Rio de Janeiro: o território fluminense

Angela Penalva · Capítulo 16 de 18

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Rio de Janeiro: o território fluminense

A participação dos investimentos chineses no processo de reestruturação do território fluminense

A participação dos investimentos chineses no

 

processo de reestruturação do território

 

fluminense

 

Thiago Jeremias Baptista

 

1. Introdução

 

A dimensão econômica do processo de globalização está relacionada a fenômenos que têm se

intensificado nos últimos anos como, por exemplo, o aumento da concorrência e da integração dos mercados, assim como a expansão dos fluxos internacionais de bens, serviços e capitais (Lacerda,

2000). Na escala global, o aumento na circulação dos fluxos de investimentos externos diretos 1 (IED) nas últimas décadas contribuiu para um salto de, aproximadamente, US$ 650 bilhões, ao final da década de 1990, para US$ 1,76 trilhão, em 2015.

Durante esse período, a República Popular da China se destacou, não somente como

recipiendária de investimentos externos na Ásia Oriental, mas também como um país que vem promovendo a internacionalização de seus investimentos. Segundo Cepal (2017), ela apresentou aumento sustentado de seus investimentos no exterior, alcançando a segunda posição enquanto origem de IED mundial (depois dos Estados Unidos). Nesse sentido, faz-se necessário destacar que os fluxos de IED chineses saltaram de US$ 830 milhões, em 1990, para US$ 127 bilhões, em

2015,2 alcançando US$ 183,1 bilhões, em 2016 (Cepal, 2017).

Nesse recorte temporal, o Brasil, em virtude da reforma administrativa realizada a partir da

década de 1990, caracterizou-se por um conjunto de mudanças em sua administração pública,

consolidando o modelo gerencial orientado pelo neoliberalismo,3 cujas bases se assentaram em pilares como a modernização, a privatização e a abertura ao capital estrangeiro (Tenório e Saraiva, 2006; Andrews, 2010; Castro, 2016; Giambagi; 2016). Como resultado, a maior economia sul-americana apresentou uma trajetória de ampliação como recipiendária de investimentos externos diretos, implicando o aumento da participação do IED no PIB nacional (Alves, 2014).

A dimensão acerca do processo de aumento do influxo de capitais estrangeiros no Brasil nos

últimos anos pode ser entendida quando notamos a sua passagem da condição de receptor de US$ 392 milhões, em 1970, para recipiendário de US$ 989 milhões, em 1990, alcançando US$ 96,1 bilhões na recepção de IED, em 2011. Apesar da entrada de capitais estrangeiros ter se

retraído recentemente, dada a recepção de US$ 64,6 bilhões, em 2015,4 o país ainda mantém posição relevante entre os receptores de investimentos externos na região.

Nesse primeiro quarto de décadas do século XXI, paralelo ao processo de influxo capitais

estrangeiros no território nacional, tem ocorrido a ampliação de investimentos chineses no Brasil. Estabelecendo uma nova fase no âmbito das relações sino-brasileiras, a República Popular da

China não somente aumentou sua participação enquanto destino das exportações brasileiras,5 como também se destacou pelos seus investimentos em território nacional. Havendo assim, que se recordar do encontro entre os presidentes Xi Jinping e Dilma Rousseff, em julho de 2014, quando mais de 50% dos acordos assinados se concentraram nos setores comercial e de investimentos, bem como da recente visita ao país, do primeiro-ministro chinês Li Keqiang, em maio de 2015 − cuja ocasião resultou na assinatura de mais trinta atos e acordos bilaterais, atingindo, US$ 27

bilhões,6 destacando-se os setores de mineração, ciência e tecnologia, e energia (CEBC, 2015).

A fim de preencher algumas lacunas sobre a origem do influxo de IED no país, o artigo em tela

põe seu foco sobre a presença do capital sínico7 no território nacional, tendo como objetivo identificar o volume de investimentos chineses confirmados no Brasil entre 2007-2016 e evidenciar a inserção do território fluminense nesse processo. A condução da problematização desse estudo decorre da confirmação de investimentos chineses no estado do Rio de Janeiro, entre os anos 2010 e 2016.

Esse capital contribuiu para a implantação de atividades produtivas nos setores de energia,

siderurgia, ferroviário, infraestrutura, informática e automotivo, em um território, que, conforme aponta Oliveira (2012), tem se caracterizado, desde a década de 1990, pelas transformações estruturais em sua base econômica e em suas redes técnicas de suporte à implantação de novas atividades produtivas, assim como pelo movimento de inversão da concentração de recursos e investimentos. Nesse sentido, procuramos compreender quais os motivos e/ou fatores conduzem a inserção do estado do Rio de Janeiro como recipiendário de investimentos chineses?

