como empregado possuidor da casa própria, seus esforços no trabalho em geral resultam no seguinte:
1. Você trabalha para alguém. Os esforços e o sucesso da maioria das pessoas assalariadas ajudarão a garantir o sucesso, o enriquecimento e a aposentadoria do dono da empresa e de seus acionistas.
2. Você trabalha para o governo. O governo fica com uma parte de seu contracheque, antes mesmo que você veja o dinheiro. Ao trabalhar mais, você simplesmente aumenta o montante de impostos que o governo arrecada - a maioria das pessoas trabalha de janeiro a maio apenas para o governo.
3. Você trabalha para o banco. Depois dos impostos, sua maior despesa é, em geral, a hipoteca imobiliária e a conta do cartão de crédito.
O problema decorrente de simplesmente trabalhar mais é que cada uma dessas três parcelas leva consigo uma parte maior de seu esforço. Você precisa aprender a fazer com que seus maiores esforços beneficiem diretamente você e sua família.
Uma vez que você decidiu cuidar de seus próprios problemas, como determinar seus objetivos? E necessário, em geral, dedicar-se à sua profissão e usar os salários recebidos para financiar a aquisição de ativos.
A medida que os ativos crescem, como medir a extensão de seu sucesso: quando alguém percebe que está rico, que tem fortuna? Da mesma maneira que tenho minhas definições de ativos e passivos, também tenho minha própria definição para riqueza. Na verdade, eu a tomei emprestada de alguém chamado Buckminster Fuller. Alguns o consideram um charlatão e outros um gênio vivo. Anos atrás ele criou um auê entre os arquitetos ao solicitar a patente para algo chamado um "domo geodésico". Mas, ao fazer isso, ele também falou algo sobre a riqueza. Parecia à primeira vista muito confuso, mas depois de relê-lo algumas vezes começou a fazer sentido: a riqueza é a capacidade de uma pessoa sobreviver tantos dias a mais ... ou se eu parar de trabalhar hoje, por quanto tempo poderei sobreviver?
Ao contrário do patrimônio líquido - a diferença entre ativos e passivos, que freqüentemente está repleta com o lixo caro e as opiniões de pessoas sobre o valor das coisas - esta definição cria a possibilidade de desenvolver uma mensuração verdadeiramente acurada. Poderia assim medir e saber realmente em que pé estou em termos de meu objetivo de tornar-me financeiramente independente.
Embora o patrimônio líquido freqüentemente inclua ativos que não geram dinheiro, como objetos comprados e agora abandonados num canto da garagem, a riqueza mede quanto dinheiro seu dinheiro está gerando e, portanto, sua sobrevivência financeira.
A riqueza é a medida do fluxo de caixa gerado pela coluna dos ativos em comparação com a coluna das despesas.
Vejamos um exemplo. Digamos que o fluxo de caixa da minha coluna de ativos gere US$1 mil por mês, e que eu tenha despesas mensais de US$2 mil. Qual é a minha riqueza?
Voltemos à definição de Buckminster Fuller. Usando essa definição, quantos dias para a frente posso sobreviver? Consideremos um mês de trinta dias. Por essa definição, eu tenho um fluxo de caixa suficiente para meio mês.
Quando eu tiver alcançado um fluxo de caixa gerado por meus ativos de US$2 mil, então eu serei abastado.
Ainda não estou rico, mas sou abastado. Agora eu tenho uma renda gerada por ativos, a cada mês, que cobre totalmente minhas despesas mensais.
Se eu desejo aumentar essas despesas, preciso primeiro aumentar o fluxo de caixa gerado por meus ativos para manter esse nível de vida. Observe que nesse ponto eu não dependo mais de meu salário. Eu me concentro com sucesso em construir uma coluna de ativos que me tornou financeiramente independente. Se eu largar meu emprego hoje, eu poderei cobrir minhas despesas mensais com o fluxo de caixa gerado por meus ativos.
Meu próximo objetivo poderia ser empregar o excedente de meu fluxo de caixa no reinvestimento, em mais ativos. Quanto mais dinheiro for destinado para a coluna dos ativos, mais esta crescerá. Quanto mais meus ativos crescerem, mais aumentará meu fluxo de caixa. E enquanto eu mantiver minhas despesas menores do que o fluxo de caixa gerado por esses ativos, eu me tornarei mais rico, com mais e mais fontes de renda além de meu trabalho físico.
Enquanto este processo de re-investimento continuar, estarei no caminho do enriquecimento. A verdadeira definição de riqueza depende de quem a define, você nunca poderá ser rico demais.
Lembre desta observação simples:
Os ricos compram ativos.
Os pobres só têm despesas.
A classe média compra passivos pensando que são ativos.
E como eu cuido dos meus negócios? Qual é a resposta? Ouça o fundador do McDonald's.