Práticas dialógicas de linguagem
8 - Novos letramentos e narrativas: as vozes das mulheres do Pontal da Barra
8 - Novos letramentos e
narrativas: as vozes das
mulheres do Pontal da Barra
Alessandra Ramos dos Santos Miranda1Universidade Federal de Alagoas
Introdução
Este artigo se propõe a discutir as contribuições das narrativas de um grupo de mulheres integrantes da Associação de Mulheres Bordadeiras do Pontal da Barra para o desenvolvimento de um projeto de extensão que visa desenvolver um trabalho de leitura e escrita
voltado para o contexto de trabalho das associadas 2.
O Pontal da Barra é considerado um bairro turístico do Estado de Alagoas. É conhecido nacionalmente devido à produção e comercialização de seu típico artesanato: filé. A atividade artesanal do filé ocupa a maioria da população local e, por isso, confere ao bairro uma singularidade. As diversas associações que existem na comunidade, relacionadas à produção dessa renda, apresentam várias dificuldades de se organizar no desenvolvimento de suas atividades comerciais devido aos problemas de comunicação. Observa-se certa alienação do potencial de trabalho, dificuldades nas negociações das comissões sobre as vendas, problemas na gestão do trabalho e falta de noção de coletividade.
O projeto teve como metas a educação para a mobilização social com vistas a melhorias no trabalho e na vida social, a colaboração para a construção da identidade local da Comunidade do Pontal e a introdução de novos usos da escrita no contexto social local. Com esse propósito, foram realizadas oficinas de letramento, baseadas nos pressupostos teórico-metodológicos dos Novos Letramentos, do Grupo Nova Londres, e na Pesquisa Etnográfica visando à promoção de novos usos da escrita por parte das integrantes voltados para o contexto de trabalho da Associação.
No decorrer das atividades de letramento desenvolvidas no projeto extensionista, no primeiro semestre de 2013, dois problemas no contexto da Associação foram identificados. Em primeiro lugar,
observou-se um silenciamento das vozes 3 das integrantes durante as oficinas de letramentos voltadas para o contexto de trabalho, que pode ser considerado fruto de políticas linguísticas excludentes e preconceituosas que têm se instaurado em nossa sociedade. Em segundo lugar, constataram-se problemas de relação de poder instaurados na Associação. Havia a existência de relações discursivas assimétricas entre a líder e as associadas. A voz da líder prevalecia na maioria das situações enunciativas coletadas durante a pesquisa, silenciando a voz das outras integrantes. Além disso, a presidente acumula funções que, via de regra, são incompatíveis: a de associada e a de lojista.
Partindo do pressuposto de que o uso da linguagem permite aos sujeitos se constituírem como portadores de vozes sociais, os resultados iniciais da primeira fase do trabalho extensionista
mostraram a necessidade de realizar a presente investigação4, que pretende se ocupar do primeiro problema de pesquisa derivado do projeto extensionista, a saber: o silenciamento das vozes das integrantes da Associação durante as oficinas de letramento voltadas
para o contexto de trabalho5. O objetivo geral desta pesquisa busca resgatar a voz das bordadeiras e reconstruir a sua história local, trazendolhes a noção de identidade e de coletividade por meio da escuta de suas vozes. Como objetivos específicos, busca-se, por meio de uma abordagem etnográfica, a) ouvir e registrar as narrativas de vida das mulheres da Associação; b) reconstruir a história local e c) resgatar a identidade do bairro.
Esta pesquisa é de natureza qualitativa. A investigação das narrativas ocorrerá a partir da abordagem dialógico-discursiva de inspiração bakhtiniana combinada à abordagem etnográfica.
Para a realização da análise dialógico-discursiva, busca-se aporte nos conceitos de referenciação e refração do signo linguístico proposto por Bakhtin, os quais serão explicitados na seção teórica a seguir, que concebe a linguagem como essencialmente ideológica e sócio-histórica.
Concepção de linguagem bakhtiniana:
operações de referenciação e refração
A noção teórica de base eleita para o desenvolvimento deste trabalho é a do signo ideológico, tal como propõem Bakhtin/Voloshínov:
Um signo não existe apenas como parte de uma realidade; ele também reflete e
refrata uma outra. Ele pode distorcer essa realidade, ser-lhe fiel, ou apreendê-la
de um ponto de vista específico, etc. Todo signo está sujeito aos critérios de
avaliação ideológica (isto é: se é verdadeiro, falso, correto, justificado, bom,
etc.). O domínio do ideológico coincide com o domínio dos signos: são
mutuamente correspondentes. Ali onde o signo se encontra, encontra-se
também o ideológico (BAKHTIN e VOLOSHÍNOV, 1995 [1929], p. 36).
Segundo essa concepção, a língua – conjunto de signos plurivalentes e heterogêneos – é constituída pelas ideologias que circulam no meio social. A palavra concebida enquanto signo é considerada “o fenômeno ideológico por excelência”, já que “é o modo mais puro e sensível da relação social” (BAKHTIN e VOLOSHÍNOV, 1995 [1929], p. 36). Ela é repleta de valoração apreciativa em virtude de seu conteúdo ideológico. É por meio dela que há, por parte do sujeito, uma tomada de posição axiológica através do ato de enunciação, que é sempre uma atitude responsiva por parte do interlocutor.
Considerada como signo ideológico, a palavra passa por duas operações simultâneas no processo de referenciação da comunicação verbal: a de reflexão e a de refração. Na operação de reflexão do signo linguístico, o sujeito descreve a realidade, na de refração, ele a interpreta. Nessa operação de interpretação, os enunciados são repletos de índices de valor sociais e ideológicos que se manifestam nas relações dialógicas durante o processo de interação verbal.
A operação de refração do signo linguístico pode ser compreendida por meio da relação metafórica que podemos estabelecer com o processo de refração da luz, explicitado pela Física, de acordo com a interpretação da imagem a seguir:
FIGURA 1 – Imagem da refração da luz
Fonte: Google imagens6.
O processo da refração da luz, segundo a Física, é o fenômeno em que ela, a luz, é transmitida de um meio para outro, que lhe é diferente. Nessa mudança de meio, a frequência da onda luminosa não é alterada; ocorre mudança na sua velocidade e no seu comprimento. Com essas alterações da velocidade de propagação,
acontece um desvio da direção original7. Tal como pode ser observado na imagem anterior, a refração da luz ocorre, considerando a incidência do raio de luz sobre dois meios: no meio A (vácuo) e no meio B (1). Quando a onda incide sobre o meio A não ocorre a decomposição do raio de luz, porém, quando atravessa o meio B, o raio de luz se decompõe em vários outros.
Esse mesmo processo, metaforicamente, ocorre na refração do signo linguístico, conforme proposto por Bakhtin e pelo Círculo. No processo de reflexão (tal como ocorre no meio A, da refração da luz) não há dispersão, neste caso, semântica, do que está sendo descrito pelo sujeito no processo de referenciação verbal, mas no processo de refração (tal como o desvio das ondas que ocorre na refração da luz no meio B), há a propagação de sentidos dos fatos referenciados, por meio da interpretação que é realizada no ato de enunciação, devido à tomada de posição axiológica pelo sujeito. Dessa forma, em função da dispersão semântica que ocorre no processo de refração, é possível encontrar os posicionamentos existentes no discurso, ou seja, a(s) avaliação(ões) ideológica(s) do sujeito ali existentes.