A fim de atender a essas expectativas, alguns procedimentos metodológicos foram adotados

para a realização deste estudo quali-quantitativo, compreendendo: i) o levantamento de referências sobre o tema em publicações acadêmicas e periódicos especializados; ii) consultas ao sítio eletrônico da UNCTAD, para a realização do levantamento dos dados quantitativos sobre fluxos e estoques de IED no Brasil e sobre os fluxos e estoques de IED da República Popular da China no mundo; iii) a sistematização dos dados referentes aos investimentos chineses confirmados no Brasil, entre 2007 e 2016, e no estado do Rio de Janeiro, entre 2010 e 2016, a partir das publicações do Centro Empresarial Brasil China (CEBC); e iv) na busca pela compreensão do processo de reestruturação do território fluminense, realizamos o levantamento da trajetória de crescimento do PIB estadual, entre os anos 1990-2014, bem como a participação de suas regiões de governo na composição econômica do estado do Rio de Janeiro, entre 2000 e 2012, a partir de dados da Fundação CEPERJ.

A estruturação do capítulo8 em tela compreende três seções que sucedem esta introdução. Nas

linhas correntes da primeira seção, evidenciamos o estado do Rio de Janeiro como nosso objeto de estudo e resgatamos a trajetória econômica fluminense a fim de elencar a perda da centralidade política (1960) e econômica no decorrer do século XX. Consideramos o prisma do esvaziamento econômico e das perdas relativas, especialmente, para tratar o período compreendido entre os anos de 1930 e 1980, para em seguida abordarmos a reestruturação do território fluminense, após a década de 1990, evidenciando tanto a trajetória de crescimento do PIB do estado, quanto a reorganização da participação das regiões fluminenses na composição econômica estadual.

A segunda seção traz considerações sobre a passagem da República Popular da China da

condição de recipiendária de investimentos externos a investidora internacional, identificando o volume de investimentos realizados pelo país asiático e a reorganização geográfica na distribuição dos seus investimentos no mundo nos últimos anos. A fim de identificar o volume desses no território nacional entre 2007-2016, apresentamos ao final da seção o influxo dos mesmos no Brasil e o número de projetos originados pelo capital sínico no país. Em seguida, a terceira seção trata a inserção do território fluminense no processo de internacionalização dos investimentos chineses, analisando os investimentos chineses confirmados no estado do Rio de Janeiro entre os anos 2010 e 2016, bem como a implantação de projetos de empresas chinesas que ocorreram nesse período. Sendo essa seção, sucedida pelas considerações finais do capítulo.

 

2. O território fluminense: trajetória econômica e o

processo de reestruturação

 

2.1 A trajetória econômica fluminense (1930-1980): a dupla perda de centralidade

O atual recorte espacial compreendido pelo território fluminense foi caracterizado, durante o

século XX, por uma dupla perda de centralidade.9 Com a transferência do Distrito Federal para Brasília, em 1960, ocorre a perda da capitalidade e, por conseguinte, a perda da centralidade política do Rio de Janeiro.

Esse processo implicou a formação de duas unidades federativas (o estado da Guanabara e o

estado do Rio de Janeiro), que quando fundidas, em 15 de março de 1975, originaram a atual configuração territorial do estado. Em decorrência desse processo, uma nova centralidade política foi implantada na região Centro-Oeste, por meio da instalação de Brasília, no Planalto Central, como metrópole política do país (Santos e Silveira, 2008).

A perda da centralidade econômica fluminense, entretanto, é decorrente de um processo longo,

abrangendo algumas décadas do século XX. Assim aquela centralidade exercida pelo espaço fluminense que, até o início daquele século, esteve atrelada à proeminência econômica, processualmente obtida nos períodos colonial, imperial e republicano do Brasil, dado o acúmulo de funções (comercial, portuária, militar, industrial e da administração pública), foi perdida com o intenso desenvolvimento industrial no estado de São Paulo e a afirmação da cidade de São Paulo como a metrópole econômica do país (Santos e Silveira, 2008).

Acerca do processo de perda de centralidade econômica fluminense, os trabalhos de Melo

(2001) e Silva (2012) elencam o período de 1930-1980, respectivamente, sob o prisma do esvaziamento econômico e das perdas relativas, denotando uma conjuntura econômica involutiva que, além de abarcar a perda de centralidade mencionada, evidencia, respectivamente, tanto o processo de perda de participação fluminense na produção industrial do país quanto a redução do Rio de Janeiro no PIB nacional.

Melo (2001) e Araújo e Melo (2014) evidenciam que, entre os anos de 1930 e 1980, o estado do

Rio de Janeiro assistiu a um esvaziamento econômico em decorrência da trajetória de diminuição de sua participação em percentuais na produção industrial brasileira. Todavia, os autores apontam que, apesar de ser o berço da industrialização do país, a indústria fluminense assistiu, desde a década de 1930, a um inexorável processo de esvaziamento, perdendo posição para a indústria paulista.

