Terras do Sem Fim

Jorge Amado · Capítulo 3 de 5 · parte 3/3

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Terras do Sem Fim

Os m eninos cham avam os vendedores…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

A noite foi visitar Margot, trazia um recado de Juca para ela. Margot m udara de casa, saíra da pensão de Machadão e alugara um a casa pequena. onde vivia sozinha, com um a em pregada que cozinhava e arrum ava. De Tabocas haviam chegado suas coisas e ela agora passeava sua elegância pelas ruas de Ilhéus, atravessando com a som brinha rendada por entre as m urm urações do povo. Toda a gente j á sabia que Juca Badaró estava com ela. As opiniões se dividiam quanto à m aneira com o o caso se concretizara. A gente dos Badarós afirm ava que Juca a tom ara de Virgílio, enquanto a gente de Horácio garantia que Virgílio j á a havia deixado. Depois do artigo de "O Com ércio" as m urm urações cresceram e os eleitores dos Badarós apontavam na rua a "m ulher que pagara os estudos do Dr. Virgílio". Margot triunfava. Juca m andara abrir crédito para ela nas loj as, os com erciantes se curvavam m elosos.

Margot ofereceu um a cadeira na sala de j antar, o capitão sentou. Aceitou o café que a criada trazia, deu-lhe o recado de Juca. Ele viria na sem ana seguinte, queria saber se ela precisava de algum a coisa. Margot crivou o capitão de perguntas sobre a fazenda. Tam bém ela se sentia com o dona da propriedade dos Badarós. Parecia ter esquecido Virgílio inteiram ente, só falou nele um a vez, para perguntar a João se ele havia lido o artigo de "O Com ércio".- Quem m e faz, m e paga... - afirm ou.

Depois fez o elogio de Manuel de Oliveira, "um suj eito batuta, de tutano na cabeça". E com pletava:

- Dem ais, é um pândego... Divertido com o ele só. Sem pre vem aqui m e fazer com panhia... É tão engraçado..

O capitão João Magalhães desconfiou dos elogios, quem sabe se Margot, na ausência de Juca, não estava se deitando com o j ornalista? E, com o se sentia parecido com ela, aventureiros e estranhos os dois no m eio daquela gente da terra, achou-se obrigado a lhe dar um conselho:- Me diz um a coisa? Tu tem algum cham ego com esse Oliveira? Ela negou, m as sem força:

- Não vê logo. . .

- Eu estou querendo te dar um conselho... Tu não quer cantar, não faz m al, eu m esm o não quero saber. Mas vou te dizer: cuidado com os Badarós. Não é gente para brinquedo.. . Se tu tem am or à pele não pense em enganar um Badaró... Não é gente para brincadeira...

Dizia a Margot, parecia querer convencer a si m esm o:- E m elhor desistir do que pensar em enganar eles... 8

Perto do porto, num sobrado, estava a casa exportadora "Zude, Irm ão e Cia: ' Em baixo era depósito de cacau, no andar superior ficavam os escritórios. Um a das três ou quatro firm as que com eçavam a se dedicar à exportação de cacau, que se iniciara fazia poucos anos. Antes a produção, ainda pequena, era toda consum ida no país. Mas com o crescim ento da lavoura, alguns com erciantes da Bahia e alguns estrangeiros, suíços e alem ães, fundaram firm as para a exportação de cacau. Entre elas estava a dos irm ãos Zude, dois exportadores de fum o e de algodão. Criaram um a secção para o cacau. Abriram a filial em Ilhéus e m andaram para ela Maxim iliano Cam pos, um velho em pregado, j á de cabelos brancos, com m uita experiência. Nesse tem po eram as casas exportadoras que se curvavam ante as coronéis, os em pregados e gerentes se dobrando em m esuras e cortesias, os proprietários oferecendo alm oços aos fazendeiros quando estes viaj avam à capital, levando-os aos cabarés e ás casas de m ulheres. Ainda eram pequenas as casas exportadoras de cacau, em geral eram apenas secções de grandes casas exportadoras de tabaco, café, algodão e coco.

Por isso quando Sinhô Badaró term inou de subir as escadas de `Zude, Irm ão e Cia:' e abriu a porta do escritório do gerente, Maxim iliano Cam pos se levantou apressadam ente, veio lhe apertar a m ão:

- Que boa surpresa, coronel.

Oferecia-lhe a m elhor cadeira, a sua, e sentava-se m odestam ente num a das cadeiras de palhinha:

- Há quanto tem po não aparecia. Eu o fazia na propriedade, tratando da safra..- Estava por lá... Trabalhando.

- E, com o vão as coisas, coronel? Que m e diz da safra desse ano? Parece que deixa a do ano passado longe, hein? Nós, aqui, j á com pram os até este m ês m ais cacau que durante todo o ano passado j unto. E isso que alguns fazendeiros fortes, com o o senhor, ainda não venderam suas safras. . .- Por isso vim .. . - disse Sinhô.

