Ramo de Flores

João de Deus · Capítulo 2 de 24

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Ramo de Flores

Capítulo III

De leve, o chão!

 

Aquelle pé

De leve até

Nem se elle sente!

E sente a gente

Não sei o que é...

 

E a graça, o ar,

D'aquelle a andar!

Que véla passa

Com tanta graça

Á flôr do mar!

 

Os olhos vêr

Um só volver

De olhar tão dôce,

Que mais não fosse...

Era morrer!

 

Os dentes sãos

E tão irmãos

E tão luzentes!

Que bellos dentes!

Que lindas mãos!

 

III

 

Estrella, nuvem, ave,

Perfume, aragem, flôr!

Consola-me! distilla,

Da languida pupilla,

O balsamo suave

De um desditoso amor!

Estrella, nuvem, ave,

Perfume, aragem, flôr!

 

A flôr, de que és imagem,

A flôr, de que és irmã,

Sacia-se, e desata

O seu collar de prata

Aos beijos da aragem,

Aos risos da manhã!...

A flôr, de que és imagem,

A flôr, de que és irmã!

 

A perola que encerra

A flôr, é sua? Não.

O pranto que a amima,

Cahiu-lhe lá de cima

Para cahir na terra,

Para cahir no chão!

A perola que encerra

A flôr, é sua? Não!

 

Tu já mataste a sêde,

Mata-me a sêde a mim!

Se em nuvem piedosa

Te refrescaste, rosa!

Tambem em ti eu hei de

Refrigerar-me!... sim!

Tu já mataste a sêde,

Mata-me a sêde a mim!

 

É para que me orvalhes

Que te orvalhou o céo!

O liquido que veio

Aljofarar-te o seio

Bem é tambem que o espalhes

No chão... o chão sou eu!

É para que me orvalhes,

Que te orvalhou o céo!