Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade

Parte 3: Escreva o livro que você quer ler

3: ESCREVA O LIVRO

QUE VOCÊ QUER LER.

ESCREVA SOBRE

O QUE VOCÊ

CONHECE GOSTA.

 

O filme Parque dos dinossauros foi lançado quando eu tinha dez anos. Adorei. Assim que saí do cinema, fiquei louco por uma continuação, então, no dia seguinte, sentei e redigi uma continuação no meu velho PC. Na minha versão, o filho do guarda-florestal que é comido por Velociraptors volta à ilha com a neta do cara que construiu o parque. Um deles quer destruir o que restou do parque, o outro quer salvar. Claro, eles se apaixonam e se metem em aventuras.

 

Na época eu não sabia, mas estava escrevendo o que hoje se chama de fan fiction – histórias ficcionais baseadas em personagens que já existem.

 

Aos dez anos, salvei a história na memória do computador. Alguns anos depois, O mundo perdido finalmente foi lançado. E era péssimo. A continuação real sempre nos decepciona se comparada à continuação que criamos em nossas mentes.

 

A pergunta que todo escritor iniciante se faz em algum momento é: “O que devo escrever?” E a resposta-padrão é: “Escreva sobre o que você conhece.” Esse conselho sempre leva a histórias terríveis em que nada incrível acontece.

 

Fazemos arte porque gostamos de arte. Somos atraídos por certos tipos de trabalhos porque as pessoas que fazem esses trabalhos nos inspiram. Toda ficção é, na verdade, fan fiction.

 

“Meu interesse em fazer música é criar algo que não existe e que

eu gostaria de ouvir. Eu queria ouvir música que ainda não estava

por aí, juntando coisas que sugeriam uma coisa nova que ainda

não existia.”

– Brian Eno

 

O melhor conselho que tenho a dar não é que você escreva sobre o que você conhece, é que escreva o que gosta. Escreva o tipo de história de que você mais gosta – escreva a história que você quer ler. O mesmo princípio se aplica à sua vida e carreira: Sempre que estiver perdido sobre o que fazer em seguida, pergunte-se: “O que faria disso uma história melhor?”

 

Bradford Cox, membro da banda Deerhunter, conta que, quando era criança, não havia internet, e por isso precisava esperar até o dia do lançamento oficial do novo álbum de sua banda favorita. Ele tinha uma brincadeira: sentava e gravava uma versão “pirata” de como gostaria que soasse o álbum novo. Depois, quando o álbum era lançado, comparava as músicas que havia composto com aquelas do álbum verdadeiro. E, veja só, muitas dessas músicas acabaram se tornando canções de sua banda.

 

Quando amamos uma obra, ficamos desesperados por mais. Suspiramos por continuações. Por que não direcionar esse desejo para algo produtivo?

 

Pense na sua obra favorita e em seus heróis. O que foi que eles esqueceram de fazer? O que poderia ter sido feito? Se ainda estivessem vivos, o que estariam fazendo hoje? Se todos seus criadores favoritos se reunissem e colaborassem, o que eles fariam com você na liderança da equipe?

Vá fazer isso.

 

O manifesto é esse: Desenhe a arte que você quer ver, comece o negócio que quer gerir, toque a música que quer ouvir, escreva os livros que quer ler, crie os produtos que quer usar – faça o trabalho que você quer ver pronto.