Maxim iliano Cam pos se tornou ainda m ais cortes:- Resolveu não esperar preços m ais altos? Acho que o senhor faz bem . . . Não acredito que o cacau de m ais de catorze m il-réis a arroba esse ano. . . E olhe que, por catorze m il-réis, é m elhor plantar cacau que dizer m issa cantada. . . - riu com a com paração.

- Pois eu acho que dá m ais, seu Maxim iliano. Acho que vai dar quinze m il-réis pelo m enos, no fim da safra. Quem puder guardar seu cacau, vai ganhar dinheiro m uito. . A produção não chega pra quem quer. Diz que só nos Estados Unidos. . . Maxim iliano Cam pos balançou a cabeça:

- E verdade que se coloca quanto cacau haj a... Mas isso de im por preços, coronel, ainda são os gringos que, im põem . O nosso cacau ainda não é nada em vista do cacau da Costa d'Ouro. É a Inglaterra quem faz o preço. Quando os senhores tiverem plantado essa terra toda, tiverem derrubado toda essa m ataria que ainda há, pode ser que então a gente possa im por os nossos preços nos Estados Unidos...

Sinhô Badaró se levantou. A barba cobria-lhe a gravata e o peito da cam isa:- Pois isso é que vou fazer, seu Maxim iliano. Vou derrubar a m ata de Sequeiro Grande e plantar ela de cacau. Daqui a cinco anos tou lhe vendendo cacau dessas terras. . . E aí a gente pode im por os preços...

Maxim iliano j á sabia. Quem em Ilhéus não sabia ainda dos proj ectos dos Badarós a respeito da m ata de Sequeiro Grande? Mas todos sabiam tam bém que Horácio tinha idênticos propósitos. E Maxim iliano falou no assunto. Sinhô Badaró esclareceu:

- A m ata é m inha, agora m esm o venho de registrar o título de propriedade no cartório de Dom ingos Reis. É m inha e ai de quem quiser se m eter nela... Dizia com convicção e Maxim iliano Cam pos recuou diante do dedo estendido de Sinhô Badaró. Mas este riu e propôs conversarem de negócios:- Quero vender m inha safra. Desde agora vendo doze m il arrobas.. Hoj e está m arcando catorze m il e duzentos réis por arroba.. São cento e setenta contos de réis. Tá de acordo?

Maxim iliano fazia contas. Suspendeu a cabeça, tirou os óculos:- E o pagam ento?

- Não quero dinheiro agora. Quero e que o senhor abra o crédito desse dinheiro para m im . Vou precisar para em pregar na derruba da m ata e no plantio das roças.. Vou retirando toda sem ana...

- Cento e setenta contos e quatrocentos m il-réis.. anunciou Maxim iliano term inando as contas.

Conversaram os detalhes dó negócio. Os Badarós vendiam , seu cacau a "Zude, Irm ão e Cia:' há vários anos. E para nenhum dos seus clientes do sul da Bahia a casa exportadora tinha tantas atenções com o para os Irm ãos Badarós. Sinhô se despedia. Voltaria no dia seguinte para assinar o contrato de venda: Ainda no escritório, disse:

- Dinheiro pra derrubar a m ata e plantar cacau! E tam bém para lutar, se for preciso, seu Maxim iliano!? – estava sério, alisando a barba com a m ão, olhar duro.

Maxim iliano não encontrou o que dizer, perguntou:- E a m enina Don'Ana com o vai?

O rosto de Sinhô perdeu toda a dureza, se abriu num sorriso:- Tá um a m oça.. E bonita! não tarda a casar... Maxim iliano não encontrou o que dizer, perguntou: no, só o deixou na calçada da rua, num longo aperto de m ão:

- Muitos votos de felicidade para toda a fam ília, coronel. Sinhô Badaró andou para o centro da rua, a m ão no chapéu. retribuindo as saudações que recebia de todos os lados. Hom ens atravessavam a rua para vir cum prim entá-lo.

9

Os sinos repicavam na tarde festiva do dia de S ão Jorge. Era a festa m aior de Ilhéus, a festa do padroeiro da cidade. O Prefeito, no ato realizado pela m anhãna Intendência Municipal, relem brava aquele Jorge de Figueiredo Correia que fora donatário da capitania dos Ilhéus e que plantara ali os prim eiros engenhos rudim entares, engenhos de açúcar que logo os índios destruíram . E, com ele, com parou os que vieram depois, trazendo a planta do cacau. Dr. Genaro falara tam bém num discurso repleto de citações em língua estrangeira que a m aior parte da gente não entendera.

Nessas com em orações oficiais os correligionários de Horácio não haviam tom ado parte. Mas agora estavam todos vestidos de fraque negro, atravessando as ruas da cidade, a cam inho da catedral de onde sairia a procissão de São Jorge que percorria as ruas m ais im portantes de Ilhéus.