Como resultado, naquela década, a participação do Rio de Janeiro somada com a do Distrito

Federal correspondia a menos da metade da participação do estado de São Paulo na produção industrial do país, sendo mantida a trajetória de redução da participação fluminense na produção industrial nacional ao longo de praticamente toda segunda metade do século XX. Portanto, se, por um lado, a participação fluminense na produção industrial, entre 1907 e 2000, apresentou retração de aproximadamente 31%, dada a queda de 40%, em 1907, para 8,6%, em 2000, por outro lado, o estado de São Paulo apresentou uma trajetória ascendente, destacadamente, entre 1907 e 1975, com uma participação na produção industrial nacional que saltou de 16,5%, naquele ano, para

quase 60%, em meados da década de 1970 (gráfico 1).

 

Gráfico 1 – Rio de Janeiro e São Paulo: participação na produção industrial do Brasil entre 1907-

200010

 

Fonte: Melo, 2001 e Araújo e Melo, 2014 – gráfico elaborado pelo autor.

Segundo Silva (2012, p. 41), a trajetória que “passou a ser comumente interpretada como um

processo de ‘esvaziamento’ e ‘decadência’ econômica regional” foi compreendida como combinação da acelerada expansão industrial em território nacional e perdas reais de alguns ramos da economia estadual, de modo que, na compreensão do autor, “se fosse possível sintetizar, em uma frase, o desenvolvimento capitalista fluminense entre 1930-1980, a que melhor sintetizaria esse processo seria, muito possivelmente, crescimento e modernização com perda de importância relativa” (Silva, 2012, p. 41). Todavia, o autor assinala que “o Rio de Janeiro, como espaço pioneiro de vários setores, não conseguiu acompanhar o crescimento relativo dos novos espaços, perdendo participação relativa no total nacional” (p. 52).

Nessa perspectiva, compreende-se que a economia fluminense foi marcada por uma trajetória

de redução de sua participação no PIB nacional, tendo um perfil relativo, ou seja, resultou do descompasso entre suas taxas e a média do país. Como implicação desse processo assiste-se, atualmente, a contínua redução da participação do estado do Rio de Janeiro no PIB nacional, especialmente, quando se nota que no decorrer do século XX, a participação declinou de 21%, em 1939, para 11%, em 1995, ocorrendo uma sensível melhora da participação, na passagem para o século XXI, quando no decênio 1995-2005, esta subiu para, aproximadamente, 12%. Entretanto,

voltando a retrair para, aproximadamente, 11%, entre 2006 e 2014 (gráfico 2).

 

Gráfico 2 – Participação do estado do Rio de Janeiro no PIB nacional entre 1939-2014

 

Fonte: Santos, 2003; Silva, 2012; CEPERJ, s. d.11 – gráfico elaborado pelo autor.

 

A partir dessas considerações, pode-se compreender que a trajetória econômica fluminense ao

longo do século XX, destacadamente entre 1930-1980, foi marcada pela perda de centralidade econômica, em decorrência tanto da redução de sua participação na produção industrial nacional quanto pela retração da contribuição fluminense no PIB nacional, implicando o ingresso do território fluminense em uma trajetória que foi denominada de “esvaziamento econômico”, e que mais recentemente foi compreendida enquanto “perdas relativas” de participação fluminense na economia nacional (Melo, 2001; Silva, 2012; Araújo e Melo, 2014).

No entanto, ainda que marcado por uma conjuntura econômica involutiva, decorrente do

negativo desempenho da economia nacional nos anos 1980, o estado do Rio de Janeiro teve que aguardar a década de 1990 para assistir um conjunto de mudanças atreladas à implantação de novas atividades produtivas, a realização de novos investimentos em infraestrutura e as alterações nas bases de suas economias regionais, o que desencadearia seu processo de reestruturação. Essas mudanças são discutidas nas linhas subsequentes quando se volta atenção à compreensão sobre o processo de reestruturação do território fluminense e a inserção dos investimentos chineses no estado no início do século XXI.

 

2.2 A trajetória econômica fluminense (pós-1990): o processo de reestruturação e o influxo de investimentos chineses

A atual configuração territorial do estado do Rio de Janeiro (figura 1), com extensão de 43,7 mil

km², permite que essa unidade federativa (UF) estabeleça divisas com outros três estados da região Sudeste do Brasil, apresentando uma organização político-administrativa, hodiernamente, formada por oito regiões de governo e malha municipal constituída por 92 municípios. O estado do Rio do Janeiro não está apenas próximo do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, sendo juntamente com estes responsável por, aproximadamente, 55% do PIB nacional.

 

Figura 1 – Estado do Rio de Janeiro: a RMRJ e o interior fluminense

 

Fonte: O autor, 2015.