No campo do discurso, o processo de refração apresenta uma tensão ou conflito com o que foi ou está sendo refletido no processo de referenciação verbal, já que “em todo signo ideológico confrontamse índices de valor contraditórios. O signo se torna a arena onde se desenvolve a luta de classes” (BAKHTIN e VOLOSHÍNOV, 1995 [1929], p. 46).
Essa concepção de linguagem essencialmente ideológica, segundo a qual não é possível significar sem refratar, é de fundamental importância para a realização desta investigação, já que se busca, através da análise dialógico-discursiva que será realizada nos registros gerados por esta pesquisa, resgatar as vozes das bordadeiras, ou seja, os posicionamentos valorativos existentes em seus discursos. Dessa forma, busca-se compreender o silenciamento discursivo das integrantes observado durante as oficinas de letramento voltadas para o contexto de trabalho da Associação.
Procedimentos de geração de registros
Na vasta literatura existente sobre a abordagem etnográfica de pesquisa qualitativa em Ciências Humanas, é comum encontrar o termo coleta de dados. No âmbito desta investigação, busca-se a obtenção de dados da pesquisa a partir dos “procedimentos de geração de registros”, termo utilizado por Fritzen (2012). A autora ressalta que:
Ao fazer opção pela expressão “geração de registros” em vez de coleta de
dados, sigo os pressupostos teórico-metodológicos de Mason (1996), Erickson
(1986) e Cavacanti (2001), que entendem que o pesquisador não vai a campo
para meramente colher dados, como se eles estivessem prontos, à sua espera.
Ele gera registros, uma vez que sua presença em campo não é neutra e suas
escolhas refletem sua posição epistemológica (FRITZEN, 2012, p. 59).
Dessa forma, a geração de registros pressupõe que os dados não estão à espera do pesquisador, mas são construídos discursivamente por meio de sua interação no contexto de investigação. Isso é possível porque “os procedimentos metodológicos da etnografia prevêem a inserção do pesquisador no campo, como observador participante, permanente e reflexivo, ouvindo, vendo o que acontece nesse meio” (FRITZEN, 2012, p. 59). Dessa maneira, o pesquisador poderá gerar os registros a partir de suas observações e reflexões constantes sobre o que realmente está acontecendo no contexto de investigação.
Na busca pela construção de sentidos, a pesquisa etnográfica elege a utilização de alguns instrumentos, tais como: o uso de diários, entrevistas, gravações em áudio ou em vídeos, entre outros. Nesta pesquisa, os instrumentos etnográficos utilizados nos procedimentos de geração de registro serão explicitados a seguir.
Diário do pesquisador
Durante a pesquisa, o diário do pesquisador foi utilizado para as anotações das observações realizadas durante o contato com a comunidade. Essa escolha se deu em virtude das funções que o diário possui. De acordo com Winkin (1998) apud Fritzen (2012), o diário possui 3 funções.
a. Função catártica (ou emotiva): em que o diário seria o lugar do
“corpo a corpo” do pesquisador consigo mesmo, “ante o mundo social estudado”.
b. Diário empírico: ressalta a necessidade de, num primeiro
momento, o pesquisador anotar tudo o que chamar sua atenção durante as sessões de observação.
c. Função reflexiva e analítica: o autor sugere que o pesquisador
releia regularmente seus escritos e faça anotações. Com essa prática, aos poucos o pesquisador verificará o surgimento de regularidades (patterns), isto é, “recorrências comportamentais que nos levam a falar em termos de regras”.
Essas funções tornam o diário um instrumento necessário no trabalho de campo em virtude da imprescindibilidade da consulta constante às anotações e às impressões ali contidas por parte do pesquisador, para a continuidade do processo reflexivo. No âmbito desta pesquisa, o diário se constituiu como um instrumento de grande importância, tendo em vista que foram feitas várias anotações, inclusive de conversas informais com moradores visando à compreensão e ao conhecimento mais amplo acerca da comunidade. Entrevistas semiestruturadas
A entrevista se constitui como um instrumento que contribui no processo de geração de registro na pesquisa etnográfica, tendo em vista que “gravações de áudio ou vídeo podem configurar também importante ferramenta para descortinar características ou padrões/regularidades que envolvem a ecologia do contexto local” (FRITZEN, 2012, p. 61).
Devido ao silenciamento discursivo observado durante as oficinas de letramento, surgiu a necessidade de ouvir as associadas. Para isso, foram organizadas as entrevistas, as quais foram realizadas de maneira informal. Esse tom mais informal nas entrevistas foi possível porque a metodologia de pesquisa etnográfica possibilita uma grande aproximação entre o pesquisador e a comunidade investigada, devido à relação de convivência que é estabelecida durante a pesquisa.
As entrevistas com as bordadeiras aconteceram na metade do processo do trabalho de extensão, no semestre 2013.2, após seis meses de convivência semanal com a comunidade. Inclusive, as associadas convidaram os pesquisadores a conhecerem suas residências e, por isso, as entrevistas se constituíram em uma conversa informal entre pessoas que já estavam convivendo. Logo, as relações de poder institucionalizadas historicamente entre pesquisador e sujeito pesquisado foram minimizadas.
As entrevistas foram compostas por perguntas variadas que possibilitaram, pelas respostas das associadas, a obtenção de mais conhecimento acerca de suas relações pessoais, familiares, escolares
e culturais, ou seja, de alguns aspectos identitários. No Quadro 1, encontra-se o roteiro utilizado nas entrevistas, que contiveram a duração de, aproximadamente, trinta minutos.
QUADRO 1 – Roteiro utilizado durante as entrevistas com as
bordadeiras
Qual o seu nome, local de nascimento, idade, filiação e origem (migrantes ou não migrantes)?
Há parentes vivendo no Pontal?
Desde quando você mora no Pontal e qual sua memória sobre o bairro/vila?
E de que forma você ou seus parentes estão ligados ao Pontal?
Você é casada, tem filhos?
Quais as atividades de cada um?
O que fazem nas horas vagas: TV, computador, conversar, etc. (aqui estamos interessados na cultural oral).
Possui hábitos de leitura? Quais?
Como é sua vida? (Procurar saber como avalia a vida nos vários aspectos: profissional, pessoal, familiar etc.)
E a escola? Fale sobre sua vida escolar. (Queremos saber seu histórico escolar e qual a importância da escola – instituição – e da escolaridade que tem ou desejaria ter e também para seus filhos).
Você faria curso do EJA? Por quê?
Do que você sente falta, com relação aos saberes escolares?
Quais saberes (letramentos) não escolares você valoriza? Como os aprendeu?
(Estamos aqui tentando adentrar nos letramentos valorizados e nos não valorizados, para verificar a proximidade da escola com a comunidade).
Transcrições das entrevistas
Logo após a realização das entrevistas com as bordadeiras, todas foram gravadas em áudio, passamos para a etapa das transcrições das narrativas de acordo com a Análise da Conversação, doravante AC, mais especificamente com a metodologia utilizada pelo Projeto de Estudo da Norma Linguística Urbana Culta – NURC/SP visando à realização da análise dialógico-discursiva de perspectiva bakhtiniana da linguagem na materialidade textual do corpus obtido.