O cónego Freitas buscara sem pre passar por cim a das divergências políticas dos grandes coronéis. Não se envolvia nelas, se dava com os Badarós e com Horácio, com o Prefeito de Ilhéus e com o Dr. Jessé. Se fazia um a subscrição em benefício das obras do Colégio das Freiras, tirava duas cópias para que assim nem Sinhô Badaró nem Horácio tivessem que assinar em segundo lugar. Tanto um com o outro ficava satisfeito em receber o papel lim po de firm as, pensando cada um que era o prim eiro a por o seu nom e. Essa hábil política fazia com que, em torno da Igrej a, governo e oposição se encontrassem unidos. Ao dem ais, o cónego Freitas era bastante liberal, nunca fizera questão de que a m aioria dos grandes coronéis pertencesse à Loj a Maçónica. É verdade que aj udou Sinhô Badaró no com bate que este m oveu contra a m açonaria (que elegera Horácio para Grão-Mestre) m as sem aparecer, sem pre por detrás do pano. Sua única luta aberta era contra o culto dos ingleses, a Igrej a Protestante. No m ais, ia se equilibrando. Nas novenas de Santo António se a senhora de Horácio patrocinava a prim eira, a senhora de Juca Badaró e Don'Ana patrocinavam a últim a. E os dois rivais se esm eravam no luxo de foguetes e bom bas nas noites em que as esposas apadrinhavam as novenas. No m ês de m aio, ele entregava a um a m issa cantada, a outro o cuidado do altar. Quando podia j ogava com a rivalidade e, quando via interesse, procurava harm onizar.

Em frente à praça onde ficava a Matriz os hom ens abotoados nos fraques negros esperavam a passagem apressada das m ulheres que penetravam na Igrej a. Passou Ester pelo braço de Horácio, m uito elegante, num daqueles vestidos que lhe lem brava o tem po de estudante no colégio das m onj as na Bahia. Virgílio a viu passar, sacou o chapéu de coco para saudar. Horácio balançou a m ão, dando adeus, Ester acenou com a cabeça.

A gente em torno cochichou entre si, em sorrisos m ordazes. Logo depois passaram Sinhô e Juca Badaró. Sinhô dava o braço a Don'Ana. Juca vinha ao lado da esposa. Foi a vez do Capitão João Magalhães, que, ao contrário de quase todos, usava fraque cinzento num escândalo de distinção, tirar a cartola e dobrar-se na saudação. Don'Ana escondeu o rosto no leque, Sinhô levou a m ão ao chapéu, Juca gritou:

- Olá, Capitão!

- Tão nam orando. . . - disse um m oça.

Dr. Jessé vinha apressado, suando m uito, quase correndo na rua. Parou um m inuto para falar

com Virgílio, saiu depressa. Dr. Genaro vinha grave e solene, em passos cadenciados, olhando para o chão. O Prefeito passou, passaram Maneca Dantas, dona Auricídia e os filhos. Teodoro das Baraúnas vestia com o sem pre. Apenas, em vez de botas e culote cáqui, levava um a calça branca perfeitam ente engom ada. No dedo, o solitário enorm e brilhava. Margot passou tam bém , m as não entrou na Igrej a; ficou num canto da praça conversando com Manuel de Oliveira. As m ulheres a espiavam pelo rabo dos olhos, com entando os seus vestidos e os seus m odos.

- E a nova am ante de Juca Badaró.. . - disse alguém .- Dizem que antes era o doutor Virgílio...

- Agora ele tem coisa m elhor...

Riam . Hom ens de pés descalços estavam m ais afastados. A m ultidão sobrava da igrej a, sobrava da praça, se espalhava pelas ruas. O cónego Freitas e outros dois padres saíram pela porta. Com eçaram a ordenar a procissão. Prim eiro saiu um andor com o Menino Jesus, um a im agem pequena. Era levado por crianças vestidas de branco, quatro m eninos escolhidos entre os de m elhores fam ílias. Ia, entre eles um filho de Maneca Dantas. O andor tom ou para a rua em frente da Matriz, adiante ia a Banda de Música. Atrás m archavam , fardados, os colégios, sob o olhar das professoras. Quando houve espaço, saiu o andor da Virgem Maria, j á bastante m aior, levado por m oças da cidade. Um a delas era Don'Ana Badaró. Ao passar, olhou para João Magalhães e sorriu. O capitão a achou parecido com a Virgem do andor, apesar dela ser m orena e a im agem ser de porcelana azul. A Banda de Música e os m eninos dos colégios andaram m ais para a frente, os hom ens, nas calçadas, estavam todos de chapéu na m ão. Vestidas de branco, nos pescoços fitas azuis de congregações, saíram ás do andor da Virgem , as alunas das freiras. E saíram tam bém as senhoras. A m ulher de Juca vinha pelo braço do m arido, Ester vinha com um a am iga, a esposa de Maneca Dantas, dona Auricídia, que achava tudo lindo. Fizeram espaço e saiu o andor de São Jorge, grande e rico. O Santo era enorm e, m ontado no seu cavalo, m atando o dragão. Traziam -no, nos varais da frente, Horácio e Sinhô Badaró. E, nos de trás, Dr. Genaro e Dr. Jessé. Estes conversavam entre si, com o am igos. Mas, Horácio e Sinhô nem se fitavam , iam sérios, o olhar na frente, os passos sim étricos. Vestiam os quatro um a bata verm elha sobre os fraques negros.

