Rumores da escrita, vestígios do passado: uma interpretação fonológica das vogais do português arcaico

3 A Pesquisa linguística em textos do português arcaico

3 A Pesquisa linguística em textos do

português arcaico

 

No presente capítulo, há uma breve descrição da metodologia científica adotada neste estudo, que consiste, basicamente, na observação das rimas e da grafia das CSM.

Nesse sentido, pode-se dizer que foram empregadas duas metodologias distintas para o estudo das vogais do PA: uma para as vogais tônicas e átonas finais, baseada nas rimas das CSM, e outra para as vogais pretônicas, baseada na observação da variação gráfica identificada no corpus referido.

Conforme já mencionado, as rimas das CSM são todas perfeitas (soantes), e isso significa que, a partir da vogal tônica, todas as vogais e consoantes dos termos rimantes entre si são idênticas, ou seja, possuem a mesma qualidade fônica (cf. Goldstein, 1985). Nesse sentido, apenas as vogais tônicas e postônicas podem ser estudadas a partir das rimas do corpus analisado, uma vez que as vogais pretônicas não são contempladas pela rima. Dessa forma, para as vogais pretônicas foi necessário adotar outro tipo de metodologia, baseada na grafia dos textos poéticos estudados, e não em suas rimas.

A seguir, estão descritas detalhadamente as metodologias adotadas para o estudo das vogais tônicas, átonas finais e pretônicas do PA, respectivamente.

 

Vogais tônicas

No que diz respeito às vogais tônicas do PA, a metodologia empregada baseia-se principalmente na observação e interpretação das rimas das CSM.

Conforme observado anteriormente, as rimas das cantigas medievais fornecem pistas relevantes a respeito da realização fônica das vogais portuguesas, em um momento passado da língua, que não possui registros orais. Com base nas rimas das cantigas em questão, foi possível obter informações a respeito das qualidades vocálicas do PA, principalmente no que diz respeito à distinção de timbre entre as vogais médias, conforme veremos neste capítulo.

Para a análise das rimas, considerou-se o levantamento, feito por Betti (1997), de todas as rimas possíveis nas 420 CSM. Nesse trabalho, intitulado Rimario e lessico in rima delle Cantigas de Santa Maria di Alfonso X di Castiglia, a autora aponta todas as rimas presentes nas cantigas medievais religiosas referentes a cada terminação levantada. Para a terminação -issen, por exemplo, Betti (idem, p.240) mostra que só a CSM 321 é constituída de rimas com essa terminação, conforme indicam os versos 15, 16 e 17 dessa cantiga, a seguir, retirados da obra da autora:

(3.1)

ISSEN 3

321 15 Sa madre con coita dela, / en tal que lla ben guarissen,

321 16 non catou de dar a meges, / todo quanto lle pedissen,

321 17 nen a físicos da terra, rogando-lles que a vissen,

Com base nas informações contidas em Betti (idem), mapeamos todas as vogais possíveis, em posição tônica, nas CSM. Também foram consultadas as cantigas presentes nas edições de Mettmann (1986a, 1988, 1989), quando os dados de Betti (op. cit.) causaram dúvidas de interpretação.

Como as primeiras gramáticas do português são posteriores ao século XIII - as gramáticas de Fernão de Oliveira e de João de Barros datam do século XVI (cf. Mattos e Silva, 2006, p.43) -, não foi possível obter informações sobre as vogais do século XIII consultando o trabalho de gramáticos contemporâneos à época. Consultaram-se, entretanto, as gramáticas históricas do português e os estudos mais específicos sobre o PA, como os trabalhos de Maia (1986), Mattos e Silva (2006) e Ramos (1985).

Além disso, em determinados momentos, foi indispensável o recurso aos dados do PB atual para interpretar os dados do PA, obtidos a partir das rimas das CSM, sobretudo no que diz respeito à relação entre os grafemas e os fonemas referentes às vogais médias da época. Quando os dados do PB atual não foram suficientes para interpretar essa relação entre os grafemas e os fonemas do PA, fez-se necessário o recurso à etimologia das palavras que causaram problemas de interpretação.