É importante ressaltar que foi tomado o devido cuidado com a retextualização da oralidade durante as transcrições, já que, conforme nos alerta Fritzen (2012, p. 63), “o modo como a fala dos sujeitos é transcrita pode levar a acentuar o preconceito linguístico já existente e influenciar nas representações desses grupos, em geral já marginalizados”. Dessa forma, buscou-se realizar as transcrições das narrativas tomando os cuidados para não “reforçar a assimetria e hierarquização existente entre as línguas e camuflar os conflitos linguísticos” (Ibidem).
Análise dos dados
Após as transcrições das entrevistas, foi iniciada a análise dialógico-discursiva do corpus obtido: as narrativas. Inicialmente, foi realizado o levantamento de temas recorrentes nas narrativas das bordadeiras. Dois temas se destacaram: a atividade do filé como tradição e a atividade do filé como trabalho. Feito isso, iniciou-se a análise, buscando verificar como se davam as duas operações – referenciação/refração – por meio da análise dialógico-discursiva,
conforme o Quadro 2.
QUADRO 2 – Temas recorrentes nas narrativas das sete
bordadeiras
Temas Voz (es) social Materialidade textual
(is)
Atividade Busca: Corpus de Análise: do filé Posicionamentos narrativas
como ideológicos ↓
tradição Categorias de análise: dois
grupos
Signo ideológico:
operações de
referenciação/refração
Categorias linguísticas;
interativas da modalidade
oral, enunciativas, não
verbais e discursivas.
Processos de referenciação e refração:
resgatando as vozes sociais das
bordadeiras
Tendo em vista o silenciamento discursivo das bordadeiras observado durante as oficinas de letramento voltadas para o contexto de trabalho da Associação, como já foi citado anteriormente neste trabalho, surgiu a necessidade de ouvir as associadas. Por isso, foram realizadas as entrevistas para que fosse possível, através do resgate de suas vozes, a compreensão dessa postura observada durante as atividades de letramento. Essa necessidade atende ao objetivo geral desta pesquisa, que busca resgatar a voz das bordadeiras e reconstruir a sua história local, trazendo-lhes a noção de identidade e de coletividade, por meio da escuta de suas vozes. A análise a seguir traz a emergência das vozes das associadas.
A atividade do filé como tradição do bairro:
valoração apreciativa
A seguir, destacam-se alguns trechos das transcrições nos quais a
temática da atividade do filé como tradição é abordada: [Trecho 1-R1]8 “ a minha mãe também era rendeira e até hoje… isso aqui quem tá fazendo é ela ((mostra a rede com a renda)) [L1] e é… e você aprendeu com ela? [L2]. APRENDI com ela ((parece satisfeita)) […] AQUI NA PRACINHA… a gente sempre fica na pracinha ou aí na porta…” [Trecho 2-R2] “APRENDI ASSIM FAZER FILÉ:: é uma coisa que eu valorizo muito… que eu não sabia de jeito nenhum… até quando eu trabalhava… eu falava pra mim mesmo ah:: eu nunca vou aprende:: ai néh:: aprendi:: ((expressão facial de satisfação)) […] aprendi com minha filha… COM A MINHA FILHA E OUTRAS PESSOAS FAZENDO:: eita:: esse ponto ai eu não sei, me ensina…” [Trecho 3-R3) “… no caso esse daí da/ do bordado néh… que foi que veio já da minha mãe que já me ensinou eu/ eu devo tudo isso aí a ela… é:: já fiz um curso de re::de… já dei o curso de rede pra alguns alunos… então me senti bem realizada néh… em saber que eu vou passando aquilo que minha mãe passou pra mim pra aquelas pessoas…”.
Nesses trechos, a tensão existente entre as operações de referenciação e refração permite flagrar a valoração apreciativa do filé como tradição. Veja-se: a) no nível interativo, destacam-se os seguintes elementos paralinguísticos: a entonação (ex: APRENDI, AQUI NA PRACINHA, APRENDI ASSIM FAZER FILÉ, COM A MINHA FILHA E OUTRAS PESSOAS FAZENDO); b) no nível não verbal (ex: as expressões faciais de satisfação, entre parênteses nas transcrições, observadas quando as bordadeiras falavam sobre como aprenderam o filé com suas mães, parentes ou amigos etc.); c) no nível linguísticogramatical – o uso de qualificadores e índices de avaliação – (ex: “é uma coisa ((filé)) que eu valorizo muito…”; “então me senti bem realizada néh… em saber que eu vou passando aquilo ((filé)) que minha mãe passou pra mim pra aquelas pessoas…”).
Esses trechos revelam que as bordadeiras gostam e aceitam o filé enquanto tradição. Essa apreciação foi perceptível não só durante a realização das entrevistas, como também nos encontros com a comunidade, quando aconteciam as oficinas de letramento realizadas ao longo das atividades de extensão. As mulheres pareciam orgulhosas quando expressavam, com certo tom de afetividade, como aprenderam a tradição das rendas com suas mães, familiares ou amigos etc. Elas faziam questão de mostrar seus trabalhos para os pesquisadores e de explicar as etapas de confecção dos filés.
As análises também revelaram um segundo conjunto de trechos nos quais se pode identificar a circulação da mesma valoração apreciativa em relação à atividade de filé, entretanto, desta vez, misturada com uma valoração oposta. Veja-se a seguir: [Trecho 4 – R4] “((falando da ligação com as atividades tradicionais do bairro))… através do artesanato e da pesca… […] é passatempo… não sobrevivem disso ((filé e pesca)) […] porque a renda não dá… hoje em dia tem recursos melhores néh… ((parece insatisfeita)) […] eu escolhi mesmo… ser bordadeira néh… aprendi com minha mãe… quando tinha oito anos de idade…”; [Trecho 5 – R5] “eu aprendi com a minha mãe… minha mãe e minha irmã… E MINHA FILHA HOJE também sabe fazer filé que eu ensinei a ela… entendeu?… mas eu NÃO QUERO ela no filé não… quero ela estudando…”
Nesse segundo conjunto, as análises chamaram a atenção para o conflito das temáticas da atividade do filé como tradição e da atividade do filé como trabalho. Instaura-se nesse grupo a presença de uma valoração depreciativa em relação ao trabalho com o filé.
No discurso de R4, a) no nível não verbal: há a expressão facial de insatisfação destacada na transcrição; b) no nível linguístico/gramatical: a presença do operador argumentativo (ex: “porque a renda não dá”), e de qualificadores e índices de avaliação (ex: “é passatempo, hoje em dia tem recursos melhores néh”). Nota-se certo tom irônico na fala da bordadeira. Percebe-se que há uma insatisfação em relação à atividade do filé como forma de trabalho, já que ela é vista como “passatempo” e como uma renda insuficiente devido ao fato de se ter “recursos melhores” hoje em dia, como ela relatou. A tensão se revela quando ela ressalta que (ex: “eu escolhi mesmo… ser bordadeira néh… aprendi com minha mãe… quando tinha oito anos de idade…”). Dessa forma, nota-se que há um conflito no discurso, pois a atividade tradicional repassada pela mãe é valorizada, tanto que ela escolheu “ser bordadeira”, apesar de manifestar um posicionamento depreciativo do fazer filé como atividade profissional.