Atrás vinha o cónego Freitas e m ais dois padres que o ladeavam . E vinha toda gente im portante da cidade: o Prefeito, o delegado, o j uiz, o prom otor, alguns advogados e m édicos, os agrónom os, coronéis e com erciantes. Vinham Maneca Dantas e Ferreirinha, Teodoro e Dr. Rui. E por detrás se j untou a m ultidão, velhas beatas, m ulheres do povo, os pescadores da colónia Z. 21, os trabalhadores da rua, gente de pé no chão. Mulheres levavam os sapatos na m ão. cum priam prom essas feitas ao santo.

A Banda de Música atacou um dobrado, a procissão partiu vagarosa e ordenada. Quase ao m esm o tem po o Dr. Virgílio e o Capitão João Magalhães deixaram a calçada onde estavam e foram se colocar, eles tam bém , atrás do andor da Virgem . Juca Badaró e Virgílio se cum prim entaram friam ente, o capitão se chegou, oferecendo uns queim ados que havia com prado. Don'Ana Badaró desequilibrou o andor ao olhar para trás quando ouviu a voz do capitão. As outras riram baixinho.

Um grupo de hom ens se form ara em torno de Margot para ver a procissão passar. Quando o andor de São Jorge atravessou diante deles, Sinhô Badaró e Horácio de passos acertados um pelo outro, alguém com entou:

- Quem diria... O coronel Horácio e Sinhô Badaró j untos, um ao lado do outro. E Dr. Jessé com Dr. Genaro.. Só m esm o m ilagre. Manuel de Oliveira esqueceu por um m om ento que era director do j ornal dos Badarós e disse:

- Cada um deles tá rezando para que o santo o aj ude a m atar o outro. . . Tão rezando e am eaçando. . .

Margot riu, os outros riram tam bém . E se j untaram todos à procissão, que, com o um a serpente descom unal, se m ovia lentam ente nas ruas estreitas de Ilhéus. Os foguetes espoucavam no ar.

A Luta

1

De onde vinha m esm o aquele pinicar de viola na noite sem lua? Era um a canção triste, um a m elodia nostálgica que falava em m orte. Sinhô Badaró não se dem orava nunca em refletir sobre a tristeza das m úsicas e das letras das m elodias que cantavam , na terra do cacau, os negros, os m ulatos e os brancos trabalhadores. Mas, agora, trotando no seu cavalo negro, ele sentia que a m úsica o penetrava e se recordou não sabe por que, daquelas figuras do quadro que enfeitava a sala da sua casa-grande. A m úsica devia vir de dentro de um a roça, de um a casa qualquer, perdida nos cacaueiros. Era um a voz de hom em que cantava. Sinhô não sabia porque os negros perdiam um a parte da noite pinicando os violões quando era tão curto o tem po que tinham para dorm ir. Mas a m úsica o acom panhava por todas as voltas da estrada, por vezes era apenas um m urm úrio, de súbito se elevava com o se estivesse m uito próxim a: “Minha sina é sem esperança. . . É trabalhar noite e dia...”

Atrás de si, Sinhô Badaró ouvia o trotar dos burros onde vinham os capangas. Eram três: o m ulato Viriato, Telm o, um alto e m agro, de tiro certo e voz efem inada, e Costinha, o que m atara o coronel Jacinto. Vinham conversando entre si, a brisa da noite trazia até Sinhô Badaró uns restos de diálogo:

- O hom em m eteu a m ão na porta, foi um alvoroço...- Atirou?

- Não deu tem po...

- História com m ulher dá sem pre em desgraça...

