Vida Além da Vida - Vol. 2

Elerson Gaetti Jardim Junior · Capítulo 3 de 8

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Vida Além da Vida - Vol. 2

Religiosidade e vida religiosa

Em reuniões que discutiam sobre a religião dos espíritos, as perguntas abaixo foram formuladas e respondidas.

1. Muitos espíritas acreditam que a vida após a morte é dominada por pensamentos espíritas e espiritualistas. Issoé real?

Ishmael. Am igos, após a m orte do corpo físico, m uitos sequer reconhecem que estão em outro plano de vida.

Não é só o reencarne que apaga algum as lem branças. O desencarne tam bém tem esses efeitos. Nos um brais, 70-90% das pessoas não conseguem se lem brar de aspectos básicos de suas vidas terrenas e esse fato acaba sendo um a proteção artificial contra a sensação de culpa que nasce do fracasso.

Cada um vê o que está preparado para ver. Só isso.

Nos planos superiores as religiões perdem as denom inações com as quais nos acostum am os, m as nos planos interm ediários, com o aqueles em que nos encontram os, procura-se fazer o bem e m anter um pensam ento focado no aprim oram ento pessoal e coletivo, m as as pessoas possuem diferentes form as de exteriorizar sua religiosidade. Não conheço absolutam ente ninguém em nossa pequena colônia que tenha sido espírita ou espiritualista antes da m orte física. Por outro lado, vem os a oportunidade de reencarnar com o algo que era previsto nas religiões m ais tradicionalistas, que a m aioria seguia na Terra. No nosso caso, todos têm ou tiveram relação com o j udaísm o e com diferentes correntes do cristianism o e a reencarnação é algo que não nos cham a m ais a atenção.

Muito do que foi incorporado às crenças das religiões dom inantes representa um a associação do poder econôm ico e tem poral com a fé. Um casam ento espúrio e com num erosos efeitos indesej ados. Com a m orte, aqueles que têm m ais discernim ento percebem que todas as crenças representam híbridos de palavras divinam ente inspiradas e outras que vêm de pessoas falíveis. Elim inam os o que não vale a pena e seguim os em frente.

Em nosso plano existem diferenças pronunciadas entre o que as religiões praticam e o que as suas congêneres no plano m ais denso pregam . Os padres, por exem plo, não recebem a confissão dos pecados em nosso m eio, um a vez que sabem que o perdão das dívidas ou ofensas é algo que se dará através de encarnações futuras e não através de um a cerim onial. A filosofia de dar ao sacerdote o poder de perdoar em nom e de Deus foi extrem am ente desvirtuada, ao longo dos séculos, e acabou levando à centralização do poder terreno nas m ãos dos sacerdotes. Esse princípio foi abolido entre nós.

As regras de bom proceder m ostram que os sentim entos e as idéias são m ais im portantes do que as palavras, de form a que não estim ulam os a discussão apaixonada de tem os religiosos m ais indigestos. Por outro lado, trabalham os de m ãos dadas para o auxílio dos necessitados, algo que sabem os ser de grande im portância para o crescim ento espiritual geral.

2. Os seguidores de religiões mais literalistas não se sentem deslocados ou têm sua fé abalada diante da vida espiritual após a morte do corpo físico? Como se comportam?

Ishmael. Am igos, am igos, calm a. Creio que não é pedir dem ais.

Creio que o foco central desse questionam ento parte do pressuposto de que todos os desencarnados tem acesso pleno ao m undo espiritual e suas nuances, o que não é real.

Cada um de nós apresenta um a frequência vibratória diferente que denuncia a nossa elevação m oral e espiritual. Para aqueles desencarnados que apresentam certa evolução, a m orte descortina coisas m uito interessantes e surpreendentes, m as para os dem ais, é com o se seguissem um a j ornada própria. Vocês tam bém possuem problem as desse tipo entre vocês. Ou estou errado? Muitos não negam o que é óbvio? Certam ente que sim .

A tecnologia que vocês j á possuem perm ite a detecção de planetas a dezenas de anos-luz de distância da Terra, além da avaliação da com posição de suas atm osferas, m as m uitos aí ainda acreditam que as histórias bíblicas do dilúvio, do nascim ento dos prim eiros hom ens, dos hom ens que viviam m ilhares de anos e dos anj os decaídos representam eventos literais. Adão, Eva, a serpente,, o dilúvio, Jonas, Noé e outros elem entos figurados e representativos de um a m aravilhosa história evolutiva hum ana se transform am em personagens ou fatos reais e com vida própria, na m ente desses am igos. A linguagem figurada existe nos dois lados da vida, m as a m aioria das pessoas se faz cega para entender. A m orte não m uda o que som os, nem reduz nossas lim itações. Vocês acham que os am igos que seguem essas posições irão deixar de crer sim plesm ente existem explicações m ais coerentes? Não, tudo dem anda tem po e ainda estam os no com eço dessa j ornada.

Vocês vivem em um universo de m anifestações de espíritos com as m ais diferentes envergaduras evolutivas e, nem por isso, a m aioria acredita na m ediunidade ou na reencarnação. A despeito de tudo que sabem os, a reencarnação ainda continua a ser investigada e não foi cabalm ente com provada pela ciência. Faltam evidências ou sobram preconceitos? As evidências quase sem pre serão circunstanciais e som ente não convencem aqueles que têm m otivos bastante fortes, declarados ou não, para não aceitar.

Milhares de entidades desencarnadas j á se m anifestaram por m ilhares de m édiuns ao redor do globo, em épocas diferentes e o quadro é aterrador. Existem provas inequívocas da existência dos espíritos? Creio que sim , m as m uitos cientistas com a m ente cristalizada em um m odelo de pesquisa que preza o tudo de ensaio ainda não estão convencidos disso. Algo irá m udar para que esses nossos am igos venham a aceitar o óbvio? Acho que não. No fundo, a pergunta que fiz teria de ser m odificada. O certo seria “alguém precisa acreditar na reencarnação ou na espiritualidade para que elas existam ?”. Não. Se vocês acreditam ou não, não faz a m enor diferença, principalm ente porque aqueles que acreditam acabam chegando aqui nas m esm as condições que os dem ais. Acreditaram , m as não fizeram nada para m elhorar sua condição de espíritos encarnados.

O Mestre Jesus se reuniu com desencarnados no m onte Tabor (1) e deu testem unho da m ais vibrante m ediunidade e os am igos m ais literalistas continuam dizendo que os espíritos são dem ônios que vêm até os hom ens para controlá-los e tentá-los. Jesus escutou algo parecido sobre o seu poder de cura, há 2000 anos.

Aqui, com o aí, tudo depende da vontade de ver, crescer e aprender. Nos planos m ais próxim os à crosta, m uitos líderes religiosos vivem de parasitism o sobre desencarnados que lhes dão tudo quanto conseguem em relações parasitárias j unto à crosta. O dinheiro, que operava verdadeiras transform ações no hum or de pseudorreligiosos, que prom oviam a venda da salvação na Terra, aqui tem outro nom e: energia ou fluído vital. São vam piros do pior tipo, porque estão entorpecidos pela dependência que carregam e não perm item que m uitos de seus fiéis seguidores possam ser expostos a um a nova form a de pensar e ver a vida. Entre esses parasitas existem m uitos dirigentes de centros espíritas tam bém , desencarnados, que se utilizaram dos dons m ediúnicos para o enriquecim ento im oral à custa da fé alheira, ou que desvirtuaram a crença em nosso Pai. Muito será cobrado a quem m uito foi oferecido...

Nas regiões m ais próxim as à crosta, a vida religiosa continua seu curso sem sobressaltos. Entidades oriundas de religiões m ais literalistas cham ando os espíritas de infiéis e pedindo o fecham ento dos centros próxim os a seus redutos. Espíritas fanatizados esperando o m om ento de entrar nas colônias sublim es depois de algum tem po no um bral...

Não j ulguem que o m al só habita a casa ao lado.

Obviam ente, as assem bleias de todas as religiões terrenas podem ser encontradas em nossas m aiores colônias e seus seguidores se respeitam . Quanto m ais espiritualizado o plano em que vivem os, m ais fraterna é a relação entre os diferentes cultos. As sem elhanças falam m ais alto do que as diferenças e quanto m ais evoluído o espírito, m aior é o seu conhecim ento sobre o próprio passado e ele verá que j á seguiu diversas filosofias religiosas, que continuam influenciando a sua m aneira de pensar e agir. A reencarnação é assunto pouco usual, em bora sej a considerada um fato por todos os m oradores que j á possuem algum a lucidez espiritual.

Muitos pensam em renovar as suas igrej as terrenas a partir do que viram aqui, m as sabem os que m uitos entraves estarão posicionados no cam inho. Infelizm ente, após m ilênios de relação entre poder e fé, um a retom ada de princípios sem pre é m ais traum ática. Os anos vindouros deverão trazer grandes esperanças e desafios.

3. Allan Kardec foi acusado inúmeras vezes de não seguir fielmente os seus protocolos de pesquisa, dando importância a comunicações mediúnicas que transmitiamexatamente o que ele acreditava e ignorando aquilo que desafiavaseu credo pessoal. O que poderiam nos falar sobre isso?

Ishmael. Meus am igos, teria sido um a grande honra conhecer Allan Kardec. Isso não m e foi possível. Nem aí, nem aqui.

De qualquer form a, Kardec realm ente desconsiderou algum as com unicações m ediúnicas que ele e seus colaboradores perceberam se tratar de textos incoerentes e desprovidos de bom senso, o que ele m esm o adm itiu em diversos m om entos. Ele não iludiu os seus iguais ou foi infiel aos seus protocolos, todos bem descritos na codificação e na revista espírita francesa. Selecionar o que m erece consideração e o que parece destituído de valor é algo que ensinam os a nossos alunos, tanto na Terra quanto nos planos que lhe fazem lim ites.

Vocês encontram textos e discursos horríveis em todos os m eios de com unicação e desconsideram vários deles ao longo de seus dias e ninguém fica com dor na consciência ao deixar de estudar m ais detidam ente notícias absurdas, com o a vinda do papai Noel e a detecção de dinossauros em algum a vila distante na Sibéria ou no Congo. Estou errado? A vida espiritual segue um a lógica que é expressa através das leis que a ciência vem procurando caracterizar.

