Sem Pistas (Um Mistério de Riley Paige, Livro 1)

Capítulo 31

E lá estava ela. Depois de todos os becos sem saída, Riley mal podia acreditar no que estava segurando. Na parte superior do recibo escrito à mão, estava o nome e endereço da loja: A Moda de Madeline em Shellysford, Virgínia.

Riley estava perplexa. Não soava como uma loja de bonecas ou de brinquedos.

Em seu telefone celular, ela encontrou o site da Moda de Madeline. Era, curiosamente, uma loja de roupas femininas.

Mas ela olhou mais de perto e viu que eles também vendiam bonecas colecionáveis. Elas só poderiam ser vistas sob agendamento.

Um arrepio percorreu a espinha de Riley.

Este tem que ser o lugar, ela pensou.

Ela pegou o diário e, com as mãos trêmulas, folheou as páginas para encontrar ao que ela havia escrito na data do recibo. E lá estava ela.

Acabei de comprar a boneca perfeita para Debbie. Seu aniversário não é nem daqui mês, mas é tão difícil comprar coisas para ela.

E lá estava, em linguagem simples e curta. Reba Frye tinha comprado uma boneca para a filha em uma loja em Shellysford. Riley tinha certeza de que todas as outras vítimas haviam comprado bonecas lá, também. E que era ali que o assassino as vira pela primeira vez.

Riley exibiu um mapa em seu telefone, ele mostrou que Shellysford ficava a uma hora de distância de carro. Ela tinha que chegar lá assim que pudesse. Até onde ela podia imaginar, o assassino já tinha encontrado outra vítima.

Mas ela precisava obter algumas informações para poder trabalhar. E precisava fazer um doloroso telefonema que ela andava evitando há muito tempo já.

Ela pegou as chaves do manobrista desconcertado, entrou em seu carro, deu partida e saiu cantando os pneus pelas ruas bem cuidadas do clube. Enquanto ela acelerava portão afora, ela discou o número do celular de Bill, perguntando se ele se importaria em atender. Ela não podia culpá-lo se ele nunca mais quisesse falar com ela novamente.

Para seu alívio, a voz de Bill veio no telefone. "Olá," disse ele.

O coração de Riley saltou. Ela não sabia se deveria estar aliviada ou apavorada em ouvir sua voz. "Bill, aqui é Riley," disse ela.

"Eu sei quem está falando," respondeu Bill.

Um silêncio se instalou. Aquilo não ia ser fácil. E ela sabia que não merecia que aquilo fosse fácil.

"Bill, eu não sei por onde começar," ela falou. Sua garganta inchou com a emoção e ela estava tendo dificuldades em se expressar. "Estou tão, tão terrivelmente arrependida. É só que - bem, tudo tinha ficado tão ruim, e eu não estava no meu juízo perfeito, e-"

"E você estava bêbada," Bill disse, interrompendo. Riley suspirou miseravelmente.

"Sim, eu estava bêbada," ela admitiu. "E peço desculpas. Eu espero que você possa me perdoar. Eu sinto muito." Outro silêncio.

"Tudo bem," Bill disse finalmente.

O coração de Riley afundou. Ela conhecia Bill melhor do que ela conhecia qualquer outra pessoa no mundo. Então ela podia ouvir um mundo de significados naquelas duas pequenas palavras. Ele não estava perdoando-a, ele sequer aceitara seu pedido de desculpas, pelo menos não ainda. Tudo o que ele estava fazendo era reconhecendo que ela tinha pedido desculpas.

Enfim, agora havia tempo para ficar pensando nisso. Havia um assunto muito mais urgente a ser resolvido.

"Bill, eu tenho uma pista," disse ela. "O quê?" Eles perguntou uma voz surpresa. "Eu encontrei a loja."

Bill parecia preocupado agora.

"Riley, você está ficando louca? O que está fazendo, ainda trabalhando neste caso? Walder demitiu você, pelo amor de Deus."