A mesma tensão se revela no discurso de R5, a) no nível interativo: veja-se as informações paralinguísticas – a entonação – (ex: “E MINHA FILHA HOJE”, “NÃO QUERO”); b) no nível linguístico-gramatical: a presença de operadores argumentativos – porque, mas -(ex: “E MINHA FILHA HOJE também sabe fazer filé porque eu ensinei a ela”, “mas eu NÃO QUERO ela no filé não”). Destaca-se a presença marcante da entonação, dos operadores argumentativos e da dupla negação: “mas eu NÃO QUERO ela no filé não”. Essa combinação de recursos sinaliza a tensão existente no discurso. A bordadeira, apesar de repassar a tradição para a filha, não deseja que ela trabalhe de maneira alguma com a atividade do filé, pois prefere que a filha estude para obter melhores oportunidades, as quais, do ponto de vista da bordadeira, não estão relacionadas ao trabalho com o filé.
Nesses primeiros trechos analisados, há a apreciação valorativa do filé como tradição por parte das bordadeiras, porém, quando essa apreciação do fazer filé como tradição se relaciona com a prática do fazer filé como atividade de trabalho, surge outra tensão, indicando uma depreciação dessa atividade.
O Quadro 3 resume e detalha as categorias de análise utilizadas.
QUADRO 3 – Corpus para a análise: atividade do filé como tradição
PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO E REFRAÇÃO
ATIVIDADE DO FILÉ COMO CATEGORIAS
TRADIÇÃO
↓
Materialidade do texto
R1: a minha mãe também era Nível Interativo:
rendeira e até hoje… isso aqui Informações quem tá fazendo é ela ((mostra paralinguísticas a rede com a renda)) (entonação).
L1. e é… e você aprendeu com Nível não verbal:
ela? Expressão facial de L2. APRENDI com ela ((parece satisfação. satisfeita))
[…] AQUI NA PRACINHA… a
gente sempre fica na pracinha
ou aí na porta…
R2: APRENDI ASSIM FAZER a. Nível linguístico -FILÉ:: é uma coisa que eu gramatical: valorizo muito… que eu não Qualificadores e sabia de jeito nenhum… até índices de quando eu trabalhava… eu avaliação: valorizo falava pra mim mesmo ah:: eu muito. nunca vou aprende:: ai néh:: b. Nível interativo: aprendi:: ((expressão facial de Informações satisfação)) […] aprendi com paralinguísticas minha filha… COM A MINHA (entonação). FILHA E OUTRAS PESSOAS c. Nível não verbal: FAZENDO:: eita:: esse ponto ai Expressão facial eu não sei me ensina… de satisfação
R3: …no caso esse daí da/ do bordado néh… que foi que veio a. Nível linguístico -já da minha mãe que já me gramatical:
Qualificadores e
ensinou eu/ eu devo tudo isso índices de aí a ela… é:: já fiz um curso de avaliação: senti
re::de… já dei o curso de rede bem realizada/ pra alguns alunos… então me verbos: devo tudo,
senti bem realizada néh… em vou passando. saber que eu vou passando b. Nível interativo: aquilo que minha mãe passou Informações pra mim pra aquelas pessoas… paralinguísticas
(entonação).
c. Nível não verbal:
Expressão facial
de satisfação.
R4: ((falando da ligação com as a. Nível linguístico -tradições do bairro))… através gramatical: do artesanato e da pesca… […] Operador é passatempo… não argumentativo: sobrevivem disso […] porque porque/ a renda não dá… hoje em dia Qualificadores e
tem recursos melhores néh… índices de ((parece insatisfeita)) avaliação:
[…] passatempo, eu escolhi mesmo… ser bordadeira recursos néh… aprendi com minha mãe… quando tinha oito melhores/verbo:
anos de idade… escolhi. ↓
(Tensão)
b. Nível não verbal:
Expressão facial
de insatisfação.
R5: eu aprendi com a minha mãe… minha mãe e minha a. Nível linguístico -
irmã… E MINHA FILHA HOJE gramatical: também sabe fazer Operadores filé que eu ensinei a ela argumentativos: … entendeu?…
mas que, eu NÃO QUERO ela no
mas/Qualificadores
filé não… quero ela e índices de estudando… avaliação: não
quero não (dupla
negação). ↓
(Tensão)
b. Nível interativo:
Informações
paralinguísticas
(entonação).
Em um terceiro conjunto de trechos, essa valoração depreciativa se intensifica e, por isso, dedicaremos a seguir um item para análise desse dado.
A atividade do filé como trabalho: valoração
depreciativa
A seguir, destacam-se alguns trechos das transcrições nos quais a temática da atividade do filé como trabalho é abordada: [trecho 1 - R1]: “É uma rendinha a mais pra mim é bom que só porque eu tenho o meu::… MAS a rendinha dele também é bonzinho…”; [Trecho 2 – R2] “ah:: gostaria assim/ porque filé não dó muito/ assim filé/ num num é uma renda fixa néh… você hoje faz… é por temporada… aí se eu encontrasse assim um um:: trabalho de um um horário só… […] eu estou realizada… agora eu to falando assim UM EXTRA NÉH SE TIVESSE… OUTRA ATIVIDADE ENTENDE?”; [Trecho 3 – R3] “olhe… eu não vou dizer a você que eu GOSTO DE FAZER O FILÉ… EU GOSTO DE FAZER O FILÉ… mas assim se eu tiver OUTRA ATIVIDADE… porque assim:: eu acho que:: futuramente a gente tem que crescer profissionalmente néh… a gente não vai viver também só fazendo bordado… ((parece insatisfeita))”; [Trecho 4 – R4] “ ((falando do trabalho do filé)) … por que hoje é um meio de sobrevivência néh… onde eu tenho uma rendinha extra… E É UMA TERAPIA E PASSATEMPO…”; [Trecho 5 – R5] “((silêncio/pensativa)) assim::… PORQUE O FILÉ A GENTE FAZ FILÉ néh…. o filé néh… eu hoje me arrependo porque eu não terminei os meus estudos… porque eu poderia ter feito uma coisa melhor pra mim… PORQUE FILÉ É ASSIM… quer que eu seja sincero? … a gente fa::z o filé::… mas não é um futuro…”.
A valoração depreciativa em relação à atividade do filé como trabalho pode ser observada por meio do destaque de algumas categorias de análises flagradas no discurso das bordadeiras, tais como: a) no nível linguístico-gramatical: há a presença de operadores argumentativos: porque, se, mas (ex: “mas assim se eu tiver OUTRA ATIVIDADE”; “porque eu poderia ter feito uma coisa melhor pra mim…”; “porque assim:: eu acho que:: futuramente a gente tem que crescer profissionalmente néh”; “a gente fa::z o filé::… mas não é um futuro…”); há a presença de qualificadores apreciativos: rendinha, bonzinho (ex: “porque eu tenho o meu::… MAS a rendinha dele também é bonzinho”; “rendinha extra”); o léxico utilizado: rendinha, passatempo, bonzinho, extra. b) no nível interativo: através de informações paralinguísticas – entonação, hesitações e pausas – (ex: “UM EXTRA NÉH SE TIVESSE… OUTRA ATIVIDADE ENTENDE”; “É UMA TERAPIA E PASSATEMPO”; “PORQUE O FILÉ A GENTE FAZ FILÉ néh…”; “PORQUE FILÉ É ASSIM…”; “ah:: gostaria assim/ porque filé não dó muito/ assim filé/ num num é uma renda fixa néh…”); c) no nível não verbal: expressão facial de insatisfação e silêncio (ex: “a gente não vai viver também só fazendo bordado… ((parece insatisfeita))”; “((silêncio/ pensativa)) assim::… PORQUE O FILÉ A GENTE FAZ FILÉ néh…. o filé néh…”.