Kardec foi bastante criterioso. Desconsiderou o que era para ser desconsiderado. Sem rem orso ou dúvidas. Sou um servo m odesto do Criador e não teria tido dúvidas em fazer o m esm o.

O codificador da doutrina espírita foi acusado de todo tipo de deslize, m as essas pessoas que o criticavam e o criticam , no presente, se esquecem de que ele m esm o colocou que toda a codificação era constituída de elem entos m aleáveis e que poderia (e deveria) ser corrigida assim que se m ostrasse necessário. Era fruto de um a fé que se baseava na razão e na lógica. Se ele com eteu erros, e errar é algo que traduz falibilidade e som os falíveis, foi sem ter intenção ou interesse.

Alguns o acusaram de tentar ser o "papa" ou "sum o pontífice" do Espiritism o, o que é um absurdo. Chega a ser ofensivo isso, principalm ente quando vem de pessoas que seguem a um líder religioso m áxim o, onde o poder tem poral e o poder religioso se m isturam de form a inseparável. Quem critica Kardec dessa form a, deveria lutar para extinguir a figura do próprio Papa, que enverga nas costas séculos de abusos, perseguições e intolerância que não serão apagados do dia para noite pela atividade de 3 ou 4 de seus representantes.

Kardec procurou elim inar, a pedido dos espíritos que o orientavam , a figura do sacerdote espírita, que é totalm ente desnecessário, um a vez que nenhum filho de nosso Deus tem algum privilégio na sua relação com o Pai. Ele se privou de m uitos elem entos de um a vida cotidiana norm al para se dedicar integralm ente à tarefa que se descortinava aos seus olhos: deixar um código de relações entre encarnados e desencarnados que de fato representasse o que encontraríam os nas diferentes esferas da vida. São princípios que podem ser expandidos e, ocasionalm ente, m odificados. Kardec sugeriu que m odificações viessem a ser feitas, m as apenas os espíritas m ais intransigentes negam que, algum dia, os livros da codificação deverão receber algum as atualizações e correções.

Ele pedia o estudo e a discussão construtiva de tudo o que os espíritos m andavam para o m undo físico. Kardec, m ais do que ninguém , entendeu que todos som os espíritos, encarnados ou desencarnados, e que estam os suj eitos a erros e a ter opiniões pessoais. Perguntem aos representantes das igrej as que procuraram (e procuram ) m acular a im agem daquele hom em se eles têm a m esm a liberdade de discussão que os seguidores da Filosofia dos Espíritos possuem . Quem propõe o estudo não quer cultivar dogm as e está aberto a considerações racionais, não quer enganar. Infelizm ente alguns espíritas estão se tornando dogm áticos e atribuindo a Kardec a criação desses dogm as. Um erro crasso.

O em brião da razão que nos habita vem de Deus e sua m anifestação é conquista individual. Alguns a atribuem à figura do diabo ou dos dem ônios, principalm ente se o conhecim ento vem do m undo espiritual. Esses am igos não querem colocar as suas crenças para um a avaliação desapaixonada ou racional. Dizem que o universo não segue a razão dos hom ens, m as sem pre se fartam de dizer que o hom em é a im agem e sem elhança de Deus. Precisam escolher em que grupo deverão ficar. Ou lá, ou cá. Adotam um a postura dúbia para evitar as incoerências que com a evolução científica do hom em . Devo confessar que, no futuro, a ciência e a religião deverão perder as cores tradicionais que hoj e envergam , deixando de ser antagônicas. A força m otriz dessa transform ação irá residir na dem onstração experim ental de que o espírito existe e sobrevive à m orte do corpo físico. Essa descoberta será m uito m ais im portante do que a verificação de vida extraterrestre, um a vez que deverá im por um a m udança de postura. Vai ser m uito interessante quando isso ocorrer e eu espero estar encarnado nessa época.

Já pensaram nisso? Já ponderaram que quase tudo que fazem os, nessa filosofia de tirar proveito de tudo, m esm o que isso leve a prej uízo dos outros, se baseia no conceito de vida única, que acaba no túm ulo? Isso vai m udar, ah vai, e m uito.

Certos religiosos literalistas chegam a falar que essas entidades perversas, inadequadam ente denom inadas de dem ônios, são capazes de incutir na m ente hum ana a descrença e fom entar a discussão sobre os dogm as de fé. Contudo, devo dizer que esses am igos encarnados fazem isso porque m uitos de seus dogm as se desfazem com o gelo sob o sol de verão diante de um escrutínio um pouco m ais rigoroso da razão. Os espíritas deveriam estudar um pouco m ais a obra de Kardec e de seus colaboradores do invisível para entender o que digo.

Creio que isso encerra um a questão bastante sensível, afinal foi o próprio Mestre Jesus quem teria dito que devem os conhecer a verdade, porque ela nos libertará (2).

4. A literatura do século XIX traz diversos exemplos de espíritos que negam a reencarnação. Na época havia grande rivalidade entre os espíritas franceses, alemães e latinos, que acreditavam na reencarnação, e aqueles que vinham dos países de língua inglesa, que não aceitavam esse ponto de vista e cada lado apresentava inúmeras comunicações mediúnicas que atestavamsua primazia. Essa dicotomia ainda se mantém no presente, como os espiritualistas norte-americanos se recusando a aceitar a reencarnação. A reencarnação é um evento universal ou pelo menos global?

Joseph. Irm ãos m eus, o universo não vai m udar sim plesm ente porque não o com preendem os totalm ente. Nós devem os m udar. Precisam os ponderar m ais a respeito da obra literária e postura hum anitária de m uitos de m aiores expoentes m odernos do Espiritism o, onde o am or aos pequeninos e hum ildes tem um a ênfase divinam ente inspirada.

Se as explicações sobre a vida espiritual foram dadas aos interessados e eles ainda não foram capazes de entendê-las, esperem os que o tem po incorpore m aior discernim ento e cabedal de conhecim entos. Não devem os ficar, insistentem ente, retrucando ou digladiando com ideias que ainda escapam ao senso com um . Trabalhem os em prol dos necessitados de todos os tipos e esperem os que a verdade se im ponha naturalm ente.

O m aior problem a com a ideia da reencarnação/renascim ento é que ela im plica que as condições que hoj e apresentam os são plásticas e m aleáveis, o que é inadm issível em países e povos com postura im perialista ou intransigência religiosa. Em m uitos desses países onde a sobrevivência do espírito após a m orte do corpo físico é aceita m as a ideia de reencarnação é refutada, verificava-se a existência, pelo m enos até recentem ente, de profundo racism o e elitism o na população. Acreditar que brancos podem retornar com o negros e que indo-europeus de hoj e podem ter sido os j udeus de ontem , e vice-versa, é algo que ultrapassa o que a m aioria dessas pessoas e sociedades pode aceitar.

Em alguns países anglo-saxões, até recentem ente, leis proibiam os casam entos racialm ente m istos. E aceitar que não som os brancos ou negros, m as estam os brancos ou negros, ou pobres, ou ricos, ou aleij ados, é algo que transcende em m uito o que certas culturas estão dispostas a aceitar. Contudo, m esm o na literatura anglo-saxã, a vasta m aioria dos espíritos com unicantes aborda o problem a da reencarnação e deixa claro que ela faz parte da vida espiritual, do nosso m undo de ideias e crenças.

Nos tem pos bíblicos, a m ensagem cristã penetrou prim eiro entre os pobres de espírito, pessoas sim ples e escravos, que constituíam a periferia da sociedade greco-rom ana. Os senhores e doutores da lei não foram tocados por sua m ensagem . Som ente quando passou a ser conveniente, do ponto de vista econôm ico ou politico, ser cristão é que a elite da sociedade passou a se interessar. Jesus falou com os fariseus e pessoas do povo e m uitos O aceitaram , m as entre os doutores da lei, principalm ente os saduceus, apenas angariou invej a.

No presente, os m aiores adversários da reencarnação e da existência do intercâm bio entre os diferentes planos de vida são os novos doutores da lei, com diplom as de doutoram ento nas m elhores universidades do m undo físico, que pregam que tudo que existe nesse cam po é fruto de um inconsciente coletivo ou um a m em ória ancestral com um a todos os hom ens. Preferem crer que a telepatia é responsável pelos dons de xenoglossia, dons psicográficos, pictopsicográficos ou psicofônicos, para não terem de acreditar que após a m orte da rom agem física, o espírito continua sua j ornada. Preferem acreditar que o túm ulo é o fim da j ornada do que ponderar sobre as im plicações da existência de algo m ais.

Outros atribuem as curas através da m ediunidade à fenôm enos de autossugestão, ignorando inúm eros aspectos da enferm idade tratada. Existem ainda aqueles que sequer adm item a possibilidade de discussão sobre tem as que escapem a seus tubos de ensaio e cubas de eletroforese. Por que fazem isso?

Isso ocorre pelas im plicações m orais da reencarnação e da sobrevivência da alm a. O conceito de países, leis internacionais e da dom inação de uns sobre os outros sim plesm ente ruiria diante do que o espírito livre vê diante de si, após o desencarne (3). Aqueles que estão presos a preconceitos precisam da m orte para colocar um fim a essas discussões indigestas.

O obj etivo m aior da vida é a evolução. Adm ito que o conceito de reencarnação com o esboçado até o presente não representa exatam ente o que pode ser encontrado ao longo de nossa j ornada evolutiva e no universo com o um todo, m as indubitavelm ente representa um a regra geral que explica a quase totalidade dos fenôm enos evolutivos hum anos. Mas ao falarm os "reencarnar" vocês pensam que esse fenôm eno se dá apenas no plano em que vocês se encontram , um “retorno literal à carne” ou corpo denso e isso não é o que realm ente se observa. Aí está um a questão que apenas recentem ente com eça a ser discutida entre vocês. Reencarnação deve ser entendida com o um renascim ento e não apenas com o um retorno à carne, porque o processo não é restrito a isso.

O espírito pode reencarnar em diversos planos vibratórios que existem ao redor de todos os orbes habitados, dependendo de diversos fatores, com o a possibilidade de concretizar o fenôm eno e a necessidade. O "reencarnar" não é nada m ais do que receber um invólucro que nos habilita, na condição de consciências com individualidade, a interagir com o m undo para o qual fom os destinados naquele m om ento. Muitos espíritos negam a visão sim plista que se popularizou da reencarnação, enquanto outros de fato ignoram qualquer coisa que venha a fugir do seu "millieu".