Se o negro Dam ião estivesse ali, Sinhô o cham aria e ele viria a seu lado e Sinhô contaria para ele alguns dos seus proj ectos que o negro ouviria calado, aprovando com sua im ensa cabeça. Mas Dam ião andava m aluco pelas estradas do cacau, rindo e chorando que nem um a criança e fora preciso que Sinhô usasse de toda a sua energia para que Juca não m andasse liquidar o negro. Certa vez ele passara pelas proxim idades da fazenda, choram ingando, e os que o viram disseram que estava irreconhecível, m agro e coberto de lam a, os olhos fundos, m urm urando coisas sobre m eninos m ortos e caixões brancos de anj os. Era um negro bom e até hoj e Sinhô Badaró não com preende por que ele errou a pontaria na noite em que atirou em Firm o. Será que j á estava m aluco? A m úsica, que voltou na curva da estrada, trouxe novam ente a lem brança daquela tarde. Sinhô Badaró se lem brou do quadro na sala de visitas: a cam ponesa e os pastores, a paz azul, as gaitas que tocavam . Devia ser um a m úsica m ais alegre, com palavras doces de am or. Um a m úsica para dançar, a m oça tinha um pé no ar num gesto de baile. Não seria um a m úsica com o essa que parecia m úsica para enterro: “Minha vida é de penado Cheguei e fui am arrado nas grilhetas do cacau...”

Sinhô Badaró procura enxergar para os lados da estrada. Deve ser de algum a casa de trabalhador nas proxim idades. Ou será de algum hom em que vai andando no atalho, a viola no peito, encurtando o cam inho com a sua m úsica? Faz bem quinze m inutos que ela acom panha a com itiva, falando da vida nessas terras, do trabalho e m orte, do destino da gente presa ao cacau. Mas os olhos de Sinhô Badaró, olhos acostum ados à escuridão da noite, não divisaram nenhum a luz na redondeza. Só os olhos de presságio de um coruj ão que piou gravem ente. Devia ser algum hom em que vinha por algum atalho, o que cantava. Estaria encurtando o cam inho com sua m úsica. estava aum entando o cam inho de Sinhô Badaró que ia para a fazenda. Essas eram estradas de perigo, agora não havia m ais sossego nesses cam inhos em redor da m ata de Sequeiro Grande. Naquela tarde, quando ele dera ordens para o negro Dam ião derrubar Firm o, ele ainda tinha esperanças. Mas agora era tarde. Agora a luta estava declarada, Horácio ia entrar pela m ata de Sequeiro Grande, preparava hom ens, fazia correr um processo em Ilhéus, disputando a posse das terras. Naquela tarde a m oça dos cam pos europeus bailava num pé só, todavia Sinhô Badaró tinha esperanças. A voz do hom em que canta - decididam ente vem pelo atalho - se aproxim a, aum enta em volum e, aum enta em tristeza:

“Quando eu m orrer

Me levem num a rede balançando...”

Agora passariam as redes na estrada, seria um a cena que se repetiria em m uitas noites. E o sangue pingaria delas e regaria a terra. essa não era um a terra para bailes e pastores azuis, de boinas encarnadas. Era um a terra negra, boa para o cacau, a m elhor do m undo. Sobe a voz m ais próxim a ainda, sua canção de m orte:

“Quando eu m orrer

Me enterrem na beira da estrada...”

Havia cruzes sem nom es pela estrada. Hom ens que haviam caído, de bala ou de febre, sob o punhal tam bém , nas noites de crim e ou de doença. Mas os cacaueiros nasciam e frutificavam , seu Maxim iliano dissera que, no dia em que todas as m atas estivessem plantadas, eles im poriam seus preços nos m ercados norte-am ericanos. Teriam m ais cacau que os ingleses, em Nova Yorque se saberia do nom e de Sinhô Badaró, dono das fazendas de cacau de São Jorge dos Ilhéus. Mais rico que Misael... Na beira de um a estrada repousaria Horácio, com cruzes sem nom e estariam Firm o e Braz, Jarde e Zé da Ribeira: Eles tinham querido assim . Sinhô Badaró preferiria que fosse com o os oleogravura, com o um baile, todos alegres, os hom ens com suas gaitas no cam po azul. A culpa era de Horácio... Por que se m etia em terras que eram suas, só podiam ser dos Badarós, ninguém pensaria em disputar com eles?. . . Horácio é que quisera, pela vontade dele, Sinhô Badaró, seria um a festa, a m oça com o pé no ar iniciando um bailado sobre as flores da cam pina. . . Um dia ia ser com o naquelas terras da Europa.. Sinhô Badaró derram a um sorriso sobre a barba, tam bém ele vê o futuro com o as cartom antes e os profetas. Na curva da estrada, onde ela se ram ifica com o atalho, surge o hom em com a viola:

“Quando eu m orrer

Me enterrem por baixo de um coqueiro”

Mas o som da cavalhada, que trota na estrada, cala a voz do m úsico. E agora Sinhô Badaró sente falta dela. Já não vê a m oça bailando nas terras do cacau, as m atas plantadas, os preços ditados desde Ilhéus. Ele vê é o hom em que anda, os dedos ainda no violão, os pés vencendo a estrada enlam eada. Sai para um lado, dando passagem a Sinhô Badaró e aos seus cabras:

- Boa noite, patrão...

- Boa...