Nos trechos anteriormente analisados, várias categorias de análise se mesclaram a todo instante nos discursos das bordadeiras, revelando a depreciação. A entonação, por exemplo, foi aliada às expressões faciais durante as entrevistas. A depreciação no nível sintático é perceptível devido à presença constante de operadores argumentativos no discurso das bordadeiras, já que elas gostam do filé “mas”, elas fazem filé mas “se” tiver outra atividade, “porque filé não dá muito”. O filé é sempre “mas, se, porque”. Esses operadores contrapõem os argumentos a todo instante e explicam a tensão existente em relação à atividade do filé como tradição versus trabalho.
A análise revela que uma das causas dessa depreciação é o fato de as bordadeiras valorizarem o trabalho no formato celetista (CLT) em detrimento da atividade de produção e comercialização dos filés, devido ai fato de esta não se constituir como uma renda fixa e não ter perspectivas de futuro, segundo a visão delas, como pode ser comprovado nos seguintes trechos: a) R1: “É uma rendinha a mais pra mim é bom que só porque eu tenho o meu”. Nesse trecho R1 considera o filé uma atividade extra, já que ela possui outro trabalho “meu”, no formato CLT; b) R2: “assim filé/ num num é uma renda fixa néh”; c) R3: “futuramente a gente tem que crescer profissionalmente néh… a gente não vai viver também só fazendo bordado”; d) R4: “ ((o filé)) onde eu tenho uma rendinha extra… E É UMA TERAPIA E PASSATEMPO…”; d) R5: “gente fa::z o filé::… mas não é um futuro…”. Nesses trechos é perceptível, no âmbito da refração, a desvalorização do filé enquanto atividade profissional pelas bordadeiras que valorizam o trabalho celetista.
As análises realizadas revelam a apreciação da atividade do filé como tradição e a depreciação do filé como atividade de trabalho pelas bordadeiras da Associação. Essa descoberta é de extrema relevância no âmbito da pesquisa, já que explica o silenciamento discursivo observado durante as oficinas de letramento desenvolvidas no projeto de extensão.
QUADRO 4 – Corpus para a análise: atividade do filé como trabalho
PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO E REFRAÇÃO
ATIVIDADE DO FILÉ COMO CATEGORIAS
TRABALHO:
↓
Materialidade do texto
R1: É uma rendinha a mais pra a. Nível mim é bom que só porque eu linguístico – tenho o meu::… MAS a rendinha gramatical: dele também é bonzinho… Operadores
argumentativos:
porque, mas/
Qualificadores e
índices de
avaliação:
rendinha,
bonzinho
(apreciativos).
R2: ah:: gostaria assim/ porque a. Nível filé não do muito/ assim filé/ num linguístico – num é uma renda fixa néh… você gramatical: hoje faz… é por temporada… aí Operador se eu encontrasse assim um um:: argumentativo: trabalho de um um horário só… porque, se. […] eu estou realizada… agora eu b. Nível to falando assim UM EXTRA NÉH interativo: SE TIVESSE… OUTRA Informações ATIVIDADE ENTENDE? paralinguísticas
(entonação)/
Truncamentos/
hesitações.
você que eu GOSTO DE FAZER O a. Nível R3: olhe… eu não vou dizer a
FILÉ… EU GOSTO DE FAZER O linguístico – FILÉ… mas assim se eu tiver gramatical: OUTRA ATIVIDADE… porque Operadores assim:: eu acho que:: futuramente argumentativos:
a gente tem que crescer mas, porque,
profissionalmente néh… a gente também. não vai viver também só b. Nível fazendo bordado… ((parece interativo: insatisfeita)) Informações
paralinguísticas
(entonação).
c. Nível não
verbal:
Expressão facial
de insatisfação.
R4: ((falando do trabalho do a. Nível filé))… por que hoje é um meio de linguístico – sobrevivência néh… onde eu gramatical: tenho uma rendinha extra… E É Operador UMA TERAPIA E argumentativo:
PASSATEMPO… mas/
Qualificadores e
índices de
avaliação/léxico:
rendinha,
terapia,
passatempo.
b. Nível
interativo:
Informações
paralinguísticas
(entonação).
c. Nível não
verbal: Expressão facial
de insatisfação.
R5: ((silêncio/pensativa)) assim::… PORQUE O FILÉ A a. Nível
néh… eu hoje me arrependo gramatical: Operadores porque GENTE FAZ FILÉ néh…. o filé linguístico – estudos… argumentativos: eu não terminei os meus feito uma porque, mas, porque eu poderia ter PORQUE quer. Léxico: coisa melhor pra mim… que coisa melhor, FILÉ É ASSIM… quer fa::z o filé::… futuro, sincero. eu seja sincero? …a gente futuro b. Nível mas não é um …
interativo:
Informações
paralinguísticas
(entonação).
c. Nível não
verbal: Silêncio.
Potenciais de trabalho na Associação
A partir da análise dos dados, observou-se a circulação de uma visão depreciativa da atividade do filé como um campo de trabalho. Esse conteúdo depreciativo revela a supervalorização que as associadas destinam ao trabalho celetista. Ocorre que esse apreço pelo modelo de trabalho tem impedido que as mulheres olhem para outras realidades que surgem a partir do trabalho com o bordado. Atualmente, na esfera comercial da moda e da indústria têxtil, temse notado um crescente interesse pelas produções e criações locais.
A própria Associação das Mulheres Bordadeiras do Pontal realizou uma parceria com a grife Cantão, reconhecida por desfilar em eventos de notório reconhecimento nacional e internacional, como o São Paulo Fashion Week. A grife fez a parceria visando agregar valor a seus produtos com a aplicação do filé em várias peças de sua coleção, tais como roupas, calçados, bolsas, acessórios etc.
A realização de uma breve pesquisa na internet sobre o filé alagoano possibilita-nos a comprovação da valorização do bordado não somente pela Cantão, mas também por outras grifes. Isso pode
ser comprovado através da observação do Quadro 5, que contém alguns títulos de postagens sobre esse assunto na internet:
QUADRO 5 – Títulos de postagens sobre parcerias com o filé
alagoano
Estilistas de grife nacional vêm a Maceió pesquisar bordado filé
Disponível em: <http://WWW.alagoas24horas>. Acesso em 01/12/2014.
O filé que conquistou a Cantão
Disponível em: <https://gicellando.wordpress.com/2013/07/02/o-file-
queconquistou-a-cantao/>. Acesso em 01/12/2014.
Cantão cria coleção em parceria com rendeiras alagoanas
Disponível em: <http://finissimo.com.br/2013/08/30/cantao-apresenta-
colecao-emparceria-com-rendeiras-alagoanas/>. Acesso em 01/12/2014.
Parceria entre rendeiras do filé e Cantão é sucesso no Brasil
Disponível em:
<http://WWW.tribelas.com.br/noticias/1380/estilo/2013/12/04/Parceria-
entre -rendeiras-do-file-e-canta0-e-sucess0-no-brasil.html>. Acesso em: 01/12/2014.
Grife Cantão lança coleção para o Verão 2014 inspirada no filé alagoano
Disponível em: <http://alagoasboreal.com.br/noticia/102/estilo-e-
comportamento/grife-cantao-lanca-colecao-para-o-verao-2014-
inspirada-no-file-a la goano> Acesso em: 01/12/2014.