 

Tamanha concentração na composição do PIB do país evidencia tanto a característica

assimétrica do desenvolvimento capitalista brasileiro (Silva, 2012) quanto justifica a manutenção de uma agenda de pesquisa acerca do território fluminense, sobretudo, pela sua importância no

âmbito econômico e produtivo nacional. Segundo Oliveira12 (2012, p. 131), “o território fluminense necessita ser estudado em sua totalidade, como espaço social que passa por um conjunto de mudanças nas condições gerais de produção”, destacadamente, porque:

 

a organização do território fluminense como um todo passou nas últimas duas décadas por transformações

estruturais em sua base econômica e nas redes técnicas de suporte às novas atividades produtivas, iniciando

um movimento de inversão da concentração de recursos, população e investimentos que caracterizaram as

duas cidades do núcleo metropolitano, ou seja, Rio de Janeiro e Niterói.

Essas novas atividades, a princípio, foram resultantes de ações empresariais que atuam no mercado

internacional, cujas decisões ocorrem nos principais centros econômicos do capitalismo contemporâneo. A partir

desses centros é que são decididos os usos dos territórios, apropriando-se dos recursos existentes em cada

lugar por setores econômicos globalizados, cujos objetivos são pura e simplesmente a exploração dos recursos

locais e a acumulação de capitais (Oliveira, 2012, p. 132).

 

Convergimos com Oliveira (2012) quando o autor aponta que o estado do Rio de Janeiro,

enquanto “um território em mudanças”, tem suas principais transformações territoriais relacionadas aos processos de transformações das bases econômicas, iniciados nos primeiros anos da década de 1990, destacadamente, quando assinala que:

 

as mudanças nas bases técnicas no interior do estado, sobretudo, no Norte Fluminense, cujas bases

econômicas eram atividades agroindustriais sucroalcooleiras e, hoje, predominam a indústria do petróleo e gás,

por meio das atividades extrativistas e logísticas. No outro extremo, no sul do estado, onde havia uma base

isolada do setor siderúrgico, liderada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), instala-se um complexo polo

metal-mecânico e siderúrgico, ampliado pelas indústrias automobilísticas e pelas atividades portuárias da região

(Oliveira, 2012, pp. 132-3).

 

Essas mudanças, segundo o autor supracitado, só ganham visibilidade quando atingem o

espaço metropolitano, influindo na reversão do quadro de estagnação que perdurou até a década de 1980 e início dos anos 1990. Especialmente com a instalação de novos fixos nessa porção do território e o (re)acionamento de setores produtivos localizados na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), que se encontravam estagnados como, por exemplo, a indústria naval.

Na perspectiva de Silva (2012), essas mudanças contribuíram para que o território fluminense

chegasse ao século XXI internamente constituído por um parque industrial dotado de novas plantas industriais, porém pouco articulado, dado o estabelecimento de dois padrões de especialização: o da produção petrolífera do Norte Fluminense e o da produção manufatureira no Sul Fluminense. Cabendo a RMRJ, apesar de sua densidade econômica e demográfica, assistir um padrão de desenvolvimento assentado na terciarização e na desindustrialização, bem como um processo de mudança na sua contribuição percentual na economia fluminense.

Diante do exposto acerca das mudanças que ocorreram no território fluminense, após a década

de 1990, consideramos sua reestruturação sob o prisma econômico-produtivo. Considerando, assim, a trajetória de influxo de investimentos no território fluminense e o crescimento econômico do estado do Rio de Janeiro, acompanhado da reorganização da participação de suas economias regionais na composição do PIB estadual.

A noção de reestruturação que nos orienta pode ser compreendida, conforme assinala Soja

(1993), enquanto um processo resultante da modificação da estrutura de um espaço material, de maneira rápida ou lenta, ocorrendo em diferentes escalas, nas quais fatores econômicos, políticos e ideológicos frequentemente combinados transmitem a noção de ruptura nas tendências seculares. Sendo essa noção também apreendida como um processo de mudança estrutural expressivo em direção a uma ordem e a uma configuração significativamente diferente na vida social, econômica e política (Santos, 2008; Souza, 2013).

No caso do território fluminense, a superação da trajetória de estagnação ocorre pari passum ao

processo de retomada de crescimento econômico do estado, apesar de não ter sido capaz de reverter a sua perda de importância na economia nacional – sendo esta mantida em, aproximadamente, 11% –, ela se caracterizou por uma nova conjuntura econômico-produtiva. As principais características dessa nova conjuntura econômico-produtiva se constituem tanto pela trajetória de influxos de investimentos e implantação de novas atividades produtivas no território quanto pelo crescimento do seu PIB e reorganização dos percentuais de participação de suas economias regionais na economia do estado.

No que concerne ao crescimento econômico e a reorganização da participação das economias

regionais, torna-se possível dimensionar a conjuntura de mudanças, quando o PIB fluminense saltou de R$ 78,9 milhões, em 1995, para R$ 671,0 milhões, em 2014; ampliando, de modo pouco significativo, seu percentual de participação na economia nacional entre 1995 e 2014, mantendo-se esta participação nesse período entre 11% e 12%, ou seja, pouco superior à contribuição

apresentada na metade dos anos 1990 (gráfico 3).