Os cabras respondem em coro:

- Boa viagem ...

- Que Nosso Senhor acom panhe vosm ecês...

Agora a m úsica se afasta, o hom em pinica sua viola cada vez m ais longe, em breve não se ouvirá sua voz cantando tristezas, se lam entando da vida, pedindo que o enterrem debaixo de um cacaueiro. Dizem que é aquele visgo do cacau m ole que prende os hom ens ali. Sinhô Badaró não sabe de ninguém que tenha voltado. Conhece m uitos que lam entam , assim com o esse negro, se lam entam dia e noite, nas casas, nos botequins, nos escritórios, no cabaré, que dizem que essa terra é desgraçada, é m esm o um a terra infeliz, é o fim do m undo, sem diversões e sem alegria, onde se m ata gente por um nada, onde hoj e se é rico e am anhã se é m ais pobre que Jó. Sinhô Badaró conhece m uitos, j á ouviu essas conversas dezenas de vezes, j á viu hom ens venderem suas roças, j untarem o dinheiro e j urarem na beira da estrada que nunca m ais voltariam . Partiam para Ilhéus para esperar o prim eiro navio que saísse para a Bahia. Na Bahia tinha de tudo, cidade grande, com ércio de luxo, casa de conforto, teatro e bonde de burro. Lá tinha de um tudo, o hom em estava com o dinheiro no bolso, pronto para gozar a vida. Mas antes do navio sair o hom em voltava, o visgo do cacau está pegado na sola dos seus pés, e ele vinha e enterrava de novo o seu dinheiro num pedaço de terra para plantar cacaueiro. . . Alguns chegavam a ir, em barcavam , cortavam as ondas do m ar, e onde chegavam não falavam noutra terra que nessas terras de Ilhéus. E, era certo, tão certo quanto ele se cham ar Sinhô Badaró, que passados seis m eses ou um ano, o hom em voltava, sem dinheiro, para recom eçar a plantar cacau. Diziam que era o visgo do cacau m ole que agarra nos pés de um e nunca m ais larga. Diziam as canções cantadas nas noites das fazendas.. .

Entraram por entre os cacaueiros. Estão na roça da viúva Merenda, nos costados da m ata de Sequeiro Grande. Tinham dito a Sinhô Badaró que ela tinha feito acordo tam bém com Horácio. Nem por isso ele quisera deixar de aproveitar o atalho que encurtava seu cam inho de quase m eia légua. Se ela estava com Horácio, pior para ela e para os dois filhos que ela tinha. Porque então aquelas roças passariam a se j untar às roças novas que os Badarós iam plantar nas m atas de Sequeiro Grande. Dentro de cinco anos ele, Sinhô Badaró, entraria nos escritórios de "Zude, Irm ãos e Cia." e lhes venderia cacau colhido nas roças novas. Assim o dissera e assim o faria. Não era hom em de duas palavras. Mesm o que a m oça tivesse que term inar seu bailado recém iniciado no quadro da sala da casa-grande. Depois então ela bailaria sobre um cam po am arelo do ouro do cacau m aduro, que era bem m ais bonito que aquele azul do quadro. Bem m ais bonito.. .

O prim eiro tiro foi logo acom panhado de m uitos outros, Sinhô Badaró só teve tem po de levantar o cavalo que recebeu a descarga no peito e caiu de lado. Os seus j agunços desm ontavam , se atrincheiravam por detrás dos burros deitados. Sinhô Badaró procurava livrar a perna que estava presa por baixo do cavalo agonizante. Seus olhos pesquisavam a escuridão e foi ele quem , ainda deitado, localizou os j agunços de Horácio na tocaia, atrás de um a j aqueira perto do atalho.

- Tão detrás da j aqueira.. - disse.

Agora havia um silencio total depois das prim eiras descargas. Sinhô Badaró conseguiu livrar a perna, levantou-se em toda a altura, um tiro furou seu chapéu. Disparou o parabélum , gritou para os seus hom ens:- Vam os acabar com eles!

A cabeça de um dos assaltantes apareceu por detrás da j aqueira acertando a pontaria. Telm o

disse ao lado de Sinhô Badaró, com sua voz efem inada:- O m eu j á tá, patrão. . . - elevou a repetição, a cabeça do hom em atrás da j aqueira balançou

com o um fruto m aduro e caiu. Sinhô Badaró avançou atirando, agora estavam ele e seus hom ens

por trás de uns cacaueiros, e podiam ver os hom ens escondidos na tocaia. Eram cinco, contando

com o que m orrera. Os dois filhos de Merenda e m ais três capangas de Horácio. Sinhô Badaró

carregava a arm a, por detrás dele Viriato atirou. Foram andando pelos cacaueiros o plano de