Primeiramente, fez-se o levantamento de todos os grafemas vocálicos que apareciam, em posição tônica, nas rimas do corpus consultado. Foram identificados os seguintes grafemas vocálicos nas rimas das CSM:

(3.2)

<a>

<e>

<i> e <y>

<o>

<u>

Tendo em vista o sistema fonológico de vogais tônicas do PA, constituído de sete fonemas - /a, e, ε, i, o, ɔ, u/ -, de acordo com os estudiosos mencionados no capítulo 2, nosso primeiro objetivo foi verificar, com base no corpus analisado, a real ocorrência de dois fonemas vocálicos para cada grafema referente às vogais médias do PA, ou seja, identificar, para o grafema <o>, os fonemas /o/ e /ɔ/, e, para o grafema <e>, os fonemas /e/ e /ε/, já que a grafia do PA, assim como a do PB atual, nada pode revelar a respeito da distinção de timbre entre suas vogais médias em posição acentuada.

Foram assim mapeadas, com base em Betti (1997), todas as rimas das CSM que apresentavam uma vogal média em posição tônica. Depois disso, verificamos, para cada terminação, se havia termos que não rimavam entre si. Para a terminação -eu, por exemplo, observamos que havia dois grupos de palavras que jamais rimavam entre si no corpus considerado: um constituído de verbos na terceira pessoa do singular do pretérito do indicativo (morreu, perdeu, prendeu etc.), e outro composto por pronomes como eu, meu, seu, entre outros termos. Essa impossibilidade de rima entre palavras terminadas por grafemas idênticos (<eu>) levou-nos a considerar a hipótese de que a vogal média, presente nas palavras de um grupo, não apresentava a mesma qualidade fonológica da vogal média presente nas rimas do outro grupo.

Depois de identificada, tanto para as vogais médias anteriores quanto para as vogais médias posteriores, a ocorrência de vogais com qualidades distintas, representadas por um mesmo grafema (<e> e <o>), o próximo passo foi verificar o fonema vocálico que esses grafemas estavam representando em cada um dos termos que não rimavam entre si.

Nesse momento da pesquisa, recorreu-se ao PB atual ou às gramáticas históricas e aos manuais de filologia da língua, a fim de identificar a real correspondência entre os grafemas e os fonemas vocálicos investigados. Para os grupos de palavras relativos à terminação -eu, por exemplo, após consultar o PB atual, verificou-se que a vogal média do grafema <eu> representa, nos dois grupos, o mesmo fonema /e/ (morr/e/u e m/e/u, por exemplo), no estágio atual da língua. Os dados do PB atual, nesse caso específico, não contribuíram para a interpretação dos dados do PA, fazendo-se necessário, portanto, o recurso à etimologia dos termos referidos. Ao consultarmos as gramáticas históricas e os manuais de filologia do português, verificamos que a vogal média, presente na sílaba tônica das palavras que compunham um dos grupos relativos à terminação -eu, era proveniente de um e breve latino e deveria, pois, originar, no português, uma vogal média aberta /ε/. Identificamos, assim, para essa terminação, os fonemas referentes a cada grupo de palavras (ver os resultados obtidos no capítulo 4).

Com base nesse procedimento, foram interpretados todos os dados referentes às vogais médias anteriores e posteriores do PA.