Gráfico 3 – Estado do Rio de Janeiro: PIB e participação no PIB nacional entre 1995 e 2014

 

Fonte: Fundação CEPERJ13 – gráfico elaborado pelo autor.

 

Além da conjuntura de mudanças pela qual passou o território fluminense poder ser evidenciada

com o crescimento do PIB do estado do Rio de Janeiro, a partir da década de 1990, torna-se possível dimensionar esse processo com a reorganização das taxas de participação econômico-regional, em um período mais recente, destacadamente entre os anos 2000 e 2014. Portanto, nota-se que nesse período o crescimento do PIB estadual saiu de R$ 139,7 milhões, em 2000, para R$ 671,0 milhões, em 2014; ocorrendo o aumento da participação da porção interiorana do estado na economia fluminense.

Como resultado, o interior fluminense elevou sua participação no PIB estadual, em 11,0%, no

referido período, passando sua contribuição no PIB estadual de 26%, em 2000, para 37% em 2014. No entanto, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro assistiu tanto aos processos de desindustrialização e terciarização, assinalados por Silva (2012), quanto à diminuição de sua

participação de 74%, em 2000, para 63%, em 2014 (tabela 1), o que evidencia o processo de inversão da concentração econômico-produtiva e de recursos no território fluminense.

 

Tabela 1 – Estado do Rio de Janeiro: PIB por regiões de governo (%) (2000-

2014)

Regiões de governo 2000 (%) 2014 (%) Variação % Metropolitana 74% 63% -11%

Interior Fluminense 26% 37% 11% Norte Fluminense 7% 16% 9%

Médio Paraíba 7% 5% -2% Serrana 4% 4% 0%

Baixadas Litorâneas 4% 8% 4% Centro-Sul Fluminense 1% 1% 0%

Noroeste Fluminense 1% 1% 0% Costa Verde 1% 2% 1%

Fonte: FUNDAÇÃO CEPERJ14 – tabela elaborada pelo autor como base na participação por

atividade econômica e no valor adicionado bruto, segundo as regiões de governo e municípios –

2000/2014.

Todavia, como bem assinalam Terra et al. (2012), em meio a essa conjuntura de mudanças, o

supracitado estado se destacou na carteira de investimentos industriais, logísticos e de serviços. No que concerne aos investimentos chineses confirmados no país, o estado do Rio de Janeiro recebeu grande aporte desse capital. Com efeito, entre 2010 e 2016, o influxo de investimentos chineses no território fluminense compreendeu, aproximadamente, US$ 21,9 bilhões, abrangendo assim grande parte dos investimentos chineses confirmados no Brasil, entre 2007 e 2016, quando

a soma desse capital compreendeu, aproximadamente, US$ 46,1 bilhões (CEBC, 2017) (gráfico 4).

 

Gráfico 4 – Investimentos chineses confirmados no estado do Rio de Janeiro

 

Fonte: CEBC, 2017 – gráfico elaborado pelo autor.

 

3. A reorganização geográfica dos investimentos

chineses no mundo e a inserção do Brasil no processo

de internacionalização dos IED chineses

 

No final dos anos 1970, a República Popular da China15 assistiu à abertura econômica aos

investimentos estrangeiros e as reformas realizadas pelo governo Deng Xiaoping (1978-1992). Como resultado, o país asiático ascendeu, ao longo de seu processo de desenvolvimento econômico, de recipiendário de investimentos estrangeiros à condição de investidor internacional.

O influxo de investimentos externos na República Popular da China se manteve crescente, ao

longo do último quarto de décadas do século XX e do início do século XXI, ocorrendo um salto de, aproximadamente, US$ 57 milhões, em 1980, para US$ 1,9 bilhão, em 1985, assim como considerável trajetória de ampliação dos US$ 37,5 bilhões, em 1995, ao atingir US$ 135,6 bilhões,

em 2015 (gráfico 5). Sendo possível notar que o período de maior influxo de investimentos no território chinês compreende o recorte temporal entre os anos 1990 e as primeiras décadas do século corrente.

Gráfico 5 – República Popular da China: influxo de IED – 1980-2015

 

Fonte: UNCTAD16 − gráfico elaborado pelo autor.

 

No que concerne à internacionalização dos investimentos chineses, pode-se compreender que,

embora as primeiras concessões para efetuar investimentos no exterior remontem a passagem entre os anos 1979-1980, foi somente a partir da década de 1990, que aquele país ampliou sua participação no fluxo e no estoque de IED no mundo (Buckley et al., 2010; Oliveira, A., 2012; CEBC, 2013; Alves, 2014). Como resultado, a República Popular da China atingiu US$ 127,5 bilhões em fluxos de investimentos no exterior, em 2015, alcançando US$ 1,0 trilhão, em seus

estoques de IED no mesmo ano (gráfico 6).

