Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade

Parte 7: A geografia não manda mais em nós

7: A GEOGRAFIA

NÃO MANDA

MAIS EM NÓS.

CONSTRUA SEU

PRÓPRIO MUNDO.

 

Eu cresci no meio de um milharal no sul de Ohio. Quando era criança, tudo o que eu queria era estar num lugar onde alguma coisa estivesse acontecendo.

 

Agora vivo em Austin, no Texas. Um lugar badalado. Vários artistas e tipos criativos por toda parte. E sabe o que mais? Eu diria que 90 por cento dos meus mentores e colegas não vivem em Austin. Eles vivem por aí. Conheço-os através da internet.

 

O que é o mesmo que dizer que muitos dos meus pensamentos e das conversas e relações ligadas à arte se desenvolvem online. Ao invés de uma cena artística geográfica, tenho companheiros de Twitter e Google Reader.

 

Você não precisa morar em qualquer outro lugar além de onde você está para começar a se conectar com o mundo em que deseja entrar. Se você se sente estagnado em algum lugar, se for jovem demais ou velho demais ou sem grana, ou se de alguma maneira está preso a um lugar, use o coração. Há uma comunidade de pessoas lá fora com a qual você pode se conectar.

 

Enquanto isso, se você não está envolvido com o mundo em que vive, pode construir o seu próprio. (Agora seria um bom momento para colocar seus fones de ouvido e deixar no gatilho a música “In My Room”, dos Beach Boys.) Cerque-se de livros e objetos que ama. Pregue coisas na parede. Crie seu próprio mundo.

Franz Kafka escreveu: “Não é necessário sair de casa. Sente-se à sua mesa e ouça. Nem mesmo ouça, apenas espere. Não espere, fique quieto e a sós. O mundo inteiro irá oferecer-se a você.” E Kafka nasceu um século antes da internet!

Tudo de que você precisa é de um pouco de espaço e um pouco de tempo – alguma solidão autoimposta e confinamento temporário. Se a situação atual não permite isso, às vezes é possível encontrar solidão e confinamento do lado de fora. Quando eu era criança, minha mãe costumava me arrastar ao shopping. Antes de começar a fazer suas compras, ela me levava para a livraria e comprava qualquer livro que eu quisesse. Ao entrarmos nas lojas, eu sentava numa cadeira e lia meu livro enquanto ela fazia compras. Foi assim por anos. Li vários livros.

 

Agora tenho um carro e um telefone celular. Estou sempre conectado, nunca sozinho ou confinado. Por isso, pego o ônibus para ir e voltar do trabalho, mesmo que leve vinte minutos a mais do que se fosse de carro. Vou a um barbeiro que atende por hora de chegada, sem wi-fi, e que tem uma fila de espera de algumas horas. Mantenho meu laptop fechado no aeroporto. Passo um tempo na biblioteca.

 

Sempre carrego um livro, uma caneta e um caderno de anotações, e sempre desfruto da minha solidão e do confinamento temporário.