Pode-se dizer, portanto, que a metodologia empregada na interpretação dos dados do PA, no que diz respeito à distinção de timbre entre as vogais médias da época, enquadra-se na seguinte proposta de Maia (1997, p.304-5):

Para interpretar correctamente os textos antigos no que se

refere às relações entre grafemas e fonemas, pode constituir,

em muitos casos, uma grande ajuda o conhecimento do estado

fonológico moderno, embora seja necessário ter

constantemente presente que o que importa é pôr em relação

os grafemas com os fonemas da época a que os textos se

referem e não com os fonemas actuais. Por outro lado, é

também extremamente útil o recurso ao testemunho de

gramáticos coevos ou de época ligeiramente posterior,

constituindo as suas observações um útil marco de referência

no processo evolutivo da língua. Algumas vezes, para

esclarecer dúvidas concretas, os textos poéticos da época

fornecem alguns dados, sobretudo no que se refere às formas

que, pelo facto de aparecerem em rima, nos oferecem

informações bastante seguras sobre certos aspectos da

pronúncia desse período.

Esta pesquisa, entretanto, seguiu o caminho inverso do que foi descrito por Maia (idem), na medida em que partimos das rimas dos textos poéticos para obter as informações sobre a realização fônica das vogais médias do PA e, com base nessas informações, recorremos aos dados do PB atual e às gramáticas históricas da língua. Portanto, neste estudo, as rimas dos textos poéticos foram utilizadas como ponto de partida para o estudo das vogais tônicas do PA, principalmente no que diz respeito à distinção de timbre entre as vogais médias da época, e não apenas "algumas vezes, para

esclarecer dúvidas concretas", como procedeu Maia (idem). 1

No que diz respeito à vogal baixa (/a/) do PA, como não foi possível identificar, com base nas rimas do corpus estudado, diferentes realizações fonéticas para o fonema /a/ (a aberto e a fechado), recorremos à grafia das CSM, a fim de identificar variações gráficas que trouxessem pistas sobre a realização fonética dessa vogal no PA. Dessa forma, investigamos a ocorrência de possíveis variações entre <a> e <e>, no que se refere à representação gráfica de um mesmo termo (antre/entre, por exemplo), que pudessem sustentar a hipótese sugerida por alguns estudiosos de que, no PA, haveria mais de uma realização fonética para a vogal /a/ em posição acentuada.

No quarto capítulo, mostramos detalhadamente como essa metodologia foi aplicada em todos os dados do PA, obtidos com base na observação das rimas das CSM.

 

Vogais átonas finais

A metodologia empregada para o estudo das vogais postônicas finais do PA, conforme já mencionado, baseia-se principalmente na observação das rimas das CSM.

O primeiro passo, em relação às vogais átonas finais, foi fazer um levantamento, com base em Betti (1997), de todas as rimas do corpus que apresentavam vogal postônica em sua constituição. Em seguida, investigamos quais eram os grafemas que representavam as vogais átonas finais, nas rimas em questão, a fim de verificar se haveria possibilidade de rima entre <o> e <u>, bem como entre <e> e <i> - caso todos esses grafemas fossem identificados, em posição postônica final, nas rimas do corpus referido.

Tendo analisado a ocorrência das vogais átonas finais nas rimas das CSM, consultamos também o glossário de Mettmann (1972), a fim de observar a ocorrência dessas vogais nos demais termos do corpus que, por não terem aparecido em posição de rima, não haviam sido analisados anteriormente.

Todos os dados referentes às vogais postônicas finais identificadas nas rimas e na grafia das CSM serão indicados e interpretados no próximo capítulo.

 

Vogais pretônicas

Não é possível, conforme observado anteriormente, empregar, para as vogais pretônicas do PA, a mesma metodologia empregada, neste estudo, para o estudo das vogais tônicas e postônicas, uma vez que as rimas dos textos poéticos não contemplam as vogais pretônicas. Dessa forma, a metodologia aqui adotada para o estudo das vogais pretônicas do PA baseia-se na grafia das CSM.

No capítulo 2, mostramos que há frequentes variações no que diz respeito à realização das vogais pretônicas do PB atual. Conforme observado no capítulo referido, estudos variacionistas desenvolvidos em diversas regiões do País revelam que, em determinadas variedades do português, além das vogais médias fechadas ([e, o]), ocorrem as vogais médias abertas ([ε, ɔ]) em posição pretônica. Ainda de acordo com esses estudos, em certas variedades do PB, é frequente a elevação das vogais médias em posição pretônica: consiguiam, pindurar, cubrir, custumam (Carmo, 2009).