 

Gráfico 6 – República Popular da China: fluxo e estoque de IED no exterior – 1980-2015

 

Fonte: UNCTAD17 − gráfico elaborado pelo autor.

 

O desempenho alcançado como investidor internacional pela República Popular da China

remonta a uma trajetória gradual de expansão de seus investimentos no exterior, 18 dotando-a de capacidades político-econômicas de investir em diferentes regiões do mundo com assertividade e pragmatismo. Com efeito, o país asiático expandiu a atuação de suas empresas estatais e investiu em diferentes regiões do espaço mundial.

A República Popular da China manteve, inicialmente, a maior parte dos seus investimentos

externos em países desenvolvidos, entretanto, mais recentemente, a reorganização geográfica na distribuição espacial de seus investimentos no exterior conduziu os países em desenvolvimento à condição de maiores receptores de IED chineses (IPEA, 2011). Assim, os fluxos e estoques de IED chineses, em 2012, se concentravam na Ásia e na América Latina e Caribe, sendo essas regiões seguidas, no que concerne aos fluxos, pela Europa, América do Norte, economias em transição, outros países desenvolvidos e África. No que tange aos estoques, Ásia e América Latina e Caribe são sucedidas pela Europa, América do Norte, outros países desenvolvidos, África e economias

em transição ( 19 gráfico 7 ) .

 

Gráfico 7 – República Popular da China (RPC): fluxos e estoques de IED no exterior, por regiões

em 2012

 

Fonte: UNCTAD20 – gráfico elaborado pelo autor.

 

No que concerne às relações sino-brasileiras, conforme assinalado, a República Popular da

China, além de principal parceiro comercial do Brasil, vem se destacando no relacionamento bilateral com este país sul-americano, como um novo investidor internacional. Com efeito, durante o período compreendido entre os anos de 2007 e 2016, é possível identificar que US$ 46,1 bilhões

em IED chineses foram confirmados no território nacional (gráfico 8).

 

Gráfico 8 – Investimentos externos diretos chineses confirmados no Brasil – 2007-2016

 

Fonte: CEBC, 2017 – gráfico elaborado pelo autor.

 

Diante do exposto, percebe-se que, embora presente entre 2007 e 2009, o influxo de

investimentos chineses confirmados no país foi baixo, compreendendo, quando somados, US$ 549 milhões. Entretanto, a partir de 2010, o ingresso desses investimentos foi consideravelmente ampliado no território nacional, dada a confirmação de US$ 13,0 bilhões, sendo sucedido, nos anos subsequentes, por novos investimentos, apesar de menores em relação ao ano de 2010, como: US$ 8,0 bilhões, em 2011; US$ 3,4 bilhões, em 2012; US$ 3,4 bilhões, em 2013; US$ 1,7 bilhões, em 2014; US$ 7,4 bilhões, em 2015; e US$ 8,3 bilhões, em 2016 − compreendem volumes de investimentos confirmados que não se mostraram inferiores ao período de 2007-2009.

Portanto, se, por um lado, entre 2010 e 2014, houve redução do aporte de investimentos

chineses no Brasil, por outro, entre 2014 e 2016, houve a retomada desses investimentos no país. O volume de capital chinês investido no país ao longo dos anos de 2007 a 2016 equivaleu à

confirmação de 88 projetos (gráfico 9).

 

Gráfico 9 – Projetos de investimentos chineses confirmados no Brasil – 2007-2016.

 

Fonte: CEBC, 2016 – gráfico elaborado pelo autor.

 

O número de projetos e o volume de capitais investidos nos setores de energia e agronegócio

foram representativos. No entanto, outros setores, como o de siderurgia, máquinas e equipamentos, automobilístico, aviação, financeiro e, mais recentemente, os de informática e de infraestrutura, têm diversificado as atividades receptoras de investimentos chineses no Brasil (CEBC, 2015, 2016, 2017).

Nota-se, no caso brasileiro, que como desdobramento da influência da teoria neoliberal na

reforma administrativa do país, ocorre tanto um processo de reestruturação do estado por meio da abertura econômica, das privatizações e da redução do intervencionismo quanto à participação mais recente do capital sínico no processo de “desnacionalização profunda”, apontado por Miranda e Tavares (1999), e de “transnacionalização do território”, assinalado por Santos (2012). Diante desses processos, cabe-nos na próxima seção, evidenciar a inserção do estado do Rio de Janeiro como recipiendário desse influxo de investimentos chineses no país.

 

4. A inserção do estado do Rio de Janeiro no processo

de internacionalização dos investimentos chineses

 

Apesar de apresentarem contribuições acerca da retomada do crescimento econômico do

estado do Rio de Janeiro, evidenciarem a reestruturação produtiva do território nas últimas duas décadas e avaliarem a trajetória econômica fluminense ao longo da passagem do século XX para o XXI, os estudos elencados neste capítulo não enfatizam o influxo dos investimentos chineses no território fluminense.