Círculo, Cantão e renda filé… Uma combinação que deu (super) certo!
Disponível em: <http://www.circulo.com.br/blog/parceria-circulo-e-
cantao/http://www.circulo.com.br/blog/parceria-circulo-e-cantao/>. Acesso em: 01/12/2014.
Cantão promove o bordado filé em desfile no Trend House. Disponível em:
<http://tnh1.ne10.uol.com.br/noticia/maceio/2013/08/16/261321/cantao-
lanca-colecao-do-file-alagoano-no-trend-house>. Acesso em: 01/12/2014.
Coleção de grife com o filé chega a mais de mil lojas
Disponível em: <http://www.alagoasnanet.com.br/v3/colecao-de-grife-
com-o-file-chega-a-mais-de-mil-lojas/>. Acesso em: 01/12/2014.
Observando os fragmentos das postagens acima e, sobretudo, a notícia na íntegra, nota-se o quanto essas grifes, principalmente a Cantão, valorizam e se interessam pelo trabalho das bordadeiras. Essa parceria poderia representar a possibilidade de mudança da realidade através do surgimento de novos contextos de trabalho para o grupo, de crescimento profissional e, consequentemente, de maior produtividade e lucratividade. Enfim, novas possibilidades de comercialização de sua matéria-prima – o filé – que beneficiariam a todas as integrantes da Associação.
Porém, a visão depreciativa da atividade por parte das integrantes reforça a lógica capitalista de mercado e contribui para a alienação do potencial de trabalho das bordadeiras. Verifica-se, então, a ocorrência do seguinte processo citado por Faraco:
As vontades de poder tentarão sempre estancar, por gestos centrípetos, aquele
movimento (centrífugo): tentarão impor uma das verdades sociais (a sua) como
verdade; tentarão submeter a heterogeneidade discursiva (controlar a multidão
de discursos); monologizar (dar a última palavra); tornar o signo monovalente
(deter a dispersão semântica); finalizar o diálogo (FARACO, 2006, p. 52).
Dessa forma, a visão depreciativa da atividade profissional do filé, por parte das rendeiras, colabora para manter o caráter monológico do discurso capitalista, pois, no avesso dessa história, existem grandes marcas explorando mão de obra barata. As mulheres atuam, nessa relação capitalista, como força produtiva a baixo custo e, seus produtos, por elas depreciados, são valorizados pela Associação e pelas grifes que os comercializam no mercado e geram altos lucros.
Vale ressaltar, ainda, que as bordadeiras valorizam o trabalho no formato celetista em detrimento da atividade com o filé, porém elas não possuem formação adequada. Logo, dificilmente conseguirão melhores oportunidades de trabalho. Entretanto, as bordadeiras já possuem uma matéria-prima que pode levá-las à ascensão profissional, porém elas ainda não possuem essa percepção. Nota-se que há um problema instaurado na Associação quanto à educação linguística, visto haver o entendimento, por parte de algumas, de que a linguagem não e apenas entidade linguística, mas também entidade política e social, o que pode contribuir para a instauração de mudanças. Via letramento é possível resgatar o senso crítico das bordadeiras.
Esta pesquisa buscou, como objetivo geral, resgatar a voz das bordadeiras e reconstruir a sua história local, trazendo-lhes a noção de identidade e de coletividade por meio da escuta de suas vozes. Como objetivos específicos, buscou-se, por meio de uma abordagem etnográfica, a) ouvir e registrar as narrativas de vida das mulheres da Associação; b) reconstruir a história local; c) resgatar a identidade do bairro.
Os resultados obtidos contribuem de forma significativa para compreendermos um pouco melhor o silenciamento discursivo observado durante as oficinas de letramento, desenvolvidas na fase inicial do projeto de extensão, a partir das valorações apreciativas do filé como tradição e depreciativas da atividade do filé como trabalho pelas bordadeiras.
Esta pesquisa foi de extrema relevância para a segunda fase do projeto de extensão, na medida em que apresenta novos elementos que nos possibilita em compreender esse silenciamento e, sobretudo, nos traz em respostas para as representações do filé para as associadas. Dessa maneira, podemos assumir, na segunda etapa do projeto de extensão, outros lugares enunciativos, discursivos e ideológicos em relação à nova etapa do projeto extensionista que será desenvolvido na comunidade.
Referências
BAKHTIN, Mikhail. VOLOSHÍNOV, Valentin Nikolaevich. Marxismo e filosofia da linguagem. 7. ed. Tradução de Michael Lahud. Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, 1995 [1929].
FARACO, Carlos Alberto. Linguagem e diálogo: as ideias linguísticas do Círculo de Bakhtin. 2. ed. Curitiba: Edições Criar, 2006.
FRITZEN, Maristela Pereira; LUCENA, Maria Inêz Probst. O olhar da etnografia em contextos educacionais: interpretando práticas de linguagem. Blumenau: Edifurb, 2012.
LEIS da refração. Só física. Disponível em:
<http://www.sofisica.com.br/conteudos/Otica/Refracaodaluz/leis_de_ref
racao.php>. Acesso em: 27. nov. 2014.
Fontes
CANTÃO promove o bordado filé em desfile no Trend House. Tudo na Hora. Maceió, AL, 18 ago. 2013. Disponível em:
<http://tnh1.ne10.uol.com.br/noticia/maceio/2013/08/16/261321/cantao
-lanca-colecao-do-file-alagoano-no-trend-house>. Acesso em: 01. dez. 2014.
CÍRCULO, Cantão e renda filé… Uma combinação que deu (super) certo!. Círculo. Florianópolis, SC, 13 nov. 2013. Disponível em:
<http://www.circulo.com.br/blog/parceria-circulo-e-cantao/>. Acesso em: 01. dez. 2014.
ESTILISTAS de grife nacional vêm a Maceió pesquisar bordado filé. Maceió, AL, 04 fev. 2013. Alagoas 24 horas. Disponível em:
<http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=141502>. Acesso em: 01. dez. 2014.
FARIAS, Flávia. O filé que conquistou a Cantão. Maceió, AL, 02 jul. 2013. Gricellando. Disponível em:
<https://gicellando.wordpress.com/2013/07/02/o-file-que-conquistou-a-
cantao/>. Acesso em: 01. dez. 2014.
GONÇALVES, Maurício. Coleção de grife com o filé chega a mais de mil lojas. Alagoas na net. Maceió, AL, 27 nov. 2013. Disponível em:
<http://www.alagoasnanet.com.br/v3/colecao-de-grife-com-o-file-
chega-a-mais-de-mil-lojas/>. Acesso em: 01. dez. 2014. GONÇALVES, Maurício. GRIFE Cantão lança coleção para o Verão 2014 inspirada no filé alagoano. Maceió, AL, 01 jul. 2013. Alagoas
Boreal. Disponível em: <http://alagoasboreal.com.br/noticia/102/esti-
lo-e-comportamento/grife-cantao-lanca-colecao-para-o-verao-2014-
inspirada-no-file-alagoano>. Acesso em: 01. dez. 2014.
NEMOV, Wilson. Cantão cria coleção em parceria com rendeiras alagoanas. Finíssimo. Brasília, DF, 30. ago. 2013. Disponível em:
<http://finissimo.com.br/2013/08/30/cantao-apresenta-colecao-em-
parceria-com-rendeiras-alagoanas/>. Acesso em: 01. dez. 2014.