Muitos espíritos desconhecem ou não aceitam a reencarnação porque estão há séculos vivendo em condições bastante precárias, entre m eus irm ãos encarnados. Alguns apenas há pouco tem po se convenceram que deixaram a vida física. Não reencarnam pelo m esm o m otivo pelo que alguns espíritos que professavam , quando encarnados, religiões literalistas e dogm áticas não acordam após a m orte: não reconhecem a existência de algo diferente daquilo que aprenderam em reuniões religiosas estereotipadas. Quando se perm itirem o retorno a um novo corpo físico, reencarnarão. E isso poderá se dar no plano de vocês ou em outra dim ensão qualquer, que se m ostrar adequada para a condição de escola e, por corpo físico, m e refiro a qualquer invólucro que venha a adentrar a esse novo plano vibratório através do ventre m aterno ou através da união de gam etas.

Existem irm ãos que aproveitam o período na vida “extrafísica” para aprofundar os estudos e no trabalho enobrecedor, galgando significativa evolução espiritual sem um retorno rápido ao corpo físico. Muitos desses espíritos passam m ilênios sem restabelecer vínculos com a Terra, pelo m enos na condição de habitantes ordinários do plano terreno. Esses indivíduos m ostram condições de não reencarnar entre vocês, m as sofrem um processo sem elhante ao reencarne em outras dim ensões superiores, evidenciando que o princípio da reencarnação não é, necessariam ente, ao contrário do que o nom e sugere, um retorno obrigatório à “carne’, m as sim o ingresso em um a nova ou velha escola, dependendo de onde o processo se dará. Afinal, se um espírito superior "reencarna" em um a esfera extrem am ente “sutilizada” de vida, o processo, em bora constitua um retorno à escola da vida, não significa literalm ente “reencarnação”. Aliás, com o vocês acreditam que a passagem de um a esfera para outra se dá? Vocês fizeram isso para entrar no plano em que se encontram , em bora existam outras m aneiras, com o discutido anteriorm ente.

Com o tem po verem os que o "reencarnar" foi um term o cunhado pela espiritualidade para descrever um fenôm eno que é particularm ente im portante para a fase evolutiva em que a Terra está, m as independentem ente do term o utilizado, poderem os dizer que o retorno ao desafio da vida sem pre ocorre, m ais cedo ou m ais tarde, na carne ou em planos paralelos.

A reencarnação nos levará às condições m ais sublim adas da alm a e perm itirá um aprendizado extrem am ente im portante para a fase evolutiva em que a Terra e seus m oradores se encontram , m as chegará o dia em que o retorno aos corpos m ais densos será facultativo e não com pulsória; quando realizado, o retorno se dará na condição de reencarnação m issionária, m uito diferente do que presenciam os até o m om ento.

5. Por que então esses espíritos insistiam em dizer que não aceitavam o retorno à vida física e que a reencarnação era uma falácia?

Joseph. Creio que essa questão foi respondida acim a, m as gostaria de lem brá-los que esses m esm os espíritos são aqueles que se dizem conhecedores de todos os segredos do cosm o e geralm ente se irritam quando as incoerências de suas m ensagens são discutidas. Som os hum anos. Cada qual defende seus pontos de vista e sua form a de encarar os desafios. Os espíritos m ais ilum inados são aqueles que j ustificam os seus pensam entos e não dem onstram im paciência quando m eus irm ãos não com preendem a sua retórica.

A literatura de vocês é m uito vasta a respeito de quais com unicações podem ter inform ações valiosas e quais são pregações de espíritos que não aceitam o m undo extrafísico com o ele é e acham que podem m udá-lo som ente ignorando as características que os incom odam ou perturbam .

Um aspecto não pode ser negligenciado por aqueles que estudam a vida espiritual e sua inter-relação com o m undo físico: as leis da biologia, da física e da quím ica não podem ser desconsideradas. Essas leis refletem as leis divinas e, portanto, não podem ser burladas. Existem descrições de civilizações m uito m ais evoluídas do que a vossa em outros planos, m as, com o disse Jesus para Nicodem os, carne gera carne e o espírito gera espírito, ou sej a, não é possível que um corpo denso com o o de vocês venha a se transform ar em algo m ais sutil. A vida na Terra tem quatro bilhões de anos e isso ainda não ocorreu e, devo antecipar, não ocorrerá. O aparelho digestório poderá ficar m ais curto e eficiente, o núm ero de dentes poderá continuar dim inuindo, o telencéfalo poderá se expandir ainda m ais, m as continuarem os prim atas e constituídos de carne, com m úsculos, ossos, tegum ento e outros tecidos. Assim , podem os dizer que as descrições dessas civilizações se referem a vida em planos diferentes daqueles ocupados por vocês, m as m esm o assim tal processo se baseia na leia da reencarnação/renascim ento, em bora produza corpos que não seriam constituídos, a priori, de “carne”, m as sim de m atéria em condições diferenciadas daquela que caracterizam o vosso plano terreno.

Muitas declarações de espíritos e de encarnados que negam a reencarnação são diam etralm ente opostas a essa acim a. Geralm ente são com panheiros que se sentem especiais ou privilegiados, não aceitando a nossa relação com o m eio am biente que nos envolve. Usam argum entos dogm áticos e um discurso de cunho teológico para j ustificar essa universalidade da vida. Basta que venham os a refletir sobre suas palavras para que salte aos nossos olhos os interesses que se escondem por trás desse discurso. O que pretendem negar? Mesm o os espíritas com etem o erro de esperar que corpos de m atéria ordinária sej am transform ados em corpos sutis aí!

Essa transform ação irá ocorrer e j á vem ocorrendo, m as não no plano de vida de vocês, m as em esferas m ais sutis do próprio orbe terreno. Corpos densos geram corpos densos, corpos sutis geram corpos sutis...Claro e sim ples. As potencialidades divinas que caracterizam a m ônada que nos habita não podem ser atingidas por corpos com o aqueles que os encarnados envergam . Meus irm ãos, a condução de estím ulos nervosos, a força m uscular, a eficiência do sistem a endócrino e dem ais sistem as orgânicos têm lim ites m uito nítidos, m uito inferiores aos que serão em breve atingidos por aparelhos tecnológicos produzidos por vocês. A evolução deverá então seguir paralelam ente em outros planos e nos levará a atingir outros patam ares de eficiência e perfeição, que logo serão suplantados e assim sucessivam ente.

O m ecanism o será sem pre a reencarnação, em bora em um sentido m uito m ais am plo do que vocês em pregam .

6. Allan Kardec foi e é criticado por, supostamente, ter dado importância maior aos médiuns psicográficos na redação dos textos da codificação, em relação aos médiuns de efeitos físicos. Dizem os críticos que a psicografia é mais claramente influenciável pelos pensamentos do médium e que as mesas “falantes” eram mais confiáveis. Até que ponto podemos dar créditos a essas críticas?

Joseph. Isso não é real, em nenhum a extensão.

Prim eiram ente, com o é de conhecim ento de m eus irm ãos, Kardec participou de inúm eras reuniões m ediúnicas em que efeitos físicos, com o as m esas citadas acim a, foram utilizadas para as repostas dos espíritos aos questionam entos hum anos. Obviam ente essa m odalidade de intercâm bio apresenta lim itações e som os obrigados a nos lim itar a responder afirm ativam ente ou negativam ente a questões sim ples.

Segundo, o que torna a com unicação m ediúnica, sej a de efeitos intelectuais, com o a psicografia, ou de efeitos físicos, susceptível de influência é a vontade do m édium e do espírito com unicante, além de outras consciências presentes j unto ao cam po m ental de am bos. Não poderíam os dizer que a psicografia é m ais facilm ente influenciável som ente pela natureza do fenôm eno envolvido.

As questões m ais relevantes da vida espiritual foram esboçadas através de escrita direta e pelas m esas citadas acim a e não por psicografia. Som ente quando m édiuns de m aior com prom etim ento estavam disponíveis e o arcabouço do Livro dos Espíritos estava desenhado, é que a psicografia ganhou destaque, m as sem pre sob o crivo da análise crítica e racional.

7. G ostaríamos de discutir um pouco o papel do centro espírita na vida dos espíritos e o papel da religiosidade nas comunidades de desencarnados. As instituições religiosas ainda possuem grande influência entre vocês?

Ishmael. E com o...

Sem som bra de dúvida e isso tem aspectos positivos e negativos. A m orte não representa um a ruptura, m as um a m udança de fase, com o a m udança do estado físico da água, de sólido para líquido, sendo que até Platão utilizava essa m esm a term inologia.

As instituições religiosas terrenas deveriam trabalhar para criar canais m ais am plos de espiritualização da população, com a desm istificação da fé e a universalização de valores, com o o respeito, o am or, o perdão entre outros. Contudo, foram e são utilizadas, nos diversos planos da vida, com o instrum ento de dom inação, de usurpação dos direitos dos hom ens. Quase sem pre são veículos de exploração. Um a lástim a. Quando o hom em utiliza a m ensagem divina em proveito próprio, o resultado é dos piores. Felizm ente esse estado de coisas vai desaparecendo na m edida em que adquirim os m ais conhecim ento.

Todas as denom inações religiosas que existem entre vocês possuem aqui suas equivalentes e as pessoas costum am frequentá-las seguindo os m esm os hábitos que possuíam enquanto estavam no m undo físico. Não pensem que, por estar em contato com a vida espiritual, a m aioria dos espíritos seria constituída de espíritas ou m esm o sim patizantes. Isso não ocorre e j á com entam os um pouco sobre isso. Alguns credos criaram colônias próprias, por não aceitarem a convivência com espíritos que professam outra crença, m as isso sem pre nas bordas dos um brais. Nos planos m ais distantes da Terra todos passam a ter m uito m ais conhecim ento de suas vidas pretéritas e rabinos acordam padres e pastores, pastores se lem bram do passado com o padres e esses hoj e nascem espíritas, rabinos ou pastores. Poucos são aqueles que m antêm o sectarism o em alto grau. No coração deles, apenas Deus é destaque, um a vez que os rótulos vão perdendo a im portância. Assim , eu seria considerado rabino, padre e espírita pelas três com unidades.