No sentido de preencher essa lacuna, identificamos, a partir das publicações do CEBC, que, no

período compreendido entre os anos de 2007 e 2016, os investimentos chineses confirmados no Brasil compreenderam, aproximadamente, US$ 46,1 bilhões. No território nacional, a região Sudeste se destaca como o centro de gravidade dos investimentos chineses, concentrando grande parte dos empreendimentos realizados no país (CEBC, 2017).

Entre as unidades federativas, não somente na escala regional, mas também na escala

nacional, os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro se destacam como recipiendários desses investimentos. Este último, entre 2010 e 2016, foi inserido no processo de internacionalização dos investimentos chineses, dado o influxo de aproximadamente US$ 21,9 bilhões. Esse volume de capital representou, aproximadamente, 45,5%, do montante dos investimentos chineses confirmados no país, correspondendo, assim, à implantação de dez projetos no território fluminense.

Os projetos que materializam os investimentos chineses no território fluminense abrangem os

setores de energia, siderurgia, infraestrutura, ferroviário, de informática e automotivo (tabela 2). Sendo possível notar uma trajetória de continuidade dos investimentos chineses no estado, apesar da exceção nos anos 2012 e 2014, a década corrente tem sido marcada pela entrada de IED chineses neste.

Tabela 2 – Investimentos chineses confirmados no território fluminense: 2010-2016

Projeto Ano Empresa de Valor em US$ Modo de Setor Estrutura Determinante

origem entrada de do

propriedade investimento

1 2010 Sinopec Repsol 7.109.000.000 Fusões e Energia Central SOE Busca de

Brasil* aquisições (petróleo e recursos

(parcial) gás)

2 2010 Sinochem Statoil 3.070.000.000 Fusões e Energia Central SOE Busca de

ASA** aquisições (petróleo e recursos

(parcial) gás)

3 2010 CR Zong-shen*** 20.000.000 Greenfield Automotivo Privada Busca de

mercado

4 2010 Wuhan Iron/Stell 3.500.000.000 Joint Siderurgia Central SOE Busca de

Group Co. Venture recursos

(Wisco) ****

5 2011 China Northern 200.000.000 Fusões e Ferroviário SOE Busca de

Railway ***** aquisições mercado

(completa)

6 2011 Sinopec ****** 3.500.000.000 Fusões e Energia Central SOE Busca de

aquisições (Petróleo e recursos

(parcial) Gás)

7 2013 CNPC e CNOOC 1.500.000.000 Fusões e Energia Central SOE Busca de

******* aquisições (petróleo e recursos

(parcial) gás)

8 2015 Qihoo 21.000.000 Fusões e Informática Privada Busca de

aquisições Mercado

9 2015 State Grid 2.905.808.000 Fusões e Energia SOE Busca de

******** aquisições Central mercado

(parcial)

10 2016 China 100.000.000 Joint Infraestrutura Central SOE Busca de

Communications Venture mercado Construction

Company

*********

* “Compra de 40% das operações brasileiras da empresa espanhola REPSOL” (Oliveira, A.,

2012, p. 209).

** “Aquisição de 40% da exploração do Campo de petróleo offshore Peregrino (Bacia de

Campos)” (Oliveira, A., 2012, p. 209).

*** “Instalação de fábrica utilizando a marca KASINSKI” (Oliveira, 2012, p. 210).

**** “Instalação de siderúrgica, com 70% de participação da Wisco na joint venture (Porto do Açú

− São João da Barra)” (Oliveira, A. 2012, p. 210).

***** “Fabricação de 34 trens para o governo do estado do Rio de Janeiro. O valor será investido

na aquisição de maquinário e modernização de planta já existente. A previsão é alcançar 2.500

trabalhadores” (Oliveira A., 2012, p. 211).

****** “30% dos ativos da Galp no Brasil” (Oliveira, A., 2012, p. 2011).

******* “As empresas chinesas CNPC e CNOOC arremataram, em conjunto com a anglo-

holandesa Shell, a francesa Total e a brasileira Petrobras, a concessão para exploração de

petróleo e gás no Campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Campos” (CEBC, 2014, p. 16).

******** “A State Grid Brazil Holding venceu o leilão realizado pela Agência Nacional de Energia

Elétrica (ANEEL) para a construção da segunda linha de transmissão de Belo Monte. A linha

reforçará o escoamento da produção da energia produzida na hidrelétrica até o Sudeste. […] O

investimento previsto é de R$ 7 bilhões e as obras serão realizadas em cinco estados: Pará,

Tocantins, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro” (CEBC, 2016, p. 28). Entretanto, foram

confirmados US$ 2.095.000,00 em investimentos cujos projetos contemplaram os referidos

estados (CEBC, 2016, p. 30).