Sinhô era tom ar a retaguarda dos alunos, de Horácio. Mas estes perceberam e acharam que era

m elhor rom per fogo para evitar a m anobra do coronel. Tiveram que se afastar um pouco das

j aqueiras e Sinhô Badaró queim ou um . O hom em se torceu com o tiro, a m ão para cim a, o pé no

ar. Viriato acabou com ele:

- Descansa, fio da m ãe... Isso não é hora de dançar... Sinhô no m eio de todo o barulho, se lem brou da m oça do quadro dançando num pé só. Não

era hora de dançar, Viriato tinha razão. Foram andando m ais. Um tiro acertou no om bro de

Costinha, o sangue m olhou a ponta das calças de Sinhô Badaró.- Não é nada...- disse Costinha.- Só arranhou e ainda atirava. Continuaram o cerco, os três hom ens que restavam na tocaia viram que não adiantava.

Ainda estava em tem po, se m eteram pela roça. Sinhô descarregou o parabélum na direcção em

que eles iam . Depois andou até o cavalo negro, passou a m ão sobre o seu pescoço ainda m orno.

O sangue corria no peito do cavalo, fazia poça no chão. Telm o se aproxim ou, com eçou a tirar a

sela do anim al m orto. Viriato trouxe o burro em que vinha m ontado, e que se afastara um pouco

com o tiroteio, e nele Sinhô Badaró m ontou. Telm o levava no peitoral do seu burro os arreios do

cavalo. E na sua garupa, Viriato levava Costinha que apertava a ferida com a m ão. Iam a passo pela estrada. Sinhô Badaró ainda segurava o parabélum na m ão. Seu olhar, quase

triste, se afundou na escuridão em torno. Mas agora não vinha m úsica nenhum a, voz que

cantasse as desgraças dessa terra. Não havia lua, tam pouco, que ilum inasse os cadáveres j unto aos

cacaueiros. Atrás, Telm o se vangloriava com sua voz fina, que parecia de m ulher:

- Acertei foi na cabeça do peste...

A luz de um a vela, que a saudade de m ãos piedosas havia acendido, ilum inava um a cruz

recente na estrada. Sinhô Badaró pensou que se fossem ilum inar todas as cruzes que iam se levantar de agora em diante, as estradas da terra do cacau ficariam m ais ilum inadas que m esm o as

ruas de Ilhéus. Se entristeceu de todo. "Não é tem po para dança, m oça, m as eu não tenho culpa,

não".

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E os barulhos, com eçados nessa noite, não pararam m ais até que a m ata de Sequeiro Grande se transform ou em roças de cacau. Depois a gente desta zona, de Palestina a Ilhéus, m esm o a gente de Itapira, ia contar o tem po em função desta luta:

- Isso aconteceu antes dos barulhos de Sequeiro Grande..- Foi dois anos depois de acabada a luta de Sequeiro Grande. . Foi a últim a grande luta da conquista da terra, a m ais feroz de todas, tam bém . Por isso ficou

vivendo através dos anos, as suas histórias passando de boca em boca, relatadas pelos pais aos filhos, pelos m ais velhos aos m ais j ovens. E nas feiras dos povoados e das cidades os cegos violeiros cantavam a história daqueles barulhos, daqueles tiroteios que encheram de sangue a terra negra do cacau: "Foi praga de feiticeiro Em noite de feitiçaria. . ."

Os cegos são os poetas e os cronistas dessas terras. Pela sua voz esm oler, nas cordas das suas violas perdura a tradição das histórias do cacau. A m ultidão das feiras, os hom ens que vem para vender sua farinha, seu m ilho, suas bananas e laranj as, os hom ens que vem para com prar, se reúnem em torno aos cegos para ouvirem as histórias do tem po do com eço do cacau quando era tam bém o com eço do século. Jogam níqueis nas cuias ao pé do cego, a viola gem e, a voz conta dos barulhos de Sequeiro Grande, daquelas m ortandades passadas: "Nunca se viu tanto tiro Tanto defunto na estrada."

Hom ens se acocoram no chão, o rosto sorridente, outros se apoiam nos bordões, os ouvidos atentos á narração do cego. A viola acom panha os versos, surgem diante dos hom ens aqueles outros hom ens que abriram a floresta no passado, que a derrubaram , que m ataram e m orreram , que plantaram cacau Ainda vivem m uitos dos que tom aram parte dos barulhos de Sequeiro Grande. Alguns figuram nesses versos que os cegos cantam . Mas os ouvintes quase não relacionam os fazendeiros de hoj e aos conquistadores de ontem . E com o se fossem outros seres, tão diferentes eram os tem pos. Antes aqui era a m ata fechada de árvores e de m istérios, hoj e são as roças de cacau, abertas no am arelo dos frutos parecendo de ouro. Os cegos cantam , são histórias de espantar:

"Eu vou contar um a história Um a história de espantar."