Nas nos planos m ais próxim os à Terra, m uitos não conseguem entender os verdadeiros valores das crenças que professam e passam a sobrevalorizar as palavras dos textos e não o sentido que se encontra por detrás delas. Mostram -se dem asiadam ente apegados aos conceitos do pretérito. Nesses planos, a realidade é por sem elhante dem ais à que vocês observam no dia a dia, inclusive com as igrej as sendo lugar de m anipulação e distorção da realidade. Muitos se lançam em buscas sobre a verdade das coisas e não olham para o seu próprio “eu”.

Muitos não conseguem acreditar que foram colhidos pela m orte do veículo físico e ainda se iludem com cânticos e outras m anifestações exteriores de religiosidade. Esperam a chegada do Senhor dos Exércitos com suas forças retum bantes em arm aduras reluzentes, celestiais. Ainda não acordaram para a m ensagem do Messias de Nazaré, que cham ava de Pai o Criador. O Deus de am or e m isericórdia ainda não existe para eles. Esperam um a guerra nos céus, sem perceber que os Céus esperam que deixem os as guerras de lado.

As diferentes denom inações religiosas continuam existindo nos planos extrafísicos e são procuradas por todos os tipos de necessitados, desde aqueles que esperam poder barganhar com a Divindade, através de “prom essas”, até aqueles que de fato precisam de auxílio fraterno e reconhecem o fato. Entretanto, o nom e da igrej a perde im portância na m edida em que nos libertam os da m atéria.

É extrem am ente relevante relem brar que a grande m aioria dos que desencarnam ainda perm anece, de algum a form a, ligada à crosta. Algo em torno de 70% dos recém -desencarnados ainda peram bulam pelos seus antigos am bientes dom ésticos e profissionais sem ter noção real de sua condição, quando não são colhidos na sepultura pelos seus antigos com parsas e passam a gravitar nas esferas purgatoriais.

Algum as vezes, essas pessoas são vistas em igrej as e centros espíritas na crosta, procurando todo tipo de auxílio, m uitas vezes solicitando prosperidade financeira em vida e nem sequer se reconhecem com o desencarnados. As religiões não estão preparando as pessoas para essa travessia e olhem que essa era a única j ornada que todos sabiam que iriam percorrer. Morrem sem terem vivido plenam ente.

Mesm o após a m orte, entre esses com panheiros, as disputas sobre as “verdades universais” continuam tom ando tem po precioso, o que é lastim ável. Outros que adentram colônias de transição, para refazerem suas escolhas e se preparar para nova vida através do trabalho, esperam encontrar os anj os, os santos e até o Mestre Jesus aguardando por eles, após curta ou prolongada passagem pelos um brais, dem onstrando um com portam ento por dem ais infantil. As igrej as literalistas são pródigas em criar espíritos infantis, m as os próprios espíritas chegam iludidos aqui.

Entre os espíritas o problem a é outro. Eles acreditam que possuem extensa ficha de trabalhos na seara cristã e, por isso, m ereceriam tratam ento especial, particularm ente para aqueles que, m ais intelectualizados que a m édia das suas coletividades, propagaram a m ensagem cristã, m as, infelizm ente, não vivenciaram as suas próprias palavras; apresentaram a luz, m as viveram em trevas.

Em bora os povos do oriente tenham feito a conexão entre o “karma” individual e o processo de reencarnação (4), os seguidores dessas religiões de cunho reencarnacionista ou espiritualista não conectaram a reencarnação ao fenôm eno de aprim oram ento m oral. Por conseguinte, sem essa associação, o retorno ao corpo físico adquire caráter de necessidade im perativa para evitar a erraticidade. Nessas crenças, pouco ou nada se aprende nesse período da vida espiritual ou na vida terrena e as reencarnações continuam se sucedendo e os m esm os erros se repetindo, com o que dom inadas pela inércia ou letargia espiritual.

Muitos am igos de religiões m ais dogm áticas executam m aravilhoso trabalho de auxílio ao próxim o e de resgate j unto a hospitais, centros de internação para desequilibrados m entais, escolas espirituais e prisões terrenas. Seu valor é inestim ável e a espiritualização que dem onstram é adm irável. O rótulo não lhes cai da fronte, m as a luz que deles em ana cura a angústia dos que são atendidos. Perde, assim , qualquer im portância as denom inações religiosas ou discussões teológicas acaloradas. A liberdade é total em term os de filosofia e estudos. Por exem plo, m uitos sacerdotes oriundos de cultos m ais literalistas na Terra aqui não colhem a confissão de seus fiéis, m as dão orientação pessoal a eles, posto que reconhecem as diferentes nuances da lei de ação e reação e agregaram -na ao seus cultos de am or e dedicação aos m ais necessitados.

Aqui, na prática, som os reconhecidos pelo que fizem os de útil ao próxim o, m as a form a e o m om ento em que o auxílio espiritual nos é fornecido depende de m uitos fatores. Todas as denom inações religiosas são pontos de encontro entre o hum ano e o divino, podendo acum ular energias benfazej as, m as a espiritualização da criatura hum ana ainda vai dem orar m uito tem po para acontecer e isso é de caráter pessoal íntim o. Não se pode esperar que aqueles que trucidavam vilas e escravizavam povos inteiros há poucas décadas hoj e passem im ediatam ente para a condição de criaturas evangelizadas. É um processo longo. A espiritualização não nos invade após o desencarne. Ela é fruto de um a evolução natural de nossa m aneira de pensar e agir.

O cerne da Doutrina dos Espíritos faz parte da fé que passam os a professar, independentem ente do nom e que dávam os às nossas igrej as terrenas, um a vez que todas se baseiam na reform a pessoal, fé, esperança e am or divinos. Mas respeitam os, em m inha casa, m uitas das tradições e festividades j udaicas e sabem os que a reencarnação faz parte de algum as das m ais antigas tradições de nossa antiga fé, com o os próprios evangelistas preservaram nas palavras de Jesus (5).

As festividades do ano novo, o dia do perdão, a páscoa, a festa dos tabernáculos, o festival das luzes, o “purim”, tudo isso faz parte do nosso universo cultural j udaico, m as, em função das m uitas religiões que professam os ao longo de m ilênios, esse m undo religioso foi ganhando cores especiais que apenas evidenciam o quanto Deus é infinitam ente bom e piedoso. Ensinam os o valor do conhecim ento e da tolerância aos nossos j ovens, com o vocês tam bém fazem aí, e nos utilizam os de todos os argum entos para m ostrar que a vida é m uito m ais rica e plena do que os textos antigos poderiam supor (6). Aprendem os que o sentido é m ais im portante que as palavras que o expressam e deixam os de lado as discussões exegéticas pouco salutares.

Mesm o dentro do m ovim ento espírita m uitos têm dificuldade de aceitar o dinam ism o e plasticidade naturais da Doutrina dos Espíritos e isso se dá em função da bagagem religiosa e cultural que adquiriram no passado reencarnatório, com o sacerdotes de outros credos que foram . Façam o seu papel e não se preocupem com as discórdias e os perseguidores (7). Com o tem po, as religiões irão convergir para o conceito da necessidade de evolução contínua do espírito, independentem ente do que seus segm entos m ais dogm áticos vierem a escolher.

Quando isso ocorrer, irão desaparecer os problem as com o daqueles com panheiros que não aceitam reencarnar, sim plesm ente porque não acreditam que isso sej a possível ou divino. Muitos acabam sofrendo a reencarnação com pulsória, com a intercessão de entes queridos que os am am .

Nas esferas superiores, os locais de culto ganham um tom pessoal. Contudo, nesses am bientes, todos reconhecem o processo evolutivo e se tratam fraternalm ente.

8. Q uais as maiores virtudes e as limitações que vocês observam no Espiritismo nesse início de século XXI?

Ishmael. A m aior virtude ainda se m antém ligada à natureza aberta e caritativa do m ovim ento espírita e à noção de que não há salvação sem responsabilidade pessoal. A cada um será dado segundo suas obras e isso é cristianism o puro, só não reconhece quem não quer. Sei que m uitos não querem entender e dem onizam a doutrina deixada pelo Espírito Verdade e seus colaboradores.

O foco centrado na caridade com o instrum ento de reform a interior, se verdadeira, é antídoto para as obsessões de todos os tipos. Um gesto de coração vale m ais do que m il discursos.

Por outro lado, a fé espírita j á deveria ter se libertado de todos os dogm as e universalizado a com preensão de que ninguém é detentor da verdade m aior, acessível som ente ao Pai. Na m elhor das hipóteses, som os intérpretes que observam diferentes aspectos dessa verdade. Só isso deveria am ainar as discussões estéreis sobre o que é ou não ligado à Doutrina dos Espíritos, doutrinário ou antidoutrinário. Essa discussão é um a tristeza. Pelo m enos se as pessoas soubessem o real sentido das palavras que utilizam , j á seria tolerável.

Dois pontos antagônicos estão dificultando a evolução do conhecim ento e a sua dissem inação. Prim eiro, a elitização da doutrina e, por outro lado, a falta de iniciativa de parte da com unidade espírita em estudar a extensa literatura j á disponibilizada pelos reais condutores do m ovim ento, os desencarnados m ais ilum inados que nos auxiliam , aqui e aí.

Enquanto a elitização cria um grupo de “eleitos’ no qual o conhecim ento parece não sair da teoria, tornando-se letra m orta, a falta de estudo faz com que grande parte daqueles que dizem seguir os pontos básicos da Doutrina não tenha conhecim ento algum sobre a vida espiritual. Um grupo alim enta o outro.

O segundo problem a sério que vej o, no presente, é o excesso de form alism o dentro da estrutura de atendim ento dos centros espiritas, onde o engessam ento faz que com que m uitas lideranças espirituais se afastem das casas por eles outrora dirigidas e passem a procurar opções m ais condizentes com os obj etivos iniciais do trabalho. Sabem os que todo atendim ento deve ser feito dentro de condições m ínim as de segurança para todos os envolvidos, m as m uitas casas espiritas elim inaram os trabalhos de terapia espiritual e se converteram em am biente de palestras e, quando m uito, passes m agnéticos. Casos m ais graves m ostram que alguns centros espíritas se converteram em extensões de clubes sociais e de am izades, fugindo totalm ente do obj etivo para o qual foram criados. É o Espiritism o sem espíritos.

Os trabalhadores de am bos os lados da vida ganham com esses atendim entos, na m esm a m edida em que aj udam seus irm ãos. Muitos estão se preparando para o retorno à esfera de vocês e outros, do seu lado do véu, estão trilhando cam inhos que os afastam da obsessão, m ostrando aos seus antigos inim igos que conseguiram m udar sua m aneira de viver. Tirar os espíritos do Espiritism o é um ponto nevrálgico que tem ocorrido em grande parte do m ovim ento.