********* “A empresa China Communications Construction Company (CCCC) acertou a aquisição

de 80% do capital da construtora brasileira Concremat Engenharia no valor de R$ 350 milhões. O

grupo chinês tem interesses em projetos de infraestrutura, equipamentos pesados e serviços de

dragagem no Brasil, onde pretende investir US$ 1 bilhão no médio prazo. A Concremat confirmou ter assinado um acordo preliminar, com os termos e condições a serem definidos posteriormente”

(CEBC, 2017, p. 24).

Fonte: Oliveira, 2012 e CEBC, 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017 – tabela elaborada pelo autor.

 

Outro aspecto que pode ser observado na estrutura de propriedade das empresas é o fato de

que, entre os dez projetos chineses realizados no estado do Rio de Janeiro, apenas dois foram feitos por empresas privadas – um no setor automotivo e outro no setor de informática. Enquanto

os investimentos realizados por empresas estatais chinesas correspondem a oito projetos (gráfico

10). Entre os oito projetos realizados por estatais chinesas, cinco estão relacionados ao setor de energia, destacadamente, no segmento óleo e gás – que abrange quatro deles. Enquanto os outros três contemplam os setores siderúrgico, ferroviário e de infraestrutura.

 

Gráfico 10 – Número de projetos chineses no território fluminense por estrutura de propriedade

das empresas – 2010-2016

 

Fonte: O autor, 2017.

 

Com efeito, o setor de energia não corresponde apenas ao maior número de projetos, mas

abrange o maior volume de capital investido pelas estatais chinesas no estado do Rio de Janeiro, compreendendo, aproximadamente, a US$ 18,0 bilhões, ou seja, 82,4% dos investimentos realizados no território fluminense, entre 2010-2016. Por outro lado, os investimentos nos setores de informática, automotivo, de infraestrutura, ferroviário e siderúrgico compreendem tanto os menores volumes em investimentos quanto apenas um projeto em cada um desses setores, assim

como os menores percentuais, conforme evidencia o gráfico 11.

Gráfico 11 – Investimentos chineses no estado do Rio de Janeiro: distribuição por setores (%)

 

Fonte: CEBC (2017) – gráfico elaborado pelo autor.

 

5. Considerações finais

 

Compreende-se, a partir do presente estudo, que o território fluminense, ao longo do século XX,

apresentou uma trajetória caracterizada pela diminuição de sua participação na produção industrial brasileira e redução de sua contribuição no PIB nacional. Tendo que aguardar a década de 1990 para assistir a um conjunto de mudanças atreladas à implantação de novas atividades produtivas, a realização de novos investimentos em infraestrutura e as alterações nas bases de suas economias regionais que, por conseguinte, desencadearam o processo de reestruturação produtiva do território.

Na atual fase do processo de globalização e intensificação da circulação de capital, o estado do

Rio de Janeiro, como recipiendário de investimentos, assistiu, mais recentemente, ao influxo do capital sínico em seu território. Assim, este, entre os anos de 2007 e 2016, foi o destino de, aproximadamente, US$ 21,9 bilhões de investimentos chineses realizados no Brasil, o que corresponde a 45%, dos US$ 46,1 bilhões, sob a forma de IED oriundo da República Popular da China confirmados no país, entre 2007 e 2016.

O ingresso dos investimentos chineses no Brasil, no recorte temporal mencionado, equivaleu à

implantação de 88 projetos. Entre estes, 78 foram realizados em diferentes unidades federativas do país, enquanto, no território fluminense, foram dez, concentrando-se no setor de energia, apesar de outros setores como o siderúrgico, o de infraestrutura, o ferroviário, o de informática e o automotivo também se apresentarem como receptores desse montante de capital.

Nota-se, ainda, que a estrutura da propriedade dos investimentos chineses é

predominantemente estatal, dada a atuação, em oito desses projetos, realizada por grandes corporações chinesas, como por exemplo: a Sinopec Repsol Brasil, a Sinochem Statoil, a Wuhan Iron Stell Group Co., a China Northern Railway, a China National Petroleum Corporation, a China National Offshore Oil Corporation, a State Grid, a China Communications Construction Company. Enquanto os menores volumes de capital investido no estado correspondem à implantação de dois projetos de empresas privadas chinesas nos setores automotivo e de informática, por meio da atuação, respectivamente, da CR Zong-Shen e da Qihoo, cujo determinante do investimento foi a busca por mercado, as grandes corporações chinesas mencionadas, que se concentram, destacadamente, nos setores de energia, siderurgia, infraestrutura e ferroviário, têm a busca por recursos como principal determinante dos seus investimentos no território fluminense, embora a busca por mercado se projete como determinante dos investimentos realizados pelas empresas China Northern Railway e State Grid.

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