PARCERIA entre rendeiras do filé e Cantão é sucesso no Brasil. Maceió, AL, 04 dez. 2013. Tribelas. Disponível em:
<http://www.tribelas.com.br/noticia/1380/estilo/2013/12/04/parceria-
entre-rendeiras-do-file-e-cantao-e-sucesso-no-brasil.html>. Acesso em: 01. dez. 2014.
Notas
Apresentação
1. As informações básicas relativas aos objetivos do
PROFLETRAS estão disponíveis em:
<http://www.capes.gov.br/educacao-a-distancia/profletras>. Acesso em: 10. out. 2016.
↩
2. Síntese elaborada a partir das informações localizadas na
página eletrônica da Capes. Disponível em:
<http://www.capes.gov.br/educacao-a-distancia/profletras>. Acesso em: 30.10.15.
↩
3. A respeito da produtividade das ideias de Bakhtin e do Círculo,
vale a pena conferir o capítulo “Os gêneros e a ciência dialógica do texto”, escrito por Irene A. Machado e publicado em: TEZZA, C.; CASTRO, G.; FARACO, C. A. (Org.) Diálogos com Bakhtin. 4. ed. Curitiba: Editora UFPR, 2007. p. 193-230.
↩
1 - Bakhtin, o Círculo e os gêneros do
discurso
1. Pós-doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da
Linguagem, sob supervisão da Prof.ª Dra Elisabeth Brait, vinculado ao projeto de pesquisa Linguagem e trabalho. Proc.
CNPq N. 150095/2014-7; E-mail: <mhcpist@uol.com.br>
↩
2. 2006c, p. 341.
↩
3. 2006b, p. 324.
↩
4. Este texto é fruto da videoconferência que proferi no dia 23 de
setembro de 2014, a convite da Prof.ª Dra Isabel Azevedo, na Universidade Federal do Sergipe; e também da participação na mesa-redonda Argumentação e discurso: definindo objetos de estudos, realizada no II SEDIAR, BH, 2014.
↩
5. Sériot, 2010, p. 20: “Havia em torno de mim um círculo, que
chamam agora de ‘Círculo de Bakhtin’” (minha tradução); Bakhtin; Duvakin, 2008, p.144.
↩
6. Neste texto, optamos por uniformizar a grafia dos nomes dos
membros do Círculo, o que não ocorre nas diferentes edições de suas obras.
↩
7. Outros exemplos são o Círculo Linguístico de Praga ou o
Círculo Linguístico de Moscou, formados por intelectuais vinculados à academia (cf. ZANDWAIS, 2009, p. 97-116).
↩
8. Cf. BRANDIST, 2012.
↩
9. Pavel N. Medviédev: *São Petersburgo, 1892 - †Leningrado,
1938; Valentín Nikoláievich Volóshinov: *São Petersburgo, 1894 – †Leningrado, 1936; Mikhail M. Bakhtin: *Orel, 1895 – †Moscou, 1975.
↩
10. Há vários textos que recuperam, espacial e historicamente, a
trajetória do Círculo. Sugerimos, entre outros, Brait, B.; Campos, M. I. B., 2009, p.15-30; Clark, K.; Holquist, 2008.
↩
11. Sobre as obras completas de Mikhail Bakhtin, publicadas na
Rússia, cf. Grillo, 2009.
↩
12. Apenas para exemplificar: a tradução de enunciado/enunciação
por “ato de fala” (em Marxismo e filosofia da linguagem), adaptação das ideias filosóficas do Círculo às próprias teorias em que a tradução se inseria (pragmática, de Austin); ou a
noção de intertextualidade, presente na tradução para o francês apresentada por Kristeva, que não corresponde exatamente a relaciones dialógicas, que aparece na tradução para o espanhol.
↩
13. Cf. Brait, 2008, p. 9-31.
↩
14. Basta lembrarmo-nos do próprio título de um dos mais
conhecidos ensaios de Volochínov, A palavra na vida e na poesia, em que o autor, para mostrar o que é o discurso na poesia, parte do discurso cotidiano.
↩
15. Mas, sobre elas, chama-nos a atenção a declaração de seu
autor de que não há imagens chocantes, apenas realidade chocante: “There are no shocking pictures, only shocking reality”, in:
<http://edition.cnn.com/2010/WORLD/europe/08/13/oliviero.tosc
ani/index.html>
↩
16. Disponível em: <http://www.benettongroup.com/>
↩
17. Disponível em: <http://unhate.benetton.com/>
↩
18. Sobre os gêneros publicidade e propaganda, cf. Pistori, 2014.
Disponível em:
<http://revistas.pucsp.br/index.php/bakhtiniana/article/view/1671
7/14756>. Acesso em 20/10/2014.
↩
19. Disponível em:
<http://joaodealmeidasantos.blogspot.com.br/2009/06/toscani-
pos--publicidade-e-benetton.html>
↩
20. Embora possamos separar didaticamente os gêneros
publicidade e propaganda, pelo caráter comercial ou ideológico que apresentam de modo predominante, reconhecemos que não é uma questão simples.
↩
2 - Da língua ao discurso: desafios
para o ensino de língua portuguesa
1. Docente do Mestrado Profissional em Letras da UFS e da Pós-
graduação em Linguagens e Representações da UESC. Desenvolve pesquisas na área de discurso e argumentação,
ensino de leitura e escrita. E-mail: <icmazevedo@hotmail.com>.
↩
2. Questões de estilística no ensino da língua (BAKHTIN, 2013
[1942-45]) é uma obra traduzida em 2013 por Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo a partir da comparação entre dois manuscritos, o primeiro escrito por Bakhtin e o segundo ditado por Bakhtin aos alunos (considerados “escrivães”).
↩
3. Na tradução para a língua portuguesa, optou-se por uma forma
simplificada do título original pelo fato de o sistema educacional na Rússia ter passado por muitas reformas, e o nome ensino médio não significar a mesma fase escolar em todas elas.
↩
4. Embora o desenvolvimento da estilística tenha acontecido na
confluência de técnicas de ensino da “arte de escrever”, resultado de uma restrição do campo da retórica tradicional, e de uma linguística, essencialmente alemã, de orientação psicológica, o uso do termo estilística por Bakhtin vai além dessa concepção e inclui conceitos da estilística russa que, já no século XVIII, associava as questões de estilo aos gêneros discursivos, como propôs Mikhail Logmonóssov, em 1748, ao dividir o estilo em: elevado, composto por palavras rebuscadas vindas do eslavo antigo (usado em poemas heroicos, odes, discursos sobre temas elevados); médio, com linguagem mais usual (usado em obras teatrais, sátiras etc.), e baixo, que empregava a linguagem cotidiana (usado em comédias, fábulas, canções e cartas comuns).
↩
5. Escolasticismo (do latim scholasticus, e este por sua vez do
grego σχολαστικός [que pertence à escola, instruído]). A escolástica nasceu nas escolas monásticas cristãs, de modo a conciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega. Trata-se de um método de aprendizagem, cujo método de pensamento crítico dominou o ensino nas universidades medievais europeias de cerca de 1100 a 1500. O ensino, nas escolas medievais, se calca em duas bases fundamentais: a lectio (fundada nos comentários autorizados de filósofos, como Aristóteles e Boécio, em textos clássicos da literatura), e a disputatio (uma livre discussão entre o mestre e o discípulo, na qual se discutiam argumentos favoráveis e contrários a uma tese).