Muitos centros espíritas, sentindo a estagnação e a falta de colaboração de seus próprios integrantes, têm buscado tornar a “cara” do m ovim ento m ais atraente. Incorporam técnicas novas de desobsessão e de fluidoterapia, o que é louvável, m as precisam estudar e avaliar o desem penho dessas m etodologias antes de saírem praticando sem indicação ou controle. Essa falta conhecim ento sobre a eficácia desses novos procedim entos faz com que m uitos se iludam com am igos que se com portam com o verdadeiros com erciantes de soluções em palestras pouco salutares para os que nada conhecem sobre a Doutrina Espírita e bastante desagradáveis para aqueles que j á possuem um conhecim ento m ínim o sobre o tem a, m as não nos cabe aqui polem izar, m as apenas alertar para a necessidade de se estudar todas as m odificações na rotina de atendim ento das casas espíritas e buscar o consenso.

Assim , com o não eram as técnicas “antigas” que traziam dificuldades, m as sim a falta de liberdade, diálogo e a falta de ânim o e interesse nas reuniões m ediúnicas, os problem as básicos dos centros espíritas continuam sem solução, na m aioria dos casos.

Mudem as palestras, que são sonolentas e parecem um a hom enagem aos m ortos e não um a celebração à vida. Mostrem , para o m undo e para vocês m esm os, o quanto é im portante a oportunidade de ter um corpo físico; evidenciem que o que cura as doenças da alm a é a m udança do m odo de agir e pensar. Valorizem o estudo, evitando os “intelectualism os” de final de sem ana, onde, ao invés de orientar, o trabalhador responsável procura dem onstrar o conhecim ento que não tem e inibe questionam entos. Voltem a distribuir sopa e agasalhos aos necessitados, pois não faltarão novas iniciativas para todos.

Trabalho é o que não falta, m as a boa vontade parece estar escasseando.

9. O Espiritismo poderá se tornar uma voz mais ativa e mesmo uma religião hegemônica com o desenvolvimento da sociedade em um mundo de regeneração?

Ishmael. O que desaparecerá é essa idéia de hegem onia. O que ela acrescenta? Fazer parte de um a m aioria não nos torna m aiores.

Atualm ente, não acredito m ais no estabelecim ento de “m aiorias”. Creio que o espiritualism o, em suas m últiplas cores, poderá ser aceito por m uita gente. Vej a a com unidade de católicos no Brasil. Aproxim adam ente m etades deles acredita que a reencarnação é um a realidade e essa postura está aportando entre os seguidores dessa fé ao redor do m undo, m esm o que as suas lideranças sej am contra essa postura. Esses seguidores não parecem se im portar m uito com o que acreditam os m ilhares de sacerdotes, em bora m uitos sej am , tam bém , reencarnacionistas.

Esse processo se deu pelos exem plos de vida inequívocos de m uitas pessoas que estiveram entre vocês e pela lógica da doutrina reencarnacionista, m as ainda existe m uita ignorância e resistência, que deverão ser superadas.

Voz ativa para que? Para auxiliar na superação das desavenças? Sim , creio que aprenderem os a ouvir e a falar com m ais tolerância, am or e sem interesses pessoais.

Voz ativa para ditar form as de agir e pensar? Só se desej arem um a nova Inquisição e creio que isso não pode estar na m ente de pessoas lúcidas, ao redor do globo. O crescim ento e o conhecim ento im põem lim ites e cobram responsabilidades, não é assim ?

Deixem os as pretensões de grandeza futura e trabalhem os, de coração aberto, para m elhorar nosso presente.

10. Q ual deve ser o melhor relacionamento entre o centro espírita e as demais casas de oração, principalmente quando ele se vê atingido por calúnias?

Ishmael. Meus queridos, som os irm ãos e tem os coisas para m odificar e corrigir. Pensem os no trabalho a ser feito e pronto. Se as críticas forem construtivas, corrij am os erros apontados, m as se forem m otivadas por despeito ou revanchism o, ignorem e sigam o cam inho previam ente determ inado.

O tem po que perderíam os com discussões poderia ser m elhor em pregado no trabalho j unto aos m ais necessitados, na prática da caridade m aterial, m oral, espiritual e intelectual. Deixem os que a vida e nossos atos falem por nós.

Nem m esm o o Mestre dos Mestres foi absolvido pela j ustiça dos hom ens, o que dizer de nós, com tanto erros e posturas a corrigir.

A cada um será dado segundo suas obras e tem os repetido isso continuam ente nessas linhas. Quem absolve ou condena é a nossa consciência, que conhece os artifícios de nosso espírito para fugir da saudável corrigenda do trabalho santificante.

Sim , o trabalho é santificante não porque nos torna “santos”, m as porque é um santo instrum ento para nos tornarm os hom ens de verdade e não hom únculos que não suportariam ver o reflexo do seu espírito na água lím pida do lago da vida ou do espelho da alm a.

11. Será que um dia teremos um envolvimento de todas as crenças do bem no plantio de uma sociedade mais justa e fraterna?

Ishmael. Claro que sim .

Eu não conheci o Espiritism o, em vida, e talvez m uitos de vocês teriam dificuldades para nos considerar espíritas agora e estam os trabalhando j untos. Já viram um j udeu-espírita? Hoj e é assim que m e considero, m as tem os m uito que aprender para serm os considerados “espíritos verdadeiram ente espíritas”.

A sensação de que fazem os parte de um a sociedade global, em vez de tribos e nações sectárias, vem crescendo e o bem acaba sem pre se im pondo, não im portando o que façam os senhores da escuridão e os hom ens para barrar o progresso m oral e espiritual do m undo. Por anos, séculos e m ilênios o avanço científico e tecnológico foi barrado porque parecia querer deslocar o hom em do centro do universo e colocá-lo no local periférico em que se encontra hoj e. As fogueiras barraram a razão? A ignorância das igrej as conseguiu im pedir o livre pensar? Não, m as criou as condições para a m udança de postura que hoj e vislum bram os em seus sacerdotes. Os estudiosos pensavam enquanto dorm iam e no m undo íntim o dos sonhos e devaneios, os clérigos da dor e da m orte não conseguiam penetrar.

Infelizm ente, os cientistas, com o reação a esses tem pos dogm áticos deixados para trás, elim inaram da discussão acadêm ica tudo ou quase tudo que não pudesse ser reproduzido continuam ente em seus laboratórios, m as sabem os que m uitos fenôm enos, principalm ente os de natureza m ediúnica e espiritual não podem ser realizados quando e com o desej am os. Assim , tudo isso se tornou m otivo de negação e chacotas. Pelo bem da carreira acadêm ica de m uitos, a academ ia acha, por bem , não apresentar um a voz que destoe de tudo isso.

Entretanto, nos últim os 50 anos, o conhecim ento superou os m uros do dogm atism o e m uitas visões de cientistas m odernos m ais se assem elham a visões de antigos m ísticos, que procuravam descrever o universo que os envolvia, do que a visão dos ortodoxos da ciência. A cada novo dia, o hom em descobre que ele é peça atuante e que as cortinas estão se abrindo para a entrada da luz e essa j anela não foi aberta por cientistas ou religiosos, m as sim pela Mão Divina, independentem ente de com o A denom inam os (8).

Por tudo isso, acreditam os que o conhecim ento é o único cam inho que poderá levar o hom em ao local que ele m erece, com o filho am ado do Altíssim o, m esm o que nessa m esm a categoria estej am infinitas form as de “hum anidades” e de vida espalhadas pelo cosm o. O bilhete de ingresso para esse m undo é a hum ildade em adm itir que pouco conhecem os do m undo e ainda som os m uito pequenos.

12. E o fanatismo religioso, como será suplantado?

Ishmael. O fanático acaba virando m otivo de piada, em qualquer situação. Desculpem a franqueza.

Ele se torna o centro de piadas sem graça e com graves consequências para ele m esm o.

O fanatism o im pede que venham os a ter sensatez, a pensar livrem ente. O fanático é escravo de seus “pensam entos” preconcebidos e não pode fugir daquilo; ao m esm o tem po em que é senhor dos seus destinos, é escravo de sua incapacidade de m udar.

É o pior tipo de escravidão.

Com o acreditar que um pai condenaria um filho ao inferno eterno? Com o acreditar que alguém possa ser considerado culpado de um pecado original com etido há m ilhares de gerações? Isso é incoerente, m as não adianta discutir. Darwin fez um papel m aravilhoso em m ostrar a relação que existe entre as diferentes form as de vida e ninguém consegue negar isso no presente. A evolução das form as e das idéias irá se encarregar de m udar a m aneira das pessoas encararem a vida e o nosso papel dentro dela (9).

A m aneira m ais fácil da nos vacinarm os contra o fanatism o é a educação. Quem conhece o passado sabe que o crescim ento de todos nós é paulatino e gradual, de form a que as grandes revelações e m odificações dem oram séculos para se im por pela lógica e coerência. A vida espiritual som ente poderá ser com preendida à luz da m ais pura lógica.

13. Como conciliar o ensino da doutrina espírita em uma sociedade não muito afeita ao estudo?

Ishmael. Em m uitas casas espíritas, o estudo é dissociado da prática. Se organizem m elhor.

Por que acham que o livro sozinho teria de fazer o m ilagre que a vida não foi ainda capaz de fazê-lo? Tornem o estudo m ais dinâm ico, principalm ente para os m édiuns, evidenciando, na prática, as vantagens que todos teriam se a dedicação ao estudo fosse m aior. O estudo prepara e protege o trabalhador.

Médium que não gosta de estudar ou que só aceita a opinião de seus guias é m édium fascinado, obsediado.

Discutir sem tolher tam bém tem efeitos m aravilhosos na m ente e no coração de m eus am igos encarnados e desencarnados.

Vale a pena pedir para as pessoas conversarem sobre suas experiências de vida e isso poderá ser utilizado nos cursos e estudos em elaboração. Muitos têm m edo de falar e se expor porque se j ulgam despreparados para tanto, o que não é real. A vida ensina e educa. Os títulos acadêm icos do m undo pouco significam aqui. Na casa espírita deveríam os dar o valor real às coisas, sem tanto apego às aparências.