"Desde quando eu espero por permissão? De qualquer forma, parece que eu serei reintegrada."

Bill bufou com descrença. "Quem disse?" "Newbrough."

"Do que você está falando? Bill perguntou, parecendo cada vez mais agitado. "Cristo, Riley, você não foi até a casa dele de novo, né?"

Os pensamentos Riley se tornaram confusos. Havia coisas demais para se explicar. Ela tinha que manter o básico.

"Não, e ele foi diferente desta vez," disse ela. "Foi estranho, não posso falar disso neste momento. Mas Newbrough me deu algumas informações novas. Bill, Reba Frye comprou uma boneca em uma loja em Shellysford. Eu tenho provas. E tenho o nome da loja."

"Isso é loucura," disse Bill. "Nós tivemos agentes investigando toda essa área. Eles estiveram em cada cidade por ali. Acho até que eles não encontraram nenhum loja de bonecas em Shellysford."

Riley estava achando cada vez mais difícil de conter sua própria excitação.

"Isso é porque não há nenhuma," disse ela. "É uma loja de roupas que vende bonecas, mas você só pode vê-las perante agendamento. A Moda de Madeline, este é seu nome. Você está na UAC agora?"

"Sim mas-"

"Então, arranje alguém para verificar o local. Obtenha tudo o que puder sobre todo mundo que já trabalhou lá. Estou indo para lá agora."

A voz de Bill ficou alta e frenética.

"Riley, não! Você não tem autorização. Você sequer tem um distintivo. E se você encontrar o cara? Ele pode ser perigoso. E Walder pegou sua arma."

"Eu tenho a minha própria arma," disse Riley.

"Mas você não será capaz de deter qualquer um."

Com um grunhido de determinação, Riley disse, "Eu vou fazer o que eu tenho que fazer. Outra vida pode estar correndo perigo."

"Eu não gosto disso," Bill disse, soando mais resignado agora. Riley terminou o telefonema e pisou no acelerador.

*

Bill estava em seu escritório olhando silenciosamente para seu telefone celular. Ele percebeu que suas mãos tremiam. Ele não tinha certeza do porquê. Raiva e frustração? Ou era de medo por Riley, por qualquer coisa imprudente ela estava prestes a fazer?

Seu telefonema bêbado de duas noites atrás o deixaram confuso e devastado. Era um clichê que os parceiros responsáveis pela aplicação da lei, muitas vezes sentiam-se mais íntimos um com o outro do que com seus próprios cônjuges. E Bill sabia que era verdade. Por um longo tempo, ele se sentia mais perto de Riley do que jamais sentiu com outra pessoa em sua vida.

Mas não havia espaço para o romance em sua linha de trabalho. Complicações ou hesitações sobre o trabalho poderiam ter resultados mortais. Ele sempre manteve as coisas profissionais entre eles e sempre confiou que Riley faria o mesmo. Mas agora ela tinha quebrado essa confiança.

Bem, ela estava obviamente consciente de seu erro. Mas o que ela quis dizer quando disse que seria reintegrada? Será que eles trabalhariam juntos de novo? Ele não tinha certeza se ele queria. Será que o relacionamento profissional dinâmico e confortável que eles tinham compartilhado por tanto tempo estava arruinado para sempre?

Mas ele não podia se preocupar com tudo isso agora. Riley pediu-lhe para verificar os funcionários de uma loja. Ele passaria esse pedido, mas não para Carl Walder. Bill pegou o telefone e ligou para o ramal do agente especial Brent Meredith. Meredith não estava na cadeia de comando sobre este caso, mas Bill sabia que podia contar com ele para conseguir realizar esta tarefa.

Ele planejava manter a chamada curta e eficiente. Ele precisava dirigir para Shellysford agora e só rezava para que ele pudesse chegar lá antes que Riley Paige fizesse algo realmente estúpido.

Como ser morta.