↩
6. Segundo Bakhtin (2006 [1952-1953]), o emprego da língua
efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou daquele campo da atividade humana. Esses enunciados refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido campo, não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo de linguagem, ou seja, pela seleção dos recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua, mas, acima de tudo, por sua construção composicional. Todos esses três elementos – o conteúdo temático, o estilo, a construção composicional – estão indissoluvelmente ligados no todo do enunciado e são igualmente determinados pela especificidade de um determinado campo da comunicação. Evidentemente, cada enunciado particular é individual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, os quais são denominados gêneros do discurso.
↩
3 - Reflexões acerca do ensino de
língua portuguesa: dimensão
argumentativa do discurso citado
1. Uma primeira versão deste trabalho foi apresentada e
publicada, em 2007, nos Anais do V Seminário Nacional sobre Linguagem e Ensino (SENALE), com o título “O ensino do discurso citado como recurso argumentativo”. Neste momento, retomaremos a discussão, acrescentando novos aportes.
↩
2. Docente da área de Linguística e Língua Portuguesa, da
Licenciatura em Letras, e do Programa de Pós-Graduação em Letras e do PROFLETRAS da UESC. Líder do Grupo de Pesquisas “Estudos sobre Linguagem, Argumentação e Discurso” (ELAD/CNPq) e editor da Revista EID&A. E-mail:
<elpiris@uesc.br>.
↩
3. Termo cunhado por Jacqueline Authier-Revuz (1998).
↩
4. O Plano Nacional do Livro Didático é um programa voltado para
a distribuição de livros didáticos a alunos da rede pública de ensino. O PNLD é mantido pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), com recursos financeiros do Orçamento Geral da União.
↩
5. crossi@uol.com.br
Fonte: Folha de S.Paulo, em 27 de outubro de 2006.
↩
4 - A oralidade no ensino
fundamental: o gênero seminário
como objeto de ensino
1. Aluna do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) da
Universidade Estadual do Ceará (UECE). Bolsista da Capes. E-
mail: <profcintia8@gmail.com>.
↩
2. Professor do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS)
da Universidade Estadual do Ceará (UECE); professor do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal
do Ceará (UFC). E-mail: <valdinarcustodio@gmail.com>.
↩
3. Professor do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS)
da Universidade Estadual do Ceará (UECE). E-mail:
<wiljrac@gmail.com>.
↩
4. Segundo Bakhtin (1992), os gêneros secundários são aqueles
que aparecem em circunstâncias de comunicação cultural mais complexas, principalmente (mas não exclusivamente) escritas. Não estão mais ligados de maneira imediata a uma situação de comunicação informal, e sua forma revela, frequentemente, uma construção mais elaborada.
↩
5. Programa Nacional do Livro Didático.
↩
5 - Sequências textuais no ensino de
língua portuguesa: uma proposta
interacionista sociodiscursiva
1. Mestre em Linguagens e Letramentos (PROFLETRAS-UFS/SE,
2015) e professora da rede estadual de ensino de Sergipe. E-
mail: <maristelaufs@yahoo.com.br>.
↩
2. Mestre em Linguagens e Letramentos (PROFLETRAS-UFS/SE,
2015) e professora da rede estadual de ensino de Sergipe. E-
mail: <mariaacacialimabonifacio@yahoo.com.br>.
↩
3. Links para acesso ao OA Por dentro do gênero e ao seu
tutorial. Disponível em: <http://1drv.ms/1P02AzR;
http://1drv.ms/1H3pC2d>
↩
6 - Ludo das Fábulas: um jogo a
serviço da compreensão de um
gênero textual
1. Mestre pelo Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS)
da Universidade Federal de Sergipe. E-mail:
<adnaja@gmail.com>.
↩
2. Mestre pelo Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS)
da Universidade Federal de Sergipe. E-mail:
<k_rinemelo@yahoo.com.br>.
↩
3. Mestre pelo Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS)
da Universidade Federal de Sergipe. E-mail:
<simone.santana12@yahoo.com.br>.
↩
7 - Os gêneros do discurso,
linguagens e práticas sociais: o
trabalho numa turma de LP do ensino
médio
1. Aluna do curso Letras-Espanhol, sob orientação da Prof.ª D.ra
Rita Maria Diniz Zozzoli, vinculada ao projeto de pesquisa Articulação entre gêneros, suportes e veículos no discurso da mídia e do ensino e aprendizagem. E-mail:
<fransuellymontecchio@hotmail.com>.
↩
2. Docente da área de Linguística Aplicada, do Programa de Pós-
graduação em Letras e Linguística, coordenadora do projeto de pesquisa Articulação entre gêneros, suportes e veículos no discurso da mídia e do ensino e aprendizagem. E-mail:
<ritazoz@uol.com.br>.
↩
3. Esse termo denuncia uma visão “conteudística” (coisas prontas
para serem “passadas” ao aluno). Por isso é colocado entre aspas, pois não corresponde à perspectiva da pesquisa apresentada.
↩
8 - Novos letramentos e narrativas: as
vozes das mulheres do Pontal da
Barra
1. Aluna do curso Letras-Português, sob orientação da Prof.ª D.ra
Andréa da Silva Pereira, vinculada ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica. Registro no CNPq/ nº 8486469439813919. E-mail:
<alessandrarmiranda@hotmail.com>.
↩
2. Também conhecidas como bordadeiras ou rendeiras do Pontal
da Barra.
↩
3. As vozes sociais, de acordo com a concepção dialógica da
linguagem, na perspectiva bakhtiniana, são os posicionamentos linguístico-discursivos dos sujeitos diante de determinados valores sócio-ideológicos circulantes nas comunicações verbais.
↩
4. Esta pesquisa faz parte do Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação Científica – PIBIC – Novos Letramentos, Narrativas e História Local - referente aos anos de 2013-2014, que foi
desenvolvida sob a orientação da Prof.ª Dra. Andréa da Silva Pereira, da Faculdade de Letras – FALE – da Universidade Federal de Alagoas – UFAL. O projeto recebeu a colaboração de duas bolsistas graduandas da UFAL: Danielly Bezerra dos Santos e Alessandra Ramos dos Santos Miranda. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da UFAL – CAAE: 17168314.2.0000.5013.
↩
5. O segundo problema de pesquisa derivado do projeto
extensionista, a saber, as relações de poder existentes no contexto da Associação, constitui a investigação da segunda pesquisa, realizada pela estudante Danielly Bezerra dos Santos, que compõe o projeto PIBIC Novos Letramentos, Narrativas e História Local.
↩
6. Disponível em: <https://www.google.com.br/search?
q=refra%C3%A7%C3%A3o+-
da+luz&biw=1024&bih=489&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=
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senNoDjgNAH&ved=0CAcQ_AUoAg#facrc=_&imgdii=_&imgrc=
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p%253A%252252Falfaconnection.net%252Fpag_avsf%252Fluz
0202.htm%3B296%3B220>. Acesso em 27/11/2014.
↩
7. Disponível em:
<http://www.sofisica.com.br/conteudos/Otica/Refracaodaluz/leis
_de_refração.php>. Acesso em 27/11/14.
↩
8. Para manter o sigilo dos nomes das entrevistadas, utilizamos a
letra “R” significando rendeira (sinônimo de bordadeira). L1 na transcrição indica a fala da pesquisadora.
↩
Você terminou Práticas dialógicas de linguagem
Isabel Cristina Michelan de Azevedo
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