Com relação ao PA, só é possível obter pistas a respeito da ocorrência de variações fonéticas entre suas vogais pretônicas com base na observação das frequentes variações gráficas identificadas no corpus. Como não havia, naquele momento da língua, um padrão ortográfico fixado, é muito comum identificar no corpus analisado variação na grafia de um mesmo termo, como o substantivo igreja que aparece, nas CSM, grafado de diversas maneiras: egreja (CSM 65, 69, 76, 91, 329, 409, 410) / eigreja (CSM 8, 9, 12, 15, 280) / igreja (CSM 35, 45, 52, 53, 59) etc.

Nesse sentido, a metodologia empregada para o estudo das vogais pretônicas do PA baseia-se principalmente na identificação de variações gráficas, que foram investigadas no já mencionado glossário organizado por Walter Mettmann (1972), no qual estão registrados todos os termos, e suas variantes gráficas, presentes nas CSM.

Dessa forma, o primeiro passo desta pesquisa foi identificar os grafemas vocálicos correspondentes às vogais pretônicas do PA, no corpus analisado. Em seguida, fizemos um levantamento de todos os termos que apresentavam variação gráfica entre as vogais pretônicas. Dos termos levantados, separamos aqueles que apresentavam variação entre os grafemas <e> e <i>, e entre <o> e <u>, a fim de identificar possíveis variações fonéticas entre vogais médias ([e, o]) e altas ([i, u]), em posição pretônica, no PA.

Consideramos essas variações gráficas como indícios de que havia, no PA, levantamento de vogal pretônica, pelo menos em determinados contextos. Há sempre a discussão em torno da possibilidade de obter pistas a respeito da fala corrente em um período passado da língua, do qual não há registros orais, utilizando como recurso apenas a documentação escrita remanescente daquele período, conforme declara Mattos e Silva (2006, p.42-3):

Discute-se muito sobre a relação entre os dados que a

documentação medieval fornece e a língua então falada. Isto é,

discute-se se é possível chegar, através da documentação

escrita, ao português corrente. Há até quem defenda que sobre

a documentação arcaica só se possam construir gramáticas de

textos, nunca uma gramática de um estado de língua passado.

Consideraremos, contudo, que, sendo a documentação escrita

que permanece, e sendo esta uma representação convencional

da fala, desta teremos nos documentos um reflexo que permite

tirar conclusões até certo ponto seguras, no nível fônico-

mórfico, já que, não havendo então uma normatização

ortográfica, a análise da variação da escrita oferece indícios

para alguma percepção da voz. Do mesmo modo, se o que está

escrito procura espelhar a voz e esta nos falta, pelo escrito se

pode depreender, embora não integralmente, a língua no seu

uso primeiro, em qualquer dos níveis em que se pode

estruturála: fônico, mórfico, sintático, discursivo. Também a

ausência de um controle gramatical normativo faz com que no

texto medieval a variação seja constante, fato que também é

indicador de usos da fala.

Este estudo está considerando, pois, essas palavras de Mattos e Silva (idem), ao interpretar as variações gráficas identificadas no corpus como possíveis variações fonéticas do português falado na época dos trovadores.

Segundo Massini-Cagliari (1998, p.176-7), não é possível considerar a escrita do PA, em sua fase trovadoresca, como fonética. Dessa forma, não seria adequado interpretar a grafia dos cancioneiros medievais portugueses como uma representação fiel dos sons da fala da época. Entretanto, como não havia, no século XIII, convenções ortográficas que regularizassem as correspondências entre grafemas e fonemas da época, torna-se possível considerar, com maior liberdade, que as variações gráficas, identificadas no corpus analisado, estão refletindo variações fonéticas do PA.