Um a história de espantar, a história da m ata de Sequeiro Grande. Na m esm a noite em que os irm ãos Merenda e os três cabras de Horácio haviam atacado a Sinhô Badaró no atalho, nessa m esm a noite Juca partiu á frente de dez hom ens e com eteu um a série de estrepolias na redondeza. Com eçaram m atando os dois irm ãos Merenda, dizem que na própria vista da m ãe, para dar exem plo. Depois entraram pela roça de Firm o, largaram fogo num a plantação de m andioca, e só não m ataram o lavrador porque ele não estava em casa, andava por Tabocas.

- Já escapou duas vezes - dissera Juca. - A terceira não vai escapar.

Depois tinham ido à roça de Braz e aí o fogo com eu. Braz resistiu com seus hom ens e Juca Badaró teve que se retirar deixando um cabra m orto e sem saber quantos haviam caído do lado de Braz. Um era certo: fora António Vítor quem o derrubara e Juca vira o hom em rolar. António Vítor afirm ava que tinha derrubado outro, m as não havia certeza.

Vinte anos depois os cegos percorriam as feiras dos povoados novos, de Pirangi e Guaraci, nascidos nos terrenos da m ata de Sequeiro Grande, cantando detalhes da luta.

"Fazia pena, dava dó, tanta gente que m orria.

Cabra de Horácio caia E caia dos Badaró.. Rolava os corpos no chão, Dava dor no coração

Ver tanta gente m orrer, Ver tanta gente m atar,"

Os hom ens andavam atrás de j agunços recrutando os que tinham m elhor pontaria, os de coragem com provada. Narram que Horácio m andou gente no sertão buscar j agunços de fam a, que os Badarós não m ediam dinheiro quando era para pagar a um atirador de tiro certeiro. As noites passaram a ser cheias de m edo, de m istério e de surpresas. Qualquer cam inho, por m ais largo que fosse, era estrada insegura para os viandantes. Ninguém , m esm o os que não tinham nada a ver com a m ata de Sequeiro Grande, com Horácio e com os Badarós, se atrevia a viaj ar por estas estradas do cacau sem ser acom panhado por um cabra pelo m enos. Foi nesse tem po que os com erciantes de ferragens que eram os que vendiam arm as, haviam enriquecido. Menos seu Azevedo, de Tabocas, que se arruinou fornecendo repetições para os Badarós e só salvou algum a coisa devido á sua habilidade política. Agora tinha um a quitanda em Ilhéus, contando ele tam bém , na sua velhice pobre, aquelas histórias aos m oços estudantes da cidade.

"Se largou foice e m achado, Se pegou repetição. . . A gente toda com prou, Se vendeu com o um m ilhão."

Cantavam os cegos, vinte anos depois. Contavam os feitos dos Badarós, a coragem deles, de Sinhô e de Juca:

"Hom em m acho era Sinhô O chefe dos Badaró.. Um a vez, ele ia só,

com cinco hom em acabou. Juca não era m enos, coragem nele sobrava, E Juca não respeitava Nem os grandes nem os pequenos." Mas contavam tam bém da coragem da gente de Horácio, dos hom ens que iam com ele, de Braz, e sobre todos coraj oso, que ferido com três balas m atara ainda assim dois hom ens:

"Braz de nom e Brasilino José dos Santos, se cham ava, m ele tava fino Mesm o do chão atirava, Tando ferido, m atava" Retratavam Horácio, desde a sua fazenda, dando suas ordens aos hom ens, m andando-os pelos cam inhos que cercavam a m ata de Sequeiro Grande:

"Horácio as ordens dava Era sua Senhoria, Cabra saia pra estrada, Pra fazer estrepolia.. "

Os rim ances da luta de Sequeiro Grande iam desafiando as figuras e os feitos, as inquietações tam bém . Diziam das esposas:

"Mulher casada não havia Só se fosse na Bahia... Por aqui j á se dizia: Casada era só proj ecto

- Mesm o as que tinha neto De viúva no outro dia." Os hom ens das feiras que ouvem , vinte anos depois, nos povoados plantados sobre a terra

onde fora a m ata de Sequeiro Grande, soltam exclam ações de adm iração, riem se divertindo, com entam em frases curtas. Pela voz do cego desfila ante eles este ano e m eio de lutas, de hom ens m orrendo, de hom ens m atando, a terra adubada com sangue. E quando os cegos term inam : "Eu j á contei um a história, Um a história de espantar!"

eles derrubam m ais algum as m oedas na cuia do narrador, e saem entre com entários: "foi coisa de feiticeiro". Assim diz o rom ance, assim eles o dizem hoj e tam bém . Foi coisa de feiticeiro, em noite de feitiçaria. A praga do negro Jerem ias era distribuída, naquele tem po das lutas, pelas estradas, de fazenda em fazenda, na voz do negro Dam ião, m agro e suj o, doido m anso, choram ingando pelos cam inhos do cacau.

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