Recentem ente, estive em um a reunião em um a grande casa espírita na cidade do Rio de Janeiro, quando um dirigente encarnado questionou um de seus auxiliares sobre os nom es dos com panheiros que deveriam m inistrar as palestras até o final do m ês. Na m edida em que os nom es eram proferidos, de form a respeitosa devo adm itir, um deles cham ou a atenção do j ovem dirigente que falou de form a pouco adequada:

- Ih, m as esse aí não tem livro publicado e é pouco conhecido. Não teria alguém m elhor, não? – disse fazendo cara de deprezo.

Senti tristeza. O j ovem citado e preterido com o palestrante era portador de grande conhecim ento e elevação espiritual, m as não carregava título de doutor no currículo terreno, tam pouco tinha textos espíritas publicados. Era um verdadeiro trabalhador cuj a caridade e hum ildade im pressionaram a todos nós. Posteriorm ente fiquei sabendo que outro foi escolhido no lugar daquele am igo, que foi convidado para dar um a palestra, em data posterior, sobre um assunto que, na opinião do dirigente supram encionado, não atrairia m uitas pessoas ao centro, algo m enos relevante.

Não são atitudes desse tipo que irão estim ular os nossos am igos ao estudo e ao aprim oram ento. Nesses m om entos, devem os m ostrar onde se aplica o ensinam ento evangélico, com desapego, e todos acabarão se sentindo m ais capacitados ou estim ulados ao progresso. Um degrau após o outro e cada caso é um caso.

Aos am igos com m aior conhecim ento form al, se preparem para transm itir a essência da m ensagem cristã, de form a sim ples e clara. A transm issão do conhecim ento com hum ildade é um a boa dem onstração prática de que a luz da sabedoria ultrapassou as barreiras estereotipadas da m ente e se aloj ou na alm a. É um passo im portante. Vej am que Jesus falava por parábolas porque o povo sim ples tinha dificuldade de entendê-Lo de outra form a. Talvez tenham os de agir, às vezes, dessa m esm a m aneira para estim ular o estudo da doutrina.

Muita coisa m udou, m as m uitos ainda são os desafios e as parábolas podem ser úteis para alguns, enquanto o discurso m ais direto j á pode ser utilizado para outros tantos.

14. Em anos recentes, temos percebido que a maioria das agremiações religiosas têm problemas com o uso do dinheiro arrecadado com suas atividades. Como deve o centro espírita proceder com relação a essas fontes de renda?

Ishmael. O dinheiro, com o quase tudo na vida, não é bom ou ruim . Sabem os que sem ele nossa capacidade de realizações se m ostra m ais m odesta, m as o que o torna bom , ou não, é o uso que dele fazem os e a dependência que dele dem onstram os.

Podem os aj udar m uita gente m esm o sem o vil m etal. A falta de recursos não pode ser desculpa para a inatividade e falta de vontade de auxiliar.

Mas o que encontram os por aí, no m eio de religiões de fachada, é um com ércio absurdo que se m antém em função da ignorância de m uitos. Quando o dízim o e outras form as de contribuição foram instituídos na Antiguidade, tais recursos tinham a conotação de um a obrigação para m anter a estrutura da com unidade, quase sem pre ligada às figuras daquelas pessoas que tinham m aior facilidade de lidar com as coisas da fé. Era um tipo de im posto que m antinha o culto religioso e a estrutura física da própria vila.

Isso é m uito diferente da venda de curas e o evangelho da prosperidade, onde o que dam os ao “deus” volta para nós m esm os, m as m ultiplicado por 100, 1000 ou m ais. Isso é um sacrilégio. Para aqueles que doam , tirando da boca de filhos fam intos, a responsabilidade tam bém se fará sentir no m om ento certo, na dosagem certa, m as para aqueles que usam as escrituras divinam ente inspiradas para o enriquecim ento, a cobrança será outra.

Os abism os estão lotados de pessoas que se fizeram escravizar pelo vil m etal, utilizando-se do santo nom e de Nosso Senhor com o form a de angariar recursos. A dor que sentem não pode ser descrita, de form a que não tentarei fazê-lo.

Assim , se vocês não puderem utilizar os recursos arrecadados de form a honesta e espontânea, com o a venda de livros e organização de eventos, além de contribuições abertas e de fontes consideradas lícitas pela j ustiça dos hom ens e de Deus, se afastem da tentação de tê-los.

Muitos m édiuns receberam som as elevadas ao longo de sua vida e puderam auxiliar o próxim o com esses recursos, que, francam ente, lhes foram endereçados por um a espiritualidade que os acom panhava e sabia que aquilo não era um a tentação adicional. Para outros, o orgulho, vaidade e o personalism o levaram -nos à quase falência m oral. Vej am com o m uitos dem onstram a influência da obsessão em palestras em que prim am pela falta de m odéstia ou de bom senso. Fazem um desfavor ao Espiritism o.

A pior cegueira é a que nos im pede de entender o que vem os. O pior m onstro é o que nasce do nosso coração. A dependência do dinheiro é um câncer do pior tipo, insensível á quim ioterapia, radioterapia e cirurgias radicais.

Nunca se utilizem da sim plicidade do outro para o enriquecim ento e nunca cobrem aquilo que receberam do Alto gratuitam ente, isso é o cerne da prática m ediúnica e constitui um bom patam ar inicial para exercitarm os o am or ao próxim o. E não m e refiro apenas ao dinheiro, m as tam bém aos presentes e influência pessoal. Tudo isso foi deixado de form a nítida e transparente, por Kardec, no “O Evangelho Segundo o Espiritism o” e pontua toda a codificação e as obras das m ais variadas, de m uitos expoentes do m ovim ento espírita do seu povo.

Aos hom ens o que é dos hom ens, a Deus o que é de Deus. Belo antídoto para a prom iscuidade que se insinua quanto usam os da fé para a conquista do poder econôm ico. Jesus tam bém realçou isso quando questionado sobre o que dar a Cesar e a Deus. Após 2000 anos ainda estam os discutindo com o fazer essa distinção.

15. Temos observado que muitas religiões cristãs se aproximam da exaustão do seu modelo de trabalho, com a separação completa entre o conhecimento adquirido através da ciência e os atributos ligados a fé. Como evitar que o Espiritismo, como doutrina cristã que é, sofra desses mesmos problemas?

Joseph. A filosofia dos espíritos é plástica e sem pre se adapta. Jesus nos prom etera um Consolador porque, há 2000 anos, não tínham os conhecim ento de praticam ente nada a respeito da vida espiritual. A codificação de Kardec e os anexos que ela ganhou, na obra de m uitos irm ãos, passaram a nortear o que precisam os ter com o base para o entendim ento da vida, em todos os planos vibratórios e esferas. Cada um deve buscar um a base para estudar e aprender.

A espiritualidade tem descrito, para m eus irm ãos encarnados, as peculiaridades das m ensagens m ediúnicas e os fatores interferentes no processo, de form a que todos podem separar da literatura e das crenças espiritualistas o que é bom e aquilo que foi escrito em tom precário, sem grande fundam entação, ou transm itido com o um a opinião pessoal do m édium ou do espírito com unicante.

O codificador deixou claro que o conteúdo científico deveria ser incorporado à visão que os espíritas deveriam ter do universo com o um todo e atualm ente m uitos grupos de pesquisa ao redor do globo se curvam , ou m elhor, se levantam , diante das evidências de que tem os um corpo energético j unto ao corpo físico e que a consciência do que som os parece vencer a barreira da m orte. A consciência sobrevivendo à m orte física.

Muitos ainda negam tudo isso, quase sem pre lastreados pelo orgulho que os im pede de ver algo acim a deles próprios ou que venha obrigá-los à reform ulação de estratégias de vida (10). O m aior obj etivo do conhecim ento é perm itir ou induzir a m udança do am biente e daqueles que a ele estão expostos. De que adianta saber que existe um despenhadeiro à nossa frente se não tem os a iniciativa de m udar o cam inho que adotam os para nós m esm os?

Sabedoria é o conhecim ento que m uda, é o conhecim ento que faz o seu papel, é o em prego adequado de nossas experiências. Sabedoria é o conhecim ento colocado em prática, m udando e transform ando tudo ao seu redor.

16. O terrorismo de fundo religioso vem sendo destacado com grande ênfase desde final da G uerra Fria, mas sabemos que,no passado, muitos cristãos também adotaram a postura de guerreiros santos, o que nos parece lastimável. Q ual é o destino desses terroristas e guerreiros “santos” após a morte?

Joseph. Quando pedim os a Deus, através da oração do Pai Nosso, que Seu Reino se faça presente em nossas vidas, deveríam os acrescentar o term o “no m om ento certo”. Não é o reino de Deus que virá até nós e sim nós que deverem os nos preparar e habilitar para esse reino. Por “Reino de Deus” devem os entender que é um estado íntim o de plenitude da alm a. Não irem os encontrá-lo nos céus ou nos universos paralelos, m as dentro de cada um de nós.

O Céu ou o Inferno estão dentro de cada um de nós. A esses fanáticos não caberão os louros de vitórias frente aos “infiéis”. No início, após o desencarne, o desconhecim ento acabará protegendo-os de dores m aiores, pelos atos de violência com etidos, m as não encontrarão trom betas ressoando ou santos para recebê-los no Além Túm ulo. Serão doentes do corpo e da alm a.

Na m edida em que adquirirem m ais conhecim ento sobre o planej am ento reencarnatório que deveriam cum prir na vida que se encerrou, passarão à fase do rem orso, porta de m uitas purgações e o profundo m ergulho nos abism os da dor e da revolta poderá lança-los em am bientes trevosos, acusados de assassínio em nom e de Deus. Alguns cruzados e guerreiros m ouros, bem com o outros oriundos de outros tem pos m ais recuados se negam a sair do m onoideísm o que os converteram em ovoides. Culpam -se e tem em ; tem em m uito.

O tem or, a desilusão e o rem orso são dem asiadam ente profundos para serem vencidos sem o auxílio de um a nova existência no plano físico, onde por vezes reencarnam em condições fisicam ente e m entalm ente lastim áveis. Apenas o trabalho em prol de seus iguais (m uitos dos quais vítim as do passado) poderá acalm ar as dores e angústias e sem ear um cam inho futuro m ais harm ônico.