Ainda sobre a relação que se pode estabelecer entre grafemas e fonemas no estudo de um momento passado da língua que não apresenta registros orais, Maia (1997, p.300-3) declara o seguinte:

Quando se faz a análise de qualquer material grafemático pre-

tende-se averiguar a relação entre o respectivo sistema

grafemático e o sistema fonológico ou, se possível, o grau de

correspondência entre as unidades das formas escrita e falada

da língua nessa época. Tal tarefa não é, naturalmente, fácil,

dado que os sistemas de escrita são, a maior parte das vezes,

insuficientes e imperfeitos no seu modo de representar a língua

falada, já que a escrita não representa os sons concretos da

fala, mas sons-tipo e, a partir daí, os fonemas. As dificuldades

são evidentemente maiores quando se pretende fazer a análise

de textos antigos, correspondentes a épocas em que faltam por Por fim, para a vogal baixa (/a/), a fim de identificar possíveis variações fonéticas para esse fonema (a aberto e a fechado) no PA, também foram consideradas variações gráficas que envolvessem o grafema <a>. Investigamos, pois, nas CSM, possíveis variações entre <a> e <e>, no que se refere à representação gráfica de um mesmo termo (romaria/romeria, por exemplo), com o objetivo de obter pistas sobre diferentes realizações fonéticas do /a/ pretônico no PA.

completo as informações fonéticas de gramáticos

contemporâneos. Desse modo, a interpretação dos grafemas

medievais, isto é, o estabelecimento da relação entre grafemas

e fonemas nas línguas da Idade Média, que constitui o

"problema central" do estudo das línguas escritas dessa época,

é uma tarefa bastante delicada e problemática [...]. Apesar

disso, algumas - ou mesmo muitas - formas da língua falada

escaparam na transcrição de documentos desse teor e, através

da sua análise e interpretação, muitos dados se podem obter e

algumas conclusões se podem formular.

Pretendemos, portanto, investigar, nas CSM, essas "formas da língua falada" que "escaparam na transcrição" do documento, obtendo, assim, informações sobre a língua falada no século XIII, com base na análise da grafia do corpus considerado.

Como desconhecemos os falantes do PA que escreveram as

CSM, 2não podemos, obviamente, considerar fatores extralinguísticos na interpretação das variações gráficas identificadas no corpus. Dessa forma, após identificar as variações na grafia das vogais pretônicas do PA, restava-nos apenas analisar o contexto em que essas variações ocorreram, a fim de identificar possíveis condicionamentos fonéticos para o levantamento dessa vogal.

No que diz respeito à variação entre vogais médias abertas ([ε, ɔ]) e fechadas ([e, o]) em posição pretônica, não foi possível obter pistas a respeito de sua ocorrência, no corpus analisado, porque a análise da grafia, somente, não fornece esse tipo de informação. A exemplo do que ocorre no português atual, há apenas dois grafemas referentes às vogais médias do PA - <e> e <o> - tanto em posição tônica quanto em posição pretônica. Como as vogais pretônicas não são contempladas pelas rimas, não foi possível, como fizemos para as vogais tônicas, identificar uma distinção de timbre entre as vogais médias, em posição pretônica, valendo-se de uma metodologia baseada nas rimas das CSM.

No próximo capítulo, estão indicadas e interpretadas todas as variações gráficas entre as vogais pretônicas identificadas no corpus analisado.

1 Conforme observamos anteriormente, o corpus estudado por Maia (1997) consiste em textos em prosa não literária remanescentes do PA. Nesse sentido, Maia não poderia ter como ponto de partida a observação de rimas, uma vez que elas inexistem em seu corpus. No entanto, por fornecerem dados mais precisos da realização fonética do timbre vocálico, em determinados momentos de seu estudo, essa autora precisou recorrer às rimas das cantigas medievais para comprovar seus dados.

2 Ver, no primeiro capítulo deste livro, a discussão apresentada sobre a autoria das CSM.