17. Em nossas reuniões, o que fazer para tornar o ensino da doutrina espírita mais atraente aos jovens?

Ishmael. Cada caso é um caso. Creio que isso não poderia ser considerado inovador (11). Existem m uitas sugestões que poderiam ser consideradas. Um a boa ideia, que quase sem pre surte bons resultados, é o ensino entre iguais.

Por exem plo, quando Deus quer falar com um hom em , Ele envia outro hom em para fazê-lo. Um m édico terreno falando a outro, um advogado para a outro e um j ovem de coração falando sobre a Doutrina dos Espíritos para outro j ovem . Muitos podem ser “novos” nessa existência, sem serem j ovens; m uitos carregam dogm as dem ais para estim ular e m ente de pessoas que desafiam o senso com um e procuram encontrar os lim ites daquilo que encontram pelo cam inho.

Juventude é desafio, coloquem pessoas que são capazes de responder os questionam entos feitos, m as principalm ente que tenham a capacidade de falar “eu não sei, vam os estudar j untos”.

O m elhor professor é aquele que se sente aluno. Um eterno reencontro com o saber.

Procurem dar cores novas e destituídas de arcaísm os aos estudos destinados ao público m ais j ovem . Anseiem por m om entos de descontração e não fiquem falando de dívidas, dívidas, dívidas e m ais dívidas espirituais em todos os m om entos. Mostrem que o obj etivo das nossas existências físicas é o crescim ento espiritual, que pode ser obtido com alegria e descontração. A Filosofia dos Espíritos não é destinada aqueles que querem m orrer logo e entrar nesse lado do véu, m as principalm ente para aqueles que querem crescer cada dia um pouco m ais.

Muitos centros espíritas são verdadeiros túm ulos da razão e do sentim ento. Acabam se convertendo em ponto de reunião de pessoas tristes, que sentem que não fazem o que poderiam pelo próxim o. Com o esperam que os j ovens, que estão procurando um a vida m elhor e m ais útil venham a se sentir bem em tais esquifes?

“Tem os que ter” ânim o e vontade de seguir adiante. O sorriso e a vontade de aprender e questionar devem estar sem pre em nossa m ente, não pela sim ples curiosidade, que é o que m uitas vezes m otiva a busca inicial, m as pela transform ação que liberta. Ou vocês acham que apenas os encarnados participam dessas reuniões?

Ainda m e sinto um j ovem , em verdade com centenas de m ilhares de anos e alguns cabelos brancos, m as j ovem .

18. Devemos dar alguma ênfase ao ecumenismo em nossa postura junto aos estudos no centro espírita? Comoo ecumenismo é considerado nas igrejas e centros no mundo espiritual?

Ishmael. Sem pre o estudo...

Verifico que vocês realm ente possuem certos problem as em relação ao “estudar”. Eu adoro e hoj e procuro fazer com que outros sintam prazer com o aprendizado. Estudar não é um sinônim o direto de ler: am igos iletrados podem estudar até m ais do que os m ais cultos, escutando e discutindo com bom senso adquirido na vida atual e nas existências anteriores. A caridade intelectual tam bém im portante: quem sabe m ais deve ensinar quem está com eçando, m as ensinar sem esperar retorno, sem esperar dem onstração exteriorizada de gratidão. Aquele que se recusa a ensinar o que sabe é avarento.

Estudar é acrescentar algo. É questionar e ter a m ente aberta. Ecum enism o é a busca pela unidade, pela unificação de propósitos, é dar m ais im portância ao que nos une do que ao que nos separa e divide. É um a boa postura de vida, m as deve ser acom panhado de sensatez.

Muito do que vocês creditam à filosofia espírita tem origem m uito recuada no tem po, lem brando os círculos iniciáticos do extrem o oriente e dos vales dos rios Nilo, Indo e Ganges, sendo incorporado às suas atividades em função de todos terem percebido a coerência e os benefícios desse conhecim ento, além do fato de que m uitos dos prim eiros expoentes do m ovim ento espírita terem sido antigos m estres dessas antigas crenças orientais. Mas o ecum enism o precisa ser calcado na avaliação acurada e desapaixonada.

Se aquilo que pretendem os harm onizar com a Doutrina Espírita se m ostrar bom , que bom ! Incorporarem os a título precário, que se tornará definitivo quando tiverm os elem entos de ponderação. Isso não apenas no estudo, m as na própria rotina das casas e terapias espíritas.

Se o m aterial exógeno for sectário ou dogm ático, ou se apenas incorporar m ais elem entos de cerim onial ou liturgia, deixem os com o está. Não precisam os disso. Precisam os aprender a dizer “não”, de form a educada, m as firm e.

19. O que vocês podem dizer da presença de entidades que se manifestam com caraterísticas típicas de preto-velho, pretas-velha, caboclo, orientais e outros em casas espíritas?

Ishmael. Ainda bem que não vivem os das aparências, m as fico feliz por não utilizar o kipá (12) quando nos dirigim os até vocês. Im aginem o que falariam se percebessem um “espírito j udeu” em parceria com um m édium discorrendo sobre reencarnação? Além disso, não fui e não sou belo (13). Aqueles que dão m uito valor às aparências sofrem um pouco aqui.

Alguns que foram belos dem ais aí escondem o rosto pelo que fizeram com sua beleza e aparência física. Muitos “feios” por fora se revelam extraordinariam ente belos em suas form as espirituais lum inosas. A apresentação física de um espírito pouco ou nada tem a ver com o sua evolução pessoal.

Aqueles que se apresentam com o preto-velho e outras entidades de cultos afro-am ericanos podem ser de m uitos tipos diferentes. Alguns nunca foram negros na vida corpórea, a m aioria por sinal. Adotam essa aparência sim ples para chegar m ais “perto” das pessoas e vencer a im agem m ais elitizada que m uitos espíritas acabaram sem eando e hoj e não aceitam a colheita. Com o todo o qualquer espírito, seu valor está diretam ente ligado à qualidade de suas atitudes e palavras. Nada além ou aquém disso.

Quando esses am igos estão trabalhando em casas espíritas, não se tratando de m istificação, geralm ente apresentam grande facilidade de preparar o am biente das reuniões m ediúnicas e em utilizar as energias da natureza no tratam ento de m ales do corpo e do perispírito (14). Outros se especializaram no controle e contenção das forças das trevas e não existe centro espírita, ou com o alguns de vocês falam , kardecista, que não tenha preto-velho ou preta-velha na esquipe de trabalhos com energias densas. São as faces quase sem pre ocultas do Espiritism o brasileiro. Mas não tom em essas palavras ao pé da letra, um a vez que, em m uitas casas de oração, eles são reconhecidos e seu trabalho é valorizado. Por favor, nesse aspecto, fuj am dos estereótipos, um a vez que a grande m aioria desses nossos com panheiros não fala com sotaques ou trej eitos que vocês norm alm ente atribuem aos espíritos que se apresentam com o afrodescendentes.

Os caboclos e outras form as de m anifestação poderiam m erecer considerações sem elhantes, principalm ente porque quase sem pre são espíritos de coragem e destem or, procurando a j ustiça com m isericórdia para todos, ganhando notoriedade em atividades de vigilância, m as assim cairem os nos estereótipos e devem os evitar essas considerações, um a vez que m uitos espíritos trevosos tam bém assum em a aparência de preto ou preta-velha e caboclos e espalham desarm onia em casas e terreiros que não possuem vigilância adequada. Nos centros espíritas e terreiros de um banda, grande parte das atividades de resgate nas trevas é realizada por esses am igos. Muitos deles nunca tiveram relação com os am eríndios, m as são assim reconhecidos em função do trabalho que executam e da tendência dos m édiuns de em pregarem term os que são facilm ente com preendidos no m eio em que se encontram .

A despeito dessas palavras, m uitos são os m édiuns que se iludem com a im agem de preto-velhos, caboclos e índios que na realidade estão m ais para obsessores do que trabalhadores espirituais de suas casas de oração. Devem os sem pre agradecer ao Alto a proteção que tem os nos trabalhos desenvolvidos, aos enviados da espiritualidade am iga que nos acom panham e colaboram superando nossas lim itações gritantes. Os espíritos bons não fazem questão de citações e hinos de louvores a seu respeito e atribuem a Deus todos os feitos que conseguiram realizar em nom e Dele. Cuidado quando entidades passam a pedir oferendas e cobram atitudes estereotipadas de seus m édiuns. Não são o que falam , não conhecem o que pregam e não fazem o que pregam .

Com o tem po vocês passarão a sentir e a conhecer os espíritos que trabalham em suas casas de assistência, independentem ente da form a com que aparecem ou se m anifestam . Por esse m otivo, o produto do trabalho ou o sentido das palavras traduzidas em psicografias são m ais im portantes do que o nom e do espírito com unicante, que às vezes om ite essa particularidade por m otivos fam iliares, por questões de credibilidade ou por considerar que um nom e não traria qualquer benefício para o que está sendo desenvolvido. Assim , se eles não se identificaram , não fiquem cobrando suas identidades, m as apenas supervisionem o trabalho realizado.

Para encerrar, o espírito pode, ao m esm o tem po, proj etar sua im agem a um m édium vidente com a form a de um preto-velho e para outro m édium adotar um a aparência bastante europeia, sim ultaneam ente, frutos da m anipulação da m atéria m ental ao redor ou da percepção do m edianeiro. Afinal, vem os essencialm ente aquilo que a espiritualidade quer nos m ostrar. O perfum e vale m ais que o frasco; ponderem sobre o conteúdo das m ensagens e das terapias realizadas e fuj am de estereótipos vazios.

Eu m esm o m e m anifestava ao interm ediário dessas linhas com o um professor alem ão, calvo e m agro, m as hoj e, naturalm ente, quem m e conhece acaba vendo um j udeu m ais idoso, barbas e cabelos longos, escuros e grisalhos nas têm poras; um a aparência que tive há m ilênios e que m uito m e m arcou. Sofri m uito naquela época e cresci. Tive a honra de ver o Mestre dos Mestres na m inha frente e ri de sua dor física na cruz, com o outros que estão ao nosso lado tam bém o fizeram .

Jesus é alguém que extrapola tudo que as palavras podem transm itir e isso irritava todos os que, com o eu, se j ulgavam poderosos. Mestre, sábio, santo, pleno, sublim e... Tudo isso é pouco, m as são as palavras que disponho. As lem branças calam fundo no coração. Dem orei séculos para entender o que não pude com preender na época e m e apresento assim para m ostrar que a casca que envergam os não acrescenta nada ao nosso espírito.

Essa m aneira de m e apresentar aos m eus am igos faz com que m e lem bre dos tem pos em que tínham os m uita vontade de crescer e aprender e os m eios eram escassos. Espero que essa aparência não afugente ninguém , tam pouco estim ule os m édiuns a doutrinar esse velho (15).

20. O que fazer quando as orientações que são dadas por esses espíritos não estão de acordo com os postulados do Espiritismo e pregam o uso de ervas e outras estratégias de tratamento?

Ishmael. Antes de j ulgarem as palavras, pensem no sentido das m esm as.

Sabem os o que é fruto do m al e do bem . Conhecem os porque estudam os e vivenciam os. Com isso em m ente, concluím os.

Tom ar infusões e chás que naturalm ente fazem parte da dieta de um a fam ília ou povo, com reconhecidas propriedades terapêuticas, cuidar da disposição da casa e da aparência física não ofendem ninguém . Quando pedem orações e cuidados com a dieta para pessoas m ais sim ples, eles acabam se utilizando de suas crenças para fazer um bem a elas. Todas as vezes em que a pessoa for orar ou dedicar determ inada oração a alguém , evocando o santo cicrano ou fulano, estará m udando o seu m undo e se sentindo m ais protegido, o que é bom . Cada um com a sua m ensagem .

Para aqueles que j á apresentam m ais discernim ento, não precisam os fazer uso desse tipo de procedim ento, e o pai-fulano pode falar m ais livrem ente, quer m antendo a aparência de um preto ou preta-velha, quer na condição de m édico ou qualquer outra m anifestação. O conteúdo é m ais im portante do que a form a e a aparência, com o dissem os anteriorm ente.

Devem os sim im pedir que bebidas alcoólicas e outras substâncias quím icas venham a ganhar a intim idade de vossas reuniões com a espiritualidade, porque isso sem pre acaba sendo m uleta para a dependência, não traz benefício algum e prej udica sobrem aneira a relação entre os verdadeiros m entores e seus interm ediários encarnados. Quando um espírito insiste nesse tipo de procedim ento, quase sem pre ele encobre um quadro de dependência quím ica.

Além do m ais, o consum o desse tipo de bebida acaba pervertendo o próprio am biente da casa espírita, abrindo as portas para a com ercialização de curas e terapia espiritual, tão com uns entre vocês, m esm o no presente. As bebidas alcoólicas e dem ais agentes considerados drogas pela espiritualidade exalam fluídos bastante deletérios e não posso crer que energias densas possam ser úteis nas terapias e nas dem ais atividades de um a casa espírita.

A utilização de extratos de plantas com o m edicam entos, em casas espíritas, deve sem pre receber o aval da m edicina terrena, posto que se insere área de atuação do m édico encarnado. Quando indicado pela espiritualidade, pode-se verificar que se trata de chás e infusões que não representam risco para a fisiologia do corpo físico de m eus am igos encarnados, apenas perm itindo que o bioplasm a contido nas plantas utilizadas e j á encontradas na dieta da população, atue. Em caso de dúvida, não transm ita a orientação ao consulente antes de averiguar os efeitos do tratam ento indicado com um profissional adequadam ente preparado. Muitas pessoas se aproveitam desses procedim entos para denegrir o Espiritism o e todo cuidado deve ser tom ado para im pedir o êxito daqueles que apenas se interessam pela calúnia e difam ação.

Nem todas as pessoas com preenderiam um m undo espiritual sem crucifixos, velas e altares. Para nós, o m aior altar de louvor a Deus está contido em nosso coração, m as não podem os criticar aqueles que sentem necessidade de cultos m ais estereotipados e procedim entos litúrgicos tradicionais. Evitem a crítica e peçam ao espírito, através de seu m édium , que trabalhe dentro dos postulados da Doutrina Espírita. Quando vocês estudam , seus m entores tam bém são educados e preparados. Se os am igos espirituais não se adaptarem à casa em que vocês trabalham , sob a égide da Doutrina dos Espíritos, a espiritualidade deverá encontrar outro com panheiro que tenha o desej o de aj udar e afinidade pelo estudo e pela doutrina da casa. Não são apenas os espíritos que trocam os seus m edianeiros.

21. Temos visto muita crítica entre os próprios espíritas, que se autodenominam de

“reformistas” ou“ortodoxos”. Como conciliar as correntes de pensamento?

Ishmael e Joseph. Pensando e ponderando.

22. Podemos dizer que as religiões com bases na mediunidade são espíritas de alguma forma?

Ishmael. Caros am igos, por que tanto apego a nom es? Isso traduz m iséria espiritual.

Manifestações m ediúnicas abundam em todas as religiões, tanto no ocidente quanto no oriente. Vej am os padres que são intuídos a pregar determ inadas m ensagens a seus seguidores e pastores que e dem ais religiosos que possuem m ediunidade de cura. Inspiração, intuição, vidência, audição, efeitos físicos e cura, e m uitos tipos m ais de m ediunidade sem pre fizeram parte dessas religiões, m uitas das quais nem são reencarnacionistas.

Com o falei anteriorm ente, a aceitação da reencarnação em nível m undial seguirá o m esm o fenôm eno que vem ocorrendo no Brasil, onde m uitas pessoas que seguem crenças m ais literalistas acabaram aceitando pacificam ente a idéia do retorno periódico ao m undo físico. Tudo isso tam bém é consequência de um a m aior exigência das pessoas sobre as crenças a que são frequentem ente expostas. A evolução se m anifestando não apenas em nível da biologia, m as tam bém da alm a (ou principalm ente da alm a).

Esse processo é lento e depende da difusão da Doutrina dos Espíritos e do exem plo de todos nós. Com o m encionam os, a lógica é a base de m uitos aspectos da vida espiritual.

Notas dos autores:

 

1. Nota do autor encarnado: Elias e Moisés se m aterializaram e conversaram

com Jesus aos pés do m onte Tabor, chegando a ponto dos apóstolos sugerirem que barracas fossem erguidas para acom odar os ilustres visitantes do plano espiritual. Um a linda descrição bíblica que não deixa dúvidas sobre o ocorrido.

2. O autor desencarnado faz clara referência ao texto do evangelho de João

8:32. "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".

3. Nota do autor encarnado: nesse momento, Joseph comentou sobre os cientistas

modernos: “¾ Eles (os pesquisadores) se acostumam tanto com o sobrenome em artigos científicos que se tornam obsediados pela nossa própria vaidade. Se tornam escravos dos seus próprios egos inflamados”.

4. Nota do autor encarnado: para maiores informações sobre a relação das vidas

passadas e seu legado com o processo de reencarnação, consultar o ótimo livro “Karma e reencarnação”, que mostra uma coletânea de textos redigidos pelo guru indiano Paramahansa Yogananda, publicado no Brasil pela editora Pensamento. Existem algumas diferenças com a maneira espírita de ver o processo reencarnatório, mas as semelhanças são muito mais notáveis e proeminentes.

5. Nota do autor encarnado: existem ótimos textos sobre o papel da

reencarnação na vida judaica e na Cabala desde os tempos medievais. Uma sugestão é o CD intitulado “Reencarnação” de autoria de Avraham Chachamivits, Editora Portais da Cabala, 1º. ed., 2009.

6. Nota do autor encarnado: Ishmael, no início desse trabalho, se apresentava

como um senhor de meia idade ou pouco mais velho, sempre trajando avental branco, comprido, e óculos grossos e antiquados. Fisionomia de acadêmico da primeira metade do século XX. Segundo ele, para que fosse reconhecido pelo autor encarnado. Com o tempo, passou a se apresentar aos olhos desse último como um senhor de trajes rabínicos antigos, cabelo cinza encaracolado. Contudo, seu bom humor e expressão de profunda jovialidade não mudaram.

7. Nota do autor encarnado: esse é o 10º. m andam ento do m édium , com o

apresentado no livro “O espírito da verdade”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, autores diversos, editado pela Federação Espírita Brasileira. 1961.

8. Nota do autor encarnado: para os interessados em estudar os limites da ciência

moderna, vale a pena ler as discussões sobre a energia do vácuo, ou energia escura, a matéria escura, axions e a obra de Harald Saxton Burr, da Universidade de Yale, sobre os campos eletromagnéticos que envolvem todas as formas vivas.

9. Nota do autor encarnado: para aprofundar o papel da ciência nas novas

maneiras de encarar a vida e a reencarnação, procurar o livro “Reencarnação. O mistério do homem”, de Edward Wriotheley Russel, Editora Arte Nova, 1972.

10. Nota do autor encarnado: como nos mostra a Lei de Russel, “A resistência às

idéias novas aumenta em função do quadrado de sua importância”, ou como colocado por Edward W. Russel, citando as palavras do Dr. Velikivsky, “Todas as pessoas estão a favor das idéias novas, desde que elas sejam exatamente como as antigas”....ahhhhhhh. Homo sapiens... Sapiens, sábio?

11. O companheiro espiritual passou a rir nesse momento, uma vez que sempre

utilizamos desse tipo de terminologia no nosso dia a dia, na vida universitária, quando discutimos o diagnóstico de enfermidades físicas e a extensão das mesmas.

12. Nota do autor encarnado: kipá em um tipo de chapéu que ilustra, para o judeu,

o seu respeito e amor a Deus.

13. Mais uma vez Ishmael sorriu do nosso questionamento e procurou brincar com

o apego que temos às aparências.

14. Nota do autor encarnado: antes que os preconceitos racial e cultural, que já

são abomináveis do nosso lado da vida, venham a se fazer sentir sobre esses espíritos, gostaria de lembrar que no livro Nosso Lar, André Luiz solicita a colaboração da

enfermeira Narcisa diante de um quadro de doença física associada à obsessão, sendo que ela emprega energias de plantas (eucaliptos e mangueiras) no tratamento dos envolvidos, através de elementais naturais.

15. Nota do autor encarnado: como somos fruto do ambiente cultural em que nos

desenvolvemos, o maior problema de Ishmael com a aparência que ele enverga quando se apresenta é ser confundido com Jesus. Sabemos que essa comparação é meio absurda, mas as pessoas enxergam o Mestre em todos os indivíduos com cabelos longos no estilo judaico. De qualquer forma, ele transmite muita paz e alegria, principalmente quando faz brincadeiras, como ocorreu no momento da redação desse parágrafo.